"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

Outubro 17 2010

Projectado pelo arquitecto Cottinelli Telmo nos anos 20, e mandado construir pelos Caminhos de Ferro, este sanatório fica situado em Porta dos Hermínios nas Penhas da Saúde junto à cidade da Covilhã, a 950 metros de altitude. O seu objectivo foi o tratamento de tuberculose dos seus funcionários. Estes podiam beneficiar da localização em sitio calmo e dos ares da Serra, fazendo parte da rede de 11 sanatórios, existentes no inicio do século XX.

Demorou 8 anos a ser construído (1928-1936) e permaneceu fechado durante outros tantos anos, devido a circunstâncias diversas e estranhas à CP. Depois viria a ser arrendado à Sociedade Portuguesa de Sanatórios, com a condição de receber todos os doentes necessitados de tratamento de altitude, tendo cinquenta camas à disposição da Assistência Nacional aos Tuberculosos.

Este bonito edifício, se estivesse situado nos Alpes, decerto não teria acabado como as últimas fotos mostram.

 

O edifício acolheu, ao longo de mais de 40 anos, muitos milhares de tuberculosos, provenientes de todo o país, que procuravam recuperar da tuberculose nos bons ares da Serra da Estrela.

Apesar de acolher doentes de todas as classes sociais, os doentes menos favorecidos não tinham acesso a todas as alas, algumas destinadas apenas às classes altas, que ali encontravam todo o conforto que o dinheiro podia comprar.

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Oito anos após a cedência, o edifício passou para as mãos do Estado, "tomando conta dele", o Instituto de Assistência Nacional de Tuberculose (IANT), passando também a partir de 1953, a ser internados doentes pobres.

O recurso à quimioterapia anti-tuberculose, levou ao encerramento dos sanatórios afastados dos centros urbanos e pouco rentáveis.

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Em Junho de 1969, por ordem do Ministério de Saúde e Assistência seria dada ordem de encerramento. O seu último director Dr. Carlos Coelho, licenciado em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, acabou por ser o último testemunho do encerramento do Sanatório.

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Depois do encerramento do edifício como Sanatório, este continuou a ser preservado por um casal, dois funcionários que aí permaneceram para o manter habitável. Enquanto esses dois funcionários, o Sr. José Francisco Amorim e Sra. D. Lurdes Amorim aí se mantiveram como funcionários do Estado, o referido espaço manteve todo o seu esplendor e todas as condições de habitabilidade até à altura em que foi utilizado para prestar acolhimento a cerca de 700 pessoas “retornadas”,  por motivo da independência das antigas colónias portuguesas.

Após a estadia temporária dessas pessoas, que entretanto procuraram refazer a vida e foram abandonado definitivamente o Sanatório que lhes serviu de abrigo temporário, notou-se muita degradação. Mesmo assim, o Sanatório manteve-se funcional e  preservado até ao momento em que estes dois funcionários abandonaram definitivamente o Sanatório quando chegou a idade da sua aposentação.

No final dos anos 80, quando já se encontrava praticamente abandonado e seriamente degradado passou para as "mãos" da Turistrela.

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No ano de 1998 o Sanatório chegou a ser vendido à ENATUR (empresa das Pousadas de Portugal) pelo preço simbólico de 1 escudo. Em contrapartida a ENATUR comprometia-se a instalar ali uma Pousada de Portugal, cujo projecto chegou a ser elaborado pelo arquitecto Souto Moura o qual previa um investimento na ordem dos 10 milhões de euros. Entretanto a ENATUR foi entregue ao Grupo Pestana, e o projecto foi abandonado, tendo em 2004 cessado o contracto. Assim a titularidade do sanatório regressou às mãos da Turistrela.

 

Continua por decidir o destino a dar a este edifício …

 

 

 

Pousada Serra da Estrela

 

Depois de uma longa batalha o sonho concretiza-se

Foi preciso esperar nove anos para fazer concretizar a obra de transformação da ruína do edifício do Sanatório em nova Pousada da Serra da Estrela. A Entidade Regional de Turismo da Serra da Estrela fez disponibilizar os meios para o pagamento do projecto na condição de propor o arquitecto Souto Moura.

Agora, também nos sentimos orgulhosos; a Serra da Estrela inaugurará em menos de 16 meses a mais recente obra do vencedor do Prémio Pritzker.

Valeu a pena lutar pela concretização da obra (desde há 7 anos sozinhos).

Parabéns Eduardo Souto Moura.

In  jornal local “já agora

Pousada na Serra da Estrela... está quase pronta !!!

 

A reabilitação do edifício do antigo sanatório dos ferroviários, na Covilhã projectado pelo Arquitecto Cottineli vai estar concluída na Primavera de 2014, dando assim lugar à Pousada da Serra da Estrela.

A intervenção da autoria do arquitecto Souto de Moura teve um investimento total a 19,6 milhões de euros, apoiado a 70% pelo Programa Operacional Temático de Valorização do Território, no âmbito do Quadro Nacional de Referência Estratégico Nacional (QREN).

A pousada vai contar com 95 quartos e situa-se a 1200 metros de altitude.

Pousada abre a 1 de Abril

Ex-Sanatório dos Ferroviários encaixa meia centena de trabalhadores

  

A Pousada da Serra da Estrela, que resulta da reconversão do antigo Sanatório dos Ferroviários, localizada na Porta dos Hermínios, é inaugurada a 1 de Abril e entra nessa data em funcionamento, adiantou, ao NC, o Grupo Pestana.

De acordo com o gabinete de comunicação do grupo que gere a rede Pousadas de Portugal, o empreendimento vai criar “cerca de meia centena” de postos de trabalho.

A abertura da unidade hoteleira, como indicava o placar à entrada, estava inicialmente prevista para 2012, mas os trabalhos atrasaram. Há um ano, a ENATUR informava que a obra estava na fase dos acabamentos interiores e faltavam os arranjos exteriores e as ligações finais das redes de instalação de águas, esgotos, energia e telefones e a inauguração acabou novamente por ser adiada, já que chegou a estar prevista para o primeiro trimestre do ano passado.

A obra foi adjudicada há dois anos à Soares da Costa, por 13 milhões e meio de euros. Embora o investimento global ultrapasse os 19 milhões e meio de euros, incluindo o mobiliário, equipamento e a recuperação da zona envolvente. Um investimento apoiado a 70 por cento pelo Programa Operacional Temático de Valorização do Território, no âmbito do Quadro Nacional de Referência Estratégico Nacional (QREN).

No final da década de 80 o edifício passou a ser propriedade da Turistrela. Em 1998 foi vendido à ENATUR pelo valor simbólico de um escudo, para que esta o transformasse em Pousada de Portugal. Em 2003 o Governo privatizou 49 por cento do capital da ENATUR, passando o Grupo Pestana Pousadas a explorar a rede, mas o projecto da Serra da Estrela permanecia parado. Depois de anos de avanços e recuos, a obra começou no início de 2011.

In Notícias da Covilhã de 2014-02-26

publicado por Paulo Jesus às 21:57

Setembro 09 2010

A FÁBRICA ALÇADA

 

Foram várias as unidades industriais que, a partir de meados do séc. XIX, foram fundadas por membros da família Alçada. Contudo, só uma delas ficou designada de “Fábrica Alçada” apesar de ter sido fundada, em 1840, por Manuel Nunes Mouzaco e se encontrar adjacente a uma outra, fundada por João Mendes Alçada. Trata-se de duas pré-existências, nas margens da ribeira da Carpinteira, que, em 1840, foram adquiridas por estes dois empresários covilhanenses, vindo as mesmas a desenvolver-se paralelamente. Em 1864, eram já duas fábricas completas.

Após o falecimento de João Mendes Alçada, em 1875, na partilha dos bens, a sua empresa coube, entre outros, a Manuel Mendes Alçada, vindo a dar origem à “Manuel Mendes Alçada & Filhos”, fundada em 1902 e que, em 1946, veio a ser adquiridas pela firma “Alçada & Rosa, Lda.”.

Entretanto, a empresa de Manuel Nunes Mouzaco passou a “Mouzaco & Cª.”, tendo diversificado os seus empreendimentos, a partir de 1859, através de uma nova firma, localizada no Prazo, a “Manuel Telles Feio & Manuel Nunes Mouzaco”.

Foi na sequência do casamento de João Mendes Alçada de Paiva com a filha de Manuel Nunes Mouzaco, D. Ritta do Sacramento Mouzaco Alçada, que a “Fábrica Alçada”, designada, a partir de 1878, de “Alçada & Mouzaco”, veio a registar um assinalável desenvolvimento. Em 1888, fez a sua primeira apresentação pública na Exposição da Avenida tendo, no ano seguinte, sido distinguida com a medalha de Prata na Exposição Mundial de Paris. Em 1889, alterou a sua denominação para “Alçada & Filho”, vendo a ser uma das quatro fábricas da Covilhã visitadas pela comitiva real, em 6 de Setembro de 1891, no âmbito da inauguração do troço de caminho-de-ferro. Dispunha já então de 234 trabalhadores.

Em 1904, inaugurou a montagem de uma nova cardação e fiação, que constituiu a primeira instalação completa de estambre do nosso país. No mesmo ano, na Exposição Universal de St. Louis, foi distinguida com a medalha de Ouro, na secção de tecidos de lã.

Em 1908, passou a designar-se “Alçada & Filho, Sucessor, fábrica de penteação de lãs, fios de estambre e cardados e ultimação de fazendas”, tendo-se mantido em actividade até 1964. Todavia, em 1919/20, fundou a “Alçada & Cª”, de que passou a ser sócia, juntamente com a firma “Copeiro & Donas”, o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada e o Dr. Manuel Anaquim, vindo a deter, em 1923 50% do capital da mesma. Nesta data, foi efectuado o pedido de licenciamento, para a instalação da fábrica de lanifícios da firma “Alçada & Filho, Sucrs.”.

Em Outubro de 1935, foi instalada uma nova lavadeira para lã penteada, fabricada pela “Fundição do Campo do Rou, Ldaª. A empresa tinha então 320 trabalhadores e produzia, diariamente, 2.500 m de tecido ultimado. Destacava-se ainda pela acção filantrópica que os seus administradores desenvolviam junto do operariado ao serviço da empresa.

Na década de cinquenta, parte das instalações foram arrendadas á firma “António Joaquim Rodrigues”, que aqui laborou, com tecelagem própria, até 1961, seguido pela “Gomes & Cª.”.

Na sequência de um célebre litígio judicial dirimido em 1947, entre os herdeiros de D. Rita do Sacramento Mouzaco Alçada, sobre a posse da propriedade da firma e do estabelecimento fabril, passaram a ser reconhecidos como proprietários da mesma o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada e as suas irmãs, D. Maria Carolina Mouzaco Alçada da Costa Arnaut e D. Maria Beatriz Alçada Guimarães.

Em 8 de Dezembro de 1957, a firma “Alçada & Filho, Sucessor” sofreu um violento incêndio, que destruiu a penteação, parte da preparação e grande número de fiações, tendo, em 1959, requerido a reconstrução e ampliação dos edifícios fabris afectados e renovado o equipamento. A empresa foi ainda sócia da “Tinturaria Alçada” e da “Ernesto Cruz & Cª”. Em 1961, tinha a laborar mais de 500 trabalhadores. Em 1964, o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada tornou-se o único proprietário da empresa, que passou a designar-se de “Aníbal Mouzaco Alçada” ou Fábrica Alçada”. Conferiu então plenos poderes para a gerir a José Cruz Alves da Silva e ao Dr. José de Albuquerque de Almeida Ribeiro, tendo a mesma vindo a cessar a sua actividade em 1967-1968. A partir de então estabeleceu-se, em parte das instalações, a firma EMPREX.

O complexo fabril que compreendia seis edifícios de produção, uma quinta e três casas de habitação foi alvo de várias intervenções, ao longo do tempo, quer na sequência dos incêndios sofridos quer para ampliação das suas áreas produtivas, vindo a desenvolver-se em catorze corpos, ocupando uma área coberta de 14.650 m2.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã


publicado por Paulo Jesus às 20:17

Setembro 09 2010

A FÁBRICA CAMPOS MELO

 

Foi a sede de um grupo empresarial que marcou profundamente a história dos lanifícios tanto a nível local e regional, como nacional. Também conhecida por Fábrica Velha, deve esta designação ao facto de se encontrar instalada num dos mais significativos espaços arqueológico-industriais covilhanenses, nas margens da Ribeira da Carpinteira. Trata-se do local onde, em 1677, sob intervenção do Conde da Ericeira, se instalou a Fábrica Nacional de Sarjas e Baetas, que, em 1780, viria a ser ocupada pela Tinturaria de José Henriques de Castro e, posteriormente, dos seus herdeiros. A partir  de 1845, os irmãos José Maria da Silva Campos Mello, Comendador (1808-1866) e Francisco Joaquim da Silva Campos Mello, 1º Visconde da Coriscada (1824-1876), hábeis comerciantes, instalaram a empresa que possuíam, desde 1835, na Rua Direita e um engenho, no Sítio da Califórnia (Engelho dos Mello), fundado em 1844 e explorado sob a designação comercial de “Gregório Nunes Geraldes & Sócios”, num edifício fabril destinado à cardação, fiação, apisoamento, tosa e percha, construído num terreno adquirido a André da Fonseca Corsino, próximo da Fábrica Velha. Em 1851, o mesmo foi pasto das chamas tendo, por este facto, adquirido as instalações da Fábrica Velha, então na posse de D. António Joaquina de Castro, que submeteram a uma reconstrução profunda, na origem do actual complexo.

Em 1864, encontravam-se já criadas as firmas “Mello Geraldes & Cª.”, com uma fábrica completa, na Ribeira da Carpinteira, e onde laboravam 244 trabalhadores e a “Campos Mello & Irmão”, especializada em acabamentos, com 57 trabalhadores. Esta última, em 1889, foi distinguida com a medalha de prata, na Exposição Internacional de Paris. Difundiram a empresa, a nível nacional, tendo criado casas filiais e depósitos em várias cidades, nomeadamente em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Santarém, dinamizadas pelos irmãos Campos Mello, enquanto que a direcção fabril se encontrava a cargo de Gregório Nunes Geraldes.

Em 1891, foi uma das quatro fábricas visitadas na Covilhã, pela comitiva real, a quando da inauguração do caminho-de-ferro. Em 1892, a firma é co-proprietária de um outro engenho, o do Sineirinho. A partir de então, passou também a produzir fardamentos para o exército.

Em 1908, de sociedade familiar, transformou-se em sociedade por quotas, de responsabilidade limitada, sendo transferida a sede da administração da empresa para Lisboa.

Em 1935, no decurso de uma grave crise que atravessou, foi sócia fundadora da “Nova Penteação e Fiação da Covilhã Lda.”, tendo, para realizar a sua quota, transferido para a nova sociedade os direitos sobre vários prédios rústicos e urbanos e uma mina, bem como a cedência de autorização para a instalação e exercício da indústria de penteação, fiação de lãs e fabrico de lanifícios, que lhes fora concedida por despacho ministerial de 1933. Este alvará e os terrenos vieram a ser adquiridos, em 1938, por aquela empresa à firma “Campos Mello & Irmão”.

Na década de 40 do séc. XX, um último esforço de modernização transformou-a numa empresa modelo, a nível nacional, datando deste período a aquisição, no âmbito do Plano Marshall, do mais moderno lavadouro de lãs do país, com capacidade para lavar 2.000 Kg de lã, por hora.

O espírito progressista e filantrópico dos fundadores e continuadores desta firma, evidenciou-se na criação e apoio a diversas instituições de beneficência covilhanenses, como a Biblioteca Heitor Pinto, a Associação da Infância Desvalida, a Misericórdia da Covilhã e, particularmente, a Escola Industrial Campos Melo. Marcaram a história económica, social, política e cultural da cidade e do país, como expoentes da modernidade e do progresso e de que é ainda hoje um digno representante o especialista têxtil e poeta, Ernesto Manuel de Melo e Castro (1932).

Uma plêiade de técnicos e de operários especializados, formada por esta empresa, alimentou a indústria local e nacional dinamizada pela frequente contratação, no estrangeiro, de quadros técnicos altamente qualificados, particularmente oriundos da Suíça, Bélgica e Espanha (Catalunha).

De tão importante empresa subsiste, actualmente, o complexo fabril e o contexto arqueológico onde o mesmo se insere e que através de uma necessária intervenção arqueológica, permitirá pôr a descoberto as estruturas remanescentes da primeira manufactura de estado, fundada na Covilhã, no séc. XVII. De significativa importância patrimonial será a preservação in situ do lavadouro mecânico ali instalado.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 20:15

Setembro 09 2010

A REAL FÁBRICA VEIGA

 

Em 1784, José Mendes Veiga (1762-1817), um negociante de lãs e panos, cristão-novo, natural de Belmonte, fundou, nas imediações da Real Fábrica de Panos, junto à Ribeira da Goldra, uma manufactura de tinturaria e acabamento de tecidos, que veio, posteriormente, a ser conhecida como a “Real Fábrica Veiga”.

Em 1803, para além da tinturaria e da casa para tesouras e prensas, já possuía um engenho de cardar e fiar, uma casa de teares e 6 râmolas de sol.

Após a morte do fundador, a empresa passou a ser dirigida pela viúva, D. Rosa Jacinta de Carvalho Veiga, e pelos filhos (Rafael, José e Manuel), primeiro sob a designação de “Viúva Veiga & Filhos” (1817-1822) e, seguidamente, sob a de “José Mandes Veiga & Irmão” (1822-1829).

Defensores do ideário liberal e partidários de D. Pedro, os filhos de José Mendes Veiga, entre 1829 e 1834, tiveram que exilar-se, tendo então a fábrica ficado a ser dirigida pela mãe, sob a designação de “Viúva Veiga” (1829-1834).

No final da guerra civil, de regresso à Covilhã, José Mendes Veiga (filho) (1792-1872), assumiu a direcção da empresa. Logo em 1834, veio a estabelecer, no convento de S. Francisco, na Covilhã, por um curto período de tempo, um novo engenho de cardar e fiar, movido a energia a sangue (bois), que viria a ser pasto das chamas.

Na segunda metade do séc. XIX, apresentava-se já como uma empresa vertical, tendo-se convertido num dos mais importantes complexos empresariais da Covilhã e do país. Em 1864, o empresário veio a ser agraciado com a Comenda da Ordem de Cristo.

O estabelecimento beneficiou, ao longo do tempo, de alguns privilégios reais, nomeadamente a isenção de fiscalização pelos Juízes e Vedores dos Panos, bem como a utilização, em regime de exclusividade, de diversos métodos, técnicas e produtos, que lhe garantiram as mais competitivas vantagens de produção.

Em 1881, empregava 400 trabalhadores, tinha 2 rodas hidráulicas e uma máquina a vapor e consumia mais de 180.000 Kg de lã.

Em finais do séc. XIX, integrava 14 unidades fabris e algumas escolas de fiação e cardação, dispersas por diversas localidades da Beira Interior, localizando-se as mais importantes na Covilhã, em Unhais da Serra, Pêro Mouro e no Fundão. Esta situação contribuiu para ter sido uma das quatro fábricas covilhanenses escolhidas para ser visitadas, em 6 de Setembro de 1891, pelos reis D. Carlos e D. Amélia, aquando da inauguração da linha de caminho de ferra à Covilhã. À data, os monarcas ficaram alojados no palacete do Refúgio, habitado pelo sobrinho e herdeiro de José Mendes Veiga, o Comendador Marcelino José Ventura (1820-1891). Este, após a morte do tio, passara a dirigir o complexo, sob a designação, que se manteve até 1904, de “José Mendes Veiga & Sucrs.”.

Nos finais do séc. XIX, a fábrica passou a ser gerida pelo 1º Conde da Covilhã, Cândido Augusto de Albuquerque Calheiros (1840-1904), afilhado de Marcelino José Ventura, que nela iniciara a sua actividade industrial, tendo-a mantido até à sua morte.

Seguidamente, foram numerosas as firmas ocupantes deste imóvel, até ao seu desmantelamento, em finais do séc. XX. De entre elas destacam-se “António da Cruz Inácio”, “Ramiro e Fazendeiro, Lda.”, “António Maria das Neves & Irmão”, “João Lopes Bola, Sucrs”, “Fiandeira Têxtil da Covilhã, Lda.” e “Alberto Roseta & Irmãos, Lda.”.

Vicissitudes várias afectaram este complexo, de que se destaca, em 1895, o desmoronamento de diversas áreas, na sequência de um forte temporal, que provocou graves inundações na ribeira da Goldra e atingiu várias outras unidades fabris. De igual modo, nas duas primeiras décadas do séc. XX quatro grandes incêndios (em 1904, 1915, 1916 e 1919) atingiram o imóvel. Após as necessárias reconstruções, dois outros incêndios, ocorridos nos anos 60 e 90, conduziram à sua desactivação definitiva.

Em 1997, a Universidade da Beira Interior adquiriu o complexo com o objectivo de o transformar na sede do Museu de Lanifícios e nele instalar o Núcleo Museológico da Industrialização e o Centro de Documentação/Arquivo-Histórico dos Lanifícios. Após as cuidadas obras de remodelação, nele encontra-se preservada uma área arqueológica, bem como uma valiosa colecção de máquinas, equipamentos e documentos que constituem os verdadeiros alicerces da história dos lanifícios da Covilhã, da Beira Interior e do próprio país.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 20:12

Setembro 05 2010

MONUMENTO AOS SOLDADOS MORTOS NA GRANDE GUERRA

 

 

O monumento aos mortos da Grande Guerra nasce de um movimento juvenil criado na cidade por iniciativa do jornal “O Raio”.

 

Para a sua construção constituiu-se uma primeira comissão integrada por Júlio Carneiro, António Lopes Paes, José Cruz Alves da Silva, Alberto Fazenda, Manuel Gonçalves, José Cavaca Júnior e João Oliveira.

O lançamento da primeira pedra inseriu-se num programa mais vasto de homenagens ao regimento de Infantaria 21, que teve lugar em Março de 1925, do qual sobressaiu a imposição da Cruz de Guerra como resultado do raid de 9 de Março de 1918 levado a cabo pela 1ª companhia capitaneada por Ribeiro de Carvalho e onde se distinguiu heroicamente o alferes Gonzaga. Mas contrariando o entusiasmo de 1925 aquando do lançamento da primeira pedra, na praça de S. Pedro, na Covilhã, as obras não se iniciaram nos tempos seguintes. Na imprensa local surgiam com frequência críticas ao sucedido. Passado um ano os trabalhos eram retomados, a presidência honorária da Comissão foi entregue ao bispo de Beja e para angariar novos donativos foi criada uma comissão de honra constituída por mulheres covilhanenses.

A comissão possuía em Novembro de 1926 3.000 escudos provenientes da campanha levada a cabo pelo jornal “O Raio” e a promessa de 1.000 escudos por parte da Câmara Municipal.

Em Janeiro de 1927, tinha sido já possível contratar os trabalhos do escultor Francisco Santos para a elaboração de uma estátua que constaria no monumento.

 

Durante o ano de 1928, realizaram-se novas iniciativas para angariar fundos. Um sarau cultural no Teatro Covilhanense, onde participou a conhecida recitadora Maria de Lourdes, ou um espectáculo de circo da companhia Ivanov permitiram um novo fôlego para a causa ao atingir verbas num montante de 14.000$00.

Em 15 de Junho de 1930 foi finalmente inaugurado o monumento. O General Carmona descerrava a figura de um soldado que, no largo 5 de Outubro, se encontrava envolvido pela bandeira nacional. Na cerimónia da inauguração estiveram ainda presentes o Ministro da Guerra, o Ministro do Interior, pela direcção da Liga dos Combatentes, Eduardo de Faria e pela Câmara Municipal  o seu presidente Almeida Eusébio e os representantes locais das várias instituições militares e civis.

 

Em 1999 por iniciativa da Liga dos Combatentes, é integrado no monumento um acrescento para homenagear os soldados mortos na guerra colonial. Esta última parte do monumento foi inaugurada em 23 de Outubro de 1999.

 

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 23:48

Setembro 05 2010

IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 

 

Construída sobre o templo medieval de São Tiago, a igreja do Sagrado Coração de Jesus foi a primeira a ser construída na Covilhã depois da sua elevação à categoria de cidade. Também a igreja de São Tiago havia sido um dos primeiros templos a ser erguidos na Covilhã. Desta antiga construção apenas nos chegaram escassas descrições do seu interior, nomeadamente, da existência de três altares onde entre várias imagens se destacavam duas de São Tiago, uma combatendo os mouros, outra envergando os trajes de romeiro. Em 1192, foi doada ao mosteiro de S. Jorge de Coimbra, tendo-lhe sido confirmada, em 19 de Fevereiro de 1221, pelo Papa Honório III através da bula Sacrosanta Romana Ecclesia.

 

Com a extinção da freguesia de São Tiago, a igreja foi perdendo prestígio, apesar da reedificação empreendida, no século XVIII, pelo Prior Manuel dos Santos de Bastos. Em 1875, é adquirida pelos Jesuítas, representados pelo Padre Nicolau Rodrigues. Nos dois anos que se seguem, realizam-se as obras de reedificação. Em 1877, no dia de Natal segundo alguns autores, ou no Sábado de Aleluia segundo outros, é aberta de novo ao culto, mas o seu orago é, agora o Sagrado Coração de Jesus.

A igreja apresentava uma traça austera, a fachada principal era composta por um portal em arco de volta perfeita, encimado por um grande janelão, na empena de linhas curvas foi colocado um nicho com uma imagem.

Com a instituição da república em 1910, e com o novo afastamento dos Jesuítas, o edifício foi utilizado como armazém, cavalariça e celeiro.

Alguns anos depois, foi ali instalado o tribunal da comarca. O corpo da igreja e a capela-mor foram convertidos em sala de audiências. Particularmente interessante foi a transformação da fachada principal, onde se aplicou um estilo neoclássico. No lugar do janelão, abriram-se três portais com frontões triangulares que davam para uma varanda com balaustrada. Fizeram-se duas novas entradas ladeando o antigo portal, o nicho foi tapado e no seu lugar colocou-se um azulejo com uma representação da justiça, a cruz foi substituída pelas armas da república. Em 1942, um incêndio destrói este edifício, deixando-o em ruínas.

Em 1948 o edifício foi de novo adquirido pelos Jesuítas e procedeu-se a uma nova reedificação.

O actual templo, de tipologia modernista, deve o seu traço a Teotónio Pereira. É uma igreja de linhas simples e com escassa decoração, destacando-se a existência de grupos escultóricos, na fachada, da autoria de Joaquim Correia. Estes conjuntos escultóricos representam o orago da igreja, o Sagrado Coração de Jesus, e os dois mártires jesuítas da cidade, o Beato Francisco Álvares e o Padre António de Sousa. Interiormente destaca-se a pintura do orago, inserido na mandorla, invocando as representações medievais da figura de Cristo, da autoria de Martins Barata.

A 10 de Fevereiro de 1952 a nova igreja é aberta ao culto e a partir de 1969 torna-se matriz da paróquia.

 

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 23:35

Setembro 05 2010

CORREIOS

 

 

No século XVIII, após o terramoto, o correio chegava à Covilhã todos os sábados durante o Verão e aos domingos durante o Inverno. Estafetas levavam o correio para o Fundão e Castelo Branco às sextas-feiras e para a Guarda às segundas-feiras.

 

Na segunda metade do século XIX os serviços de correio e telégrafo, este último instalado em 1860, são transferidos para um novo edifício que mais tarde serviria de sede provisória à Câmara Municipal e em 1958 era transformado em sede da esquadra da P.S.P.

A transferência dos serviços para o novo edifício ficou-se a dever ao grande fluxo de correio que então se verificava. No final do século XIX, recebiam-se e expediam-se anualmente mais de cem mil bilhetes-postais, mais de 40.000 amostras e cerca de 6.000 encomendas. Igualmente digno de interesse é o número de jornais expedidos que atingia os 40.000 exemplares, mais do que aqueles que eram recebidos.

Já durante o Estado-Novo foi dispensada, por parte da tutela, uma atenção especial às estações de correio, elaborando-se projectos-tipo para a sua construção em detrimento das anteriores cedências e arrendamentos.

 

Na Covilhã é com a reorganização da Praça do Pelourinho, cujo plano se deve ao arquitecto João António de Aguiar, que se projecta o novo edifício dos correios. É então escolhido o projecto-tipo nº 3 elaborado por Adelino Alves Nunes, sendo em 1946 reavaliado e ajustado à realidade local de forma a criar uniformidade na Praça em que se implanta. De linhas sóbrias, sobressai no edifício a torre com janelas de sacada, coruchéu piramidal e pináculos de feição seiscentista, criando a necessária simetria com a torre do Teatro-cine.

 

Em 12 de Março de 1950, o edifício é inaugurado com a presença do Ministro das Comunicações, um representante do ministério das Obras Públicas, o Governador Civil, o Presidente da Câmara, o Vice Presidente da União Nacional e o Comandante Militar da Cidade.

Os correios mantiveram-se sediados neste edifício até que em finais dos anos oitenta se construiu o prédio para o qual haviam de transitar e onde ainda hoje se encontram.

 

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 23:25

Setembro 05 2010

O BANCO DA COVILHÃ

 

Criado em 1874, quatro anos após a elevação da Covilhã a cidade, constituiu a primeira instituição financeira aqui sedeada.

Começou por se instalar no edifício onde actualmente funciona o Lar de S. José, no Largo Eduardo Malta, tendo sido transferido para a Rua 1º de Dezembro, para o imóvel que veio a ser propriedade da Associação de Socorros Mútuos “Mutualista Covilhanense”, que ocupou até à sua liquidação, em 1933.

Foi constituído como sociedade anónima, de responsabilidade limitada, com um capital social de 1.500 contos, que poderia vir a ser elevado até 3.000 contos, dividido em acções, nominativas e ao portador, de 100$000 réis, tendo iniciado a sua actividade com um capital de 750 contos.

Foram seus instaladores os portuenses Manuel Joaquim Vieira Braga e Anastácio Gaspar Ferreira Leão, sócios da firma Vieira & Leão.

O Banco da Covilhã tinha por função realizar um conjunto de operações financeiras comuns às restantes instituições bancárias, nomeadamente a emissão de notas ao portador, o desconto de títulos, quer do Estado quer de estabelecimentos e repartições públicas; as transferências de fundos entre Portugal e outros países; a abertura de contas correntes de nacionais e estrangeiros; os empréstimos por contracto ou subscrição pública, tanto ao Governo como às câmaras municipais, às juntas de distrito e a particulares; a compra e venda de metais e pedras preciosas, de títulos da dívida pública, de acções de bancos e companhias ou outras de cotação oficial; os empréstimos sobre hipoteca, etc. Contudo, distinguia-se dos restantes porquanto previra nos seus estatutos “auxiliar, quanto possível, a indústria de lanifícios, proporcionando-lhe capitais, mediante boas garantias”.

Apesar de projectado para apoiar financeiramente a indústria local, foi constituído maioritariamente por accionistas do Norte do país, se bem que os seus corpos sociais tivessem sido preenchidos, ao longo da sua história, pelos covilhanenses de maior projecção industrial e financeira à excepção dos Campos Melo, que se circunscreveram meramente à posição de accionistas. Pelo contrário, o Comendador Marcelino José Ventura e, posteriormente, o Conde da Covilhã, o Comendador Francisco Nunes Marques de Paiva e o Visconde de Morão, para além de diversos membros da família Mendes Alçada, de que se destaca o Dr. José Mendes Alçada de Paiva, ocuparam posições estratégicas no controle do banco, bem como António Baptista Alves Leitão, para além de muitos outros.

No primeiro quinquénio da sua existência, o Banco da Covilhã dispunha de uma filial no Porto que, por irregularidades, erros detectados e quebra de confiança nos seus dirigentes veio a ser extinta em 1880 e transformada numa simples agência. Nos finais de 1882, o capital do Banco, no montante de 750.000$000 réis, era detido por 293 accionistas, proprietários de 3.852 acções nominativas, por 1.486 acções ao portador e por 2.162 acções detidas pelo próprio banco, localizando-se os accionistas maioritários (com mais de 50 acções) no Porto, em Braga, Fafe e Lisboa, sendo Francisco Cardoso Valente, do Porto, o maior accionista, com um total de 200 acções. Contavam-se ainda no grupo dos seus accionistas diversos bancos, nomeadamente o Comercial e o Mercantil, ambos de Braga, o Mercantil de Viana do Castelo e a Caixa de Crédito Penafidelense, de Penafiel.

Nos inícios dos anos 20 do séc. XX a casa bancária Borges & Irmão, do Porto passou nele a assumir uma posição accionista de relevo.

O Banco da Covilhã veio a encerrar em 1933, por um processo de liquidação, aprovado em Assembleia-geral, em 6 de Junho do mesmo ano, na sequência de um acentuado decréscimo da sua actividade financeira. Fizeram parte da sua comissão liquidatária a casa bancária Banco Borges & Irmão, representada pelo Eng. Francisco Burguete, e Francisco da Silva Ranito.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 23:20

Setembro 05 2010

GARAGEM DE SÃO JOÃO

 

 

No local em que se viria a erguer a Garagem de São João existia desde 1875 um teatro denominado de “Teatro Velho”. Na década de 30 do século seguinte, a Câmara Municipal decidiu vender em hasta pública o Teatro Velho. De entre as condições de venda, constava a obrigatoriedade de ali se construir uma nova casa de espectáculos.

 

No início dos anos quarenta, uma sociedade empresarial, constituída por Francisco da Silva Ranito, Eurico Jotta Roseta e José Ranito Baltazar, decide dotar a Covilhã de um cinema digno da grande “Manchester Lusitana”, adquirindo para tal o Teatro Velho.

O anteprojecto para o Cine-Teatro S. João, assim se chamaria a futura casa de espectáculos, assinado por Luís Filipe Ranito Catalão, deu entrada na Câmara Municipal em 1944. Um ano depois daria entrada o projecto definitivo assinado pelo arquitecto Carlos Ramos, um dos grandes nomes da arquitectura do século XX e um dos introdutores de modernismo em Portugal.

O seu projecto para o Cine-Teatro S. João apresentava diferenças significativas em relação ao anteprojecto. A fachada principal, verdadeiramente interessante, conciliava o que parecia inconciliável, modernismo, cenografia e monumentalidade. No entanto o projecto foi mal aceite pelos técnicos da Câmara, Rafael dos Santos Costa, director da repartição técnica, escreveu: … de modo geral o projecto não nos agradou… forma no conjunto um edifício que choca no meio em que vai ser construído.

Durante o ano de 1947, foi pedida uma licença à Câmara Municipal para iniciar as obras. Entretanto Raul Rodrigues Lima projectou o Teatro-Cine e não haveria na cidade lugar para duas casas de espectáculos com a grandiosidade proposta, o que obrigou os promotores do Cine-Teatro S. João a optarem por construir, em seu lugar, uma garagem. O projecto data de 1949, sendo assinado por Alexandre Steinkitzer Bastos.

A Câmara Municipal, contrariamente aos projectos anteriores, reconheceu a importância desta obra e a 20 de Setembro de 1949, a repartição técnica emitiu o parecer favorável à construção.

Após concluída, a garagem não se mantém durante muito tempo sob a direcção da Empresa Nacional de Espectáculos, passou para a Sociedade de Camionagem da Guarda, depois para a Sacor (de Pedro Ordaz), mas foi com o empresário Alberto de Carvalho que ela viveu os seus “últimos dias de glória”.

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

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publicado por Paulo Jesus às 23:15

Setembro 05 2010

Plano de Melhoramentos de 1883

Da autoria do Engº Antunes Navarro

 

Pedroso dos Santos é um dos primeiros presidentes da Câmara Municipal da Covilhã, senão o primeiro, a apresentar uma preocupação efectiva com o ordenamento urbanístico. Ainda vereador, em 1882, propõe a realização de uma série de melhoramentos na cidade. Esta proposta conduziu a elaboração, pelo engenheiro Antunes Navarro, de um projecto denominado de plano de melhoramentos, apresentado em 24 de Janeiro de 1883.

Este plano visava dotar a cidade de novas vias de comunicação e serviços públicos então considerados indispensáveis numa cidade moderna. Entre as novas artérias destacava-se a Rua Nova, uma via paralela à Rua Direita que iria unir o novo mercado, a construir no local da igreja de São Pedro, e o mercado de gados, a construir junto à igreja de São Francisco, a qual foi orçada em 25.500$00 réis. Outra das vias faria a ligação entre a igreja de São Paulo e o Pelourinho.

O Pelourinho continuaria a ser o coração da cidade, no entanto a praça seria remodelada, passaria a apresentar forma rectangular, o novo edifício dos Paços do Concelho ocuparia o lado Sul, enquanto a Este seria construída a escola normal e a biblioteca.

O campo militar, com uma área de 13.523 m2, localizar-se-ia entre o novo cemitério (actual) e o mercado dos gados, sendo composto de quartel e campo de exercícios.

Na área do lazer estava previsto um passeio público contíguo à estrada real nº 55, em São João de Malta, e um parque a construir no morro onde se ergue a capela de São Martinho.

No domínio do saneamento foi prevista a construção de uma nitreira, no local das Forcas, que receberia todo o tipo de resíduos sólidos e líquidos, convertendo-os em adubos agrícolas e de um reservatório de águas, a construir no largo do Castelo, para abastecimento dos fontanários públicos.

A habitação social não foi esquecida e projectou-se um bairro operário, entre a base do campo militar e o mercado de gados.

A penitenciária ficaria próxima do quartel militar e contaria com 50 celas.

Na memória justificativa do plano era referido que as obras não ultrapassariam os recursos do município nem careciam de vida superior a uma geração para serem levadas a efeito, os custos totais rondariam os 300 contos de réis.

publicado por Paulo Jesus às 23:12

Setembro 05 2010

Carta Régia de D. Luis I elevando a

vila da Covilhã à categoria de cidade

 

Por decreto de 20 de Outubro de 1870, foi esta villa de Covilhan, merecidamente, elevada à categoria de cidade; e em 16 de Janeiro de 1871, foi expedida a seguinte carta régia:

 

“Dom Luíz por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves N" Faço saber aos que esta Minha Carta virem que attendendo a que a minha notável Villa de Covilhã, no districto de Castello Branco, é uma das villas mais importantes do Reino pela sua população e riqueza.

Attendendo a que a mesma Villa é uma das Povoações do Reino que mais se tem distinguido pela fecunda iniciativa de seus habitantes na fundação e aperfeiçoamento de muitos e importantes estabelecimentos fabris, cujos productos podem já disputar primasia com os das fábricas estrangeiras mais acreditadas pelo seu desenvolvimento industrial. E desejando dar aos habitantes da referida Villa um solene testemunho do subido apreço em que tenho os seus honrados esforços pelo progresso e aperfeiçoamento da indústria nacional: Hei por bem fazer mercê à dita Villa da Covilhã de a Elevar à cathegoria de Cidade, com a denominação de cidade da Covilhã, e Me apraz que n’esta qualidade goze de todas as prerogativas, liberdades e franquezas que directamente lhe pertencem. Pelo que Mando a todos os tribunaes, Autoridades, Officiaes e mais pessoas a quem esta Minha carta for mostrada que indo assignada por Mim, referendada pelo Ministro e Secretario d’Estado dos Negócios do Reino e sellada com o sello pendente das Armas Reaes, hajam a sobredita Villa por cidade e assim a nomeei sem duvida ou embargo algum. Pagou de direitos de Mercê e addicionaes cento e cincoenta e quatro mil réis, como constou de um conhecimento em forma numero quinhentos evinte e cinco passado em dezaseis do corrente mez pela Recebedoria do sello de verba do districto de Lisboa. E esta carta é passada em dois exemplares um dos quais depois de registado nos livros da Câmara Municipal da Covilhã e no Governo Civil de Castello Branco, servirá para título d’aquella corporação, e o outro será depositado no Real Archivo da Torre do Tombo.

Dada no Paço da Ajuda em dezeseis de Janeiro de mil oitocentos setenta e um.

 

El-Rei (rubrica)

 

António bispo de Viseu”

publicado por Paulo Jesus às 23:05

Maio 05 2010

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publicado por Paulo Jesus às 23:58

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publicado por Paulo Jesus às 23:42

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publicado por Paulo Jesus às 23:15

Maio 05 2010

 

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publicado por Paulo Jesus às 22:57

Abril 13 2010

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publicado por Paulo Jesus às 16:37

Abril 13 2010
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publicado por Paulo Jesus às 12:45

Abril 12 2010
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publicado por Paulo Jesus às 22:48

Fevereiro 27 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por Paulo Jesus às 00:18

Fevereiro 22 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Paulo Jesus às 23:53

Fevereiro 22 2010
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Ano de 1953 - Construção do Bairro do Rodrigo.

O Bairro do Rodrigo foi construído nos finais da década de 40, só para operários da indústria de lanifícios. Foram impulsionadoras a Caixa Sindical de Previdência e a F.N.I.L. (Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios).

 

 

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publicado por Paulo Jesus às 23:53

Fevereiro 22 2010

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Fevereiro 22 2010

 

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publicado por Paulo Jesus às 22:19

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publicado por Paulo Jesus às 22:19

Fevereiro 09 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Paulo Jesus às 00:27

Fevereiro 09 2010

Adágios

“ A ovelha era parte da vida das comunidades na Serra. Não admira, pois que esteja presente nos adágios e na sua filosofia de vida “
- Se queres ter ovelhas, anda atrás delas.
- Tola é a ovelha que se confessa ao Lobo.
- Ovelha que berra, bocado que perde.
- Cada ovelha busca a sua parelha.
- Ovelha que é de lobo, nem Sto. António lha tira.
- Pouco gado, pouco assobio.
- Vinho que nasce em Março vai no regaço.
- Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom centeio.
Lengalengas
O eco
Oh que eco que aqui há!
Que eco é?
É o eco que cá há
O quê? Há eco aqui?
Há cá eco. Há...
Padre Pedro
Padre Pedro
Prega pregos
Padre Pedro
Pardal Pardo
- Pardal Pardo porque parlas?
Eu parlo e parlarei, porque sou pardal Pardo, parlador de el-rei
Cada um
Cada um que vai a casa de cada um.
É porque quer que cada um lá vá:
Se cada um não quisesse que cada um lá fosse.
Dizia a cada um que não fosse cada um lá.
As quatro tábuas
Eu tenho quatro tábuas.
Todas mal atravincontinquelotadas.
Mandei chamar o atravincontiquelador.
Que mas venha atravincotinquelar melhor.
Tradições
Pelo natal é costume queimar-se no adro das igrejas um grande madeiro que se destina a aquecer o menino que vai nascer.
Em algumas terras é tradição roubá-lo noutras, e alguém que o oferece por promessa.
À meia-noite, o povo aproxima-se do madeiro.
Na noite de Ano Novo é de uso mandar às portas com farinha.
Este costume relembra o “ Milagre das portas “.
Pouco tempo após o nascimento de Jesus um soldado de Herodes conseguiu localizá-lo e marcou a porta com farinha, pois era de noite e ele não conhecia bem aqueles sítios. Quando voltou com os companheiros, todas as portas estavam com farinha e desistiu da busca.
Também é costume cantar as Janeiras entre o Natal e os Reis.
O Chá
O chá faz parte da vida intima e social da cidade, oferecê-lo, é uma tradição, aceitá-lo uma cortesia. Há casas adaptadas para o tomar, recantos confortáveis, almofadas convidativas. Mesas, segundo circunstâncias para o chá intimo, para o chá de cerimónia. Baixelas, porcelanas e pratos.

Aconteça o que acontecer haja calor, frio, nevão ou chuva, o chá está sempre a propósito. Faz parte da vida, dos hábitos. Talvez em nenhuma cidade do País se consuma em tão larga escala. Ricos, pobres, patrões, operários, todos o bebem.

publicado por Paulo Jesus às 00:11

Novembro 27 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Paulo Jesus às 23:35

Novembro 24 2009

 

PRAÇA DO MUNICÍPIO OU PELOURINHO

 
            No lugar da antiga Porta da Vila, a mais importante das cinco portas das muralhas medievais, mandaram os Filipes, em 1614, construir o edifício dos Paços do Concelho, referido na época como “o mais majestoso da vila”. Era um grande e pesado edifício, que albergava, para além dos serviços municipais, a prisão do concelho instalada no rés-do-chão e outros serviços públicos.
            Em frente deste edifício abria-se um vasto terreiro, que viria a transformar-se no centro cívico da cidade. Ao centro levantou-se um pelourinho,que consistia numa coluna de pedra, assente sobre uma plataforma de quatro degraus e tendo por capitel uma roca, com fuste oitavado composto por duas pedras. O pelourinho foi derrubado em 9 de Maio de 1863.
            Todo este espaço, foi-se pouco a pouco, rodeando de casas e igrejas, adquirindo o estatuto de Praça do Município, vulgo Pelourinho, onde o povo se juntava, na cavaqueira quotidiana, em festanças, em manifestações, procissões, paradas militares, etc. Ali mesmo se fizeram corridas de touros e se realizaram os mercados semanais. Estes deixaram de se realizar ali, a partir de 1944, aquando da inauguração do mercado fechado em S. Vicente.
            Das igrejas construídas perto do Pelourinho, permanece a Igreja da Misericórdia, construída no ano a seguir à Restauração, e que tinha em anexo um hospital para pobres.
            A Praça do Município, foi antigamente uma praça arborizada, com bancos e no centro teve coreto onde, em dias festivos tocavam as Bandas da cidade. Os edifícios envolventes tinham como característica essencial o estilo renascentista.
            Os “ventos do progresso” que levaram a uma profunda remodelação desta praça, começaram a soprar nos anos 40, que culminou com a inauguração, em 12 de Outubro de 1958 do novo edifício da Câmara Municipal, tendo para a sua construção, sido derrubado o antigo edifício filipino. Com toda esta “modernização” do centro da cidade, a decantada Fonte das Três Bicas foi transferida para perto do Jardim Público. Esta fonte foi construída em 1855, de traça barroca, com colunas trabalhadas e frontões triangulares com pilastras.

            Do actual edifício dos Paços do Concelho, exemplo da arquitectura do Estado Novo, deve salientar-se o Salão Nobre, com os painéis da autoria do pintor Lino António, representando, quer momentos significativos da história da Covilhã, quer as suas actividades económicas mais importantes. Numa sala contígua, pode também observar-se uma Tapeçaria tipo Portalegre, do professor António Lopes “Covilhã, Cidade Fábrica, Cidade Granja” e que representa vários quadros da vida da Covilhã. No vestíbulo, encontram-se as estátuas de Frei Heitor Pinto e Pêro da Covilhã.

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publicado por Paulo Jesus às 22:02

Dezembro 12 2008

           

 

Introdução
 
Únicos em Portugal, os vales Glaciares da Serra da Estrela são hoje a imagem viva de como a glaciação deixou impressionantes testemunhos.
 
A Rota dos Vales Glaciares permite a observação do local de origem glaciar – a cúpula do cima da montanha – dos vales desenhados pelas várias línguas de gelo e dos depósitos deixados por esta massa de gelo em movimento.
 
Vale Glaciar do Zêzere, Vale Glaciar de Alforfa, Vale Glaciar de Loriga, Vale Glaciar do Covão Grande, Vale Glaciar do Covão do Urso são os cinco percursos que o gelo traçou e que o Homem pode agora descobrir em perfeita comunhão com a natureza.
 
Há milhares de anos, a Glaciação na Serra da Estrela permitiu a existência de neves perpétuas (a partir de 1.650m) que se fundiam durante o ano ficando compactadas e dando origem ao gelo.
 
Assim, acabou por se formar uma cúpula de gelo no Planalto da Torre que teria uma superfície de cerca de 70 Km2 e uma espessura de 80m.
 
O progressivo aumento da temperatura – sempre negativa, nesta era de glaciação – originou a formação de línguas de gelo que escoavam para as altitudes mais baixas, moldando então os vales já existentes.
 
O Planalto Glaciar
 
Corresponde à área outrora ocupada apela cúpula de gelo, formando uma paisagem de rocha nua em que existem depressões ocupadas por lagos, charcos ou prados húmidos. Normalmente não existem arestas vivas já que as rochas foram afeiçoadas pelo gelo em movimento, contrastando com as áreas não afectadas pela calote glaciária, onde as arestas irregulares das rochas subsistiram. Imaginemos aqui a existência de uma calote de gelo com uma altura de 80m.
 
Os Vales Glaciares
 

Formam os cinco principais vales desenhados pelo gelo e que agora podemos percorrer. Correspondiam à força das línguas de gelo que escoavam radialmente desde a referida calote da Torre. A partir daqui, vamos seguir os mesmos caminhos que o glaciar percorreu ao longo da glaciação formando este cenário único em todo o Portugal.

 
O Vale Glaciário do Zêzere
 
 
Corresponde à língua glaciária de maior dimensão da Serra da estrela, atingindo os 13 Km de extensão.
            Pode ser facilmente observado o local em que o glaciar ultrapassava a zona actual vila de Manteigas, tendo-se dissolvido a cerca de 680 m de altitude. O enorme comprimento do vale glaciário, deve-se ao facto de ter sido alimentado pelas línguas da Nave de Santo António, Covão da Ametade, Candieira e Covões, progressivamente.
            A espessura da língua de gelo atingia na parte montante do vale cerca de 300 m, o que pode ser confirmado pela existência de moreias na Lagoa Seca. Na nave de Santo António existem também moreias laterais espectaculares. A jusante, na margem esquerda do Rio Zêzere, abaixo do vale da Candieira, encontram-se moreias mais baixas às quais se chama Espinhaço de Cão.
 
O Vale Glaciar de Loriga
 
 
Situado na vertente oeste, quase atingia o local actual da vila. Tendo início a 1750 m de altitude, perto do Planalto da Torre, apresenta uma série de quatro covões (alguns com aproveitamento hidroeléctrico) que descem abruptamente uma extensão de 7 Km.
            Na época do glaciar, o gelo progredia até à atitude máxima de 800 m que, posteriormente, removia todo o manto vegetal deixando a descoberto a superfície do granito sujeita a fracturação que é presente nos dias de hoje.
            A ribeira de Loriga é a linha de água herdade deste glaciar constituíndo um dos magníficos cenários da Serra da Estrela.
 
O Vale Glaciar do Covão Grande
 
 
Situado na vertente noroeste, e portanto melhor alimentado pelas quedas de neve, estendia-se a cerca de 5,5 Km em direcção à Lapa dos Dinheiros e apresentava uma espessura de gelo de, pelo menos, 150 m, dissolvendo-se a uma altitude de cerca de 1000 m.
            A sua posição elevada foi sujeita a uma erosão glaciária mais intensa e prolongada, sobreescavando a base do vale. Porém, as formas mais espectaculares de serem vistas são as acumulações morénicos da Nave Travessa, actualmente cobertas por vegetação, acumulações de blocos erráticos situados nas margens da Lagoa Comprida, antiga lagoa glaciária.
 
O Vale Glaciário do Covão do Urso
 
 
Situado na vertente noroeste, tinha origem no planalto da Torre, no local dos Conchos e dirigia-se até ao local da actual aldeia do Sabugueiro. Tinha cerca de 6,5 Km de comprimento mas dissolvia-se a uma altitude igual ou superior (1000 m).
            Bruscas rupturas de declive, observadas a jusante do Lagoacho e abruptos sucessivos, observados na Nave Descida parecem formar o cenário ideal para a maior moreia lateral da Serra da Estrela, correspondente à fase de maior extensão dos glaciares, prolongando-se por cerca de 3 Km no meio da vegetação que, por vezes, atinge um porte arbóreo.
 
O Vale Glaciário de Alforfa
 
 
Situado na projecção oposta do Vale Glaciário de Manteigas, este foi originado por um glaciar que atingiu os 5,5 Km de comprimento e se dissolveu a uma altitude de 800 m. A sua maior exposição solar em relação ao vale oposto justifica esta diferença de altitude no término do glaciar (120 m). No entanto, este é o vale onde melhor se podem observar os terraços de acumulação proglaciária, acumulações desordenadas de rochas e blocos de grandes dimensões localizados à frente das antigas línguas glaciárias.

            Os depósitos mais importantes situam-se a jusante da confluência do Vale da Estrela e do Vale de Alforfa, na junção da Ribeira das Cortes.

publicado por Paulo Jesus às 11:19

Dezembro 11 2008

 

 

 

CASTELO DE TRANCOSO

 

A 885 m de altitude, situa-se uma cerca muralhada urbana implantada em zona planáltica.

Engloba o centro histórico da vila de Trancoso.
A Cidadela está isolada a Nordeste sendo antecedida por um pequeno largo com cruzeiro.
Em 1097, Trancoso passa para o Condado Portucalense e em 1159 está comprovada a existência do castelo. No ano seguinte este é definitivamente reconquistado por D. Afonso Henriques que lhe concede foral. Em 1282 é reedificado por D. Dinis que faz construir a cerca muralhada. As torres do lado Norte desta cerca datam de 1530.
É de tipo românico-gótico e tem cerca e Cidadela, ambas de traçado oval irregular. A Torre de Menagem é tronco-piramidal de planta quadrada com pedras dentadas encastrando-se umas nas outras.
Tem quatro portas e três postigos: Portas d’El-Rei, a Sudoeste; Portas do Prado, a Noroeste; Portas do Carvalho ( do Cavalo ou de João Tição ) e da Traição, a Norte. Os Postigos de Olhinho do Sol, a Este, e o do Boeirinho, a Noroeste.

Integra quatro torres sendo três a Oeste e uma a Norte. A Cidadela integra sete Torres.

 

CASTELO DE CELORICO DA BEIRA

 

Situa-se a 550 m de altitude sobranceiro à Vila e dominando o vale do Mondego. Daí podem ver-se os castelos de Trancoso e da Guarda.

Foi conquistado aos mouros no reinado de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, recebendo aí carta de foral. As obras, então decorrentes no castelo, tiveram a participação dos Templários. Em 1198 é cercado pelos leoneses e recebe socorro de Linhares. O castelo é reedificado nos reinados de D. Dinis e D. Fernando. Em 1762 é assaltado por espanhóis e em 1810 é quartel-general dos exércitos francês e luso-britânico, aquando das Invasões Francesas.
É um castelo de arquitectura militar, de montanha e românico-gótico.
Apresenta recinto muralhado fechado, de traçado circular irregular, correspondendo à Cidadela.

 

 

CASTELO DE AVÔ - OLIVEIRA DO HOSPITAL

 

Situa-se no alto do monte onde se desenvolve a povoação, na margem do rio Alva.

Actualmente subsistem alguns panos da muralha. O recinto tem cerca de 1800 m2.
A primeira fortaleza medieval foi mandada edificar por D. Afonso Henriques, depois mesmodo pai, conde D. Henrique, ter doado Avô ao Bispo de Coimbra.
D. Sancho I concede-lhe foral em 1187 confirmando essa doação. Nas lutas entre D. Sancho e D. Afonso III, o castelo é destruído vindo a ser recuperado por D. Dinis, de cujo reinado datam os actuais vestígios.
A partir de 1856 acelera-se a destruição do castelo, tendo muitas cantarias sido usadas na ponte de Ribeira de Moura e em obras particulares.
A tipologia é gótica-militar. O recinto tem forma irregular. A capela de S. Miguel é um aproveitamento de um edifício medieval.

 

 

CASTELO DE LINHARES DA BEIRA - CELORICO DA BEIRA

 

Situa-se num cabeço em contraforte a Noroeste da Serra da Estrela, a cerca de 820 m de altitude dominando o vale do Mondego.

Foi provável a fundação do castelo pelos Túrdulos, cerca de 580 a.C., passando posteriormente por Visigodos, Romanos e tendo sido destruído pelos Mouros no séc. VIII.
Em 900 foi reconquistado e reconstruído por D. Afonso III de Leão e, posteriormente, reedificado por D. Dinis. No séc. XVII foi feita a instalação do relógio na torre.
É um castelo românico-gótico de planta irregular constituído por dois recintos muralhados fechados. As muralhas assentam em maciços rochosos.
O recinto do lado Oeste, de maior perímetro, corresponde à Cidadela.
Apresenta duas torres: a Torre de Menagem e a Torre do Relógio, a Este.

 

CASTELO DE CASTELO NOVO - FUNDÃO

 

Situa-se na encosta Leste da Serra da Gardunha a 650 m de altitude.

Em 1223 já existia o castelo como se comprova pelo testemunho de D. Pedro Guterri.
No séc. XIV D. Dinis manda remodelar a fortificação e, em 1510 é de novo melhorada por D. Manuel. Em 1740 está quase na ruína e, em 1758 sofre derrocada devido a um sismo.
O castelo é de arquitectura militar, gótica e manuelina e era pólo militar de povoação ( hoje Castelo Novo é uma das dez Aldeias Históricas de Portugal ).
Tinha planta longitudinal irregular. É possível perceber a Cidadela com duas portas ( Este e Oeste ).
A Torre de Menagem encontra-se praticamente destruída no topo Oeste. No troço da muralha Oeste ainda existem adarves, ameias e merlões em bom estado de conservação.

 

CASTELO DE MONSANTO - IDANHA-A-NOVA

 

Num monte a 758 m de altitude, na margem direita do rio Pônsul, encontra-se o castelo de Monsanto. Integra a Aldeia Histórica e domina as planícies que se estendem desde a Serra da Gardunha.

Após existência castreja, Monsanto tem ocupação visigótica do séc. V ao XI.
Em 1165 há uma tentativa de repovoamento e a doação a D. Gualdim Pais, Mestre dos Templários, por D. Afonso Henriques.
Em 1172 é doada à Ordem de Santiago e dois anos depois recebe carta de foral. Nessa data já existia o castelo. Em 1190 o foral é confirmado por D. Sancho I.
Noa reinados de D. Dinis, D. Fernando e D. João I o castelo é renovado. No séc. XVI possuía quatro Torres, Torre de Menagem e Cisterna.
Em 1704 é cercado pelo exército franco-espanhol e libertado pelo Marquês de Minas. Na segunda metade do séc. XVIII, a cerca muralhada é reconstruída pelo conde de Lippe. Em 1853 é extinto o concelho de Monsanto.

Tem arquitectura militar com três recintos muralhados: um recinto englobante de traçado ovalado; um outro lateral de traçado oblongo, e o terceiro interior rectangular.

 

CASTELO DE PENHA GARCIA - IDANHA-A-NOVA

 

O castelo localiza-se na encosta Sul da serra do mesmo nome.

Em 1220, D. Afonso II reconquista a povoação e, de seguida, faz doação da mesma à Ordem de Santiago.
Penha Garcia recebe carta de foral por D. Afonso III em 1256 e verifica-se uma hipotética doação à Ordem de Santiago após a reconstrução das fortificações por D. Dinis.
Em 1836 extingue-se o concelho e inicia-se um processo de degradação.
Este castelo encontra-se sobranceiro ao vale do rio Pônsul numa posição majestática. Em 1303 D. Dinis manda reconstruir as fortificações e, em 1510 recebe novo foral de D. Manuel I.

Antiga fortaleza, Penha Garcia foi até finais do séc. XVIII, couto de homiziados (1790).

 

CASTELO DE PENAMACOR

 

Situa-se a 573 m de altitude num cabeço fortificado entre as ribeiras de Ceife e de Taliscas.

A cerca urbana integra a Torre do Relógio e a Casa da Câmara. A Torre de Vigia está isolada num outeiro rochoso.
A construção do castelo e o povoamento de Penamacor resultam, provavelmente, de 1189, data da doação a D. Gualdim Pais, Mestre da Ordem do Templo. Em 1199 recebe carta de foral por D. Sancho I. Em 1300 acontece a construção da segunda cintura muralhada do castelo, da Torre de Menagem e da cerca urbana por D. Dinis. A construção da barbacã e reconstrução do castelo devem-se a D. Fernando e D. João I. A Casa da Câmara é edificada em 1568 sobre a porta de acesso à Vila.
Contíguos a esta Casa da Câmara existem no lado Norte, um baluarte com cortinas escarpadas e que integra duas canhoneiras; no lado Sul, um baluarte parcialmente integrado em afloramento rochoso junto ao antigo Convento de Santo António; os baluartes conhecidos como Reduto da Cavaleira ( a Norte ) e do Outeiro ( a Oeste ).

 

CASTELO DE BELMONTE

 

Num cabeço fortificado a 615 m de altitude, na Vila de Belmonte, situa-se aquele que é um dos mais simbólicos castelos portugueses. Aí terá nascido Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil.

O castelo vigia o vale do rio Zêzere e encontra-se sobranceiro à Igreja de Santiago e às Capelas de Santo António e do Calvário.
A edificação deve-se a D. Sancho I, em 1199, data da carta de foral.
Em 1297 perde importância estratégica com o avanço da fronteira sequente ao Tratado de Alcañices. Em 1392, o Bispado de Coimbra permuta a vila de Belmonte pela de Arganil e o castelo reverte, pouco tempo depois, para a coroa, passando a alcaidaria para Luís Álvares Cabral.
Em 1466, a Vila e o castelo são doados a Fernão Cabral por D. Afonso V e a residência dos Cabrais é transferida para o interior do castelo. A construção do edifício junto à porta data dos sécs. XVII – XVIII.
A Torre de Menagem tem planta quadrada e encontra-se adossada à muralha.

 

CASTELO DA GUARDA

 

É o castelo que se localiza a uma maior altitude em Portugal (1056m). Possui em perímetro muralhado envolvendo todo o núcleo medieval. A Torre de Menagem, isolada, situa-se numa colina e a Torre dos Ferreiros, a meia-encosta, encontra-se adossada.

O início da construção das muralhas verificou-se nos fins do séc. XII. O primeiro torreão edificou-se no reinado de D. Sancho II, bem como a Torre de Menagem.
A conclusão definitiva, depois de novos surtos construtivos, terminou no séc. XV.
É um castelo de tipo românico-gótico. O perímetro das muralhas é de configuração irregular. A Torre de Menagem tem planta pentagonal irregular. A Torre dos Ferreiros tem planta quadrada integrando porta dupla.

Das antigas portas das muralhas são de referir: a Porta dos Ferreiros e a Porta da Erva ( ou da Estrela ), a Este; a Porta d’El-Rei e a Porta Falsa, a Norte.

 

PONTE FORTIFICADA DE SEQUEIROS, VALE LONGO - SABUGAL

 

Ponte fortificada que permite o atravessamento do rio Côa em vertentes de grandes afloramentos graníticos.

A Ponte é sustentada por três arcos plenos, sendo o central o de maior diâmetro. Apresenta uma torre de planta quadrada com vão em arco pleno de ambos os lados. Esta Ponte funcionaria como marcação de fronteira antes da incorporação das terras de Riba-Côa no território nacional. A construção terá acontecido ainda no séc. XIII.

A Ponte é de tipologia românica e tem dois talha-mares, tabuleiro rampante facetado e parapeito em cantaria. O pavimento é lajeado com continuidade em calçada. A Torre significa o dispositivo militar da marcação da portagem fronteiriça.

 

CASTELO DE SORTELHA - SABUGAL

 

Localiza-se num cabeço granítico inacessível pela vertente sul. Integra o núcleo urbano da Aldeia Histórica cercada pela linha muralhada. O castelo ocupa o local mais elevado no cimo de um penhasco isolado.

Em 1228 teve carta de foral ( D. Sancho II ) sendo essa a data provável da edificação do castelo. Em 1510, o foral foi renovado por D. Manuel e, em 1527, foi elevado a cabeça de condado por D. João III a favor de Luís da Silveira, Guarda-mor do rei.
Este é um castelo de montanha, românico-gótico com intervenção manuelina. O perímetro urbano é de traçado ovalado irregular. A Cidadela está situada no lado exterior da cerca com a Torre de Menagem de planta quadrada no centro do recinto.
O perímetro urbano muralhado possui quatro portas.
A Porta da Vila ( ou do Concelho ), a Este, em arco quebrado e coberta com abóbada concordante.
A Porta Nova, no lado oposto ( ou Porta Nova da Vila ) com arco pleno e abóbada de berço.

A Porta Falsa, a Noroeste em arco quebrado

 

CASTELO DE SABUGAL

 

Situa-se em local sobranceiro ao rio Côa tendo pertencido ao reino de Leão. Em 1175 pertencia ao concelho de Ciudad Rodrigo mas em 1190, D. Afonso IX de Leão funda o concelho do Sabugal e teria mandado edificar o castelo.

Em 1296, D. Dinis dá-lhe carta de foral e no ano seguinte, na sequência do Tratado de Alcañices, passa a integrar o território português. Em 1303 concluem-se importantes obras no castelo sob a direcção de Frei Pedro do Mosteiro de Alcobaça e, em 1515, o foral é renovado por D. Manuel. De 1641 datam outras obras de beneficiação incluindo a Torre do Relógio. Em 1811, o castelo é base de apoio às tropas luso-britânicas no combate à terceira invasão francesa do General Massena. Em 1846 inicia-se a demolição progressiva da cintura muralhada.
É de arquitectura militar gótica. O perímetro urbano é de traçado ovalado irregular e a Cidadela tem dupla cintura muralhada com barbacã e cubelos cilíndricos. A cintura exterior é de traçado pentagonal irregular e a interior tem 5 torres de planta quadrada.
O castelo tem afinidades com os de Beja, Estremoz e Montalegre.

 

CASTELO DE ALFAIATES

 

Situa-se em local planáltico delimitado por terreiro e com construções rústicas adossadas a dois alçados.

Teve provável origem no séc. XIII com concessão de Carta de Foros e Costumes por Afonso X de Leão e então designado por Castillo de la Luna.
Em 1297 passou a integrar o território português na sequência do Tratado de Alcañices. O foral foi renovado em 1515 por D. Manuel.
Aquando das Invasões Francesas ( 1811 ) o castelo desempenhou importante papel; em 1836 o estatuto concelhio foi extinto e, posteriormente, houve a sua transformação em cemitério com colocação de Cruz e pináculos no alçado principal.

A sua tipologia é românica-gótica de planta quadrada.

A arquitectura é militar, tendo a Cidadela dupla cintura de muralhas, encontrando-se a cintura interna parcialmente ruída.

 

CASTELO DE VILAR MAIOR - SABUGAL

 

Localiza-se num cabeço planáltico sobranceiro à povoação, dominando o vale do rio Cesarão. Daí avista-se claramente o castelo da Guarda.

Castelo com provável edificação cerca de 1232, mandada efectuar por D. Afonso IX de Leão. Passou a integrar o território português em virtude do Tratado de Alcañices, em 1297.
Em 1510 é renovado o foral concedido em 1296 a Vilar Maior.
Nesta data possuía dupla cintura muralhada.
O castelo de Vilar Maior é tipicamente um castelo de montanha românico-gótico. Tem traçado oval irregular com Torre de Menagem de planta quadrada.

No exterior, no lado Oeste, observa-se o arranque da cintura muralhada exterior.

 

CASTELO DE CASTELO MENDO - ALMEIDA

 

Ocupa um cabeço situado a 762 m de altitude sobranceiro ao ribeiro de Cadelos e ao rio Côa. Integra dois núcleos urbanos destacando-se o recinto do castelo na zona mais elevada.

A provável edificação do castelo ocorreu em fins do séc. XII no reinado de D. Sancho I. Em 1229 recebe carta de foral por D. Sancho II onde são mencionados o castelo e o alcaide Mendo Mendes. Daqui decorre a edificação do primeiro recinto muralhado. A segunda cintura muralhada, bem como a Torre de Menagem, advém de D. Dinis, em 1281. Em 1297, com a assinatura do Tratado de Alcañices, a fronteira afasta-se de Castelo Mendo.
É um castelo românico-gótico cujas cinturas são de traçado ovalado irregular e com demarcação da Cidadela no primeiro recinto defensivo. A Torre de Menagem é de planta rectangular.
Com a Reforma Liberal extingue-se o concelho e inicia-se um processo de degradação progressiva.

 

CASTELO DE CASTELO BOM - ALMEIDA

 

Encontra-se sobranceiro ao rio Côa num cabeço a 725 m de altitude e cuja muralha envolve a povoação.

Oriundo de um antigo castro ocupado desde a Idade do Bronze, Castelo Bom vê-se incorporado no reino de Portugal em 1297 como consequência do Tratado de Alcañices.
Nos sécs. XIII e XIV acontece a reedificação do castelo e da cintura muralhada ( D. Dinis ).
No séc. XVI possuía dupla cintura de muralhas, Cidadela com Torre de Menagem e duas Torres de planta quadrada.
Durante as Guerras da Restauração serviu de abrigo aos governantes da Beira.
Em 1762, a Vila foi cercada e derrotada. Em 1834 foi extinto o concelho de Castelo Bom iniciando-se então a degradação das estruturas. Em meados do séc. XX ainda existia a Torre de Menagem.
Existem hoje os panos da muralha; a Porta da Vila em arco quebrado no exterior e arco pleno no interior; o brasão da antiga Vila ( escudo nacional coroado) num muro e a Cisterna, a Sul; o Paiol a Oeste, o Poço de Escada de planta quadrangular e o Poço d’El-Rei de planta rectangular.

 

FORTALEZA DE ALMEIDA

 

Destaca-se a 760 m de altitude numa zona planáltica sobranceira ao vale do rio Côa envolvendo a Vila de Almeida, Aldeia Histórica, e deve a sua actual construção a Pedro Gilles de São Paulo no séc. XVII, e a Miguel Luís Jacob no séc. XVIII.

Depois de um primitivo castelo muçulmano, a história desta Vila remonta ao início da nacionalidade portuguesa, tendo, entre 1156 e 1190 alternado entre a posse leonesa e portuguesa. Em 1296, D. Dinis reconquista-a, concede-lhe foral e reedifica a castelo.
A posse portuguesa é legitimada pelo Tratado de Alcañices.
D. Manuel renova esse foral em 1510. Em 1641 D. Álvaro de Abranches manda construir a fortaleza.
Em 1810, o General francês Massena cercou a Vila e numa madrugada de Agosto abriu fogo. O paiol explodiu matando mais de 500 soldados e levando a fortaleza a render-se.
A tipologia da fortaleza é de arquitectura militar. A planta é hexagonal constituída por seis baluartes e respectivos revelins e cortinas. Está cercada por fosso e possui um perímetro de 2500 m.

Constitui uma das melhores fortalezas, estilo Vauban, do mundo

 

CASTELO DE PINHEL

 

Situa-se no meio urbano e tem perímetro muralhado envolvendo toda a colina e centro histórico. As Torres da Cidadela encontram-se no ponto mais alto e planáltico.

O início da edificação acontece em 1189 por D. Sancho I, dez anos após ter Pinhel recebido de D. Afonso Henriques a carta de foral. No reinado de D. Dinis edificaram-se as Torres e, em 1640, procede-se a obras de fortificação no contexto das Guerras da Restauração. Em 1810, durante as Invasões Francesas, o general Loisson ocupa o castelo e a cidade de Pinhel.
A tipologia do castelo é manuelina de planta oval. A Cidadela tem Torre de Menagem e Torre de Secundária. Os elementos manuelinos visíveis são a janela mainelada com arcos e toros entrelaçados, e a janela de lintel recto e moldura de meia-coroa.
A Cidadela integra duas torres, uma delas a de Menagem.

O perímetro urbano muralhado integra seis portas, duas Torres defensivas e o recinto da Cidadela, de cuja cintura muralhada subsistem dois troços que integram duas Torres.

 

CASTELO DE CASTELO RODRIGO

 

Situa-se a 810 m de altitude num cabeço fortificado e as suas muralhas envolvem a Aldeia Histórica.

Domina a planície sobranceira ao convento de Stª Maria de Aguiar e é actual sede do concelho. Confronta a Oeste com a Serra da Marofa e a Serra da Vieira. O primitivo castelo remonta ao séc. XI e em 1209 recebe carta de foral por D. Afonso IX de Leão. Em 1296, D. Dinis ordena a reedificação da fortaleza e da muralha. Oficialmente e por via do Tratado de Alcañices, passa a integrar o território português em 1297.

Durante a crise de 1383-85, na sequência do facto do alcaide-mor ter jurado fidelidade a D. Beatriz e ter recusado a entrada do Mestre de Avis, resultou a imposição do escudo nacional invertido no brasão da Vila. Em 1590, durante o domínio espanhol, D. Filipe I eleva a Vila a condado e nomeia para o título D. Cristóvão de Moura que, no lugar da antiga alcáçova, manda erigir um palácio residencial. Em 1640, com a restauração da independência, este palácio é incendiado por iniciativa popular. Em 1664 dá-se o cerco da Vila pelo exército espanhol comandado pelo Duque de Oduna, vencido na Batalha da Salgadela e, em 1762, durante a Guerra dos Sete Anos, Castelo Rodrigo é ocupada pelas tropas espanholas do Marquês de Soria. O recinto muralhado é de traçado irregular ovalado e possui três Portas ( Sol, Alverca e Traição ).

publicado por Paulo Jesus às 16:23

Dezembro 11 2008

Rota da Lã

 
Desde há 800 anos que na Serra da Estrela são fabricados fios de lã e tecidos. Primeiro como manufactura, depois como indústria, os lanifícios deixaram um enorme legado de arqueologia industrial principalmente na Covilhã e também em Seia, Gouveia e Manteigas.
O Museu Têxtil da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, é um expositor único de uma actividade que hoje existe com base em tecnologia avançada e que produz para marcas como Christian Dior, Yves St. Laurent, Hugo Boss, Calvin Klein e Giorgio Armani. 
 
Rota dos 20 Castelos
 

Reviva a História de Portugal participando numa Rota única onde se desenharam as origens do País.
À volta da maior montanha portuguesa, a Serra da Estrela, encontrará muitas das nossas raízes. A Rota dos 20 Castelos fá-lo-á regressar ao início da nacionalidade, ao tempo da definição das mais antigas fronteiras europeias, à época das lutas pela construção de um País e de um Povo. Tenha um bom passeio.

 

Rota das Aldeias Históricas

 

No meio de uma diversidade raríssima, aparecem 9 das 10 Aldeias Históricas Portuguesas. Jóias arquitectónicas de granito, Linhares, Marialva, Sortelha, Castelo Rodrigo, Castelo Mendo, Almeida, Castelo Novo, Idanha-a-Velha e Monsanto são a história viva do país. Igualmente o são os castelos da antiga linha de fronteira Sabugal, Belmonte, Guarda, Trancoso, Celorico da Beira,(entre outros).

 

Rota dos Descobridores

 

«Nesse mesmo dia (22 de Abril), houvemos visto terra!. A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão ( Cabral ) pôs o nome de o Monte de Pascoal e à terra A terra de Vera Cruz!»
in «A Carta de Pero Vaz de Caminha»

 

Rota das Judiarias

 

Esta é a história daqueles que são os últimos judeus secretos sefarditas. Até ao século XX o mundo desconhecia a existência, no interior de Portugal, da última comunidade Cripto-Judaica da Península Ibérica e porventura da Europa Junto à Serra da Estrela, montanha mais alta de Portugal (2.000 m), fica Belmonte, memória humana viva do riquíssimo e antigo Portugal Judaico. Aí ficam também as terras que como Covilhã, Guarda, Trancoso, Fundão e outras são a referência das antigas comunidades sefarditas portuguesas....

 

publicado por Paulo Jesus às 00:43

Setembro 27 2008

            A Covilhã - povoação - situa-se na encosta da Serra da Estrela, voltada para nascente, rodeada por duas ribeiras, a Degoldra e a Carpinteira, tendo a seus pés o rio Zêzere e toda a Cova da Beira.

Esta localização faz com que os habitantes da Covilhã sejam, por um lado, homens e mulheres da montanha, tendo por matriz a Serra da Estrela o que lhes transmite coragem, espírito de luta e perseverança; por outro, a baixa ou seja a extensa Cova da Beira que se prolonga até Espanha, que imprime confiança, autonomia e determinação.
Inicialmente, os habitantes ocupavam a baixa junto ao rio onde as úberes terras os alimentavam. Com o andar dos tempos, forças de fora obrigaram-nos a fixarem-se numa altitude aproximada dos 800 metros, numa encosta íngreme.
Importantes "achados" mostram que os primeiros habitantes não foram os Romanos. A navegabilidade do Zêzere, que faz parte da bacia hidrográfica do Tejo, trouxe gentes das mais variadas partes que vinham comerciar.
A existência de inúmeros castros, verdadeiras sentinelas e postos de defesa, mostra que por ali passaram vários povos da pré-história que se foram instalando devido às boas condições de subsistência.
Os Romanos, após as lutas com os Lusitanos, acomodaram-se na região, como se pode verificar ao percorrer as margens do Zêzere, onde os exemplos de terra sigillata hispanica (tritium) se encontram a cada passo.
Escavações, em curso, apontam para a existência de uma importante colónia - povoação romana - que ultrapassa a simples passagem de expedições militares. As vias romanas que se encontram por toda a parte e até na própria Serra, viradas para nascente, para evitar o gelo, são outra demonstração clara da sua presença.
 
 A COVILHÃ NA IDADE MÉDIA
 
A Covilhã tornou-se, desde a Antiguidade, num ponto de cruzamento de estradas e caminhos. Foi conquistada e reconquistada várias vezes, chegando os mouros a destruí-la quase por completo.
Estes acontecimentos levaram a que as gentes da Covilhã criassem o seu próprio município, segundo Alexandre Herculano, para se poderem organizar e defender.
A Carta de Foral à Covilhã, concedida por D. Sancho I, em Setembro de 1186, vem confirmar a sua importância como posto fronteiriço.
Os limites do alfoz (concelho), definidos pelo Foral, incluíam Castelo Branco e iam até ao Tejo, Portas de Ródão. É significativo.
Até ao final do reinado de D. Sancho II, a vila da Covilhã viveu o espírito de Reconquista, isto é, de luta contra os mouros. Foi capital do reino durante a Reconquista. Por várias vezes, o rei se instalou aqui com a corte.
Terminada que foi a Reconquista ou seja feita a paz com os mouros, as gentes da Covilhã passaram a organizar-se economicamente. Havia que ir além da agricultura de subsistência. O Rei D. Afonso III vem ajudar ao instituir uma feira anual com a duração de oito dias. A feira celebrava-se em Agosto, depois da festa de Santa Maria. Também D. João I concede uma feira franqueada anual a realizar-se pelo São Tiago e que se tem mantido, com altos e baixos, até aos dias de hoje.
A indústria dos lanifícios, entretanto, ia começando a tomar forma. Há que ter em conta que, por aqui, se deslocavam, vindos de Espanha, almocreves que levavam lãs para Tomar, seguindo uma via romana que passava por Paúl, Casegas, Sobral de São Miguel... Era conhecida como a Estrada da Lã.
A Carta de Foral aponta para muitas indústrias artesanais, incluindo a dos lanifícios e abria a porta a todos os que desejassem vir instalar-se na região.
Uma burguesia, cada vez mais forte, fomentava o progresso e tornava-a apetecida pelas suas riquezas. No termo da Covilhã, na Idade Média, incluíam-se mais de 300 lugares.
Os judeus eram já um núcleo importante que chegou a ter influência na corte.
A arte e a cultura está bastante representada, caracterizando esta época. A título de exemplo cita-se a capela de São Martinho, autêntica jóia de estilo românico.
 
COVILHÃ NO RENASCIMENTO
 
A Covilhã era uma vila em plena expansão populacional quando surge o Renascimento. O sector económico tinha particular relevo na agricultura, pastorícia, fruticultura e floresta. O comércio e a indústria, embora artesanal, especialmente os lanifícios, estavam em franco progresso. Gil Vicente cita "os muitos panos finos".
Os judeus dominavam o comércio e a indústria. Eram os detentores do capital. A Covilhã e sua região, como transfronteiriças, eram um bom abrigo.
As ruas que vão desaguar na Praça do Município, de qualquer um dos pontos cardeais, denotam a importância do comércio e trabalho. As dezenas e dezenas de casas com a porta larga e a porta estreita - uma entrada para a casa e outra, a larga, para a oficina mostram essa importância.
O Infante D. Henrique conhecia bem essa realidade, daí o passar a ser "senhor" da Covilhã.
A gesta dos Descobrimentos exigia verbas importantes. As gentes da vila e seu concelho colaboraram não apenas através dos impostos, mas também com o potencial humano.
A expansão para além-mar iniciou-se com a conquista de Ceuta em 1415. Personalidades da Covilhã como Frei Diogo Alves da Cunha, que se encontra sepultado na Igreja da Conceição, participaram no acontecimento.
A presença de covilhanenses em todo o processo prolonga-se com Pêro da Covilhã (primeiro português a pisar terras de Moçambique e que enviou notícias a D. João II sobre o modo de atingir os locais onde se produziam as especiarias, preparando o Caminho Marítimo para a Índia) João Ramalho, Fernão Penteado e outros.
Entre os missionários encontramos o Beato Francisco Álvares, morto a caminho do Brasil; frei Pedro da Covilhã, capelão na expedição de Vasco da Gama para a Índia, o primeiro mártir da Índia; o padre Francisco Cabral, missionário no Japão; padre Gaspar Pais que de Goa partiu para a Abissínia; e muitos outros que levaram, juntamente com a fé, o nome da Covilhã para todas as partes do mundo.
Os irmãos Rui e Francisco Faleiro, cosmógrafos, tornaram-se notáveis pelo conhecimento da ciência náutica. Renascentista é Frei Heitor Pinto, um dos primeiros portugueses a defender, publicamente, a identidade portuguesa. A sua obra literária está expressa na obra "Imagem da Vida Cristã". Um verdadeiro clássico.
A importância da Covilhã, neste período, explica-se não apenas pelo título "notável" que lhe concedeu o rei D. Sebastião como também pelas obras aqui realizadas e na região pelos reis castelhanos. A Praça do Município foi até há poucos anos, de estilo filipino. Nas ruas circundantes encontram-se vários vestígios desse estilo. No concelho também.
Exemplos de estilo manuelino também se encontram na cidade. É o caso de uma janela manuelina da judiaria da Rua das Flores. É o momento de citar o arquitecto Mateus Fernandes, covilhanense, autor do projecto da porta de entrada para as Capelas imperfeitas, no mosteiro da Batalha.
 
COVILHÃ NA INDÚSTRIA
 
Joel Serrão sintetiza assim a especial capacidade da vila da Covilhã e sua zona envolvente para a indústria de lanifícios: "Uma cintura de vilas e aldeias animadas pelos lanifícios envolve a Serra da Estrela. Os "panos finos" que se faziam na Covilhã eram afamados no começo do século XVI (Gil Vicente)".
Após o ouro do Brasil, Portugal entrou em depressão económica.
D. Luís de Menezes, conde da Ericeira, funda a fábrica - escola na Ribeira da Carpinteira. Mandou vir técnicos estrangeiros, sobretudo da Inglaterra (5 estampadores, 4 tecelões, 2 mulheres que fiavam e oficiais de tinturaria). Ainda há ruínas desta empresa. Poucos anos depois, trabalhavam nesta laboriosa cidade 400 oficiais e 17 teares.
O Marquês de Pombal ao instalar nesta cidade a Real Fábrica de Panos, junto à Ribeira da Degoldra, vem confirmar as capacidades das gentes da Covilhã e as potencialidades da sua zona envolvente para a indústria.
"Pombal cria a Superintendência das fábricas de lanifícios que valorizou os centros beirões, em especial na Covilhã e no Fundão. Do estrangeiro manda vir tecedeiros e tintureiros, seguindo o exemplo do Conde da Ericeira, que abriu e desenvolveu fábricas e teares."
A marca da importância industrial da Covilhã vê-se no património industrial, único no País, o que indica os passos dados na evolução técnica até aos dias de hoje. Resposta aos que afirmam que a Covilhã não é rica em património construído.
A criação da Escola Industrial, por decreto do Ministério das Obras Públicas, publicado em 20 de Dezembro de 1864 é, exemplarmente, o sinal inequívoco da importância da indústria de lanifícios na Covilhã.
Poucos anos depois, em 20 de Outubro de 1870, o rei D. Luís eleva a Covilhã à categoria de cidade: "..., é uma das vilas mais importantes do reino pela sua população e riqueza;... fecunda iniciativa dos seus habitantes..." Assim condecora a vila da Covilhã e as suas gentes.
Como síntese, há que dizer que a Universidade da Beira Interior - cúpula e corolário deste processo que surgiu antes dos primórdios da nacionalidade - nasceu, tendo como um dos primeiros cursos a licenciatura nos têxteis.
 
O MOVIMENTO OPERÁRIO DA COVILHÃ (1890/1907)
 
A classe operária da Covilhã, gerada enquanto tal, no processo - lento e demorado - de industrialização dos lanifícios, irrompeu na cena social da cidade e do concelho a partir da década de 1890.
Com efeito, datam de meados do último decénio de oitocentos não apenas os actos fundadores das organizações autónomas e de classe do operariado covilhanense, mas também as primeiras movimentações grevistas e outras formas de luta através das quais o operariado procurava fazer frente às suas duras condições de existência.
Em todo este processo, sociológico, económico, político e até psicológico, a classe dos tecelões desempenhou um papel preponderante.
 
A PRIMEIRA EMPRESA TÊXTIL DA COVILHÃ
 
         A Inquisição, cujo primeiro tribunal foi instituído em 1560, no tempos de D. João III, veio provocar o êxodo de muitos cristãos novos e judeus que, em pleno século XVI, haviam dado grande incremento ao comércio, à indústria e ao tráfego marítimo. Com a sua expulsão, além de levarem consigo para fora do reino os seus cabedais, Portugal via-se afectado no seu comércio, na sua indústria e no tráfego com o ultramar. Devido em parte aos judeus, a Holanda tornou-se uma potência marítima, vindo a assenhorar-se de parte do nosso tráfego e a atacar as nossa feitorias do ultramar. A feitoria de S. Jorge da Mina, bastião e orgulho de D.. João II, foi conquistada pelos Holandeses. A debandada de judeus e cristãos novos, continuada no tempo da dominação espanhola, prolongou-se até ao reinado de D. João IV, apesar das advertências do Padre António Vieira, que lhe fazia ver que essa perseguição era duplamente prejudicial ao reino, já pelo facto de eles levarem consigo seus enormes cabedais, já por os colocarem depois ao serviço dos nossos inimigos.
         Os judeus eram não só homens da indústria, da ciência e do comércio, mas também homens de grande influência, no trafego marítimo e na política internacional. A Covilhã teve por muito tempo a fama de ali actuarem muitos mercadores e assentistes no comércio de panos. Sabe-se que muitos dos judeus, que se dedicavam à indústria têxtil, se foram estabelecer em Bordéus e Antuérpia, cidades que se tornaram grandes centros desta indústria. Curioso notar que foi um judeu covilhanense o criador, na América, da Bolsa de Nova York, da Wall Stret.
         Para obstar a carência de cereais, procurou-se desenvolver o seu cultivo nas amplas várzeas circundantes da Serra da Estrela. Esta várzea, ontem como hoje, era rica de potencialidades agro-pecuárias. Às margens das ribeiras ergueram-se os engenhos de moinhos, lagares, pisões, tintes e tendas, e lavandarias com águas ideais para o tratamento das lãs. As ribeiras da Carpinteira e Degoldra, tornaram-se centros da indústria manufactureira de panos, e principalmente com o aproveitamento da força hidráulica, que seria a principal fonte de energia da indústria da Covilhã no século XIX.
 
 

 

A REAL FÁBRICA DE PANOS
 
       Os chamados “Inquéritos Pombalinos” foram primeiramente da iniciativa do padre Luís Cardoso, e só depois consentidos e incentivados pelo Marquês de Pombal que, através deles, quis ter ideia do país de que dispunha após a desesperação em que o havia lançado o terramoto de 1755. Outrossim avaliar a estagnação em que se debatiam a agricultura e a indústria. A Covilhã tinha ao tempo a população de 3800 habitantes, e as suas doze freguesias alongavam os seus termos a muitas povoações limítrofes. Uma parte das muralhas e suas torres, e algumas das suas igrejas, encontravam-se em parte arruinadas. A Igreja de S. Salvador, já desaparecida, englobava os moinhos da ribeira da Carpinteira, as quintas de Cantargalo, de Flandres, e de outras que se estendiam às margens do rio Zêzere.
         À ribeira da Carpinteira, sede de muitas oficinas e tendas de manufacturas de panos, estava, desde os fins do séc. XVII, a Fábrica Real. Na outra ribeira, a Degoldra, existia no lugar chamado Biribau uma grande lavandaria de lãs.
 
Quartel   de   Infantaria   21   -   1904
 
 
 
 
 
Dos itinerários culturais europeus salienta-se, pela importância histórica e turística uma rota que abarca tanto o percurso económico da lã como matéria-prima como o percurso turístico do património industrial dos lanifícios. Na Península Ibérica e em Portugal esse percurso passa, na região da Beira Interior, pela cidade da Covilhã, considerada o centro da produção nacional dos tecidos de lã. Desde o século XII até à actualidade são inúmeros os vestígios do património industrial dos lanifícios nesta cidade. As rotas da transumância dos gados que passavam pela Covilhã, em direcção à Serra da Estrela, encontram-se ilustradas no seguinte mapa:
 
 
  
"Se os filhos de Adão pecaram os da Covilhã sempre cardaram."
 
 
A Covilhã foi na região da Beira Interior, até aos séculos XVIII/XIX, o centro polarizador de uma produção de tecidos de lã dispersa realizada em regime doméstico e artesanal. Desde o século XVII verifica-se a localização nessa cidade das primeiras manufacturas, processo que foi continuado com a industrialização que conduziu a uma forte concentração fabril, até à actualidade.
 
A partir de 1970 inicia-se um processo que conduziu ao abandono sucessivo de numerosas fábricas e à reconversão industrial da cidade. Os investimentos feitos na indústria não contemplaram a manutenção dos edifícios antigos, concentrando-se, quase exclusivamente, na renovação de equipamentos técnicos ou em novas construções fora das áreas de implantação tradicional, ou seja, as Ribeiras da Degoldra e Carpinteira e o tecido urbano. Estes eram, desde o século XVII até aos anos 60 do século XX, os locais de eleição da ancestral mono-indústria dos lanifícios covilhanenses.
 
Na actualidade, a Covilhã apresenta-se como mais uma das áreas características da desindustrialização europeia. Assim, também nesta cidade, ao assistir-se às transformações que põem em causa os alicerces sócio-económicos do seu passado, se procura salvaguardar-lhe a memória. Um conjunto de acções, que passam pela preservação de sítios de interesse arqueológico-industrial e pela criação de equipamentos de natureza cultural, encontram-se programados uns e concretizados outros com o objectivo de recuperar a memória da indústria de lanifícios e o seu envolvimento na vida da cidade e dos seus habitantes. Nesse sentido, a Universidade da Beira Interior instituiu, na manufactura pombalina da Real Fábrica de Panos, o Museu de Lanifícios. Este é um projecto dinâmico que procura aliar à preservação da memória do trabalho dos lanifícios a revitalização da Covilhã e da região que tem por matriz a Serra da Estrela.
 
ENQUADRAMENTO ESPÁCIO - TEMPORAL
 
         A Covilhã, encastoada na falda oriental da Serra da Estrela, a montanha de maior altitude de Portugal Continental (2.000 m), localiza-se na Beira Interior, na sub-região da Cova da Beira, uma depressão que, integrando a bacia hidrográfica do Alto Zêzere e ainda pela Serra da Malcata a Leste.
 
A história da Covilhã está indissociavelmente ligada a todo este espaço, rico de diversidades e propício a uma auto-subsistência que era garantida pelas actividades agro-pastoris, pela caça, pela pesca nos rios e ribeiros, pelo abastecimento de lenhas e pela abertura à penetração mercantil. Foram estes condicionalismos naturais que justificaram que, a partir de finais do século XII, os homens se fossem aperfeiçoando na prática dos lanifícios.
 
Efectivamente, a montanha, propiciando ao gado os pastos naturais, foi ponto de encontro dos grandes trajectos da transumância tanto nacional como peninsular. Por tal razão permitiu-se a alguns aglomerados populacionais da sua área, como Manteigas, Seia, Gouveia e Covilhã, a especialização no fabrico dos panos. Esta situação foi facilitada pelo acesso fácil à matéria-prima que alimentou esta indústria: a lã. De igual modo, a energia indispensável ao seu desenvolvimento foi fornecida pelo fácil acesso e utilização da água e das lenhas. Assim, esta região é caracterizada por uma economia agro-pastoril e manufactureira, onde tudo são lãs e panos.
 
Neste contexto a Covilhã foi-se desenvolvendo, até ao século XIX, tendo sido apelidada e conhecida como cidade-granja/cidade-fábrica. A partir de então, por condicionalismos vários, mas sobretudo por acção dos homens, ir-se-à especializar como cidade-fábrica até aos anos oitenta do século XX. Foi a partir desta altura que a Universidade da Beira Interior começando por se instalar no edifício da pombalina Real Fábrica de Panos da Covilhã iniciou a recuperação de alguns dosmais representativos antigos edifícios fabris convertendo-os em instalações universitárias.
 
Subsistem ainda hoje muitos vestígios do passado industrial da Covilhã. Desde o século XII até à actualidade, são numerosas as fontes documentais existentes. De entre as mesmas o destaque vai para os arquivos empresariais de muitas das fábricas da Covilhã. Refira-se ainda a proliferação de catálogos dispersos pelos arquivos das fábricas, de papel timbrado, rótulos e embalagens de produtos, fotografias e gravuras, desenhos e plantas, registos audiovisuais, produtos e amostras, modelos e maquetes das fábricas que, ao longo do tempo, foram sendo construídas, e anúncios empresariais publicados na imprensa.
Para além deste conjunto documental salientam-se ainda como muito significativas do processo de industrialização Covilhanense, as numerosas fontes materiais ainda hoje existentes. Pela quantidade e autenticidade de que se revestem são de primordial importância no domínio da arqueologia industrial. Hoje em dia, a Covilhã pode ser classificada como o principal centro histórico dos lanifícios portugueses.
 
A ROTA DA LÃ
 
O actual desenvolvimento das práticas e políticas associadas ao turismo cultural tem contribuído para a definição e divulgação de um conjunto variado de itinerários culturais, no âmbito dos quais a Rota da Lã tem vindo a ganhar forma e contornos. Em 1987, o Conselho da Europa lançou um programa sobre itinerários culturais que tinha objectivos de natureza turística, nomeadamente a melhoria da qualidade do ócio dos europeus, convidando-os a percorrer e a explorar os “caminhos reais ou imaginários em que, através da unidade e da diversidade, se forjara a identidade europeia”, como o defende Michel Thomas-Penette, Conselheiro do Programa de Itinerários Culturais do Conselho da Europa (Universitat de Barcelona,1996).
 
Esta é uma questão que tem dependido de um conjunto diversificado de objectivos relacionados com a dinamização do turismo, mas que, cada vez mais, procura restabelecer as continuidades perdidas ao longo do tempo em diversos espaços europeus, visando ainda a valorização dos produtos naturais e do trabalho artesanal. De várias das publicações levadas a efeito, a partir de 1987, sublinhe-se o Guia dos Itinerários Culturais das Regiões da Europa, onde a Região Centro de Portugal aparece caracterizada através, precisamente, de uma entrada intitulada “O Fio da Meada”. Nela valoriza-se a definição de uma Rota da Lã, que se justifica claramente que entronque, a nível do país, na cidade da Covilhã (Fernando Lozano Hernando, Guia dos Itinerários Culturais das Regiões da Europa, 1ª Ed., Barcelona,1992).
 
A importância destas Rotas deriva ainda, como o sublinha Doudou Diène, Conselheiro da UNESCO, de elas serem concebidas como mecanismo de contacto entre povos e civilizações, concluindo que "a história e a cultura de cada povo são o resultado de um duplo processo dinâmico: processo de encontros, de contactos e de influências, mas igualmente processo através do qual estes contactos e influências se traduzem, graças a uma complicada alquimia, na construção de uma identidade específica”. (Espanã y Portugal en las Rutas de la Seda, Publicaciones de la Universitat de Barcelona, Barcelona, 1996).
 
Contudo, numa era caracterizada pela intensificação dos sistemas e práticas de comunicação, as rotas são hoje, sobretudo, os itinerários culturais de “cidadãos do mundo” desenraizados da sua matriz natural e ambiental, em busca todavia, dos fios perdidos de uma identidade que urge preservar. Daí o interesse deste tema e o seu actual aprofundamento por parte das indústrias culturais e de turismo.
 
Todavia, na abordagem ao tema da Rota da Lã, para além destas razões que explicam a sua actualidade, devemos ainda ter presentes várias outras das suas vertentes. O estudo de uma qualquer rota deverá procurar clarificar os percursos económicos tanto da matéria-prima como do produto fabricado, evidenciando ainda, e sobretudo, a abordagem antropológica que gera todo o processo.
 
No que se refere à Rota da Lã, os seus itinerários aparecem-nos profusamente documentados no nosso país e, concretamente, na região da Beira Interior, desde o século XII até à actualidade. Há ainda que ter em conta as complementaridades espaciais e de natureza geográfica que, ao longo dos tempos, se estabeleceram entre os homens que, neste domínio, se especializaram. Trata-se, muitas vezes, de circuitos criados e desenvolvidos através de laços de natureza pessoal ou grupal, de âmbito social e religioso que transcendem as meras relações de natureza económica e que permitem compreender situações pouco comuns. É o caso da Covilhã que podendo considerar-se geograficamente isolada no contexto nacional beneficiou de intensos contactos internacionais que podem considerar-se privilegiados e que terão resultado, provavelmente desde o século XVI, do estreitamento de laços veiculados através das comunidades judaicas e cristãs-novas, não só na esfera penínsular como europeia e até mundial. 
 
Deste modo se poderão mais facilmente compreender as facilidades de circulação e a presença frequente de muitos empresários covilhanenses em importantes cidades industriais europeias, desde o século XVIII até à actualidade, não só para comprar maquinaria e colocar a produção como para frequentar escolas superiores de especialização têxtil.

TRAJECTÓRIA DA ROTA DA LÃ
 
A intervenção efectuada nos edifícios que constituíram esta manufactura, desenvolvida por fases e com objectivos diversos, revestiu-se de real significado, não só no domínio da recuperação arquitectónica e da conservação do património edificado, como a nível da própria preservação da memória dos lanifícios na Covilhã e da história da tinturaria portuguesa e europeia do Antigo Regime.
 
Os modelos de intervenção arquitectónica, de conservação arqueológica e de musealização nela experimentados podem avaliar-se já hoje como contributos para a própria afirmação da arqueologia industrial em Portugal. Efectivamente, foi no contexto da recuperação e musealização da Tinturaria da Real Fábrica de Panos que, tendo-se iniciado, se concluiu, provavelmente, um dos primeiros projectos de recuperação do património industrial português, com a inauguração, em 30 de Abril de 1992, do Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior. Foi igualmente no âmbito desta experiência que se iniciaram, na Covilhã e na região circundante, com carácter sistemático, levantamentos no domínio do património industrial.
 
Deste modo foi possível salvaguardar alguma da memória dos itinerários da produção de panos de lã, tanto a nível regional e nacional como até internacional, conhecer a diversidade e a origem dos produtos tintureiros orgânicos mais utilizados nas tinturarias da Real Fábrica de Panos, assim como os processos de fabrico e de tingimento característicos de uma manufactura de estado do Antigo Regime.
 
         Os fios com que se tecem os panos fabricam também a recuperação da memória de um passado com que se procura alicerçar o futuro. É mais uma das virtualidades desta fibra natural que é a lã.
publicado por Paulo Jesus às 17:53

Setembro 27 2008

            No domínio da investigação histórica, sobretudo da história da Covilhã, destacam-se os nomes de Artur de Moura Quintela, que publicou no ano de 1899, os "Subsídios para a Monografia da Covilhã", e o Dr. Luís Fernando de Carvalho Dias (1914/1991) formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Dedicou-se à investigação histórica, coligindo, na Torre do Tombo, numerosos documentos relativos à história dos lanifícios, do que resultou a publicação, em três volumes, da "História dos Lanifícios", versando a época de 1750/1834. Publicou ainda "Heitor Pinto - Novas Achegas para a sua Biografia" e "Forais Manuelinos". No âmbito da investigação da histórica local e na defesa do património ainda existente, destacam-se nomes como o Dr. Rui Nunes Proença Delgado, com vários títulos sobre a "História da Covilhã", e José Mendes dos Santos, que fundou aqui a melhor livraria da Cidade, e, além da recente obra "Breve História Cronológica da Covilhã", fez publicar a "Toponímia Covilhanense", repositório de numerosas achegas para a história da Covilhã, escritas por publicistas locais de mérito, como José Vicente Milhano (1913/1995), Vitorino de Almeida Bonina, M. M. Sardinha, Dr. António Crespo de Carvalho, Artur Penha (1904/87), Humberto Correia Morão, Álvaro Morgadinho, e outros.

Ainda no domínio da cultura, foi figura de relevo neste século, o Eng.º Ernesto de Campos Melo e Castro (1896/1973). Pertencente à Família Campos Melo, foi, durante trinta e sete anos director da Escola Industrial. Dedicado igualmente à música, foi professor no Conservatório desta cidade, violinista em saraus artísticos e compositor da "Trilogia Camoniana" para canto e piano. Teve também o mérito de recolher e escrever numerosas cantigas típicas da região da Beira Baixa.
Embora se façam sentir pelos formosos campos do Zêzere e nas alturas da serra, as harpas eólicas das musas, rareiam por aqui os poetas. Todavia, ainda sobressaem nomes como Celestino David (1880/19529, José Seca Júnior (19101971), José Nepomuceno (1874/1954), natural do Tortosendo, José Soares Pereira da Rocha (1904/1983), natural de Vale Formoso, que deixaram os seus versos dispersos por diversas publicações e jornais. Ernesto de Melo e Castro, filho de Engenheiro do mesmo nome, é autor do livro de poesia experimentalista "Trans (a) parências".
            No jornalismo, avultam nomes como o de Mário Quintela (1872/1956), natural do Sabugal, mas covilhanense de coração, que foi director do "Notícias da Covilhã" (1941), autor de revistas teatrais de sucesso, como "No País da Guedelha", "Covilhã à Vista" e "No País do Minério". José Marmelo e Silva (1911/1991), natural do Paul, colaborou nos jornais "O Raio" e no "O Diabo", bem como na Seara Nova. Editou ainda em Coimbra o Boletim "Altitude". O Padre Jaime Pinto Pereira (1916/1987), natural de Sobral de São Miguel, jornalista e etnólogo, foi fundador do jornal "Nordeste" e publicou dois volumes de canções religiosas e profanas, inspiradas e recolhidas na região. O jornalista José Nunes Torrão (1929/1981), natural da freguesia da Boidobra, trabalhou longo tempo no "Jornal do Fundão" e, tendo emigrado para Angola, foi em Luanda, chefe de redacção do diário "Província de Angola". Nascido no Tortosendo, o Dr. Jorge Ferreira Peixoto, foi primeiro bibliotecário da Universidade de Coimbra, e professor da Faculdade de Letras da mesma universidade, deixando extensa obra bibliográfica.
 
 
O CONCELHO DA COVILHÃ
 
Covilhã – Concelho
 
Reclinada na encosta da Serra da Estrela, voltada a Nascente, a Covilhã oferece a quem a visita a bela paisagem da sua casaria, enquadrada num majestoso anfiteatro de montanhas.
O Concelho tem uma área de mais de 550 mil hectares e a sua população está estimada em 54 mil 506 habitantes, dos quais 49 mil 527 são eleitores (segundo dados apurados pelo Censos 2001).
            É constituído por 31 freguesias: Aldeia de São Francisco de Assis, São Jorge da Beira, Casegas, Sobral de São Miguel, Ourondo, Erada, Paul, Coutada, Barco, Peso, Vales do Rio, Cortes do Meio, Unhais da Serra, Tortosendo, Dominguiso, Boidobra, Ferro, Cantar Galo, Vila do Carvalho, Teixoso, Santa Maria, São Martinho, São Pedro, Conceição, Peraboa, Verdelhos, Sarzedo, Orjais, Aldeia do Souto, Canhoso e Vale Formoso.
 
Covilhã – Cidade
 
A cidade da Covilhã situa-se na vertente oriental da Serra da Estrela a cerca de 700 metros de altitude.
Desde 1851 que é constituída por quatro freguesias urbanas: São Martinho, São Pedro, Santa Maria e Conceição.
É Cidade desde 20 de Outubro de 1870, título atribuído por D. Luís I.
 
Covilhã- No Distrito
 
A Covilhã pertence ao distrito de Castelo Branco que é formado por onze concelhos (Covilhã, Belmonte, Fundão, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Rodão), compostos por 159 freguesias.
A delimitação geográfica do distrito é feita a Norte pelo distrito da Guarda, a Sul pelo distrito de Portalegre, a Oeste pelos distritos de Santarém, Leiria e Coimbra, a Leste pelas fronteiras com o País vizinho, Espanha.
Geograficamente o distrito é caracterizado pelas várias serras que o atravessam, com parte das serras da Estrela e da Lousã e com as serras da Gardunha, Malcata, Alvelos e Muradal.
Nos seus vales correm os Rios Erges, Ponsul, Ocreza e o Zêzere, afluentes da margem direita do Rio Tejo, o qual delimita o distrito a sul.
 
LENDA DA COVILHÃ
 
            A Cova da Beira está situada no eixo da Guarda - Covilhã - Castelo Branco, fazendo fronteira com Espanha. O seu primeiro nome foi o de Cova Plana, por razões de ordem morfológica. "Cova" porque está enclausurada entre serras altas, nas abas das Serra da Estrela, Serra da Gata, Serra da Malcata, Serra da Gardunha. "Plana" porque se trata de um espaço onde se erguem aqui e além pequenos montes ou mamelões que, vistos do cimo de qualquer uma das serras que a envolvem, se diluem na paisagem, parecendo tratar-se de uma planície entre montanhas onde brilham as águas.
Após a invasão e conquista da Península Ibérica pelos romanos é que aconteceu surgirem os vários nomes (Cova Julia e Silia Herminia) a que as lendas deram notoriedade.
Os generais romanos, por razões estratégicas davam os seus nomes às regiões por onde passavam e sobretudo onde assentavam arraiais. Temos assim a Cova Plana a mudar de nome para Cova Julia, antes de Cristo, devido ao facto de ser Júlio César o general, comandante das legiões romanas, na Península Ibérica.
Em 41 depois de Cristo, há uma outra alteração. O nome de Cova Julia desaparece e a região passa a ser conhecida como Silia Herminia, devido ao facto de o general romano, que então comandava as legiões romanas, se chamar "Silius", e ter, ali, acampado para dominar os lusitanos.
 
            A Covilhã encontra-se situada na vertente oriental da Serra da Estrela a cerca de 700 metros de altitude. Possui uma localização estratégica, confinada entre as ribeiras da Carpinteira e da Degoldra, com excelentes pastos para a criação de gado ovino, condições essenciais para a manufactura de panos. Desde cedo se destacaram na paisagem azenhas, moinhos de pão, tintes e tendas e, posteriormente, fábricas transformando a Covilhã no maior centro da indústria têxtil do País.
 
O topónimo da Covilhã estará relacionado com uma LENDA . Segundo esta, o Conde Julião, governador de Ceuta, teria permitido a passagem dos mouros, por vingança, pelo facto da sua filha, Florinda, se ter enamorado por Rodrigo, o último rei dos Godos. Após a morte deste, numa batalha contra Tariq, esta refugiou-se nos Montes Hermínios e, pela sua astúcia e formosura, mereceu o respeito dos mouros e o nome de Cova. Seria o lugar da Cova Juliana ou Covaliana, donde resulta o nome da Covilhã.
Há ainda quem conte que foram as condições em a Covilhã se insere, com zonas de pastagens e refúgio do gado na Serra da Estrela que lhe deram o nome.
Inicialmente conhecida como o Covil da Lã, hoje denomina-se Covilhã.
 
LENDA DA SERRA DA ESTRELA
 
 
IN "Velhas Lendas" de Maria Antonieta Garcia, Edição Centro Cultural da Beira Interior
 
 
Olhar o céu todas as noites, decifrar linguagens das estrelas, lua, nuvens e ventos era momento de prazer sempre renovado.
Quando se está só, as coisas que nos rodeiam ganham outra importância. Temos tempo para elas, entendemo-las, deixamos que entrem connosco na nossa vida. E à noitinha, no veludo negro do céu, via estrelas lindas, lindas que não sabe por que loucura ouvia falar. Aquele barulho e o tremeluzir ritmavam melodias, conversas, confidencias... E os jogos que faziam? Fugiam para um lado e para o outro, escorregavam sabe-se lá para onde, dançavam... Escondiam-se!
Era então que o José desdobrava recordações, passeando pelo Largo da sua Infância com acenos de felicidade... E lembrava-se das histórias com estrelas. Todos tínhamos uma no céu, dizia-se. Boa ou má... Ah! Se um dia descobrisse a sua Estrela!!!
Noite após noite, procurava um sinal, um sussurro... A Lua olhava-o divertida e aguardava serenamente poder assistir ao encontro de José e da sua Estrela.
Era nas noites sem sono que o som da flauta subia mais alto no silêncio.
 
                   O brilho da minha estrela
                   Aquece o negro do céu;
                   Espreito-a pela janela,
                   Marco encontro: ela e eu.
 
                   Sou jovem enamorado
                   À noite mato a saudade,
                   Desce no sopro da Estrela
                   Um sol de Felicidade.
 
- José, sou a tua Estrela! José sou a tua Estrela! - ouviu-se.
Era lá possível! Cantigas, são cantigas! Não queria acreditar! Esfregou os ouvidos, os olhos. E ouviu de novo:
- José, sou a tua Estrela!
E tremeluzia rindo em brilho de poeta e paz. O José teve receio. Beliscou-se até doer para sentir que estava acordado. E estava mesmo... Porque a Estrela continuava:
- Que linda a tua serenata! Diz-me os teus anseios, mas pensa bem, antes de decidires. Traçado o Caminho da Vontade, partiremos juntos, e não voltaremos atrás. Quando quiseres, chama-me! Sou a tua Estrela.
E afastou-se devagarinho.
Prisioneiro daquela voz que lhe oferecia viagens, deixou fugir as ideias para paraísos sumarentos. Abandonou-se a uma loucura saborosa e teceu aventuras que acariciou com o desejo semeado pela espera. Queria partir, conhecer serranias altas, coroadas de branco...
Numa noite luminosa olhou o céu:
- Estrela, minha Estrela. Sou eu que te chamo! Vem comigo!
O cheiro das lareiras da aldeia entranhava-se no ar e bafos tépidos, conhecidos, aconchegavam e prendiam as gentes. Mas o José tinha de seu apenas a solidão e uma vontade que recusava resignação e bolores. Vizinho de um mundo de sonho, partiu com a Estrela mais brilhante. Marcou os caminhos que percorreu com a alegria. Irrequieto e insubmisso, em cada terra, um sonho novo subia-lhe à cabeça e reinventava o gosto de viver. Fascinava-o uma criança, um regato de cantilenas, uma romã aberta... Eram imagens que soldava ao corpo, para construir pilares capazes de exorcizar tristezas, hipocrisias, azedumes.
O José tinha escolhido uma Boa Estrela.
Os anos passaram. Os caminhos da montanha rendilhados de branco estavam próximos. No céu, a Estrela brilhava cada vez mais intensamente. Entrava-lhe todas as noites nas palheiras que lhe serviam de abrigo. Desafiava-o feliz para todos os percursos até ao local do seu encantamento. Do alto da Serra, dominaria horizontes mais largos e maior seria o seu prazer franciscano de se emocionar, admirar e acariciar ternamente o que o rodeava.
- José, sou a tua Estrela! Estamos perto. - confidenciava-lhe.
Flautas mágicas cantavam com o sopro do vento. O José cansava-se, subia... A Estrela à sua frente, corria, corria, corria em fúria de chegar.
- Tão bonita a Serra!
- Tão bonita a Serra! Ecoavam as vozes voando longe, longe, longe.
José mergulhou o olhar nos rumores e espaços marcados por pedras e lagoas, plantas e bichos a quem ouviria histórias... para contar.
Ali ficaria. Com a Estrela sua companheira, Amiga e conselheira, durante uma vida. Esperavam que a noite descesse para as longas conversas e confidências...
Diz-se que o Rei cioso das maravilhas do seu reino, teve conhecimento desta Amizade. E quis a Estrela. Coleccionador de raridades aspirava possuí-la.
- Dou-te o que pedires. Ofereço-te poder e privilégios que nunca conheceste em troca da tua Estrela.
No rosto do pastor desenhou-se a admiração:
- Não posso dá-la! - elucidou - É a minha Estrela e ficará comigo para sempre. Vossa Majestade pode escolher uma no Céu.
O Rei não acreditava no que ouvia:
- Recusas as riquezas, o bem-estar, poderios? Não sabes o que fazes. Para que te serve uma estrela se não tens mais nada?
- Eu tenho um dom digno de deuses. Conheço meu caminho. Tracei-o com as minhas mãos; povoei a vida com alegrias - e algumas tristezas! - que não posso oferecer, nem trocar, nem esquecer... Fizeram de mim o que sou...
A Estrela ouviu o José. Na noite de veludo brilhou com maior fulgor.
 
Ainda hoje, todas as noites se vê na Serra uma Estrela linda, estranha, diferente de todas as outras. Acompanha o José sempre... ternamente apaixonada pelos pastores e pela Serra a que deu o nome:
         A Serra da Estrela.
 
Fátima
 
         Manteigas, na Serra da Estrela, é uma vetusta população que já no tempo da romanização possuía uma certa importância. Na época da dominação Muçulmana, teve direito a alcaide ou emir, autoridades que a tradição popularizou sobre designação de reis.
         A cerca de duas léguas de Manteigas ergue-se o píncaro de Alfátema, o cabeço mais elevado da Serra da Estrela, amiúde revestido de alvo manto de neve. De Alfátema falará a nossa lenda, que se passa nessa época em que o montante cristão não dava descanso ao alfange muçulmano. Os mouros iam perdendo terreno de combate em combate e a perseguição que os cavaleiros cristãos lhes moviam era tão rápida e implacável que lhes revelava impossível pôr a salvo todas as riquezas que tinham acumulado ao longo dos séculos. Assim escondiam os tesouros nos sítios que achavam mais adequados, ocultando-os muitas vezes por artes mágicas, o que levava o povo a dizer que ele estava guardado por mouras encantadas.
         Conta a lenda que o rei mouro de Manteigas tinha uma filha, chamada Fátima, e que era formosa como uma visão magnífica do paraíso de Alá. Os cristãos das vizinhanças empregavam todos os seus esforços para se apoderar do território do rei, da sua Fátima tão linda e de todas as suas jóias e bens.
         Ainda quis resistir, o rei, abrigado como estava dentro do seu castelo. Mas o numero de assaltantes era tal que lhe pareceu loucura ficar e resolveu fugir pelos correios escusos da serra, levando a filha e o que das riquezas ainda não puseram a salvo.
         Era madrugada quando fugiram de Manteigas por uma pequena porta dissimulada nas muralhas. Andaram, andaram todo o dia por entre penedos e escarpas e, ao anoitecer, Fátima morria de cansaço e não conseguia dar nem mais um passa porque os seus pés estavam em chaga. Que fazer ali no sítio mais solitário da serra?
         Subitamente, abre-se-lhes em frente o caminho esplêndido, todo ele florido, calçado de pedras finíssimas e iluminado, lá no fundo, por um foco de luz intenso que mais provir de estrela particular. Alá fizera o milagre! A esperança renasceu em todos os corações e, num inesperado alento, entraram na senda que se lhes abrira como se nesse momento tivesse começado a caminhada. Ao fundo da entrada, a luz que havia divisado revelou-se-lhes um palácio resplandecente, tão cheio de magnitude que se quedaram estarrecidos.
         O que depois se passou ninguém o soube, mas, nos dias imediatos, os serranos viram subir e descer a encosta vários pastores totalmente conhecidos na localidade. Duraram algum tempo aquelas idas e vindas ao Coruto de Alfátema, como chamavam àquele sítio, e um belo dia os pastores desapareceram sem deixar rasto. Os pastores desconhecidos eram mouros disfarçados e foi por indiscrição de um deles que se soube que uma fada boa, madrinha de Fátima, a guardaria no seu palácio encantado do Coruto, sempre jovem e formosa, até ao dia que os fiéis sectários do Corão reconquistassem Portugal.
         Tão arreigada ficou esta crença no espirito dos serranos que, durante os séculos XII e XIII, as pessoas várias vezes entraram em pânico por acreditarem ver chegar, ao longe, os esquadrões mouriscos em busca da bela Fátima. E a lenda tomou ainda mais corpo no espirito crédulo dos aldeões quando, alguns anos depois dos cristãos terem tomado Manteigas, aconteceu o que vamos contar a seguir.
         Um dia, uma mulher, das mais miseráveis da localidade, teve de passar na madrugada de S. João no Coruto de Alfátema. Fatigada, sentou-se a descansar num penhasco enquanto ia comendo uma côdea de broa que trazia. O pão era duro de muitos dias e, quando a mal-aventurada ia a dizer mal da sua vida, viu a seu lado um vasto estendal de figos secos. Comeu uns quantos, feliz por poder quebrar inesperadamente a sua pobre dieta e, lembrando-se dos filhos, encheu deles uma cesta que levava.
         E, rápida e alegre, dirigiu-se à sua choupana, antegozando a alegria das crianças ao comerem os figos, mas, uma vez chegada a casa, ao destapar a cesta, ficou pasmada: no lugar dos figos encontrou diamantes e moedas de ouro, tudo reluzente e novo.
         Estava rica! Mas a mendiga de há um minuto, conformada com um naco de pão duro sentiu a mordedura da ambição. Não lhe bastando o que já tinha, quis o que ficara no Coruto e voltou a correr ao local onde deixaram os restantes figos.
         Entretanto, o sol subira no horizonte e estava no meio de um céu sem nuvens. Passara a hora dos encantos e, dos figos, a mulher encontrou apenas o lugar. Desesperada, começou a arrancar os cabelos e ia blasfemar quando uma voz suavíssima – a de Fátima, sem dúvida – caiu sobre si cantando:
 
Era teu tudo o que viste;
Agora tornas-te em vão!
Não passes mais neste sítio
Na manhã de São João.
Não te perdeu a pobreza
Pode matar-te a ambição!
 
A Lenda da Lagoa Escura
 
 
         Na Lagoa Escura, na Serra da Estrela existe um palácio, onde se guarda a capa de um rei coberta de diamantes e para a feitura da qual foi preciso vender sete cidades. Quem quiser entrar no palácio, tem de fazer com que uma cabra preta atravesse a água, e esperar que o sol esteja a pino para dar numa fisga que é a única entrada. Um aventureiro que lá entrou, nunca saiu.
         Na Lagoa Escura nenhum pastor da Estrela vai nadar, porque dizem eles que lá no meio os puxam para baixo e que existem lá bichos que comem a gente. Na Lagoa Escura há o palácio de um muro encantado, guardado por um gato selvagem que se desencanta com treze palavras sagradas, ou Oração do Anjo custódio.
publicado por Paulo Jesus às 17:52

Setembro 27 2008

Introdução

 

         Assistimos hoje ao renascer dos Jogos tradicionais. Os seus nomes e regras, variam de terra para terra. As maneiras de se jogarem são simples e rudimentares e por isso facilmente os jogadores as adaptam ao local onde decorrem . Embora hoje em dia os jogos já tenham perdido a sua ligação ao trabalho e à vida do dia a dia, continuam a ser uma forma alegre, divertida e sadia de ocupar os tempos livres.


Jogo da Porca, Serramuda ou chicarmona

 

Material: 1 Pinha verde ( Porca Serramuda ou Chicarmona )

1 pau ou vara geralmente de castanho ou medronheiro por cada jogador.

         Geralmente no adro das Igrejas ou capelas ou noutros largos das povoações, os rapazes abrem uma pequena cova e em volta desta, a alguns passos de distância, outras correspondentes ao numero de jogadores menos uma. Metida na coval principal – a do centro – uma pinha verde ( a porca, serramuda ou chicaramona ) .

         Cada um dos jogadores toma o seu lugar empunhando um pau ou vara, geralmente de castanho ou de medronheiro, que introduz numa das covas, junto ao qual se coloca.

         Para se saber quem deve primeiro um dos jogadores toma todas as varas ou paus nos dois braços e atira-se, a todos simultaneamente, para trás das costas. O dono da que ficar debaixo de todas, a mais fundeira, é o que joga primeiro.

         Este jogador vai ocupar o lugar do centro e a defender a serramuda que todos os parceiros procuram afastar o mais possível da cova ou nicho central.

         A luta é por vezes árdua e só termina pela entrada da porca serramuda ou chicaramona na cova. Nesta altura, todos e cada um dos jogadores procuram apossar-se de cada uma das covas metendo nela a sua vara ou pau.

         Como as covas não correspondem, como se disse, ao numero de jogadores, um fica sem cova, pelo que lhe compete agora defende a serramuda.

         Assim prossegue, às vezes por muito tempo, este belo exercício que é ao mesmo tempo luta e um divertimento entusiástico.

         Se, durante o jogo, algum jogador precisar-se, mete a vara na cova e diz: o meu nicho está forrado. Ninguém desta declaração o pode ocupar.

 

Jogo do avião ou da Macaca


Material: Uma malha para cada jogador.

Participantes: Rapazes e raparigas

 

Desenvolvimento do jogo:

         No solo é traçado a seguinte figura:

 

         O jogador que a partida, coloca a sua malha na casa número 1 e começa a percorrer “ o pé coxinho “ as casas 2 e 3; nas 4 e 5 põe simultaneamente os dois um cada; na 6 de novo um só pé e nas 7 e 8, procede como nas casas 4 e 5 indo cair número 9 com os dois pés ( nos Açores, onde este jogo igualmente se pratica, dá-se à casa número 9 o nome de “ cabeça de nabo ” ).

            Depois de ter descansado em nove, o competidor inicia o retorno até ao ponto de partir, tendo de apanhar a sua malha antes de passar há casa onde ela esteja.

         Lança em seguida, a malha para a sua número 32 e assim sucessivamente. Nas 4, 5, 6 e 8 o jogador pode lançar a sua malha – e, nesse caso, passando por ela também a “ pé coxinho ”.

            Quando a malha é atirada para a casa número 9, o jogador, ao chegar aos lugares 7 e 8, tem de saltar a pés juntos para fora do desenho e por cima da casa número 9. Apanhará a sua malha e novamente sem calçar a casa número 9, regressa ao ponto de partida.

         Por vezes o jogo continua mas em sentido inverso, considerando-se como ponto de partida a casa número 9 e sendo descendente a progressão.

         Logo que o jogador consiga ir e regressar correctamente, escolhe uma das divisões ou casas e nela marca uma “ macaca ” ( por meio de uma cruz ou nela escrevendo o seu nome ). Aí poderá descansar pousando os dois pés no chão quando, na jogada seguinte, passar por essa; em contrapartida, os demais competidores não podem ocupa-la e sobre ela têm de passar no desenrolar das jogadas que fizeram.

 

Jogo em Recinto Fechado

 

Material: 1 rolha e moedas.

 

         É colocado a rolha em cima de uma mesa ou lugar já destinado e que se encontra a 3,4 metros de distância dos jogadores.

         Inicia-se o jogo que os jogadores tentam derrubar a rolha ou colocar a moeda o mais perto possível.

         Se acertar e derrubar ganha três pontos. Se ninguém o conseguir apenas ganha dois pontos o que colocar a moeda mais perto da rolha.

         Se entretanto um jogador derrubar e a sua moeda ficar mais próximo da rolha que todas as outras, somará 5 pontos.

         O jogo termina aos trinta pontos, propondo o jogador que estiver perdendo logo que atinja uns quinze pontos, que se passe a jogar com a mão esquerda ou atirar a moeda para baixo da perna.

 

Jogo do trinta

 

N.º de Jogadores que utiliza: 2 equipas

 

Idades: 18 a 50

 

Local onde costuma ser jogado: adro da igreja ou outro largo similar.

 

Material que utiliza: duas bolas / madeira ( tipo booling ) 6 pinos pequenos e 1 pino grande.

 

Descrição do jogo:

 

Objectivos: Somar 30 pontos. A equipa que primeiro somar 30 pontos ganha o jogo. Cada pino vale 5 pontos. O pino do centro pode valer 5 ou 30 pontos. Vale os 30 se for derrubado sem haver mais nenhum derrube nos outros pinos, se for derrubado em conjunto com os restantes, vale 5 pontos.

 

Movimentação: primeiro concorrem duas ou mais equipas de dois elementos ( nota: também pode ser um jogo individual ). Os jogadores das equipas fazem jogadas individuais intervaladas, isto é; inicia o jogo o primeiro jogador de uma equipa, fazendo o segundo jogador um jogador de equipa adversária. Seguem-se jogadas sucessivas até uma das equipas atingir 30 pontos.

 

2º objectivo: Derrubar em cada jogador o maior número de pinos, com a finalidade de obter os 30 pontos.

 

Jogo da Barra (Malha)

 

N.º de jogadores que utiliza: Vários

 

Idades: Várias

 

Sexo: Masculino

 

Local onde costuma jogado: Num largo da aldeia

 

Material necessário: Uma pedra com cerca de 6 a 7 Kg

 

Descrição do jogo:

 

Objectivo: Atirar a pedra à maior distância.

 

Movimentação: O atirador coloca-se atrás de um risco traçado no chão de pernas abertas. Segura a pedra com a mão, de pernas bem firmes, balanceia-se o braço contorção do tronco, duas ou três vezes, e aproveitando o impulso da torção e do balanceamento atira-se a pedra para a frente.

 

Observação: Este jogo parece-nos, pela forma de jogar, ser um percursor do lançamento do disco.

 

Péla à parede

 

Material: 1 bola de trapos – « Péla »

 

Participantes: Ambos os sexos. Individualmente ou em equipas de dois.

 

Desenvolvimento: Consiste em lançar a bola à parede e bate-la sucessivamente sem parar nem deixar cair no chão. Quando acontece começa outro jogador ou equipa. Ganha o jogador que consegue bater com a péla na parede maior número de vezes. Pode-se lançar à parede o mais alto que se quiser.

 

Características: Jogo de lançamento e competição com movimento.

 

Tracção com corda e linha

 

Material: Uma corda e um lenço.

 

Participantes: Ambos os sexos.

 

Desenvolvimento: Duas equipas com forças idênticas, seguram a igual distância do lenço, um de cada lado. O jogo consiste em puxar a corda até que uma equipa seja arrastada pela outra ( passando uma marca no solo ), caia ou largue a corda.

Nota: Não é permitido enrolar a corda ao tronco ou fazer escavações prévias no solo.

 

Características: Jogo de força.

  

O lencinho

Material: 1 lenço

 

Participantes: Ambos os sexos – Crianças

 

Disposição inicial: As crianças dispõem-se em roda, à excepção de uma que está de fora com um lenço na mão.

 

Desenvolvimento: A que está com o lenço na mão corre à volta da roda e vai cantando:

 

Lencinho vai na mão/cairá ou não

Lencinho vai na mão/cairá ou não

Lencinho vai na mão/cairá ou não

 

Sem que tenha de parar, deixa cair o lenço atrás de uma das crianças. Esta, logo que sinta o lenço de trás de si, apanha-o e tenta agarrar a outra. Aquela termina a sua fuga no lugar vazio deixado pelo sua seguidora. Se a corrida não é suficiente para escapar à que a persegue e é agarrada, vai para o centro da roda, enquanto todos entoam em coro:

 

Vai para o chôcho! Vai para o chôcho!

O jogo recomeça, e ela fica a observar onde é que o lenço cai. Se o conseguir agarrar, sai do chôcho por substituição da criança que não sentir o lenço atrás de si e começa novamente a correr à volta da roda.

 

Características: Jogo de atenção e perseguição.

  

Barra do lenço

Material: 1 lenço.

 

Participantes: Ambos os sexos. Elementos igualmente divididos por duas equipas. O juiz de campo segura o lenço e chama pelo número dos jogadores.

 

Terreno: Um recinto dividido igualmente em duas partes.

 

Objectivo: Fazer o máximo de pontos em determinado tempo ou tentar alcançar em primeiro lugar, um número pré determinado de pontos.

Ex.: Quem faz vinte pontos primeiro.

 

Desenvolvimento: A cada jogador corresponde um número. Estes estão colocados nos extremos opostos do terreno. O juiz de campo coloca-se a meio do terreno e chama um número.

 

A Cabra Cega

 

Material: Uma venda ( lenço ).

 

Participantes: Ambos os sexos.

 

Desenvolvimento: Um gruo está em roda. Um elemento está no centro da roda de olhos vendados – Cabra Cega - . Os outros tocam-lhe e tentam não ser agarrados. Logo que algum seja agarrado a Cabra Cega terá que o identificar. Se tal não acontecer continua o jogo. O jogador identificado passa a ser a Cabra Cega.

Nota: Por vezes é jogado, em certas regiões, com lengalengas.

 

Característica: Jogo sensorial com movimento.

Corrida do Arco

 

Material: Arco e Gancheta.

 

Participantes: Ambos os sexos.

 

Desenvolvimento: Consiste numa corrida em que cada participante faz rolar o arco com a gancheta, num percurso que tem uma « partida » e uma « meta ». Alternativas: por vezes fazem-se corridas com obstáculos – planos inclinados ou de perícia. Como alternativa pode-se fazer também o jogo, rolando o arco com a mão.

 

Característica: Jogo de coordenação, corrida e perseguição.

 

O Mata

Material: 1 bola de trapos.

 

Participantes: Ambos os sexos. Equipas.

 

Terreno: Um recinto dividido em duas partes iguais.

 

Objectivo: Colocar no « piolho » todos os jogadores contrários.

 

Disposição inicial: De trás de cada há um jogador da equipa adversária no « piolho ». Este jogador lança a bola os elementos da sua equipa. A partir desse momento uns e outros podem matar « matar » um adversário.

Desenvolvimento: Após sorteio começa uma equipa. Esta faz passes com o jogador que está no « piolho » e procura « matar » ( atingir directamente com a bola os jogadores adversários ) que tentam esquivar-se ou agarrar a bola.

            a) Quem for atingido vai para o « piolho »;

            b) O jogador que estava no « piolho » no início do jogo, vai para o canto logo que o primeiro jogador de equipa seja « morto »;

            c) Só se pode « matar » quando a bola for agarrada antes de tocar.

 

Cabra Cega


Todas as crianças fazem uma roda.

Uma das crianças vai para o meio de olhos vendados. Os outros fazem perguntas a esta, que vai respondendo:

-          Ó cabra-cega.

-          Que é?

-          Donde Vens?

-          De Mirandela.

-          Que comeste lá?

-          Pão e vitela.

-          E não trazes nada para mim?

-          Não chegou prá minha cadela.

Neste momento as crianças batem-lhe nas costas e fogem para não serem agarradas, dizendo:

-          Busca, cabra-cega.

Esta procura agarrar e identificar uma das crianças, que ficará a seguir, de cabra-cega.

O diálogo em Castedo é:

-          Donde vens, cabra-cega?

-          De Vizela.

-          Que trazes na saca?

-          Pão e canela.

-          Busca, cabra-cega

  

 

Tracção à corda


O terreno que se deve utilizar para este jogo tem de ser plano e igual para ambas equipas que usarão calçado semelhante.

            A corda deve ter 25 metros aproximadamente.

            As equipas, tem de ter entre 5 a 10 elementos, devem colocar-se em fila, uma em frente da outra e cada uma delas a cerca de 2 metros de uma raia ( risco ) marcada no chão.

            A meio da coda fixa-se uma marca que pode ser um lenço de mão atado. Quando a corda for esticada pelos jogadores, estes devem agarrá-la de modo que a marca fique sobre a raia central.

            O capitão, isto é, o primeiro jogador de cada grupo não pode pisar o risco que o separa da raia central nos 2 metros referidos, quando o júri der o sinal de começo do jogo.

            Vence a equipa que arrastar o adversário, puxando a corda de modo que a marca ultrapasse o risco que delimita o seu campo.

 

Lenço ( ou Barra do Lenço )

 

 

Constituem-se duas equipas alinhadas à distância de 20 metros ( aproximadamente ) uma da outra. Entre elas, ao meio, fica o juiz.
A cada jogador corresponde um número ( 1, 2, 3, etc. ), sendo os números iguais numa e noutra equipas.
O juiz tem um lenço pendurado na mão e chama um número à sorte dentre os que estão em jogo.
Os jogadores que têm esse número procuram apoderar-se do lenço, sem serem tocados pelo correspondente adversário, e fugir para uma das barras.
O jogador tocado pelo adversário permite à equipa deste ganhar um ponto.
O jogador que conseguir escapar-se vitoriosamente para a sua barra ganha também um ponto para a sua equipa.
Ganhará dois se conseguir entrar na barra adversária sem ser tocado pelo jogador que tem o seu número.
Ganha a equipa que primeiro somar 20 pontos.
Em algumas localidades o juiz pode, ao verificar a demora dos jogadores em apoderar-se do lenço:

                        Chamar outro número ou até toda a equipa, dizendo: Fogo.

                        Se disser Água, ninguém pode mover-se.

                        No caso de dizer Bombeiros, põe o lenço no chão.

                        Azeite, os jogadores partem devagar.

                        Vinagre, andam depressa.

                        Dizendo Vinho tem de marchar como quem pisa o vinho.

                        Dizendo Pé-coxinho tendo estes de andar ao pé-coxinho

 

Jogo das Sacas

 

O material utilizado são três sacas, num terreno livre de obstáculos.

Quanto ao número de participantes, tem de ser três grupos.

            O objectivo do jogo é ver qual o grupo que ganha.

Para se iniciar o jogo fazem-se 3 colunas com uma saca à frente de cada uma .

Ao apito os primeiros da coluna vestem as sacas e vão saltando até á meta e voltam para trás. Quando chegam á fila despem a saca e vão para o fim, o que está a seguir veste a saca e faz o mesmo.

Vão fazendo todos até chegar ao primeiro da fila.

Ganha o grupo que fizer tudo mais rapidamente.
 

Saltar à Corda

 

O material utilizado é uma corda grande e o terreno tem de ser plano, podendo ter vários participantes.

O objectivo do jogo é saltar o mais tempo possível sem parar a corda

Para iniciar o jogo é necessário que dois meninos dêem à corda, os outros vão saltando e cantando, as seguintes canções:

1ª- Quantos carros leva a noiva?
1,2 3,4,... e contam até perder, pois a corda deixa de rodar.

2ª- Freira, casada e solteira... vão dizendo, quando a corda deixar de rodar, vimos em qual calhou se é freira, casada ou solteira.

 
Jogo do Eixo
 

Não é necessário qualquer tipo de material, apenas um terreno sem obstáculos.

O número de participantes pode ser entre 6 a 8.

O objectivo do jogo é saltar por cima do outro, sem cair e chegar ao fim sem perder uma única vez.

O jogo começa, ficando um jogador dobrado ( amochar ) e os outros vão saltando por cima dele com as pernas abertas dizendo :

 
Um à bananeira
Dois à catatumba
Três aberta, fechada ou mista
Quatro rás ca parta
Cinco Maria do brinco
Seis panela do tio Zé Reis
Sete canivete
Oito biscoito
Nove já não chove
Dez não molhes os pés

Onze os sinos da capela são de bronze

 

O jogo termina quando todos saltam e conseguem ganhar sem perder uma única vez. Caso perca fica esse a amochar.

 

Jogo dos Cinco Cantinhos

 

É necessário desenhar cinco cantinhos no chão, em qualquer terreno livre.

O número de participantes são seis.

O objectivo do jogo consiste em trocar de lugares sem perder o lugar para aquele que está no meio.

Para começar o jogo, cinco jogadores metem-se nos cinco cantinhos que foram desenhados no chão e fica um a pedir lume ao meio. Se dissermos que não ele vai a outro pedir, se dissermos que sim ele vai para o nosso cantinho e esse que disse que sim vai para o meio pedir lume. Enquanto ele vai pedir lume os outros trocam de lugar entre si, mas o do meio tenta ver se consegue apanhar o lugar de algum que se distraia

  

 

Jogo do Lencinho

 

O material necessário é um lenço e o terreno deve ser plano e limpo, podendo ser vário o número de participantes.

            O objectivo do jogo consiste em conseguir pôr o lenço atrás das costas de outro jogador sem este dar por isso.

Para iniciar o jogo, os jogadores sentam-se no chão formando uma roda. Um outro jogador anda à volta da roda pelo lado de fora cantando:"o lencinho vai na mão, ele vai cair ao chão." Vai dando voltas e cantando, até deixar cair o lenço atrás de um outro jogador sentado; se este der por isso, apanha o lenço e corre atrás dele. Quando o que tinha o lenço se deixa apanhar vai para o meio e fica GALINHA CHOCA, vai tentar apanhar o lenço primeiro do que os jogadores que estão sentados na roda. Quando não se deixa apanha, senta-se no lugar do jogador que ficou com o lenço e o jogo recomeça.

 

 

Jogo do trinta

 

O material necessário são duas bolas / madeira ( tipo booling ) 6 pinos pequenos e 1 pino grande.

Quanto ao número de jogadores que utiliza são 2 equipas, com idades compreendidas entre os 18 e 50 anos, de número igual para cada equipa.

O local onde costuma ser jogado é no adro da igreja ou noutro largo similar.

O jogo tem como objectivo somar 30 pontos. A equipa que primeiro somar 30 pontos ganha o jogo. Cada pino vale 5 pontos. O pino do centro pode valer 5 ou 30 pontos. Vale os 30 se for derrubado sem haver mais nenhum derrube nos outros pinos, se for derrubado em conjunto com os restantes, vale 5 pontos.

 

Primeiro concorrem duas ou mais equipas de dois elementos ( nota: também pode ser um jogo individual ). Os jogadores das equipas fazem jogadas individuais intervaladas, isto é; inicia o jogo o primeiro jogador de uma equipa, fazendo o segundo jogador um jogador de equipa adversária. Seguem-se jogadas sucessivas até uma das equipas atingir 30 pontos.

 

Tem como segundo objectivo tentarderrubar em cada jogador o maior número de pinos, com a finalidade de obter os 30 pontos.

  

 

Corrida do Arco

 

O material necessário é um Arco e uma Gancheta.

Quanto aos seus participantes podem ser de ambos os sexos.

            O jogo consiste numa corrida em que cada participante faz rolar o arco com a gancheta, num percurso que tem uma « partida » e uma « meta ». Alternativas: por vezes fazem-se corridas com obstáculos – planos inclinados ou de perícia. Como alternativa pode-se fazer também o jogo, rolando o arco com a mão.

Este jogo caracteriza-se por ser um jogo de coordenação, corrida e perseguição.

 

 

O Mata

 

È necessário uma bola de trapos.

O número de participantes tem de ser igual para ambas as equipas podendo ser de ambos os sexos.

O local do jogo tem de ser dividido em duas partes iguais

O objectivo do jogo é colocar no « piolho » todos os jogadores contrários.

De trás de cada equipa há um jogador da equipa adversária no « piolho ». Este jogador lança a bola aos elementos da sua equipa. A partir desse momento uns e outros podem “matar” um adversário.

Após sorteio começa uma equipa. Esta faz passes com o jogador que está no      « piolho » e procura “matar” (atingir directamente com a bola os jogadores adversários) que tentam esquivar-se ou agarrar a bola.

 

Pião
 
Neste jogo utiliza-se um pião e uma baraça (cordel).
            Faz-se um círculo no chão com cerca de um metro e meio de raio, para onde todos os concorrentes lançam o pião, segundo uma ordem sorteada.
            O concorrente cujo pião ficar dentro do círculo, depois do movimento de rotação, será arredado do jogo, deixando lá o pião que os restantes concorrentes, um de cada vez, tentarão deitar fora. Quem o conseguir ganha 50 pontos.
            É permitido no acto de lançamento nicar (atirar) o pião que está dentro do círculo.
            O pião pode ser aparado (empurrado) pelo concorrente que, depois de o pôr a dançar na palma da mão, tenta atirá-lo contra o que está no chão, para fazer sair fora do círculo, de maneira que o seu também saia.
            O jogo tem três séries de lançamentos, vencendo o jogador com mais pontos.
             É um jogo antiquíssimo que ainda hoje se pratica, embora cada vez menos, por todo o mundo. A forma habitual do pião é uma esfera de madeira com a parte inferior em cone rematado por uma ponta metálica, geralmente um prego, e com a parte superior achatada, tendo ao meio uma pequena cauda ou saliência também de madeira. O pião joga-se com uma das mãos, lançando-o para o chão, sem deixar escapar a baraça que se tinha enrolado à sua volta, a partir da ponta metálica (ferrão).
 
Andas ( Moletas ou Xiola )
 
            Os concorrentes deverão trazer as andas.
            A altura mínima para o apoio dos pés será de 30 cm.
            O percurso e distância de corrida serão definidos pela organização.
            Após o início de prova, deverá voltar ao ponto de partida todo o concorrente que caia das ambas.
            Nesta 1.ª eliminatória ficarão automaticamente apurados metade dos concorrentes mais 1 que terminem a prova. Para os eliminados haverá uma segunda prova que, nos moldes anteriores, apurará mais metade dos concorrentes.
            Achar-se-ão os três primeiros numa prova final.
           
Jogo da vara
 
O número de varas é de menos uma em relação ao número de participantes.
Onúmero de jogadores é variável.
Ao iniciar-se o jogo, espetam-se as varasno chão. Os participantes
alinham, atrás de uma marca, de costas voltadas para as varas. Após um sinal, dado por alguém que não esteja a jogar, cada jogador corre para tentar apoderar-se de uma vara. O jogador que não o conseguir é eliminado, os outros dirigem-se novamente para a marca de partida e o jogo prossegue com cada vez menos varas até que reste só um jogador, que será o vencedor.
 
Jogo da malha
 
São necessárias 4 malhas de madeira, ferro ou pedra (duas para cada equipa); 2 pinos (paus redondos que se equilibrem na vertical).

Cada equipa tem que ter dois elementos.

      O Jogo decorrenum terreno liso e plano, são colocados os pinos, na mesma direcção, com cerca de 15/18 metros de distância entre eles. Cada equipa encontra-se atrás de um pino. Joga primeiro um elemento de uma equipa e depois o da outra, tendo como objectivo derrubar ou colocar a malha o mais perto do pino onde está a outra equipa, lançando-a com uma mão.

Pontuação: 6 pontos por cada derrube, 3 pontos para a malha que fique mais perto do pino. Quando uma equipa atinge 30 pontos, ganha. Uma partida pode ser composta por três jogos, uma equipa para vencer terá de ganhar dois.
 
Jogo dos bilros
 
É necessária1 bola de trapos ou madeira; 9 bilros (pinos); 1    bilro maior (o vinte).
Cada equipa é constituída com o mesmo número de jogadores. 
 O jogo decorre num terreno liso e plano formam-se três colunas, de três bilros cada, com os bilros mais pequenos, estando todos separados cerca de 15 centímetros. O bilro grande coloca-se no prolongamento da coluna central, distando dos outros cerca de 30 centímetros e estando separado por um risco feito no chão. 
As equipas devem encontrar-se a uma distância dos bilros que irá de
6 a 8 metros.
Um jogador de cada vez lança a bola de forma a que esta role pelo chão, tentando derrubar os bilros

 Pontuação: 20 pontos pelo derrube do bilro diferente; 2 pontos pelo derrube de um bilro pequeno se este não ultrapassar o risco, se o fizer o derrube vale 10 pontos. Ganha a equipa que fizer primeiro 100 pontos. Cada partida pode ser composta por três jogos, uma equipa para vencer terá de ganhar dois.
 
Jogo da corrida de sacos
 
São necessários sacos de serapilheira ou plástico grosso, em número igual ao dos participantes.
O número de jogadores é variável.
Para se iniciar o jogo é marcado um percurso no chão com uma linha de partida e uma meta. Todos os concorrentes se colocam atrás da linha de partida. Ao sinal de partida, cada um entra para dentro do seu saco, segura as abas com as mãos e desloca-se em direcção à meta. Ganha aquele que chegar primeiro.
 
Variantes: Equipas de três jogadores, colocando-se dois lado a lado, o terceiro enfia as pernas nos sacos onde os outros já se encontram metidos (um em cada saco), abraçando-os.
As restantes regras são iguais às da corrida individual.
Todos estes jogos são passíveis de sofrerem adaptações, consoante o material que temos disponível, o terreno a utilizar; o número de jogadores e a própria imaginação das crianças que é sempre de  explorar.
 
Jogo dos berlindes
 
São necessários Berlindes (esferas de vidro ou metal)
O local onde se joga é num terreno de terra batida e plano.
            Quanto ao número de participantes podem ser vários.
O objectivo do jogo é meter os berlindes nas covas.
 
Quanto ao desenvolvimento do jogo, fazem-se 3 covas. Cada jogador lança o berlinde. Quem conseguir chegar mais longe inicia o jogo que consiste em tentar enfiar os berlindes sucessivamente nas 3 covas que estão em linha recta empurrando-o com os dedos. Quando se consegue chegar à última cova faz-se o percurso no sentido oposto. À medida que os jogadores vão conseguindo estas etapas ficam com o direito de tentar acertar nos berlindes dos outros jogadores, também utilizando a técnica de os empurrar com os dedos na terra. Quando acertam ganham esses berlindes.
 
Roda da Cabacinha
 
Não é necessário qualquer tipo de material.
O jogo desenrola-se num terreno que deve ser plano e limpo, de preferência sem buracos.
São dois o número de participantes.
Quanto ao objectivo do jogo consiste em dar balanço com o corpo e rodar o mais depressa possível sem cair ou largar as mãos.
O Jogo começa com dois jogadores virados de frente um para o outro dão as mãos ao mesmo tempo juntam os pés e dão uma inclinação ao corpo, para trás de modo que os braços fiquem esticados. Lentamente vão começando a rodar dizendo:" RODA RODA CABACINHA, RODA RODA CABAÇÃO ... "ou então "XIXA CANELA , XIXA CANELA " ,até conseguirem rodar o mais depressa possível.
 
Caracol
 
O material utilizado são pedrinhas, giz.
O jogo desenrola-se num terreno que deve ser plano e limpo, de preferência sem buracos.
Quanto ao número de participantes podem ser vários.
O objectivo do jogo é chegar ao centro do Caracol sem perder.
Quanto ao seu desenvolvimento, primeiro desenha-se um caracol grande no chão. No inicio do caracol o primeiro jogador lança uma pedra; depois ao pé coxinho vai empurrando essa pedra até conseguir alcançar o centro do caracol, sem que esta saia do caracol .Se a pedra sai do interior do caracol passa a vez de jogar a outro jogador e assim sucessivamente.
publicado por Paulo Jesus às 17:51

Setembro 27 2008

Letra A

Abalar (ir-se embora) * Abêbera (frouxo) * Abendiçado (abençoado) * Acaçapado (encolhido) * Acunapado (mal remendado) * Aforrar (...as mangas) * Alanzoar (maldizer) * Almotolia (vazo esguio para o azeite) * Alpergata (chinela) * Auga de cheiro (perfume) * Aldravão * Amadurar * Amarujar (Azedar) * Amodorrado (encolhido) * Amolancado (Amachucado) * Amoganhado (amachucado) * Andorisco (andorinha) * Aporrinhado (afligido) * Área (sem área, sem jeito) * Arre-chamona (Arre diabo!) * Arreado (vestido) * Arreganhar (arrebitar, mostrar os dentes, as unhas) * Arremangar (estar disposto a) * Arrelampado (encandeado) * Arremedar (macaquear) * Arteiro (vivaz) * Asadinho (jeitoso) * Asqueles ou asquelas (aqueles, aquelas) * Asseadona (vaidosa) * Asselanado (marcado) * Aventar * Assente (diz-se do pão) * Atadela (nó) * Atado (tímido) * Avezar (habituar) * Auga ou áugua (água).
Letra B
Babala (frouxo) * Babanca * Bacorada * Bacorelhos (papeira) * Balcão (varanda)*Banana (idiota) * Baraço(cordel) * Bilharda (jogo) * Biscoito (bolo típico) * Bispo (esturro) * Bocadechinho (pouquinho) * Boer (beber) * Bolachada (bofetada) * Bolha (cabeça) * Bolir (mexer,incomodar) * Bonda (basta) * Bonecra (boneca) * Bonzão * Botar (deitar,vazar) * Burgesso (mal-encarado) * Borrachana (borracho) * Brocho (prego) * Bueiro (sarjeta) * Burrancana (pobre diabo) * Bule (cafeteira).
Letra C
Cacarro (religioso em extremo) * Cachené (cachecol) * Cachopo (rapaz) * Caçoar (troçar) * Caçola (panela) * Cagança (gabarolice) * Caganeirento (vaidoso) * Cagão (vaidoso) * Caganito (pequeno) * Cagarela (medroso) * Calaceiro (guloso) * Caleirão (do telhado) * Cambulhada (entrar de) * Cambulho (malandro) * Cangalhas (óculos) * Cântara (bilha) * Cantareira (onde se penduram as panelas) * Canudo (onde se doba o fio, problema, diploma) * Caramouço (pevide) * Caramunha (fazer o mal e a...) * Carchantada (cacetada) * Carnuça (carne) * Carrapato (nu) * Carrapicha (ir à) * Carreira(ir numa) * Caruma (agulhas de pinheiro) * Catrino (ai...) * Catrapão (desajeitado) * Cavaloças (ir às) * Chacota (troça) * Chambaril (não chega a...) * Chanato (sapato) * Champlantrina (desajeitado) * Chicha (febra) * Chila (abóbora) * China-mãe (mal arranjado) * Chincar (extorquir) * Choco (porco) * Chospa (indivíduo de baixa estofa) * Chouriça (chouriço) * Cogulo (estar de, cheio) * Coirão (indivíduo desprezível) * Colandrina (meretriz) * Conduto (substância, recheio) * Corna (cafeteira) * Cornaça (chifrudo) * Concha (colher de sopa) * Corricho (leitão) * Corrimaça (corrida) * Cruzes (zona lombar, figas) * Cunapa (remendo) * Cuzapeirão.
Letra D
Daimoso (dadivoso) * Deixas (andar às..., restos, prestações) * Demónho (demónio) * Derrancado (enraivecido) * Desandador (chave de fendas) * Desasado (deselegante) * Desassemelhado (mal arranjado) * Desenculatrado (escangalhado) * Desenguiçar (tirar o enguiço) * Desmazelado (desleixado) * Destroçar (destruir) * Desenxabido (sem gosto) * Doudivanas.
Letra E
Emalar (comer) * Embarracado (atulhado) * Empalhar (entreter) * Emplamado (doente) * Escangalhado (desfeito) * Encalado (encroado) * Encalotar (endividar) * Encarrapato (nu) * Engonhar (perder tempo) * Entanguido (encolhido) * Enxambrado (húmido) * Ervas (esparregado) * Esbica (pinça) * Esbugalhar (abrir muito) * Esbrurgar (descansar) * Escarrado (igualzinho) * Esculhambrado (rebentado) * Esfreganço (fricção) * Esgrovelheiro (desinquieto) * Esgrouviado (tolo) * Esparvoado (doido) * Espinhaço (lombo; coluna) * Espinhela (coluna) * Esposado (noivo) Espunir (ansiar) * Esquecido (bolo regional) * Estreloucado (caquéctico).
Letra F
Facção (trabalhar à..., trabalhar por conta) * Farófia (bazófia) * Farrapana (farroupilha) * Farromba (fanfarrão) * Fiandeiro (o que fia) * Fidúcias (ter..., peneiras) * Fraldisqueiro (mal vestido) * Fragulho (pedra) * Frangalhos (pedaços) * Franganito (pequeno).
Letra G
Gacho (cacho)* Gadanha (pata, colher) * Ganapa (rapariga boémia) * Gandaia (pândega) * Gargana (ladrão) * Gimbrinha (indivíduo insignificante) * Gosma (andar à..., cobiçar) * Grancho (encrespado, diz-se do cabelo) * Grandura ( comprimento) * Granjeio (juízo, orientação) * Graxa (dar..., louvaminha) * Grimpa (levantar a..., falar alto) * guedelha (melena, cabelo, lã).
Letra J
Jaja (fato, vestido) * Janelo (postigo) * Jarra (jarro) * Javardo (porco) * Jorros (chover a).
Letra L
Laje (lágea, pedra) * Lambareiro (guloso) * Lampanas (intrujices) * Lanho (golpe) * Lanzudo (trabalhador da lã, diz-se pejorativamente dos covilhanenses) * Lapacheiro (lamaçal) * Laracheiro (falador) * Lavarinto (pressa, bulha).
Letra M
Malga (tigela) * Mal-amanhado (aldravado) * Malápio (maçã) * Mal-enjorcado (mal-arranjado) * Malha (sova) * Mal(t)estanhado (reles) * Manco (coxo) * Mandinga (veneno) * Mangar (troçar) * Marafalha (algazarra) * Mastrunço (feio, mal-encarado) * Matacão (mal-feitão) * Manzada (aperto de mão) * Mear (dividir ao meio) * Melado (adoçicado) * Melúrias (lamúrias) * Miga (açorda) * Míscaro (cogumelo) * Missagra (dobradiça) * Mocho (banco pequeno) * Mole (preguiçoso) * Molengão (vagaroso) * Molenga (preguiça) * Morcão (calão).
Letra N
Nagalho (atilho) * Nalgas (nádegas) * Nocoo (toque com o dedo) * Nonjo (nojo).
Letra O
Olheiro (vigilante) * Olhudo (bisbilhoteiro) * Osdespois (ao depois).
Letra P
Panada (pancada) * Pano (Naperon) * Pantanas (ir de..., cair) * Parrana (bonzão) * Parrumar (mandriar) * Pecarricho (pequeno) * Pedrez (mesclado) * Pentem (pente) * Peoinudo (alongado) * Pertelinho (pertinho) * Pesquinheiro ou pesquinhento (esquisito no comer, petisqueiro) * Peste (ser como a..., mau) * Petar (...com, arreliar) * Pimento (colorau) * Pincho (salto, trinco) * Pindricalho (farrapo) * Pindrico (penduricalho) * Pingarelho (armar ao..., bazofiar) * Pinoco (marco) * Pirisca (cigarro meio fumado) * Pisco (...a comer, o que come pouco) * Pita (galinha) * Pitacoto (pequeno, anão) * Pitrol (petróleo) Poldra (pedra a servir de vau na ribeira) * Portinhola (braguilha).
Letra Q
Quebra (dar em..., falir) * Quebrada (encosta) * Quêdo (quieto) * Queimas (ser das..., muito mau) * Quelha (viela) * Quina (esquina) * Quintos (ir para os...infernos).
Letra R
Raboqueiro (falso ao jogo) * Ralado (preocupado) * Ramoso (picante) * Rebatinha (à rebatinha, deitar tudo de uma vez) * Regueifa (pão de) * Rebilindo (estar..., em ânsias) * Relocado (caquético) * Reumát'co (reumático, deturpação da palavra, tal como em máqu'na em vez de máquina) * Rilha (jogo local) * Roçar (diz-se roçar o chão, esfregar) * Rosmano (rosmaninho).
Letra S
Safardana (safado, miserável) * Sarrar (serrar) * Saltimbanco (jogo) * Semonga (fingido) * Sobrado (sótão) * Sopapada (bofetada) * Substância (comida de engorda).
Letra T
Tarro (saco dos pastores) * Tentear (apalpar terreno) * Tinte (tinturaria) * Tenda (loja) * Tinhoso (nojento) * Tomba-lobos (fortalhaço, mal-encarado) * Tónho (vadio, boémio) * Tortulho (desajeitado de corpo) * Trespassar-se (esquecer-se) * Trama (fio que a lançadeira faz passar na urdidura) * Trambalazana (brutamontes) * Trombalobos (fortalhaço, mal encarado).
Letra V
Vacão (preguiçoso) * Varão (ferro) * Varrido (andar na limpeza do lixo) * Vinhaça (vinho) * Venda (loja) * Vintaneira (vento) * Vraveira (zanga).
Vocabulário Popular

 

Termo Popular
Termo Correcto
   
Aforrar
Arregaçar
Aguça
Apara lápis
Alanzoar
Resmungar
Algures
Em qualquer lado
Atão
Então
Assoma
Espreita
Aventar
Deitar fora
Ronda
Já chega
Babala
Ingénuo
Bácoro
Porco
Cachopos
Rapazes
Deixas
Prestações
Esvendes
Escudos
Gorou
Que morre à nascença
Gadanha
Concha de sopa
Gargana
Avarento
Granjeio
Senso ; orientação
Jaja
Fato
Lanho
Golpe
Malha
Sova
Mestrunço
Estafermo
Nenhures
Nenhum lugar
Olhudo
Bisbilhoteiro
Poi atão
Pois então
Babequeiro
Falador
Vação
Preguiçoso
Vintém
Sexo dos meninos
Vraveira
Arrelia
Vossemecê
Bem haja
Sertã
Guita
Você
Obrigado
Frigideira
Cordel

 

publicado por Paulo Jesus às 17:49

Setembro 27 2008

Padre António de Sousa (1589 / 1633)

Jesuíta covilhanense.

Em 1617 partiu para o Oriente para a difícil evangelização do Japão, onde, durante vinte e cinco anos vivera oculto, tendo por abrigo uma pequena barca, donde partia para visitar os convertidos e conquistar almas para Cristo.

Acabou por ser preso em Nagasaky, onde foi morto após o tormento das covas.

Frei Diegalves da Cunha

Natural da Covilhã, distinguiu-se na tomada de Arzila, em 1415.

Foi sepultado na Igreja de São Francisco, hoje de Nossa Senhora da Conceição, onde existe uma lápide com o seu nome, que nos parece dizer antes Frei Dielgalves da Covilhã.

Nessa igreja, encontram-se os túmulos de Jorge Cabral, que foi governador da Índia Portuguesa, bem como os irmãos D. Fernando e Diogo de Castro. O primeiro combateu em Arzila, o segundo chegou a ser Alcaide-Mor da Covilhã.

Eduardo Malta

No mundo da arte, destacou-se no século passado, um artista covilhanense: Eduardo Malta.

Pintor e retratista insigne, a sua fama ultrapassou fronteiras. Conquistou em 1936 o Prémio Columbano, e no ano seguinte, a medalha de ouro da Exposição Internacional de Paris. Seu pai, Manuel Morais, destinara-o à medicina, mas cedo, aos dez anos, seguindo uma vocação irresistível, já o jovem artista frequentava a Escola de Belas Artes do Porto. Ainda aparentado com o escultor Manuel Morais, e ainda com o escritor Raul Brandão nasceu na Covilhã, no Largo de São João, no dia 28 de Outubro de 1900. Fez a instrução primária na sua terra, e, embora a famíliase tivesse fixado no Porto, foi em 1921 que ele aqui desenhou os cenários para a revista "o País da Guedelha".

Na sua extensa galeria de retratos, figuram homens célebres na arte e na política, como Teixeira de Pascoais, Aquilino Ribeiro e Augusto de Castro. Os retratos de Salazar e do Cardeal Cerejeira, da sua autoria, pertencem ao Instituto Nacional de Estatística. O Presidente do Brasil Getúlio Vargas e o político espanhol José António Primo de Rivera, posaram para ele.

Espírito ávido de cultura, escreveu também livros, como "Do Meu Ofício de Pintar" e "Retratos e Retractados". Faleceu no ano de 1967, e sua viúva, Sr.ª D. Dulce Malta, ofereceu um quadro ao Museu da Cidade que tem o nome do grande artista.

Fernão Penteado

Natural da Covilhã, distinguiu-se na defesa de Diu, onde se escreveu uma das páginas mais gloriosas da história de Portugal.

Com efeito, no primeiro cerco de Diu, a epopeia portuguesa tem aí um dos seus mais formidáveis rasgos de heroísmo. Foi tal a façanha, que Francisco I da França, assombrado, mandou colocar o retracto de António da Silveira, capitão-mor de Diu, na Casa da Fama, no Palácio de Fontainebleu.

No primeiro cerco de Diu, que começou em 6 de Junho de 1538, distingue-se, entre todos os heróis, um covilhanense a que se refere Lopo de Sousa Coutinho, na sua "História do Cerco de Diu".

Umas poucas centenas de portugueses lutavam contra 19.000 inimigos, comandados por Coge Sofar. O ataque foi brutal e feroz. Lutou-se de dia e noite, em terra e no mar. Os muros da fortaleza ruíram com as bombardas do inimigo, mas os portugueses estavam dispostos a dar cara a vida.

Fernão Penteado, um dos feridos que recolhera à enfermaria da fortaleza, voltava ao combate e era de novo atingido. Três vezes repetiu a façanha, até que novas feridas o impediram de prosseguir na luta. Dos 612 homens de armas que defenderam Diu, restaram apenas 40 em estado de combater. Os assaltantes acabaram por desistir do cerco, face ao arrojo indómito dos portugueses.

Fernão Penteado curou-se dos ferimentos mas veio a morrer de naufrágio, durante um temporal.

O Beato Francisco Álvares

A Companhia de Jesus, instalada em Portugal em 1540, foi, pelos seus professores e colonizadores, e seus mártires, no Ultramar, especialmente na Índia e no Brasil, a ordem religiosa mais evangelizadora e universalista.

Segundo o "Catalogus" de António Franco S. J., foram 94 os seus mártires, contando-se entre eles o covilhanense Beato Francisco Álvares.

Beatificado em 1854 por Pio IX, como mártir da fé, foi na sua terra natal cardador de profissão. Tendo entrado para a Companhia de Jesus em 1564, seis anos depois acompanhava o Padre Inácio de Azevedo na sua viagem para o Brasil, para a obra de evangelização naquela imensa colónia ainda por desbravar. Mas logo à saída da ilha de Palma, nas Canárias, foi a nau Santiago, em que seguiam, assaltada por piratas, comandados por Jacques Sória, sendo todos assassinados, à excepção do frade cozinheiro, que feito prisioneiro e só mais tarde liberto, havia de contar os pormenores do martírio de seus irmãos religiosos.

O Padre Francisco Álvares foi apunhalado e lançado, ainda vivo, às ondas. Tal como o padre Inácio de Azevedo aceitou com heroísmo a palma do martírio. E, se na Igreja é venerado como beato, na Covilhã há muito é adorado como santo. Está actualmente em curso o processo de canonização dos chamados mártires do Brasil.

Na Covilhã, todos os anos se fazia festa na extinta Capela de Santa Marinha onde existia a sua imagem. A casa onde se diz ter nascido, situava-se, segundo Moura Quintela, no "lado superior do Beco do Ribeiro". Hoje é voz corrente que se trata de uma casinha, ao rés da rua Santa Marinha, antigamente chamada Travessa do Rosário, porta n.º 51.

A sua imagem, venerada antigamente na referida Capela de Santa Marinha, encontra-se hoje na Igreja da Nossa Senhora da Conceição.

Padre Francisco Cabral (? /1609)

Jesuíta também covilhanense, foi notável pregador e missionário no Japão.

Converteu o rei de Bungo, a quem São Francisco Xavier também catequizara. Converteu Mandarins, e ao seu ânimo e zelo religioso se atribui a vitória naval, que Mem Lopes Carrasco alcançou em Achen. Chegou a ser provincial e Visitador de toda a Índia Portuguesa, e morreu em Goa, no ano de 1609, com 81 anos.

Padre Gaspar País (1593 / 1655)

Nascido na Covilhã em 1593, recebeu a roupeta de jesuíta em Goa no ano de 1607.

Partiu para a Abissínia nos fins de 1623, para evangelizar e combater as ideias cismáticas de Alexandria, mas tendo morrido o Négus de então, recebeu ordem de expulsão do seu sucessor, juntamente com todos os padres da sua ordem.

Não obstante, o padre Gaspar País não se conformando com a expulsão, continuou ali a sua obra de evangelização "oculto nas cavernas e espessuras dos bosques", até ao dia em que foi inesperadamente atacado por cismáticos, e assassinado com lançadas. Era o dia 25 de Abril de 1655.


Heitor Pinto (1528? / 1584)

Heitor Pinto é justamente considerado um dos melhores clássicos da literatura portuguesa.

Nasceu na Covilhã, talvez no ano de 1528. No capítulo XVIII do "Diálogo dos Verdadeiros e Falsos Bens", da sua obra "Imagem da Vida Cristã", o discípulo diz ao mestre, o próprio Heitor Pinto: "E eu já vos ouvi dizer que, andando por terras estranhas, suspiráveis por Portugal, e algumas vezes vos ouvi particularmente louvar a própria terra onde nascestes...chamada antigamente Cova Júlia, hoje Covilhã".

Nos "Autos e Provas de Cursos" da Universidade de Coimbra, Heitor Pinto assina-se Frei Heitor da Covilhã, nome com que professou no Mosteiro de Santa Maria de Belém, aos 8 de Abril de 1543. Cunhais de Figueiredo diz-nos que ele se assinou posteriormente Heitor Pinto, indo buscar tal apelido aos antepassados.

Contrariando os que dão o Heitor Lusitano - como também lhe chamaram - natural da Vila de Melo, o historiógrafo covilhanense Dr. Luís Fernando Carvalho Dias averiguou que o documento da sua profissão de fé o dá como originário da diocese da Guarda, enquanto a Vila de Melo pertence à diocese de Coimbra.

Frei Heitor Pinto fez os seus estudos eclesiásticos no Convento da Costa em Coimbra, onde foi colega de D. António Prior do Crato, filho do Infante D. Luís, que teve o senhorio da Covilhã. Por carta de El-Rei, foi-lhe dado o grau de Mestre em 1554, tendo depois passado à Universidade de Siguença, onde tomou a borla doutoral em teologia. Em 1559, assistiu à coroação do Papa Pio IV, em Roma, onde se encontrava em negócios da sua Ordem. Foi Reitor do Colégio da Ordem em 1565, e mais tarde, em 1571, seria eleito Providencial em Portugal. Na mesma data publicou a sua obra "in Isaiam Prophetarum Commentaria".

Sendo já doutor pela Universidade de Siguença, doutorou-se em teologia, em 9 de Maio de 1576, pela Universidade de Coimbra. O próprio Rei D. Sebastião, querendo "ilustrar a Academia com a doutrina de tão insigne varão", mandou que se criasse a cadeira de Sagrada Escritura, para a qual foi nomeado lente o doutíssimo frade covilhanense. Por esse tempo (1575/1579) escreveu comentários sobre os profetas Daniel e Jeremias.

O último Conselho a que assistiu, na Universidade de Coimbra, foi em 19 de Agosto de 1579, reunido para deliberar sobre a recepção a D. António Prior do Crato. Aproximavam-se dias negros para a Pátria. Sabe-se que defendeu a causa do seu desaventurado amigo, como pertencente à Coroa, e como por isso foi perseguido por Filipe II. Com mero pretexto de o fazer seu conselheiro, obrigou o monarca espanhol a seguir para Espanha em 1583. Consta que o grande português então se lamentou: "El-Rei Filipe me quer meter em Castela, mas Castela em mim é impossível". Em um dos seus "Diálogos", suspira por Portugal, preferindo na sua Pátria ter uma pobreza contente, que lá fora "quaisquer delícias ou riquezas". Já se deixa ver quanta mágoa lhe causaria a perda de independência nacional, e com que ardente vontade defenderia a causa nacional.

O que lhe sucedeu até à sua morte, ocorrida no ano de 1584, não está definitivamente apurado. Diz-se que foi recluso, com outros religiosos, no Mosteiro de Sisla, fora dos muros de Toledo, onde terá morrido. O Dr. Carvalho Dias tentou em vão localizar este Mosteiro de que não resta memória. D. António Prior do Crato escreveu uma carta ao Papa Gregório XII, onde insinuava que Filipe II mandara envenenar Heitor Pinto. Na pedra tumular, no referido claustro, consta que alguém terá colocado o seguinte epitáfio, não se sabe se por piedade, se por ironia: "Aqui jaze Heitor, aquele lusitano".

Na História da Literatura Portuguesa, Heitor Pinto é um clássico, que iguala, em pureza de linguagem e profundidade de conceitos, Vieira e Manuel Bernardes. Frei Francisco dos Santos, na sua "História da Ordem de São Jerónimo", chama-lhe "esplendor da Universidade de Coimbra e de todo o Reino Lusitano". Em toda a sua obra, revela uma espantosa erudição, sobretudo na teologia e nos Livros Sagrados em cuja leitura consumira a "mor parte da sua idade". Em toda a sua prosa abundam as citações dos mais variados autores, desde Fídias a Homero, de Heródoto a Santo Agostinho. E desmerece por isso, já que, sem citações, o seu estilo torna-se mais límpido e sereno, tal rio correndo com cintilações de céu.

Na sua obra fundamental "Imagem da Vida Cristã", escrita à maneira dos "Diálogos" de Platão, o "Mestre" dialoga com os discípulos, procurando transmitir-lhes, com toda a sua cultura religiosa e clássica, a imagem da vida cristã, quer dizer, o ideal dessa vida.

No "Diálogo da Justiça", diz o matemático para o teólogo: "Vós haveis de tomar entre as mãos a matéria, trazendo para isso não somente partes da teologia, mas também sentenças de filósofos e histórias antigas, que sei fostes dado a lê-las, e ainda agora depois que vos achais cansados do grave estudo da teologia, folgais de tomar na mão um livro de humanidades".

A vida de Heitor Pinto decorreu calma e austera, excepto no concurso, em 1558, à cadeira de Sagrada Escritura na Universidade de Salamanca, e nos trágicos anos do seu forçado exílio. No "Diálogo da Religião", refere que teve muitos trabalhos em Roma, em negócios da Ordem, recordando então os tempos em que vivia "muito contente, num repouso solitário dado ao estudo das divinas letras, estando em Portugal o mais tempo metido na cela...". na própria definição de bom religioso, ele foi "profundo na humildade, alto na contemplação, lembrado de Deus, esquecido do mundo, frio no amor da terra, abalizado no amor de Deus".

Além do acentuado uso de citações, há outra característica na obra de Heitor da Covilhã, que é a abundância de comparações. Quase sempre felizes, posto que uma ou outra arrojada, tal esta: "Assim como o piloto depois de cansado de longa navegação, achando lugar oportuno lança âncora para descansar, assim eu, cansado de longa prática, quero lançar âncora à língua e amainar as velas às minhas palavras".

Como monge em sua cela, Heitor Pinto recomenda-nos o propósito de "deixarmos as falsas opiniões do mundo, e suas vaidades, e suas maldades, e contemplarmos a Divina Bondade". Como beirão que era, faz timbre na amizade, e dedica um formosíssimo "Diálogo" a esse nobre sentimento. Daí esta comparação: "Assim como as ervas do Outono nascem frescas com as primeiras águas, mas queimam-se logo com os frios de Novembro, assim as amizades inconstantes começam com as primeiras palavras do primeiro encontro e acabam-se à primeira experiência que dela se faz".

A primeira edição da "Imagem da Vida Cristã" saiu em 1563, organizada por Gaspar Barreiros, só com a primeira parte, incluídos os Diálogos da Filosofia, da Religião, da Justiça, da Tribulação, da Vida Solitária e da Lembrança da Morte. A segunda parte da obra, com os restantes diálogos, apareceu em 1572. São publicadas em 1681 as duas partes num só volume, em edição de Miguel Manescal. Houve posteriormente várias edições, sendo a última da Livraria Sá da Costa, excelentemente coordenada pelo Padre Alves Correia.

O Infante D. Luís - Senhor da Covilhã

Depois da conquista de Ceuta, o Infante D. Henrique, entre outros galardões, recebeu de seu pai D. João I o senhorio da Covilhã.

Não tendo o Infante de Sagres sucessor, seu tio D. Afonso V doou por carta régia de 30 de Junho de 1471, o Senhorio da Covilhã ao Infante D. Diogo, duque de Viseu. Por morte deste, D. João II concede em 1489 este mesmo Senhorio a seu cunhado D. Manuel, que seria o Rei Venturoso. E este rei, por Provisão de 21 de Fevereiro de 1498, declara a Covilhã "tão principal no conto das outras vilas do reino "por sua real fé de nunca em nenhum tempo a dar a nenhum outro grande, nem fidalgo, por muita obrigação que para isso tivesse", e rogando a seus filhos e a todos os seus sucessores que tal determinação fosse respeitada. Mas D. João III logo concedeu o Senhorio da Covilhã, em 15 de Agosto de 1527, ao Infante D. Luís, quarto filho de D. Manuel I e de sua segunda mulher a rainha D. Maria. Nasceu este príncipe em Abrantes. Teve como seu professor Pedro Nunes, revelando-se aluno distinto em matemática. Foi Duque de Beja, Condestável do Reino e Grão Prior do Crato. Além da Covilhã, teve o senhorio de Moura, Seia, Serpa e Marvão. Tomou parte na expedição de Carlos V. Antunes.

Diz-se que resistiu na Covilhã, durante algum tempo, no Palácio Real, que existia, talvez desde o tempo de D. Sancho I, encostado à muralha, junto à porta da vila. Te-lo-á então embelezado com duas janelas de lavores manuelinos. Desse Palácio, que depois se tornou conhecido por Casa da Hera, pelo facto de a hera revestir as suas vetustas paredes, ainda restavam vestígios antes da modernização do centro da cidade. Já vimos que o Infante D. Luís teve de uma formosa judia covilhanense chamada Violante Gomes, a "Pelicana", um filho, o malogrado D. António Prior do Crato. Por curiosidade, refira-se que o covilhanense Frei Heitor Pinto e D. António foram condiscípulos na Universidade de Coimbra, e irmanados na mesma causa contra a usurpação filipina. Tiveram por isso igual destino, isto é, o exílio e a morte longe da Pátria.

A Capela de Santa Cruz, Calvário, terá sido mandada construir pelo Infante D. Luís, embora uma tradição muito antiga nos diga que foi o Infante D. Henrique o seu construtor, quando senhor da Covilhã. O certo é que foi o Infante D. Luís que a dotou com uma preciosa Relíquia do Santo Lenho, guardada numa custódia de prata. Esta custódia encontra-se hoje na Igreja de Santa Maria Maior. Num memorial de párocos, datado de 1758, descreve-se esta relíquia do seguinte teor: "está esta relíquia em forma de uma cruz, em uma preciosa custódia de prata sobredourada, onde ultimamente foi posta e autenticada pelo bispo actual D. Bernardo António de Melo Osório, no ano de 1754. Tem esta relíquia meio palmo de comprido, e de largo dois dedos, e quase meio dedo de grossura".

D. Manuel I, por carta de 18 de Abril de 1497, atende a um requerimento dos moradores da Covilhã, que se queixavam de que os requeridores e portageiros da Guarda, Valhelhas, Belmonte, Sabugal, Sortelha e Penamacor lhes requeriam indevidamente o pagamento da portagem. Por essa mesma carta, o Rei Venturoso confirma esses privilégios e outros foros, que El Rei D. Afonso V já reafirmara à Covilhã por carta de 29 de Maio de 1458.

O chamado Foral Novo, concedido por D. Manuel à Covilhã, consiste na confirmação e reformulação do antigo foral de D. Sancho I. Surgem novas sentenças e determinações, acordadas entre o Rei, o Concelho e os Letrados. Este foral é datado de Santarém, de 1 de Junho de 1510. Em relação ao foral de 1186, revogaram-se medidas de defesa concernentes ao perigo que, antigamente, representavam os mouros e os castelhanos, que por então infestavam as fronteiras. E, embora este foral não descurasse da autonomia do concelho, dava agora mais importância ao poder central e a fixação de novos tributos. Há uma cláusula que confirma a relevância que tinha, nesta região, a lã e as suas manufacturas. Com efeito, não se pagaria portagem por "pano e fiado que se mande tecer a curar ou a tingir. De todos os panos de seda ou de lã ou de algodão ou de linho se pagará por carga maior nove reis e por carga menor quatro reis e meio...E de linho em cabelo fiado ou por fiar que não seja tecido. E assim de lã e de feltro, burel, mantas da terra e dos outros, semelhantes panos baixos e grossos, por carga maior quatro reis e por menor dois reis..." Noutra parte, se diz: "do escravo ou escrava que se vender se pagará um real e cinco ceitis, mas se vender com filhos de mama não pagarão senão pelas mães, e se trocarem uns escravos por outros sem tomar dinheiro, nada pagarão".

Os Irmãos Faleiro

D. João II, através de conhecimentos secretos, quis garantir-se da posse das terras da América do Sul, onde viria a situar-se o Brasil. Por outro lado, despistava os espanhóis do seu plano Índico, que consistia em alcançar a Índia, contornando a África pela costa do Sofala. A viagem de Vasco da Gama tornou-se possível graças às grandes figura quatrocentistas portuguesas, que foram além de D. João II e o Infante D. Henrique, Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Pêro da Covilhã.

A Espanha muito nos deve quanto às suas descobertas marítimas. A contribuição dos conhecimentos científicos portugueses à Espanha foi tão grande que Joaquim Bemsaúde não hesita em dizer que a ciência náutica espanhola se pode considerar a ciência náutica portuguesa ao serviço de Espanha. Português foi Fernão de Magalhães e portugueses foram os seus mais directos colaboradores. Os irmãos Rui Faleiro e Francisco Faleiro, cosmógrafos e homens de ciência, foram covilhanenses. Rui Faleiro tornou-se notável na ciência náutica, dedicando-se ao estudo das longitudes.

Em fins do século XII, ainda era arriscado aos navios afastarem-se muito da terra, sendo de boa prudência os mareantes seguirem sempre com terra à vista. Ao ladearem a costa de África, esta ficava-lhes do lado esquerdo do navio, resultando daí o nome de bombordo, isto é, o lado do navio donde era bom avistar-se a terra. Primeiro com o astrolábio, depois com o sextante, os marinheiros passaram a calcular as latitudes, e a internar-se mais no oceano.

Rui Faleiro, além do cálculo das longitudes, terá sido o primeiro cosmógrafo a estudar o magnetismo terrestre. O matemático Gomes Teixeira proferiu uma conferência na Covilhã, no ano de 1929, quando era presidente do Município o Dr. Almeida Eusébio, garantindo que Rui Faleiro era da Covilhã.

A viagem de circum-navegação, levada a efeito por Fernão de Magalhães, partiu do porto espanhol de S. Lucas de Barrameda, ao serviço de Carlos I de Espanha, em 20 de Setembro de 1519. Dois anos depois, o grande português aporta às Ilhas Marianas, e logo atravessa o estreito a que se daria o seu nome. Ao chegar às Filipinas foi assassinado pelos indígenas, tendo depois continuado a viagem, outro comandante, o espanhol Sebastião del Cano.

A convite de Fernão de Magalhães, os irmãos Faleiro tinham-se instalado em Sevilha pelo ano de 1517. Carlos I, depois Carlos V, autorizou no ano seguinte a viagem, convencido de que tal empresa não ia contra as cláusulas do Tratado de Tordesilhas. Na armada não seguiu Rui Faleiro, o mais certo por se encontrar doente, ou devido ao seu génio irascível, que mais tarde o levaria à loucura. Sabe-se que ao regressar à pátria foi preso, pelo facto de ao tempo as leis portuguesas serem severas para com aqueles que abandonassem o País, levando segredos ou sequer irem colaborar no estrangeiro em expedições marítimas. É bem possível que, por tais leis, alguns pormenores da nossa história marítima permaneçam ainda hoje mal conhecidos. Fosse por que fosse, Rui Faleiro acabou por ser solto a pedido do rei espanhol, voltando de novo para Sevilha. Pouco tempo depois enlouqueceu, tendo ficado a receber, por mercê do rei espanhol, uma tença, e ao cuidado de seu irmão Francisco. Este, em 1525, publicou em Sevilha o "Tratado de la Esfera y de la Arte de Marear", no qual expôs os conhecimentos do seu irmão.

Rui Faleiro terá morrido em 1544, deixando o seu nome ligado à ciência náutica, que permitiu as viagens de longo curso.

João Ramalho

Foi um aventureiro beirão, o mais certo covilhanense, que naufragou nas plagas de Vera Cruz, segundo uns, antes de lá ter chegado Pedro Álvares Cabral, segundo outros pelo ano de 1508.

Depois da viagem de Pedro Álvares Cabral, novas armadas e naus, navegam junto à costa do novo continente, fazendo o reconhecimento de novas enseadas. Por vezes fundeavam, e procuravam internar-se naquelas terras exuberantes de vegetação e despertadoras de sonhos e aventuras. Sucedia, que por vezes, algumas naus abandonavam naquelas ignotas terras, degredados, que por ali ficavam entregues à sua sorte. Os náufragos procuravam sobreviver em terras inóspitas e florestas impenetráveis e desconhecidas, povoadas de serpentes de onças e inimigos invisíveis. Acontecia depararem-se com nativos que, se algumas vezes os acolhiam impávidos e serenos, outros os hostilizavam e dizimavam. Colombo viria a declarar que os selvagens, que ele descobrira eram mais felizes do que os homens civilizados...

Um tal Diogo Álvares, minhoto, foi para ao Norte do Brasil, no lugar onde mais tarde o governador Tomé de Sousa viria a fundar a cidade da Baía. Outro degredado da armada de Gonçalo Coelho, fixou-se ao Sul, na ilha depois chamada Cananeia, que povoou. E outro grupo de portugueses, pelo ano de 1508 naufragou no local que viria a ser capitania de S. Vicente, e que depois se tornou metrópole de garimpeiros, aventureiros perdidos na miragem do ouro e dos diamantes.

Como quer que fosse, João Ramalho foi um desses aventureiros que se internou no mato, ganhando a costa do Cubatão, onde se encontrou com os índios, tendo com eles artes de bem se relacionar. Aprendeu a falar a língua dos nativos, o tupi-guarani, e ganhou a confiança de um chefe índio, que lhe deu uma filha em casamento.

Mas João Ramalho havia de fazer larga prole de mestiços, e com eles fundou a aldeia de Santo André da Porta do Campo. Passaram anos, e um belo dia de 1535, fundeava na Baía, depois chamada de Todos os Santos, a armada de Martim Afonso de Sousa. Do cerrado da mata, começaram a surgir índios armados, dispostos a enfrentar os mareantes desembarcados nas areias da formosa baía. Já se iam preparando as bombardas nas naus, quando foi visto um homem branco, enorme, de longas barbas, que tentava apaziguar os índios, e levantava para os portugueses os braços em sinal de paz. Era João Ramalho.

Um pintor chamado Pedro Américo retratou para a História, esse momento memorável do encontro entre um capitão-mor, enviado por El Rei às terras de Vera Cruz, e João Ramalho e seus companheiros índios.

Martim Afonso de Sousa deu foral à vila de S. Vicente, e nomeou, em nome de El Rei D. João II, João Ramalho capitão-mor das terras altas de Piratininga. Sabe-se que João Ramalho colaborou com Martim Afonso de Sousa nos primeiros aldeamentos do Brasil.

Nas clareiras das florestas, começaram-se a construir casas com tecto de colmo, e à sua volta currais e os primeiros engenhos de açúcar. Navios carregados de cereais e de gado chegavam da metrópole e doutras terras. Cerca de vinte anos mais tarde, por volta de 1553, fundeava ali a armada de Duarte Gois, que trazia o padre jesuíta José Anchieta, deliberado a fundar ali uma igreja e um colégio da Ordem. Não se sabe porquê, João Ramalho resistiu a princípio à penetração dos jesuítas no seu território. Alguma coisa se terá passado, antes de ele se tornar guia e intérprete do Padre Anchieta e também do padre Manuel da Nóbrega até ao outeiro, onde, junto ao rio Tiéte, lançaram as primeiras pedras de uma povoação, que viria a ser, mais tarde, a cidade de S. Paulo. Já antes em 1549, chegara a armada de Tomé de Sousa, que fundou a cidade da Baía, capital histórica das novas terras. Numa carta ao rei, conta Tomé de Sousa que João Ramalho, sendo já um homem entregado em anos, calcorreava a pé, pelo mato, todos os dias, nove léguas.

Em 1590, São Paulo era já a metrópole do café, e construíram-se os bairros de Ipiranga e Vila Preta. Hordas de aventureiros, misto de militares e homens de negócio, os chamados bandeirantes, percorriam o Brasil no deslumbre das suas riquezas. João Ramalho deixa vestígios da sua presença na área de São Paulo, nos princípios do século XVI. No Arquivo Municipal daquela cidade, existem cadernos alusivos ao aventureiro covilhanense, com uma assinatura convencional presumivelmente sua, pois era analfabeto.

Para sair da sombra da História, seria necessário buscar novas achegas sobre a vida deste covilhanense, capitão-do-mato e um dos fundadores da cidade de São Paulo.

Mateus Fernandes

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi mandado edificar por D. João I, em acção de graças pela vitória de Aljubarrota. A sua construção começou no mesmo ano da batalha, em 1385, e por disposição testamentária, D. Manuel I mandou que se acabassem as capelas deste maravilhoso monumento nacional. O arquitecto Ouguet concluiu a Capela do Fundador, construiu a sacristia e o refeitório e parte do Claustro Real. Martim Vasques e Fernão de Évora continuaram a obra de Ouguet, tendo o último levado a termo o segundo claustro. Depois de 1467, sucederam-se nas obras do mosteiro os arquitectos Guilherme e António de Castilho, bem como Francisco Arruda, que trabalham nas Capelas Imperfeitas, assim chamadas por se não terem dado por concluídas. O arquitecto Afonso Domingos, mais famoso pela lenda que à sua volta teceu Alexandre Herculano, terá concluído, já cego, a Casa do Capítulo.

Pela tradição se diz que Afonso Domingues, "arquitecto da Batalha" era covilhanense, por certo por confusão com Mateus Fernandes, já que Bernardo de Brito, na sua Monarquia Lusitana, o dá como natural de Lisboa, baptizado na freguesia da Madalena.

Em 1490, Mateus Fernandes é já Mestre da Batalha. Assim se lhe refere D. João II numa carta em que lhe faz uma doação.

No livro intitulado "Retratos de Varões Que Ilustraram a Nação Portuguesa", da autoria de António José de Figueiredo, vem desenhado o retrato de Mateus Fernandes, com a legenda de ser da Covilhã, e "o mais insigne arquitecto, cujo nome conserva a história do Reino, a quem podemos chamar o primeiro arquitecto da Europa e do seu século. Segundo o mesmo autor, D. João II facultara ao ilustre arquitecto viajar pela Europa, a fim de tomar contacto com a arte das catedrais europeias. Ainda o mesmo autor terá visto confirmada a naturalidade de Mateus Fernandes em uma crónica carmelita, facto que não é contestado pelo Cardeal D. Francisco de São Luís, que, apontou erros no citado livro.

Ignora-se a data do nascimento de Mateus Fernandes, sabendo-se, todavia, que morreu em 1515, tal como se pode ler numa pedra tumular, à entrada axial do templo.

Mateus Fernandes terá sido o introdutor do estilo manuelino, ou estilo gótico português, caracterizado pela introdução de temas marítimos, vegetalistas e exóticos, inspirado na gesta dos Descobrimentos.

O ilustre covilhanense trabalhou no átrio, no pórtico principal, nas abóbadas das Capelas Imperfeitas e talvez na conclusão da Casa do Capítulo. Enquanto era substituído nas obras do Mosteiro por seu filho, do mesmo nome, Mateus Fernandes trabalhou na reconstrução dos Castelos de Almeida e de Castelo Branco. Pode estranhar-se porque não terá trabalhado nas torres e muralhas da Covilhã, sua terra natal. O que se sabe é que ele foi igualmente arquitecto da Igreja da Misericórdia das Caldas da Rainha, onde se vislumbram traços do seu estilo peculiar manuelino.

No último ano da sua vida, terá ainda gizado o plano da Igreja Matriz da Batalha, que só seria concluída em 1532, isto é dezassete anos após a sua morte.

Cabe, pois, à Covilhã, a glória de ter sido berço de um dos mais insignes arquitectos do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, a mais requintada obra do manuelino português, estilo de que foi introdutor, e que é o mais representativo, senão único, da individualidade da arte portuguesa.

O Morais do Convento (1806 / 1872)

Manuel de Morais da Silva Ramos, mais conhecido por Morais do Convento ou Morais da Covilhã, foi um grande escultor aqui nascido em 6 de Janeiro de 1806.

À volta da sua figura de artista e de aventureiro tecem-se lendas sem nexo. Tendo frequentado a Casa Pia de Lisboa, cedo revelou a sua vocação para o desenho e para a escultura. Aos dezoito anos, entra para a Brigada Real da Marinha, e nos anos conturbados de 1832/34 já se encontra no Porto, onde combate no cerco dos Liberais. A sua arte de modelar, esculpir e desenhar não passou despercebida ao fundador da Fábrica de Louças da Vista Alegre, onde trabalhou, mas foi na Cidade Invicta que logo se distinguiu como medalhista e escultor. A medalha comemorativa da visita de D. Luís ao Porto, no ano de 1852, a da Real Sociedade Humanitária e a que foi dedicada à memória de Carlos Alberto de Itália em 1854, são peças artísticas de valor meseológico, cujo paradeiro, como outras obras deste mestre, se desconhece. Em 1864 trabalhou no monumento a D. Pedro V.

Escultor exímio, era capaz de reproduzir à perfeição libras em ouro, que se não extremavam das autênticas, e isso levou-o ao excesso de abrir cunhos de moedas, sendo preso, arguido de moedeiro falso, nas cadeias da Relação do Porto.

Esculpia belas imagens de santos, em madeira de buxo, para as igrejas, e trabalhava em prata magníficas salvas e candelabros.

Pintava igualmente quadros a óleo. A sua obra prima é uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, executada em buxo, tendo no seu pedestal, em finíssimos lavores, o cenário do Natal. Quem alguma vez teve o privilégio de admirar essa obra, dá conta do seu fascínio. Tal peça de arte, que há muito deveria pertencer ao património da Covilhã, dizem encontrar-se já estropeada e ainda em poder da família do artista.

Na antiga Igreja de São Tiago, existia uma imagem do Senhor da Agonia, obra de Morais do Convento. Imagens pertenças do antigo Convento de Santo António, usurpado em 1834 pelas Leis de Mousinho da Silveira, foram distribuídas por igrejas da cidade. Dessas imagens, uma foi a do Senhor dos Aflitos, que terá ido primeiro para a Capela do Senhor da Ribeira, e depois da demolição desta, para a Igreja de São João. Outra, a da Senhora da Boa Morte, terá ido para a Igreja de Santa Maria Maior. Como quer que fosse, Morais do Convento procurou reaver, de forma rocambolesca, algumas imagens do Convento, o que acarretou novas pendências com as autoridades. Não obstante, reza a tradição que era esmoler, capaz de dar tudo de seu aos pobres.

Do Porto regressou à terra natal, muito combalido de saúde e de ânimo. Tinha, contudo, dinheiro suficiente para comprar as casas do antigo Convento de Santo António e nesse lugar aprazível, donde se desfruta uma ridente paisagem sobre a casaria da cidade e sobre a várzea do Zêzere, viveu o artista os seu últimos anos, apagados e silenciosos. Transformou as celas do Convento em salas, quartos e oficina de trabalho. Quando Eduardo Coelho, director do "Diário de Notícias" visitou a Covilhã, talvez no último ano da vida do escultor, 1872, foi vê-lo, levado pela curiosidade e fama da sua vida quase lendária. Diz-nos no seu livro "Passeios na Província", que encontrou um velho acabado e triste, cego e paralítico. Era o que restava de um homem que teria sido grande na arte deste país, se outros têm sido os seus fados.

A sua obra está praticamente ignorada. No Museu desta cidade, ainda hoje em preparação, irá figurar unicamente a imagem do "Coração de Maria", e na Câmara Municipal, pode admirar-se hoje o quadro da "Ressurreição". Seria obra meritória que se adquirisse para o Museu da Covilhã, esculturas e medalhas de Morais do Convento.

Morreu em 26 de Setembro de 1872 e tem o seu busto, de sua própria autoria, no cemitério desta cidade.

Frei Pedro da Covilhã

Foi um dos padres confessores de Vasco da Gama, na viagem do descobrimento do caminho marítimo para a Índia.

Na Índia fez evangelização, até ser capturado por índios selvagens, que o crivaram de flechas. Conta-se que, na sua atroz agonia, teve a visão da vinda de São Francisco Xavier a chegar àquele lugar de martírio.

Pêro da Covilhã

A honra senhorial de D. Afonso V, que foi o nosso último rei cavaleiro medieval, levou-o a bater-se com Fernando de Aragão, na Batalha de Toro, de resultado duvidoso, mas que teria redundado num desastre, se não fora o heroísmo dos seus vassalos e a bravura do jovem príncipe D. João I, que viria a ser o Príncipe Perfeito.

Nessa batalha combatera, como escudeiro do Rei, um jovem chamado Pêro que era da Covilhã. Já havia sido seu moço de esporas, quando regressara de Sevilha, onde estivera ao serviço de D. Afonso de Guzena, Duque de Medina Sidónio. Aí se envolvera e tomara o gosto de lutas e emboscadas. Inteirando-se da sua valentia e também da sua lealdade, D. Afonso V levou-o consigo para uma viagem a terras de França, onde esperava valer-se da influência e poder do Rei Luís XI. Não teve sorte D. Afonso V, pelo facto de o rei francês estar já de boas avenças com o rei Fernando de Aragão. As viagens naquele tempo eram longas e difíceis, e durante muito tempo não houve em Portugal novas de D. Afonso V, nem da sua comitiva, a tal ponto que seu filho o Infante D. João se proclamou rei. E, de facto não havia tempo a perder. O País encontrava-se enfraquecido com as praças conquistadas no Mangrebe e o jovem príncipe tinha já em mente o seu plano atlântico dos descobrimentos. E certo dia, ao saber que seu pai regressara ao Reino, dirigiu-se ao seu encontro para lhe restituir a coroa real, que D. Afonso V retomou até à sua morte em 1481. Por certo terá regressado com o rei o jovem Pêro da Covilhã, agora mais experimentado ainda em andanças e intrigas políticas.

Com a tomada de Constantinopla, os turcos ocupavam quase todo o território que pertencera ao antigo Império Cristão do Oriente. Na última fase da sua vida, o Infante D. Henrique, ciente do perigo que representava para a Europa o avanço dos turcos, pretendeu entrar em contacto com o poderoso e longínquo rei cristão, a que chamavam Prestes João das Índias. O cronista João de Barros diria mais tarde na sua "Década I" que um tal João Afonso de Aveiro, ao regressar de Benin, fizera memória que a oriente desse reino, "por vinte e duas luas de andadura" existia um rei, que era o mais poderoso daquelas partes, e que ali tinham como santo. Em 1427, já o Infante D. Henrique enviava a Valência um arauto, por sinal chamado Covilhã, para colher quaisquer informes na corte Leonesa sobre o dito rei. Religiosos e mercadores davam conta da existência desse monarca, que já em 1435 enviara dois religiosos em peregrinação a Santiago de Compostela. Do contacto com esses emissários ou peregrinos terá nascido o plano Índico do Infante D. Henrique, que visava além de alcançar a Índia, contornando a costa de África, entrar em negociações com o Prestes João, para com ele fazer uma aliança contra os turcos. A chamada fase henriquina dos Descobrimentos terminou com a morte do Infante em 1460, tendo por essa altura o navegador Pedro de Sintra atingido a Serra Leoa. O Príncipe D. João iria continuar a obra já encetada por seu tio avô, o Infante D. Henrique, embora só em 1474, sete anos antes da morte de seu pai, pusesse em marcha o seu próprio plano atlântico. Era este Príncipe bem diferente em génio de seu pai. Embora armado cavaleiro quando da tomada de Arzila aos Mouros, não era dado a gestas cavaleirescas medievais, nem achava por bem continuar a fazer guerra aos infiéis no Norte de África. Pelo contrário procurou fazer a paz com eles e com eles negociar pactos comerciais. Toda a sua atenção estava voltada para o Atlântico. Soube rodear-se de grandes navegadores e homens experientes e audazes, como Diogo Cão, que descobriu a foz do Zaire, Bartolomeu Dias que havia de dobrar o Cabo das Tormentas, e Pêro da Covilhã seu escudeiro e agente secreto.

Ainda antes do ano de 1487, Pêro da Covilhã fez duas viagens de exploração à Berberia, e ainda nesse mesmo ano D. João II o enviou, juntamente com Afonso de Paiva, para uma viagem com missões bem determinadas à Índia e à Etiópia. Incumbiu Pêro da Covilhã de saber dos portos de navegação daqueles mares da Índia, bem como do tráfego de especiarias, enquanto Afonso de Paiva seria portador de uma carta para o Prestes João, na qual propunha uma aliança para defender a fé católica e encetar tratos comerciais entre os dois reinos. E na primeira quinzena de Agosto daquele mesmo ano, D. João II fazia seguir Bartolomeu Dias em suas caravelas, com os melhores pilotos daquele tempo, na viagem memorável em que se ultrapassou o Cabo das Tormentas, logo chamado Cabo da Boa Esperança.

Já em 1484, Cristóvão Colombo chegara a Lisboa para convencer o Rei português a por à sua disposição navios com que ele pudesse navegar para o Ocidente, julgando por aí atingir a Índia.

Mas por essa altura, D. João II tinha já conhecimento da existência de terras a Ocidente e que talvez por aí, de facto, se atingisse a Índia. Não acedeu às pretensões de Colombo e não se surpreendeu quando este, em 1489, ao serviço dos espanhóis, descobriu o continente americano que tomou por Índias. O Mundo já fora dividido pelo Tratado de Tordesilhas, e estava salvaguardada para Portugal a parte da América do Sul correspondente ao Brasil.

Disfarçados de mercadores, chegaram Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva à Península do Sinai e ao Mar Vermelho. Afonso de Paiva, que era natural de Castelo Branco, não chegou a cumprir a sua missão por ter morrido de febres no Cairo. E durante um ano, o aventureiro covilhanense viajou por terras da Índia, tendo estado em Cananor, Ormuz, Goa e Calicut, terra esta que pisou dez anos antes de Vasco da Gama. Nos fins de 1489, segundo o seu biógrafo Conde Ficalho, terá estado na encosta do Sofala, dirigindo-se depois para o Cairo, onde teve conhecimento da morte do seu parceiro Afonso de Paiva. Quando se preparava para regressar à Pátria, vieram ao seu encontro dois emissários de D. João II, José de Lamego e o Rabi Abraão de Beja, que traziam ordem do Rei para que ele voltasse a Ormuz com o Rabi, enquanto José Lamego regressava a Portugal com as preciosas informações colhidas por Pêro da Covilhã sobre a Índia e os portos, que os navios portugueses poderiam demandar.

Alberto Roseta (1915/1990)

Foi industrial e artista plástico covilhanense, sendo autor de numerosos desenhos de recantos típicos da sua terra natal.
Foi discípulo, na Escola Industrial Campos Melo, do Professor António Lopes. Covilhanense de afeição, salientou-se como autor de belos quadros a óleo, e de painéis nas Igrejas de Santa Maria Maior e da Misericórdia. Entusiasta do desporto do esqui, logrou algumas vezes ser campeão nacional desta modalidade.
publicado por Paulo Jesus às 17:48

Setembro 27 2008

A Igreja da Misericórdia


É um dos maiores templos da Covilhã, cuja fachada é do séc. XVII. Tem três altares: o principal é o de nossa Senhora da Misericórdia e oratório do Senhor dos Passos; esquerdo o do Santíssimo e direito o do Espírito Santo

Capela Românica de São Martinho

A igreja mais antiga que actualmente existe na Covilhã, é a de S. Martinho, é da primeira fundação da vila. Nos tempos antigos, em frente e para o lado esquerdo desta capela, fazia-se aqui a praça pública, chamada a Praça de S. Martinho.
Tem três altares e é muito pequena, fazendo-se os actos religiosos desta freguesia na Igreja de São João de Longe.
Está junto da Universidade da Beira Interior e é um templo de estrutura simples, com o portal em arco, sustentado por duas colunas de capitéis decorados, com uma fresta na frontaria metida num nicho aberto na pedra.

(capela de São Martinho)

Nossa Senhora da Conceição

Esta igreja pertencia ao Convento de São Francisco, tendo sido fundado em 1235 e transferido no fim do séc. XIV para o local onde hoje se encontra a Igreja de São Francisco. Quando estes estabelecimentos passaram para bens nacionais (1834) o Comendador José Mendes Veiga, comprou-a, oferecendo-a depois à freguesia. Comprou também o respectivo Convento e cerca.


Igreja de Santa Maria

Santa Maria ou Santa Maria Maior é hoje o templo mais vasto e majestoso que existe nesta cidade. Tem 11 altares. É a igreja matriz e fica situada num ponto de confluência das principais ruas da vila medieval. A actual igreja corresponde à reedificação no séc. XVI, da mais antiga Igreja de Nª. Sª. do Castelo. Ao longo dos tempos, esta igreja sofreu várias reconstruções que a foram descaracterizando da sua traça original. Tem a fachada revestida com painéis de azulejo, reproduzindo Virgens de Murillo. É uma igreja de três naves, dois coros e os seus sete altares são de talha dourada. O altar-mor destaca-se pela profundidade, com uma imagem de Nª Senhora (Assunção) e riqueza de talha. No que respeita à estatuária existem várias imagens da Virgem sob diversas invocações, sendo de salientar a da Srª das Dores, escultura em madeira do séc. XVII.


Capela de Santa Cruz

Capela quinhentista, vulgarmente conhecida por Capela do Calvário, situada já fora das muralhas, na parte mais alta da cidade. Desconhece-se ao certo o ano em que foi erguida, no entanto, a primeira referência conhecida remonta à Idade Média, constando no Livro Negro da Sé de Coimbra e serviu de penetração da Igreja de Coimbra nesta parte da serra. Alguns autores apontam para uma construção primitiva pelo Infante D. Henrique e mais tarde, nos finais do séc. XVI, restaurada pelo Infante D. Luis, filho de D. Manuel e pai de D. António, Prior do Crato.
A capela é de construção simples, granítica, estilo renascentista, composta de um corpo e capela-mor. O tecto é revestido por painéis de pinturas emolduradas por talha dourada, contendo cenas da vida de Jesus Cristo. Infelizmente devido aos furores do tempo e à inépcia humana, das 30 telas que preenchem o tecto, só sete delas guardam a sua pureza primitiva. No exterior, podem ainda observar-se dois alpendres, com colunas toscanas e um púlpito. Em frente à capela estão os muros envolventes da antiga Cidadela.



Capela de São Silvestre

S. João de Malta

Esta igreja está situado para o lado norte da cidade e pertence à freguesia de S. Pedro.
Tinha só um altar que foi reformado nos fins do século XVI. Hoje para além do altar-mor tem mais dois.


S. Pedro

É uma igreja muito irregular e bastante pequena para a freguesia. Antigamente tinha só três altares: o altar-mor, Sacramento e Almas.
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Cemitério da Covilhã
O Cemitério da Covilhã era um dos melhores da província e uma das melhores obras da Covilhã.
Está situado ao alto da cidade, lado norte, numa altitude de 750 metros.
É moderno pois o primeiro enterramento foi feito em 4 de Julho de 1874, andando ainda em obras que terminaram em 1882.
Desde aquela data (4 de Julho de 1874) até 31 de Dezembro de 1899 foram sepultadas ali 10.679 pessoas.
Tinha uma superfície de 15.200 metros quadrados, encontrando-se distribuída em cinco quarteirões.
publicado por Paulo Jesus às 17:46

Setembro 27 2008
 

 

 

 Ordenação heráldica do brasão e bandeira

Publicada no Diário do Governo, I Série de 29/08/1941

 
Armas De azul com uma estrela de seis raios de prata carregada por um rodízio vermelho, realçado a ouro e posto em pala. Em chefe e contrachefe uma faixa ondeada de prata. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco com os dizeres "Cidade da Covilhã" a negro. Envolvendo o pé e flancos das armas, as insígnias das Ordens de Cristo e do Mérito Industrial, suspensas das fitas, tudo de suas cores.
 
Bandeira - Quarteada de quatro peças de branco e quatro peças de vermelho. Cordões e borlas de prata e de vermelho. Haste e lança douradas.

 

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes e em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal Covilhã". Envolvendo o selo, as fitas das Ordens de Cristo e de Mérito Industrial, suspendendo as respectivas insígnias.

 
            Como as principais peças das Armas são a estrela e o rodízio, a bandeira é branca (que representa a prata) e vermelha. Para cortejos e outras cerimónias a bandeira é de seda, bordada e com a área de um metro quadrado. A coroa mural de cinco torres e a bandeira quartejada de oito peças, é o que está determinado para simbolizar as cidades.
            O campo das Armas da Covilhã é de há muitos anos esmaltado de azul, cor que heraldicamente significa zelo, caridade e lealdade.
A estrela e os rios são de prata porque este metal na heráldica, denota humildade e riqueza.
            O rodízio é de vermelho, porque este esmalte significa vitórias, força, energia, actividade e vida. O rodízio é realçado a ouro por ser este o metal mais rico na heráldica e que significa nobreza, fé, fidelidade, constância, poder e liberdade.
Com estas peças e com estes esmaltes fica realçada e dignificada a história da Covilhã e a índole dos seus naturais.
 
Freguesias
 
Vila do Carvalho   Aldeia de São Francisco de Assis   Aldeia do Souto   Barco
Boidobra   Canhoso   Cantar-Galo   Casegas   Conceição Cortes do Meio   Coutada
Dominguizo   Erada   Ferro   Orjais   Ourondo   Paul   Peraboa   Peso   Santa Maria
São Jorge da Beira   São Martinho   São Pedro   Sarzedo   Sobral de São Miguel
Teixoso   Tortozendo   Unhais da Serra Vale Formoso   Verdelhos   Vales do Rio

 

 

 

 Bandeira para uso no exterior (2x3)
 
 
        
Bandeira para uso em interiores (1x1)
 
            A Covilhã é uma bela cidade, situada num planalto, a meia encosta de Serra da Estrela. Daí lhe vem o nome, de Cova + lhana ( plana ). Parece que foi fundada pelos Romanos 41 a.C. e estes puseram-lhe o nome de Sila Hermínia.
         È atravessada pelas correntes rápidas das ribeiras da Carpinteira e da Degoldra, em cujas margens se estabeleceram as primeiras fábricas de lanifícios, pois é grande a abundância de gado lanígero.
         Covilhã teve foral antigo dado por D. Sancho I em Setembro de 1186, confirmado, posteriormente, em Coimbra por D. Afonso II, no mês de Outubro de 1217.
         Deve-se à clara política de D. Sancho I a reedificações de vila que estava prestes a ser abandonada pelos seus moradores. No ano da concessão do foral em 1186, os habitantes receberam honrarias régias, entre elas destacando-se o privilégio dos escravos ganharem alforria e habilitações para honras e empregos quando por mais de um ano vivido na Covilhã.
         Na provisão de 2 de Dezembro de 1253, D. Afonso III declara ser a Covilhã uma das principais povoações acasteladas da Beira. Atribuiu-se a fundação ao célebre Conde D. Julião que, para se vingar de D. Rodrigo – o último rei dos Gagos, lhe ler seduzido a filha, provocou a invasão dos Árabes na Península Hispânica. Conta a tradição que na Covilhã derivado da Cova - Juliana, nome que D. Julião dera à vila reunindo num só, o seu nome e o da sua concubina ( mulher ; legítima ).
         Em 1 de Junho de 1510, D. Manuel I outorgou - lhe foral novo, em Santarém.
         Foi elevada à categoria de cidade no século XIX a 20 de Outubro de 1870.
 
Datas Importantes
 
1186 – Setembro
 
          D. Sancho I dá foral à Covilhã
 
1260 – 25 Julho
 
            Por carta régia desta data D. Afonso III mandou fazer feira anual de 15 dias na sua vila da Covilhã pela festa de Stª Maria, em Agosto, devendo começar oito dias antes e acabar oito dita depois da dita festa.
 
1319 – 22 de Dezembro
 
          D, Dinis outorgou carta régia confirmando privilégios, foros, usos e costumes do concelho da Covilhã, declarando que os juizes do mesmo concelho lhe “fornecerão cama, pão, vinho e outras coisas não por foro nem por serviço, mas por mera hospitalidade”.
 
1485 – Nasceu na Covilhã D. Frei Diogo da Silva, doutor em jurisprudência, conselheiro de D. João III, desembargador dos Agravos e mais tarde nomeado Arcebispo de Braga. Pertenceu à Ordem Franciscana, foi confessor do rei e faleceu em 1541.
 
1487 – 7 de Maio
 
            Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva partem de Santarém, por terra, para a Etiópia.
            Esta missão foi-lhes confiada por D. João II a fim de obter dados necessários à preparação da viagem de Vasco da Gama à Índia.
            Depois de chegarem ao Cairo e Adem, separam-se partindo Afonso de Paiva para a Etiópia e Pêro da Covilhã para a Índia.
            Pêro da Covilhã veio a exercer grande influência na corte Abexim, teve a honra de ser o primeiro Português que pisou o solo da Índia.
            Foi senhor de muitas terras e haveres mas jamais lhe foi concedida autorização para regressar a Portugal, ali morrendo em 1545.
 
1506 – 3 de Março
 
            Nasceu em Abrantes o Infante D. Luís quinto filho de D. Manuel I.
            Mandou edificar a capela de Stª. Cruz ( Calvário ) dotando-a com uma magnífica custódia de prata dourada encerrando uma relíquia do Santo Lenho.
            Duque de Beja, condestável do Reino, Grão-Prior do Crato senhor da Covilhã, Serpa e Marvão.
 
!510 – 1 de Junho
 
          É datado de Santarém o segundo foral concedido à Covilhã, por D. Manuel II, onde lhe foram conservados todos os seus privilégios.
 
1515 – 10 de Abril
 
          Faleceu Mateus Fernandes, natural da Covilhã, que foi um dos arquitectos do Mosteiro da Batalha, ali pontificando durante 25 anos.
          Fez a porta de entrada para as capelas imperfeitas considerada um dos expoentes máximos da arquitectura Portuguesa.
 
1517 – Dezembro
 
          Dão entrada em Sevilha Rui Faleiro, sua mulher Eva Afonso, e seu irmão Francisco, idos da Covilhã da Covilhã de onde eram naturais.
 Dedicaram-se ao estudo e determinação das coordenadas geográficas, sobre tudo das longitudes, modificando os astrolábios da época, e tornando possível as viagens marítimas de longo curso com cálculos de maior exactidão
 
1535 – Publicado em Sevilha a 1ª edição do livro “ Tratado del Sphera Y del Arte de Marear “ pelo cosmógrafo Francisco Faleiro.
 
1538 – 26 de junho
 
          Teve começo o 1º cerco de Diu e em que se distinguiu pela sua coragem e valentia, o intrépido Covilhanense Fernão Penteado.
 
1543 – 8 de Abril
 
          Data em que Frei Heitor Pinto professou no Instituto de S. Jerónimo no Convento de Stª. Maria de Belém.
          Considerado um dos mais notáveis escritores clássicos portugueses do Século XVI.
 
1618 – Ano em que nasceu na Covilhã, Simão Pinheiro Morão.
          Exerceu clínica na Covilhã, Alenquer e Almada.
 
1710 – El-rei D. João V ordena que na vila da Covilhã se fabriquem todas as fardas para o seu exército.
 
1761 – Neste ano ordena D. José I a construção do grandioso edifício da Real Fábrica de panos ( onde actualmente se encontra instalada a Universidade da Beira Interior ).
 
1801 – 3 de Março
 
          Nesta data nasceu na Covilhã o Dr. Gaspar Pereira da Silva, que foi jurisconsulto e política
 
1806 – 1 de Janeiro
 
          Data em que nasceu na Covilhã Manuel de Morais da Silva Ramos, conhecido por o “ Morais do Convento “ por ter adquirido o Convento de Santo António.
 
1808 – 20 de Agosto
 
          Nasceu na Covilhã José Maria da Silva Campos Melo, a quem foi dado em 1870 o título de Visconde da Coriscada.
          Foi Industrial de grande valor, Presidente da Câmara Municipal, escrivão da Misericórdia, etc.
 
1824 – 5 de Janeiro
 
          Nasceu na Covilhã Francisco Joaquim da Silva Campos Melo, a quem foi dado em 1870 o título de Visconde da Coriscada.
          Foi industrial de grande valor, presidente da Câmara Municipal e escrivão da Misericórdia, ...
 
1827 – 4 de Março
 
          Nesta data nasceu na Covilhã, Francisco Maria Rodrigues de Oliveira grainha. Foi médico e sacerdote.
 
1832 – 21 de Agosto
 
          Nesta data nasceu na Covilhã o padre Manuel Teles Alegrete vulgarmente conhecido por padre Saioto.
 
1840 – 22 de Junho
 
          Nasceu na Covilhã José Maria Veiga da Silva Campos Melo, que foi o maior industrial do seu tempo. A ele se deve o desenvolvimento do ensino primário e técnico na Covilhã, assim como da previdência social pele construção médica aos trabalhadores.
 
1860 – 25 de Fevereiro
 
          Foi nesta data que pela primeira vez a Covilhã foi ilimitada com seis lampiões de azeite.
 
1863 – 9 de Maio
 
          Foi nesta data destruído o pelourinho da Covilhã, que se encontrava situado em frente ao antigo Paço Municipal.
          Este monumento que consistia num fuste oitavado composto de duas pedras que assentava sobre plataforma de 4 ou 5 degraus e terminava por roca, constituía o símbolo da autonomia municipal e só por incúria se pode conceber a sua destruição.
 
1864 – 13 de Junho
 
          Nesta data nasceu na Covilhã o Dr. António Mendes Alçada de Morais que exerceu a advocacia brilhantemente nesta cidade durante muitos anos.
 
1870 – 20 de Outubro
 
          Foi a vila de Covilhã elevada à categoria de cidade, no reinado de D. Luís I.
 
1874 – 19 de Outubro
 
          Nesta data nasceu na Covilhã José Maria de Campos Melo.
          Fixou-se na Covilhã, tendo tomado a direcção “ técnica da fábrica velha “.
 
1883 – 26 de Abril
 
          Foi nesta data decidido pelo governo a construção do caminho de ferro da Beira - Baixa, passando por Castelo Branco, Fundão e Covilhã.
 
1891 – 6 de Setembro
 
          Nesta data foi solenemente inaugurado o troço do caminho de ferro da Beira Baixa compreendido entre as estações de Abrantes e Covilhã
 
1896 – 9 de Outubro
 
          Data em que nasceu na Covilhã Ernesto de Campos Melo e Castro. Formado em engenharia químico - industrial pelo I.S.T. de Lisboa em 1921, desenvolveu grande acção pedagógica na sua cidade natal tendo sido director da Escola Industrial e Comercial Campos Melo durante 36 anos.
 
1907 – 14 de Junho
 
          Nas primeiras horas da madrugada deste dia deflagrou na Rua António Augusto de Aguiar, junto à Praça do Município, um grande incêndio que ficou tristemente conhecido pelo incêndio “ da mineira “.
 
CURIOSIDADES
 
1619 - A Câmara de Lisboa estabelece um acordo com Paulo Domingues, oficial neveiro, para levar para Lisboa 96 arrobas de neve da Serra da Estrela para fornecimento diário entre 1 de Junho e 30 de Setembro
 
1673 - Por ordem do Príncipe Regente, mais tarde D. Pedro II, vieram de Inglaterra cinco mestres para as fábricas de panos
 
1710 - D. João V ordena que na Vila da Covilhã se fabriquem todas as fardas para o exército
 
1750 - É destituída a forca da Covilhã
 
1755 - No dia 1 de Novembro de 1755, o terramoto que arruinou a capital, também se fez sentir na Covilhã.
As muralhas do castelo tal como as suas grandes torres sofreram enormes danos.
 
1840 - Aprovado o estatuto da Associação Fabril da Covilhã
 
1860 - A 25 de Fevereiro de 1860, a Covilhã foi pela primeira vez iluminada com seis lampiões de azeite.
Em Julho de 1866, o número de lampiões aumentou para 50, passando a iluminação a ser feita a petróleo. A 10 de Fevereiro de 1892 a iluminação pública e particular passou a ser a gás, e só em 6 de Janeiro de 1924 foi a cidade pela primeira vez iluminada a electricidade pela Firma Copeiro & Donas, passando para os Serviços Municipalizados a 28 de Fevereiro de 1928.
 
1864 - 1º. Jornal impresso na Covilhã: O "Commercio da Covilhã"
1871 - Pinheiro Chagas é eleito deputado pelo círculo da Covilhã
1873 - Abertura da estrada das Pedras Lavradas entre Covilhã e Coimbra
1874 - Fundado o Banco da Covilhã
1875 - Fundada a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Covilhã ( Torre e Espada )
1882 - Fundada a Biblioteca Heitor Pinto: 1ª. Biblioteca Pública após Lisboa, Porto, Coimbra e Évora
1891 - Decretada a autonomia do Concelho da Covilhã em 14 de Março por D. Carlos I
1891 - Inauguração do troço Abrantes - Covilhã da linha de Caminho de Ferro da Beira Baixa, com a presença do Rei e da Rainha
1924 - Criada a Banda da Covilhã
1926 - Orfeão da Covilhã dá o 1º. concerto
1940 - Fim das barreiras (portagens) na Covilhã
1953 - Constituído o Núcleo da Covilhã do Clube de Montanhismo
1958 - Criado o Conservatório Regional de Música
1958 - Inaugurado o actual edifício da Câmara Municipal da Covilhã
1970 - 1º Centenário da cidade. Deu-se início ao concurso de Piano "Cidade da Covilhã"
1973 - Foi criado o Instituto Politécnico da Covilhã
1978 - Foi instaurado o Feriado Municipal - 20 de Outubro
1986 - Foi instituída a UBI - Universidade da Beira Interior
1988 - Tiveram lugar na Covilhã as comemorações do dia "10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das comunidades", com a presença do Presidente da República, Mário Soares.
publicado por Paulo Jesus às 17:44

Setembro 27 2008

A “Estância de Esqui da Serra da Estrela”, está localizada próximo da Torre, a cerca de 1900 m de altitude, sendo a única em Portugal.

Há duas épocas conheceu algumas alterações com a entrada para os Quadros da Turistrela de um novo Directos da Estância, que após muitos anos de experiência na reconhecida estância de Meribel – França – veio trazer uma melhor organização, segurança e manutenção das pistas.
Pretende-se que, juntamente com o plano de investimentos previsto, a “Estância de Esqui da Serra da Estrela”, se torne de ano para ano uma opção cada vez mais válida para a prática de desportos de Inverno e um espaço de animação de referência no nosso país.
Esta estância tem 2 pistas verdes (Lagoa e Covão) de pouca dificuldade, ideais para o primeiro contacto com a neve (integração das botas e esquis no sistema corporal). Continuando a sua aprendizagem, poderá continuar a evoluir experimentando as pistas azuis (Vale e Piornos) de dificuldade média, Perca (ganhe!) algum tempo até dominar as várias tecnologias do esqui. Por último poderá experimentar as pistas vermelhas (Cântaros, Espinhaço. Loriga e Torre) para sentir alguma adrenalina e ganhar um melhor conhecimento de si próprio. Pode ainda optar por alugar trenós nas zonas de trenós disponíveis.
Dimensão: As pistas de esqui, têm uma dimensão de 5,5 Km esquiáveis, bem no coração da Serra da Estrela.
Cota máx: 1972m
Cota min: 1874m
Utilização: Nestas pistas é possível praticar-se esqui, snow-board.
Na Serra da Estrela, a 1200 metros de altitude ergue-se da sua plataforma natural, a estalagem Varanda dos Carqueijais. Considerada o melhor miradouro sobre toda a Cova da Beira, dista apenas 10 Km da Torre, o ponto mais alto de Portugal Continental, com as suas postas de esqui e muitas outras atracções, e 6 Km da Covilhã, Aérodromo, e estação de Caminhos de Ferro. Ponto de partida para muitas aventuras e os mais variados roteiros, é igualmente o ponto de chegada mais agradável para todos aqueles que nos visitam, em lazer ou em negócios.

ESTALAGEM VARANDA DOS CARQUEIJAIS
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Esta estância de 4 estrelas, com 50 quartos, completamente equipados, está situada numa localização privilegiada, no topo da Serra da Estrela. Oferece estacionamento gratuito e vistas panorâmicas sobre a Cova da Beira.

 

A Estalagem Varanda dos Carqueijais está situada no interior da Reserva Natural da Serra da Estrela e apresenta um estilo arquitectónico único, com decoração moderna por todo o edifício.

 

Os quartos incluem banheira de hidromassagem, e alguns dispõem de varandas.

 

O restaurante do resort, Cova da Beira, tem capacidade para 150 pessoas. O bar e lounge estão equipados com Wi-Fi, e têm capacidade para 70 pessoas.

 

A Estalagem Varanda fica a apenas 10 minutos da estância de esqui Vodafone. Também fica a 5 km da cidade de Covilhã.


HOTEL SERRA DA ESTRELA
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O Hotel Serra da Estrela ergue-se numa pequena e típica povoação serrana, denominada Penhas da Saúde, a uma altitude de 1.500 metros. É considerado, quer quanto à arquitectura quer quanto aos materiais e técnicas utilizadas na sua construção, como o mais representativo hotel de montanha do nosso pais. Dista 10 Km da Covilhã, Aeródromo e estação de Caminhos de Ferro e 10 Km da Estância de Esqui.
Constitui-se num espaço privilegiado para o repouso e contemplação, retemperador de forças e terapia para o stress de uma agitada vida urbana.
Hotel Serra da Estrela Apartado 332 6200 Covilhã Telefone: 275 - 310300 Fax: 275 - 310309

Informação do Hotel

O Hotel Serra da Estrela já foi considerado com marco de excelência em turismo na neve em Portugal e é conhecido como o típico hotel de montanha do país. Agora foi completamente remodelado e irá tornar-se no destino privilegiado para aqueles que desejam ficar hospedados na Serra da Estrela, seja por motivos de lazer ou de negócios. Desfrute a sua estadia!


Situado no maior destino do país em resort de montanha, integrado na Reserva Natural da Serra da Estrela, longe do stress, numa atmosfera familiar, os Hotéis da Serra da Estrela são os locais ideais para conseguir trabalhar em qualidade e tranquilidade e o ponto de partida ideal para todo o tipo de actividades turísticas e de lazer. Para auxiliá-lo a planear, aconselhar, suportar e organizar os seus eventos de grupo, Turistrela dispõe de uma equipa de funcionários especialistas em negócios, treinados para preencher todos os seus requisitos, proporcionando-lhe um apoio contínuo e total durante todo o evento.

Com um leque diversificado de serviços, tanto relacionado com os hotéis resort como também em relação a serviços de apoio e actividades exteriores, Turistrela é capaz de proporcionar-lhe soluções feitas à medida para workshops e eventos de grupo ou para conferências de empresa, envolvendo um amplo número de participantes.

 

Informação da Acomodação :

O hotel de 4 estrelas, dispõe de 79 quartos, incluindo 3 suites e 8 quartos triplos. Os quartos foram recentemente renovados e oferecem uma decoração harmoniosa e mobílias com um design confortável.


Comida e bebida :

O restaurante Nave da Areia pode acomodar até 150 pessoas. O bar e discoteca têm capacidade para 100 pessoas. O bar e saguão podem acomodar até 100 pessoas.


Informação dos arredores :

A aldeia da montanha fica mesmo no coração da Serra da Estrela, harmoniosamente aninhada dentro do cenário urbano de Penhas da Saúde, a uma altitude de 1500 metros.

Consiste no Hotel Serra da Estrela e nos Chalés da Montanha, a 10 minutos da estância de ski Vodafone.

Um pouco abaixo da aldeia da montanha, com vista sobre Cova da Beira, fica a típica Estalagem Varanda dos Carqueijais.


Descubra este grupo de resorts hoteleiros que foram construídos com os níveis de excelência que equivalem à montanha mais alta de Portugal.


A Estância de ski Vodafone está situado na Torre, no município de Seia, mesmo no centro da reserva natural e a uma altitude de 2000 metros.
Coberta por um manto de neve entre Dezembro e Abril, graças ao processo inovador de produção de neve artificial, a estância de ski alberga infraestruturas para praticar desportos de Inverno e providencia comodidades sofisticadas como elevadores mecânicos de última geração e um sistema de passe de identificação moderno para os elevadores.
A Estância de ski Vodafone é o destino privilegiado em Portugal para os amantes de desportos de Inverno, entretenimento e emoções fortes.


As actividades incluem mushing (trenós puxados por cães), andar de trenó e em motas de neve. Poderá alugar uma variedade de equipamentos, como esquis alpinos e snowboards.

 

Geral :

Parque de estacionamento, Restaurante, Bar, Recepção 24 horas, Jornal, Jardim, Quartos/Comodidades para pessoas com mobilidade condicionada, Quartos Familiares, Parque de estacionamento gratuito, Elevador, Cofre, Quartos insonorizados, Aquecimento, Sala para Bagagem, Depósito para equipamento de Esqui, Todos os espaços públicos e privados são não-fumadores

Actividades :

Pesca, Esquiar, Sala de jogos, Parque infantil, Bilhar, Dardos, Canoagem, Caminhadas, Andar de bicicleta, Equitação, Escola de Esqui

Serviços :

Serviço de quartos, Comodidades para Reuniões/Banquetes, Baby-sitting/ Serviço para crianças, Lavandaria, Lavagem a seco, Pequeno-almoço no quarto, Serviço de engomadoria, Suite nupcial, Serviço de Internet, Serviços de câmbios, Aluguer de bicicleta, Refeições pré-embaladas, Aluguer de carro, Fax/fotocopiadora, Wi-Fi / Wireless LAN

Internet:

Internet Wireless disponível por todo o hotel: poderão aplicar-se custos adicionais.

Estacionamento:

Estacionamento gratuito público; disponível no local.


Actividades Outdoor
A Serra da Estrela, ponto mais alto do país, constitui-se num dos últimos destinos turísticos, onde a Natureza, preservada contra todas as tendências devastadoras da sociedade contemporânea, se revela passo a passo, em recantos de espectacular beleza.
A conjugação deste lindíssimo património natural com a cultura do povo serrano, cioso dos seus valores, garantem ao visitante o acesso a um modo de vida e de estar que o transportam para o que mais simples e verdadeiro a vida lhe proporciona.
É neste contexto que vimos oferecer-lhe a possibilidade de desfrutar a Serra e a Natureza, na sua plenitude, através da utilização de uma verdadeira casa serrana, no aldeamento Chalés de Montanha, abrindo-lhe as portas para uma ocupação ecológica e terapêutica dos seus tempos livres.
Construído no Parque Natural, em plena Serra da Estrela, este complexo de lazer único no país, oferece uma gama de equipamentos e diversões capaz de satisfazer o mais exigente utilizador de actividades ao ar livre, de aventura ou actividades radicais.
O Skiparque dispôe de um pista de esqui de 400 metros, com um débito de 600 esquiadores/hora, bem como de um half-pipe para a prática de Snowboard.

 

publicado por Paulo Jesus às 17:23

Setembro 27 2008

Serra da Estrela - um passeio em direcção ao céu

 
 
            Para quem gosta de montanhas, a Serra da Estrela é o local ideal para um passeio de fim de semana. Aqui encontra algumas das mais bonitas e preservadas aldeias históricas do país, gastronomia regional e, se for tempo disso, ainda pode aproveitar para se divertir na neve.
 
            A zona da Serra da Estrela conserva alguns dos mais originais recantos do país e preserva um conjunto de aldeias históricas à espera da sua visita.
 
Símbolo: Cristal de gelo

Localização: Região Centro
Distrito de Castelo Branco: Concelho da Covilhã
Distrito da Guarda: Concelho de Celorico da Beira; Gouveia; Guarda
 
Altitude : máxima: 1993 m mínima: 300 m

Clima: Influência mediterrânica e atlântica
 
Relevo:
           
O maciço montanhoso da Serra da Estrela apresenta-se como um alto planalto inclinado para Nordeste, profundamente recortado pelos vales dos rios e ribeiros que nele têm origem. Sendo essencialmente granítico - se bem que nele ocorram largas manchas de xisto - o aspecto mais marcante da paisagem do planalto superior é a presença dos afloramentos rochosos, sejam as vigorosas fragas, rochedos e penhascos, sejam os caos de blocos, sejam os depósitos de vertente ou cascalheiras. Em toda a sua área são inúmeros os vestígios da acção glaciar, designadamente os vales em U do Zêzere e de Unhais, sucedendo-se blocos erráticos, as moreias, os covões e os lagos e lagoas naturais.
 
 
 
 
FAUNA
 
            A paisagem multifacetada, onde os solos são mais férteis e há água em abundância, permite que, num espaço relativamente pequeno, a fauna disponha simultaneamente de boas zonas de alimentação (explorações agrícolas), bebedouros (tanques e riachos) e áreas de abrigo e reprodução (bosquetes, manchas de matagal e silvados). A esta grande diversidade de unidades ecológicas vai corresponder uma igual variedade de espécies animais que, "saltando" rapidamente de um meio para outro, reforçam a sua interdependência.
 
            As searas de centeio, implantadas nos terrenos mais planos e de solos pobres constituem um biótopo homogéneo e estruturalmente simples que suporta um número de espécies reduzido.
 
            Relativamente à fauna, apresenta mamíferos como o lobo, javali, lontra, gineta, raposa, fuinha, texugo e gato-bravo, destacando-se entre os pequenos mamíferos a toupeira-de-água.
 
Cão da Serra da Estrela
 
            Resultado de uma tradição artesanal de preservação genética, é considerada uma das raças caninas mais genuínas e antigas da Península Ibérica, é dócil, corajoso e um amigo fiel. Na época de invernia em que os rebanhos, na busca de alimento, eram obrigados à prática da transumância para locais a grande distância, o cão da Serra da Estrela era o guardião atento na defesa contra as feras e assaltantes.
            Esta raça apresenta-se ora de pêlo curto, ora comprido, com grande estatura e um peso que oscila entre os 40 e 50 Kg. A cabeça é forte e volumosa e as orelhas pequenas e pendentes. A boca é grande com dentes fortes, o peito é arqueado e o abdómen bem proporcionado à sua corpulência e a cauda é comprida, grossa, formando gancho na ponta. Forte e destemido, é um cão de guarda por excelência.
 
Ovelha, Cabra e Vaca
 
            Por volta de Abril, quando as neves começavam a derreter, os rebanhos iniciavam a subida para a Estrela. Vinham do sopé da Serra, das terras baixas do Norte (Fornos de Algodres, Sátão, Nelas, Gouveia, Arganil, Oliveira do Hospital), da Cova da Beira, do Alentejo e mesmo de zonas fronteiriças espanholas. Com os primeiros ventos frios de Outono os rebanhos desciam até ao Baixo Alentejo (campos de Ourique), campos do Mondego, junto a Coimbra e para as campinas de Idanha.
            Actualmente o efectivo ovino da Estrela já desceu para menos de metade do que era em meados do século. A transumância faz-se em camiões, mas alguns proprietários de São João do Campo e Oliveira do Hospital ainda seguem para o Baixo Mondego, Covilhã ou Nelas. No Verão ainda se sobe ao Montemuro e ao Baixo Douro. A importância da lã como matéria prima esbateu-se. Esteve na origem de importante indústria de lanifícios - manufactura de panos - cujo centro era a Real Fábrica de Panos na Covilhã. O leite de ovelha foi sempre o produto base para o fabrico artesanal do queijo da Serra, parte importante do qual é actualmente produzido em moldes industriais.
 
Javali
 
            Apresentando formas e proporções corporais inconfundíveis, o javali é a espécie de caça maior com a mais ampla representação em Portugal. Podendo atingir 1,70 m de comprimento e 140 Kg de peso, o javali ostenta uma silhueta compacta e poderosa, com membros relativamente curtos e fortes, ausência aparente de pescoço e uma grande cabeça afunilada, que lhe confere um aspecto sólido e resistente, bem complementado por uma pelagem bastante farta e rude, constituída por pêlos mais ou menos compridos (cerdas).
            Nesta espécie, o dimorfismo sexual manifesta-se não só no tamanho e no peso (o macho é maior e mais pesado que a fêmea), mas também por diferenças na própria estrutura óssea, de que ressaltam no macho, entre outros aspectos, a cabeça mais larga e menos afunilada e a existência de caninos ou presas extremamente desenvolvidas que servem principalmente como arma. Estes dentes-navalha (caninos inferiores) e amoladeiras (caninos superiores) constituem o trofeu da caça.
            Tal como o porco doméstico, também o javali é um animal omnívoro. Assim os elementos constituintes da sua dieta são frutos, raízes, bolbos, tubérculos, partes de pequenas plantas, larvas de insectos, pequenos vertebrados (ratos, láparos e lebrachos), ovos e mesmo cadáveres de outros animais. No entanto é de realçar uma preferência nítida por bolotas, castanhas e cereais, o que leva à incompatibilidade com explorações agrícolas, dado o risco de prejuízos de monta para os agricultores.
 
Aves
 
* Melro-de-água
* Perdizes
* Faisões
 
Peixes
 
* Truta arco-íris - As características da água acima dos 1500 metros, nomeadamente as temperaturas baixas e a elevada quantidade de oxigénio dissolvido, são propícias à truta arco-íris. Esta é semelhante à truta do rio, distinguindo-se da mesma principalmente pela coloração e pelas escamas mais pequenas.
* Escalo do Norte (bordalo) - Possui um corpo alongado de cabeça grande com boca relativamente pequena.
 
Répteis
 
* Lagarto-de-água - Encontra-se por todo o Planalto Central mas é mais abundante nas zonas de menor altitude.
* Lagartixa-da-montanha (Lacerta monticola) - Apenas existe no Planalto Central da Serra da Estrela e corresponde a uma população única no mundo, sendo mais abundante nas zonas de maior altitude.
* Cobra austríaca (Coronella austríaca) - Apesar de se tratar de uma cobra rara em Portugal, pode ser encontrada na Serra da Estrela geralmente acima dos 1900 metros de altitude.
 
Anfíbios
 
* Salamandra - Detectável essencialmente à noite quando vai depositar as suas larvas em ribeiros.
* Rã Verde (Rana perezi) - Espécie típica das lagoas, dos charcos e dos ribeiros de correntes fracas.
* Rã Castanha (Rana ibérica) - É um endemismo do Noroeste da Península Ibérica típico dos ribeiros de águas límpidas e correntes fortes.
* Rela - Espécie típica das pequenas lagoas e charcos. Durante a época da reprodução, ao fim do dia e durante a noite, os machos cantam para atrair as fêmeas, formando-se grandes coros (fim da Primavera).
* Sapo - Detecta-se principalmente em terra, debaixo de pedras, deslocando-se à água apenas da reprodução, para aí depositar os seus ovos.
Nas zonas de maior altitude há uma maior abundância do sapo corredor, nas de menor altitude encontra-se mais o sapo comum.
* Tritão-de-ventre-laranja (Triturus boscal) e Tritão-marmorado (Triturus marmoratus) - Encontram-se essencialmente à noite em charcos onde se reproduzem e alimentam.
 
FLORA
 
A elevada altitude faz com que seja um dos locais de maior precipitação do país e condiciona um zonamento bem marcado da vegetação: um andar basal, até aos 900 metros, de influência mediterrânica, caracterizado por um aproveitamento cultural intenso; um andar intermédio, entre os 900 e os 1600 metros de altitude, domínio climático do carvalho negral, de existência residual, encontrando-se manchas de soutos e castinçais, giestais de giestas-brancas, urgueirais de urgueira, piornais de piorno-dos-tintureiros e sargaçais de sargaço, para além das matas artificiais de pinheiro bravo, pseudotsuga, abeto, cedro, larix, acer e cupressus, encontrando-se ainda campos de centeio; finalmente um andar superior, domínio dos zimbrais de zimbro, cervunais de cervum e arrelvados, salientando-se as comunidades rupícolas com grande representação das plantas endémicas e dos orófitos apenas representadas em Portugal na Serra da Estrela, e finalmente as comunidades lacustres das lagoas e charcas da parte superior, onde surgem igualmente algumas raridades.
            No caso da Estrela, as características do relevo bastante dissecto, os pendores muito acentuados e os enormes contrastes da expressão climática ora mediterrânica ora atlântica, retalham as paisagens em fractais e moldam, segundo os andares e exposições, fortes contrastes no manto vegetal.
            A continuada acção humana por seu lado ainda potenciou mais o mosaico ambiental formado de tesselas extremamente miúdas.
            A fragmentação natural e antropogénica das unidades populacionais que incrementa a pressão selectiva, pode de certa maneira explicar a peculiaridade e o interesse florístico da Flora Hermínica que, por especiação biológica, tende a individualizar-se no confronto com floras vizinhas quer do lado da fachada atlântica quer das regiões mais marcadamente continentais e alpinas, do centro da península. 
 
Pinheiro-bravo

O pinhal adquire maior extensão e representatividade na zona serrana, embora se encontre um pouco por todo o território, a maior parte das vezes sob a forma de bosquetes de reduzida dimensão.

 
Carvalho negral (Quercus pyrenaica)
Encontra-se no andar intermédio de vegetação da Serra da estrela desde os 600-800 até aos 1600 metros.
 
Azinheira
Esta quercínea forma um verdadeiro montado, de densidade variável, que se prolonga para Espanha.
 
Antinoria Agrostidea
É um endemismo ibérico e pode ser encontrada por exemplo na Lagoa da Paixão.
 
Cervum seco (Galio-Nardetum)
Podem ser vistos na Nave de Santo António, no Covão do Boi, no Vale do Conde e no Vale de Loriga, assumindo sempre um aspecto verdejante.
 
Cervum húmido (Junco-Sphagnetum compacti)
Encontram-se junto de lagoas como a Comprida.
 
Arrelvados
A degradação dos cervunais devido ao sobrepastoreio favorece a acção da erosão pela água escorrente determinando a abertura de clareiras com uma camada fina de saibro granítico.
 
Zimbro rasteiro (Juniperus communis)
É a planta de maior expansão aqui, devido à facilidade de propagação das suas bagas. Encontra-se no andar superior de vegetação da Serra da Estrela acima dos 1600 metros. Trata-se de um arbusto amoitado, resistente aos fortes ventos, às temperaturas muito baixas, ao gelo e à neve.
 
Teixo (Taxus baccata)
De referir que esta planta deu origem ao nome da Freguesia do Teixoso.
 
Urze (Erica)
Nas encostas serranas dominam as urzes: urze vermelha (Erica australis), urze das vassouras (Erica scoparia), torga (Erica umbellata) e urze branca (Erica arborea).
 
Giesta (Cytisus)
O meio arbustivo tem como denominador comum as giestas, sobretudo a giesteira branca (Cystisus multiflores) e a giesta negral (Cystisus striatus). No entanto é possível detectar diferenças significativas na composição e estrutura destas formações. Para além da densidade, altura e presença ou ausência de afloramentos rochosos no seu seio, é possível identificar determinados padrões que se prendem com a presença ou ausência de espécies. Assim as cistáceas predominam nas áreas mais baixas, xistosas ou sedimentares, enquanto as giestas são mais expressivas em granito.
 
Narcisos (Narcissus bulbocodium)
Com flores brancas, amarelas ou bicolores e fragâncias diversas, os narcisos são utilizados desde há longos anos, como ornamentos. Em Portugal Continental ocorrem quase duas dezenas de espécies de narcissus, ficando situadas as que têm maior procura comercial, na zona da Serra da Estrela: a Narcissus Rupicola (estrelinha), Narcissus asturiensis, Narcissus triandus e a Narcissus bulbocodium (campainhas).
Entre 1986 e 1991, a Holanda importou cerca de 3,5 milhões de bolbos de narcisos provenientes de Portugal. Directamente colhidos na natureza, ainda que ocorram em todo o País, é na Serra da Estrala que estas colheitas se verificam com mais incidência.
 
Fava-de-água (menyanthes trifoliata)
Pode ser encontrada na vegetação flutuante ou marginal das lagoas.
 
Caldoneira (Echinospartum lusitanicum)
Costuma revestir a base e as fissuras dos rochedos ou monólitos.
 
Carqueja (Genista Tridentata)
 
Planta carnívora (Drosera Rotundifolia)
 
Tramazeira (Sorbus aucuparia)
 
 
Turismo e Lazer
 
A Serra da Estrela, ponto mais alto de Portugal Continental, constitui-se num dos últimos destinos turísticos, onde a Natureza, preservada contra todas as tendências devastadoras da sociedade contemporânea, se revela passo a passo, em recantos de espectacular beleza.
            A neve com que se cobre durante parte do ano, permite a realização de actividades únicas em Portugal, tais como Caminhadas na Neve, Escalada em Gelo, Percursos de Mushing, etc.
            Mas a Serra da Estrela não é só neve e desportos de Inverno. Actividades como Passeios Pedestres, de BTT e de Jipe, Paintball, Canoagem, Slide, Rappel, Escalada, Orientação, Caça ao Tesouro e muitas outras, encontram na Serra um local privilegiado durante todo o ano.  
  
 
 
 
ACTIVIDADES SÓCIO-ECONÓMICAS
 
 Actividades Tradicionais:
           
São ainda o pastoreio, a agricultura e a indústria de lanifícios, as actividades tradicionais, que ocupam grande parte da população activa, residente na área do Parque Natural da Serra da Estrela.
           
Produtos regionais:  
          
Para além do mel, do pão de centeio, das mantas de lã, dos enchidos, o Queijo Serra da Estrela é sem dúvida o produto mais famoso, com peso na economia da região.

publicado por Paulo Jesus às 17:20

Setembro 27 2008

Queijo da Serra da Estrela (Denominação de Origem Protegida)

 

Este queijo é o nosso cartão de visita. Já ultrapassou fronteiras. É um queijo com história.
A área geográfica de produção contempla os concelhos de Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia, Manteigas, Oliveira do Hospital, Seia e algumas freguesias dos concelhos da Covilhã, Guarda e Trancoso
Trata-se de um queijo produzido exclusivamente com leite de ovelha da raça Bordaleira, coalhado pela flor do cardo Cinara cardunculus L., planta espontânea característica da nossa Região que tem como finalidade coalhar a massa que dará origem ao Queijo da Serra.
 
Queijo de Castelo Branco (Denominação de Origem protegida)
 
É um queijo curado, de pasta semifina ou semimole, ligeiramente amarelado, com alguns olhos pequenos e obtido por esgotamento lento da coalha, após coagulação do leite cru de ovelha por acção de uma infusão de cardo.
A área geográfica de produção abrange algumas freguesias do concelho do Fundão.
 
Queijo Amarelo da Beira Baixa (Denominação de Origem Protegida)
 
É um queijo curado, de pasta semifina ou semimole, ligeiramente amarelado, com alguns olhos irregulares e obtido por esgotamento lento da coalha, após coagulação do leite cru de ovelha por acção do coalho animal.
 
Queijo Picante da Beira Baixa (Denominação de Origem Protegida)
 
            É um queijo curado, de pasta dura ou semidura, branco sujo a acinzentado, sem olhos ou com pequenos olhos irregulares e obtido por esgotamento lento da coalhada, após coagulação do leite cru de ovelha ou de cabra, estreme ou de mistura, por acção do coalho animal.
 
Borrego Serra da Estrela (Denominação de Origem Protegida)
 
A carne deste Borrego é particularmente macia e saborosa, de paladar muito suave, com gordura intersticial e subcutânea bem distribuída. Também é designada por "borrego de canastra".
A raça Bordaleira da Serra da Estrela tem sido, desde tempos imemoriais, seleccionada para a produção de leite, o qual se utiliza na produção do famoso Queijo da Serra da Estrela. Os borregos surgem como um sub- produto desta actividade principal.
            A vocação desta raça é a produção leiteira.
 
Borrego da Beira (Indicação Geográfica Protegida)
 
O Borrego é pequeno, de carne muito tenra e saborosa devido ao seu maneio em pastoreio extensivo na zona da Beira Interior. A carne é rosa com sabor e cheiro característico a leite. Devido às suas particularidades também é conhecido por "borrego de canastra" ou "borrego de leite" (o leite constitui o seu único alimento). É produzido nos concelhos de Pinhel, Almeida, Belmonte, Fundão, Penamacor algumas freguesias dos concelhos de Trancoso, Guarda e Covilhã.
 
Cabrito da Beira (Indicação Geográfica Protegida)
        
Carne de cor rosa-pálida, decorrente da sua alimentação quase exclusiva de leite materno. A carne é muito tenra, clara e de gosto suave aleitado.
Estes animais resultam de um sistema de exploração da raça caprina baseada no pastoreio extensivo, onde é vulgar encontrar um pastor acompanhado de 2 a 4 cães, guardando rebanhos, e na produção de leite para fabrico do queijo.
 
 
Azeites da Beira Interior (Denominação de Origem Protegida)
 
"O azeite da Beira Baixa tem uma coloração amarela clara levemente esverdeada, com aroma "sui generis" e um sabor a fruto ".
A área geográfica limita-se aos concelhos da Covilhã, Belmonte, Fundão, Penamacor.
" O azeite da Beira Alta tem coloração amarela levemente esverdeada com aroma "sui generis" e um sabor a fruto".
 
VINHOS
 
Na Região de Turismo da Serra da Estrela inserem-se duas importantes Regiões Demarcadas: Região Demarcada dos Vinhos Dão com duas sub-regiões – Serra da Estrela e Alva- e a Região Beira Interior com duas sub-regiões da Cova da Beira e de Pinhel.
 
 
Cereja da Cova da Beira (Indicação Geográfica Protegida)
 
 
A cereja produzida na região do Fundão, berço da Cova da Beira, sempre foi conhecida pela sua qualidade.
 
 
Maçã da Cova da Beira ( Indicação Geográfica Protegida)
 
As variedades existentes em maior quantidade são a Golden delicious, Red delicious e Jersey Mac. As características destas variedades distinguem-se das suas similares, produzidas noutras regiões, pelo sabor característico resultante das
 
Pêssego da Cova da Beira
 
A Cova da Beira é uma depressão geográfica, onde corre o rio Zêzere, entalada entre as Serras da Estrela e da Gardunha, em zona protegida dos ventos atlânticos, com condições climáticas únicas o que lhe confere características próprias.
 
Outros Produtos de Qualidade
 
Enchidos
 
A partir de meados de Novembro e até Janeiro ocorre a tradicional MATANÇA DO PORCO. Nesse dia, as famílias reúnem-se, logo pela manhã. É-lhes oferecido um bom pequeno almoço, constituído por presunto, chouriço, salpicão, chouriça de carnes e de bofes (miúdos do porco- coração, rins e pulmões). Estes produtos pertencem à matança do ano anterior.
Seguidamente, procede-se à matança do porco- coloca-se o animal em cima de um banco de madeira, à medida do animal, na ponta do banco existe uma racha para prender a cabeça do porco.
Mas as primeiras tarefas estão ligadas aos enchidos: fazem-se as farinheiras, as chouriças, as morcelas, o salpicão e o bucho.
 
Presunto
 
Para conservar a carne de porco de modo a poder ser consumida muito depois da matança, recorreu-se desde sempre à salga e ao fumeiro.
O apetitoso presunto não é mais do que a perna de porco que, depois de salgada ao longo de vários meses, é bem lavada em água corrente para lhe retirar o sal e coberta depois com uma pasta protectora essencialmente à base de colorau e azeite.
Segue-se então o processo de secagem, que poderá ser em fumeiro ou em local frio.
O frio e a humidade desempenham um papel primordial na qualidade do presunto.
 
Pão Centeio do Sabugueiro
 
            O Pão Centeio do Sabugueiro é único na Região. O seu sabor depende de factores tão básicos como o tipo de farinha, o forno e o processo de fabrico. E foi partindo da aldeia do "Sabugueiro", que, ao longo dos anos entrou no rol dos mais genuínos produtos turísticos;
            Aproveitando a farinha de centeio da Região, o "saber-fazer" da família, com técnicas artesanais e aquecimento a lenha em fornos feitos de tijolo, foi garantindo a qualidade de um produto de excelente qualidade, apelidado mesmo de "produto de luxo".
 
 
Broa Serrana
 
O que torna a broa serrana tão particular é o facto de ser a que contém mais elevada percentagem de milho (95% só com 5% de trigo).
 
Requeijão
 
O requeijão resulta do aproveitamento do soro, isto é, o excedente que se escoa do acincho durante a feitura do Queijo da Serra. É em seguida fervido, de onde se obtém uma massa pastosa, a que é dada a sua forma característica, depois de ser comprimida em açafates de fina verga.
É um alimento com alto valor nutritivo, a que a tradição local atribuiu até poderes terapêuticos e de fortalecimento.
 
Castanha
 
É nas terras frias que surgem os castanheiros. "Árvore do pão", assim era conhecida; nos tempos de crise, as castanhas tornavam-se num alimento rico (caldudo).
As castanhas, quentes e boas, apetecem nos dias frios da nossa Região. Este fruto gera a criação de diversos pratos (sopa, puré, estufadas, assadas, cozidas).
 
Mel Serra da Estrela
 
O mel Serra da Estrela tem, em regra geral, um aroma forte, persistente (característico da urze), espesso com um paladar adstringente e macio como o mel de rosmaninho. Este obteve durante o corrente ano medalhas (prata e bronze) em Concursos Internacionais de Mel.
 
ENTRADAS
 
Xerovias Fritas
A Xerovia é uma raiz que se cultiva nesta zona do país, e tem a forma de uma cenoura e a cor do nabo. O seu sabor é uma mistura de ambos os legumes, mas mais acentuado e até adocicado. É um sabor único e extremamente agradável, podendo ser servido como entrada ou como acompanhamento de um prato de peixe.
Dadas as suas características, devem ser cozidas em água e sal e cortadas em fatias finas, no sentido longitudinal, temperando-se com sal e sumo de limão.
Em seguida, passam-se por um polme, feito com ovo e farinha, fritas em azeite ou óleo e servem-se.
 
Grelos à Pastor
 
Os Grelos à Pastor fizeram parte da ementa daqueles que durante anos e anos se dedicaram quase exclusivamente à pastorícia, e que passavam muitos dias fora de casa. Então impunha-se que levassem com eles produtos de fácil transporte e confecção: os enchidos. Assim, juntaram-se os grelos de nabo, batatas, regados com um bom azeite, e estava preparada uma excelente refeição quente (grelos de nabo, chouriço, morcela, farinheiro, ovo, batata, sal e azeite).
 
Míscaros
 
Durante o mês de Outubro é costume ir apanhar castanhas. Ao passarem pelas matas, as pessoas colhem os Míscaros, aproveitando–os para confeccionarem diversos pratos, como por exemplo o Ensopado de Míscaros de Trancoso.
 
Torresmos
 
Ainda hoje, em qualquer altura do ano, pode provar este prato.
Corta-se a carne de porco, ou da entremeada ou da pá, em quadrados. Adiciona-se vinho tinto, sal, alho, louro, colorau e piri-piri. Unta-se uma frigideira com azeite ou banha e deitam-se todos os ingredientes deixando fritar.
Os Torresmos servem-se frios.
 
ENTRADA DE ENCHIDOS
 
Morcela da Guarda
 
 
Morcela de sangue é tradicional da cidade dos 5 "efes" (Guarda), e leva: sangria de porco; tripas grossas (intestino grosso) de porco; pão saloio assente; cominhos; sal; gorduras derretidas e salsa picada. A tripa é fechada e atada com um fio. Depois é submetida a uma leve cozedura.
Para confeccionar a Morcela deve dar-se-lhe uma cozedura e depois tostá-la. Deve ser acompanhada com batatas cozidas e grelos.
A Morcela só se faz durante a época de Inverno.
 
Morcela para Todo o Ano
 
São morcelas da zona raiana, a norte da Região. São compostas por sangue de porco; gordura; abóbora; salsa e sal. Depois de prontas, vão para o fumeiro e podem ser apreciadas ao longo de todo o ano.
 
Farinheiros
 
Mais um derivado da matança do porco. Confeccionam-se da seguinte forma: Miga-se o pão(assente); na água de cozer os ossos do porco amolece-se o pão; junta-se gordura derretida com colorau; mistura-se tudo. Lavam-se em água quente e de seguida vão para o fumeiro.
 
Farinheira com Míscaros
 
Especialidade outonal, este prato, rico e substancial é totalmente confeccionado com produtos da Região: farinheira, míscaros, alho, azeite, bacon, broa de milho, ovos e salsa.
 
Farinheira de Gouveia com Ovo
 
Este prato é composto por farinheira, das freguesias de Gouveia, frita e acompanhada com ovo estrelado, batatas fritas e arroz.
 
Farinheiros de Todo o Ano
 
Este é um enchido típico da parte norte da região da raia. Os mesmos ingredientes que o farinheiro, apenas se acrescenta a abóbora e erva de anis. 
 
Migas de Farinheiro
 
No dia em que se faziam os enchidos, era dia de festa, para os criados da casa. Os ingredientes que sobravam dos enchidos que entregavam aos senhores eram todos misturados e faziam assim as Migas.
Este prato é confeccionado numa panela de ferro, contendo: sêmea com 4 dias, azeite, sal, colorau pimentão, ossos da espinha salgados, frango e coelho.
 
Prova de Chouriças
 
Ingredientes das chouriças: pá de porco, alho, sal, vinho branco, pimento doce, água, colorau e limão.
 
Chouriças de Bofe
 
São feitas para aproveitar o bofe, coração, o bucho e carnes ensanguentadas da cabeça, espinhela e pescoço do porco.
Migam-se estas carnes, adicionando os condimentos das chouriças (sal; pimentão; água e vinho branco).
 
Bucho Recheado
 
            O bucho é o estômago do porco que, depois de bem lavado em várias águas com limão, sal e vinagre, é trabalhado e preparado para cozinhar.
Este é típico da zona sul da Região e é recheado com: vinho branco, dentes de alho, salsa, carne de porco (cabeça de lombo), banha, cebolas, manteiga ou margarina, pão ralado, limão, ovos, pimenta em pó, grãos de pimenta, cravinho e sal.
 
Bucho
 
As grandes fogueiras vão temperando de sabores beirões os enchidos, como é o caso do bucho da parte norte da Região. Prato especial da época do Carnaval, composto por chispe, orelha, focinho, rabo, ossos tenros da parte do peito temperados com água, sal, alho, pimentão doce e pimentão picante. Serve-se cozido com batatas e grelos.
 
Maranhos ou Borlhões
 
Prato típico da zona sul desta Região de Turismo. Antigamente este prato era confeccionado apenas em dias festivos, hoje em dia confecciona-se durante todo o ano.
Miga-se a carne de cabrito, porco, chouriço caseiro e presunto. Depois junta-se o arroz. Tempera-se com sal, azeite, colorau e bastante serpão.
Após estar tudo misturado, introduz-se no saco do bucho, é cozido deixando apenas um pequeno orifício. De seguida, vai ao lume durante, pelo menos, 1 hora.
 
Serrabulho à Moda da Beira
 
Tipicamente beirão este prato é composto por: lombo, sangue cozido, fígado, unto (gorduras da barriga) de porco, pão de trigo, sal pimenta, alho, louro, cominhos, colorau e vinho tinto.
 
SOPAS
 
Pastel de Molho da Covilhã
 
Nos anos 20, os empregados fabris não tinham tempo para fazer sopa e então substituíram-na por estes pastéis, uma vez que despendiam muito menos tempo a confeccioná-los, aguentando durante várias semanas, o que não sucede com a sopa. O Pastel de Molho era e continua a ser servido com molho de açafrão. Prepara-se da seguinte forma: põe-se água a ferver com sal, vinagre, açafrão e um ramo de salsa; coloca-se o Pastel num prato, deitando a calda por cima, tapa-se com outro prato e aguarda-se um pouco (para "abrir"); o Pastel de Molho "abre", fortalecendo a refeição. O Pastel é composto por uma massa de margarina ou banha de porco, sal, farinha e recheado com carne picada guisada (cebola, louro e sal).
Para além de poder ser servido com molho de açafrão ou chá preto, pode ainda ser comido apenas como Pastel.
Este Pastel seco é feito com massa folhada cortada em tirinhas, que se enrolam em forma de espiral, dobrando uma das pontas do pastel para rechear com carne de vaca refogada.
Para provar este delicioso Pastel terá que se deslocar à cidade da Covilhã, uma vez que só aqui é confeccionado.
  
Caldo de Grão à Moda da Guarda
 
Prato forte e apetitoso, o tradicional Caldo de Grão que é comido na noite de S. João.
É composto por grão de bico, carnes (pé de porco, barriga e orelha de porco); louro; cebola; azeite; alho; noz moscada; presunto; molho de soja e massas.
 
Sopa da Beira
 
Este prato regional é confeccionado à base de tudo o que o homem destas paragens produzia. Terra de fracos recursos, cercada de montanha, onde tudo tardava em chegar, as gentes destas terras comiam o que produziam. Assim, nada melhor que uma substancial Sopa de feijão e couves com os seguintes ingredientes: batata; feijão vermelho; cenoura; cebola; couve lombarda; azeite e sal.
 
Caldo Verde com Bagudos
 
Sendo o caldo verde uma das sopas mais apreciadas em todo o país, esta é uma variante em que o feijão bagudo (feijão ainda verde) lhe confere um paladar particular.
 
Sopa da Beira Baixa
 
Feita nas aldeias mais escondidas da Beira Baixa, na lareira, numa panela de ferro, em pleno Inverno, enquanto se faziam as brasas para se aquecerem ( repolho; feijão encarnado; azeite; fatias de pão centeio; ovos; batata).
 
PEIXES
 
Trutas à Moda de Manteigas
 
As Trutas à Moda de Manteigas surgiram quando os pastores desta Região apanhavam, nas águas do Rio Zêzere, belíssimas trutas, preparando-as de seguida, enquanto guardavam o seu rebanho.
Para preparar este prato, são necessários os seguintes ingredientes: trutas; leite; manteiga; salsa; farinha; sal e pimenta.
 
 
Trutas Recheadas com Presunto
 
A truta é limpa com sal, aberta ao meio e recheada com uma fatia de presunto da Região. Depois é grelhada, levando um molho de sumo de limão, manteiga e salsa picada.
Peixe do Rio
 
Nas margens do rio Alva era hábito as pessoas irem até à ponte das três entradas e, nos caminhos velhos que nos levam até às margens do rio, pescar peixinhos do rio. Assim sendo, nasceu esta tradição na Região. O peixe que se encontra nos seus rios é a truta e o peixinho do rio. Estes são muito saborosos, cozinhados com óleo, vinagre, cebola, alho, louro e colorau.
 
Bacalhau à Lagareiro
 
Nos lagares de azeite dos nossos antepassados, onde se moíam as azeitonas para fazer o azeite, fazia-se a prova do mesmo nos moinhos movidos a água dos rios. Para provarem o azeite, assavam as batatas e o bacalhau no borralho do lume (postas de bacalhau demolhado, batatas miúdas a murro, azeite, cebola cortada às meias luas, dentes de alho, azeitonas e ovo cozido). Assim nasceu este famoso prato de bacalhau.
 
Bacalhau com Broa
 
Ligando o bacalhau aos produtos da Região, nasceu a tão apreciada combinação do bacalhau com a broa.
Na sua confecção utiliza-se posta de bacalhau demolhado, miolo de broa, cebola grande, dentes de alho, azeite virgem, pimenta e sal.
 
Bacalhau à Conde da Guarda
 
Segundo consta, foi alguém que pretendeu dar prestigio à criação desta receita e decidiu apelidá-lo de Conde da Guarda, pois criava uma certa curiosidade em relação a este nome (bacalhau; manteiga ou margarina; batatas; cebolas; dentes de alho; natas; queijo ralado; sal e pimenta).
 
Bacalhau à Assis
 
Esta receita foi criada há alguns anos pelo dono de uma pensão, que, surpreendido, na Serra da Estrela, por um nevão, teve que disponibilizar os últimos alimentos que lhe restavam, para saciar os hóspedes: bacalhau; batata; cenouras; cebola; azeite; presunto; pimento morrone; ovos; salsa e óleo.
 
Migas de Grão de Alpedrinha
 
Prato típico de Alpedrinha, confeccionado com azeite da sua terra, grão, bacalhau e cebola.
Tiborna
 
Tiborna significa azeite novo, o que implica que só se pode comer durante a apanha da azeitona, ou seja, quando o azeite é novo. Coincidindo com a época natalícia, este é o prato típico da ceia de Natal (couve de corte; bacalhau; batata cozida e azeite novo). Fora desta época já não há azeite novo nem couve de corte. Então, deixa de ter a designação de Tiborna, passando apenas a ser bacalhau com todos.
Este prato é típico da zona de Oliveira do Hospital.
 
CARNES
 
Panela no Forno
 
Este é um prato típico da Covilhã, só nesta região se pode apreciar este manjar. A Panela no Forno é um prato muito ligado à cozinha operária (a Covilhã foi sempre uma cidade ligada aos lanifícios), que por uma questão de economia, teve a tendência de aproveitar as partes pobres do porco. O resultado foi a criação de um prato extremamente, apaladado em que os sabores vêm da diversidade das várias carnes e ervas.
É composto pelos seguintes ingredientes: dobrada, carnes de porco (pé de porco, orelheira e toucinho entremeado), ervas aromáticas, serpão, hortelã, tomilho, louro, salsa, chouriços, farinheiras e morcelas.
 
Cabrito na Telha
 
A telha, dita "caleira", era utilizada como travessa pelos mais pobres e servia, ao mesmo tempo, para conservar o tempero do preparado do cabrito de leite confeccionado com azeite, vinagre, sal, salsa e picante.
 
Feijoada de Cabritinho com Grelos
 
Este prato é uma criação da Sr.ª D. Maria João ferreira Pinto. Recorreu aos produtos da Região e criou este delicioso prato.São necessários os seguintes ingredientes: cabrito pequeno, feijão vermelho, azeite, alhos, cebola, tomate concentrado, louro, tomilho, sal e vinho tinto.
 
Cabrito em Brasa de Azinho
 
Das boas pastagens da Beira Alta, o cabrito apenas com sal e com um corte especial é assado em lenha de azinho, que é o segredo do seu paladar tenro e suculento.
 
Cabrito à Serrana
 
Um dos mais típicos pratos da Serra da Estrela, este é o famoso Cabrito Assado no Forno. O que faz a diferença é de ser o Cabrito da Serra da Estrela que, como é sabido, é o cabrito mais saboroso do País, devido aos pastos de que dispõe.
Cabrito, cebolas, sal, azeite, pimenta, uma pitada de noz moscada, vinho tinto.
 
Caldeirada de Cabrito
 
Este é mais um dos tão apreciados pratos de cabrito. É composto por camadas alternadas de batata, cabrito, tomate, pimento vermelho e cebola.
Ingredientes: cabrito, batata, pimento, cebola, azeite, tomate pelado salsa, vinho branco, outra bebida para dar sabor, alho, piri-piri e sal.
 
Feijoca à Senhora do Monte
        
A feijoca é cultivada nesta Região e é um prato muito forte e de grande alimento, próprio para combater o frio.
Feijocas; chispe de porco; orelha de porco; entrecosto; cebola; tomate; cenoura; dentes de alho; chouriço de carne; dobrada; morcela; azeite; sal e piri-piri.
 
Grão de Bico à Moda da Arrifana
 
Um bom regenerador de forças, o Grão de Bico é confeccionado com carne de porco e vitela, enchidos da Região, salpicados de laranja e acompanhado com arroz.
 
Arroz de Carqueja
 
Trata-se de um prato muito antigo da Gastronomia da Serra da Estrela e que nos últimos anos tem sido objecto de um grande relançamento. É evidente que a Carqueja é o ingrediente mais forte para o sabor deste prato.
Ingredientes: Entrecosto cortado fino, cebolas, dentes de alho, sal, pimenta, vinho tinto e branco, arroz agulha, azeite e água de carqueja.
 
Chispe à Moda de Trancoso
 
Prato muito apreciado na zona de Trancoso. Da carne de porco surge este prato de chispe com ovos, azeite, sal e alho.
 
Febras à Moda da Feira
 
Prato tradicional confeccionado na Região em dias de festa ou feira. Ingredientes: febra, batata, pimentão, azeite, sal, alho, vinho tinto.
 
PRATOS DE CAÇA

 
Javali à Caçador
 
            António Cleópatra, quando andava pelas suas propriedades, viu um caçador com um javali na carroça, e logo perguntou se o queria vender. De seguida convidou o caçador a cozinhar o javali para uma festa que ele ia dar na sua propriedade.
O nome que António Cleópatra deu àquele cozinhado perante os seus convidados foi "javali à caçador".
            Foram utilizados os seguintes ingredientes: javali, vinho branco, concentrado de tomate, cogumelos, folhas de louro, estragão picado, cebolas picadas, chouriço de carne às rodelas, brandy, gotas de vinagre, cerveja preta, sal e pimenta.
 
Javali com Feijão
 
            Este é mais um prato suculento e consistente da Região da Serra da Estrela.
Ingredientes: javali, feijão, cebola, azeite, sal, pimento, noz moscada, colorau e cerveja preta.
 
 
Coelho Grelhado com Alecrim e Carqueja
 
E o coelho, de repente, escondeu-se debaixo da carqueja, na altura das sementeiras; foi, então, rodeado pelos cavadores, que depressa chamaram o ganhão (pessoa que ia à frente do gado durante o lavrar da terra). Sem um tiro nem uma paulada, o coelho depressa passou para a fogueira juntando-se à carqueja e adicionando alecrim e outras ervas.
Ingredientes: coelho, carqueja, dentes de alho, folhas de louro, azeite, sal, pimenta e alecrim.
publicado por Paulo Jesus às 16:20

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