"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

Março 11 2016

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publicado por Paulo Jesus às 17:16

Março 11 2016

1º Senhor da Covilhã

Infante D. Henrique (1415 – 1460)

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A 2 de Setembro de 1415, no seguimento da Conquista de Ceuta, o Infante D. Henrique recebeu de seu pai, o título de Senhor da Covilhã e a sua Alcaidaria-mor, conjuntamente com o Ducado de Viseu.

Nasceu no Porto em 1394, vindo a falecer em Sagres no ano de 1460. A partir de 1420 torna-se Regedor e Governador da Ordem de Cristo, passando a dispor de valiosos recursos e a deter enormes responsabilidades.

A sua Casa Senhorial possuía, entre os seus servidores, 36 indivíduos da Beira Baixa, dos quais 20 eram navegadores e destes, 9 eram da Covilhã. Não será ainda de descurar o valor geoestratégico que a Covilhã viria a ganhar no quadro regional, enquanto guardiã da Beira Alta e traço de união entre as duas Beiras.

Na Covilhã, e de acordo com a tradição, D. Henrique fundou a Capela de Santa Cruz que mais tarde viria a ser reconstruída pelo Infante D. Luís.

 

 

2º Senhor da Covilhã

D. Fernando (1460 – 1470)

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A 13 de Novembro de 1460 recebe o Senhorio da Covilhã, após a morte de seu tio, o Infante D. Henrique. Filho do Rei D. Duarte e da rainha D. Leonor de Aragão nasceu em 1433, em Almeirim, vindo a falecer em 1470 em Setúbal. Aventureiro, saiu secretamente de Portugal em 1452, sendo o seu navio impedido de atravessar o Estreito de Gibraltar. Participou ao lado do Rei na conquista de Alcácer Ceguer e arrasou a cidade de Anafé em 1468.

Por ter sido adotado pelo seu tio, o Infante D. Henrique, torna-se num dos senhores mais poderosos de Portugal. Foi o 1º Duque de Beja e o 2º de Viseu, Condestável do Reino, Governador das Ordens de Cristo e São Tiago, teve os Senhorios da Covilhã, Beja, Moura, Serpa e Lagos.

No território da Covilhã, teve ainda a administração dos bens do Mestrado de Cristo e fundou a ferraria do Teixoso, para a qual alcançou privilégio de não pagar qualquer imposto.

 

 

 

3º Senhor da Covilhã

D. João (1470 – 1472)

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A 18 de Setembro de 1470 morre o Infante D. Fernando, sucedendo-lhe, no Senhorio da Covilhã, o seu filho D. João. Herdou os títulos de seu pai, tornando-se, para além de 3º Senhor da Covilhã, 3º Duque de Viseu, 2º Duque de Beja e 2º Senhor de Moura. À semelhança de D. Fernando teve os cargos de Mestre da Ordem de Cristo e da Ordem de Santiago, tornando-se no 7º Condestável de Portugal.

Em Julho de 1472, o Rei Afonso V, seu tio, concedeu-lhe a cidade marroquina de Anafé.

O Senhorio de D. João foi curto, visto este ter morrido jovem, solteiro e sem descendência.

Teve como sucessor o seu irmão, o Infante Diogo.

 

 

4º Senhor da Covilhã

D. Diogo (1472 – 1484)

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A 30 de Junho de 1472, é emitida uma carta régia pela qual D. Afonso V autoriza o Infante D. Diogo a suceder, no Senhorio da Covilhã, ao Infante D. João, que morrera prematuramente.

D. Diogo, para além dos cargos e mercês herdados do irmão D. João, foi ainda agraciado por Afonso V com os cargos de condestável do Reino e Governador da Ordem de Cristo.

Era detentor de grande influência pelo poder que possuía e por ser cunhado do futuro Rei D. João II.

Eleito líder dos revoltosos, devido à política centralizadora do Monarca, preparou uma conspiração para assassinar D. João II e o príncipe herdeiro, o que lhe permitiria depois subir ao trono.

Tendo o Rei conhecimento desta conjura e, atraindo D. Diogo a Palmela, aí o apunhalou a 27 de Agosto de 1484.

 

 

 

5º Senhor da Covilhã

D. Manuel (1484 – 1521)

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Após a morte de D. Diogo, o Senhorio da Covilhã foi entregue a seu irmão, futuro rei D. Manuel I. O Venturoso nasceu em Alcochete em 1469, vindo a falecer em Lisboa em 1521, era o nono filho do Infante D. Fernando. Feito filho adotivo por D. João II e após a morte do Infante D. Afonso, em 1491, alcançou a grande meta dos Descobrimentos: a Viagem, à Índia.

Depois de ter recebido em 1484 o Senhorio da Covilhã e Vila Viçosa. O Governo da Ordem de Cristo e a investidura nos ducados de Beja e Viseu, recebeu os cargos de Fronteiro-mor das comarcas de entre Tejo e Guadiana. Além do Guadiana e do Reino do Algarve, de Condestável do Reino das saboarias da coroa, do Senhorio das Ilhas da Madeira, Cabo Verde, Açores, Guarda, Gouveia, dos Castelos de Tavira e Portel. Na Covilhã, para além do referido Senhorio, confirmado em 28 de Maio de 1489, teve ainda a administração de todos os bens do Mestrado de Cristo e a confirmação de privilégios que D. Fernando conseguira para a ferraria do Teixoso. É este monarca que atribui à Covilhã, a 1 de Junho de 1510, o 2º Foral.

 

 

6º Senhor da Covilhã

D. Luís (1521 – 1555)

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A 5 de Agosto de 1527 é confirmado, por D. João III, ao Infante D. Luís, seu irmão, o Senhorio da Covilhã. Este nasceu, em Abrantes, a 3 de Março de 1506, sendo filho de D. Manuel I e da sua segunda esposa, D. Maria de Castela. Veio a alcançar grande notabilidade no seu tempo, como diplomata, cultor das artes e das ciências. Da sua relação com a Covilhã destaca-se o facto de ter aqui residido durante alguns períodos de tempo. Ofereceu à Covilhã uma custódia/relicário com uma relíquia do Santo Lenho tendo, segundo a tradição, refundado a Capela de Santa Cruz.

Para além de Senhor da Covilhã, foi duque de Beja, condestável do Reino, fronteiro-mor da comarca de Entre Tejo e Guadiana, Senhor de Ceuta e das vilas de Seia, Salvaterra de Magos, Almada, Moura, Serpa e Marvão e do Concelho de Lafões e Besteiros e, ainda administrador do Priorado do Crato e da Ordem de Malta. Foi pai de D. António Prior do Crato.

Video elaborado por José Pereira Santos in
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publicado por Paulo Jesus às 17:08

Fevereiro 12 2016

Infante D. Henrique

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Zuraca, in crónicas da conquista de Ceuta

 

D. Henrique será senhor da Covilhã – “pela grandeza do trabalho que filhou em todos estes feitos assim na armação que fez no Porto, como no trabalho e perigo que houve no dia que filhamos a cidade”

 

Porto, 1349-1460 (?)

«O Senhor da Covilhã»

 

Aquele que é considerado o iniciador da expansão marítima portuguesa teve também premonitoriamente como seu primeiro título nobiliárquico o de «Senhor da Covilhã». Esta terra da Serra da Estrela é-lhe doada em Tavira pelo pai, Rei D. João I. Esta doação acontece após a também primeira conquista portuguesa conseguida além-mar, neste caso, a grande porta entre o Atlântico e o Mediterrâneo; Ceuta (1415). O Infante tinha apenas 21 anos.

O avanço para esta cidade africana significa a génese de uma grande epopeia que levou uma forma de civilização e de cultura aos cinco continentes.

Depois de Ceuta, dá-se o descobrimento do arquipélago da Madeira (1419-1420), as expedições militares portuguesas ao das Canárias (1424), a redescoberta dos Açores (1427). Sob o comando do Infante, a saga continua agora em 1434 quando Gil Eanes dobra o Cabo Bojador e em 1436 com o atingir do rio do Ouro. Em 1440, é nomeado pelo rei D. Afonso V, fronteiro mor da Beira, o que inclui toda a Serra da Estrela. Em 1441, é atingido o Cabo Branco e em 1444, o Cabo Verde. Em 1460, ano da sua morte, são atingidas as ilhas de Cabo Verde e na costa africana, a Serra Leo.

O Senhorio da Covilhã é criado em 1415 pela primeira vez por D. João I, para ser doado ao Infante. A partir daí e até à sua morte, D. Henrique constituirá uma enorme e poderosa casa senhorial englobando toda a atual região da Serra da Estrela. Como outros decisivos vultos das navegações que lhe seguiram, ficou o nome do Infante para sempre ligado a estas terras.

 

 

PÊRO DA COVILHÃ

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(Covilhã, 1450 a 55 – ETIÓPIA, cerca de 1530)

 

A Imagem da aventura portuguesa

 

Primeiro grande explorador europeu das Costas da Arábia, da Índia e Oriental de África, fê-lo cumprido ordens do rei D. João II no sentido de preparar a viagem de Vasco da Gama.

Contemporâneo de Cabral, era natural da cidade da Covilhã na altura vila, situada a 20 Km, de Belmonte.

Pêro da Covilhã é o símbolo e expoente da aventura que representou a expansão quinhentista.

Partiu muito jovem para Castela e cerca de 1467-68 (data do nascimento de Cabral) estava ao serviço do Duque de Medina Sidónia como moço de esporas, terá sido em Sevilha que aprendeu a língua árabe.

Cerca de 1475, é cedido como escudeiro ao rei D. Afonso V de Portugal, que assim o admitiu na casa real. Nesta qualidade participa na batalha de Toro, apoiando a pretensão do rei português ao trono de Castela. Em 1481, passa a servir D. João II que utiliza as suas aptidões com as armas e a fluência da língua castelhana. No início de 1487, o rei acreditava numa passagem de Sueste que permitiria a ligação entre o mar Oceano (o Atlântico) e o Índico. O objetivo era as naus portuguesas pudessem aportar à Índia e aos centros das especiarias.

Para Concretizar essa determinação, D. João II envia a Bartolomeu Dias para atingir essa passagem, via Costa Ocidental africana. Simultaneamente, incumbe Pêro da Covilhã (e Afonso de Paiva) de recolher informações sobre a Costa Oriental de África, o reino custão de Preste João e a Índia. A tarefa concreta de Pêro da Covilhã era a de uma passagem entre o Índico e o Atlântico; reconhecer as margens do Índico; identificar as zonas produtoras das especiarias (pimenta, cravo e canela) e os seus principais centros produtores e finalmente conhecer as principais redes comerciais de Oriente. Assim, Pêro da Covilhã parte em 1487 para Valência e Barcelona (Espanha). Daqui navega para Nápoles (Itália).

Passa à ilha de Rodes (Grécia) e a Alexandria e Cairo (Egito).

Disfarçado (falava árabe), integra uma caravana muçulmana que se destinava à Arábia. Passa para o porto africano de Suaquém (no mar vermelho) e chega à costa da Arábia em Aden. Até ao princípio de 1499, Pêro da Covilhã visita a costa ocidental da Índia (Cananor, Calecute e Goa) e Ormuz, no golfo Pérsico.

Concluída a missão de espionagem económica na Ásia, o escudeiro visita toda a costa africana entre Zeila (no golfo de Aden) e Sofala (na costa de Moçambique).

Regressou ao Cairo em 1491. Aí encontra novos emissários de D. João II a quem transmite os dados recolhidos e a quem informa que os navios portugueses que entravam no Atlântico sul poderiam dirigir-se ao Índico, atingir Sofala ou a ilha de Madagáscar e daí passar às importantes cidades das especiarias na Índia. Após entregar a carta para D. João II, Pêro da Covilhã segue para Ormuz com um dos emissários do rei (o rabino judeu Abraão) visitando Jeddah (na costa da Arábia) e as cidades santas do Islão, Meca e Medina. Daí, prossegue para o Monte Sinai e no final de 1492 (ou início de 93) inicia a visita ao reino do Preste João: a Etiópia, em África.

As informações que enviou foram determinantes para a certeira viagem em que Vasco da Gama descobre o Caminho Marítimo para Índia. O próprio Camões, nos Lusíadas, considerou as viagens de Pêro da Covilhã o facto capital do reinado de D. João II.

Pêro da Covilhã tornou-se assim um dos iniciadores decisivos para presença portuguesa no mundo; primeiro explorador europeu das costas da Índia e África Oriental; contribuidor para a descoberta do caminho marítimo para a Índia; iniciador das relações mais fáceis entre a Europa e o Oriente; iniciador do relacionamento com o reino cristão do oriente africano (a Etiópia e o Preste João.

 

CAMÕES

Sobre Pêro da Covihã

 

Viram gentes incógnitas e estranhas

Da Índia, da Carmânia e Gedrosia

Vendo vários costumes, várias manhas,

Que cada região produz e cria,

Mas de vias tão ásperas, tamanhas

Tornar-se facilmente não podia,

Lá morreram, enfim, e lá ficaram,

Que à desejada Pátria não tornaram.

Lusíadas in Canto IV

 

 

Mestre José Vizinho

Navegação Astronómica

 

A grande invenção do séc. XV foi a descoberta da navegação astronómica.

 

Logo na fase inicial da expansão marítima portuguesa acontece a exploração progressiva da costa ocidental africana em direção ao sul. Com a aproximação da linha do equador, o habitual modo de orientação dos navios através da estrela polar, deixava de ser aplicável. Torna-se fácil imaginar a dificuldade de orientação de uma nau em pleno Atlântico, sem vista de terra, sem as referências estrelares já conhecidas, em latitudes nunca antes atingidas. A fase decisiva do início das grandes navegações teve de passar pelo avanço da ciência náutica. D. João II mandou então seus cosmógrafos tentar descobrir um método eficaz para determinar as latitudes em qualquer ponto do mar.

O judeu covilhanense José Vizinho, também médico do rei, foi o responsável pela original aplicação de um método que desde o séc. XIII tinha sido estudado na escola astronómica de Toledo.

José Vizinho, parte para sul ao longo da costa de África até latitudes próximas do equador. A latitude podia ser determinada a partir da medição da altura do Sol na sua passagem pelo meridiano do lugar; uma vez conhecida a declinação do Sol na sua passagem pelo meridiano do lugar e também a declinação deste no dia de observação, para medir a sua altura, adaptou-se o astrolábio. Estas experimentações acontecem em 1485 e revolucionam completamente a possibilidade de orientação marítima, tornando possível a qualquer nau estar em qualquer ponto dos hemisférios norte ou sul. Passam também a revelar Portugal com uma supremacia total, que a própria Espanha reconhecia, no que respeita à ciência náutica, à prática de navegar e ao conhecimento da geografia.

Mestre José Vizinho, originário da importante comunidade judaica da Covilhã, cidade estabelecida no sopé da Serra da Estrela, estudou em Salamanca onde foi aluno do professor de Astronomia Abraão Zacuto. Daí também a sua grande preparação científica e o ser escolhido como cosmógrafo por D. João II.

Zacuto, expulso de Espanha pela ação do inquisidor Torquemada, emigra para Lisboa e publica em 1496 o «Almanach Perpetum Celestium Motuum». Este foi um dos 4 primeiros livros publicados em Portugal após a invenção da imprensa e a primeira a utilizar os tipos soltos do sistema Gutemberg. Essa obra foi editada e traduzida de hebreu para latim e castelhano por José Vizinho, que já conhecia as tabelas solares manuscritas, desde 1483. As tabelas de declinação do sol aí descritas eram usadas pelos capitães e pilotos nas suas naus.

Cristóvão Colombo, amigo do cosmógrafo, nas notas da sua viagem para a América, mostra bem quão importante era a técnica de Vizinho deixando referências registadas em notas escritas. Provavelmente, deve-se a Mestre José a tábua única editada no Guia de Munique.

Dia a dia, passou a ser possível avaliar a latitude atingida pelo navio e Vizinho provou igualmente que a navegação sobre e a sul do equador era praticável. Da mesma forma, a consequente prática da navegação provou que as tabelas por si elaboradas para marinheiros, eram excelentes para aplicarem todas as latitudes (D. W. Waters). Uma tábua (tabela) sua serviu aos navegantes de 1485 a 1497, tendo sido usada também por Colombo e Bartolomeu Dias. Colombo esclarece mesmo que das observações de «mestre José, físico e astrólogo» se obtiveram resultados muito interessantes acerca da extensão do arco do meridiano terrestre, que aliás diz ter pessoalmente confirmado.

O astrolábio náutico tornou-se um aparelho de conceção portuguesa apesar de derivado do astrolábio planisférico.

Como cosmógrafo, Vizinho auxiliou o seu conterrâneo Pêro da Covilhã na elaboração de um globo terrestre para este explorador e participou na reunião onde Cristóvão Colombo apresentou o projeto de atingir a Índia, a D. João II. Finalmente, Mestre José Judeu (Vizinho) desenvolveu o primeiro astrolábio, ainda que rudimentar (teve a colaboração de mestre Rodrigo e Martin Behaim) com que «tão rusticamente começou esta arte que tanto fruto tem dado ao navegar». Segundo João de Barros, este astrolábio de madeira era «pau de três palmos de diâmetro, o qual armavam em três paus à maneira de cábrea por melhor seguir a linha solar, e mais verificada e distintamente poderem saber a verdadeira altura daquele lugar».

José Vizinho deve ser considerado um dos maiores responsáveis pela revolução da náutica astronómica como medida decisiva para orientar a navegação.

«O rei de Portugal enviou à Guiné no ano do Senhor de 1485, mestre José, seu físico e astrólogo, para observar a altura do Sol em toda a Guiné o que fez e comunicou ao dito Sereníssimo rei, estando eu e outros presentes a 11 de Março …

Mais tarde, o mesmo Sereníssimo Rei enviou ainda e muitas vezes observadores a outros lugares da Guiné (…) e encontrou os respetivos resultados sempre de acordo com mestre José…»

Cristovão Colombo

 

 

Rui Faleiro

Covilhã, Sec. XV (1544)

 

«E havendo neste tempo ido Rui Faleiro a um lugar de Portugal, de onde era natural (Covilhã), a curar-se de certa enfermidade prenderam-no e tomaram-lhe o que tinha, o que el-Rei sentiu muito e fez demonstração disso, pedindo com instância ao Rei de Portugal que o mandasse pôr em liberdade e restituir-lhe os bens, o que logo foi feito». (Herrera, 1522).

“… Colombo descobriu a América com base nas informações de Faleiro: «e que foram suas as descrições com que o Almirante Colombo se determinou a fazer certo este descobrimento e novo mundo»” (Diego Cisneros, 1618).

“ a alucinação cosmográfica de Colombo descobriu a América; e a de Faleiro ia descobrir a passagem do Atlântico para o Pacífico mostrando a rota da circum-navegação” (Oliveira Martins).

Sócio e mestre (segundo Oliveira Martins) de Fernão de Magalhães, Rui Faleiro planeou com este a viagem que se propunham fazer às ilhas das Molucas, centro do cravo e da noz.

Esta viagem resultou na primeira de circum-navegação à volta da Terra. Até hoje não foi apurado de que dos dois foi iniciativa. Tanto Magalhães como Rui Faleiro e o irmão deste foram colocar-se ao serviço do rei espanhol aliás, como já antes o havia feito Cristóvão Colombo. Esta situação ajuda a patentear como a ciência náutica portuguesa continuava bem à frente, podendo dizer-se que, no fundo, os avanços marítimos de Espanha eram feitos com base na técnica e ciência portuguesa.

Rui Faleiro esteve assim, com Magalhães, na preparação de uma grande operação marítima o que lhe valeu, inclusivamente, a prisão num Portugal que não perdoava a quem fosse ao estrangeiro transmitir ou promover conhecimentos náuticos. E Faleiro tinha muitos.

É que enquanto Magalhães foi tornado navegador e soldado por seis ou sete anos de trabalhos, Faleiro era um grande homem na cosmografia, astrologia e outras ciências humanas, que vivia na Serra da Estrela, na Covilhã e nunca viajara nem possuía dotes militares nem audácia de aventureiro.

Exilados em Sevilha desde 1517, Magalhães e Rui Faleiro apresentam-se logo em 1518 na corte de Carlos I, em Valladolid, onde os dois assinam a contrata com o rei, acordo que lhes garante gratas condições e vantagens desde que a grande viagem tenha sucesso.

Sobre a viagem, enquanto as tarefas de Magalhães respeitavam à armação da frota, o recrutamento da tripulação e a provisão de armas, equipamentos e víveres, as de Faleiro dirigiam-se à organização das cartas geográficas e trabalhos de carácter científico.

Ainda em 1518 o rei espanhol elevou-os a Comendadores da Ordem de Santiago enquanto o português, D. Manuel, tudo fazia para que o projeto concebido derrocasse e que os dois organizadores regressassem a Portugal.

De carácter irrascível, Rui Faleiro acabou por não acompanhar Magalhães mas deixa para sempre o seu nome ligado àquela que acabou por ser a primeira rota de circum-navegação marítima do globo.

 

 

Francisco Faleiro

Covilhã, Sécs. XV-XVI

 

Irmão do sócio de Fernão de Magalhães, Francisco Faleiro foi o cosmógrafo que mais desenvolveu os estudos para a avaliação da longitude em pleno mar.

José Vizinho tinha já, em final do séc. XV, conseguido desenvolver a ciência para a análise da latitude.

Porém, continuava a ser necessário resolver problemas importantes da navegação.

Um destes, era a procura de um modo para a determinação da longitude do lugar pois completava os métodos já conhecidos, para determinar a latitude e permitir localizar as naus à superfície dos mares do globo.

Notável cosmógrafo, Francisco Faleiro deixou escrito o «Tratado del Esphera y del arte del marear»; com el regimieto de las alturas; cõ algûas reglas nuevamête escritas muy necessárias. A obra foi impressa em Sevilha em 1535 e representa um Guia Náutico em que o mais inovador é a exposição de três modos de obter a declinação magnética por observações solares (um quarto modo está errado). O tratado de Pedro Nunes só foi publicado 2 anos mais tarde.

E, 1517 junto com Rui Faleiro chega a Sevilha onde inicia a sua colaboração com o rei de Espanha e ajuda o irmão a organizar cientificamente a grande viagem de circum-navegação.

Tal como o irmão, não acompanhou Magalhães na grande viagem, embora tenha estado indicado por Carlos I para seguir numa expedição atrás da frota de Magalhães.

 

 

Diogo Álvares da Cunha

A Tomada de Ceuta

 

Frei Diogo Álvares da Cunha era covilhanense, neto da Rainha D. Leonor Teles e de João Lourenço da Cunha. Colaborou com o Infante D. Henrique na expedição que tomou a cidade de Ceuta e que para muitos marcou o início da expansão. As fontes publicadas sobre a Ordem de Cristo mostram que entrou para a mesma após esta expedição.

A 19 de Maio de 1426 esteve no capítulo geral de sua Ordem em Tomar. Após a Expedição às Canárias recebeu a Comenda do Castelejo e Castelo Novo. Em 1438 são-lhe atribuídos 15.781 reis de soldo pelo seu serviço em Ceuta.

Está sepultado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, onde é visível uma lápide com inscrição.

 

 

Fernando de Castro

Ao Serviço do Infante

 

D. Fernando de Castro, Alcaide-mor da Covilhã, Senhor de Ançã, S. Lourenço do Bairro e do Paúl do Boquilobo, casou com D. Isabel Ataíde.

Pertenceu à Casa do Rei D. João I, a quem acompanhou na conquista de Ceuta. De regresso à pátria, é enviado como Embaixador de Portugal ao concílio de Constança (1416) e Castela (1423).

É nomeado Governador da Casa d Infante D. Henrique e este concede-lhe a alcaidaria-mor da Covilhã.

Seguiu no comando de uma expedição à Grã-Canária (1424). Participou ainda na malograda expedição a Tânger (1437), sendo enviado a Ceuta para negociar o resgate do Infante D. Fernando, onde foi atacado e morto por piratas genoveses em Abril de 1440.

 

 

 

Pedro da Covilhã

1ª Missa no Oriente

 

Frei Pedro da Covilhã foi capelão da armada de Vasco da Gama.

Primeiro mártir do Oriente, covilhanense que viveu no século XV, entrou para o convento da Ordem da Santíssima Trindade, em Lisboa, no ano de 1468 e ali permaneceu durante alguns anos.

Tendo conhecimento da viagem por mar à Índia sob o comando de Vasco da Gama, pediu para ser o confessor e capelão da armada.

Partiram de Lisboa a 8 de Julho de 1497 e desembarcaram em Calecute a 20 de Maio de 1498.

Terá sido o primeiro português a celebrar missa naquelas terras e a iniciar a evangelização do gentio, contudo rapidamente sucumbiu às mãos dos inimigos da Fé Cristã.

 

 

Rodrigo de Castro

Erudição e Fidalguia

 

D. Rodrigo de Castro foi Alcaide-mor da Covilhã.

Fidalgo da casa régia e Senhor de Valhelhas, foi nomeado membro do Conselho Real em 1487, criado de D. Afonso V, tendo vivido os principais acontecimentos militares, em Castela e em África, sendo remunerado com títulos e distinções.

Recebeu por testamento a alcaidaria-mor da Covilhã de seu pai, 1º conde de Monsanto, que faleceu na tomada de Arzila em 1471. O então Senhor da Covilhã, El-Rei D. Manuel, viria a confirmar esta atribuição em 1485 e novamente em 1495.

Cavaleiro e poeta, participou com outros nas justas de Évora, aquando dos festejos de noivado do Príncipe D. Afonso, filho de D. João II, D. Manuel depositava nele uma enorme confiança, escolhendo-o para representar Portugal numa embaixada do Papa Alexandre VI.

Casou com D. Maria Coutinho em 1473, da qual teve cinco filhos. D Rodrigo de Castro teve ainda vários filhos bastardos, entre os quais D. Cristóvão de Castro, que foi bispo da Guarda (sagrado em 1550), e faleceu em 1552.

D. Rodrigo de Castro faleceu no ano de 1543 e foi sepultado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Covilhã.

 

 

Fernando de Castro

Coragem em Arzila

 

D. Fernando de Castro foi cavaleiro do Conselho d’El-Rei D. Manuel, Alcaide-mor do Sabugal e Alfaiates, senhor das terras de Santa Cruz de Riba-Tâmega, Lanhos, Cinfães e Resende.

Casou com D. Isabel de Castro, filha de D. Rodrigo de Castro.

Em 1509 partiu para Arzila como fronteiro. Acudindo ao repique que se fizera pelo ataque dos alcaides Baraxa e Almandarim, passou a porta da vila antes de fechada pelo porteiro, acompanhado apenas por dez homens a cavalo. Enfrentou a multidão dos inimigos mas não conseguiu sobreviver. O Conde de Borba, D. Vasco Coutinho, mandaria buscar o seu corpo, que foi enterrado na capela-mor de S. Bartolomeu. À data da sua morte já sucedera na Casa e alcaidarias do pai, mas não lograra da Alcaidaria-mor da Covilhã, anda que lhe tivesse sido prometida.

Os seus restos mortais foram mais tarde transladados e repousam juntamente com os do seu filho e sucessor, D. Diogo de Castro, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na capela lateral (lado da Epístola), em túmulos mandados construir por sua esposa.

 

João Ramalho

Pai dos Bandeirantes

Terá ido para o Brasil por volta de 1510.

Apesar de casado canonicamente em Portugal, tomou como companheira a filha do chefe índio local, Tibiriçá, de quem teve uma numerosa prol.

Em 1530 identificou-se como covilhanense em declarações ao tabelião-comendador Lourenço Vaz.

Tornou-se colaborador do «capitão-do-mar-e-de-terra» Martim Afonso de Sousa. Por nomeação do mesmo capitão, foi ele feito Capitão-mor e Alcaide-mor de Santo André da Borba do Campo, vila que tinha fundado.

Desfrutou de largo prestígio e autoridade.

 

 

André Aranha

Bravura e Diplomacia

Procurador da Covilhã nas Cortes de Lisboa.

Serviu nas guerras do Norte de África, onde foi armado cavaleiro pelo capitão de Ceuta.

Nesta cidade ser-lhe-ia lançado igualmente o hábito da Ordem de Cristo, de que D. João III lhe fez mercê, bem como da comenda de S. Miguel de Rio de Moinhos, em 1569.

Alguns anos depois tomou posse da comenda de Santa Maria da Covilhã (por volta de 1578), onde passou a viver.

Em 1583 foi procurador às Cortes de Lisboa.

Faleceu em Fevereiro de 1597.

 

 

Francisco Álvares

Mártir do Brasil

Beato, patrono dos Cardadores, missionário, viveu durante o século XVI.

Antes de ingressar na Companhia de Jesus, foi cardador na Covilhã.

A 5 de Junho de 1570 embarcou para o Brasil com o Padre Inácio de Azevedo, a nau foi assaltada por Piratas, a mando do calvinista Jacques Sória, ao largo de Las Palmas. A viagem terminou a 15 de Julho, os missionários foram feridos, alguns mortos de imediato e atirados às águas. Francisco Álvares foi lançado ainda vivo ao mar.

Ficaram conhecidos como os «quarenta Mártires do Brasil» e foram todos beatificados em 1854, pelo Papa Pio IX.

 

 

Fernão Penteado

O Cerco de Diu

Natural da Covilhã que viveu no séc. XVI, rumou para o Oriente distinguiu-se na defesa de Diu, onde se escreveu uma das páginas mais gloriosas da história de Portugal.

No primeiro cerco de Diu, que começou em 6 de Junho de 1538, distingue-se, entre todos os heróis, Fernão Penteado pelos seus feitos heroicos relatados por Lopo de Sousa Coutinho, na sua «História do Cerco de Diu».

Umas poucas centenas de portugueses lutavam contra 19.000 inimigos, comandados por Coge Sofar. O ataque foi brutal e feroz. Lutou-se de dia e noite, em terra e no mar. Os muros da fortaleza ruíram com as bombardas do inimigo, mas os portugueses estavam dispostos a dar cara a vida. Apesar de diversas vezes ferido, o herói covilhanense, não desistiu de combater. Dos 612 homens de armas que defenderam Diu, restaram apenas 40 em estado de combater. Os assaltantes acabaram por desistir.

 

 

António de Sousa

Missionário do Japão

Jesuíta covilhanense, o Padre António de Sousa nasceu em 1589. Com apenas 15 anos entrou para o Colégio Jesuíta em Coimbra e cinco anos depois partiu para o Oriente, fazendo parte da expedição de 24 missionários, 11 dos quais portugueses.

Acabou os estudos em Macau e em 1616 seguiu até ao Japão, onde suspeitaram que era Jesuíta e foi desterrado. Foi alguns anos Procurador da Província do Japão.

Disfarçado de mercador por volta de 1628 voltou ao território nipónico e durante cinco anos andou numa barca a confortar os cristãos que lá existiam, incutindo-lhes coragem e fé para resistirem às durras provocações.

Em 1633 foi reconhecido, junto a Osaca, sendo preso. Foi submetido a «tratos de água», e depois, carregado de ferros foi levado a Nagasáqui e posto no tormento das covas no qual perseverou vivo sem comer coisa alguma ao longo de nove dias. Findo este período veio a ser executado a 26 de Outubro de 1633.

 

Simão Pinheiro Morão

Medicina no Brasil

Médico, filho do Advogado de origem judaica Henrique Morão Pinheiro e da Marqueza Mendes de Lucena, do Fundão, nasceu na Covilhã e foi batizado nesta cidade na Igreja de São Silvestre a 4 de Março de 1618.

Estudou medicina em Coimbra e Salamanca.

Entre 1649 e 1651 exerceu a profissão na Covilhã, passando depois por Lisboa e Almada. Perseguido pela Inquisição, que o torturou e à sua vista e dos outros irmãos fez arder o velho pai num auto-de-fé em 1668, fugiu para o Brasil, fixando-se no Recife em Pernambuco.

Escreveu, sob a autoria de «Romão Mosia Reinhhipo», anagrama do seu nome, sendo de destacar o seu «Tratado das Bexigas e Sarampo», impresso em Lisboa em 1683.

 

Video elaborado por José Pereira Santos in
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publicado por Paulo Jesus às 11:26

Fevereiro 01 2016

Introdução

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Junto ao ponto mais alto de Portugal Continental, em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, a natureza oferece um conjunto de lagoas único no país. São os espelhos de água a maior altitude existentes no todo nacional.

Geralmente de origem glaciária, as 25 lagoas permitem criar trilhos pedestres originais, próprios para as épocas quentes de Verão.

A Região de Turismo da Serra da Estrela aconselha aos menos experientes a aquisição da Carta Turística (1 :50 000) do Parque Natural da Serra da Estrela, bem como o contacto com guias que permitam percorrer os trilhos com maior orientação.

Propomos três Percursos que variam entre os 7 e os 12 Km e abrangem outras tantas zonas de paisagens fabulosas dentro da área do Parque Natural da Serra da Estrela. Dois dos Percursos são circulares, o das Lagoas da Torre e o das Grandes Lagoas, e o terceiro corresponde ao trajeto Penhas da Saúde – Torre (Trilho de Viriato).

 

Trilho de Viriato (7 Km) – 3h

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As Penhas da Saúde são uma estância de turismo a 1500 m de altitude ótima para repouso pois proporciona ar puro e clima saudável.

Suga pela estrada até encontrar o Lago Viriato cujas águas abastecem a Covilhã.

Continue a subir pela EN 339, passando o cruzamento para Manteigas, até encontrar em baixo à direita, a Nave de Santo António (1550 m).

A Nave é uma planície arenosa de que em tempos teria sido lagoa glaciária. Extenso cervunal semeado de blocos arredondados e de rochas aborregadas constitui, no Verão, um manto de verdura onde se apascentam numerosas cabeças de gado.

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Continuando pela estrada vamos encontrar na curva imediatamente a seguir, à esquerda, a Barragem do Covão do Ferro, também conhecida por Barragem do Padre Alfredo. Este construiu-a em 1940 para que a Penteadora – uma grande unidade de lanifícios – fizesse o aproveitamento hidrelétrico das águas da Bacia de Alforfa.

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Junto à Barragem parte o caminho que sobe a encosta até à nascente do Terroeiro, no lado de Unhais, entre piornais, urzes e amontoados de pedras que rolaram da vertente e por entre as quais se ouve o correr das águas.

Continue em lacetes até encontrar uma passagem estreita entre as fragas que se destacam. E … Respire fundo !...

A encosta que acabou de subir dará lugar a uma vertente suave com um caminho de traçado apropriado à passagem das vacas, ovelhas e cabras que, durante o Verão, ainda vêm de Unhais pastar para o planalto. Para a direita, a vista sobre o Covão do Ferro, a Nave de Santo António e as Penhas da Saúde deleita-nos. Quinhentos metros mais à frente, do lado esquerdo, é a vistas sobre Unhais da Serra e as montanhas xistosas da Lousã que maravilham o nosso olhar.

Continuando entre zimbrais e cervunais, sem caminho marcado, siga para Norte até chegar à Torre a 2000 m de altitude.

 

Trilho das Lagoas da Torre (8 Km) – 3h

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O ponto de partida para este circuito pedestre é um local mítico: a Torre – ponto mais alto de Portugal Continental.

 

João VI (1816-1826) mandou aí erigir uma torre toda em pedra para completar os 2000 m. Daí, a vista alcança pontos culminantes, extremamente longínquos, desde a Serra da Boa Viagem na Figueira da Foz, até à Serra de Gredos em Espanha; do Marão em Trás-os-Montes à Serra de Portalegre no Alentejo. Praticamente metade do território português e algum espanhol podem ser avistados da Torre.

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Nas traseiras das instalações que abrigam o radar, junto à capela, siga para Poente pelo caminho em direção ao Poio Estrela (1931 m).

Marginando pela direita e, mais abaixo pela esquerda, a linha de água passa no esporão que separa as Lagoas do Covão das Quilhas da Lagoa Serrano.

Atravesse o muro da Lagoa do Covão das Quillhas e siga a linha de água até ao Covão do Boeiro.

Entra-se na Garganta de Loriga, vale glaciário constituído por quatro depressões (covões), escavadas pelo gelo e situadas em degrau.

Eram antigos lagos glaciários, hoje colmatados e cobertos por cervunais.

Depois da ponto de madeira, siga pelo caminho à esquerda que desce até ao Covão do Meio.

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A população de Loriga sempre utilizou a água destas lagoas para produzir energia. Ao ser construída a Barragem do Covão do Meio, pela EDP, esse direito foi assegurado. No princípio do Verão, a água contida na barragem é esvaziada para a Lagoa Comprida, através de um túnel, ficando um caudal natural disponível para uso da população durante os 3 meses da estação.

Siga agora até à estrada nacional passando pelas ruínas de uma capela. Atravessando aquela no sítio da Fonte dos Perus, vai encontrar um local com um marco, conhecido por Cume (1858 m).

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Também conhecido por Planalto da Expedição, onde se acampou, no Verão de 1881, o grupo de cientistas da Sociedade de Geografia de Lisboa liderado por Hermenegildo Capelo. O desconhecimento da Serra da Estrela era tão grande que mereceu exploração e estudo, qual África no meio de Portugal.

A partir do Cume vá em direção nascente. Passeie junto às Lagoas das Salgadeiras.

Vire à direita no sentido da estrada e prossiga até à Torre onde concluirá o circuito.

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Trilho das Grandes Lagoas (12 Km) – 6h

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Iniciamos este trilho num local extremamente aprazível, a Barragem do Lagoacho – espelho de água de 480.000 m2.

Estamos a 1425 m de altitude.

Tomamos o caminho que vai até à Barragem do Vale do Rossim e pelo meio passamos pela pequena Barragem do Covão da Malhada.

Dada a sua situação privilegiada, o Vale do Rossim funciona como espaço de recreio e lazer nos meses de Verão. Esta Barragem serve as centrais da EDP e inunda uma área de 371.000 m22, Junto à casa do guarda da EDP, o trilho segue a jusante da Barragem.

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Atravesse a ponte na Ribeira da Fervença, continue à esquerda por uma carreteira, ao longo da Ribeira da Malhada da Laginha, que sobe entre mato de sargaço, urzes, torgas e piorno, em direção aos três fragões das Penhas Douradas, que devem o seu nome à cor do Sol poente.

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Atravesse a linha de água e suba a encosta, em terrenos de areias soltas num morro a 1631 m.

Em frente, para além dos blocos arredondados das moreias glaciárias, avista-se uma outra paisagem. Desaparecem os castelos de rochas e surgem os rochedos polidos e os cervunais nas depressões, evocando ambientes da glaciação.

Desça a encosta e entre no Vale do Conde a 1590 m.

Este pequeno vale glaciário é coberto por um imenso cervunal que, no Verão, alimenta o gado transumante do Sabugueiro. Em solos de turfa, esta associação vegetal, em que o cervum domina, é formada por espécies próprias de zonas frias. Encontra-se em todo o planalto acima dos 1600 m, entre rochedos, em profundos covões ou em extensos vales. São sítios muito sensíveis e raros, com uma expressão única no país. Merecem todo o cuidado, quando percorridos.

Siga para montante ao longo da margem esquerda da Ribeira das Nateiras e atravessando par o outro lado pelas pedras, continue pelo cervunal até encontrar um caminho que, pela esquerda, o conduzirá a um enorme bloco de pedra denominado Lapão do Ronca.

 

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Junto desta pedra parte uj caminho que segue ao longo da encosta através do Covão das Lapas e Vale da Barca ssituados à esquerda, com cervunais juncados de lapas (blocos erráticos), descendo para o Covão dos Conchos (1690 m).

Esta pequena barragem desvia as águas para a Barragem da Lagoa Comprida através de um túnel com 1519 m de comprimento.

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Suba pelo caminho até uma área denominada Charcos 1 1650 m.

Pequeno planalto semeado de charcos (lagoas glaciárias), que na Primavera se cobrem de ramúsculos de flor branca, e no Verão servem de bebedouro aos gados transumantes. As águas paradas e as temperaturas baixas destes locais, permitem uma decomposição lenta e imperfeita de espécies de flora e fauna, que se vão depositando no fundo, em camadas de sedimentos que se sucedem no tempo. As lagoas vão desaparecendo e os cervunais ocupam o se espaço.

Siga pelo caminho onde encontrará, à esquerda, duas pequenas lagoas e poderá visitar a Lagoa Comprida – 1580 m.

Esta era um antigo glaciar com 1 Km de extensão. Aproveitando o covão, iniciou-se em 1912 a construção da barragem. Em 1914 tinha uma altura de 6 m e em 1934 atingia os 15 m. Atualmente, desde 1965, tem uma altura de 28 m. É uma barragem do tipo gravidade, formada por três arcos de alvenaria de granito com 1200 m de desenvolvimento. A albufeira tem a capacidade de cerca de 12 milhões de m3 de água, e inunda uma área de 800.000 m2. Aí desaguam dois túneis: o do Covão do Meio com 2354 m, que desvia a água das encostas da Torre, e o do Covão dos Conchos com 1519 m que desvia as águas da Ribeira das Naves.

A partir da Lagoa Comprida, acompanhe a linha de água que vai ao Covão do Forno.

Daqui, continue em direção à Lagoa Sêca.

Andando mais um pouco alcançará a Lagoa Redonda.

Siga agora a linha de água e encontrará de novo a Barragem do Lagoacho.

Depois de contornar esta lagoa voltará ao ponto de partida junto ao paredão.

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O Peixe e a Pesca nas Lagoas

 

A realidade das comunidades piscícolas das lagoas corresponde principalmente à truta arco-íris (oncorhynchus mykiss) e ao escalo-do-Norte (euciscus carolitertii).

A existência do escalo a esta altitude é surpreendente já que no rio Zêzere apenas foi detetado até aos 1000 m.

Por outro lado, as características da água acima dos 1500 m, nomeadamente as temperaturas baixas e a elevada quantidade de oxigénio dissolvido, são propícias à truta arco-íris. Esta é semelhante à truta do rio, distinguindo-se da mesma principalmente pela coloração e pelas escamas mais pequenas.

O escalo-do-Norte (Bordalo) possui um corpo alongado de cabeça grande com boca relativamente pequena.

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FLORA

 

Hoje coincidente com a Reserva Bio-Genética da Serra da Estrela, o andar superior da Serra da Estrela é uma fóia botânica que necessita preservação. Assim, durante o passeio, deixe as plantas como as encontrou.

A elevada altitude da Serra da Estrela condiciona uma zonação bem marcada e particularmente interessante da vegetação, permitindo diferenciar três andares com diferenciação de plantas. São eles:

- Andar basal, de acentuada influência mediterrânica, até aos 800-900 m.

- Andar intermédio, domínio do carvalho-negral (Quercus pyrenaica), desde os 600-800 m até aos 1600 m.

- Andar superior, domínio do zimbro (Junipers Communis), acima dos 1600 m.

É este último patamar que corresponde à zona de existência das lagoas e dos circuitos propostos.

 

Os Zimbrais

 

O zimbro é a planta de maior expansão aqui, devido à facilidade de propagação das suas bagas.

A caldoneira (Echinospartum lusitanicum) costuma revestir a base e as fissuras dos rochedos ou monólitos.

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Os Cervunais

 

No fundo dos vales da parte cimeira da Serra, locais de maior retenção de água, aparecem os cervunais que podem ser secos (Galio-Nardetum) ou húmidos (Junco-Sphagnetum compacti) conforme a maior proximidade de água.

Os primeiros podem ser vistos na Nave de Santo António, no Covão do Boi, no Vale do Conde e no Vale de Loriga, assumindo sempre um aspeto verdejante. E os segundos junto de lagoas como a Comprida.

Os cervunais assumem papel importante no pascigo dos srebanhos.

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Os Arrelvados

 

A degradação dos cervunais devido ao sobrepastoreio favorece a ação da erosão pela água escorrente determinando a abertura de clareiras com uma camada fina de saibro granítico. Estas clareiras são colonizadas pelo Arenario-Cerastietum ramosissimi.

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Comunidades Rupícolas

 

Nos locais dos enormes rochedos, como os Cântaros as condições de sombra tornam possível uma vegetação muito rica.

Nos desfiladeiros e nas zonas de maior frescura encontram-se a maioria dos endemismos e orótifos mais notáveis da Serra da Estrela. O Vale da Candieira, descendo até à Lagoa da Paixão é um bom exemplo.

 

Comunidades Lacustres

A vegetação flutuante ou marginal das Lagoas é extremamente curiosa podendo encontrar-se plantas como a fava-de-água (Menyanthes trifoliata) e a Antinoria agrostidea (por exemplo na Lagoa da Paixão) e um endemismo ibérico.

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FAUNA

 

Anfíbios

 

Rã verde (Rana perezi)

Espécie típica das lagoas, dos charcos e dos ribeiros de correntes fracas.

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Rã-castanha (Rana ibérica)

É um endemismo do Noroeste da Península Ibérica típico dos ribeiros de águas límpidas e correntes fortes.

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Rela

Espécie típica das pequenas lagoas e charcos. Durante a época da reprodução, ao fim do dia e durante a noite, os machos cantam para atrair as fêmeas, formando-se grandes coros (fim da Primavera).

 

Sapo

Deteta-se principalmente em terra, debaixo de pedras deslocando-se à água apenas na época da reprodução, para aí depositar os seus ovos.

Nas zonas de maior altitude há uma maior abundância do sapo corredor. Nas de menor altitude encontra-se mais o sapo comum.

 

Tristão-de-ventre-laranja (Triturus boscai) e Tristão-marmorado (Triturus marmoratus)

Encontram-se essencialmente à noite em charcos onde se reproduzem e alimentam.

 

Salamandra

Detetável essencialmente à noite quando vai depositar as suas larvas em ribeiros.

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Répteis

Lagartixa-da-montanha (lacerta montícola)

Apenas existe no Planalto Central da Serra da Estrela e corresponde a uma população única no mundo, sendo mais abundante nas zonas de maior altitude.

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Lagarto-de-água

Encontra-se por todo o Planalto Central mas é mais abundante nas zonas de menor altitude.

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Cobra austríaca (Coronella austríaca)

Apesar de se tratar de uma cobra rara em Portugal, pode ser encontrada na Serra da Estrela geralmente acima dos 1900 m de altitude.

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publicado por Paulo Jesus às 16:04

Novembro 11 2015

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Video elaborado por José Pereira Martins in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos

 

 

publicado por Paulo Jesus às 12:11

Outubro 17 2010

Projectado pelo arquitecto Cottinelli Telmo nos anos 20, e mandado construir pelos Caminhos de Ferro, este sanatório fica situado em Porta dos Hermínios nas Penhas da Saúde junto à cidade da Covilhã, a 950 metros de altitude. O seu objectivo foi o tratamento de tuberculose dos seus funcionários. Estes podiam beneficiar da localização em sitio calmo e dos ares da Serra, fazendo parte da rede de 11 sanatórios, existentes no inicio do século XX.

Demorou 8 anos a ser construído (1928-1936) e permaneceu fechado durante outros tantos anos, devido a circunstâncias diversas e estranhas à CP. Depois viria a ser arrendado à Sociedade Portuguesa de Sanatórios, com a condição de receber todos os doentes necessitados de tratamento de altitude, tendo cinquenta camas à disposição da Assistência Nacional aos Tuberculosos.

Este bonito edifício, se estivesse situado nos Alpes, decerto não teria acabado como as últimas fotos mostram.

 

O edifício acolheu, ao longo de mais de 40 anos, muitos milhares de tuberculosos, provenientes de todo o país, que procuravam recuperar da tuberculose nos bons ares da Serra da Estrela.

Apesar de acolher doentes de todas as classes sociais, os doentes menos favorecidos não tinham acesso a todas as alas, algumas destinadas apenas às classes altas, que ali encontravam todo o conforto que o dinheiro podia comprar.

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Oito anos após a cedência, o edifício passou para as mãos do Estado, "tomando conta dele", o Instituto de Assistência Nacional de Tuberculose (IANT), passando também a partir de 1953, a ser internados doentes pobres.

O recurso à quimioterapia anti-tuberculose, levou ao encerramento dos sanatórios afastados dos centros urbanos e pouco rentáveis.

 

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Em Junho de 1969, por ordem do Ministério de Saúde e Assistência seria dada ordem de encerramento. O seu último director Dr. Carlos Coelho, licenciado em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, acabou por ser o último testemunho do encerramento do Sanatório.

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Depois do encerramento do edifício como Sanatório, este continuou a ser preservado por um casal, dois funcionários que aí permaneceram para o manter habitável. Enquanto esses dois funcionários, o Sr. José Francisco Amorim e Sra. D. Lurdes Amorim aí se mantiveram como funcionários do Estado, o referido espaço manteve todo o seu esplendor e todas as condições de habitabilidade até à altura em que foi utilizado para prestar acolhimento a cerca de 700 pessoas “retornadas”,  por motivo da independência das antigas colónias portuguesas.

Após a estadia temporária dessas pessoas, que entretanto procuraram refazer a vida e foram abandonado definitivamente o Sanatório que lhes serviu de abrigo temporário, notou-se muita degradação. Mesmo assim, o Sanatório manteve-se funcional e  preservado até ao momento em que estes dois funcionários abandonaram definitivamente o Sanatório quando chegou a idade da sua aposentação.

No final dos anos 80, quando já se encontrava praticamente abandonado e seriamente degradado passou para as "mãos" da Turistrela.

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No ano de 1998 o Sanatório chegou a ser vendido à ENATUR (empresa das Pousadas de Portugal) pelo preço simbólico de 1 escudo. Em contrapartida a ENATUR comprometia-se a instalar ali uma Pousada de Portugal, cujo projecto chegou a ser elaborado pelo arquitecto Souto Moura o qual previa um investimento na ordem dos 10 milhões de euros. Entretanto a ENATUR foi entregue ao Grupo Pestana, e o projecto foi abandonado, tendo em 2004 cessado o contracto. Assim a titularidade do sanatório regressou às mãos da Turistrela.

 

Continua por decidir o destino a dar a este edifício …

 

 

 

Pousada Serra da Estrela

 

Depois de uma longa batalha o sonho concretiza-se

Foi preciso esperar nove anos para fazer concretizar a obra de transformação da ruína do edifício do Sanatório em nova Pousada da Serra da Estrela. A Entidade Regional de Turismo da Serra da Estrela fez disponibilizar os meios para o pagamento do projecto na condição de propor o arquitecto Souto Moura.

Agora, também nos sentimos orgulhosos; a Serra da Estrela inaugurará em menos de 16 meses a mais recente obra do vencedor do Prémio Pritzker.

Valeu a pena lutar pela concretização da obra (desde há 7 anos sozinhos).

Parabéns Eduardo Souto Moura.

In  jornal local “já agora

Pousada na Serra da Estrela... está quase pronta !!!

 

A reabilitação do edifício do antigo sanatório dos ferroviários, na Covilhã projectado pelo Arquitecto Cottineli vai estar concluída na Primavera de 2014, dando assim lugar à Pousada da Serra da Estrela.

A intervenção da autoria do arquitecto Souto de Moura teve um investimento total a 19,6 milhões de euros, apoiado a 70% pelo Programa Operacional Temático de Valorização do Território, no âmbito do Quadro Nacional de Referência Estratégico Nacional (QREN).

A pousada vai contar com 95 quartos e situa-se a 1200 metros de altitude.

Pousada abre a 1 de Abril

Ex-Sanatório dos Ferroviários encaixa meia centena de trabalhadores

  

A Pousada da Serra da Estrela, que resulta da reconversão do antigo Sanatório dos Ferroviários, localizada na Porta dos Hermínios, é inaugurada a 1 de Abril e entra nessa data em funcionamento, adiantou, ao NC, o Grupo Pestana.

De acordo com o gabinete de comunicação do grupo que gere a rede Pousadas de Portugal, o empreendimento vai criar “cerca de meia centena” de postos de trabalho.

A abertura da unidade hoteleira, como indicava o placar à entrada, estava inicialmente prevista para 2012, mas os trabalhos atrasaram. Há um ano, a ENATUR informava que a obra estava na fase dos acabamentos interiores e faltavam os arranjos exteriores e as ligações finais das redes de instalação de águas, esgotos, energia e telefones e a inauguração acabou novamente por ser adiada, já que chegou a estar prevista para o primeiro trimestre do ano passado.

A obra foi adjudicada há dois anos à Soares da Costa, por 13 milhões e meio de euros. Embora o investimento global ultrapasse os 19 milhões e meio de euros, incluindo o mobiliário, equipamento e a recuperação da zona envolvente. Um investimento apoiado a 70 por cento pelo Programa Operacional Temático de Valorização do Território, no âmbito do Quadro Nacional de Referência Estratégico Nacional (QREN).

No final da década de 80 o edifício passou a ser propriedade da Turistrela. Em 1998 foi vendido à ENATUR pelo valor simbólico de um escudo, para que esta o transformasse em Pousada de Portugal. Em 2003 o Governo privatizou 49 por cento do capital da ENATUR, passando o Grupo Pestana Pousadas a explorar a rede, mas o projecto da Serra da Estrela permanecia parado. Depois de anos de avanços e recuos, a obra começou no início de 2011.

In Notícias da Covilhã de 2014-02-26

publicado por Paulo Jesus às 21:57

Setembro 09 2010

A FÁBRICA ALÇADA

 

Foram várias as unidades industriais que, a partir de meados do séc. XIX, foram fundadas por membros da família Alçada. Contudo, só uma delas ficou designada de “Fábrica Alçada” apesar de ter sido fundada, em 1840, por Manuel Nunes Mouzaco e se encontrar adjacente a uma outra, fundada por João Mendes Alçada. Trata-se de duas pré-existências, nas margens da ribeira da Carpinteira, que, em 1840, foram adquiridas por estes dois empresários covilhanenses, vindo as mesmas a desenvolver-se paralelamente. Em 1864, eram já duas fábricas completas.

Após o falecimento de João Mendes Alçada, em 1875, na partilha dos bens, a sua empresa coube, entre outros, a Manuel Mendes Alçada, vindo a dar origem à “Manuel Mendes Alçada & Filhos”, fundada em 1902 e que, em 1946, veio a ser adquiridas pela firma “Alçada & Rosa, Lda.”.

Entretanto, a empresa de Manuel Nunes Mouzaco passou a “Mouzaco & Cª.”, tendo diversificado os seus empreendimentos, a partir de 1859, através de uma nova firma, localizada no Prazo, a “Manuel Telles Feio & Manuel Nunes Mouzaco”.

Foi na sequência do casamento de João Mendes Alçada de Paiva com a filha de Manuel Nunes Mouzaco, D. Ritta do Sacramento Mouzaco Alçada, que a “Fábrica Alçada”, designada, a partir de 1878, de “Alçada & Mouzaco”, veio a registar um assinalável desenvolvimento. Em 1888, fez a sua primeira apresentação pública na Exposição da Avenida tendo, no ano seguinte, sido distinguida com a medalha de Prata na Exposição Mundial de Paris. Em 1889, alterou a sua denominação para “Alçada & Filho”, vendo a ser uma das quatro fábricas da Covilhã visitadas pela comitiva real, em 6 de Setembro de 1891, no âmbito da inauguração do troço de caminho-de-ferro. Dispunha já então de 234 trabalhadores.

Em 1904, inaugurou a montagem de uma nova cardação e fiação, que constituiu a primeira instalação completa de estambre do nosso país. No mesmo ano, na Exposição Universal de St. Louis, foi distinguida com a medalha de Ouro, na secção de tecidos de lã.

Em 1908, passou a designar-se “Alçada & Filho, Sucessor, fábrica de penteação de lãs, fios de estambre e cardados e ultimação de fazendas”, tendo-se mantido em actividade até 1964. Todavia, em 1919/20, fundou a “Alçada & Cª”, de que passou a ser sócia, juntamente com a firma “Copeiro & Donas”, o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada e o Dr. Manuel Anaquim, vindo a deter, em 1923 50% do capital da mesma. Nesta data, foi efectuado o pedido de licenciamento, para a instalação da fábrica de lanifícios da firma “Alçada & Filho, Sucrs.”.

Em Outubro de 1935, foi instalada uma nova lavadeira para lã penteada, fabricada pela “Fundição do Campo do Rou, Ldaª. A empresa tinha então 320 trabalhadores e produzia, diariamente, 2.500 m de tecido ultimado. Destacava-se ainda pela acção filantrópica que os seus administradores desenvolviam junto do operariado ao serviço da empresa.

Na década de cinquenta, parte das instalações foram arrendadas á firma “António Joaquim Rodrigues”, que aqui laborou, com tecelagem própria, até 1961, seguido pela “Gomes & Cª.”.

Na sequência de um célebre litígio judicial dirimido em 1947, entre os herdeiros de D. Rita do Sacramento Mouzaco Alçada, sobre a posse da propriedade da firma e do estabelecimento fabril, passaram a ser reconhecidos como proprietários da mesma o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada e as suas irmãs, D. Maria Carolina Mouzaco Alçada da Costa Arnaut e D. Maria Beatriz Alçada Guimarães.

Em 8 de Dezembro de 1957, a firma “Alçada & Filho, Sucessor” sofreu um violento incêndio, que destruiu a penteação, parte da preparação e grande número de fiações, tendo, em 1959, requerido a reconstrução e ampliação dos edifícios fabris afectados e renovado o equipamento. A empresa foi ainda sócia da “Tinturaria Alçada” e da “Ernesto Cruz & Cª”. Em 1961, tinha a laborar mais de 500 trabalhadores. Em 1964, o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada tornou-se o único proprietário da empresa, que passou a designar-se de “Aníbal Mouzaco Alçada” ou Fábrica Alçada”. Conferiu então plenos poderes para a gerir a José Cruz Alves da Silva e ao Dr. José de Albuquerque de Almeida Ribeiro, tendo a mesma vindo a cessar a sua actividade em 1967-1968. A partir de então estabeleceu-se, em parte das instalações, a firma EMPREX.

O complexo fabril que compreendia seis edifícios de produção, uma quinta e três casas de habitação foi alvo de várias intervenções, ao longo do tempo, quer na sequência dos incêndios sofridos quer para ampliação das suas áreas produtivas, vindo a desenvolver-se em catorze corpos, ocupando uma área coberta de 14.650 m2.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã


publicado por Paulo Jesus às 20:17

Setembro 09 2010

A FÁBRICA CAMPOS MELO

 

Foi a sede de um grupo empresarial que marcou profundamente a história dos lanifícios tanto a nível local e regional, como nacional. Também conhecida por Fábrica Velha, deve esta designação ao facto de se encontrar instalada num dos mais significativos espaços arqueológico-industriais covilhanenses, nas margens da Ribeira da Carpinteira. Trata-se do local onde, em 1677, sob intervenção do Conde da Ericeira, se instalou a Fábrica Nacional de Sarjas e Baetas, que, em 1780, viria a ser ocupada pela Tinturaria de José Henriques de Castro e, posteriormente, dos seus herdeiros. A partir  de 1845, os irmãos José Maria da Silva Campos Mello, Comendador (1808-1866) e Francisco Joaquim da Silva Campos Mello, 1º Visconde da Coriscada (1824-1876), hábeis comerciantes, instalaram a empresa que possuíam, desde 1835, na Rua Direita e um engenho, no Sítio da Califórnia (Engelho dos Mello), fundado em 1844 e explorado sob a designação comercial de “Gregório Nunes Geraldes & Sócios”, num edifício fabril destinado à cardação, fiação, apisoamento, tosa e percha, construído num terreno adquirido a André da Fonseca Corsino, próximo da Fábrica Velha. Em 1851, o mesmo foi pasto das chamas tendo, por este facto, adquirido as instalações da Fábrica Velha, então na posse de D. António Joaquina de Castro, que submeteram a uma reconstrução profunda, na origem do actual complexo.

Em 1864, encontravam-se já criadas as firmas “Mello Geraldes & Cª.”, com uma fábrica completa, na Ribeira da Carpinteira, e onde laboravam 244 trabalhadores e a “Campos Mello & Irmão”, especializada em acabamentos, com 57 trabalhadores. Esta última, em 1889, foi distinguida com a medalha de prata, na Exposição Internacional de Paris. Difundiram a empresa, a nível nacional, tendo criado casas filiais e depósitos em várias cidades, nomeadamente em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Santarém, dinamizadas pelos irmãos Campos Mello, enquanto que a direcção fabril se encontrava a cargo de Gregório Nunes Geraldes.

Em 1891, foi uma das quatro fábricas visitadas na Covilhã, pela comitiva real, a quando da inauguração do caminho-de-ferro. Em 1892, a firma é co-proprietária de um outro engenho, o do Sineirinho. A partir de então, passou também a produzir fardamentos para o exército.

Em 1908, de sociedade familiar, transformou-se em sociedade por quotas, de responsabilidade limitada, sendo transferida a sede da administração da empresa para Lisboa.

Em 1935, no decurso de uma grave crise que atravessou, foi sócia fundadora da “Nova Penteação e Fiação da Covilhã Lda.”, tendo, para realizar a sua quota, transferido para a nova sociedade os direitos sobre vários prédios rústicos e urbanos e uma mina, bem como a cedência de autorização para a instalação e exercício da indústria de penteação, fiação de lãs e fabrico de lanifícios, que lhes fora concedida por despacho ministerial de 1933. Este alvará e os terrenos vieram a ser adquiridos, em 1938, por aquela empresa à firma “Campos Mello & Irmão”.

Na década de 40 do séc. XX, um último esforço de modernização transformou-a numa empresa modelo, a nível nacional, datando deste período a aquisição, no âmbito do Plano Marshall, do mais moderno lavadouro de lãs do país, com capacidade para lavar 2.000 Kg de lã, por hora.

O espírito progressista e filantrópico dos fundadores e continuadores desta firma, evidenciou-se na criação e apoio a diversas instituições de beneficência covilhanenses, como a Biblioteca Heitor Pinto, a Associação da Infância Desvalida, a Misericórdia da Covilhã e, particularmente, a Escola Industrial Campos Melo. Marcaram a história económica, social, política e cultural da cidade e do país, como expoentes da modernidade e do progresso e de que é ainda hoje um digno representante o especialista têxtil e poeta, Ernesto Manuel de Melo e Castro (1932).

Uma plêiade de técnicos e de operários especializados, formada por esta empresa, alimentou a indústria local e nacional dinamizada pela frequente contratação, no estrangeiro, de quadros técnicos altamente qualificados, particularmente oriundos da Suíça, Bélgica e Espanha (Catalunha).

De tão importante empresa subsiste, actualmente, o complexo fabril e o contexto arqueológico onde o mesmo se insere e que através de uma necessária intervenção arqueológica, permitirá pôr a descoberto as estruturas remanescentes da primeira manufactura de estado, fundada na Covilhã, no séc. XVII. De significativa importância patrimonial será a preservação in situ do lavadouro mecânico ali instalado.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 20:15

Setembro 09 2010

A REAL FÁBRICA VEIGA

 

Em 1784, José Mendes Veiga (1762-1817), um negociante de lãs e panos, cristão-novo, natural de Belmonte, fundou, nas imediações da Real Fábrica de Panos, junto à Ribeira da Goldra, uma manufactura de tinturaria e acabamento de tecidos, que veio, posteriormente, a ser conhecida como a “Real Fábrica Veiga”.

Em 1803, para além da tinturaria e da casa para tesouras e prensas, já possuía um engenho de cardar e fiar, uma casa de teares e 6 râmolas de sol.

Após a morte do fundador, a empresa passou a ser dirigida pela viúva, D. Rosa Jacinta de Carvalho Veiga, e pelos filhos (Rafael, José e Manuel), primeiro sob a designação de “Viúva Veiga & Filhos” (1817-1822) e, seguidamente, sob a de “José Mandes Veiga & Irmão” (1822-1829).

Defensores do ideário liberal e partidários de D. Pedro, os filhos de José Mendes Veiga, entre 1829 e 1834, tiveram que exilar-se, tendo então a fábrica ficado a ser dirigida pela mãe, sob a designação de “Viúva Veiga” (1829-1834).

No final da guerra civil, de regresso à Covilhã, José Mendes Veiga (filho) (1792-1872), assumiu a direcção da empresa. Logo em 1834, veio a estabelecer, no convento de S. Francisco, na Covilhã, por um curto período de tempo, um novo engenho de cardar e fiar, movido a energia a sangue (bois), que viria a ser pasto das chamas.

Na segunda metade do séc. XIX, apresentava-se já como uma empresa vertical, tendo-se convertido num dos mais importantes complexos empresariais da Covilhã e do país. Em 1864, o empresário veio a ser agraciado com a Comenda da Ordem de Cristo.

O estabelecimento beneficiou, ao longo do tempo, de alguns privilégios reais, nomeadamente a isenção de fiscalização pelos Juízes e Vedores dos Panos, bem como a utilização, em regime de exclusividade, de diversos métodos, técnicas e produtos, que lhe garantiram as mais competitivas vantagens de produção.

Em 1881, empregava 400 trabalhadores, tinha 2 rodas hidráulicas e uma máquina a vapor e consumia mais de 180.000 Kg de lã.

Em finais do séc. XIX, integrava 14 unidades fabris e algumas escolas de fiação e cardação, dispersas por diversas localidades da Beira Interior, localizando-se as mais importantes na Covilhã, em Unhais da Serra, Pêro Mouro e no Fundão. Esta situação contribuiu para ter sido uma das quatro fábricas covilhanenses escolhidas para ser visitadas, em 6 de Setembro de 1891, pelos reis D. Carlos e D. Amélia, aquando da inauguração da linha de caminho de ferra à Covilhã. À data, os monarcas ficaram alojados no palacete do Refúgio, habitado pelo sobrinho e herdeiro de José Mendes Veiga, o Comendador Marcelino José Ventura (1820-1891). Este, após a morte do tio, passara a dirigir o complexo, sob a designação, que se manteve até 1904, de “José Mendes Veiga & Sucrs.”.

Nos finais do séc. XIX, a fábrica passou a ser gerida pelo 1º Conde da Covilhã, Cândido Augusto de Albuquerque Calheiros (1840-1904), afilhado de Marcelino José Ventura, que nela iniciara a sua actividade industrial, tendo-a mantido até à sua morte.

Seguidamente, foram numerosas as firmas ocupantes deste imóvel, até ao seu desmantelamento, em finais do séc. XX. De entre elas destacam-se “António da Cruz Inácio”, “Ramiro e Fazendeiro, Lda.”, “António Maria das Neves & Irmão”, “João Lopes Bola, Sucrs”, “Fiandeira Têxtil da Covilhã, Lda.” e “Alberto Roseta & Irmãos, Lda.”.

Vicissitudes várias afectaram este complexo, de que se destaca, em 1895, o desmoronamento de diversas áreas, na sequência de um forte temporal, que provocou graves inundações na ribeira da Goldra e atingiu várias outras unidades fabris. De igual modo, nas duas primeiras décadas do séc. XX quatro grandes incêndios (em 1904, 1915, 1916 e 1919) atingiram o imóvel. Após as necessárias reconstruções, dois outros incêndios, ocorridos nos anos 60 e 90, conduziram à sua desactivação definitiva.

Em 1997, a Universidade da Beira Interior adquiriu o complexo com o objectivo de o transformar na sede do Museu de Lanifícios e nele instalar o Núcleo Museológico da Industrialização e o Centro de Documentação/Arquivo-Histórico dos Lanifícios. Após as cuidadas obras de remodelação, nele encontra-se preservada uma área arqueológica, bem como uma valiosa colecção de máquinas, equipamentos e documentos que constituem os verdadeiros alicerces da história dos lanifícios da Covilhã, da Beira Interior e do próprio país.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 20:12

Setembro 05 2010

MONUMENTO AOS SOLDADOS MORTOS NA GRANDE GUERRA

 

 

O monumento aos mortos da Grande Guerra nasce de um movimento juvenil criado na cidade por iniciativa do jornal “O Raio”.

 

Para a sua construção constituiu-se uma primeira comissão integrada por Júlio Carneiro, António Lopes Paes, José Cruz Alves da Silva, Alberto Fazenda, Manuel Gonçalves, José Cavaca Júnior e João Oliveira.

O lançamento da primeira pedra inseriu-se num programa mais vasto de homenagens ao regimento de Infantaria 21, que teve lugar em Março de 1925, do qual sobressaiu a imposição da Cruz de Guerra como resultado do raid de 9 de Março de 1918 levado a cabo pela 1ª companhia capitaneada por Ribeiro de Carvalho e onde se distinguiu heroicamente o alferes Gonzaga. Mas contrariando o entusiasmo de 1925 aquando do lançamento da primeira pedra, na praça de S. Pedro, na Covilhã, as obras não se iniciaram nos tempos seguintes. Na imprensa local surgiam com frequência críticas ao sucedido. Passado um ano os trabalhos eram retomados, a presidência honorária da Comissão foi entregue ao bispo de Beja e para angariar novos donativos foi criada uma comissão de honra constituída por mulheres covilhanenses.

A comissão possuía em Novembro de 1926 3.000 escudos provenientes da campanha levada a cabo pelo jornal “O Raio” e a promessa de 1.000 escudos por parte da Câmara Municipal.

Em Janeiro de 1927, tinha sido já possível contratar os trabalhos do escultor Francisco Santos para a elaboração de uma estátua que constaria no monumento.

 

Durante o ano de 1928, realizaram-se novas iniciativas para angariar fundos. Um sarau cultural no Teatro Covilhanense, onde participou a conhecida recitadora Maria de Lourdes, ou um espectáculo de circo da companhia Ivanov permitiram um novo fôlego para a causa ao atingir verbas num montante de 14.000$00.

Em 15 de Junho de 1930 foi finalmente inaugurado o monumento. O General Carmona descerrava a figura de um soldado que, no largo 5 de Outubro, se encontrava envolvido pela bandeira nacional. Na cerimónia da inauguração estiveram ainda presentes o Ministro da Guerra, o Ministro do Interior, pela direcção da Liga dos Combatentes, Eduardo de Faria e pela Câmara Municipal  o seu presidente Almeida Eusébio e os representantes locais das várias instituições militares e civis.

 

Em 1999 por iniciativa da Liga dos Combatentes, é integrado no monumento um acrescento para homenagear os soldados mortos na guerra colonial. Esta última parte do monumento foi inaugurada em 23 de Outubro de 1999.

 

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 23:48

Setembro 05 2010

IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 

 

Construída sobre o templo medieval de São Tiago, a igreja do Sagrado Coração de Jesus foi a primeira a ser construída na Covilhã depois da sua elevação à categoria de cidade. Também a igreja de São Tiago havia sido um dos primeiros templos a ser erguidos na Covilhã. Desta antiga construção apenas nos chegaram escassas descrições do seu interior, nomeadamente, da existência de três altares onde entre várias imagens se destacavam duas de São Tiago, uma combatendo os mouros, outra envergando os trajes de romeiro. Em 1192, foi doada ao mosteiro de S. Jorge de Coimbra, tendo-lhe sido confirmada, em 19 de Fevereiro de 1221, pelo Papa Honório III através da bula Sacrosanta Romana Ecclesia.

 

Com a extinção da freguesia de São Tiago, a igreja foi perdendo prestígio, apesar da reedificação empreendida, no século XVIII, pelo Prior Manuel dos Santos de Bastos. Em 1875, é adquirida pelos Jesuítas, representados pelo Padre Nicolau Rodrigues. Nos dois anos que se seguem, realizam-se as obras de reedificação. Em 1877, no dia de Natal segundo alguns autores, ou no Sábado de Aleluia segundo outros, é aberta de novo ao culto, mas o seu orago é, agora o Sagrado Coração de Jesus.

A igreja apresentava uma traça austera, a fachada principal era composta por um portal em arco de volta perfeita, encimado por um grande janelão, na empena de linhas curvas foi colocado um nicho com uma imagem.

Com a instituição da república em 1910, e com o novo afastamento dos Jesuítas, o edifício foi utilizado como armazém, cavalariça e celeiro.

Alguns anos depois, foi ali instalado o tribunal da comarca. O corpo da igreja e a capela-mor foram convertidos em sala de audiências. Particularmente interessante foi a transformação da fachada principal, onde se aplicou um estilo neoclássico. No lugar do janelão, abriram-se três portais com frontões triangulares que davam para uma varanda com balaustrada. Fizeram-se duas novas entradas ladeando o antigo portal, o nicho foi tapado e no seu lugar colocou-se um azulejo com uma representação da justiça, a cruz foi substituída pelas armas da república. Em 1942, um incêndio destrói este edifício, deixando-o em ruínas.

Em 1948 o edifício foi de novo adquirido pelos Jesuítas e procedeu-se a uma nova reedificação.

O actual templo, de tipologia modernista, deve o seu traço a Teotónio Pereira. É uma igreja de linhas simples e com escassa decoração, destacando-se a existência de grupos escultóricos, na fachada, da autoria de Joaquim Correia. Estes conjuntos escultóricos representam o orago da igreja, o Sagrado Coração de Jesus, e os dois mártires jesuítas da cidade, o Beato Francisco Álvares e o Padre António de Sousa. Interiormente destaca-se a pintura do orago, inserido na mandorla, invocando as representações medievais da figura de Cristo, da autoria de Martins Barata.

A 10 de Fevereiro de 1952 a nova igreja é aberta ao culto e a partir de 1969 torna-se matriz da paróquia.

 

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 23:35

Setembro 05 2010

CORREIOS

 

 

No século XVIII, após o terramoto, o correio chegava à Covilhã todos os sábados durante o Verão e aos domingos durante o Inverno. Estafetas levavam o correio para o Fundão e Castelo Branco às sextas-feiras e para a Guarda às segundas-feiras.

 

Na segunda metade do século XIX os serviços de correio e telégrafo, este último instalado em 1860, são transferidos para um novo edifício que mais tarde serviria de sede provisória à Câmara Municipal e em 1958 era transformado em sede da esquadra da P.S.P.

A transferência dos serviços para o novo edifício ficou-se a dever ao grande fluxo de correio que então se verificava. No final do século XIX, recebiam-se e expediam-se anualmente mais de cem mil bilhetes-postais, mais de 40.000 amostras e cerca de 6.000 encomendas. Igualmente digno de interesse é o número de jornais expedidos que atingia os 40.000 exemplares, mais do que aqueles que eram recebidos.

Já durante o Estado-Novo foi dispensada, por parte da tutela, uma atenção especial às estações de correio, elaborando-se projectos-tipo para a sua construção em detrimento das anteriores cedências e arrendamentos.

 

Na Covilhã é com a reorganização da Praça do Pelourinho, cujo plano se deve ao arquitecto João António de Aguiar, que se projecta o novo edifício dos correios. É então escolhido o projecto-tipo nº 3 elaborado por Adelino Alves Nunes, sendo em 1946 reavaliado e ajustado à realidade local de forma a criar uniformidade na Praça em que se implanta. De linhas sóbrias, sobressai no edifício a torre com janelas de sacada, coruchéu piramidal e pináculos de feição seiscentista, criando a necessária simetria com a torre do Teatro-cine.

 

Em 12 de Março de 1950, o edifício é inaugurado com a presença do Ministro das Comunicações, um representante do ministério das Obras Públicas, o Governador Civil, o Presidente da Câmara, o Vice Presidente da União Nacional e o Comandante Militar da Cidade.

Os correios mantiveram-se sediados neste edifício até que em finais dos anos oitenta se construiu o prédio para o qual haviam de transitar e onde ainda hoje se encontram.

 

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 23:25

Setembro 05 2010

O BANCO DA COVILHÃ

 

Criado em 1874, quatro anos após a elevação da Covilhã a cidade, constituiu a primeira instituição financeira aqui sedeada.

Começou por se instalar no edifício onde actualmente funciona o Lar de S. José, no Largo Eduardo Malta, tendo sido transferido para a Rua 1º de Dezembro, para o imóvel que veio a ser propriedade da Associação de Socorros Mútuos “Mutualista Covilhanense”, que ocupou até à sua liquidação, em 1933.

Foi constituído como sociedade anónima, de responsabilidade limitada, com um capital social de 1.500 contos, que poderia vir a ser elevado até 3.000 contos, dividido em acções, nominativas e ao portador, de 100$000 réis, tendo iniciado a sua actividade com um capital de 750 contos.

Foram seus instaladores os portuenses Manuel Joaquim Vieira Braga e Anastácio Gaspar Ferreira Leão, sócios da firma Vieira & Leão.

O Banco da Covilhã tinha por função realizar um conjunto de operações financeiras comuns às restantes instituições bancárias, nomeadamente a emissão de notas ao portador, o desconto de títulos, quer do Estado quer de estabelecimentos e repartições públicas; as transferências de fundos entre Portugal e outros países; a abertura de contas correntes de nacionais e estrangeiros; os empréstimos por contracto ou subscrição pública, tanto ao Governo como às câmaras municipais, às juntas de distrito e a particulares; a compra e venda de metais e pedras preciosas, de títulos da dívida pública, de acções de bancos e companhias ou outras de cotação oficial; os empréstimos sobre hipoteca, etc. Contudo, distinguia-se dos restantes porquanto previra nos seus estatutos “auxiliar, quanto possível, a indústria de lanifícios, proporcionando-lhe capitais, mediante boas garantias”.

Apesar de projectado para apoiar financeiramente a indústria local, foi constituído maioritariamente por accionistas do Norte do país, se bem que os seus corpos sociais tivessem sido preenchidos, ao longo da sua história, pelos covilhanenses de maior projecção industrial e financeira à excepção dos Campos Melo, que se circunscreveram meramente à posição de accionistas. Pelo contrário, o Comendador Marcelino José Ventura e, posteriormente, o Conde da Covilhã, o Comendador Francisco Nunes Marques de Paiva e o Visconde de Morão, para além de diversos membros da família Mendes Alçada, de que se destaca o Dr. José Mendes Alçada de Paiva, ocuparam posições estratégicas no controle do banco, bem como António Baptista Alves Leitão, para além de muitos outros.

No primeiro quinquénio da sua existência, o Banco da Covilhã dispunha de uma filial no Porto que, por irregularidades, erros detectados e quebra de confiança nos seus dirigentes veio a ser extinta em 1880 e transformada numa simples agência. Nos finais de 1882, o capital do Banco, no montante de 750.000$000 réis, era detido por 293 accionistas, proprietários de 3.852 acções nominativas, por 1.486 acções ao portador e por 2.162 acções detidas pelo próprio banco, localizando-se os accionistas maioritários (com mais de 50 acções) no Porto, em Braga, Fafe e Lisboa, sendo Francisco Cardoso Valente, do Porto, o maior accionista, com um total de 200 acções. Contavam-se ainda no grupo dos seus accionistas diversos bancos, nomeadamente o Comercial e o Mercantil, ambos de Braga, o Mercantil de Viana do Castelo e a Caixa de Crédito Penafidelense, de Penafiel.

Nos inícios dos anos 20 do séc. XX a casa bancária Borges & Irmão, do Porto passou nele a assumir uma posição accionista de relevo.

O Banco da Covilhã veio a encerrar em 1933, por um processo de liquidação, aprovado em Assembleia-geral, em 6 de Junho do mesmo ano, na sequência de um acentuado decréscimo da sua actividade financeira. Fizeram parte da sua comissão liquidatária a casa bancária Banco Borges & Irmão, representada pelo Eng. Francisco Burguete, e Francisco da Silva Ranito.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 23:20

Setembro 05 2010

GARAGEM DE SÃO JOÃO

 

 

No local em que se viria a erguer a Garagem de São João existia desde 1875 um teatro denominado de “Teatro Velho”. Na década de 30 do século seguinte, a Câmara Municipal decidiu vender em hasta pública o Teatro Velho. De entre as condições de venda, constava a obrigatoriedade de ali se construir uma nova casa de espectáculos.

 

No início dos anos quarenta, uma sociedade empresarial, constituída por Francisco da Silva Ranito, Eurico Jotta Roseta e José Ranito Baltazar, decide dotar a Covilhã de um cinema digno da grande “Manchester Lusitana”, adquirindo para tal o Teatro Velho.

O anteprojecto para o Cine-Teatro S. João, assim se chamaria a futura casa de espectáculos, assinado por Luís Filipe Ranito Catalão, deu entrada na Câmara Municipal em 1944. Um ano depois daria entrada o projecto definitivo assinado pelo arquitecto Carlos Ramos, um dos grandes nomes da arquitectura do século XX e um dos introdutores de modernismo em Portugal.

O seu projecto para o Cine-Teatro S. João apresentava diferenças significativas em relação ao anteprojecto. A fachada principal, verdadeiramente interessante, conciliava o que parecia inconciliável, modernismo, cenografia e monumentalidade. No entanto o projecto foi mal aceite pelos técnicos da Câmara, Rafael dos Santos Costa, director da repartição técnica, escreveu: … de modo geral o projecto não nos agradou… forma no conjunto um edifício que choca no meio em que vai ser construído.

Durante o ano de 1947, foi pedida uma licença à Câmara Municipal para iniciar as obras. Entretanto Raul Rodrigues Lima projectou o Teatro-Cine e não haveria na cidade lugar para duas casas de espectáculos com a grandiosidade proposta, o que obrigou os promotores do Cine-Teatro S. João a optarem por construir, em seu lugar, uma garagem. O projecto data de 1949, sendo assinado por Alexandre Steinkitzer Bastos.

A Câmara Municipal, contrariamente aos projectos anteriores, reconheceu a importância desta obra e a 20 de Setembro de 1949, a repartição técnica emitiu o parecer favorável à construção.

Após concluída, a garagem não se mantém durante muito tempo sob a direcção da Empresa Nacional de Espectáculos, passou para a Sociedade de Camionagem da Guarda, depois para a Sacor (de Pedro Ordaz), mas foi com o empresário Alberto de Carvalho que ela viveu os seus “últimos dias de glória”.

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

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publicado por Paulo Jesus às 23:15

Setembro 05 2010

Plano de Melhoramentos de 1883

Da autoria do Engº Antunes Navarro

 

Pedroso dos Santos é um dos primeiros presidentes da Câmara Municipal da Covilhã, senão o primeiro, a apresentar uma preocupação efectiva com o ordenamento urbanístico. Ainda vereador, em 1882, propõe a realização de uma série de melhoramentos na cidade. Esta proposta conduziu a elaboração, pelo engenheiro Antunes Navarro, de um projecto denominado de plano de melhoramentos, apresentado em 24 de Janeiro de 1883.

Este plano visava dotar a cidade de novas vias de comunicação e serviços públicos então considerados indispensáveis numa cidade moderna. Entre as novas artérias destacava-se a Rua Nova, uma via paralela à Rua Direita que iria unir o novo mercado, a construir no local da igreja de São Pedro, e o mercado de gados, a construir junto à igreja de São Francisco, a qual foi orçada em 25.500$00 réis. Outra das vias faria a ligação entre a igreja de São Paulo e o Pelourinho.

O Pelourinho continuaria a ser o coração da cidade, no entanto a praça seria remodelada, passaria a apresentar forma rectangular, o novo edifício dos Paços do Concelho ocuparia o lado Sul, enquanto a Este seria construída a escola normal e a biblioteca.

O campo militar, com uma área de 13.523 m2, localizar-se-ia entre o novo cemitério (actual) e o mercado dos gados, sendo composto de quartel e campo de exercícios.

Na área do lazer estava previsto um passeio público contíguo à estrada real nº 55, em São João de Malta, e um parque a construir no morro onde se ergue a capela de São Martinho.

No domínio do saneamento foi prevista a construção de uma nitreira, no local das Forcas, que receberia todo o tipo de resíduos sólidos e líquidos, convertendo-os em adubos agrícolas e de um reservatório de águas, a construir no largo do Castelo, para abastecimento dos fontanários públicos.

A habitação social não foi esquecida e projectou-se um bairro operário, entre a base do campo militar e o mercado de gados.

A penitenciária ficaria próxima do quartel militar e contaria com 50 celas.

Na memória justificativa do plano era referido que as obras não ultrapassariam os recursos do município nem careciam de vida superior a uma geração para serem levadas a efeito, os custos totais rondariam os 300 contos de réis.

publicado por Paulo Jesus às 23:12

Setembro 05 2010

Carta Régia de D. Luis I elevando a

vila da Covilhã à categoria de cidade

 

Por decreto de 20 de Outubro de 1870, foi esta villa de Covilhan, merecidamente, elevada à categoria de cidade; e em 16 de Janeiro de 1871, foi expedida a seguinte carta régia:

 

“Dom Luíz por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves N" Faço saber aos que esta Minha Carta virem que attendendo a que a minha notável Villa de Covilhã, no districto de Castello Branco, é uma das villas mais importantes do Reino pela sua população e riqueza.

Attendendo a que a mesma Villa é uma das Povoações do Reino que mais se tem distinguido pela fecunda iniciativa de seus habitantes na fundação e aperfeiçoamento de muitos e importantes estabelecimentos fabris, cujos productos podem já disputar primasia com os das fábricas estrangeiras mais acreditadas pelo seu desenvolvimento industrial. E desejando dar aos habitantes da referida Villa um solene testemunho do subido apreço em que tenho os seus honrados esforços pelo progresso e aperfeiçoamento da indústria nacional: Hei por bem fazer mercê à dita Villa da Covilhã de a Elevar à cathegoria de Cidade, com a denominação de cidade da Covilhã, e Me apraz que n’esta qualidade goze de todas as prerogativas, liberdades e franquezas que directamente lhe pertencem. Pelo que Mando a todos os tribunaes, Autoridades, Officiaes e mais pessoas a quem esta Minha carta for mostrada que indo assignada por Mim, referendada pelo Ministro e Secretario d’Estado dos Negócios do Reino e sellada com o sello pendente das Armas Reaes, hajam a sobredita Villa por cidade e assim a nomeei sem duvida ou embargo algum. Pagou de direitos de Mercê e addicionaes cento e cincoenta e quatro mil réis, como constou de um conhecimento em forma numero quinhentos evinte e cinco passado em dezaseis do corrente mez pela Recebedoria do sello de verba do districto de Lisboa. E esta carta é passada em dois exemplares um dos quais depois de registado nos livros da Câmara Municipal da Covilhã e no Governo Civil de Castello Branco, servirá para título d’aquella corporação, e o outro será depositado no Real Archivo da Torre do Tombo.

Dada no Paço da Ajuda em dezeseis de Janeiro de mil oitocentos setenta e um.

 

El-Rei (rubrica)

 

António bispo de Viseu”

publicado por Paulo Jesus às 23:05

Maio 05 2010

 

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publicado por Paulo Jesus às 23:58

Maio 05 2010

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Maio 05 2010

EDIFICAÇÃO DO “MONUMENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO”

 

Com assento privilegiado na vertente sul do velho burgo covilhanense, situado na encosta da Serra da Estrela, num local onde existia um pequeno cabeço, cercado por um pinhal, terras de semeadura, um souto e um caminho sinuoso, estreito em terra e pedras, foi edificado o monumento em honra de Nossa Senhora da Conceição, “Nossa Senhora de Lourdes” nos finais da década de 90 do século XIX, cuja pilastra, com a imagem da Imaculada, foi assente num amontoado de pedras, com vista para a Covilhã.

Este monumento foi mandado construir por uma comissão, presidida pelo Padre João Rodrigues Moita, da qual faziam parte: o Padre Gregório Arroz; o Padre José Costa Tavares; o Padre Oliveira Pinto; a Câmara Municipal da Covilhã; o Sr. Cândido Augusto D’Albuquerque Calheiros, 1º Conde da Covilhã; o Dr. João Ferraz de Carvalho Megre; o Sr. Gregório Baltazar, entre outros.

Os principais beneméritos foram o Sr. Cândido Augusto D’Albuquerque Calheiros, Conde da Covilhã, que suportou a maioria das despesas e o Sr. Dr. João Ferraz Carvalho Megre que doou o terreno.

Este monumento que, faz parte da Paróquia de São Martinho da Covilhã, foi inaugurado a 10 de Outubro de 1904.

No lado norte do monumento estavam três lápides com estas inscrições “Sua Exª Rev. Ma o Sr. Núncio de Sua Santidade Monsenhor Júlio Tonti, concedeu uma vez por dia um ano de indulgências a todos os fiéis que devotamente recitarem uma Salve Rainha diante desta imagem da Virgem Imaculada”.

“Sua Eminência o Sr. Cardeal D. José III concedeu, 300 dias de indulgência aos fiéis que recitassem 3 Ave-maria perante esta imagem da Imaculada Conceição em honra de Maria Santíssima, Mãe de Deus e dos homens, de qualquer lugar que a vissem, devendo aplicar, pela conversão de algum pecador, aquelas ou outras preces que lhe sejam dirigidas”.

“Sua Exª Rev. Ma o Sr. D. Manuel Vieira de Matos, Arcebispo – Bispo da Guarda, concedeu 50 dias de indulgência a todos os fiéis que rezassem uma Avé-Maria quando avistem de qualquer parte, esta imagem de Nossa Senhora.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

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publicado por Paulo Jesus às 23:37

Maio 05 2010

 

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publicado por Paulo Jesus às 23:15

Maio 05 2010

 

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MUSEU DA ARTE E CULTURA

Na Rua António Augusto de Aguiar, no dia 14 de Junho de 1907, junto à Praça do Município, deflagrou um incêndio que ficou conhecido como o incêndio da mineira.

Dos escombros foi construído, por volta de 1920, um edifício de 5 pisos com frontaria em azulejos cuja arquitetura é pura Arte Nova cujo projeto é do Arquiteto Ernesto Norrodi, para aí funcionar o Banco Nacional Ultramarino.

Após a saída do banco, a Câmara Municipal da Covilhã adquiriu o edifício que foi utilizado como armazém até ser recuperado.

Nos princípios do século XXI, a parte interior do edifício foi toda reconstruída para ai funcionarem alguns serviços da Câmara Municipal da Covilhã e para exposições.

No dia 1 de Agosto de 2008, foi inaugurado o Museu de Arte e Cultura (PATRIMONIVS) com mais de cem obras de arte de cariz religioso e arquitetónico que fazem parte da coleção reunida pelo Município da Covilhã e Associação Cava Juliana e que retratam uma parte da história patrimonial do Concelho.

 

In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges

 

 
 
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publicado por Paulo Jesus às 22:57

Abril 13 2010

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ESCOLA SECUNDÁRIA CAMPOS MELLO

 

A família Campos Mello pensou num estabelecimento para uma escola industrial na Covilhã. Outras cidades e vilas pretenderam o mesmo do Governo, simplesmente, coube À Covilhã a honra de ter sabido convencer os poderes públicos, numa luta porfiada que durou vinte anos.

Ao fim desse tempo, um ilustre covilhanense, José Maria Veiga da Silva Campos Mello, lutou junto do seu antigo condiscípulo o companheiro de viagens, o então Ministro das Obras Públicas, António Augusto de Aguiar, pela fundação da Escola Industrial da Covilhã.

Foi no reinado de D. Luís I que se fundou, então, a Escola Industrial Campos Mello, e a Covilhã pode-se orgulhar de ter a escola industrial mais antiga do país. Tudo se deve ao industrial José Maria Veiga da Silva Campos Mello e à sua persistência que levou o governo, do qual eram ministros Hintze Ribeiro e António Augusto de Aguiar, a aprovar o Decreto-Lei do Diário do Governo de 3 de Janeiro de 1884.

A Escola Industrial Campos Mello foi instalada na rua Fernão Penteado, num edifício muito próximo da Igreja da Nossa Senhora da Conceição, cedido pela Câmara Municipal da Covilhã.

No Decreto-Lei de 14 de Dezembro de 1897, subscrito por António José da Cunha, no qual a Escola Industrial Campos Mello é englobada indistintamente com outras escolas, previam-se as seguintes disciplinas: desenho, matemática, tecelagem, debuxo, Língua Portuguesa e lavores femininos.

O Decreto de Manuel Francisco Vargas, de 14 de Dezembro de 1901, restabelecendo um pouco daquele espírito incluído no Decreto de António Augusto de Aguiar, não traz à Escola Industrial Campos Mello grandes vantagens práticas. Uma disposição semelhante à do decreto anterior impede, do mesmo modo, o provimento das disciplinas que lhe são atribuídas.

Só em 1905 é contratado um novo mestre de tecelagem, recomeçando então o ensino no prático de debuxo, e começa a ser lecionada a disciplina de língua Francesa.

A Escola começa a aumentar o número de alunos e o edifício não se ajusta às suas necessidades, razão por que, em 1912, é transferida para o edifício que a Companhia de Jesus estava a construiu na Covilhã, por os Jesuítas terem sido expropriados do seu edifício e bens quando se implantou a República. O sumptuoso edifício, construído expressamente para um colégio católico, com ótimas salas para aulas e amplos corredores, um vasto salão e grandes pés direitos, ofereceu excelentes instalações para uma escola industrial reservando-se o andar térreo para as oficinas.

No ano de 1918 a escola passou a designar-se Escola Industrial de Lanifícios Campos Mello, mas, em 1921, voltou a mudar de nome, passando a chamar-se Escola Industrial Campos Mello da Covilhã e, no ano de 1948, passou a Escola Industrial e Comercial Campos Mello.

Por motivo de a Escola já ser pequena para a população do concelho da Covilhã, no ano de 1950 começou a ser construído um novo edifício nos mesmos terrenos da escola, que foi inaugurado no ano de 1955.

Em frente ao mesmo edifício, na Avenida 25 de Abril, foi construído um monumento em homenagem ao patrono José Maria Veiga da Silva Campos Mello, que foi inaugurado em 1970. Nesse ano, a Escola Industrial começou a designar-se por Escola Técnica Campos Mello e no ano de 1979, volta a mudar de nome e a chamar-se Escola Secundária Campos Mello.

Nos princípios do ano 2000, iniciou-se a construção de um novo edifício para ser utilizado como Pavilhão Gimnodesportivo, que foi inaugurado em 2003. Perfazendo com os dois anteriores um triângulo.

Desta escola saíram grandes técnicos que deram fama à industria covilhanense tanto no país como no estrangeiro, o que se deve também aos bons professores que, ao longo da sua história, quiseram partilhar o seu saber tal como a sua técnica.

Para recordar os cursos que existiram na Escola, a Presidente da Comissão Executiva, Drª Isabel Maria de Almeida Lopes Fael, com a colaboração dos seus colegas, construiu dentro deste edifício um belíssimo museu com várias secções dos cursos lecionados e que foi inaugurado no ano de 2004.

 

Cronologia dos Diretores e Presidentes

 

Patrono

José Maria Veiga da Silva Campos Mello

 

Diretores

Professor – José da Fonseca Teixeira – 1884-1914

Professor – José Maria Campos Mello – 1914-1916

Professor – Joaquim Porfírio – 1916-1922

Professor – José Farias Bichinho – 1922-1930

Engenheiro – Ernesto de Campos Mello e Castro – 1930-1966

Dr. Duarte de Almeida Cordeiro Simões – 1966-1967

Dr. Augusto Rodrigues Guimarães – 1967-1974

 

Encarregado Interino da Direção

Dr. José de Oliveira Dias – 1974

 

Presidente do Concelho Diretivo

Dr. Rui Delgado – 1974-1976

Dr. Joaquim Ferreira de Almeida – 1976-1977

Dr. João Martins – 1977-1978

Professor Rodolfo Romeno Passaporte – 1979-1980

Drª Maria de Ascensão A. A. Figueiredo Simões – 1980-1986

Professor Ricardo dos Reis Matos – 1986-1992

Dr. António Jesus Gomes Ivo – 1992-1998

 

Comissão Executiva Provisória

Dr. Jorge Augusto Neves Wahon – 1998-1999

Drª Isabel Maria Marques de Almeida Fael – 1999-2009

 

In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges

 

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O CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO

 

A Província da Piedade, em Portugal, procede da de São Tiago de Castela, e foi fundada por Frei João de Guadalupe quando, em 1500, veio estabelecer o primeiro convento em Vila Viçosa. Desta Província franciscana separou-se depois a da Soledade, sendo geral frei Francisco Maria Rhini. Estes frades, por usarem um capuz, alto e terminado em pirâmide, eram conhecidos por frades capuchos.

O Convento de Santo António da Covilhã, juntamente com outros edifícios, que posteriormente se lhe juntaram, situa-se na extrema da montanha que se levanta ao Sul desta cidade. Frei Manuel de Monforte, referindo-se ao seu edifício, considera-o “pequeno e recolhido, mas com bastante firmeza e capaz de albergar os doze religiosos que o habitam”.

Foi este convento fundado em 1553, em virtude de um milagre que ocorrera nesse mesmo ano. O povo aluíra ao Convento de Nossa Senhora do Fundão, com grande fé, suplicando o fim da enorme seca que, então, estava assolando a região. E a intercessão de Santo António foi tal que, assim que lá chegaram os romeiros, começou a cair grande chuvada. Daí resultou maior devoção pelo Santo, que levou o povo a pedir aos frades capuchos que edificassem outro convento na Covilhã. Choveram igualmente dádivas, e o Provincial Frei Miguel de Abrantes fez a vontade ao povo devoto, escolhendo para o convento um local aprazível e de surpreendente panorama sobre a cidade e sobre a várzea da Cova da Beira.

A capela-mor foi executada pelo licenciado Mendo Cão, que ali teve s sua sepultura. Durante a construção do convento deram-se vários casos miraculosos. Certo dia, passou um carro de bois carregado de pedra sobre o homem que o guiava, chamado Francisco Giraldes, do que resultou ileso. Outro operário, de seu nome Pêro Fernandes, caindo-lhe um penedo em cima, nada sofreu. E enfim outro caso, e esse o mais conhecido e admirável, foi que, quando duas juntas de bois carregavam uma grande trave para sustentar o coro da igreja, ao começarem a subir a íngreme ladeira, lhes minguaram as forças, e dali não arrancaram por mais diligências que fizessem os boieiros. Calhou então passarem por ali uns garotos, que ao verem tal, disseram:

-Tomemos esta trave e com a ajuda de Santo António levemo-la para o Convento!

E, metendo sob a trave os seus cajados montanheses, eles próprios carregaram a trave, com tal desembaraço até ao local das obras, que logo foram considerados miraculados do Santo Seráfico.

Com as dádivas dos devotos e algum contributo do Rei D. João V, chegou a ter uma bela igreja, um claustro, casa do capítulo, biblioteca, fábrica de buréis, além de adega, celeiro e terras de regadio, dispondo de excelente água das fontes. Bem à maneira dos franciscanos, foi sóbria a construção e pobrinha a arquitetura do convento. A fachada principal, voltada a Nascente, foi há pouco tempo reconstruída pela UBI. O portal, de arco inteiro sobre colunas simples, tem sobreposto um brasão e um óculo, e está ladeado por dois nichos com santos. Ao alto, um campanário com pilastras, com dois sinos. Dois pórticos, um voltado a Norte e outro ao Sul, davam acesso a todo o interior. O claustro tem arcaria de algum valor, sotoposta a renques de janelas. Depois da usurpação liberal de 1834, sofreu o convento grave delapidação do seu património, com construções adventícias e reparações adulterantes. Antes de ser comprado pelo artista Manuel de Morais da Silva Ramos, serviu de quartel a um regimento, e a Câmara projetou ali construir o Hospital D. Amélia, cuja “primeira pedra”, e única, foi colocada quando da visita real de 1891.

Depois de novos proprietários, e de outros arrendamentos, o convento de Santo António está sob a alçada da Universidade da Beira Interior, que o reconstruiu e remodelou para ali instalar a Reitoria, Sala dos Atos, etc.

In História da Covilhã de José Aires da Silva

 

 

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publicado por Paulo Jesus às 16:37

Abril 13 2010
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PALACETE DO REFÚGIO

 

O Palacete do Refúgio, junto à estrada Nacional nº 18, foi mandado construir por volta dos anos 30 do século XIX, pelo Sr. Comendador José Mendes da Veiga, sendo o maior industrial de lanifícios na região e senhor de uma grande fortuna, e sua esposa Srª D. Maria Cândida Tavares Veiga.

Após o falecimento de ambos, e por não existirem filhos, todos os seus bens foram doados em testamento a seu afilhado, o Administrador Sr. Marcelino José Ventura, homem honesto, de inteira confiança e com grandes capacidades para dar continuidade à obra herdada.

Após esta herança, o Sr. Marcelino José Ventura granjeou um alto prestígio e tornou-se o maior industrial e comerciante da região. Foi Procurador Geral do Distrito, eleito pela cidade da Covilhã; Presidente da Assembleia Geral da Associação Geral do Banco da Covilhã, tendo exercido, para além destes, muitos outros cargos e funções revelantes para a cidade da Covilhã, recebendo o título de Comendador, forçadamente, que rejeitou várias vezes, devido à sua modéstia.

Sucede-lhe Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros, nascido em Valezim a 5 de Abril de 1840, que veio para a Covilhã trabalhar nas fábricas Veiga, homem com uma capacidade extraordinária, muito dinamismo que, passado pouco tempo passou a ser administrador das mesmas empresas.

Alguns anos depois casa-se com a única sobrinha do Comendador Marcelino Ventura, a Srª D. Ana Cândida, ficando a residir no Palacete.

Nos dias 6 e 7 de Setembro de 1891, o Rei Dom Carlos e a Rainha Dona Amélia, deslocaram-se à Covilhã para inaugurar o caminho-de-ferro da Beira-Baixa. Os monarcas, e todos os seus acompanhantes, foram recebidos sumptuosamente no Palacete do Refúgio pelo Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros, pelo facto de o Sr. Comendador Marcelino Ventura se encontrar muito doente.

O Palacete, foi decorado com todo o requinte, onde era manifesta a riqueza, para assim receber condignamente os Reis de Portugal.

Em reconhecimento pela faustosidade da receção, o Rei Dom Carlos concedeu ao aludido Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros o título nobiliárquico de “Conde do Refúgio” por duas vidas, que aceitou com muita honra e agrado.

Passados sete anos, por Decreto-Lei de 16 de Fevereiro de 1898, Dom Carlos alterou o citado título nobiliárquico de “Conde do Refúgio” para “Conde da Covilhã”, que veio a falecer no Refúgio a 11 de Outubro de 1904 com 64 anos de idade.

Sucedeu-lhe, como segundo “Conde da Covilhã” seu filho primogénito, Sr. José Mendes Veiga de Quental Calheiros, que foi casado com Sr. Dª Emília Cândida da Costa Fróis e faleceu em 26 de Abril de 1931.

O Palacete, o jardim, a capela e os terrenos em redor passaram a pertencer, por herança, a sua filha legítima, Dona Alice Frões Albuquerque Calheiros Burguete, que veio a falecer no ano de 1955.

Em testamento, o Palacete, jardim e capela passou a propriedade do filho mais svelho Dr. Daniel Frões Calheiros Burguete filho primogénito que, há eventualidade de não ter descendente varão, passará para o primogénito do irmão a seguir e assim se sucederá até à quinta geração.

 

In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges
 
 
 
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ADEGA COOPERATIVA DA COVILHÃ, C.R.L.

 

A Adega Cooperativa da Covilhã foi fundada em 1954, com 147 associados, tendo efetuada a sua primeira vindima em 1957. A data da sua constituição foi 24 de Fevereiro de 1954.

Durante os primeiros anos da sua existência, a Adega Cooperativa da Covilhã esteve mais vocacionada para o fabrico e venda de vinho a granel, tendo mais tarde iniciado as primeiras iniciativas de engarrafamento, então manual.

A partir da década de 70, foi adquirido um sistema de enchimento smi-automático, que permitiu um ligeiro crescimento nas vendas de vinho engarrafado.

Com a entrada da Portugal da CEE, também a Adega Cooperativa da Covilhã se viu “obrigada” a iniciar um processo de modernização que ainda hoje perdura.

No final da década de 80, a Adega Cooperativa da Covilhã já comercializava três marcas; PEDRA DO URSO, PIORNOS e CONDE JULIÃO (em exclusivo para a Viniparra).

Hoje tem quase 1200 associados no ativo, com uma área social e geográfica que ultrapassa amplamente os limites do concelho da Covilhã, estendendo a sua influência também aos concelhos de Manteigas, Belmonte e ainda algumas freguesias do concelho da Guarda e do Sabugal, numa extensão de aproximadamente 1500 hectares de vinha.

Em termos de produção anual a Adega Cooperativa da Covilhã engarrafa cerca de 4.000.000 de garrafas, repartidas pelas seguintes marcas: Vinho de Mesa “PEDRA DO URSO”; Vinho Regional “SETE FONTES”; DOC “TERRAS DE CABRAL”; DOC “PIORNOS”; DOC “COLHEITA DO SÓCIO”; DOC “PIORNOS” (Monovarietais); Aguardentes “PIORNOS ZIMBRO” e “CENTUM CELLAS”; Jeropiga “PIORNOS”; Abafado “PIORNOS”; Vinho >Kosher “TERRAS DA BEIRA”.

A capacidade de vinificação é cerca de quatro milhões e meio de litros de vinho. São 25 os funcionários desta adega, podendo atingir o dobro em períodos de Vindimas, que decorrem, normalmente, de finais de Setembro até meados de Outubro.

 

In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges

 

 
 
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ESTÁDIO JOSÉ SANTOS PINTO
SPORTING CLUBE DA COVILHÃ

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Video elaborado por José Pereira Santos in
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LACTÁRIO DE NOSSA SENHORA DA COVILHÃ

Nos anos de 1920/30, as Senhoras D. Maria Ilda Catalão Espiga e D. Adelaide Ranito Catalão, alertaram a população covilhanense, e as entidades de então, para o problema da mortalidade infantil que, na altura se fazia sentir de forma muito grave.

Foram coadjuvadas por um grupo de senhoras com mo mesmo sentir, que apareceram voluntariamente, com o desejo de fazerem algo contra a preocupante situação.

Assim, com o firme propósito de possibilitarem a adequada profilaxia às famílias mais carenciadas, de forma a conseguir que as crianças se libertassem do flagelo da morte, fundaram o “Lactário de Nossa Senhora da Covilhã”.

Para que essa obra tivesse corpo e vida, era indispensável a ajuda, não só das entidades oficiais mas também de todos os covilhanenses com meios económicos para o efeito.

Não se fez esperar essa ajuda e, consequentemente, nesse distante dia 3 de Maio de 1931, abriu-se a porta de uma pequena e modesta casa, na Rua do Senhor da Paciência, onde nasceu uma obra de profundo alcance social, em defesa da saúde e da vida das crianças pobres da Covilhã. O “Lactário”, como vulgarmente era conhecida tão útil obra de assistência infantil, conseguiu-se com o trabalho gratuito de um grupo de senhoras.

Animadas por um espírito de caridade, todas trabalhavam graciosamente. Faltava a esta sublime obra a imprescindível assistência médica, bem precioso para a saúde de todas as crianças.

Passado algum tempo, regressado de Paris, chega à Covilhã, sua terra Natal, um jovem médico, o Dr. José Ranito Baltazar. Depois de se ter especializado, em obstetrícia e puericultura, imediatamente se disponibiliza a prestar gratuitamente os seus serviços.

Assim, o Lactário começou a aprestar assistência médica e medicamentos, acompanhadas de conselhos de higiene, e passou a fornecer diariamente, em doses certas para cada caso, leite fresco, farinha e leite em pó, a um número elevado de crianças.

As instalações eram muito, reduzidas; mas, com a ajuda do Dr. José de Almeida Eusébio, conseguiu-se a aquisição de um imóvel que, pela sua amplitude, veio a constituir umas instalações que, depois de adaptadas, eram condignas para o bem exercício da plena atividade do “Lactário”.

 

In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges
 
 
 
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publicado por Paulo Jesus às 12:45

Abril 12 2010
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CASA DOS MAGISTRADOS

 

Este edifício, na sua origem, foi destinado a habitação dos Juízes de Fora, designados como Ministros Territoriais.

A data da construção reporta-se à segunda metade do século XVIII. Em estilo Pombalino, com características marcantes da arquitetura da época, a fachada principal é constituída, no rés-do-chão, por arcadas, que funcionavam como armazém de cereais; no segundo piso, são visíveis janelas de sacada e ao centro uma pedra de armas, emoldurada com a coroa do Reino.

A construção é remontada por pilastras de aparelho isódomo.

A sua última utilização deu-se como Registo Predial e Repartição de Finanças.

A cave foi arrendada pela Câmara Municipal à Casa Leão (comércio) para armazém de ferragens.

Este edifício, ímpar na Covilhã, foi totalmente recuperado e transformado em espaço cultural. Foi classificado, pelo Decreto-Lei nº 5, de 19 de Fevereiro de 2002, como Imóvel de Interesse Público.

Em frente a este edifício, no passado, eram julgados os pleitos, pelos juízes e homens bons da avila, num local que fazia parte do adro da Igreja de Santa Maria. Durante as obras de requalificação da zona, foram encontradas, três sepulturas medievais, que se supõe datadas dos Séculos XIII/XIV, integralmente escavadas na rocha com orientação Nascente/Poente, talvez com carácter simbólico, e como forma de recordar a crença popular – “Quando mais perto as sepulturas estivessem das igrejas, mais fácil seria a entrada no Paraíso”.

Numa tão nobre parte da cidade, a presença das sepulturas, depois da requalificação do local, ficou marcada no pavimento através da colocação de cubos de granito de cor diferente da do espaço envolvente.

 

In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges

 

 
 
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MERCADO MUNICIPAL

Nos fins dos anos 30 do século passado, a Câmara Municipal da Covilhã tinha como preocupação construir um edifício para centralizar os mercados que se realizavam em diversos locais da cidade ao ar livre.

O terreno escolhido, para a construção deste espaço, foi o espaço situado em frente às muralhas entre o Postigo da Barbacã e a Porta de São Vicente, que faz um ângulo reto com a Rua António Augusto de Aguiar e Rua de Olivença. Este terreno foi adquirido por escritura de 10 de Julho de 1940, pelo Município da Covilhã, que era representado pelo seu Presidente Dr. Luís Victor Tavares Baptista (Capitão Médico). A proprietária do terreno era a D. Maria da Natividade Trigueiros Osório (Viscondessa do Sardoal).

Após s sua aquisição, a Câmara Municipal da Covilhã, começou imediatamente com as obras para a construção do Mercado que ficou com três pisos, um terraço a todo o comprimento e um logradouro na entrada principal. Foi também construído, junto a este, um pequeno edifício para os vendedores pagarem os impostos.

O edifício, já concluído, foi inaugurado a 8 de Dezembro de 1943, e abriu seguidamente ao público, ficando ordenado segundo os seguintes produtos: 1º piso – venda de azeitonas, aves e ovos; 2º piso – composto por talhos, lateralmente, e bancas de pão, bolos e queijos ao centro; 3º piso – venda de peixe com a instalação de mesas retangulares laterais e venda de hortaliças, frutas e feijão. No logradouro, vendiam-se no Verão melões e melancias – e era utilizado também para a atuação dos popularmente chamados vendedores da banha da cobra…

Com o desenrolar dos tempos, devido ao sal usado no peixe que ali se vendia, o edifício começou a dar sinais de degradação. Por isso, nos anos 1992/1993, foi construído um novo edifício no logradouro do mercado, onde passou a fazer-se a venda do peixe. Por essa altura, o terraço, que era aberto, foi dotado de uma cobertura, e foram construídas dezenas de lojas para que os vendedores ambulantes pudessem aí vender os produtos do seu comércio, como roupas, calçado, bijutarias, etc.

Atualmente a distribuição efetuada no edifício do mercado é: 1º piso – Loja Ponto já; 2º piso – Silo Auto e Loja Vodafone; 3º piso – venda de frutas, hortaliças, queijos, feijão, pão, bolos, carne entre outros; 4º piso – Empresa Call-Center; no logradouro, continua a fazer-se a venda do peixe.

 

In História da Freguesia de SANTA MARIA - Covilhã, António Garcia Borges

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publicado por Paulo Jesus às 22:48

Fevereiro 27 2010

 

 

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publicado por Paulo Jesus às 00:18

Fevereiro 22 2010

Inauguração da linha da Beira Baixa

Estação dos Caminhos-de-Ferro

 

Pela lei de 26 de Abril de 1883, o governo foi autorizado a construir o caminho-de-ferro da Beira Baixa; por portaria de 28 de Julho de 1887, foi aprovado o projeto dessa linha férrea que passava num lugar desta cidade chamado “Corredoura”. Esta linha tinha início na cidade de Abrantes e daí ligava à linha do Oeste e do Norte, que terminava na Guarda onde depois se ligava à linha da Beira Alta que fazia ligação com a fronteira de Vilar Formoso.

O primeiro troço desta linha foi até à Covilhã em 6 de Setembro de 1891, dia em que foi inaugurada pelo Rei D. Carlos e pela Rainha D. Amélia.

O comboio chegara às 17h entre vivas e aclamações de entusiasmo dos covilhanenses, a estação estava repleta de gente.

A Câmara Municipal, as autoridades civis e militares e as pessoas mais gradas da cidade, todos estavam presentes.

Os monarcas e todos os seus acompanhantes foram recebidos sumptuosamente no palacete do Refúgio pertencente ao Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros, dado que o Sr. Comendador Marcelino Ventura se encontrava muito doente.

Em reconhecimento pela grandiosidade da receção, o Rei concedeu o título de “Conde do Refúgio” so Sr. Augusto Albuquerque Calheiros.

O Sr. Dr. Eduardo Coelho, jornalista, escritor e fundador do jornal Diário de Notícias, fazendo parte da comitiva real, escreveu as seguintes palavras: “Sua Alteza Real visitou a fábrica José Mendes Veiga & Sucessor que emprega 850 pessoas, a de Campos Melo & Irmão que emprega 650, a de Alçada & Mousaco que emprega 400 e a de Sebastião Rato que emprega 300. São estas as quatro fábricas mais importantes da Covilhã.

Na cidade da Covilhã são fabricantes ou operários de lanifícios, o barbeiro, o sapateiro, o chapeleiro, o carpinteiro, o empregado e talvez o magistrado e até alguns padres, poucos dispensam o produto imediato do tear ou do pisão, do tinto ou da tenda. As crianças quase que têm como único brinquedo, em passando dos três anos, o encherem as canelas, esses são os seus bonecos, e não é raro vê-las ao colo das mães a aprender a escolher a lã.

É uma febre endémica local estacionária, filha do país, tendo as suas causas naquele solo, e atacando as pessoas que o visitam.

Em poucas ruas deixará de se encontrar um tear, um tinto, um preparo de corda, uma escolhedora, uma tenda ou oficina de ultimação.

Um escritor português erudito admitiu um céu de veludo azul, pois aqui pode-se dizer sem grande impropriedade, que se respira uma atmosfera de lã, que se como e se bebe lã, que lã é a alegria, e por ser o primeiro centro fabril de Portugal, alguns autores chamavam-lhe “Manchester Lusitana”, e o jornal o Século nº 6123 chama-lhe «Vernier portuguesa».

In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã – António Garcia Borges

 

 

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PONTE DO ANAQUIM

 

A ponte do caminho-de-ferro denominada Anaquim, fica situada sobre a Ribeira da Carpinteira no Sítio das Poldras.

Este topónimo advém do facto de ali ter existido a fábrica de lanifícios “Anaquim & Copeiro”.

Esta ponte, lançada entre duas vertentes que ladeiam um curso de água e uma estrada, é composta por dois pilares em pedra de cantaria, com arcos adoçados, e ao centro tem um tabuleiro metálico com barras cruzadas; na parte superior, assentam os carris e as travessas.

A Ponte do Anaquim foi construída no ano de 1893.

In, História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Covilhã, António Garcia Borges

 

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PONTE DOS OITO ARCOS

 

A Ponte dos Oito Arcos é uma ponte por onde passa o caminho-de-ferro que liga a Covilhã à Guarda e está localizada sobre o Ribeiro de Flandres. O topónimo deriva da sua arquitetura ser composta por oito arcos adoçados.

O traçado forma uma curva composta por sete pilares em pedra de cantaria da Região da Covilhã (Serra da Estrela), com arcos adoçados onde assentam os carris e as travessas.

Foi construída no ano de 1893, por um empreiteiro de nome Fazenda, natural da Covilhã.

In, História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Covilhã, António Garcia Borges

 

 

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Video elaborado por José Pereira Santos in
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publicado por Paulo Jesus às 23:53

Fevereiro 22 2010

BAIRRO DO RODRIGO

 

No ano de 1947 foi celebrado um contrato para a construção de um bairro operário a sul da Rua e Travessa do Rodrigo, com habitações económicas destinadas a trabalhadores da indústria de lanifícios.

Este, foi construído com base num acordo estre a Caixa Sindical e Previdência do Pessoal da Industria de Lanifícios, e a Câmara Municipal da Covilhã, que comparticipou a obra, juntamente com um subsídio financeiro atribuído pela Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios. Previa-se a construção de um bairro com 100 habitações, sendo metade de tipo A e metade de tipo B.

Competia à Câmara Municipal da Covilhã, a construção, junto a este bairro, de um edifício escolar com 8 salas, bem como das infra-estruturas de arruamentos, água, luz e esgotos.

Em 1948 procedeu-se à compra do terreno, para a construção deste bairro destinado às classes menos abastadas, e que pertencia aos proprietários António Pessoa de Amorim Morão e sus esposa, Berta de Castro Melo Pessoa de Amorim Morão, pela quantia de 460.000 escudos; a Rafael Pessoa de Amorim Morão e esposa Maria helena celeste Forjaz Pereira de Sampaio Guerra e Sá Morão, pela quantia de 40.500 escudos e a Maria da Natividade Trigueiros Frazão, pela quantia de 50.000 escudos.

Em 1949 foi adjudicada, a João da Costa Riscado, a empreitada da Construção de mais 50 moradias do tipo B, junto das 100 já implantadas.

No ano de 1950 foi celebrado o contrato da urbanização do bairro a João da Costa Riscado, pelo valor de 693.084 escudos.

Em 1951 foi adquirida uma parcela de terreno a Capitolina Alçada e outros, para a construção de mais casas para operários e foi celebrado o contrato de empreitada da construção de mais casas para operários e foi celebrado o contrato de empreitada da construção de 26 moradias, adjudicadas a João Costa Riscado, pelo valor de 1.337.500 escudos.

Nesse mesmo ano foi assinado o auto de entrega das casas do Bairro do Rodrigo, constituído por 100 moradias, num total de 24 prédios de 2, 4, 6 e 8 habitações cada; tendo sido edificado em regime de empreitada, pela Câmara Municipal da Covilhã, Caixa Sindical de Previdência do Pessoal da Indústria de Lanifícios, com a Comparticipação da Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios, de acordo com contrato celebrado em 1947.

No ano de 1952, a Câmara Municipal da Covilhã procedeu à aquisição de terrenos anexos para a construção de mais casas de renda económica.

Nos finais de Fevereiro de 1953, a Câmara Municipal da Covilhã procedeu à distribuição de 26 novas habitações.

Após a construção do bairro foram atribuídos os seguintes topónimos; às várias ruas para Rua Fernando Henrique da Cruz; Rua Francisco Rodrigues Taborda; Gregório Baltazar; João Batista Roseta; João Mendes Alçada de Paiva e Joaquim Pereira e Espiga.

A zona do Rodrigo ainda é composta por outras ruas, designadamente: Rua do Rodrigo; Rua Grupo de Instrução e Recreio; Travessa do Rodrigo; Rua da Tapada; Calçada das Poldras; Rua Mateus Fernandes e Rua Ferreira de Castro.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

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Ano de 1953 - Construção do Bairro do Rodrigo.

O Bairro do Rodrigo foi construído nos finais da década de 40, só para operários da indústria de lanifícios. Foram impulsionadoras a Caixa Sindical de Previdência e a F.N.I.L. (Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios).

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IGREJA DE SANTO ANTÓNIO

 

A Capela de Santo António está situada no Bairro do Rodrigo. Foi inaugurada no ano de 1954. É composta por um só altar.

O Altar-mor tem, colocada na parede, uma Imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo Ressuscitado; nos lados estão colocados dois painéis pintados em madeira, um com a Imagem da Santa Luzia e o outro com a de Santa Marinha.

À direita do Sacrário encontra-se colocada, numa coluna esculpida em pedra, a Imagem de Santo António, Orago da mesma capela.

Na nave, estão duas colunas, de cada lado, trabalhadas em madeira, com pintura dourada estilo Rococó, a do lado direito com a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, e a do lado esquerdo com a do Sagrado Coração de Jesus.

Em 29 de Abril de 1988, começou a pensar-se em melhoramentos da capela, passado algum tempo, começou a ser construído um salão polivalente, no lado esquerdo que é utilizado para sacristia, catequese e casa mortuária, tendo sido inaugurado em 9 de Abril de 1991.

Passados alguns anos teve um novo melhoramento, tendo sido construído um alpendre fechado na porta principal, servindo para resguardar do vento e do frio.

É de referir que os dois painéis que se encontram no Altar-mor, as duas colunas que se encontram na nave, a porta principal em pedra e o campanário, fizeram parta da antiga Igreja de Santa Marinha.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

 

BAIRRO DA ESTAÇÃO

 

No dia 26 de Maio de 1950 foi deita a escritura de compra de três propriedades e parte de outra junto à estação do caminho-de-ferro e da cadeia desta cidade, pela quantia de 720.000 escudos como consta do livro de Atas nº 17 da Câmara Municipal da Covilhã, à família Santos Viegas de Seabra, representada por Aldegundes Maria Pinto Mesquita; como segundo outorgante estavam presentes: Anthero Frederico de Seabra e sua esposa Maria Augusta dos Santos Viegas de Seabra e Maria Hermínia dos Santos Viegas de Seabra representada pela Aldegundes Maria Pinto Mesquita. Como terceiro outorgante: Dr. Carlos Coelho, Presidente da Câmara Municipal da Covilhã.

Estas propriedades encontravam-se descritas na Conservatória do Registo Predial da Comarca da Covilhã, sob o nº 28362 e inscritos na matriz rústica da freguesia de Santa Maria Maior, sob o nº 436 denominadas «chindeiras». As restantes propriedades tinham número 759 inscrito na matriz rústica da freguesia de Santa Maria Maior sob. o nº 492 e o último terreno também se encontrava descrito na referida conservatória sob o nº 23496, inscrito na matriz rústica da freguesia de Santa Maria Maior sob o nº 434.

A Câmara Municipal da Covilhã vendeu, ao Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, 30 lotes de terreno no local da estação de caminho-de-ferro da Covilhã, por 806.058 escudos, onde foi implementado o bairro social de rendas económicas, para alojar famílias operárias.

Construído em três fases de construção bastante distintas entre si:

A 1ª fase de construção inicia-se em 1955, um quarteirão fechado de 15 lotes com logradouro no interior composto por 83 fogos e 8 lojas; O bairro caracteriza-se por blocos de habitação coletiva de três a quatro pisos e apresentam 7 tipologias diferentes.

A 2ª fase inicia-se em 1961 e caracteriza-se por blocos de habitação coletiva isolados; inicialmente estava prevista a construção de 11 blocos, tendo sido apenas construídos 6.

A 3ª fase construída no ano de 1963, em 2 blocos isolados, com uma altura de 4 andares.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 
 

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TRIBUNAL JUDICIAL DA COMARCA DA COVILHÃ – CASA DOS MAGISTRADOS

 

No dia 13 de fevereiro de 1950 foi feita a escritura de compra e venda de uma casa e de uma propriedade rústica no sítio da estação de caminho-de-ferro desta cidade, a Beatriz Augusta Leal dos Santos Gascão Nunes, pela quantia de 850.000 escudos – consta no livro de Atas número 16 da Câmara Municipal da Covilhã.

Estes prédios encontravam-se descritos na Conservatória do Registo Predial da Comarca da Covilhã, sob o número 9826, livro b. 28 e 22.279 livro b. 59.

O Tribunal Judicial da Comarca da Covilhã e a residência dos magistrados foram inaugurados no ano de 1957, tendo sido construído em pedra da região e é um dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Dispõe de uma sala de audiências com um grande painel de azulejos representando a justiça e de uma secção central que dá apoio à secção do 1º Juiz, do 2º Juiz e do 3º Juiz, Serviços do Ministério Público, Conservatória do Registo Civil e Arquivos.

Junto a este edifício foi construído um outro, em pedra da região, para residência dos Magistrados.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

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URBANIZAÇÃO NA ZONA DO CENTRO COMERCIAL DA ESTAÇÃO

 

No dia 7 de Março de 1977 foi feita a escritura da venda de um lote de terreno, pela quantia de 350.000 escudos. À Câmara Municipal da Covilhã, para construção urbana, sito no Bairro da Estação, na zona do bloco estrela, com a área de 297 m2, onde foram construídos vários blocos habitacionais e o Centro Comercial da Estação, a Pedro Francisco Pereira Baptista, sua esposa Fernanda Pinto André Mendes Baptista; António Augusto de Ascensão casado com Olga Fernanda de Oliveira Marques; António José Castela, José Carlos Adonis Gomes de Almeida; Manuel Duarte da Costa; José Tomás Amaral; José Carlos Cavaca Gouveia; Carlos Alberto da Silva Gomes e Joaquim dos Santos Belo.

Atualmente a urbanização do Bairro da Estação tem os seguintes topónimos: Rua Conde da Ericeira; Rua da Misericórdia; Rua Arquiteto Calais; Rua João Alves da Silva (antiga Rua Heróis de Dadrá); Rua D. Sancho I; Avenida 25 de Abril (antiga Avenida de Salazar); Largo Francisco Sá Carneiro; Praceta Dr. Duarte Simões; Rua Zeca Afonso; Rua Mateus Fernandes; Rua de Acesso à Estação; Avenida Europa; Rua Irmãos Bonina; Rua António Lopes e Avenida Rio de Janeiro.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

 

ESTABELECIMENTO – PRISIONAL REGIONAL DA COMARCA DA COVILHÃ

 

No ano de 1949 a Câmara Municipal da Covilhã expropriou, a Barbara de Jesus Gigante, um terreno sito na Rua Conde da Ericeira ou Cruz da Rata, freguesia de São Pedro, Concelho da Covilhã, composto de uma casa com rés-do-chão e primeiro andar, com superfície de dez mil e cinquenta metros quadrados e logradouro com a área de dois mil cento e cinquenta metros quadrados, inscrito na matriz predial sob o artigo no 323 da freguesia de São Pedro, com o valor tributável de vinte e três mil oitocentos e quarenta e dois escudos e quarenta e cinco centavos.

Esse terreno foi destinado à construção do Estabelecimento Prisional Regional da Comarca da Covilhã que se efetuou na década de 1950.

Foi construído na década de 1950

O edifício tem a forma geométrica de um octógono, e arquitetura do Estado Novo.

É um belo edifício, com dois pisos e de grande dimensão rodeado por um muro a toda a volta e é propriedade da Câmara Municipal da Covilhã.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

 

ACONDICIONAMENTO TÊXTIL

 

A construção do Acondicionamento Têxtil foi adjudicada, em 1950, por um concurso à empresa Construtora Abrantina Lda. pela quantia de três milhões novecentos e trinta e seis mil e trezentos e sessenta e sete escudos, de acordo com o projeto da autoria do arquiteto Rodrigues Lima, tendo o custo final da obra e equipamentos ultrapassado os vinte e cinco mil contos, valores provenientes na integra dos fundos da Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios «F.N.I.L.».

No dia 25 de janeiro de 1950, a Câmara Municipal da Covilhã celebrou a escritura de venda de uma parcela de terreno no sítio da cadeia, freguesia de Santa Maria Maior a José Laureano de Moura e Sousa e seu representante, membro da direção da Federação Nacional dos Industriais dos Lanifícios.

Este equipamento de natureza técnica tinha, por finalidade o controlo de qualidade de todos os produtos e matérias-primas relacionadas com a indústria de Lanifícios.

A 28 de junho de 1952 foi inaugurado o edifício do Acondicionamento e Laboratório Têxtil da Covilhã.

Em 1982, o imóvel foi encerrado.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

 

ESCOLA SECUNDÁRIA FREI HEITOR PINTO

 

O Liceu Municipal da Covilhã foi criado por publicação do Decreto-Lei nº 23.685, de 21 de Março de 1934, que contém apenas dois artigos de seguinte teor: “art. 1º - é criado na cidade da Covilhã um liceu municipal, de frequência mista, que deverá funcionar a partir do ano letivo de 1934/1935 e será regido pelas disposições do Estatuto do Ensino Secundário, aprovado pelo Decreto com força de lei nº 20.741, de 18 de dezembro de 1931, e dos decretos com força de lei nºs. 21660 e 21706 e respetivamente de 3 de junho e de 17 de setembro 1932 art. 2º - é revogado o Decreto nº 20.930, de 20 de fevereiro de 1932”.

A Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Covilhã apresentou ao Governo a proposta para construção de um edifício expressamente destinado a liceu, independentemente da Escola Industrial Campos Mello, para poder começar a funcionar em Outubro de 1934.

Estava dado o primeiro passo para a satisfação dos covilhanenses a nível escolar. Havia porém, muitas contrariedades quanto à escolha do patrono do liceu, uma vez que o carisma intelectual e de patriotismo de Frei Heitor Pinto se coadunava perfeitamente com o título desejado. “A Comissão Municipal, presidida pelo Dr. Almeida Garrett atendendo ao Cedreto nº 21706, tem a faculdade de prestar homenagem a uma personalidade local que se tenha distinguido pelos seus serviços à Pátria e ao Município”. A 7 de agosto de 1934, no Decreto-lei nº 24312, é atribuída a designação do liceu Heitor Pinto àquela escola e no primeiro ano matricularam-se 182 alunos, de ambos os sexos, sob a lecionação de seis professores incluindo o Reitor.

O edifício do Liceu Heitor Pinto funcionou na Rua dos Combatentes da Grande Guerra até ao ano de 1968, passando depois a funcionar na Avenida Salazar, hoje 25 de Abril, em novos edifícios com diversos pavilhões construídos de raiz.

No dia 21 de março de 1970 o Liceu Nacional da Covilhã foi inaugurado por Sua Exª. O Presidente da República Almirante Américo da Deus Rodrigues Tomás.

Em 1974 passou a designar-se a Escola Frei Heitor Pinto.

 

Cronologia dos Reitores e Presidentes

 

Reitores

Dr. Manuel Rabaça – 1934-1936

Dr. Feliciano Ramos – 1937-1938

Dr. Paulo Sousa – 1938-1939

Dr. Joaquim Vasco – 1939-1950

Dr. João Fonseca Silva – 1950-1954

Dr. Alfredo Antunes dos Santos – 1954-1959

Dr. José Abrantes da Cunha – 1959-1967

Dr. Domingos Rijo – 1967-1974

 

Conselho Diretivo da Escola Secundária Frei Heitor Pinto

Drª Vitoria Campos – 1974-1975

Dr. Luís Canas Ferreira – 1975-1978

Drª Leonor Abreu – 1978-1980

Dr. Fernando Panarra – 1980-1984

Dr. Luís Alberto Amoreira – 1984-1986

Dr. Fernando Panarra – 1986-1991

 

Conselho Executivo

Dr. Aníbal José Trindade J. Mendes – 1991-1993

Drª Maria Cabral Nogueira – 1993-1994

Drª Fernanda da Costa – 1994-1997

Dr. José Manuel Gonçalves Rodrigues – 1997-2002

Dr. Aníbal José Trindade J. Mendes – 2002-2009

 

In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

publicado por Paulo Jesus às 23:53

Fevereiro 22 2010

 

BAIRRO DOS PENEDOS ALTOS

 

O Bairro dos Penedos Altos localiza-se na zona mais a Norte da Covilhã, junto à Ribeira da Carpinteira. Este bairro, foi o primeiro bairro social inserido nos programas habitacionais do Estado Novo. Designadamente no programa de casas económicas.

Em 1936, foi realizada a venda da Quinta dos Melos, “Penedos Altos”, por Georgina Geraldes de Lima e Cunha de Campos Mello, casada com José Maria Castro Campos Mello às seguintes entidades: Câmara Municipal da Covilhã; Caixa Sindical de Previdência do Pessoal da Industria de Lanifícios e à Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios, para construção de um bairro operário.

No ano de 1940 foi adjudicada a 1ª fase ”bairro de cima”, aos construtores António Alves Franco Júnior; Augusto Domingos e Joaquim da Silva Reis para a construção de casas com habitações de piso único e diversas tipologias para alojar agregados familiares de várias composições. Todas as casas possuem um quintal nas traseiras.

Em 1946, para dar continuidade à construção do bairro, foram adquiridos terrenos aos seguintes proprietários, Eng. Telo de Carvalho Simas e esposa bem como a Carlos Mello e Castro e esposa Isilda Castro Campos Mello e Matos, e outros. Nessa data, teve lugar a assinatura do empréstimo no valor de um milhão e seiscentos e quinze mil escudos à Caixa Geral de Depósitos às seguintes entidades: Câmara Municipal da Covilhã; Caixa Sindical de Previdência do Pessoal da Indústria de Lanifícios da Covilhã, para fazer face aos encargos que lhe competiam na ampliação do bairro.

Seguiu-se, no ano de 1947, a construção da 2ª fase “bairro de baixo” com o autor do projeto Eng. Mário Soares Lopes e os construtores José da Costa Riscado e Manuel Fernandes Pinto.

O bairro de baixo, era composto de habitações de 2 andares, e cujo número de divisões e rendas variavam em concordância com os agregados familiares a alojar. Todas as habitações possuíam um quintal nas traseiras.

O bairro estava dotado de infra-estruturas como saneamento, água, luz, edifício escolar e Igreja.

Em 1953 foram adquiridos terrenos à “Fábrica Alçada & Filhos, Sucessores”, para ampliação do bairro.

Na década dos anos 80 e 90, do século XX, as quintas do Samarra, do Mestre Jaime e Serrado foram vendidas em lotes de terreno para novas construções.

Atualmente, trata-se de um bairro único, dotado de variadas infra-estruturas de lazer; jardins; parque infantil; piscina municipal; escola; pavilhão gimnodesportivo; associações culturais e desportivas e outros equipamentos.

Este bairro é composto pelos seguintes arruamentos; Rua Celestino David; Rua da Calva; Praceta da Calva; 1ª e 2ª travessa da Calva; Travessa D. Filomena Anaquim; Rua D. Maria José Alçada; Rua Dr. Guilherme Raposo de Moura; Rua Dr. Manuel Mendes de Matos; Rua Fernando Antunes; Rua da Igreja; Rua São José; Rua e Escadas do Padre Pita; Caminho dos Moinhos; Rua dos Motoristas; Rua da Piscina; Rua e Escadas do Pinho Manso e Rua do Ribeiro de Flandres.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

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IGREJA DE SÃO JOSÉ

 

A Igreja de São José fica situada no Bairro dos Penedos Altos e foi inaugurada em 22 de outubro de 1950. Após a sua inauguração esta povoação passou a ser um Curato (povoação pastoreada por um cura com condições para se tornar paróquia).

Esta igreja tem o Altar-mor, do lado esquerdo, encontra-se colocada, em cima de um pedestal, a Imagem de São José, Orago da mesma Igreja e Paróquia; no lado direito estão dois painéis em azulejos, um alusivo ao Batismo de Jesus por São João Baptista, com uma pomba (descida do Espírito Santo, sobre o seu Filho muito amado) e o outro ao Encontro de Jesus com a Samaritana.

D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, passou este curato a paróquia em Maio de 2009.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
 
 
 

PISCINA DA COVILHÃ – BAIRRO DOS PENEDOS ALTOS

 

Na década de sessenta, a Câmara Municipal da Covilhã, então presidida pelo Eng. Vicente da Costa Borges Terenas, procedeu à construção de uma piscina no Bairro dos Penedos Altos. A obra, adjudicada ao Empreiteiro José Augusto Bom Jesus, foi inaugurada a 25 de Maio de 1968.

A Piscina Municipal da Covilhã teve novos melhoramentos, com a construção de uma cobertura e aquecimento e foi aberta ao público em 3 de Julho de 1998, inaugurada pelo Presidente da Câmara Municipal Carlos Pinto.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

 

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CLUBE DESPORTIVO DA COVILHÃ

 

O Clube Desportivo da Covilhã (C.D.C.) foi fundado em dezembro de 1932, com a finalidade da prática do desporto. Para além de praticar a educação física, este clube iniciou a modalidade de natação, que era praticada no chamado Poço Grande, situado no Bairro Municipal.

Esta associação, encerrou as suas atividades no ano de 1945 por ter sido proibida a prática de natação no Poço Grande (o poço era abastecido de água não tratada, proveniente da Ribeira da Carpinteira, que a montante recebia os esgotos do Sanatório dos Ferroviários).

Por volta do ano de 1954, os antigos dirigentes e associados do Clube entraram em contacto com a Comissão de Melhoramento do Bairro dos Penedos Altos, com vista à aquisição de terrenos pertencentes a essa Comissão, que se encontravam sem utilização, com a finalidade de aí construir um Parque Desportivo. Foi acordada a construção e foram de imediato iniciadas as obras de adaptação dos terrenos, tendo, em 15 de Maio de 1965, sido inaugurado o recinto com a presença do então Diretor Geral dos Desportos, Dr. Armando Rocha.

O C.D.C., além da prática da natação, pratica, ainda, as modalidades de hóquei em patins, xadrez, esqui alpino, futebol e basquetebol.

Nos finais dos anos 60, do século XX, organizaram-se os Torneios de Primavera, no seu parque desportivo, com a prática das modalidades de futebol de salão, andebol, basquetebol, voleibol e hóquei em patins, e onde estiveram representadas todas as Associações Desportivas da Covilhã. Estes torneios deixaram de se realizar no ano de 1999.

Alguns anos depois. O Parque Desportivo foi alvo de obras de requalificação tendo sido coberto, passando a Pavilhão Gimno-desportivo e foi inaugurado com a presença do Governador Civil do Distrito de Castelo Branco, Sr. Alberto Ferreira de Matos Romão zinho e do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Sr. Augusto Lopes Teixeira.

Em 25 de Abril de 2005, foram construídas instalações anexas com a finalidade de servirem de balneários dos atletas e árbitros.

Na época de 1989-1990 a equipa do C.D.C. manteve-se na 2ª Divisão Nacional de Basquetebol, chegando a disputar a fase final para a subida à 1ª Divisão Nacional.

A Câmara Municipal da Covilhã, para prestar homenagem a esta associação, atribuiu o seu nome a uma rua do Bairro dos Penedos Altos, a Rua do Clube Desportivo da Covilhã, que começa na Rua da Igreja e termina no Pavilhão Gimno-desportivo do C.D.C.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

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CENTRO DE RECREIO POPULAR – ACADÉMICO DOS PENEDOS ALTOS

 

Decorria o ano de 1954, quando um grupo de habitantes do Bairro dos Penedos Altos, teve a ideia de fundar uma Associação Desportiva e Cultural – o Académico dos Penedos Altos. Foi arrendada uma casa, nas traseiras do prédio do Riscado, na Rua da Igreja, para o efeito. Em 24 de Junho de 1954, a nova Coletividade filiou-se na Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (F.N.A.T.), nos termos dos artigos 24º e 25º dos estatutos daquele organismo, publicados em anexo ao Decreto-Lei nº 37/836, de 24 de Maio de 1950, inserido sob o nº 60.

A frequência de pessoas, na sede, aumentou ao ponto de a direção ter de procurar um espaço mais amplo, onde pudessem ser desenvolvidas mais atividades culturais, desportivas e recreativas.

Surgiu a ideia de arrendar a antiga casa da Quinta dos Melos, da qual eram proprietárias D. Maria Isilda Campos Melo, D. Maria Teresa Lima Campos Melo Moitinho de Almeida e D. Maria Beatriz Lima de Campos Melo.

Feitas as diligências necessárias, a Associação mudou-se para a nova sede, no ano de 1955, ocupando o rés-do-chão. O andar superior estava ocupado pelo rendeiro da família Campos Melo, provisoriamente, até que se concluísse a construção de uma casa no bairro.

Nesse mesmo ano, começaram a praticar-se as modalidades de voleibol e futebol de onze, começando de imediato s disputar os campeonatos da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (F.N.A.T.). No ano de 1957, foram criadas as modalidades de ténis, badmington, hóquei em patins e ténis de mesa.

Em 1963, surgiu a formação de um grupo de teatro, que apresentou várias comédias, farsas e revistas. Nos finais da década de 60, o Académico entra nos Torneios de Primavera, na modalidade de futebol de salão, saindo vencedor nos anos de 1970, 1991, 1992, 1997.

A F.N.A.T., Delegação da Covilhã, no ano de 1966, organizou um Concurso de Presépios, a nível Regional, em que o Académico saiu premiado, tendo-lhe sido conferido o respetivo diploma. Esta Associação não parou de inovar em atividades e, no ano de 1971, introduziu a modalidade de basquetebol.

Em 1979, o Académico participou nos campeonatos da 2ª Divisão, na modalidade de voleibol e, nesse mesmo ano, fez a sua apresentação no Torneio organizado pelos Unidos do Tortosendo, nas modalidades de basquetebol e futebol de salão.

No ano de 1986, organizou o 1º Torneio de Tiro ao Alvo e, em 1987, participou no 2º Torneio Sport Club da Pousadinha e no 1º Torneio da Associação Desportiva de Belmonte.

Nos anos 90, a Direção do Académico, viu-se a braços com o problema da venda da sua sede e dos terrenos anexos. Os Srs. Eng Laurentino Agostinho de Almeida, Moisés Agostinho de Almeida e José Luís Carrilho de Almeida pretendiam a aquisição da Associação para aí construírem uma urbanização. Do projeto constava a demolição da sede do Académico.

A Coletividade não desistiu de lutar pela sua sede, tendo pedido à Câmara Municipal da Covilhã, então sob a presidência do Eng. Jorge Pombo, para intervir. A Câmara começa então a fazer diligências para resolver a situação.

Em 1988, o Académico entra nas Marchas Populares da Cidade da Covilhã, tendo obtido o 2º lugar da classificação geral e o 1º lugar no traje. No ano de 1999 entre no Torneio Quadrangular Juvenil do C.D. West Athletic, disputado no pavilhão do I.N.A.T.E.L., sagrando-se campeão.

Nos finais de 1999, o Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Sr. Carlos Pinto, garantiu:- “O Académico não ficará sem sede”. A Câmara Municipal da Covilhã reuniu com os proprietários do referido edifício, chegando a consenso, sendo posteriormente lavrada a escritura de posse que constou no ponto 8 da Ata elaborada em 14 de janeiro de 2000, anexo 15,

Começaram de imediato as obras de remodelação de todo o espaço, tendo o interior sido renovado e requalificado. As novas instalações foram inauguradas a 23 de Setembro de 2001, pelo Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Carlos Pinto.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

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Fevereiro 22 2010

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Fevereiro 22 2010

No dia 16 de Outubro de 1873, foi inaugurado o monumento ao qual foi dado o nome de “Palmatória” para comemorar a data de abertura da Estrada Nacional nº 230 que liga a cidade da Covilhã à cidade de Coimbra.

Estiveram presentes no acto inaugural o Sr. Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Francisco Joaquim da Silva Campos Melo (Visconde da Coriscada), o Ministro das Obras Públicas (Conselheiro António Cardoso Avelino), o Par do Reino Manuel Vaz Preto e o Deputado Pelo Círculo da Covilhã, Manuel Pinheiro Chagas.

Nos meados do século XIX, mais precisamente a 13 de Novembro de 1842, nascia em Lisboa um dos maiores polígrafos da Língua Portuguesa, Manuel Joaquim Pinheiro Chagas.

Autor polígrafo, escreveu sobre muitos assuntos: romances, poesia, crítica, memórias, monografias, artigos políticos e literários, crónicas, folhetins, dramas e comédias.

Jornalista de largos méritos colaborou, no Diário da Manhã, Gazeta Portugal, Correio da Manhã, Jornal Revolução de Setembro, Primeiro de Janeiro, Revista Contemporânea, Jornal do Comércio, Ilustração Portuguesa, Monitor Português, Diário Popular, Diário Ilustrado, Gazeta do Povo, etc., e teve lugar de relevo na política.

Como militante do Partido Regenerador, foi eleito deputado pelo círculo da Covilhã, em 1871, e reeleito sucessivamente até 1892.

A sua eloquência subjugava o auditório, como sucedeu quando se apreciaram as acusações sobre a escravatura nas Colónias Portuguesas.

A sua vida estava cheia de constantes êxitos: Deputado, Ministro da Marinha e Membro do Conselho da Coroa, Par do Reino, Secretário-Geral da Academia de Ciências, Vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, Presidente do crédito Predial, Presidente da Extinta Associação de Homens e Letras dos Jornalistas de Lisboa, etc.

Recebeu várias distinções como a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago, Grã-Cruz da Ordem de Carlos III de Espanha e de Leoplado da Bélgica e ainda o Grau de Grande Oficial de Legião de Honra de França.

Esta é uma figura portuguesa de que a cidade da Covilhã muito se orgulha de ter sido como seu representante no Parlamento.

Foi promotor da construção da Estrada Nacional nº 230 com ligação da Covilhã a Coimbra, com grande importância para a época e para os dias de hoje, abrangendo quase todo o Concelho da cidade da Covilhã.

In História da Freguesia de São Martinho da Covilhã, António Garcia Borges

 

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Fevereiro 22 2010

 

A cerca do antigo Convento de São Francisco, foi o primeiro Cemitério Municipal da Covilhã. Os enterramentos terminaram ali em 1874, devido à construção do novo Cemitério na zona do Gameiro, que ainda hoje existe. Foram necessários alguns anos para a transladação dos mausoléus, jazigos, campas rasas e sepulturas, para este novo cemitério.

No ano de 1908, os terrenos foram utilizados para a construção de um jardim público, na altura considerado uma interessante parcela do património citadino.

Foi autor do seu traçado João de Ascensão Loriga, também autor do projeto do coreto. Além da finalidade recreativa, este jardim, do princípio do século XX, teve outras funções. Foi local de festas complementares da Feira de São Tiago (que voltou a este espaço de 16 de Julho a 1 de Agosto de 1999, comemorando os 588 anos desta feira), sem stands disseminados pelos arruamentos e tendo por palco o harmonioso coreto. Neste, era costume, aos Domingos e Quintas-Feiras, na quadra estival, ouvir-se a Banda do “21” (Regimento de Infantaria 21), sob a batuta de Costa Lança. Foi também, palco de espetáculos de beneficência, por ali tendo passado destacados artistas da música ligeira.

A 15 de Fevereiro de 1951, a Covilhã sofreu uma forte tempestade, acompanhada de um grande ciclone, que destruiu muitas árvores e derrubou o velho cipreste do antigo cemitério. Nessa altura deu lugar a uma nova urbanização que se manteve até aos anos 60.

A partir dessa data sofreu grandes alterações, foi demolido o coreto e teve uma nova urbanização, sendo que o povo covilhanense passou a desfrutar de um jardim moderno, retilinto, mas considerado por muitos menos atrativo que o anterior.

Nos finais do século XX, este jardim teve novamente obras de requalificação, passando a parque de divertimento, e foi inaugurado a 29 de Julho de 2001.

In História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, António Garcia Borges

 

 

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PALACETE JARDIM

 

O Palacete Jardim está situado numa área nobre da cidade, entre a Avenida Frei Heitor Pinto e a Rua Conde da Covilhã, junto ao Jardim Público, de frente para o monumento aos Combatentes da Grande Guerra.

Este Palacete foi mandado construir em 1919, pelo antigo proprietário do edifício, o industrial de Lanifícios Joseph Bouhom, nascido na Covilhã, mas que teve origens na Bélgica. Posteriormente, passou à da posse da Família Carneiro.

A obra foi projetada pelo Arquiteto Ernesto Camilo Korrodi, e é um belo exemplar da Arte Nova no nosso País, um estilo arquitetónico e decorativo dos finais do século XIX. É bem notória a aliança entre os materiais usados pela Arte Nova: o azulejo, liso de forma geométrica, em painéis decorativos; o granito e o mármore, aplicados de forma original e assimétrica; e o ferro utilizado nas varandas.

Os azulejos dos painéis decorativos das paredes foram importados da Bélgica bem como as loiças sanitárias e os azulejos das casas de banho, segundo informação cedida pela filha do proprietário, Susana Bouhom, esposa do Arquiteto Ernesto Camilo Korrodi.

In História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, António Garcia Borges

 

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Fevereiro 22 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fevereiro 09 2010

FONTE MANUELINA

A Fonte Manuelina, é das fontes públicas mais antigas da cidade da Covilhã de que há notícia.

Esta fonte que se situava na Rua da Corredoura, encontra-se atualmente na Avenida 25 de Abril, junto ao Bairro da Estação.

Construída no século XVI, é composta por duas bicas em pedra trabalhada, cada uma com um tubo metálico, e por um tanque retangular de cantaria para onde aquelas desaguam.

O tanque está embutido em três paredes construídas em pedra de cantaria. A meio da fonte e em relevo, estão destacadas as armas nacionais da época de D. Manuel I, que têm de cada lado uma esfera armilar.

 

 

FONTE DA BOAVISTA

Esta fonte, está situada da Rua D. Cristóvão de Castro e cruza com as Ruas Comendador Gomes Correia e Capitão João de Almeida.

Este nome deve-se ao facto de a fonte se situar num local muito alto, de onde na época se avistava toda a Cova da Beira e de onde se obtinha uma “Boa Vista”.

 

 

FONTE DE SANTO CRISTO (DE CHAFURDO) – Fonte do Lameiro

Esta designação antiga é devida às suas águas serem dirigidas para um lameiro ali perto, onde hoje existe a Casa Paroquial da Freguesia e anexos.

Situava-se na Calçada do Lameiro e o seu caudal foi desviado para o lado lateral da Capela do Senhor da Ribeira, a fim de ser construída a Fábrica de Lanifícios, José Paulo Oliveira Júnior.

Atualmente a dita fonte encontra-se situada na parte lateral da Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

 

 

FONTE MARQUÊS DE POMBAL

Esta fonte fica situada na Rua Marquês d’Ávila e Bolama, em pleno coração da Universidade da Beira Interior. Tem uma arquitetura de estilo Pombalino.

Mandada construir pelo próprio Marquês de Pombal, na época em que foi construída a Real Fábrica de Panos.

Reza a lenda que, na altura, foi também chamada “Fonte das Lágrimas”, pelo facto, de muitos Covilhanenses verem a construção do edifício com as pedras das extintas muralhas da Vila da Covilhã.

 

 

FONTE DOS MELOS (DE CHAFURDO)

 

 

FONTE DO OLVIDEIRO

Esta fonte foi construída no século XIX, provavelmente entre 1872 e 1879. Toda em pedra, de cantaria da Serra da Estrela, é composta por duas colunas adoçadas e dois lintéis.

No cimo de cada uma encontra-se um pináculo em pedra trabalhada, imitando uma flor, no remate dos lintéis está colocado um vaso esculpido.

Na parte mais abaixo, onde os lintéis formam um ângulo agudo, encontra-se uma pedra, de baixo-relevo, embutida na parede com a inscrição da data da construção da fonte, já com os números sumidos.

Tem duas bicas em ferro e pedra trabalhada, que vertem água para um tanque retangular, embutido na parede.

 

 

FONTE DAS TRÊS BICAS

A magnífica e monumental Fonte das Três Bicas foi construída poe António da Silva Leitão, pedreiro de Penamacor.

É uma bela obra de arquitetura do século XIX. Foi esculpida em pedra, em estilo neo-gótico, com quatro colunas com pequenos relevos e três capitéis triangulares. Tem, como elementos decorativos, três caras, três conchas, três bicas em pedra e latão, três pias e quatro mísulas na parede.

No capitel, ao centro, encontra-se uma chapa em ferro, fixa na parede, contendo a informação de que a fonte foi construída pela Câmara Municipal no ano de 1855.

No cimo da fonte, nos três triângulos, encontram-se três vasos em pedra.

Esta fonte esteve inicialmente situada na Praça do Município; mas, no ano de 1940, por virtude das obras de construção do Teatro Cina da Covilhã, foi mudada para a Avenida Frei Heitor Pinto, junto ao Jardim Público.

 

 

FONTE DO CONDE DA COVILHÃ

 

 

FONTE DAS GALINHAS

Esta fonte foi construída no ano de 1875 e é toda em pedra de cantaria, composta por duas colunas e um lintel em forma de curva. No cimo é ornamentada por um vaso em pedra trabalhado e, no centro, encontra-se uma placa em baixo relevo com a data da sua construção.

No fundo tem duas bicas em latão e pedra trabalhada embutidas na parede, que deitam água para um tanque retangular, todo em pedra de cantaria.

Nas duas colunas, terá existido no passado, em cima de cada uma, um pináculo, que se reflete pela forma arquitetónica que elas apresentam, onde se nota a falta do mesmo.

Esta fonte encontra-se situada na Rua Marquês D’Ávila e Bolama, muito próximo do cruzamento desta rua com a Rua Conde da Covilhã.

 

 

FONTE NOVA

 

 

FONTE DE SÃO SILVESTRE

A Fonte de São Silvestre situa-se no Largo de São Silvestre.

É muito possível que a construção da Fonte de São Silvestre date da década de 1880.

É construída em cantaria, em estilo neo-gótico do Século XIX. É composta, ao centro, por uma placa em granito trabalhado, formando um octógono, que contém ilegível a data da construção. Tendo em conta o pedestal em que se apoia, é muito provável que, no passado, tivesse sido uma fonte de mergulho.

 

 

FONTE DE SANTA MARIA

Sem qualquer data de construção mencionada, supõe-se que a Fonte de Santa Maria, situada na parede do pátio de um prédio, na Rua de Olivença, tenha sido ali implantada no início do século XX.

Na sua arquitetura poderá ser observado um desenho feito em cimento com uma bonita pedra, com o bordo redondo e que está colocado em cima de uma coluna também ela em cimento.

 

 

FONTE DE SANTO ANTÓNIO

A fonte de Santo António, encontra-se situada no Largo da Infantaria 21, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

É uma obra arquitetónica dos finais do século XIX, inaugurada em 1895.

A fonte está assente em cima de três espelhos de pedra de cantaria, dos quais dois são estreitos e um largo. Além daqueles, tem ainda mais dois, pequenos, que no seu todo formam um hexágono.

A fonte é formada por seis colunas trabalhadas. Tem três pias, mais três mísulas, encostadas na própria coluna, terminando, ao alto, com um capitel que suporta numa esfera armilar em bronze.

publicado por Paulo Jesus às 00:27

Fevereiro 09 2010

Adágios

“ A ovelha era parte da vida das comunidades na Serra. Não admira, pois que esteja presente nos adágios e na sua filosofia de vida “
- Se queres ter ovelhas, anda atrás delas.
- Tola é a ovelha que se confessa ao Lobo.
- Ovelha que berra, bocado que perde.
- Cada ovelha busca a sua parelha.
- Ovelha que é de lobo, nem Sto. António lha tira.
- Pouco gado, pouco assobio.
- Vinho que nasce em Março vai no regaço.
- Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom centeio.
Lengalengas
O eco
Oh que eco que aqui há!
Que eco é?
É o eco que cá há
O quê? Há eco aqui?
Há cá eco. Há...
Padre Pedro
Padre Pedro
Prega pregos
Padre Pedro
Pardal Pardo
- Pardal Pardo porque parlas?
Eu parlo e parlarei, porque sou pardal Pardo, parlador de el-rei
Cada um
Cada um que vai a casa de cada um.
É porque quer que cada um lá vá:
Se cada um não quisesse que cada um lá fosse.
Dizia a cada um que não fosse cada um lá.
As quatro tábuas
Eu tenho quatro tábuas.
Todas mal atravincontinquelotadas.
Mandei chamar o atravincontiquelador.
Que mas venha atravincotinquelar melhor.
Tradições
Pelo natal é costume queimar-se no adro das igrejas um grande madeiro que se destina a aquecer o menino que vai nascer.
Em algumas terras é tradição roubá-lo noutras, e alguém que o oferece por promessa.
À meia-noite, o povo aproxima-se do madeiro.
Na noite de Ano Novo é de uso mandar às portas com farinha.
Este costume relembra o “ Milagre das portas “.
Pouco tempo após o nascimento de Jesus um soldado de Herodes conseguiu localizá-lo e marcou a porta com farinha, pois era de noite e ele não conhecia bem aqueles sítios. Quando voltou com os companheiros, todas as portas estavam com farinha e desistiu da busca.
Também é costume cantar as Janeiras entre o Natal e os Reis.
O Chá
O chá faz parte da vida intima e social da cidade, oferecê-lo, é uma tradição, aceitá-lo uma cortesia. Há casas adaptadas para o tomar, recantos confortáveis, almofadas convidativas. Mesas, segundo circunstâncias para o chá intimo, para o chá de cerimónia. Baixelas, porcelanas e pratos.

Aconteça o que acontecer haja calor, frio, nevão ou chuva, o chá está sempre a propósito. Faz parte da vida, dos hábitos. Talvez em nenhuma cidade do País se consuma em tão larga escala. Ricos, pobres, patrões, operários, todos o bebem.

publicado por Paulo Jesus às 00:11

Novembro 27 2009

Em 1958 Portugal contava já com 465 fábricas de lanifícios, sendo o principal centro industrial na zona da Covilhã. A título de exemplo só na cidade da Covilhã, principal polo industrial de lanifícios do pais, em Dezembro de 1972 e no relatório do Grémio dos Industriais de Lanifícios da Covilhã, havia registadas 99 empresas de lanifícios nesta cidade, que empregavam 6.760 operários, so na cidade, A “Ernesto Cruz & Cª”, actual “Pólo das Ciências Sociais e Humanas da UBI” (Universidade da Beira Interior) era uma das maiores fábricas na altura e empregava 810 trabalhadores. Outra das grandes industrias era a “Lanofrabil”, onde trabalhavam 412 pessoas, e a “Empresa Transformadora de Lãs, Lda.”, actual “Pólo I da UBI”, que empregava 451 operários.

 

Publicidade a algumas fábricas de lanifícios da Covilhã na “Gazeta dos Caminhos de Ferro” de Janeiro 1948.

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Imagens do interior de uma fábrica de lanifícios nos finais dos anos 40 do século XX.

 

 

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CARDAÇÃO

 

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SELFACTINA - (FIAÇÃO DE FIOS CARDADOS GROSSOS)

 

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TEAR DE MAQUINETA

 

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 PENTEAÇÃO

 

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FIAÇÃO

 

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TECELAGEM 

 

 

A Covilhã chegou a ter mais de duzentas empresas. Hoje tem 10 a 15 empresas de lanifícios. Entre 1989 e 1993, encerraram ou paralisaram no concelho da Covilhã 25 empresas, entre as quais algumas das maiores. A “Empresa Transformadora de Lãs, Lda.”, empregadora, ma altura de 176 trabalhadores, a “Lanofabril”, com 270 trabalhadores e a “Ernesto Cruz & Cª”, com 223 trabalhadores, entre outras de menor dimensão, deixaram sem atividade profissional 1.324 trabalhadores.

O industrial, jornalista e político, José de Bastos Rabaça, nomeado em 1969 para presidir à FNIL, após reforma do Dr. Ubach Chaves, revitalizou a pesada estrutura em que se tinha, entretanto, transformado a FNIL, aliviou a burocracia e democratizou a gestão da Federação. Em 1970, um grupo de covilhanenses, à frente dos quais estava Manuel Mesquita Nunes, então Presidente do “Grémio da Covilhã” e que se destacou como grande industrial nos anos 60 do século XX, lançou as bases para a fundação do “Instituto Politécnico da Covilhã”, que se destinou principalmente a formar técnicos e gestores para a indústria têxtil e que veio a dar origem à “UBI – Universidade da Beira Interior”.

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Com o desmantelamento do sistema corperativo em 1974 foi fundada a “Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios”, com sede na Covilhã.

 

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publicado por Paulo Jesus às 23:35

Novembro 24 2009

 

PRAÇA DO MUNICÍPIO OU PELOURINHO

 

A EVOLUÇÃO DOS PAÇOS DO CONCELHO DA COVILHÃ

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No lugar da antiga Porta da Vila, a mais importante das cinco portas das muralhas medievais, mandaram os Filipes, em 1614, construir o edifício dos Paços do Concelho, referido na época como “o mais majestoso da vila”. Era um grande e pesado edifício, que albergava, para além dos serviços municipais, a prisão do concelho instalada no rés-do-chão e outros serviços públicos.
Em frente deste edifício abria-se um vasto terreiro, que viria a transformar-se no centro cívico da cidade. Ao centro levantou-se um pelourinho,que consistia numa coluna de pedra, assente sobre uma plataforma de quatro degraus e tendo por capitel uma roca, com fuste oitavado composto por duas pedras. O pelourinho foi derrubado em 9 de Maio de 1863.
Todo este espaço, foi-se pouco a pouco, rodeando de casas e igrejas, adquirindo o estatuto de Praça do Município, vulgo Pelourinho, onde o povo se juntava, na cavaqueira quotidiana, em festanças, em manifestações, procissões, paradas militares, etc. Ali mesmo se fizeram corridas de touros e se realizaram os mercados semanais. Estes deixaram de se realizar ali, a partir de 1944, aquando da inauguração do mercado fechado em S. Vicente.
Das igrejas construídas perto do Pelourinho, permanece a Igreja da Misericórdia, construída no ano a seguir à Restauração, e que tinha em anexo um hospital para pobres.
A Praça do Município, foi antigamente uma praça arborizada, com bancos e no centro teve coreto onde, em dias festivos tocavam as Bandas da cidade. Os edifícios envolventes tinham como característica essencial o estilo renascentista.
Os “ventos do progresso” que levaram a uma profunda remodelação desta praça, começaram a soprar nos anos 40, que culminou com a inauguração, em 12 de Outubro de 1958 do novo edifício da Câmara Municipal, tendo para a sua construção, sido derrubado o antigo edifício filipino. Com toda esta “modernização” do centro da cidade, a decantada Fonte das Três Bicas foi transferida para perto do Jardim Público. Esta fonte foi construída em 1855, de traça barroca, com colunas trabalhadas e frontões triangulares com pilastras.

Do actual edifício dos Paços do Concelho, exemplo da arquitectura do Estado Novo, deve salientar-se o Salão Nobre, com os painéis da autoria do pintor Lino António, representando, quer momentos significativos da história da Covilhã, quer as suas actividades económicas mais importantes. Numa sala contígua, pode também observar-se uma Tapeçaria tipo Portalegre, do professor António Lopes “Covilhã, Cidade Fábrica, Cidade Granja” e que representa vários quadros da vida da Covilhã. No vestíbulo, encontram-se as estátuas de Frei Heitor Pinto e Pêro da Covilhã.

 

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TEATRO CINE DA COVILHÃ

 

O Teatro Cine da Covilhã foi construído no local onde existia a Fonte das Três Bicas e o Teatro Covilhanense. A sua construção iniciou-se por volta do ano de 1940, tendo sido feita a sua inauguração a 31 de Maio de 1945, pela companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro.

A arquitetura deste teatro é ao estilo do Estado Novo; o edifício foi mandado construir pela família Pina Bicho. Continua nos nossos dias a ser utilizado para a maior parte dos eventos culturais da Covilhã: Teatro, óperas, Concertos Musicais, concursos internacionais como o de Piano e Cordas, Cinema, Bailados, Exposições, Bailes de Gala, Feiras do Livro, Colecionismo, entre outros.

No mesmo edifício, também estava instalado o Café Montalto, inaugurado na mesma data do Teatro Cine. Este café era o espelho da aperaltada burguesia da cidade da Covilhã, predominantemente composta por industriais e empregados da indústria de lanifícios, e de outras figuras ligadas ao poder e ao dinheiro.

Encontrando-se situado em pleno coração da cidade (Praça do Município), aque eram realizados inúmeros negócios pelos industriais de lanifícios.

Naquela época, este café era o mais amplo e luxuoso que existia na Covilhã e, por isso, a fina flor da cidade, se algum operário ou trabalhador doutras profissões entrasse neste estabelecimento, via isso com maus olhos e até com certo desprezo.

As gentes simples não sentiam À-vontade em aí ir beber um café, devido à maneira como seriam vistos pelos seus patrões e empregador.

Após o 25 de Abril de 1974, a população operária, ao regressar de uma festa que se realizou no Parque Florestal, deu uma volta ao Pelourinho e entrou neste estabelecimento; então, um dos populares subiu para uma mesa e gritou em voz alta; isto é a nossa Bastilha.

Passado algum tempo. O café acabou por encerrar as suas portas. Atualmente o que resta do Café Montalto é a frontaria, o seu interior foi transformado numa agência bancária.

 

In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges

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publicado por Paulo Jesus às 22:02

Dezembro 12 2008

           

 

Introdução
 
Únicos em Portugal, os vales Glaciares da Serra da Estrela são hoje a imagem viva de como a glaciação deixou impressionantes testemunhos.
 
A Rota dos Vales Glaciares permite a observação do local de origem glaciar – a cúpula do cima da montanha – dos vales desenhados pelas várias línguas de gelo e dos depósitos deixados por esta massa de gelo em movimento.
 
Vale Glaciar do Zêzere, Vale Glaciar de Alforfa, Vale Glaciar de Loriga, Vale Glaciar do Covão Grande, Vale Glaciar do Covão do Urso são os cinco percursos que o gelo traçou e que o Homem pode agora descobrir em perfeita comunhão com a natureza.
 
Há milhares de anos, a Glaciação na Serra da Estrela permitiu a existência de neves perpétuas (a partir de 1.650m) que se fundiam durante o ano ficando compactadas e dando origem ao gelo.
 
Assim, acabou por se formar uma cúpula de gelo no Planalto da Torre que teria uma superfície de cerca de 70 Km2 e uma espessura de 80m.
 
O progressivo aumento da temperatura – sempre negativa, nesta era de glaciação – originou a formação de línguas de gelo que escoavam para as altitudes mais baixas, moldando então os vales já existentes.
 
O Planalto Glaciar
 
Corresponde à área outrora ocupada apela cúpula de gelo, formando uma paisagem de rocha nua em que existem depressões ocupadas por lagos, charcos ou prados húmidos. Normalmente não existem arestas vivas já que as rochas foram afeiçoadas pelo gelo em movimento, contrastando com as áreas não afectadas pela calote glaciária, onde as arestas irregulares das rochas subsistiram. Imaginemos aqui a existência de uma calote de gelo com uma altura de 80m.
 
Os Vales Glaciares
 

Formam os cinco principais vales desenhados pelo gelo e que agora podemos percorrer. Correspondiam à força das línguas de gelo que escoavam radialmente desde a referida calote da Torre. A partir daqui, vamos seguir os mesmos caminhos que o glaciar percorreu ao longo da glaciação formando este cenário único em todo o Portugal.

 
O Vale Glaciário do Zêzere
 
 
Corresponde à língua glaciária de maior dimensão da Serra da estrela, atingindo os 13 Km de extensão.
            Pode ser facilmente observado o local em que o glaciar ultrapassava a zona actual vila de Manteigas, tendo-se dissolvido a cerca de 680 m de altitude. O enorme comprimento do vale glaciário, deve-se ao facto de ter sido alimentado pelas línguas da Nave de Santo António, Covão da Ametade, Candieira e Covões, progressivamente.
            A espessura da língua de gelo atingia na parte montante do vale cerca de 300 m, o que pode ser confirmado pela existência de moreias na Lagoa Seca. Na nave de Santo António existem também moreias laterais espectaculares. A jusante, na margem esquerda do Rio Zêzere, abaixo do vale da Candieira, encontram-se moreias mais baixas às quais se chama Espinhaço de Cão.
 
O Vale Glaciar de Loriga
 
 
Situado na vertente oeste, quase atingia o local actual da vila. Tendo início a 1750 m de altitude, perto do Planalto da Torre, apresenta uma série de quatro covões (alguns com aproveitamento hidroeléctrico) que descem abruptamente uma extensão de 7 Km.
            Na época do glaciar, o gelo progredia até à atitude máxima de 800 m que, posteriormente, removia todo o manto vegetal deixando a descoberto a superfície do granito sujeita a fracturação que é presente nos dias de hoje.
            A ribeira de Loriga é a linha de água herdade deste glaciar constituíndo um dos magníficos cenários da Serra da Estrela.
 
O Vale Glaciar do Covão Grande
 
 
Situado na vertente noroeste, e portanto melhor alimentado pelas quedas de neve, estendia-se a cerca de 5,5 Km em direcção à Lapa dos Dinheiros e apresentava uma espessura de gelo de, pelo menos, 150 m, dissolvendo-se a uma altitude de cerca de 1000 m.
            A sua posição elevada foi sujeita a uma erosão glaciária mais intensa e prolongada, sobreescavando a base do vale. Porém, as formas mais espectaculares de serem vistas são as acumulações morénicos da Nave Travessa, actualmente cobertas por vegetação, acumulações de blocos erráticos situados nas margens da Lagoa Comprida, antiga lagoa glaciária.
 
O Vale Glaciário do Covão do Urso
 
 
Situado na vertente noroeste, tinha origem no planalto da Torre, no local dos Conchos e dirigia-se até ao local da actual aldeia do Sabugueiro. Tinha cerca de 6,5 Km de comprimento mas dissolvia-se a uma altitude igual ou superior (1000 m).
            Bruscas rupturas de declive, observadas a jusante do Lagoacho e abruptos sucessivos, observados na Nave Descida parecem formar o cenário ideal para a maior moreia lateral da Serra da Estrela, correspondente à fase de maior extensão dos glaciares, prolongando-se por cerca de 3 Km no meio da vegetação que, por vezes, atinge um porte arbóreo.
 
O Vale Glaciário de Alforfa
 
 
Situado na projecção oposta do Vale Glaciário de Manteigas, este foi originado por um glaciar que atingiu os 5,5 Km de comprimento e se dissolveu a uma altitude de 800 m. A sua maior exposição solar em relação ao vale oposto justifica esta diferença de altitude no término do glaciar (120 m). No entanto, este é o vale onde melhor se podem observar os terraços de acumulação proglaciária, acumulações desordenadas de rochas e blocos de grandes dimensões localizados à frente das antigas línguas glaciárias.

            Os depósitos mais importantes situam-se a jusante da confluência do Vale da Estrela e do Vale de Alforfa, na junção da Ribeira das Cortes.

publicado por Paulo Jesus às 11:19

Dezembro 11 2008

 

 

 

CASTELO DE TRANCOSO

 

A 885 m de altitude, situa-se uma cerca muralhada urbana implantada em zona planáltica.

Engloba o centro histórico da vila de Trancoso.
A Cidadela está isolada a Nordeste sendo antecedida por um pequeno largo com cruzeiro.
Em 1097, Trancoso passa para o Condado Portucalense e em 1159 está comprovada a existência do castelo. No ano seguinte este é definitivamente reconquistado por D. Afonso Henriques que lhe concede foral. Em 1282 é reedificado por D. Dinis que faz construir a cerca muralhada. As torres do lado Norte desta cerca datam de 1530.
É de tipo românico-gótico e tem cerca e Cidadela, ambas de traçado oval irregular. A Torre de Menagem é tronco-piramidal de planta quadrada com pedras dentadas encastrando-se umas nas outras.
Tem quatro portas e três postigos: Portas d’El-Rei, a Sudoeste; Portas do Prado, a Noroeste; Portas do Carvalho ( do Cavalo ou de João Tição ) e de Traição, a Norte. Os Postigos de Olhinho do Sol, a Este, e o do Boeirinho, a Noroeste.

Integra quatro torres sendo três a Oeste e uma a Norte. A Cidadela integra sete Torres.

Por duas vezes, Trancoso foi oferecida como presente de reis a princesas. Primeiro doi dote de D. teresa, mulher do Conde D. Henrique; mais tarde, foi-o do casamento de D. Dinis com D. Isabel de Aragão (a Rainha Santa).

 

CASTELO DE CELORICO DA BEIRA

 

Situa-se a 550 m de altitude sobranceiro à Vila e dominando o vale do Mondego. Daí podem ver-se os castelos de Trancoso e da Guarda.

Foi conquistado aos mouros no reinado de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, recebendo aí carta de foral. As obras, então decorrentes no castelo, tiveram a participação dos Templários. Em 1198 é cercado pelos leoneses e recebe socorro de Linhares. O castelo é reedificado nos reinados de D. Dinis e D. Fernando. Em 1762 é assaltado por espanhóis e em 1810 é quartel-general dos exércitos francês e luso-britânico, aquando das Invasões Francesas.
É um castelo de arquitectura militar, de montanha e românico-gótico.
Apresenta recinto muralhado fechado, de traçado circular irregular, correspondendo à Cidadela.

 

 

CASTELO DE AVÔ - OLIVEIRA DO HOSPITAL

 

Situa-se no alto do monte onde se desenvolve a povoação, na margem do rio Alva.

Actualmente subsistem alguns panos da muralha. O recinto tem cerca de 1800 m2.
A primeira fortaleza medieval foi mandada edificar por D. Afonso Henriques, depois mesmodo pai, conde D. Henrique, ter doado Avô ao Bispo de Coimbra.
D. Sancho I concede-lhe foral em 1187 confirmando essa doação. Nas lutas entre D. Sancho e D. Afonso III, o castelo é destruído vindo a ser recuperado por D. Dinis, de cujo reinado datam os actuais vestígios.
A partir de 1856 acelera-se a destruição do castelo, tendo muitas cantarias sido usadas na ponte de Ribeira de Moura e em obras particulares.
A tipologia é gótica-militar. O recinto tem forma irregular. A capela de S. Miguel é um aproveitamento de um edifício medieval.

 

 

CASTELO DE LINHARES DA BEIRA - CELORICO DA BEIRA

 

Situa-se num cabeço em contraforte a Noroeste da Serra da Estrela, a cerca de 820 m de altitude dominando o vale do Mondego.

Foi provável a fundação do castelo pelos Túrdulos, cerca de 580 a.C., passando posteriormente por Visigodos, Romanos e tendo sido destruído pelos Mouros no séc. VIII.
Em 900 foi reconquistado e reconstruído por D. Afonso III de Leão e, posteriormente, reedificado por D. Dinis. No séc. XVII foi feita a instalação do relógio na torre.
É um castelo românico-gótico de planta irregular constituído por dois recintos muralhados fechados. As muralhas assentam em maciços rochosos.
O recinto do lado Oeste, de maior perímetro, corresponde à Cidadela.
Apresenta duas torres: a Torre de Menagem e a Torre do Relógio, a Este.

 

CASTELO DE CASTELO NOVO - FUNDÃO

 

Situa-se na encosta Leste da Serra da Gardunha a 650 m de altitude.

Em 1223 já existia o castelo como se comprova pelo testemunho de D. Pedro Guterri.
No séc. XIV D. Dinis manda remodelar a fortificação e, em 1510 é de novo melhorada por D. Manuel. Em 1740 está quase na ruína e, em 1758 sofre derrocada devido a um sismo.
O castelo é de arquitectura militar, gótica e manuelina e era pólo militar de povoação ( hoje Castelo Novo é uma das dez Aldeias Históricas de Portugal ).
Tinha planta longitudinal irregular. É possível perceber a Cidadela com duas portas ( Este e Oeste ).
A Torre de Menagem encontra-se praticamente destruída no topo Oeste. No troço da muralha Oeste ainda existem adarves, ameias e merlões em bom estado de conservação.

 

CASTELO DE MONSANTO - IDANHA-A-NOVA

 

Num monte a 758 m de altitude, na margem direita do rio Pônsul, encontra-se o castelo de Monsanto. Integra a Aldeia Histórica e domina as planícies que se estendem desde a Serra da Gardunha.

Após existência castreja, Monsanto tem ocupação visigótica do séc. V ao XI.
Em 1165 há uma tentativa de repovoamento e a doação a D. Gualdim Pais, Mestre dos Templários, por D. Afonso Henriques.
Em 1172 é doada à Ordem de Santiago e dois anos depois recebe carta de foral. Nessa data já existia o castelo. Em 1190 o foral é confirmado por D. Sancho I.
Noa reinados de D. Dinis, D. Fernando e D. João I o castelo é renovado. No séc. XVI possuía quatro Torres, Torre de Menagem e Cisterna.
Em 1704 é cercado pelo exército franco-espanhol e libertado pelo Marquês de Minas. Na segunda metade do séc. XVIII, a cerca muralhada é reconstruída pelo conde de Lippe. Em 1853 é extinto o concelho de Monsanto.

Tem arquitectura militar com três recintos muralhados: um recinto englobante de traçado ovalado; um outro lateral de traçado oblongo, e o terceiro interior rectangular.

 

CASTELO DE PENHA GARCIA - IDANHA-A-NOVA

 

O castelo localiza-se na encosta Sul da serra do mesmo nome.

Em 1220, D. Afonso II reconquista a povoação e, de seguida, faz doação da mesma à Ordem de Santiago.
Penha Garcia recebe carta de foral por D. Afonso III em 1256 e verifica-se uma hipotética doação à Ordem de Santiago após a reconstrução das fortificações por D. Dinis.
Este castelo encontra-se sobranceiro ao vale do rio Pônsul numa posição majestática. Em 1303 D. Dinis manda reconstruir as fortificações e, em 1510 recebe novo foral de D. Manuel I.

Antiga fortaleza, Penha Garcia foi até finais do séc. XVIII, couto de homiziados (1790).

Em 1836 extingue-se o concelho e inicia-se um processo de degradação.

 

CASTELO DE PENAMACOR

 

Situa-se a 573 m de altitude num cabeço fortificado entre as ribeiras de Ceife e de Taliscas.

A cerca urbana integra a Torre do Relógio e a Casa da Câmara. A Torre de Vigia está isolada num outeiro rochoso.
A construção do castelo e o povoamento de Penamacor resultam, provavelmente, de 1189, data da doação a D. Gualdim Pais, Mestre da Ordem do Templo. Em 1199 recebe carta de foral por D. Sancho I. Em 1300 acontece a construção da segunda cintura muralhada do castelo, da Torre de Menagem e da cerca urbana por D. Dinis. A construção da barbacã e reconstrução do castelo devem-se a D. Fernando e D. João I. A Casa da Câmara é edificada em 1568 sobre a porta de acesso à Vila.
Contíguos a esta Casa da Câmara existem no lado Norte, um baluarte com cortinas escarpadas e que integra duas canhoneiras; no lado Sul, um baluarte parcialmente integrado em afloramento rochoso junto ao antigo Convento de Santo António; os baluartes conhecidos como Reduto da Cavaleira ( a Norte ) e do Outeiro ( a Oeste ).

 

CASTELO DE BELMONTE

 

Num cabeço fortificado a 615 m de altitude, na Vila de Belmonte, situa-se aquele que é um dos mais simbólicos castelos portugueses. Aí terá nascido Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil.

O castelo vigia o vale do rio Zêzere e encontra-se sobranceiro à Igreja de Santiago e às Capelas de Santo António e do Calvário.
A edificação deve-se a D. Sancho I, em 1199, data da carta de foral.
Em 1297 perde importância estratégica com o avanço da fronteira sequente ao Tratado de Alcañices. Em 1392, o Bispado de Coimbra permuta a vila de Belmonte pela de Arganil e o castelo reverte, pouco tempo depois, para a coroa, passando a alcaidaria para Luís Álvares Cabral.
Em 1466, a Vila e o castelo são doados a Fernão Cabral por D. Afonso V e a residência dos Cabrais é transferida para o interior do castelo. A construção do edifício junto à porta data dos sécs. XVII – XVIII.
A Torre de Menagem tem planta quadrada e encontra-se adossada à muralha.

 

CASTELO DA GUARDA

 

É o castelo que se localiza a uma maior altitude em Portugal (1056m). Possui em perímetro muralhado envolvendo todo o núcleo medieval. A Torre de Menagem, isolada, situa-se numa colina e a Torre dos Ferreiros, a meia-encosta, encontra-se adossada.

O início da construção das muralhas verificou-se nos fins do séc. XII. O primeiro torreão edificou-se no reinado de D. Sancho II, bem como a Torre de Menagem.
A conclusão definitiva, depois de novos surtos construtivos, terminou no séc. XV.
É um castelo de tipo românico-gótico. O perímetro das muralhas é de configuração irregular. A Torre de Menagem tem planta pentagonal irregular. A Torre dos Ferreiros tem planta quadrada integrando porta dupla.

Das antigas portas das muralhas são de referir: a Porta dos Ferreiros e a Porta da Erva ( ou da Estrela ), a Este; a Porta d’El-Rei e a Porta Falsa, a Norte.

 

PONTE FORTIFICADA DE SEQUEIROS, VALE LONGO - SABUGAL

 

Ponte fortificada que permite o atravessamento do rio Côa em vertentes de grandes afloramentos graníticos.

A Ponte é sustentada por três arcos plenos, sendo o central o de maior diâmetro. Apresenta uma torre de planta quadrada com vão em arco pleno de ambos os lados. Esta Ponte funcionaria como marcação de fronteira antes da incorporação das terras de Riba-Côa no território nacional. A construção terá acontecido ainda no séc. XIII.

A Ponte é de tipologia românica e tem dois talha-mares, tabuleiro rampante facetado e parapeito em cantaria. O pavimento é lajeado com continuidade em calçada. A Torre significa o dispositivo militar da marcação da portagem fronteiriça.

 

CASTELO DE SORTELHA - SABUGAL

 

Localiza-se num cabeço granítico inacessível pela vertente sul. Integra o núcleo urbano da Aldeia Histórica cercada pela linha muralhada. O castelo ocupa o local mais elevado no cimo de um penhasco isolado.

Em 1228 teve carta de foral ( D. Sancho II ) sendo essa a data provável da edificação do castelo. Em 1510, o foral foi renovado por D. Manuel e, em 1527, foi elevado a cabeça de condado por D. João III a favor de Luís da Silveira, Guarda-mor do rei.
Este é um castelo de montanha, românico-gótico com intervenção manuelina. O perímetro urbano é de traçado ovalado irregular. A Cidadela está situada no lado exterior da cerca com a Torre de Menagem de planta quadrada no centro do recinto.
O perímetro urbano muralhado possui quatro portas.
A Porta da Vila ( ou do Concelho ), a Este, em arco quebrado e coberta com abóbada concordante.
A Porta Nova, no lado oposto ( ou Porta Nova da Vila ) com arco pleno e abóbada de berço.

A Porta Falsa, a Noroeste em arco quebrado.

Outra Porta Falsa a Sul, junto ao castelo com arcos no exterior e no interior.

A Noroeste, localiza-se a Torre do Facho, de planta quadrada, peerto da Porta Falsa. Junto à Porta da Vila, encontra-se um torreão de vigia de planta circular e coroamento cónico. A Torre de Menagem, no centro da Cidadela, tem planta quadrada e um piso.

 

CASTELO DE SABUGAL

 

Situa-se em local sobranceiro ao rio Côa tendo pertencido ao reino de Leão. Em 1175 pertencia ao concelho de Ciudad Rodrigo mas em 1190, D. Afonso IX de Leão funda o concelho do Sabugal e teria mandado edificar o castelo.

Em 1296, D. Dinis dá-lhe carta de foral e no ano seguinte, na sequência do Tratado de Alcañices, passa a integrar o território português. Em 1303 concluem-se importantes obras no castelo sob a direcção de Frei Pedro do Mosteiro de Alcobaça e, em 1515, o foral é renovado por D. Manuel. De 1641 datam outras obras de beneficiação incluindo a Torre do Relógio. Em 1811, o castelo é base de apoio às tropas luso-britânicas no combate à terceira invasão francesa do General Massena. Em 1846 inicia-se a demolição progressiva da cintura muralhada.
É de arquitectura militar gótica. O perímetro urbano é de traçado ovalado irregular e a Cidadela tem dupla cintura muralhada com barbacã e cubelos cilíndricos. A cintura exterior é de traçado pentagonal irregular e a interior tem 5 torres de planta quadrada.
O castelo tem afinidades com os de Beja, Estremoz e Montalegre.

 

CASTELO DE ALFAIATES - SABUGAL

 

Situa-se em local planáltico delimitado por terreiro e com construções rústicas adossadas a dois alçados.

Teve provável origem no séc. XIII com concessão de Carta de Foros e Costumes por Afonso X de Leão e então designado por Castillo de la Luna.
Em 1297 passou a integrar o território português na sequência do Tratado de Alcañices. O foral foi renovado em 1515 por D. Manuel.
Aquando das Invasões Francesas ( 1811 ) o castelo desempenhou importante papel; em 1836 o estatuto concelhio foi extinto e, posteriormente, houve a sua transformação em cemitério com colocação de Cruz e pináculos no alçado principal.

A sua tipologia é românica-gótica de planta quadrada.

A arquitectura é militar, tendo a Cidadela dupla cintura de muralhas, encontrando-se a cintura interna parcialmente ruída.

 

CASTELO DE VILAR MAIOR - SABUGAL

 

Localiza-se num cabeço planáltico sobranceiro à povoação, dominando o vale do rio Cesarão. Daí avista-se claramente o castelo da Guarda.

Castelo com provável edificação cerca de 1232, mandada efectuar por D. Afonso IX de Leão. Passou a integrar o território português em virtude do Tratado de Alcañices, em 1297.
Em 1510 é renovado o foral concedido em 1296 a Vilar Maior.
Nesta data possuía dupla cintura muralhada.
O castelo de Vilar Maior é tipicamente um castelo de montanha românico-gótico. Tem traçado oval irregular com Torre de Menagem de planta quadrada.

No exterior, no lado Oeste, observa-se o arranque da cintura muralhada exterior.

 

CASTELO DE CASTELO MENDO - ALMEIDA

 

Ocupa um cabeço situado a 762 m de altitude sobranceiro ao ribeiro de Cadelos e ao rio Côa. Integra dois núcleos urbanos destacando-se o recinto do castelo na zona mais elevada.

A provável edificação do castelo ocorreu em fins do séc. XII no reinado de D. Sancho I. Em 1229 recebe carta de foral por D. Sancho II onde são mencionados o castelo e o alcaide Mendo Mendes. Daqui decorre a edificação do primeiro recinto muralhado. A segunda cintura muralhada, bem como a Torre de Menagem, advém de D. Dinis, em 1281. Em 1297, com a assinatura do Tratado de Alcañices, a fronteira afasta-se de Castelo Mendo.
É um castelo românico-gótico cujas cinturas são de traçado ovalado irregular e com demarcação da Cidadela no primeiro recinto defensivo. A Torre de Menagem é de planta rectangular.
Com a Reforma Liberal extingue-se o concelho e inicia-se um processo de degradação progressiva.

 

CASTELO DE CASTELO BOM - ALMEIDA

 

Encontra-se sobranceiro ao rio Côa num cabeço a 725 m de altitude e cuja muralha envolve a povoação.

Oriundo de um antigo castro ocupado desde a Idade do Bronze, Castelo Bom vê-se incorporado no reino de Portugal em 1297 como consequência do Tratado de Alcañices.
Nos sécs. XIII e XIV acontece a reedificação do castelo e da cintura muralhada ( D. Dinis ).
No séc. XVI possuía dupla cintura de muralhas, Cidadela com Torre de Menagem e duas Torres de planta quadrada.
Durante as Guerras da Restauração serviu de abrigo aos governantes da Beira.
Em 1762, a Vila foi cercada e derrotada. Em 1834 foi extinto o concelho de Castelo Bom iniciando-se então a degradação das estruturas. Em meados do séc. XX ainda existia a Torre de Menagem.
Existem hoje os panos da muralha; a Porta da Vila em arco quebrado no exterior e arco pleno no interior; o brasão da antiga Vila ( escudo nacional coroado) num muro e a Cisterna, a Sul; o Paiol a Oeste, o Poço de Escada de planta quadrangular e o Poço d’El-Rei de planta rectangular.

 

FORTALEZA DE ALMEIDA

 

Destaca-se a 760 m de altitude numa zona planáltica sobranceira ao vale do rio Côa envolvendo a Vila de Almeida, Aldeia Histórica, e deve a sua actual construção a Pedro Gilles de São Paulo no séc. XVII, e a Miguel Luís Jacob no séc. XVIII.

Depois de um primitivo castelo muçulmano, a história desta Vila remonta ao início da nacionalidade portuguesa, tendo, entre 1156 e 1190 alternado entre a posse leonesa e portuguesa. Em 1296, D. Dinis reconquista-a, concede-lhe foral e reedifica a castelo.
A posse portuguesa é legitimada pelo Tratado de Alcañices.
D. Manuel renova esse foral em 1510. Em 1641 D. Álvaro de Abranches manda construir a fortaleza.
Em 1810, o General francês Massena cercou a Vila e numa madrugada de Agosto abriu fogo. O paiol explodiu matando mais de 500 soldados e levando a fortaleza a render-se.
A tipologia da fortaleza é de arquitectura militar. A planta é hexagonal constituída por seis baluartes e respectivos revelins e cortinas. Está cercada por fosso e possui um perímetro de 2500 m.

Constitui uma das melhores fortalezas, estilo Vauban, do mundo.

Apresenta planta hexagonal, constituída por seis baluartes e respectivos revelins. Comunica com o exterior através das Portas de S. Francisco (ou da Cruz), a Sul e de Santo Castelo. Do castelo ainda subsistem as fundações de planta quadrada irregular.

 

CASTELO DE PINHEL

 

Situa-se no meio urbano e tem perímetro muralhado envolvendo toda a colina e centro histórico. As Torres da Cidadela encontram-se no ponto mais alto e planáltico.

O início da edificação acontece em 1189 por D. Sancho I, dez anos após ter Pinhel recebido de D. Afonso Henriques a carta de foral. No reinado de D. Dinis edificaram-se as Torres e, em 1640, procede-se a obras de fortificação no contexto das Guerras da Restauração. Em 1810, durante as Invasões Francesas, o general Loisson ocupa o castelo e a cidade de Pinhel.
A tipologia do castelo é manuelina de planta oval. A Cidadela tem Torre de Menagem e Torre de Secundária. Os elementos manuelinos visíveis são a janela mainelada com arcos e toros entrelaçados, e a janela de lintel recto e moldura de meia-coroa.
A Cidadela integra duas torres, uma delas a de Menagem.

O perímetro urbano muralhado integra seis portas, duas Torres defensivas e o recinto da Cidadela, de cuja cintura muralhada subsistem dois troços que integram duas Torres.

 

CASTELO DE CASTELO RODRIGO

 

Situa-se a 810 m de altitude num cabeço fortificado e as suas muralhas envolvem a Aldeia Histórica.

Domina a planície sobranceira ao convento de Stª Maria de Aguiar e é actual sede do concelho. Confronta a Oeste com a Serra da Marofa e a Serra da Vieira. O primitivo castelo remonta ao séc. XI e em 1209 recebe carta de foral por D. Afonso IX de Leão. Em 1296, D. Dinis ordena a reedificação da fortaleza e da muralha. Oficialmente e por via do Tratado de Alcañices, passa a integrar o território português em 1297.

Durante a crise de 1383-85, na sequência do facto do alcaide-mor ter jurado fidelidade a D. Beatriz e ter recusado a entrada do Mestre de Avis, resultou a imposição do escudo nacional invertido no brasão da Vila. Em 1590, durante o domínio espanhol, D. Filipe I eleva a Vila a condado e nomeia para o título D. Cristóvão de Moura que, no lugar da antiga alcáçova, manda erigir um palácio residencial. Em 1640, com a restauração da independência, este palácio é incendiado por iniciativa popular. Em 1664 dá-se o cerco da Vila pelo exército espanhol comandado pelo Duque de Oduna, vencido na Batalha da Salgadela e, em 1762, durante a Guerra dos Sete Anos, Castelo Rodrigo é ocupada pelas tropas espanholas do Marquês de Soria. O recinto muralhado é de traçado irregular ovalado e possui três Portas ( Sol, Alverca e Traição ).

publicado por Paulo Jesus às 16:23

Dezembro 11 2008

Rota da Lã

 

Rota da Lã.bmp

 
Desde há 800 anos que na Serra da Estrela são fabricados fios de lã e tecidos. Primeiro como manufactura, depois como indústria, os lanifícios deixaram um enorme legado de arqueologia industrial principalmente na Covilhã e também em Seia, Gouveia e Manteigas.
O Museu Têxtil da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, é um expositor único de uma actividade que hoje existe com base em tecnologia avançada e que produz para marcas como Christian Dior, Yves St. Laurent, Hugo Boss, Calvin Klein e Giorgio Armani. 
 
 
 
Rota dos 20 Castelos
 

Rota 20 Castelos.bmp

 

Reviva a História de Portugal participando numa Rota única onde se desenharam as origens do País.

À volta da maior montanha portuguesa, a Serra da Estrela, encontrará muitas das nossas raízes. A Rota dos 20 Castelos fá-lo-á regressar ao início da nacionalidade, ao tempo da definição das mais antigas fronteiras europeias, à época das lutas pela construção de um País e de um Povo. Tenha um bom passeio.

 

 

Rota das Aldeias Históricas

 

Aldeias Históricas.bmp

 

No meio de uma diversidade raríssima, aparecem 9 das 10 Aldeias Históricas Portuguesas. Jóias arquitectónicas de granito, Linhares, Marialva, Sortelha, Castelo Rodrigo, Castelo Mendo, Almeida, Castelo Novo, Idanha-a-Velha e Monsanto são a história viva do país. Igualmente o são os castelos da antiga linha de fronteira Sabugal, Belmonte, Guarda, Trancoso, Celorico da Beira,(entre outros).

 

 

Rota dos Descobridores

 

Rota dos Descobrimentos.bmp

 

«Nesse mesmo dia (22 de Abril), houvemos visto terra!. A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão ( Cabral ) pôs o nome de o Monte de Pascoal e à terra A terra de Vera Cruz!»
in «A Carta de Pero Vaz de Caminha»

 

 

Rota dos Vales Glaciários

Rota dos Vales Glaciares.jpg

 

Os Vales Glaciários do Zêzere, de Alforfa, de Loriga, do Covão Grande e do Covão do Urso foram originados há 20.000 anos, quando a placa de gelo que cobria o planalto onde hoje se situa a Torre se foi danificando com o aumento das temperaturas atmosféricas.

As placas de gelo que derreteram deslizaram para altitudes mais baixas, arrastando blocos graníticos e formando vales à sua passagem. Os vestígios desta obra natural, grandiosos vales em U com rochas polidas, blocos erráticos e depósitos de moreias, permanecem intocados há milhares de anos. Deixe-se deslumbrar por estas excecionais maravilhas da natureza e percorra a Rota dos Glaciares, trilhando os mesmos caminhos que o gelo percorreu.

 

 

Rota das Judiarias

 

Rota das Judiarias.bmp

 

Esta é a história daqueles que são os últimos judeus secretos sefarditas. Até ao século XX o mundo desconhecia a existência, no interior de Portugal, da última comunidade Cripto-Judaica da Península Ibérica e porventura da Europa Junto à Serra da Estrela, montanha mais alta de Portugal (2.000 m), fica Belmonte, memória humana viva do riquíssimo e antigo Portugal Judaico. Aí ficam também as terras que como Covilhã, Guarda, Trancoso, Fundão e outras são a referência das antigas comunidades sefarditas portuguesas....

publicado por Paulo Jesus às 00:43

Setembro 27 2008

A Covilhã - povoação - situa-se na encosta da Serra da Estrela, voltada para nascente, rodeada por duas ribeiras, a Degoldra e a Carpinteira, tendo a seus pés o rio Zêzere e toda a Cova da Beira.

Esta localização faz com que os habitantes da Covilhã sejam, por um lado, homens e mulheres da montanha, tendo por matriz a Serra da Estrela o que lhes transmite coragem, espírito de luta e perseverança; por outro, a baixa ou seja a extensa Cova da Beira que se prolonga até Espanha, que imprime confiança, autonomia e determinação.

Inicialmente, os habitantes ocupavam a baixa junto ao rio onde as úberes terras os alimentavam. Com o andar dos tempos, forças de fora obrigaram-nos a fixarem-se numa altitude aproximada dos 800 metros, numa encosta íngreme.

Importantes "achados" mostram que os primeiros habitantes não foram os Romanos. A navegabilidade do Zêzere, que faz parte da bacia hidrográfica do Tejo, trouxe gentes das mais variadas partes que vinham comerciar.

A existência de inúmeros castros, verdadeiras sentinelas e postos de defesa, mostra que por ali passaram vários povos da pré-história que se foram instalando devido às boas condições de subsistência.

Os Romanos, após as lutas com os Lusitanos, acomodaram-se na região, como se pode verificar ao percorrer as margens do Zêzere, onde os exemplos de terra sigillata hispanica (tritium) se encontram a cada passo.

Escavações, em curso, apontam para a existência de uma importante colónia - povoação romana - que ultrapassa a simples passagem de expedições militares. As vias romanas que se encontram por toda a parte e até na própria Serra, viradas para nascente, para evitar o gelo, são outra demonstração clara da sua presença.

 
 
 
A COVILHÃ NA IDADE MÉDIA
 
A Covilhã tornou-se, desde a Antiguidade, num ponto de cruzamento de estradas e caminhos. Foi conquistada e reconquistada várias vezes, chegando os mouros a destruí-la quase por completo.
 
Estes acontecimentos levaram a que as gentes da Covilhã criassem o seu próprio município, segundo Alexandre Herculano, para se poderem organizar e defender.
 
A Carta de Foral à Covilhã, concedida por D. Sancho I, em Setembro de 1186, vem confirmar a sua importância como posto fronteiriço.
 
Os limites do alfoz (concelho), definidos pelo Foral, incluíam Castelo Branco e iam até ao Tejo, Portas de Ródão. É significativo.
 
Até ao final do reinado de D. Sancho II, a vila da Covilhã viveu o espírito de Reconquista, isto é, de luta contra os mouros. Foi capital do reino durante a Reconquista. Por várias vezes, o rei se instalou aqui com a corte.
 
Terminada que foi a Reconquista ou seja feita a paz com os mouros, as gentes da Covilhã passaram a organizar-se economicamente. Havia que ir além da agricultura de subsistência. O Rei D. Afonso III vem ajudar ao instituir uma feira anual com a duração de oito dias. A feira celebrava-se em Agosto, depois da festa de Santa Maria. Também D. João I concede uma feira franqueada anual a realizar-se pelo São Tiago e que se tem mantido, com altos e baixos, até aos dias de hoje.
 
A indústria dos lanifícios, entretanto, ia começando a tomar forma. Há que ter em conta que, por aqui, se deslocavam, vindos de Espanha, almocreves que levavam lãs para Tomar, seguindo uma via romana que passava por Paúl, Casegas, Sobral de São Miguel... Era conhecida como a Estrada da Lã.
 
A Carta de Foral aponta para muitas indústrias artesanais, incluindo a dos lanifícios e abria a porta a todos os que desejassem vir instalar-se na região.
 
Uma burguesia, cada vez mais forte, fomentava o progresso e tornava-a apetecida pelas suas riquezas. No termo da Covilhã, na Idade Média, incluíam-se mais de 300 lugares.
 
Os judeus eram já um núcleo importante que chegou a ter influência na corte.
 
A arte e a cultura está bastante representada, caracterizando esta época. A título de exemplo cita-se a capela de São Martinho, autêntica jóia de estilo românico.
 
 
COVILHÃ NO RENASCIMENTO
 
A Covilhã era uma vila em plena expansão populacional quando surge o Renascimento. O sector económico tinha particular relevo na agricultura, pastorícia, fruticultura e floresta. O comércio e a indústria, embora artesanal, especialmente os lanifícios, estavam em franco progresso. Gil Vicente cita "os muitos panos finos".
 
Os judeus dominavam o comércio e a indústria. Eram os detentores do capital. A Covilhã e sua região, como transfronteiriças, eram um bom abrigo.
 
As ruas que vão desaguar na Praça do Município, de qualquer um dos pontos cardeais, denotam a importância do comércio e trabalho. As dezenas e dezenas de casas com a porta larga e a porta estreita - uma entrada para a casa e outra, a larga, para a oficina mostram essa importância.
 
O Infante D. Henrique conhecia bem essa realidade, daí o passar a ser "senhor" da Covilhã.
 
A gesta dos Descobrimentos exigia verbas importantes. As gentes da vila e seu concelho colaboraram não apenas através dos impostos, mas também com o potencial humano.
 
A expansão para além-mar iniciou-se com a conquista de Ceuta em 1415. Personalidades da Covilhã como Frei Diogo Alves da Cunha, que se encontra sepultado na Igreja da Conceição, participaram no acontecimento.
A presença de covilhanenses em todo o processo prolonga-se com Pêro da Covilhã (primeiro português a pisar terras de Moçambique e que enviou notícias a D. João II sobre o modo de atingir os locais onde se produziam as especiarias, preparando o Caminho Marítimo para a Índia) João Ramalho, Fernão Penteado e outros.
 
Entre os missionários encontramos o Beato Francisco Álvares, morto a caminho do Brasil; frei Pedro da Covilhã, capelão na expedição de Vasco da Gama para a Índia, o primeiro mártir da Índia; o padre Francisco Cabral, missionário no Japão; padre Gaspar Pais que de Goa partiu para a Abissínia; e muitos outros que levaram, juntamente com a fé, o nome da Covilhã para todas as partes do mundo.
 
Os irmãos Rui e Francisco Faleiro, cosmógrafos, tornaram-se notáveis pelo conhecimento da ciência náutica. Renascentista é Frei Heitor Pinto, um dos primeiros portugueses a defender, publicamente, a identidade portuguesa. A sua obra literária está expressa na obra "Imagem da Vida Cristã". Um verdadeiro clássico.
 
A importância da Covilhã, neste período, explica-se não apenas pelo título "notável" que lhe concedeu o rei D. Sebastião como também pelas obras aqui realizadas e na região pelos reis castelhanos. A Praça do Município foi até há poucos anos, de estilo filipino. Nas ruas circundantes encontram-se vários vestígios desse estilo. No concelho também.
 
Exemplos de estilo manuelino também se encontram na cidade. É o caso de uma janela manuelina da judiaria da Rua das Flores. É o momento de citar o arquitecto Mateus Fernandes, covilhanense, autor do projecto da porta de entrada para as Capelas imperfeitas, no mosteiro da Batalha.
 
 
COVILHÃ NA INDÚSTRIA
 
Joel Serrão sintetiza assim a especial capacidade da vila da Covilhã e sua zona envolvente para a indústria de lanifícios: "Uma cintura de vilas e aldeias animadas pelos lanifícios envolve a Serra da Estrela. Os "panos finos" que se faziam na Covilhã eram afamados no começo do século XVI (Gil Vicente)".
 
Após o ouro do Brasil, Portugal entrou em depressão económica.
 
D. Luís de Menezes, conde da Ericeira, funda a fábrica - escola na Ribeira da Carpinteira. Mandou vir técnicos estrangeiros, sobretudo da Inglaterra (5 estampadores, 4 tecelões, 2 mulheres que fiavam e oficiais de tinturaria). Ainda há ruínas desta empresa. Poucos anos depois, trabalhavam nesta laboriosa cidade 400 oficiais e 17 teares.
 
O Marquês de Pombal ao instalar nesta cidade a Real Fábrica de Panos, junto à Ribeira da Degoldra, vem confirmar as capacidades das gentes da Covilhã e as potencialidades da sua zona envolvente para a indústria."Pombal cria a Superintendência das fábricas de lanifícios que valorizou os centros beirões, em especial na Covilhã e no Fundão. Do estrangeiro manda vir tecedeiros e tintureiros, seguindo o exemplo do Conde da Ericeira, que abriu e desenvolveu fábricas e teares."
 
A marca da importância industrial da Covilhã vê-se no património industrial, único no País, o que indica os passos dados na evolução técnica até aos dias de hoje. Resposta aos que afirmam que a Covilhã não é rica em património construído.
 
A criação da Escola Industrial, por decreto do Ministério das Obras Públicas, publicado em 20 de Dezembro de 1864 é, exemplarmente, o sinal inequívoco da importância da indústria de lanifícios na Covilhã.
 
Poucos anos depois, em 20 de Outubro de 1870, o rei D. Luís eleva a Covilhã à categoria de cidade: "..., é uma das vilas mais importantes do reino pela sua população e riqueza;... fecunda iniciativa dos seus habitantes..." Assim condecora a vila da Covilhã e as suas gentes.
 
Como síntese, há que dizer que a Universidade da Beira Interior - cúpula e corolário deste processo que surgiu antes dos primórdios da nacionalidade - nasceu, tendo como um dos primeiros cursos a licenciatura nos têxteis.
 
 
O MOVIMENTO OPERÁRIO DA COVILHÃ (1890/1907)
 
A classe operária da Covilhã, gerada enquanto tal, no processo - lento e demorado - de industrialização dos lanifícios, irrompeu na cena social da cidade e do concelho a partir da década de 1890.
Com efeito, datam de meados do último decénio de oitocentos não apenas os actos fundadores das organizações autónomas e de classe do operariado covilhanense, mas também as primeiras movimentações grevistas e outras formas de luta através das quais o operariado procurava fazer frente às suas duras condições de existência.
Em todo este processo, sociológico, económico, político e até psicológico, a classe dos tecelões desempenhou um papel preponderante.
 
 
A PRIMEIRA EMPRESA TÊXTIL DA COVILHÃ
 
A Inquisição, cujo primeiro tribunal foi instituído em 1560, no tempos de D. João III, veio provocar o êxodo de muitos cristãos novos e judeus que, em pleno século XVI, haviam dado grande incremento ao comércio, à indústria e ao tráfego marítimo. Com a sua expulsão, além de levarem consigo para fora do reino os seus cabedais, Portugal via-se afectado no seu comércio, na sua indústria e no tráfego com o ultramar. Devido em parte aos judeus, a Holanda tornou-se uma potência marítima, vindo a assenhorar-se de parte do nosso tráfego e a atacar as nossa feitorias do ultramar. A feitoria de S. Jorge da Mina, bastião e orgulho de D.. João II, foi conquistada pelos Holandeses. A debandada de judeus e cristãos novos, continuada no tempo da dominação espanhola, prolongou-se até ao reinado de D. João IV, apesar das advertências do Padre António Vieira, que lhe fazia ver que essa perseguição era duplamente prejudicial ao reino, já pelo facto de eles levarem consigo seus enormes cabedais, já por os colocarem depois ao serviço dos nossos inimigos.
 
Os judeus eram não só homens da indústria, da ciência e do comércio, mas também homens de grande influência, no trafego marítimo e na política internacional. A Covilhã teve por muito tempo a fama de ali actuarem muitos mercadores e assentistes no comércio de panos. Sabe-se que muitos dos judeus, que se dedicavam à indústria têxtil, se foram estabelecer em Bordéus e Antuérpia, cidades que se tornaram grandes centros desta indústria. Curioso notar que foi um judeu covilhanense o criador, na América, da Bolsa de Nova York, da Wall Stret.
 
Para obstar a carência de cereais, procurou-se desenvolver o seu cultivo nas amplas várzeas circundantes da Serra da Estrela. Esta várzea, ontem como hoje, era rica de potencialidades agro-pecuárias. Às margens das ribeiras ergueram-se os engenhos de moinhos, lagares, pisões, tintes e tendas, e lavandarias com águas ideais para o tratamento das lãs. As ribeiras da Carpinteira e Degoldra, tornaram-se centros da indústria manufactureira de panos, e principalmente com o aproveitamento da força hidráulica, que seria a principal fonte de energia da indústria da Covilhã no século XIX.
 
 

 

 
 
A REAL FÁBRICA DE PANOS
 
Os chamados “Inquéritos Pombalinos” foram primeiramente da iniciativa do padre Luís Cardoso, e só depois consentidos e incentivados pelo Marquês de Pombal que, através deles, quis ter ideia do país de que dispunha após a desesperação em que o havia lançado o terramoto de 1755. Outrossim avaliar a estagnação em que se debatiam a agricultura e a indústria. A Covilhã tinha ao tempo a população de 3800 habitantes, e as suas doze freguesias alongavam os seus termos a muitas povoações limítrofes. Uma parte das muralhas e suas torres, e algumas das suas igrejas, encontravam-se em parte arruinadas. A Igreja de S. Salvador, já desaparecida, englobava os moinhos da ribeira da Carpinteira, as quintas de Cantargalo, de Flandres, e de outras que se estendiam às margens do rio Zêzere.
 
À ribeira da Carpinteira, sede de muitas oficinas e tendas de manufacturas de panos, estava, desde os fins do séc. XVII, a Fábrica Real. Na outra ribeira, a Degoldra, existia no lugar chamado Biribau uma grande lavandaria de lãs.
 
Quartel   de   Infantaria   21   -   1904
 
 
 
 
 
 
Dos itinerários culturais europeus salienta-se, pela importância histórica e turística uma rota que abarca tanto o percurso económico da lã como matéria-prima como o percurso turístico do património industrial dos lanifícios. Na Península Ibérica e em Portugal esse percurso passa, na região da Beira Interior, pela cidade da Covilhã, considerada o centro da produção nacional dos tecidos de lã. Desde o século XII até à actualidade são inúmeros os vestígios do património industrial dos lanifícios nesta cidade. As rotas da transumância dos gados que passavam pela Covilhã, em direcção à Serra da Estrela, encontram-se ilustradas no seguinte mapa:
 
 
  
 
"Se os filhos de Adão pecaram os da Covilhã sempre cardaram."
 
 
A Covilhã foi na região da Beira Interior, até aos séculos XVIII/XIX, o centro polarizador de uma produção de tecidos de lã dispersa realizada em regime doméstico e artesanal. Desde o século XVII verifica-se a localização nessa cidade das primeiras manufacturas, processo que foi continuado com a industrialização que conduziu a uma forte concentração fabril, até à actualidade.
 
A partir de 1970 inicia-se um processo que conduziu ao abandono sucessivo de numerosas fábricas e à reconversão industrial da cidade. Os investimentos feitos na indústria não contemplaram a manutenção dos edifícios antigos, concentrando-se, quase exclusivamente, na renovação de equipamentos técnicos ou em novas construções fora das áreas de implantação tradicional, ou seja, as Ribeiras da Degoldra e Carpinteira e o tecido urbano. Estes eram, desde o século XVII até aos anos 60 do século XX, os locais de eleição da ancestral mono-indústria dos lanifícios covilhanenses.
 
Na actualidade, a Covilhã apresenta-se como mais uma das áreas características da desindustrialização europeia. Assim, também nesta cidade, ao assistir-se às transformações que põem em causa os alicerces sócio-económicos do seu passado, se procura salvaguardar-lhe a memória. Um conjunto de acções, que passam pela preservação de sítios de interesse arqueológico-industrial e pela criação de equipamentos de natureza cultural, encontram-se programados uns e concretizados outros com o objectivo de recuperar a memória da indústria de lanifícios e o seu envolvimento na vida da cidade e dos seus habitantes. Nesse sentido, a Universidade da Beira Interior instituiu, na manufactura pombalina da Real Fábrica de Panos, o Museu de Lanifícios. Este é um projecto dinâmico que procura aliar à preservação da memória do trabalho dos lanifícios a revitalização da Covilhã e da região que tem por matriz a Serra da Estrela.

 

 
ENQUADRAMENTO ESPÁCIO - TEMPORAL
 
A Covilhã, encastoada na falda oriental da Serra da Estrela, a montanha de maior altitude de Portugal Continental (2.000 m), localiza-se na Beira Interior, na sub-região da Cova da Beira, uma depressão que, integrando a bacia hidrográfica do Alto Zêzere e ainda pela Serra da Malcata a Leste.
 
A história da Covilhã está indissociavelmente ligada a todo este espaço, rico de diversidades e propício a uma auto-subsistência que era garantida pelas actividades agro-pastoris, pela caça, pela pesca nos rios e ribeiros, pelo abastecimento de lenhas e pela abertura à penetração mercantil. Foram estes condicionalismos naturais que justificaram que, a partir de finais do século XII, os homens se fossem aperfeiçoando na prática dos lanifícios.
 
Efectivamente, a montanha, propiciando ao gado os pastos naturais, foi ponto de encontro dos grandes trajectos da transumância tanto nacional como peninsular. Por tal razão permitiu-se a alguns aglomerados populacionais da sua área, como Manteigas, Seia, Gouveia e Covilhã, a especialização no fabrico dos panos. Esta situação foi facilitada pelo acesso fácil à matéria-prima que alimentou esta indústria: a lã. De igual modo, a energia indispensável ao seu desenvolvimento foi fornecida pelo fácil acesso e utilização da água e das lenhas. Assim, esta região é caracterizada por uma economia agro-pastoril e manufactureira, onde tudo são lãs e panos.
 
Neste contexto a Covilhã foi-se desenvolvendo, até ao século XIX, tendo sido apelidada e conhecida como cidade-granja/cidade-fábrica. A partir de então, por condicionalismos vários, mas sobretudo por acção dos homens, ir-se-à especializar como cidade-fábrica até aos anos oitenta do século XX. Foi a partir desta altura que a Universidade da Beira Interior começando por se instalar no edifício da pombalina Real Fábrica de Panos da Covilhã iniciou a recuperação de alguns dosmais representativos antigos edifícios fabris convertendo-os em instalações universitárias.
 
Subsistem ainda hoje muitos vestígios do passado industrial da Covilhã. Desde o século XII até à actualidade, são numerosas as fontes documentais existentes. De entre as mesmas o destaque vai para os arquivos empresariais de muitas das fábricas da Covilhã. Refira-se ainda a proliferação de catálogos dispersos pelos arquivos das fábricas, de papel timbrado, rótulos e embalagens de produtos, fotografias e gravuras, desenhos e plantas, registos audiovisuais, produtos e amostras, modelos e maquetes das fábricas que, ao longo do tempo, foram sendo construídas, e anúncios empresariais publicados na imprensa.
 
Para além deste conjunto documental salientam-se ainda como muito significativas do processo de industrialização Covilhanense, as numerosas fontes materiais ainda hoje existentes. Pela quantidade e autenticidade de que se revestem são de primordial importância no domínio da arqueologia industrial. Hoje em dia, a Covilhã pode ser classificada como o principal centro histórico dos lanifícios portugueses.
 
 
A ROTA DA LÃ
 
O actual desenvolvimento das práticas e políticas associadas ao turismo cultural tem contribuído para a definição e divulgação de um conjunto variado de itinerários culturais, no âmbito dos quais a Rota da Lã tem vindo a ganhar forma e contornos. Em 1987, o Conselho da Europa lançou um programa sobre itinerários culturais que tinha objectivos de natureza turística, nomeadamente a melhoria da qualidade do ócio dos europeus, convidando-os a percorrer e a explorar os “caminhos reais ou imaginários em que, através da unidade e da diversidade, se forjara a identidade europeia”, como o defende Michel Thomas-Penette, Conselheiro do Programa de Itinerários Culturais do Conselho da Europa (Universitat de Barcelona,1996).
 
Esta é uma questão que tem dependido de um conjunto diversificado de objectivos relacionados com a dinamização do turismo, mas que, cada vez mais, procura restabelecer as continuidades perdidas ao longo do tempo em diversos espaços europeus, visando ainda a valorização dos produtos naturais e do trabalho artesanal. De várias das publicações levadas a efeito, a partir de 1987, sublinhe-se o Guia dos Itinerários Culturais das Regiões da Europa, onde a Região Centro de Portugal aparece caracterizada através, precisamente, de uma entrada intitulada “O Fio da Meada”. Nela valoriza-se a definição de uma Rota da Lã, que se justifica claramente que entronque, a nível do país, na cidade da Covilhã (Fernando Lozano Hernando, Guia dos Itinerários Culturais das Regiões da Europa, 1ª Ed., Barcelona,1992).
 
A importância destas Rotas deriva ainda, como o sublinha Doudou Diène, Conselheiro da UNESCO, de elas serem concebidas como mecanismo de contacto entre povos e civilizações, concluindo que "a história e a cultura de cada povo são o resultado de um duplo processo dinâmico: processo de encontros, de contactos e de influências, mas igualmente processo através do qual estes contactos e influências se traduzem, graças a uma complicada alquimia, na construção de uma identidade específica”. (Espanã y Portugal en las Rutas de la Seda, Publicaciones de la Universitat de Barcelona, Barcelona, 1996).
 
Contudo, numa era caracterizada pela intensificação dos sistemas e práticas de comunicação, as rotas são hoje, sobretudo, os itinerários culturais de “cidadãos do mundo” desenraizados da sua matriz natural e ambiental, em busca todavia, dos fios perdidos de uma identidade que urge preservar. Daí o interesse deste tema e o seu actual aprofundamento por parte das indústrias culturais e de turismo.
 
Todavia, na abordagem ao tema da Rota da Lã, para além destas razões que explicam a sua actualidade, devemos ainda ter presentes várias outras das suas vertentes. O estudo de uma qualquer rota deverá procurar clarificar os percursos económicos tanto da matéria-prima como do produto fabricado, evidenciando ainda, e sobretudo, a abordagem antropológica que gera todo o processo.
 
No que se refere à Rota da Lã, os seus itinerários aparecem-nos profusamente documentados no nosso país e, concretamente, na região da Beira Interior, desde o século XII até à actualidade. Há ainda que ter em conta as complementaridades espaciais e de natureza geográfica que, ao longo dos tempos, se estabeleceram entre os homens que, neste domínio, se especializaram. Trata-se, muitas vezes, de circuitos criados e desenvolvidos através de laços de natureza pessoal ou grupal, de âmbito social e religioso que transcendem as meras relações de natureza económica e que permitem compreender situações pouco comuns. É o caso da Covilhã que podendo considerar-se geograficamente isolada no contexto nacional beneficiou de intensos contactos internacionais que podem considerar-se privilegiados e que terão resultado, provavelmente desde o século XVI, do estreitamento de laços veiculados através das comunidades judaicas e cristãs-novas, não só na esfera penínsular como europeia e até mundial.
 
Deste modo se poderão mais facilmente compreender as facilidades de circulação e a presença frequente de muitos empresários covilhanenses em importantes cidades industriais europeias, desde o século XVIII até à actualidade, não só para comprar maquinaria e colocar a produção como para frequentar escolas superiores de especialização têxtil.
 
 
 
TRAJECTÓRIA DA ROTA DA LÃ
 
A intervenção efectuada nos edifícios que constituíram esta manufactura, desenvolvida por fases e com objectivos diversos, revestiu-se de real significado, não só no domínio da recuperação arquitectónica e da conservação do património edificado, como a nível da própria preservação da memória dos lanifícios na Covilhã e da história da tinturaria portuguesa e europeia do Antigo Regime.
 
Os modelos de intervenção arquitectónica, de conservação arqueológica e de musealização nela experimentados podem avaliar-se já hoje como contributos para a própria afirmação da arqueologia industrial em Portugal. Efectivamente, foi no contexto da recuperação e musealização da Tinturaria da Real Fábrica de Panos que, tendo-se iniciado, se concluiu, provavelmente, um dos primeiros projectos de recuperação do património industrial português, com a inauguração, em 30 de Abril de 1992, do Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior. Foi igualmente no âmbito desta experiência que se iniciaram, na Covilhã e na região circundante, com carácter sistemático, levantamentos no domínio do património industrial.
 
Deste modo foi possível salvaguardar alguma da memória dos itinerários da produção de panos de lã, tanto a nível regional e nacional como até internacional, conhecer a diversidade e a origem dos produtos tintureiros orgânicos mais utilizados nas tinturarias da Real Fábrica de Panos, assim como os processos de fabrico e de tingimento característicos de uma manufactura de estado do Antigo Regime.
 
Os fios com que se tecem os panos fabricam também a recuperação da memória de um passado com que se procura alicerçar o futuro. É mais uma das virtualidades desta fibra natural que é a lã.
 
 
 

8 Séculos a trabalhar a lã

Um percurso no tempo

 

Da ovelha ao tecido.JPG

 

Séc. XII/XIII – Um trabalho doméstico

Nos primeiros tempos da monarquia já se fabricavam panos de lã em Portugal. As oficinas não eram fábrica mas a mera casa de habitação onde o tecido resultava de um trabalho doméstico. O 1º foral da Covilhã (1186) é um documento comprovativo.

 

Séc. XIV – Afirmação da Serra da Estrela

Portugal importava também os melhores tecidos os quais eram fabricados na Flandres. Os panos de Arras tinham prestígio internacional e, os teares domésticos nacionais já não teciam apenas panos lisos usando-se temas fornecidos pelos pintores.

A produção artesanal nacional encontrava-se baseada na Serra da Estrela e no Alentejo (Covilhã, Estremoz, Portalegre e Beja). O burel (pano tipo hábito de monge grosseiro) era o que mais se fabricava até aparecer o pano de lã meirinha.

 

Séc. XV – A produção diversifica-se

Nestas cidades portuguesas começam a ser fabricadas as baetas, picotes e outros tecidos até aí importados de Castela. Da Flandres importavam-se a sarja e o burel mas também os muito qualificados panos de Arras e as escarlatas (tecidos vermelhos).

 

Séc. XVI – Disseminação junto às rotas da transumância

O trabalho de lã encontra-se agora mais disseminado pelo território especialmente nas regiões de transumância e nas fronteiriças.

Os centros produtores alargavam-se na zona da Serra da Estrela (Covilhã, Gouveia, Seia, Oliveira do Hospital, Trancoso e Pinhel), no Alentejo (Beja, Portalegre, Arronches e Castelo de Vide) e em Santarém (os alambéis).

A produção de tecidos de lã satisfazia parte do consumo de Portugal, Açores e Madeira e os alambéis (tapetes coloridos) de Santarém parte do Norte de África.

 

Séc. XVII – As Primeiras Manufacturas

Por altura da Restauração Portuguesa (1640) a produção de tecidos de lã encontra-se distribuída nacionalmente e mantinha-se como trabalho caseiro e artesanal.

Algum tempo após, o 3º Conde da Ericeira encetar uma política de fomento e renovação do sistema produtivo. É agora a altura das primeiras grandes transformações em Portugal.

A partir de 1679 aparecem as grandes MANUFACTURAS de lã; Covilhã, Estremoz, Manteigas, Melo (Gouveia) e Lisboa são concretizadas, invocando-se que “A produção que daqui iria advir protegeria o país dos artigos importados”.

A evolução e o êxito das manufacturas foram tão grandes que durante dezenas de anos a sua produção supriu o consumo de Portugal e Brasil.

 

Séc. XVIII – Do Tratado de Methuen às Reais Fábricas

 

Os anos de setecentos começam com uma grave crise económica originada pelo famoso tratado de Methuen de 1703. A Inglaterra passava a introduzir livremente os seus lanifícios em Portugal. Depois sucede o mesmo com a Holanda. Acontece a ruína e a decadência de produção portuguesa.

A partir de 1710, por decisão de D. João V, a Covilhã +assa a fabricar nas suas manufacturas todos os fardamentos militares portugueses.

Quatro anos antes existiam 186 produtores (domésticos) desses panos na cidade. Aí existiam também a funcionar 72 teares e na sua limítrofe de Teixoso mais 46. Em Manteigas funcionavam 28 e em Belmonte 18.

Aparecem então as grandes unidades manufactureiras que envolvem grandes processos de modernização.

O grande restabelecimento da indústria de lanifícios deve-se à visão política e económica do Marquês de Pombal.

Num século de profunda evolução técnica e de sistema produtivo, Portugal vê criada em 1764 a Real Fábrica de Panos da Covilhã.

 

O Fomento Industrial de Pombal (1760-1777)

Neste período a política nacional assume a importância estratégica das manufacturas produtivas e com base nelas assentam as grandes medidas de industrialização. O plano parte de acções de espionagem industrial levadas a cabo na Europa com vista a conhecer melhor as inovações técnicas e a organização do trabalho têxtil (lanifícios, algodão e outros sectores).

O objetivo político era o de combater a dependência portuguesa das importações, articular a ligação de produção às colónias e modernizar uma produção atrasada.

O fomento industrial de Pombal baseia-se por isso na realidade pré-industrial (os centros das manufacturas) existentes no país: a fábrica de vidros da Marinha Grande (1769), a Rea Fábrica de Lanifícios de Portalegre (1772), a Fábrica de Chapéus de Pombal (1759), as de tabaco, refinação de açúcar e pólvora (1759), a reforma da Fábrica das Sedas (1757) e a Real Fábrica de Panos da Covilhã (1764).

Na Inglaterra tinha-se iniciado a Revolução Industrial.

 

Séc. XIX (1ª metade) – O Operário, a Indústria, o Proletariado

O trabalho de preparar, fiar e tecer as lãs é ainda manual em Portugal no início do Séc. XIX. Em 1808/ 10 inventam-se em Inglaterra os primeiros maquinismos para a indústria. Os conceitos evoluem para o significado atual: artista, artífice, operário, proletário e indústria.

As grandes unidades manufactureiras lusitanas prosperam até às invasões francesas altura em que o novo Tratado com os ingleses prejudica a indústria portuguesa. A Real Fábrica da Covilhã fecha durante anos até que, por acordo com o Estado, é transferida para privados em 1821.

Em 1837 verifica-se novo incremento da produção de lanifícios. Para além da Covilhã, Gouveia, Manteigas e Trinta (todas na Serra da Estrela), Lisboa, Porto, Amarante e Alenquer assistiram à criação de novas grandes unidades.

Em 1860, Belmonte, Teixoso e Tortosendo (marginando a Covilhã) já possuem 600 fogos cada. Metade da população destes centros vive dos lanifícios da Covilhã. Aqui, 35 unidades industriais empregam 1.850 homens, 680 menores, 760 mulheres e 540 raparigas. Nesse ano a grande massa de operários atinge quase 4.000 trabalhadores.

Cerca de 1850, Portugal já dispunha da máquina a vapor e os grandes centros industriais eram Lisboa, Porto, Covilhã e Portalegre.

No Alentejo e nos lanifícios trabalhavam ainda o Redondo (750 trabalhadores), Reguendos (430), Évora (98) e Estremoz.

 

Séc. XIX 2ª metade – A expansão industrial

Em 1881 o maior número de unidades industriais de lanifícios estava na Covilhã, no distrito da Guarda e em Castanheira de Pêra. O Porto e Lisboa tinham 3 fábricas cada e Alenquer uma.

Das 160 unidades portuguesas, a Covilhã detinha agora 128. A antiga vila da Covilhã, cidade desde 1870, tinha uma população de 12.000 habitantes e mais de metade (6.502) trabalhava nos lanifícios (homens, mulheres e crianças). Havia 859 teares instalados dos quais 57 eram mecânicos.

Gouveia possuía 20, Seia possuía 15, Manteigas e Guarda possuíam 5 e 1, respetivamente.

De 1881 para o fim do século (1896) a indústria de lanifícios passou de 160 unidades (151 fábricas e 9 oficinas) para 234.

O número de trabalhadores manteve-se quase nos 9.000 dos quais 6.500 na Covilhã. A indústria têxtil era em 1896 a maior empregadora (11.732 trabalhadores), seguida dos lanifícios (8.895), dos tabacos (4.776), conservas (4.653) e cortiça (4.380).

 

Séc. XX – Um apogeu Produtivo

Em 1916 a indústria têxtil era a mais importante (50.000 operários). A dos lanifícios mantinha-se em segundo lugar (10.861 operários), 210 unidades (103 no Distrito de Castelo Branco, 56 na Guarda, 18 em Leiria e 18 em Lisboa). Das 103 unidades de Castelo Branco, 88 encontravam-se na cidade da Covilhã.

Em 1934 o número de fábricas nacionais já era de 414, trabalhando em lanifícios 14.000 pessoas cabendo à Covilhã 5.600.

Após a II Grande Guerra a indústria de lanifícios atinge um novo apogeu produtivo. Era já um terceiro depois dos verificados no final do séc. XIX e após a I Grande Guerra. A partir de 1970 verificam-se encerramentos e a reestruturação tecnológica provoca uma crise social profunda.

 

Séc. XXI – Prossegue a Revolução Tecnológica

Nestes primeiros anos do séc. XXI a indústria laneira já é reflexo de outra revolução tecnológica. O trabalho foi deixando de ser baseado em mão-de-obra intensiva e é cada vez mais suportado em tecnologia intensiva. Esta alteração que permitiu produzir mais do que nunca, vai também sendo sustentada num menor número de unidades de lanifícios (e de trabalhadores) mas com enorme capacidade de produção. Atualmente saem das fábricas de lanifícios da Serra da Estrela dezenas de milhões de metros de tecido por ano. O escoamento do produto é agora feito mais pela exportação e menos para o mercado interno. Em termos tecnológicos, os teares a jacto de ar comprimido necessitam pouca mão-de-obra e fabricam com muita qualidade. Grandes marcas mundiais de vestuário usam tecidos “made in” Serra da Estrela.

publicado por Paulo Jesus às 17:53

Setembro 27 2008

No domínio da investigação histórica, sobretudo da história da Covilhã, destacam-se os nomes de Artur de Moura Quintela, que publicou no ano de 1899, os "Subsídios para a Monografia da Covilhã", e o Dr. Luís Fernando de Carvalho Dias (1914/1991) formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Dedicou-se à investigação histórica, coligindo, na Torre do Tombo, numerosos documentos relativos à história dos lanifícios, do que resultou a publicação, em três volumes, da "História dos Lanifícios", versando a época de 1750/1834. Publicou ainda "Heitor Pinto - Novas Achegas para a sua Biografia" e "Forais Manuelinos". No âmbito da investigação da histórica local e na defesa do património ainda existente, destacam-se nomes como o Dr. Rui Nunes Proença Delgado, com vários títulos sobre a "História da Covilhã", e José Mendes dos Santos, que fundou aqui a melhor livraria da Cidade, e, além da recente obra "Breve História Cronológica da Covilhã", fez publicar a "Toponímia Covilhanense", repositório de numerosas achegas para a história da Covilhã, escritas por publicistas locais de mérito, como José Vicente Milhano (1913/1995), Vitorino de Almeida Bonina, M. M. Sardinha, Dr. António Crespo de Carvalho, Artur Penha (1904/87), Humberto Correia Morão, Álvaro Morgadinho, e outros.

Ainda no domínio da cultura, foi figura de relevo neste século, o Eng.º Ernesto de Campos Melo e Castro (1896/1973). Pertencente à Família Campos Melo, foi, durante trinta e sete anos director da Escola Industrial. Dedicado igualmente à música, foi professor no Conservatório desta cidade, violinista em saraus artísticos e compositor da "Trilogia Camoniana" para canto e piano. Teve também o mérito de recolher e escrever numerosas cantigas típicas da região da Beira Baixa.

Embora se façam sentir pelos formosos campos do Zêzere e nas alturas da serra, as harpas eólicas das musas, rareiam por aqui os poetas. Todavia, ainda sobressaem nomes como Celestino David (1880/19529, José Seca Júnior (19101971), José Nepomuceno (1874/1954), natural do Tortosendo, José Soares Pereira da Rocha (1904/1983), natural de Vale Formoso, que deixaram os seus versos dispersos por diversas publicações e jornais. Ernesto de Melo e Castro, filho de Engenheiro do mesmo nome, é autor do livro de poesia experimentalista "Trans (a) parências".

No jornalismo, avultam nomes como o de Mário Quintela (1872/1956), natural do Sabugal, mas covilhanense de coração, que foi director do "Notícias da Covilhã" (1941), autor de revistas teatrais de sucesso, como "No País da Guedelha", "Covilhã à Vista" e "No País do Minério". José Marmelo e Silva (1911/1991), natural do Paul, colaborou nos jornais "O Raio" e no "O Diabo", bem como na Seara Nova. Editou ainda em Coimbra o Boletim "Altitude". O Padre Jaime Pinto Pereira (1916/1987), natural de Sobral de São Miguel, jornalista e etnólogo, foi fundador do jornal "Nordeste" e publicou dois volumes de canções religiosas e profanas, inspiradas e recolhidas na região. O jornalista José Nunes Torrão (1929/1981), natural da freguesia da Boidobra, trabalhou longo tempo no "Jornal do Fundão" e, tendo emigrado para Angola, foi em Luanda, chefe de redacção do diário "Província de Angola". Nascido no Tortosendo, o Dr. Jorge Ferreira Peixoto, foi primeiro bibliotecário da Universidade de Coimbra, e professor da Faculdade de Letras da mesma universidade, deixando extensa obra bibliográfica.

 
 
O CONCELHO DA COVILHÃ
 
 
Covilhã – Concelho
 
Reclinada na encosta da Serra da Estrela, voltada a Nascente, a Covilhã oferece a quem a visita a bela paisagem da sua casaria, enquadrada num majestoso anfiteatro de montanhas.
O Concelho tem uma área de mais de 550 mil hectares e a sua população está estimada em 54 mil 506 habitantes, dos quais 49 mil 527 são eleitores (segundo dados apurados pelo Censos 2001).
É constituído por 31 freguesias: Aldeia de São Francisco de Assis, São Jorge da Beira, Casegas, Sobral de São Miguel, Ourondo, Erada, Paul, Coutada, Barco, Peso, Vales do Rio, Cortes do Meio, Unhais da Serra, Tortosendo, Dominguiso, Boidobra, Ferro, Cantar Galo, Vila do Carvalho, Teixoso, Santa Maria, São Martinho, São Pedro, Conceição, Peraboa, Verdelhos, Sarzedo, Orjais, Aldeia do Souto, Canhoso e Vale Formoso.
 
 
Covilhã – Cidade
 
A cidade da Covilhã situa-se na vertente oriental da Serra da Estrela a cerca de 700 metros de altitude.
Desde 1851 que é constituída por quatro freguesias urbanas: São Martinho, São Pedro, Santa Maria e Conceição.
É Cidade desde 20 de Outubro de 1870, título atribuído por D. Luís I.
 
 
 
Covilhã- No Distrito
 
A Covilhã pertence ao distrito de Castelo Branco que é formado por onze concelhos (Covilhã, Belmonte, Fundão, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Rodão), compostos por 159 freguesias.
A delimitação geográfica do distrito é feita a Norte pelo distrito da Guarda, a Sul pelo distrito de Portalegre, a Oeste pelos distritos de Santarém, Leiria e Coimbra, a Leste pelas fronteiras com o País vizinho, Espanha.
Geograficamente o distrito é caracterizado pelas várias serras que o atravessam, com parte das serras da Estrela e da Lousã e com as serras da Gardunha, Malcata, Alvelos e Muradal.
Nos seus vales correm os Rios Erges, Ponsul, Ocreza e o Zêzere, afluentes da margem direita do Rio Tejo, o qual delimita o distrito a sul.
 
 
LENDA DA COVILHÃ
 
A Cova da Beira está situada no eixo da Guarda - Covilhã - Castelo Branco, fazendo fronteira com Espanha. O seu primeiro nome foi o de Cova Plana, por razões de ordem morfológica. "Cova" porque está enclausurada entre serras altas, nas abas das Serra da Estrela, Serra da Gata, Serra da Malcata, Serra da Gardunha. "Plana" porque se trata de um espaço onde se erguem aqui e além pequenos montes ou mamelões que, vistos do cimo de qualquer uma das serras que a envolvem, se diluem na paisagem, parecendo tratar-se de uma planície entre montanhas onde brilham as águas.
Após a invasão e conquista da Península Ibérica pelos romanos é que aconteceu surgirem os vários nomes (Cova Julia e Silia Herminia) a que as lendas deram notoriedade.
Os generais romanos, por razões estratégicas davam os seus nomes às regiões por onde passavam e sobretudo onde assentavam arraiais. Temos assim a Cova Plana a mudar de nome para Cova Julia, antes de Cristo, devido ao facto de ser Júlio César o general, comandante das legiões romanas, na Península Ibérica.
Em 41 depois de Cristo, há uma outra alteração. O nome de Cova Julia desaparece e a região passa a ser conhecida como Silia Herminia, devido ao facto de o general romano, que então comandava as legiões romanas, se chamar "Silius", e ter, ali, acampado para dominar os lusitanos.
A Covilhã encontra-se situada na vertente oriental da Serra da Estrela a cerca de 700 metros de altitude. Possui uma localização estratégica, confinada entre as ribeiras da Carpinteira e da Degoldra, com excelentes pastos para a criação de gado ovino, condições essenciais para a manufactura de panos. Desde cedo se destacaram na paisagem azenhas, moinhos de pão, tintes e tendas e, posteriormente, fábricas transformando a Covilhã no maior centro da indústria têxtil do País.
O topónimo da Covilhã estará relacionado com uma LENDA . Segundo esta, o Conde Julião, governador de Ceuta, teria permitido a passagem dos mouros, por vingança, pelo facto da sua filha, Florinda, se ter enamorado por Rodrigo, o último rei dos Godos. Após a morte deste, numa batalha contra Tariq, esta refugiou-se nos Montes Hermínios e, pela sua astúcia e formosura, mereceu o respeito dos mouros e o nome de Cova. Seria o lugar da Cova Juliana ou Covaliana, donde resulta o nome da Covilhã.
Há ainda quem conte que foram as condições em a Covilhã se insere, com zonas de pastagens e refúgio do gado na Serra da Estrela que lhe deram o nome.
Inicialmente conhecida como o Covil da Lã, hoje denomina-se Covilhã.
 
 
LENDA DA SERRA DA ESTRELA
 
IN "Velhas Lendas" de Maria Antonieta Garcia, Edição Centro Cultural da Beira Interior
 
Olhar o céu todas as noites, decifrar linguagens das estrelas, lua, nuvens e ventos era momento de prazer sempre renovado.
Quando se está só, as coisas que nos rodeiam ganham outra importância. Temos tempo para elas, entendemo-las, deixamos que entrem connosco na nossa vida. E à noitinha, no veludo negro do céu, via estrelas lindas, lindas que não sabe por que loucura ouvia falar. Aquele barulho e o tremeluzir ritmavam melodias, conversas, confidencias... E os jogos que faziam? Fugiam para um lado e para o outro, escorregavam sabe-se lá para onde, dançavam... Escondiam-se!
Era então que o José desdobrava recordações, passeando pelo Largo da sua Infância com acenos de felicidade... E lembrava-se das histórias com estrelas. Todos tínhamos uma no céu, dizia-se. Boa ou má... Ah! Se um dia descobrisse a sua Estrela!!!
Noite após noite, procurava um sinal, um sussurro... A Lua olhava-o divertida e aguardava serenamente poder assistir ao encontro de José e da sua Estrela.
Era nas noites sem sono que o som da flauta subia mais alto no silêncio.
 
                   O brilho da minha estrela
                   Aquece o negro do céu;
                   Espreito-a pela janela,
                   Marco encontro: ela e eu.
 
                   Sou jovem enamorado
                   À noite mato a saudade,
                   Desce no sopro da Estrela
                   Um sol de Felicidade.
 
- José, sou a tua Estrela! José sou a tua Estrela! - ouviu-se.
Era lá possível! Cantigas, são cantigas! Não queria acreditar! Esfregou os ouvidos, os olhos. E ouviu de novo:
- José, sou a tua Estrela!
E tremeluzia rindo em brilho de poeta e paz. O José teve receio. Beliscou-se até doer para sentir que estava acordado. E estava mesmo... Porque a Estrela continuava:
- Que linda a tua serenata! Diz-me os teus anseios, mas pensa bem, antes de decidires. Traçado o Caminho da Vontade, partiremos juntos, e não voltaremos atrás. Quando quiseres, chama-me! Sou a tua Estrela.
E afastou-se devagarinho.
Prisioneiro daquela voz que lhe oferecia viagens, deixou fugir as ideias para paraísos sumarentos. Abandonou-se a uma loucura saborosa e teceu aventuras que acariciou com o desejo semeado pela espera. Queria partir, conhecer serranias altas, coroadas de branco...
Numa noite luminosa olhou o céu:
- Estrela, minha Estrela. Sou eu que te chamo! Vem comigo!
O cheiro das lareiras da aldeia entranhava-se no ar e bafos tépidos, conhecidos, aconchegavam e prendiam as gentes. Mas o José tinha de seu apenas a solidão e uma vontade que recusava resignação e bolores. Vizinho de um mundo de sonho, partiu com a Estrela mais brilhante. Marcou os caminhos que percorreu com a alegria. Irrequieto e insubmisso, em cada terra, um sonho novo subia-lhe à cabeça e reinventava o gosto de viver. Fascinava-o uma criança, um regato de cantilenas, uma romã aberta... Eram imagens que soldava ao corpo, para construir pilares capazes de exorcizar tristezas, hipocrisias, azedumes.
O José tinha escolhido uma Boa Estrela.
Os anos passaram. Os caminhos da montanha rendilhados de branco estavam próximos. No céu, a Estrela brilhava cada vez mais intensamente. Entrava-lhe todas as noites nas palheiras que lhe serviam de abrigo. Desafiava-o feliz para todos os percursos até ao local do seu encantamento. Do alto da Serra, dominaria horizontes mais largos e maior seria o seu prazer franciscano de se emocionar, admirar e acariciar ternamente o que o rodeava.
- José, sou a tua Estrela! Estamos perto. - confidenciava-lhe.
Flautas mágicas cantavam com o sopro do vento. O José cansava-se, subia... A Estrela à sua frente, corria, corria, corria em fúria de chegar.
- Tão bonita a Serra!
- Tão bonita a Serra! Ecoavam as vozes voando longe, longe, longe.
José mergulhou o olhar nos rumores e espaços marcados por pedras e lagoas, plantas e bichos a quem ouviria histórias... para contar.
Ali ficaria. Com a Estrela sua companheira, Amiga e conselheira, durante uma vida. Esperavam que a noite descesse para as longas conversas e confidências...
Diz-se que o Rei cioso das maravilhas do seu reino, teve conhecimento desta Amizade. E quis a Estrela. Coleccionador de raridades aspirava possuí-la.
- Dou-te o que pedires. Ofereço-te poder e privilégios que nunca conheceste em troca da tua Estrela.
No rosto do pastor desenhou-se a admiração:
- Não posso dá-la! - elucidou - É a minha Estrela e ficará comigo para sempre. Vossa Majestade pode escolher uma no Céu.
O Rei não acreditava no que ouvia:
- Recusas as riquezas, o bem-estar, poderios? Não sabes o que fazes. Para que te serve uma estrela se não tens mais nada?
- Eu tenho um dom digno de deuses. Conheço meu caminho. Tracei-o com as minhas mãos; povoei a vida com alegrias - e algumas tristezas! - que não posso oferecer, nem trocar, nem esquecer... Fizeram de mim o que sou...
A Estrela ouviu o José. Na noite de veludo brilhou com maior fulgor.
Ainda hoje, todas as noites se vê na Serra uma Estrela linda, estranha, diferente de todas as outras.
Acompanha o José sempre... ternamente apaixonada pelos pastores e pela Serra a que deu o nome:
A Serra da Estrela.
 
 
Fátima
 
Manteigas, na Serra da Estrela, é uma vetusta população que já no tempo da romanização possuía uma certa importância. Na época da dominação Muçulmana, teve direito a alcaide ou emir, autoridades que a tradição popularizou sobre designação de reis.
A cerca de duas léguas de Manteigas ergue-se o píncaro de Alfátema, o cabeço mais elevado da Serra da Estrela, amiúde revestido de alvo manto de neve. De Alfátema falará a nossa lenda, que se passa nessa época em que o montante cristão não dava descanso ao alfange muçulmano. Os mouros iam perdendo terreno de combate em combate e a perseguição que os cavaleiros cristãos lhes moviam era tão rápida e implacável que lhes revelava impossível pôr a salvo todas as riquezas que tinham acumulado ao longo dos séculos. Assim escondiam os tesouros nos sítios que achavam mais adequados, ocultando-os muitas vezes por artes mágicas, o que levava o povo a dizer que ele estava guardado por mouras encantadas.
Conta a lenda que o rei mouro de Manteigas tinha uma filha, chamada Fátima, e que era formosa como uma visão magnífica do paraíso de Alá. Os cristãos das vizinhanças empregavam todos os seus esforços para se apoderar do território do rei, da sua Fátima tão linda e de todas as suas jóias e bens.
Ainda quis resistir, o rei, abrigado como estava dentro do seu castelo. Mas o numero de assaltantes era tal que lhe pareceu loucura ficar e resolveu fugir pelos correios escusos da serra, levando a filha e o que das riquezas ainda não puseram a salvo.
Era madrugada quando fugiram de Manteigas por uma pequena porta dissimulada nas muralhas. Andaram, andaram todo o dia por entre penedos e escarpas e, ao anoitecer, Fátima morria de cansaço e não conseguia dar nem mais um passa porque os seus pés estavam em chaga. Que fazer ali no sítio mais solitário da serra
Subitamente, abre-se-lhes em frente o caminho esplêndido, todo ele florido, calçado de pedras finíssimas e iluminado, lá no fundo, por um foco de luz intenso que mais provir de estrela particular. Alá fizera o milagre! A esperança renasceu em todos os corações e, num inesperado alento, entraram na senda que se lhes abrira como se nesse momento tivesse começado a caminhada. Ao fundo da entrada, a luz que havia divisado revelou-se-lhes um palácio resplandecente, tão cheio de magnitude que se quedaram estarrecidos.
O que depois se passou ninguém o soube, mas, nos dias imediatos, os serranos viram subir e descer a encosta vários pastores totalmente conhecidos na localidade. Duraram algum tempo aquelas idas e vindas ao Coruto de Alfátema, como chamavam àquele sítio, e um belo dia os pastores desapareceram sem deixar rasto. Os pastores desconhecidos eram mouros disfarçados e foi por indiscrição de um deles que se soube que uma fada boa, madrinha de Fátima, a guardaria no seu palácio encantado do Coruto, sempre jovem e formosa, até ao dia que os fiéis sectários do Corão reconquistassem Portugal.
Tão arreigada ficou esta crença no espirito dos serranos que, durante os séculos XII e XIII, as pessoas várias vezes entraram em pânico por acreditarem ver chegar, ao longe, os esquadrões mouriscos em busca da bela Fátima. E a lenda tomou ainda mais corpo no espirito crédulo dos aldeões quando, alguns anos depois dos cristãos terem tomado Manteigas, aconteceu o que vamos contar a seguir.
Um dia, uma mulher, das mais miseráveis da localidade, teve de passar na madrugada de S. João no Coruto de Alfátema. Fatigada, sentou-se a descansar num penhasco enquanto ia comendo uma côdea de broa que trazia. O pão era duro de muitos dias e, quando a mal-aventurada ia a dizer mal da sua vida, viu a seu lado um vasto estendal de figos secos. Comeu uns quantos, feliz por poder quebrar inesperadamente a sua pobre dieta e, lembrando-se dos filhos, encheu deles uma cesta que levava.
E, rápida e alegre, dirigiu-se à sua choupana, antegozando a alegria das crianças ao comerem os figos, mas, uma vez chegada a casa, ao destapar a cesta, ficou pasmada: no lugar dos figos encontrou diamantes e moedas de ouro, tudo reluzente e novo.
Estava rica! Mas a mendiga de há um minuto, conformada com um naco de pão duro sentiu a mordedura da ambição. Não lhe bastando o que já tinha, quis o que ficara no Coruto e voltou a correr ao local onde deixaram os restantes figos.
Entretanto, o sol subira no horizonte e estava no meio de um céu sem nuvens. Passara a hora dos encantos e, dos figos, a mulher encontrou apenas o lugar. Desesperada, começou a arrancar os cabelos e ia blasfemar quando uma voz suavíssima – a de Fátima, sem dúvida – caiu sobre si cantando:
 
Era teu tudo o que viste;
Agora tornas-te em vão!
Não passes mais neste sítio
Na manhã de São João.
Não te perdeu a pobreza
Pode matar-te a ambição!
 
 
A Lenda da Lagoa Escura
 
Na Lagoa Escura, na Serra da Estrela existe um palácio, onde se guarda a capa de um rei coberta de diamantes e para a feitura da qual foi preciso vender sete cidades. Quem quiser entrar no palácio, tem de fazer com que uma cabra preta atravesse a água, e esperar que o sol esteja a pino para dar numa fisga que é a única entrada. Um aventureiro que lá entrou, nunca saiu.
Na Lagoa Escura nenhum pastor da Estrela vai nadar, porque dizem eles que lá no meio os puxam para baixo e que existem lá bichos que comem a gente. Na Lagoa Escura há o palácio de um muro encantado, guardado por um gato selvagem que se desencanta com treze palavras sagradas, ou Oração do Anjo custódio.
publicado por Paulo Jesus às 17:52

Setembro 27 2008

Introdução

 

         Assistimos hoje ao renascer dos Jogos tradicionais. Os seus nomes e regras, variam de terra para terra. As maneiras de se jogarem são simples e rudimentares e por isso facilmente os jogadores as adaptam ao local onde decorrem . Embora hoje em dia os jogos já tenham perdido a sua ligação ao trabalho e à vida do dia a dia, continuam a ser uma forma alegre, divertida e sadia de ocupar os tempos livres.


Jogo da Porca, Serramuda ou chicarmona

 

Material: 1 Pinha verde ( Porca Serramuda ou Chicarmona )

1 pau ou vara geralmente de castanho ou medronheiro por cada jogador.

         Geralmente no adro das Igrejas ou capelas ou noutros largos das povoações, os rapazes abrem uma pequena cova e em volta desta, a alguns passos de distância, outras correspondentes ao numero de jogadores menos uma. Metida na coval principal – a do centro – uma pinha verde ( a porca, serramuda ou chicaramona ) .

         Cada um dos jogadores toma o seu lugar empunhando um pau ou vara, geralmente de castanho ou de medronheiro, que introduz numa das covas, junto ao qual se coloca.

         Para se saber quem deve primeiro um dos jogadores toma todas as varas ou paus nos dois braços e atira-se, a todos simultaneamente, para trás das costas. O dono da que ficar debaixo de todas, a mais fundeira, é o que joga primeiro.

         Este jogador vai ocupar o lugar do centro e a defender a serramuda que todos os parceiros procuram afastar o mais possível da cova ou nicho central.

         A luta é por vezes árdua e só termina pela entrada da porca serramuda ou chicaramona na cova. Nesta altura, todos e cada um dos jogadores procuram apossar-se de cada uma das covas metendo nela a sua vara ou pau.

         Como as covas não correspondem, como se disse, ao numero de jogadores, um fica sem cova, pelo que lhe compete agora defende a serramuda.

         Assim prossegue, às vezes por muito tempo, este belo exercício que é ao mesmo tempo luta e um divertimento entusiástico.

         Se, durante o jogo, algum jogador precisar-se, mete a vara na cova e diz: o meu nicho está forrado. Ninguém desta declaração o pode ocupar.

 

Jogo do avião ou da Macaca


Material: Uma malha para cada jogador.

Participantes: Rapazes e raparigas

 

Desenvolvimento do jogo:

         No solo é traçado a seguinte figura:

 

         O jogador que a partida, coloca a sua malha na casa número 1 e começa a percorrer “ o pé coxinho “ as casas 2 e 3; nas 4 e 5 põe simultaneamente os dois um cada; na 6 de novo um só pé e nas 7 e 8, procede como nas casas 4 e 5 indo cair número 9 com os dois pés ( nos Açores, onde este jogo igualmente se pratica, dá-se à casa número 9 o nome de “ cabeça de nabo ” ).

            Depois de ter descansado em nove, o competidor inicia o retorno até ao ponto de partir, tendo de apanhar a sua malha antes de passar há casa onde ela esteja.

         Lança em seguida, a malha para a sua número 32 e assim sucessivamente. Nas 4, 5, 6 e 8 o jogador pode lançar a sua malha – e, nesse caso, passando por ela também a “ pé coxinho ”.

            Quando a malha é atirada para a casa número 9, o jogador, ao chegar aos lugares 7 e 8, tem de saltar a pés juntos para fora do desenho e por cima da casa número 9. Apanhará a sua malha e novamente sem calçar a casa número 9, regressa ao ponto de partida.

         Por vezes o jogo continua mas em sentido inverso, considerando-se como ponto de partida a casa número 9 e sendo descendente a progressão.

         Logo que o jogador consiga ir e regressar correctamente, escolhe uma das divisões ou casas e nela marca uma “ macaca ” ( por meio de uma cruz ou nela escrevendo o seu nome ). Aí poderá descansar pousando os dois pés no chão quando, na jogada seguinte, passar por essa; em contrapartida, os demais competidores não podem ocupa-la e sobre ela têm de passar no desenrolar das jogadas que fizeram.

 

Jogo em Recinto Fechado

 

Material: 1 rolha e moedas.

 

         É colocado a rolha em cima de uma mesa ou lugar já destinado e que se encontra a 3,4 metros de distância dos jogadores.

         Inicia-se o jogo que os jogadores tentam derrubar a rolha ou colocar a moeda o mais perto possível.

         Se acertar e derrubar ganha três pontos. Se ninguém o conseguir apenas ganha dois pontos o que colocar a moeda mais perto da rolha.

         Se entretanto um jogador derrubar e a sua moeda ficar mais próximo da rolha que todas as outras, somará 5 pontos.

         O jogo termina aos trinta pontos, propondo o jogador que estiver perdendo logo que atinja uns quinze pontos, que se passe a jogar com a mão esquerda ou atirar a moeda para baixo da perna.

 

Jogo do trinta

 

N.º de Jogadores que utiliza: 2 equipas

 

Idades: 18 a 50

 

Local onde costuma ser jogado: adro da igreja ou outro largo similar.

 

Material que utiliza: duas bolas / madeira ( tipo booling ) 6 pinos pequenos e 1 pino grande.

 

Descrição do jogo:

 

Objectivos: Somar 30 pontos. A equipa que primeiro somar 30 pontos ganha o jogo. Cada pino vale 5 pontos. O pino do centro pode valer 5 ou 30 pontos. Vale os 30 se for derrubado sem haver mais nenhum derrube nos outros pinos, se for derrubado em conjunto com os restantes, vale 5 pontos.

 

Movimentação: primeiro concorrem duas ou mais equipas de dois elementos ( nota: também pode ser um jogo individual ). Os jogadores das equipas fazem jogadas individuais intervaladas, isto é; inicia o jogo o primeiro jogador de uma equipa, fazendo o segundo jogador um jogador de equipa adversária. Seguem-se jogadas sucessivas até uma das equipas atingir 30 pontos.

 

2º objectivo: Derrubar em cada jogador o maior número de pinos, com a finalidade de obter os 30 pontos.

 

Jogo da Barra (Malha)

 

N.º de jogadores que utiliza: Vários

 

Idades: Várias

 

Sexo: Masculino

 

Local onde costuma jogado: Num largo da aldeia

 

Material necessário: Uma pedra com cerca de 6 a 7 Kg

 

Descrição do jogo:

 

Objectivo: Atirar a pedra à maior distância.

 

Movimentação: O atirador coloca-se atrás de um risco traçado no chão de pernas abertas. Segura a pedra com a mão, de pernas bem firmes, balanceia-se o braço contorção do tronco, duas ou três vezes, e aproveitando o impulso da torção e do balanceamento atira-se a pedra para a frente.

 

Observação: Este jogo parece-nos, pela forma de jogar, ser um percursor do lançamento do disco.

 

Péla à parede

 

Material: 1 bola de trapos – « Péla »

 

Participantes: Ambos os sexos. Individualmente ou em equipas de dois.

 

Desenvolvimento: Consiste em lançar a bola à parede e bate-la sucessivamente sem parar nem deixar cair no chão. Quando acontece começa outro jogador ou equipa. Ganha o jogador que consegue bater com a péla na parede maior número de vezes. Pode-se lançar à parede o mais alto que se quiser.

 

Características: Jogo de lançamento e competição com movimento.

 

Tracção com corda e linha

 

Material: Uma corda e um lenço.

 

Participantes: Ambos os sexos.

 

Desenvolvimento: Duas equipas com forças idênticas, seguram a igual distância do lenço, um de cada lado. O jogo consiste em puxar a corda até que uma equipa seja arrastada pela outra ( passando uma marca no solo ), caia ou largue a corda.

Nota: Não é permitido enrolar a corda ao tronco ou fazer escavações prévias no solo.

 

Características: Jogo de força.

  

O lencinho

Material: 1 lenço

 

Participantes: Ambos os sexos – Crianças

 

Disposição inicial: As crianças dispõem-se em roda, à excepção de uma que está de fora com um lenço na mão.

 

Desenvolvimento: A que está com o lenço na mão corre à volta da roda e vai cantando:

 

Lencinho vai na mão/cairá ou não

Lencinho vai na mão/cairá ou não

Lencinho vai na mão/cairá ou não

 

Sem que tenha de parar, deixa cair o lenço atrás de uma das crianças. Esta, logo que sinta o lenço de trás de si, apanha-o e tenta agarrar a outra. Aquela termina a sua fuga no lugar vazio deixado pelo sua seguidora. Se a corrida não é suficiente para escapar à que a persegue e é agarrada, vai para o centro da roda, enquanto todos entoam em coro:

 

Vai para o chôcho! Vai para o chôcho!

O jogo recomeça, e ela fica a observar onde é que o lenço cai. Se o conseguir agarrar, sai do chôcho por substituição da criança que não sentir o lenço atrás de si e começa novamente a correr à volta da roda.

 

Características: Jogo de atenção e perseguição.

  

Barra do lenço

Material: 1 lenço.

 

Participantes: Ambos os sexos. Elementos igualmente divididos por duas equipas. O juiz de campo segura o lenço e chama pelo número dos jogadores.

 

Terreno: Um recinto dividido igualmente em duas partes.

 

Objectivo: Fazer o máximo de pontos em determinado tempo ou tentar alcançar em primeiro lugar, um número pré determinado de pontos.

Ex.: Quem faz vinte pontos primeiro.

 

Desenvolvimento: A cada jogador corresponde um número. Estes estão colocados nos extremos opostos do terreno. O juiz de campo coloca-se a meio do terreno e chama um número.

 

A Cabra Cega

 

Material: Uma venda ( lenço ).

 

Participantes: Ambos os sexos.

 

Desenvolvimento: Um gruo está em roda. Um elemento está no centro da roda de olhos vendados – Cabra Cega - . Os outros tocam-lhe e tentam não ser agarrados. Logo que algum seja agarrado a Cabra Cega terá que o identificar. Se tal não acontecer continua o jogo. O jogador identificado passa a ser a Cabra Cega.

Nota: Por vezes é jogado, em certas regiões, com lengalengas.

 

Característica: Jogo sensorial com movimento.

Corrida do Arco

 

Material: Arco e Gancheta.

 

Participantes: Ambos os sexos.

 

Desenvolvimento: Consiste numa corrida em que cada participante faz rolar o arco com a gancheta, num percurso que tem uma « partida » e uma « meta ». Alternativas: por vezes fazem-se corridas com obstáculos – planos inclinados ou de perícia. Como alternativa pode-se fazer também o jogo, rolando o arco com a mão.

 

Característica: Jogo de coordenação, corrida e perseguição.

 

O Mata

Material: 1 bola de trapos.

 

Participantes: Ambos os sexos. Equipas.

 

Terreno: Um recinto dividido em duas partes iguais.

 

Objectivo: Colocar no « piolho » todos os jogadores contrários.

 

Disposição inicial: De trás de cada há um jogador da equipa adversária no « piolho ». Este jogador lança a bola os elementos da sua equipa. A partir desse momento uns e outros podem matar « matar » um adversário.

Desenvolvimento: Após sorteio começa uma equipa. Esta faz passes com o jogador que está no « piolho » e procura « matar » ( atingir directamente com a bola os jogadores adversários ) que tentam esquivar-se ou agarrar a bola.

            a) Quem for atingido vai para o « piolho »;

            b) O jogador que estava no « piolho » no início do jogo, vai para o canto logo que o primeiro jogador de equipa seja « morto »;

            c) Só se pode « matar » quando a bola for agarrada antes de tocar.

 

Cabra Cega


Todas as crianças fazem uma roda.

Uma das crianças vai para o meio de olhos vendados. Os outros fazem perguntas a esta, que vai respondendo:

-          Ó cabra-cega.

-          Que é?

-          Donde Vens?

-          De Mirandela.

-          Que comeste lá?

-          Pão e vitela.

-          E não trazes nada para mim?

-          Não chegou prá minha cadela.

Neste momento as crianças batem-lhe nas costas e fogem para não serem agarradas, dizendo:

-          Busca, cabra-cega.

Esta procura agarrar e identificar uma das crianças, que ficará a seguir, de cabra-cega.

O diálogo em Castedo é:

-          Donde vens, cabra-cega?

-          De Vizela.

-          Que trazes na saca?

-          Pão e canela.

-          Busca, cabra-cega

  

 

Tracção à corda


O terreno que se deve utilizar para este jogo tem de ser plano e igual para ambas equipas que usarão calçado semelhante.

            A corda deve ter 25 metros aproximadamente.

            As equipas, tem de ter entre 5 a 10 elementos, devem colocar-se em fila, uma em frente da outra e cada uma delas a cerca de 2 metros de uma raia ( risco ) marcada no chão.

            A meio da coda fixa-se uma marca que pode ser um lenço de mão atado. Quando a corda for esticada pelos jogadores, estes devem agarrá-la de modo que a marca fique sobre a raia central.

            O capitão, isto é, o primeiro jogador de cada grupo não pode pisar o risco que o separa da raia central nos 2 metros referidos, quando o júri der o sinal de começo do jogo.

            Vence a equipa que arrastar o adversário, puxando a corda de modo que a marca ultrapasse o risco que delimita o seu campo.

 

Lenço ( ou Barra do Lenço )

 

 

Constituem-se duas equipas alinhadas à distância de 20 metros ( aproximadamente ) uma da outra. Entre elas, ao meio, fica o juiz.
A cada jogador corresponde um número ( 1, 2, 3, etc. ), sendo os números iguais numa e noutra equipas.
O juiz tem um lenço pendurado na mão e chama um número à sorte dentre os que estão em jogo.
Os jogadores que têm esse número procuram apoderar-se do lenço, sem serem tocados pelo correspondente adversário, e fugir para uma das barras.
O jogador tocado pelo adversário permite à equipa deste ganhar um ponto.
O jogador que conseguir escapar-se vitoriosamente para a sua barra ganha também um ponto para a sua equipa.
Ganhará dois se conseguir entrar na barra adversária sem ser tocado pelo jogador que tem o seu número.
Ganha a equipa que primeiro somar 20 pontos.
Em algumas localidades o juiz pode, ao verificar a demora dos jogadores em apoderar-se do lenço:

                        Chamar outro número ou até toda a equipa, dizendo: Fogo.

                        Se disser Água, ninguém pode mover-se.

                        No caso de dizer Bombeiros, põe o lenço no chão.

                        Azeite, os jogadores partem devagar.

                        Vinagre, andam depressa.

                        Dizendo Vinho tem de marchar como quem pisa o vinho.

                        Dizendo Pé-coxinho tendo estes de andar ao pé-coxinho

 

Jogo das Sacas

 

O material utilizado são três sacas, num terreno livre de obstáculos.

Quanto ao número de participantes, tem de ser três grupos.

            O objectivo do jogo é ver qual o grupo que ganha.

Para se iniciar o jogo fazem-se 3 colunas com uma saca à frente de cada uma .

Ao apito os primeiros da coluna vestem as sacas e vão saltando até á meta e voltam para trás. Quando chegam á fila despem a saca e vão para o fim, o que está a seguir veste a saca e faz o mesmo.

Vão fazendo todos até chegar ao primeiro da fila.

Ganha o grupo que fizer tudo mais rapidamente.
 

Saltar à Corda

 

O material utilizado é uma corda grande e o terreno tem de ser plano, podendo ter vários participantes.

O objectivo do jogo é saltar o mais tempo possível sem parar a corda

Para iniciar o jogo é necessário que dois meninos dêem à corda, os outros vão saltando e cantando, as seguintes canções:

1ª- Quantos carros leva a noiva?
1,2 3,4,... e contam até perder, pois a corda deixa de rodar.

2ª- Freira, casada e solteira... vão dizendo, quando a corda deixar de rodar, vimos em qual calhou se é freira, casada ou solteira.

 
Jogo do Eixo
 

Não é necessário qualquer tipo de material, apenas um terreno sem obstáculos.

O número de participantes pode ser entre 6 a 8.

O objectivo do jogo é saltar por cima do outro, sem cair e chegar ao fim sem perder uma única vez.

O jogo começa, ficando um jogador dobrado ( amochar ) e os outros vão saltando por cima dele com as pernas abertas dizendo :

 
Um à bananeira
Dois à catatumba
Três aberta, fechada ou mista
Quatro rás ca parta
Cinco Maria do brinco
Seis panela do tio Zé Reis
Sete canivete
Oito biscoito
Nove já não chove
Dez não molhes os pés

Onze os sinos da capela são de bronze

 

O jogo termina quando todos saltam e conseguem ganhar sem perder uma única vez. Caso perca fica esse a amochar.

 

Jogo dos Cinco Cantinhos

 

É necessário desenhar cinco cantinhos no chão, em qualquer terreno livre.

O número de participantes são seis.

O objectivo do jogo consiste em trocar de lugares sem perder o lugar para aquele que está no meio.

Para começar o jogo, cinco jogadores metem-se nos cinco cantinhos que foram desenhados no chão e fica um a pedir lume ao meio. Se dissermos que não ele vai a outro pedir, se dissermos que sim ele vai para o nosso cantinho e esse que disse que sim vai para o meio pedir lume. Enquanto ele vai pedir lume os outros trocam de lugar entre si, mas o do meio tenta ver se consegue apanhar o lugar de algum que se distraia

  

 

Jogo do Lencinho

 

O material necessário é um lenço e o terreno deve ser plano e limpo, podendo ser vário o número de participantes.

            O objectivo do jogo consiste em conseguir pôr o lenço atrás das costas de outro jogador sem este dar por isso.

Para iniciar o jogo, os jogadores sentam-se no chão formando uma roda. Um outro jogador anda à volta da roda pelo lado de fora cantando:"o lencinho vai na mão, ele vai cair ao chão." Vai dando voltas e cantando, até deixar cair o lenço atrás de um outro jogador sentado; se este der por isso, apanha o lenço e corre atrás dele. Quando o que tinha o lenço se deixa apanhar vai para o meio e fica GALINHA CHOCA, vai tentar apanhar o lenço primeiro do que os jogadores que estão sentados na roda. Quando não se deixa apanha, senta-se no lugar do jogador que ficou com o lenço e o jogo recomeça.

 

 

Jogo do trinta

 

O material necessário são duas bolas / madeira ( tipo booling ) 6 pinos pequenos e 1 pino grande.

Quanto ao número de jogadores que utiliza são 2 equipas, com idades compreendidas entre os 18 e 50 anos, de número igual para cada equipa.

O local onde costuma ser jogado é no adro da igreja ou noutro largo similar.

O jogo tem como objectivo somar 30 pontos. A equipa que primeiro somar 30 pontos ganha o jogo. Cada pino vale 5 pontos. O pino do centro pode valer 5 ou 30 pontos. Vale os 30 se for derrubado sem haver mais nenhum derrube nos outros pinos, se for derrubado em conjunto com os restantes, vale 5 pontos.

 

Primeiro concorrem duas ou mais equipas de dois elementos ( nota: também pode ser um jogo individual ). Os jogadores das equipas fazem jogadas individuais intervaladas, isto é; inicia o jogo o primeiro jogador de uma equipa, fazendo o segundo jogador um jogador de equipa adversária. Seguem-se jogadas sucessivas até uma das equipas atingir 30 pontos.

 

Tem como segundo objectivo tentarderrubar em cada jogador o maior número de pinos, com a finalidade de obter os 30 pontos.

  

 

Corrida do Arco

 

O material necessário é um Arco e uma Gancheta.

Quanto aos seus participantes podem ser de ambos os sexos.

            O jogo consiste numa corrida em que cada participante faz rolar o arco com a gancheta, num percurso que tem uma « partida » e uma « meta ». Alternativas: por vezes fazem-se corridas com obstáculos – planos inclinados ou de perícia. Como alternativa pode-se fazer também o jogo, rolando o arco com a mão.

Este jogo caracteriza-se por ser um jogo de coordenação, corrida e perseguição.

 

 

O Mata

 

È necessário uma bola de trapos.

O número de participantes tem de ser igual para ambas as equipas podendo ser de ambos os sexos.

O local do jogo tem de ser dividido em duas partes iguais

O objectivo do jogo é colocar no « piolho » todos os jogadores contrários.

De trás de cada equipa há um jogador da equipa adversária no « piolho ». Este jogador lança a bola aos elementos da sua equipa. A partir desse momento uns e outros podem “matar” um adversário.

Após sorteio começa uma equipa. Esta faz passes com o jogador que está no      « piolho » e procura “matar” (atingir directamente com a bola os jogadores adversários) que tentam esquivar-se ou agarrar a bola.

 

Pião
 
Neste jogo utiliza-se um pião e uma baraça (cordel).
            Faz-se um círculo no chão com cerca de um metro e meio de raio, para onde todos os concorrentes lançam o pião, segundo uma ordem sorteada.
            O concorrente cujo pião ficar dentro do círculo, depois do movimento de rotação, será arredado do jogo, deixando lá o pião que os restantes concorrentes, um de cada vez, tentarão deitar fora. Quem o conseguir ganha 50 pontos.
            É permitido no acto de lançamento nicar (atirar) o pião que está dentro do círculo.
            O pião pode ser aparado (empurrado) pelo concorrente que, depois de o pôr a dançar na palma da mão, tenta atirá-lo contra o que está no chão, para fazer sair fora do círculo, de maneira que o seu também saia.
            O jogo tem três séries de lançamentos, vencendo o jogador com mais pontos.
             É um jogo antiquíssimo que ainda hoje se pratica, embora cada vez menos, por todo o mundo. A forma habitual do pião é uma esfera de madeira com a parte inferior em cone rematado por uma ponta metálica, geralmente um prego, e com a parte superior achatada, tendo ao meio uma pequena cauda ou saliência também de madeira. O pião joga-se com uma das mãos, lançando-o para o chão, sem deixar escapar a baraça que se tinha enrolado à sua volta, a partir da ponta metálica (ferrão).
 
Andas ( Moletas ou Xiola )
 
            Os concorrentes deverão trazer as andas.
            A altura mínima para o apoio dos pés será de 30 cm.
            O percurso e distância de corrida serão definidos pela organização.
            Após o início de prova, deverá voltar ao ponto de partida todo o concorrente que caia das ambas.
            Nesta 1.ª eliminatória ficarão automaticamente apurados metade dos concorrentes mais 1 que terminem a prova. Para os eliminados haverá uma segunda prova que, nos moldes anteriores, apurará mais metade dos concorrentes.
            Achar-se-ão os três primeiros numa prova final.
           
Jogo da vara
 
O número de varas é de menos uma em relação ao número de participantes.
Onúmero de jogadores é variável.
Ao iniciar-se o jogo, espetam-se as varasno chão. Os participantes
alinham, atrás de uma marca, de costas voltadas para as varas. Após um sinal, dado por alguém que não esteja a jogar, cada jogador corre para tentar apoderar-se de uma vara. O jogador que não o conseguir é eliminado, os outros dirigem-se novamente para a marca de partida e o jogo prossegue com cada vez menos varas até que reste só um jogador, que será o vencedor.
 
Jogo da malha
 
São necessárias 4 malhas de madeira, ferro ou pedra (duas para cada equipa); 2 pinos (paus redondos que se equilibrem na vertical).

Cada equipa tem que ter dois elementos.

      O Jogo decorrenum terreno liso e plano, são colocados os pinos, na mesma direcção, com cerca de 15/18 metros de distância entre eles. Cada equipa encontra-se atrás de um pino. Joga primeiro um elemento de uma equipa e depois o da outra, tendo como objectivo derrubar ou colocar a malha o mais perto do pino onde está a outra equipa, lançando-a com uma mão.

Pontuação: 6 pontos por cada derrube, 3 pontos para a malha que fique mais perto do pino. Quando uma equipa atinge 30 pontos, ganha. Uma partida pode ser composta por três jogos, uma equipa para vencer terá de ganhar dois.
 
Jogo dos bilros
 
É necessária1 bola de trapos ou madeira; 9 bilros (pinos); 1    bilro maior (o vinte).
Cada equipa é constituída com o mesmo número de jogadores. 
 O jogo decorre num terreno liso e plano formam-se três colunas, de três bilros cada, com os bilros mais pequenos, estando todos separados cerca de 15 centímetros. O bilro grande coloca-se no prolongamento da coluna central, distando dos outros cerca de 30 centímetros e estando separado por um risco feito no chão. 
As equipas devem encontrar-se a uma distância dos bilros que irá de
6 a 8 metros.
Um jogador de cada vez lança a bola de forma a que esta role pelo chão, tentando derrubar os bilros

 Pontuação: 20 pontos pelo derrube do bilro diferente; 2 pontos pelo derrube de um bilro pequeno se este não ultrapassar o risco, se o fizer o derrube vale 10 pontos. Ganha a equipa que fizer primeiro 100 pontos. Cada partida pode ser composta por três jogos, uma equipa para vencer terá de ganhar dois.
 
Jogo da corrida de sacos
 
São necessários sacos de serapilheira ou plástico grosso, em número igual ao dos participantes.
O número de jogadores é variável.
Para se iniciar o jogo é marcado um percurso no chão com uma linha de partida e uma meta. Todos os concorrentes se colocam atrás da linha de partida. Ao sinal de partida, cada um entra para dentro do seu saco, segura as abas com as mãos e desloca-se em direcção à meta. Ganha aquele que chegar primeiro.
 
Variantes: Equipas de três jogadores, colocando-se dois lado a lado, o terceiro enfia as pernas nos sacos onde os outros já se encontram metidos (um em cada saco), abraçando-os.
As restantes regras são iguais às da corrida individual.
Todos estes jogos são passíveis de sofrerem adaptações, consoante o material que temos disponível, o terreno a utilizar; o número de jogadores e a própria imaginação das crianças que é sempre de  explorar.
 
Jogo dos berlindes
 
São necessários Berlindes (esferas de vidro ou metal)
O local onde se joga é num terreno de terra batida e plano.
            Quanto ao número de participantes podem ser vários.
O objectivo do jogo é meter os berlindes nas covas.
 
Quanto ao desenvolvimento do jogo, fazem-se 3 covas. Cada jogador lança o berlinde. Quem conseguir chegar mais longe inicia o jogo que consiste em tentar enfiar os berlindes sucessivamente nas 3 covas que estão em linha recta empurrando-o com os dedos. Quando se consegue chegar à última cova faz-se o percurso no sentido oposto. À medida que os jogadores vão conseguindo estas etapas ficam com o direito de tentar acertar nos berlindes dos outros jogadores, também utilizando a técnica de os empurrar com os dedos na terra. Quando acertam ganham esses berlindes.
 
Roda da Cabacinha
 
Não é necessário qualquer tipo de material.
O jogo desenrola-se num terreno que deve ser plano e limpo, de preferência sem buracos.
São dois o número de participantes.
Quanto ao objectivo do jogo consiste em dar balanço com o corpo e rodar o mais depressa possível sem cair ou largar as mãos.
O Jogo começa com dois jogadores virados de frente um para o outro dão as mãos ao mesmo tempo juntam os pés e dão uma inclinação ao corpo, para trás de modo que os braços fiquem esticados. Lentamente vão começando a rodar dizendo:" RODA RODA CABACINHA, RODA RODA CABAÇÃO ... "ou então "XIXA CANELA , XIXA CANELA " ,até conseguirem rodar o mais depressa possível.
 
Caracol
 
O material utilizado são pedrinhas, giz.
O jogo desenrola-se num terreno que deve ser plano e limpo, de preferência sem buracos.
Quanto ao número de participantes podem ser vários.
O objectivo do jogo é chegar ao centro do Caracol sem perder.
Quanto ao seu desenvolvimento, primeiro desenha-se um caracol grande no chão. No inicio do caracol o primeiro jogador lança uma pedra; depois ao pé coxinho vai empurrando essa pedra até conseguir alcançar o centro do caracol, sem que esta saia do caracol .Se a pedra sai do interior do caracol passa a vez de jogar a outro jogador e assim sucessivamente.
publicado por Paulo Jesus às 17:51

Setembro 27 2008

Letra A

Abalar (ir-se embora) * Abêbera (frouxo) * Abendiçado (abençoado) * Acaçapado (encolhido) * Acunapado (mal remendado) * Aforrar (...as mangas) * Alanzoar (maldizer) * Almotolia (vazo esguio para o azeite) * Alpergata (chinela) * Auga de cheiro (perfume) * Aldravão * Amadurar * Amarujar (Azedar) * Amodorrado (encolhido) * Amolancado (Amachucado) * Amoganhado (amachucado) * Andorisco (andorinha) * Aporrinhado (afligido) * Área (sem área, sem jeito) * Arre-chamona (Arre diabo!) * Arreado (vestido) * Arreganhar (arrebitar, mostrar os dentes, as unhas) * Arremangar (estar disposto a) * Arrelampado (encandeado) * Arremedar (macaquear) * Arteiro (vivaz) * Asadinho (jeitoso) * Asqueles ou asquelas (aqueles, aquelas) * Asseadona (vaidosa) * Asselanado (marcado) * Aventar * Assente (diz-se do pão) * Atadela (nó) * Atado (tímido) * Avezar (habituar) * Auga ou áugua (água).
Letra B
Babala (frouxo) * Babanca * Bacorada * Bacorelhos (papeira) * Balcão (varanda)*Banana (idiota) * Baraço(cordel) * Bilharda (jogo) * Biscoito (bolo típico) * Bispo (esturro) * Bocadechinho (pouquinho) * Boer (beber) * Bolachada (bofetada) * Bolha (cabeça) * Bolir (mexer,incomodar) * Bonda (basta) * Bonecra (boneca) * Bonzão * Botar (deitar,vazar) * Burgesso (mal-encarado) * Borrachana (borracho) * Brocho (prego) * Bueiro (sarjeta) * Burrancana (pobre diabo) * Bule (cafeteira).
Letra C
Cacarro (religioso em extremo) * Cachené (cachecol) * Cachopo (rapaz) * Caçoar (troçar) * Caçola (panela) * Cagança (gabarolice) * Caganeirento (vaidoso) * Cagão (vaidoso) * Caganito (pequeno) * Cagarela (medroso) * Calaceiro (guloso) * Caleirão (do telhado) * Cambulhada (entrar de) * Cambulho (malandro) * Cangalhas (óculos) * Cântara (bilha) * Cantareira (onde se penduram as panelas) * Canudo (onde se doba o fio, problema, diploma) * Caramouço (pevide) * Caramunha (fazer o mal e a...) * Carchantada (cacetada) * Carnuça (carne) * Carrapato (nu) * Carrapicha (ir à) * Carreira(ir numa) * Caruma (agulhas de pinheiro) * Catrino (ai...) * Catrapão (desajeitado) * Cavaloças (ir às) * Chacota (troça) * Chambaril (não chega a...) * Chanato (sapato) * Champlantrina (desajeitado) * Chicha (febra) * Chila (abóbora) * China-mãe (mal arranjado) * Chincar (extorquir) * Choco (porco) * Chospa (indivíduo de baixa estofa) * Chouriça (chouriço) * Cogulo (estar de, cheio) * Coirão (indivíduo desprezível) * Colandrina (meretriz) * Conduto (substância, recheio) * Corna (cafeteira) * Cornaça (chifrudo) * Concha (colher de sopa) * Corricho (leitão) * Corrimaça (corrida) * Cruzes (zona lombar, figas) * Cunapa (remendo) * Cuzapeirão.
Letra D
Daimoso (dadivoso) * Deixas (andar às..., restos, prestações) * Demónho (demónio) * Derrancado (enraivecido) * Desandador (chave de fendas) * Desasado (deselegante) * Desassemelhado (mal arranjado) * Desenculatrado (escangalhado) * Desenguiçar (tirar o enguiço) * Desmazelado (desleixado) * Destroçar (destruir) * Desenxabido (sem gosto) * Doudivanas.
Letra E
Emalar (comer) * Embarracado (atulhado) * Empalhar (entreter) * Emplamado (doente) * Escangalhado (desfeito) * Encalado (encroado) * Encalotar (endividar) * Encarrapato (nu) * Engonhar (perder tempo) * Entanguido (encolhido) * Enxambrado (húmido) * Ervas (esparregado) * Esbica (pinça) * Esbugalhar (abrir muito) * Esbrurgar (descansar) * Escarrado (igualzinho) * Esculhambrado (rebentado) * Esfreganço (fricção) * Esgrovelheiro (desinquieto) * Esgrouviado (tolo) * Esparvoado (doido) * Espinhaço (lombo; coluna) * Espinhela (coluna) * Esposado (noivo) Espunir (ansiar) * Esquecido (bolo regional) * Estreloucado (caquéctico).
Letra F
Facção (trabalhar à..., trabalhar por conta) * Farófia (bazófia) * Farrapana (farroupilha) * Farromba (fanfarrão) * Fiandeiro (o que fia) * Fidúcias (ter..., peneiras) * Fraldisqueiro (mal vestido) * Fragulho (pedra) * Frangalhos (pedaços) * Franganito (pequeno).
Letra G
Gacho (cacho)* Gadanha (pata, colher) * Ganapa (rapariga boémia) * Gandaia (pândega) * Gargana (ladrão) * Gimbrinha (indivíduo insignificante) * Gosma (andar à..., cobiçar) * Grancho (encrespado, diz-se do cabelo) * Grandura ( comprimento) * Granjeio (juízo, orientação) * Graxa (dar..., louvaminha) * Grimpa (levantar a..., falar alto) * guedelha (melena, cabelo, lã).
Letra J
Jaja (fato, vestido) * Janelo (postigo) * Jarra (jarro) * Javardo (porco) * Jorros (chover a).
Letra L
Laje (lágea, pedra) * Lambareiro (guloso) * Lampanas (intrujices) * Lanho (golpe) * Lanzudo (trabalhador da lã, diz-se pejorativamente dos covilhanenses) * Lapacheiro (lamaçal) * Laracheiro (falador) * Lavarinto (pressa, bulha).
Letra M
Malga (tigela) * Mal-amanhado (aldravado) * Malápio (maçã) * Mal-enjorcado (mal-arranjado) * Malha (sova) * Mal(t)estanhado (reles) * Manco (coxo) * Mandinga (veneno) * Mangar (troçar) * Marafalha (algazarra) * Mastrunço (feio, mal-encarado) * Matacão (mal-feitão) * Manzada (aperto de mão) * Mear (dividir ao meio) * Melado (adoçicado) * Melúrias (lamúrias) * Miga (açorda) * Míscaro (cogumelo) * Missagra (dobradiça) * Mocho (banco pequeno) * Mole (preguiçoso) * Molengão (vagaroso) * Molenga (preguiça) * Morcão (calão).
Letra N
Nagalho (atilho) * Nalgas (nádegas) * Nocoo (toque com o dedo) * Nonjo (nojo).
Letra O
Olheiro (vigilante) * Olhudo (bisbilhoteiro) * Osdespois (ao depois).
Letra P
Panada (pancada) * Pano (Naperon) * Pantanas (ir de..., cair) * Parrana (bonzão) * Parrumar (mandriar) * Pecarricho (pequeno) * Pedrez (mesclado) * Pentem (pente) * Peoinudo (alongado) * Pertelinho (pertinho) * Pesquinheiro ou pesquinhento (esquisito no comer, petisqueiro) * Peste (ser como a..., mau) * Petar (...com, arreliar) * Pimento (colorau) * Pincho (salto, trinco) * Pindricalho (farrapo) * Pindrico (penduricalho) * Pingarelho (armar ao..., bazofiar) * Pinoco (marco) * Pirisca (cigarro meio fumado) * Pisco (...a comer, o que come pouco) * Pita (galinha) * Pitacoto (pequeno, anão) * Pitrol (petróleo) Poldra (pedra a servir de vau na ribeira) * Portinhola (braguilha).
Letra Q
Quebra (dar em..., falir) * Quebrada (encosta) * Quêdo (quieto) * Queimas (ser das..., muito mau) * Quelha (viela) * Quina (esquina) * Quintos (ir para os...infernos).
Letra R
Raboqueiro (falso ao jogo) * Ralado (preocupado) * Ramoso (picante) * Rebatinha (à rebatinha, deitar tudo de uma vez) * Regueifa (pão de) * Rebilindo (estar..., em ânsias) * Relocado (caquético) * Reumát'co (reumático, deturpação da palavra, tal como em máqu'na em vez de máquina) * Rilha (jogo local) * Roçar (diz-se roçar o chão, esfregar) * Rosmano (rosmaninho).
Letra S
Safardana (safado, miserável) * Sarrar (serrar) * Saltimbanco (jogo) * Semonga (fingido) * Sobrado (sótão) * Sopapada (bofetada) * Substância (comida de engorda).
Letra T
Tarro (saco dos pastores) * Tentear (apalpar terreno) * Tinte (tinturaria) * Tenda (loja) * Tinhoso (nojento) * Tomba-lobos (fortalhaço, mal-encarado) * Tónho (vadio, boémio) * Tortulho (desajeitado de corpo) * Trespassar-se (esquecer-se) * Trama (fio que a lançadeira faz passar na urdidura) * Trambalazana (brutamontes) * Trombalobos (fortalhaço, mal encarado).
Letra V
Vacão (preguiçoso) * Varão (ferro) * Varrido (andar na limpeza do lixo) * Vinhaça (vinho) * Venda (loja) * Vintaneira (vento) * Vraveira (zanga).
Vocabulário Popular

 

Termo Popular
Termo Correcto
   
Aforrar
Arregaçar
Aguça
Apara lápis
Alanzoar
Resmungar
Algures
Em qualquer lado
Atão
Então
Assoma
Espreita
Aventar
Deitar fora
Ronda
Já chega
Babala
Ingénuo
Bácoro
Porco
Cachopos
Rapazes
Deixas
Prestações
Esvendes
Escudos
Gorou
Que morre à nascença
Gadanha
Concha de sopa
Gargana
Avarento
Granjeio
Senso ; orientação
Jaja
Fato
Lanho
Golpe
Malha
Sova
Mestrunço
Estafermo
Nenhures
Nenhum lugar
Olhudo
Bisbilhoteiro
Poi atão
Pois então
Babequeiro
Falador
Vação
Preguiçoso
Vintém
Sexo dos meninos
Vraveira
Arrelia
Vossemecê
Bem haja
Sertã
Guita
Você
Obrigado
Frigideira
Cordel

 

publicado por Paulo Jesus às 17:49

Setembro 27 2008

Padre António de Sousa (1589 / 1633)

 

Jesuíta covilhanense.

Em 1617 partiu para o Oriente para a difícil evangelização do Japão, onde, durante vinte e cinco anos vivera oculto, tendo por abrigo uma pequena barca, donde partia para visitar os convertidos e conquistar almas para Cristo.

Acabou por ser preso em Nagasaky, onde foi morto após o tormento das covas.

 

Frei Diegalves da Cunha

 

Natural da Covilhã, distinguiu-se na tomada de Arzila, em 1415.

Foi sepultado na Igreja de São Francisco, hoje de Nossa Senhora da Conceição, onde existe uma lápide com o seu nome, que nos parece dizer antes Frei Dielgalves da Covilhã.

Nessa igreja, encontram-se os túmulos de Jorge Cabral, que foi governador da Índia Portuguesa, bem como os irmãos D. Fernando e Diogo de Castro. O primeiro combateu em Arzila, o segundo chegou a ser Alcaide-Mor da Covilhã.

 

Eduardo Malta

 

No mundo da arte, destacou-se no século passado, um artista covilhanense: Eduardo Malta.

Pintor e retratista insigne, a sua fama ultrapassou fronteiras. Conquistou em 1936 o Prémio Columbano, e no ano seguinte, a medalha de ouro da Exposição Internacional de Paris. Seu pai, Manuel Morais, destinara-o à medicina, mas cedo, aos dez anos, seguindo uma vocação irresistível, já o jovem artista frequentava a Escola de Belas Artes do Porto. Ainda aparentado com o escultor Manuel Morais, e ainda com o escritor Raul Brandão nasceu na Covilhã, no Largo de São João, no dia 28 de Outubro de 1900. Fez a instrução primária na sua terra, e, embora a famíliase tivesse fixado no Porto, foi em 1921 que ele aqui desenhou os cenários para a revista "o País da Guedelha".

Na sua extensa galeria de retratos, figuram homens célebres na arte e na política, como Teixeira de Pascoais, Aquilino Ribeiro e Augusto de Castro. Os retratos de Salazar e do Cardeal Cerejeira, da sua autoria, pertencem ao Instituto Nacional de Estatística. O Presidente do Brasil Getúlio Vargas e o político espanhol José António Primo de Rivera, posaram para ele.

Espírito ávido de cultura, escreveu também livros, como "Do Meu Ofício de Pintar" e "Retratos e Retractados". Faleceu no ano de 1967, e sua viúva, Sr.ª D. Dulce Malta, ofereceu um quadro ao Museu da Cidade que tem o nome do grande artista.

 

Fernão Penteado

 

Natural da Covilhã, distinguiu-se na defesa de Diu, onde se escreveu uma das páginas mais gloriosas da história de Portugal.

Com efeito, no primeiro cerco de Diu, a epopeia portuguesa tem aí um dos seus mais formidáveis rasgos de heroísmo. Foi tal a façanha, que Francisco I da França, assombrado, mandou colocar o retracto de António da Silveira, capitão-mor de Diu, na Casa da Fama, no Palácio de Fontainebleu.

No primeiro cerco de Diu, que começou em 6 de Junho de 1538, distingue-se, entre todos os heróis, um covilhanense a que se refere Lopo de Sousa Coutinho, na sua "História do Cerco de Diu".

Umas poucas centenas de portugueses lutavam contra 19.000 inimigos, comandados por Coge Sofar. O ataque foi brutal e feroz. Lutou-se de dia e noite, em terra e no mar. Os muros da fortaleza ruíram com as bombardas do inimigo, mas os portugueses estavam dispostos a dar cara a vida.

Fernão Penteado, um dos feridos que recolhera à enfermaria da fortaleza, voltava ao combate e era de novo atingido. Três vezes repetiu a façanha, até que novas feridas o impediram de prosseguir na luta. Dos 612 homens de armas que defenderam Diu, restaram apenas 40 em estado de combater. Os assaltantes acabaram por desistir do cerco, face ao arrojo indómito dos portugueses.

Fernão Penteado curou-se dos ferimentos mas veio a morrer de naufrágio, durante um temporal.

 

O Beato Francisco Álvares

 

A Companhia de Jesus, instalada em Portugal em 1540, foi, pelos seus professores e colonizadores, e seus mártires, no Ultramar, especialmente na Índia e no Brasil, a ordem religiosa mais evangelizadora e universalista.

Segundo o "Catalogus" de António Franco S. J., foram 94 os seus mártires, contando-se entre eles o covilhanense Beato Francisco Álvares.

Beatificado em 1854 por Pio IX, como mártir da fé, foi na sua terra natal cardador de profissão. Tendo entrado para a Companhia de Jesus em 1564, seis anos depois acompanhava o Padre Inácio de Azevedo na sua viagem para o Brasil, para a obra de evangelização naquela imensa colónia ainda por desbravar. Mas logo à saída da ilha de Palma, nas Canárias, foi a nau Santiago, em que seguiam, assaltada por piratas, comandados por Jacques Sória, sendo todos assassinados, à excepção do frade cozinheiro, que feito prisioneiro e só mais tarde liberto, havia de contar os pormenores do martírio de seus irmãos religiosos.

O Padre Francisco Álvares foi apunhalado e lançado, ainda vivo, às ondas. Tal como o padre Inácio de Azevedo aceitou com heroísmo a palma do martírio. E, se na Igreja é venerado como beato, na Covilhã há muito é adorado como santo. Está actualmente em curso o processo de canonização dos chamados mártires do Brasil.

Na Covilhã, todos os anos se fazia festa na extinta Capela de Santa Marinha onde existia a sua imagem. A casa onde se diz ter nascido, situava-se, segundo Moura Quintela, no "lado superior do Beco do Ribeiro". Hoje é voz corrente que se trata de uma casinha, ao rés da rua Santa Marinha, antigamente chamada Travessa do Rosário, porta n.º 51.

A sua imagem, venerada antigamente na referida Capela de Santa Marinha, encontra-se hoje na Igreja da Nossa Senhora da Conceição.

 

Padre Francisco Cabral (? /1609)

 

Jesuíta também covilhanense, foi notável pregador e missionário no Japão.

Converteu o rei de Bungo, a quem São Francisco Xavier também catequizara. Converteu Mandarins, e ao seu ânimo e zelo religioso se atribui a vitória naval, que Mem Lopes Carrasco alcançou em Achen. Chegou a ser provincial e Visitador de toda a Índia Portuguesa, e morreu em Goa, no ano de 1609, com 81 anos.

 

Padre Gaspar País (1593 / 1655)

 

Nascido na Covilhã em 1593, recebeu a roupeta de jesuíta em Goa no ano de 1607.

Partiu para a Abissínia nos fins de 1623, para evangelizar e combater as ideias cismáticas de Alexandria, mas tendo morrido o Négus de então, recebeu ordem de expulsão do seu sucessor, juntamente com todos os padres da sua ordem.

Não obstante, o padre Gaspar País não se conformando com a expulsão, continuou ali a sua obra de evangelização "oculto nas cavernas e espessuras dos bosques", até ao dia em que foi inesperadamente atacado por cismáticos, e assassinado com lançadas. Era o dia 25 de Abril de 1655.


Heitor Pinto (1528? / 1584)

 

Heitor Pinto é justamente considerado um dos melhores clássicos da literatura portuguesa.

Nasceu na Covilhã, talvez no ano de 1528. No capítulo XVIII do "Diálogo dos Verdadeiros e Falsos Bens", da sua obra "Imagem da Vida Cristã", o discípulo diz ao mestre, o próprio Heitor Pinto: "E eu já vos ouvi dizer que, andando por terras estranhas, suspiráveis por Portugal, e algumas vezes vos ouvi particularmente louvar a própria terra onde nascestes...chamada antigamente Cova Júlia, hoje Covilhã".

Nos "Autos e Provas de Cursos" da Universidade de Coimbra, Heitor Pinto assina-se Frei Heitor da Covilhã, nome com que professou no Mosteiro de Santa Maria de Belém, aos 8 de Abril de 1543. Cunhais de Figueiredo diz-nos que ele se assinou posteriormente Heitor Pinto, indo buscar tal apelido aos antepassados.

Contrariando os que dão o Heitor Lusitano - como também lhe chamaram - natural da Vila de Melo, o historiógrafo covilhanense Dr. Luís Fernando Carvalho Dias averiguou que o documento da sua profissão de fé o dá como originário da diocese da Guarda, enquanto a Vila de Melo pertence à diocese de Coimbra.

Frei Heitor Pinto fez os seus estudos eclesiásticos no Convento da Costa em Coimbra, onde foi colega de D. António Prior do Crato, filho do Infante D. Luís, que teve o senhorio da Covilhã. Por carta de El-Rei, foi-lhe dado o grau de Mestre em 1554, tendo depois passado à Universidade de Siguença, onde tomou a borla doutoral em teologia. Em 1559, assistiu à coroação do Papa Pio IV, em Roma, onde se encontrava em negócios da sua Ordem. Foi Reitor do Colégio da Ordem em 1565, e mais tarde, em 1571, seria eleito Providencial em Portugal. Na mesma data publicou a sua obra "in Isaiam Prophetarum Commentaria".

Sendo já doutor pela Universidade de Siguença, doutorou-se em teologia, em 9 de Maio de 1576, pela Universidade de Coimbra. O próprio Rei D. Sebastião, querendo "ilustrar a Academia com a doutrina de tão insigne varão", mandou que se criasse a cadeira de Sagrada Escritura, para a qual foi nomeado lente o doutíssimo frade covilhanense. Por esse tempo (1575/1579) escreveu comentários sobre os profetas Daniel e Jeremias.

O último Conselho a que assistiu, na Universidade de Coimbra, foi em 19 de Agosto de 1579, reunido para deliberar sobre a recepção a D. António Prior do Crato. Aproximavam-se dias negros para a Pátria. Sabe-se que defendeu a causa do seu desaventurado amigo, como pertencente à Coroa, e como por isso foi perseguido por Filipe II. Com mero pretexto de o fazer seu conselheiro, obrigou o monarca espanhol a seguir para Espanha em 1583. Consta que o grande português então se lamentou: "El-Rei Filipe me quer meter em Castela, mas Castela em mim é impossível". Em um dos seus "Diálogos", suspira por Portugal, preferindo na sua Pátria ter uma pobreza contente, que lá fora "quaisquer delícias ou riquezas". Já se deixa ver quanta mágoa lhe causaria a perda de independência nacional, e com que ardente vontade defenderia a causa nacional.

O que lhe sucedeu até à sua morte, ocorrida no ano de 1584, não está definitivamente apurado. Diz-se que foi recluso, com outros religiosos, no Mosteiro de Sisla, fora dos muros de Toledo, onde terá morrido. O Dr. Carvalho Dias tentou em vão localizar este Mosteiro de que não resta memória. D. António Prior do Crato escreveu uma carta ao Papa Gregório XII, onde insinuava que Filipe II mandara envenenar Heitor Pinto. Na pedra tumular, no referido claustro, consta que alguém terá colocado o seguinte epitáfio, não se sabe se por piedade, se por ironia: "Aqui jaze Heitor, aquele lusitano".

Na História da Literatura Portuguesa, Heitor Pinto é um clássico, que iguala, em pureza de linguagem e profundidade de conceitos, Vieira e Manuel Bernardes. Frei Francisco dos Santos, na sua "História da Ordem de São Jerónimo", chama-lhe "esplendor da Universidade de Coimbra e de todo o Reino Lusitano". Em toda a sua obra, revela uma espantosa erudição, sobretudo na teologia e nos Livros Sagrados em cuja leitura consumira a "mor parte da sua idade". Em toda a sua prosa abundam as citações dos mais variados autores, desde Fídias a Homero, de Heródoto a Santo Agostinho. E desmerece por isso, já que, sem citações, o seu estilo torna-se mais límpido e sereno, tal rio correndo com cintilações de céu.

Na sua obra fundamental "Imagem da Vida Cristã", escrita à maneira dos "Diálogos" de Platão, o "Mestre" dialoga com os discípulos, procurando transmitir-lhes, com toda a sua cultura religiosa e clássica, a imagem da vida cristã, quer dizer, o ideal dessa vida.

No "Diálogo da Justiça", diz o matemático para o teólogo: "Vós haveis de tomar entre as mãos a matéria, trazendo para isso não somente partes da teologia, mas também sentenças de filósofos e histórias antigas, que sei fostes dado a lê-las, e ainda agora depois que vos achais cansados do grave estudo da teologia, folgais de tomar na mão um livro de humanidades".

A vida de Heitor Pinto decorreu calma e austera, excepto no concurso, em 1558, à cadeira de Sagrada Escritura na Universidade de Salamanca, e nos trágicos anos do seu forçado exílio. No "Diálogo da Religião", refere que teve muitos trabalhos em Roma, em negócios da Ordem, recordando então os tempos em que vivia "muito contente, num repouso solitário dado ao estudo das divinas letras, estando em Portugal o mais tempo metido na cela...". na própria definição de bom religioso, ele foi "profundo na humildade, alto na contemplação, lembrado de Deus, esquecido do mundo, frio no amor da terra, abalizado no amor de Deus".

Além do acentuado uso de citações, há outra característica na obra de Heitor da Covilhã, que é a abundância de comparações. Quase sempre felizes, posto que uma ou outra arrojada, tal esta: "Assim como o piloto depois de cansado de longa navegação, achando lugar oportuno lança âncora para descansar, assim eu, cansado de longa prática, quero lançar âncora à língua e amainar as velas às minhas palavras".

Como monge em sua cela, Heitor Pinto recomenda-nos o propósito de "deixarmos as falsas opiniões do mundo, e suas vaidades, e suas maldades, e contemplarmos a Divina Bondade". Como beirão que era, faz timbre na amizade, e dedica um formosíssimo "Diálogo" a esse nobre sentimento. Daí esta comparação: "Assim como as ervas do Outono nascem frescas com as primeiras águas, mas queimam-se logo com os frios de Novembro, assim as amizades inconstantes começam com as primeiras palavras do primeiro encontro e acabam-se à primeira experiência que dela se faz".

A primeira edição da "Imagem da Vida Cristã" saiu em 1563, organizada por Gaspar Barreiros, só com a primeira parte, incluídos os Diálogos da Filosofia, da Religião, da Justiça, da Tribulação, da Vida Solitária e da Lembrança da Morte. A segunda parte da obra, com os restantes diálogos, apareceu em 1572. São publicadas em 1681 as duas partes num só volume, em edição de Miguel Manescal. Houve posteriormente várias edições, sendo a última da Livraria Sá da Costa, excelentemente coordenada pelo Padre Alves Correia.

 

O Infante D. Luís - Senhor da Covilhã

 

Depois da conquista de Ceuta, o Infante D. Henrique, entre outros galardões, recebeu de seu pai D. João I o senhorio da Covilhã.

Não tendo o Infante de Sagres sucessor, seu tio D. Afonso V doou por carta régia de 30 de Junho de 1471, o Senhorio da Covilhã ao Infante D. Diogo, duque de Viseu. Por morte deste, D. João II concede em 1489 este mesmo Senhorio a seu cunhado D. Manuel, que seria o Rei Venturoso. E este rei, por Provisão de 21 de Fevereiro de 1498, declara a Covilhã "tão principal no conto das outras vilas do reino "por sua real fé de nunca em nenhum tempo a dar a nenhum outro grande, nem fidalgo, por muita obrigação que para isso tivesse", e rogando a seus filhos e a todos os seus sucessores que tal determinação fosse respeitada. Mas D. João III logo concedeu o Senhorio da Covilhã, em 15 de Agosto de 1527, ao Infante D. Luís, quarto filho de D. Manuel I e de sua segunda mulher a rainha D. Maria. Nasceu este príncipe em Abrantes. Teve como seu professor Pedro Nunes, revelando-se aluno distinto em matemática. Foi Duque de Beja, Condestável do Reino e Grão Prior do Crato. Além da Covilhã, teve o senhorio de Moura, Seia, Serpa e Marvão. Tomou parte na expedição de Carlos V. Antunes.

Diz-se que resistiu na Covilhã, durante algum tempo, no Palácio Real, que existia, talvez desde o tempo de D. Sancho I, encostado à muralha, junto à porta da vila. Te-lo-á então embelezado com duas janelas de lavores manuelinos. Desse Palácio, que depois se tornou conhecido por Casa da Hera, pelo facto de a hera revestir as suas vetustas paredes, ainda restavam vestígios antes da modernização do centro da cidade. Já vimos que o Infante D. Luís teve de uma formosa judia covilhanense chamada Violante Gomes, a "Pelicana", um filho, o malogrado D. António Prior do Crato. Por curiosidade, refira-se que o covilhanense Frei Heitor Pinto e D. António foram condiscípulos na Universidade de Coimbra, e irmanados na mesma causa contra a usurpação filipina. Tiveram por isso igual destino, isto é, o exílio e a morte longe da Pátria.

A Capela de Santa Cruz, Calvário, terá sido mandada construir pelo Infante D. Luís, embora uma tradição muito antiga nos diga que foi o Infante D. Henrique o seu construtor, quando senhor da Covilhã. O certo é que foi o Infante D. Luís que a dotou com uma preciosa Relíquia do Santo Lenho, guardada numa custódia de prata. Esta custódia encontra-se hoje na Igreja de Santa Maria Maior. Num memorial de párocos, datado de 1758, descreve-se esta relíquia do seguinte teor: "está esta relíquia em forma de uma cruz, em uma preciosa custódia de prata sobredourada, onde ultimamente foi posta e autenticada pelo bispo actual D. Bernardo António de Melo Osório, no ano de 1754. Tem esta relíquia meio palmo de comprido, e de largo dois dedos, e quase meio dedo de grossura".

D. Manuel I, por carta de 18 de Abril de 1497, atende a um requerimento dos moradores da Covilhã, que se queixavam de que os requeridores e portageiros da Guarda, Valhelhas, Belmonte, Sabugal, Sortelha e Penamacor lhes requeriam indevidamente o pagamento da portagem. Por essa mesma carta, o Rei Venturoso confirma esses privilégios e outros foros, que El Rei D. Afonso V já reafirmara à Covilhã por carta de 29 de Maio de 1458.

O chamado Foral Novo, concedido por D. Manuel à Covilhã, consiste na confirmação e reformulação do antigo foral de D. Sancho I. Surgem novas sentenças e determinações, acordadas entre o Rei, o Concelho e os Letrados. Este foral é datado de Santarém, de 1 de Junho de 1510. Em relação ao foral de 1186, revogaram-se medidas de defesa concernentes ao perigo que, antigamente, representavam os mouros e os castelhanos, que por então infestavam as fronteiras. E, embora este foral não descurasse da autonomia do concelho, dava agora mais importância ao poder central e a fixação de novos tributos. Há uma cláusula que confirma a relevância que tinha, nesta região, a lã e as suas manufacturas. Com efeito, não se pagaria portagem por "pano e fiado que se mande tecer a curar ou a tingir. De todos os panos de seda ou de lã ou de algodão ou de linho se pagará por carga maior nove reis e por carga menor quatro reis e meio...E de linho em cabelo fiado ou por fiar que não seja tecido. E assim de lã e de feltro, burel, mantas da terra e dos outros, semelhantes panos baixos e grossos, por carga maior quatro reis e por menor dois reis..." Noutra parte, se diz: "do escravo ou escrava que se vender se pagará um real e cinco ceitis, mas se vender com filhos de mama não pagarão senão pelas mães, e se trocarem uns escravos por outros sem tomar dinheiro, nada pagarão".

 

Os Irmãos Faleiro

 

D. João II, através de conhecimentos secretos, quis garantir-se da posse das terras da América do Sul, onde viria a situar-se o Brasil. Por outro lado, despistava os espanhóis do seu plano Índico, que consistia em alcançar a Índia, contornando a África pela costa do Sofala. A viagem de Vasco da Gama tornou-se possível graças às grandes figura quatrocentistas portuguesas, que foram além de D. João II e o Infante D. Henrique, Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Pêro da Covilhã.

A Espanha muito nos deve quanto às suas descobertas marítimas. A contribuição dos conhecimentos científicos portugueses à Espanha foi tão grande que Joaquim Bemsaúde não hesita em dizer que a ciência náutica espanhola se pode considerar a ciência náutica portuguesa ao serviço de Espanha. Português foi Fernão de Magalhães e portugueses foram os seus mais directos colaboradores. Os irmãos Rui Faleiro e Francisco Faleiro, cosmógrafos e homens de ciência, foram covilhanenses. Rui Faleiro tornou-se notável na ciência náutica, dedicando-se ao estudo das longitudes.

Em fins do século XII, ainda era arriscado aos navios afastarem-se muito da terra, sendo de boa prudência os mareantes seguirem sempre com terra à vista. Ao ladearem a costa de África, esta ficava-lhes do lado esquerdo do navio, resultando daí o nome de bombordo, isto é, o lado do navio donde era bom avistar-se a terra. Primeiro com o astrolábio, depois com o sextante, os marinheiros passaram a calcular as latitudes, e a internar-se mais no oceano.

Rui Faleiro, além do cálculo das longitudes, terá sido o primeiro cosmógrafo a estudar o magnetismo terrestre. O matemático Gomes Teixeira proferiu uma conferência na Covilhã, no ano de 1929, quando era presidente do Município o Dr. Almeida Eusébio, garantindo que Rui Faleiro era da Covilhã.

A viagem de circum-navegação, levada a efeito por Fernão de Magalhães, partiu do porto espanhol de S. Lucas de Barrameda, ao serviço de Carlos I de Espanha, em 20 de Setembro de 1519. Dois anos depois, o grande português aporta às Ilhas Marianas, e logo atravessa o estreito a que se daria o seu nome. Ao chegar às Filipinas foi assassinado pelos indígenas, tendo depois continuado a viagem, outro comandante, o espanhol Sebastião del Cano.

A convite de Fernão de Magalhães, os irmãos Faleiro tinham-se instalado em Sevilha pelo ano de 1517. Carlos I, depois Carlos V, autorizou no ano seguinte a viagem, convencido de que tal empresa não ia contra as cláusulas do Tratado de Tordesilhas. Na armada não seguiu Rui Faleiro, o mais certo por se encontrar doente, ou devido ao seu génio irascível, que mais tarde o levaria à loucura. Sabe-se que ao regressar à pátria foi preso, pelo facto de ao tempo as leis portuguesas serem severas para com aqueles que abandonassem o País, levando segredos ou sequer irem colaborar no estrangeiro em expedições marítimas. É bem possível que, por tais leis, alguns pormenores da nossa história marítima permaneçam ainda hoje mal conhecidos. Fosse por que fosse, Rui Faleiro acabou por ser solto a pedido do rei espanhol, voltando de novo para Sevilha. Pouco tempo depois enlouqueceu, tendo ficado a receber, por mercê do rei espanhol, uma tença, e ao cuidado de seu irmão Francisco. Este, em 1525, publicou em Sevilha o "Tratado de la Esfera y de la Arte de Marear", no qual expôs os conhecimentos do seu irmão.

Rui Faleiro terá morrido em 1544, deixando o seu nome ligado à ciência náutica, que permitiu as viagens de longo curso.

 

João Ramalho

 

Foi um aventureiro beirão, o mais certo covilhanense, que naufragou nas plagas de Vera Cruz, segundo uns, antes de lá ter chegado Pedro Álvares Cabral, segundo outros pelo ano de 1508.

Depois da viagem de Pedro Álvares Cabral, novas armadas e naus, navegam junto à costa do novo continente, fazendo o reconhecimento de novas enseadas. Por vezes fundeavam, e procuravam internar-se naquelas terras exuberantes de vegetação e despertadoras de sonhos e aventuras. Sucedia, que por vezes, algumas naus abandonavam naquelas ignotas terras, degredados, que por ali ficavam entregues à sua sorte. Os náufragos procuravam sobreviver em terras inóspitas e florestas impenetráveis e desconhecidas, povoadas de serpentes de onças e inimigos invisíveis. Acontecia depararem-se com nativos que, se algumas vezes os acolhiam impávidos e serenos, outros os hostilizavam e dizimavam. Colombo viria a declarar que os selvagens, que ele descobrira eram mais felizes do que os homens civilizados...

Um tal Diogo Álvares, minhoto, foi para ao Norte do Brasil, no lugar onde mais tarde o governador Tomé de Sousa viria a fundar a cidade da Baía. Outro degredado da armada de Gonçalo Coelho, fixou-se ao Sul, na ilha depois chamada Cananeia, que povoou. E outro grupo de portugueses, pelo ano de 1508 naufragou no local que viria a ser capitania de S. Vicente, e que depois se tornou metrópole de garimpeiros, aventureiros perdidos na miragem do ouro e dos diamantes.

Como quer que fosse, João Ramalho foi um desses aventureiros que se internou no mato, ganhando a costa do Cubatão, onde se encontrou com os índios, tendo com eles artes de bem se relacionar. Aprendeu a falar a língua dos nativos, o tupi-guarani, e ganhou a confiança de um chefe índio, que lhe deu uma filha em casamento.

Mas João Ramalho havia de fazer larga prole de mestiços, e com eles fundou a aldeia de Santo André da Porta do Campo. Passaram anos, e um belo dia de 1535, fundeava na Baía, depois chamada de Todos os Santos, a armada de Martim Afonso de Sousa. Do cerrado da mata, começaram a surgir índios armados, dispostos a enfrentar os mareantes desembarcados nas areias da formosa baía. Já se iam preparando as bombardas nas naus, quando foi visto um homem branco, enorme, de longas barbas, que tentava apaziguar os índios, e levantava para os portugueses os braços em sinal de paz. Era João Ramalho.

Um pintor chamado Pedro Américo retratou para a História, esse momento memorável do encontro entre um capitão-mor, enviado por El Rei às terras de Vera Cruz, e João Ramalho e seus companheiros índios.

Martim Afonso de Sousa deu foral à vila de S. Vicente, e nomeou, em nome de El Rei D. João II, João Ramalho capitão-mor das terras altas de Piratininga. Sabe-se que João Ramalho colaborou com Martim Afonso de Sousa nos primeiros aldeamentos do Brasil.

Nas clareiras das florestas, começaram-se a construir casas com tecto de colmo, e à sua volta currais e os primeiros engenhos de açúcar. Navios carregados de cereais e de gado chegavam da metrópole e doutras terras. Cerca de vinte anos mais tarde, por volta de 1553, fundeava ali a armada de Duarte Gois, que trazia o padre jesuíta José Anchieta, deliberado a fundar ali uma igreja e um colégio da Ordem. Não se sabe porquê, João Ramalho resistiu a princípio à penetração dos jesuítas no seu território. Alguma coisa se terá passado, antes de ele se tornar guia e intérprete do Padre Anchieta e também do padre Manuel da Nóbrega até ao outeiro, onde, junto ao rio Tiéte, lançaram as primeiras pedras de uma povoação, que viria a ser, mais tarde, a cidade de S. Paulo. Já antes em 1549, chegara a armada de Tomé de Sousa, que fundou a cidade da Baía, capital histórica das novas terras. Numa carta ao rei, conta Tomé de Sousa que João Ramalho, sendo já um homem entregado em anos, calcorreava a pé, pelo mato, todos os dias, nove léguas.

Em 1590, São Paulo era já a metrópole do café, e construíram-se os bairros de Ipiranga e Vila Preta. Hordas de aventureiros, misto de militares e homens de negócio, os chamados bandeirantes, percorriam o Brasil no deslumbre das suas riquezas. João Ramalho deixa vestígios da sua presença na área de São Paulo, nos princípios do século XVI. No Arquivo Municipal daquela cidade, existem cadernos alusivos ao aventureiro covilhanense, com uma assinatura convencional presumivelmente sua, pois era analfabeto.

Para sair da sombra da História, seria necessário buscar novas achegas sobre a vida deste covilhanense, capitão-do-mato e um dos fundadores da cidade de São Paulo.

 

Mateus Fernandes

 

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi mandado edificar por D. João I, em acção de graças pela vitória de Aljubarrota. A sua construção começou no mesmo ano da batalha, em 1385, e por disposição testamentária, D. Manuel I mandou que se acabassem as capelas deste maravilhoso monumento nacional. O arquitecto Ouguet concluiu a Capela do Fundador, construiu a sacristia e o refeitório e parte do Claustro Real. Martim Vasques e Fernão de Évora continuaram a obra de Ouguet, tendo o último levado a termo o segundo claustro. Depois de 1467, sucederam-se nas obras do mosteiro os arquitectos Guilherme e António de Castilho, bem como Francisco Arruda, que trabalham nas Capelas Imperfeitas, assim chamadas por se não terem dado por concluídas. O arquitecto Afonso Domingos, mais famoso pela lenda que à sua volta teceu Alexandre Herculano, terá concluído, já cego, a Casa do Capítulo.

Pela tradição se diz que Afonso Domingues, "arquitecto da Batalha" era covilhanense, por certo por confusão com Mateus Fernandes, já que Bernardo de Brito, na sua Monarquia Lusitana, o dá como natural de Lisboa, baptizado na freguesia da Madalena.

Em 1490, Mateus Fernandes é já Mestre da Batalha. Assim se lhe refere D. João II numa carta em que lhe faz uma doação.

No livro intitulado "Retratos de Varões Que Ilustraram a Nação Portuguesa", da autoria de António José de Figueiredo, vem desenhado o retrato de Mateus Fernandes, com a legenda de ser da Covilhã, e "o mais insigne arquitecto, cujo nome conserva a história do Reino, a quem podemos chamar o primeiro arquitecto da Europa e do seu século. Segundo o mesmo autor, D. João II facultara ao ilustre arquitecto viajar pela Europa, a fim de tomar contacto com a arte das catedrais europeias. Ainda o mesmo autor terá visto confirmada a naturalidade de Mateus Fernandes em uma crónica carmelita, facto que não é contestado pelo Cardeal D. Francisco de São Luís, que, apontou erros no citado livro.

Ignora-se a data do nascimento de Mateus Fernandes, sabendo-se, todavia, que morreu em 1515, tal como se pode ler numa pedra tumular, à entrada axial do templo.

Mateus Fernandes terá sido o introdutor do estilo manuelino, ou estilo gótico português, caracterizado pela introdução de temas marítimos, vegetalistas e exóticos, inspirado na gesta dos Descobrimentos.

O ilustre covilhanense trabalhou no átrio, no pórtico principal, nas abóbadas das Capelas Imperfeitas e talvez na conclusão da Casa do Capítulo. Enquanto era substituído nas obras do Mosteiro por seu filho, do mesmo nome, Mateus Fernandes trabalhou na reconstrução dos Castelos de Almeida e de Castelo Branco. Pode estranhar-se porque não terá trabalhado nas torres e muralhas da Covilhã, sua terra natal. O que se sabe é que ele foi igualmente arquitecto da Igreja da Misericórdia das Caldas da Rainha, onde se vislumbram traços do seu estilo peculiar manuelino.

No último ano da sua vida, terá ainda gizado o plano da Igreja Matriz da Batalha, que só seria concluída em 1532, isto é dezassete anos após a sua morte.

Cabe, pois, à Covilhã, a glória de ter sido berço de um dos mais insignes arquitectos do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, a mais requintada obra do manuelino português, estilo de que foi introdutor, e que é o mais representativo, senão único, da individualidade da arte portuguesa.

 

O Morais do Convento (1806 / 1872)

 

Manuel de Morais da Silva Ramos, mais conhecido por Morais do Convento ou Morais da Covilhã, foi um grande escultor aqui nascido em 6 de Janeiro de 1806.

À volta da sua figura de artista e de aventureiro tecem-se lendas sem nexo. Tendo frequentado a Casa Pia de Lisboa, cedo revelou a sua vocação para o desenho e para a escultura. Aos dezoito anos, entra para a Brigada Real da Marinha, e nos anos conturbados de 1832/34 já se encontra no Porto, onde combate no cerco dos Liberais. A sua arte de modelar, esculpir e desenhar não passou despercebida ao fundador da Fábrica de Louças da Vista Alegre, onde trabalhou, mas foi na Cidade Invicta que logo se distinguiu como medalhista e escultor. A medalha comemorativa da visita de D. Luís ao Porto, no ano de 1852, a da Real Sociedade Humanitária e a que foi dedicada à memória de Carlos Alberto de Itália em 1854, são peças artísticas de valor meseológico, cujo paradeiro, como outras obras deste mestre, se desconhece. Em 1864 trabalhou no monumento a D. Pedro V.

Escultor exímio, era capaz de reproduzir à perfeição libras em ouro, que se não extremavam das autênticas, e isso levou-o ao excesso de abrir cunhos de moedas, sendo preso, arguido de moedeiro falso, nas cadeias da Relação do Porto.

Esculpia belas imagens de santos, em madeira de buxo, para as igrejas, e trabalhava em prata magníficas salvas e candelabros.

Pintava igualmente quadros a óleo. A sua obra prima é uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, executada em buxo, tendo no seu pedestal, em finíssimos lavores, o cenário do Natal. Quem alguma vez teve o privilégio de admirar essa obra, dá conta do seu fascínio. Tal peça de arte, que há muito deveria pertencer ao património da Covilhã, dizem encontrar-se já estropeada e ainda em poder da família do artista.

Na antiga Igreja de São Tiago, existia uma imagem do Senhor da Agonia, obra de Morais do Convento. Imagens pertenças do antigo Convento de Santo António, usurpado em 1834 pelas Leis de Mousinho da Silveira, foram distribuídas por igrejas da cidade. Dessas imagens, uma foi a do Senhor dos Aflitos, que terá ido primeiro para a Capela do Senhor da Ribeira, e depois da demolição desta, para a Igreja de São João. Outra, a da Senhora da Boa Morte, terá ido para a Igreja de Santa Maria Maior. Como quer que fosse, Morais do Convento procurou reaver, de forma rocambolesca, algumas imagens do Convento, o que acarretou novas pendências com as autoridades. Não obstante, reza a tradição que era esmoler, capaz de dar tudo de seu aos pobres.

Do Porto regressou à terra natal, muito combalido de saúde e de ânimo. Tinha, contudo, dinheiro suficiente para comprar as casas do antigo Convento de Santo António e nesse lugar aprazível, donde se desfruta uma ridente paisagem sobre a casaria da cidade e sobre a várzea do Zêzere, viveu o artista os seu últimos anos, apagados e silenciosos. Transformou as celas do Convento em salas, quartos e oficina de trabalho. Quando Eduardo Coelho, director do "Diário de Notícias" visitou a Covilhã, talvez no último ano da vida do escultor, 1872, foi vê-lo, levado pela curiosidade e fama da sua vida quase lendária. Diz-nos no seu livro "Passeios na Província", que encontrou um velho acabado e triste, cego e paralítico. Era o que restava de um homem que teria sido grande na arte deste país, se outros têm sido os seus fados.

A sua obra está praticamente ignorada. No Museu desta cidade, ainda hoje em preparação, irá figurar unicamente a imagem do "Coração de Maria", e na Câmara Municipal, pode admirar-se hoje o quadro da "Ressurreição". Seria obra meritória que se adquirisse para o Museu da Covilhã, esculturas e medalhas de Morais do Convento.

Morreu em 26 de Setembro de 1872 e tem o seu busto, de sua própria autoria, no cemitério desta cidade.

 

Frei Pedro da Covilhã

 

Foi um dos padres confessores de Vasco da Gama, na viagem do descobrimento do caminho marítimo para a Índia.

Na Índia fez evangelização, até ser capturado por índios selvagens, que o crivaram de flechas. Conta-se que, na sua atroz agonia, teve a visão da vinda de São Francisco Xavier a chegar àquele lugar de martírio.

 

Pêro da Covilhã

 

A honra senhorial de D. Afonso V, que foi o nosso último rei cavaleiro medieval, levou-o a bater-se com Fernando de Aragão, na Batalha de Toro, de resultado duvidoso, mas que teria redundado num desastre, se não fora o heroísmo dos seus vassalos e a bravura do jovem príncipe D. João I, que viria a ser o Príncipe Perfeito.

Nessa batalha combatera, como escudeiro do Rei, um jovem chamado Pêro que era da Covilhã. Já havia sido seu moço de esporas, quando regressara de Sevilha, onde estivera ao serviço de D. Afonso de Guzena, Duque de Medina Sidónio. Aí se envolvera e tomara o gosto de lutas e emboscadas. Inteirando-se da sua valentia e também da sua lealdade, D. Afonso V levou-o consigo para uma viagem a terras de França, onde esperava valer-se da influência e poder do Rei Luís XI. Não teve sorte D. Afonso V, pelo facto de o rei francês estar já de boas avenças com o rei Fernando de Aragão. As viagens naquele tempo eram longas e difíceis, e durante muito tempo não houve em Portugal novas de D. Afonso V, nem da sua comitiva, a tal ponto que seu filho o Infante D. João se proclamou rei. E, de facto não havia tempo a perder. O País encontrava-se enfraquecido com as praças conquistadas no Mangrebe e o jovem príncipe tinha já em mente o seu plano atlântico dos descobrimentos. E certo dia, ao saber que seu pai regressara ao Reino, dirigiu-se ao seu encontro para lhe restituir a coroa real, que D. Afonso V retomou até à sua morte em 1481. Por certo terá regressado com o rei o jovem Pêro da Covilhã, agora mais experimentado ainda em andanças e intrigas políticas.

Com a tomada de Constantinopla, os turcos ocupavam quase todo o território que pertencera ao antigo Império Cristão do Oriente. Na última fase da sua vida, o Infante D. Henrique, ciente do perigo que representava para a Europa o avanço dos turcos, pretendeu entrar em contacto com o poderoso e longínquo rei cristão, a que chamavam Prestes João das Índias. O cronista João de Barros diria mais tarde na sua "Década I" que um tal João Afonso de Aveiro, ao regressar de Benin, fizera memória que a oriente desse reino, "por vinte e duas luas de andadura" existia um rei, que era o mais poderoso daquelas partes, e que ali tinham como santo. Em 1427, já o Infante D. Henrique enviava a Valência um arauto, por sinal chamado Covilhã, para colher quaisquer informes na corte Leonesa sobre o dito rei. Religiosos e mercadores davam conta da existência desse monarca, que já em 1435 enviara dois religiosos em peregrinação a Santiago de Compostela. Do contacto com esses emissários ou peregrinos terá nascido o plano Índico do Infante D. Henrique, que visava além de alcançar a Índia, contornando a costa de África, entrar em negociações com o Prestes João, para com ele fazer uma aliança contra os turcos. A chamada fase henriquina dos Descobrimentos terminou com a morte do Infante em 1460, tendo por essa altura o navegador Pedro de Sintra atingido a Serra Leoa. O Príncipe D. João iria continuar a obra já encetada por seu tio avô, o Infante D. Henrique, embora só em 1474, sete anos antes da morte de seu pai, pusesse em marcha o seu próprio plano atlântico. Era este Príncipe bem diferente em génio de seu pai. Embora armado cavaleiro quando da tomada de Arzila aos Mouros, não era dado a gestas cavaleirescas medievais, nem achava por bem continuar a fazer guerra aos infiéis no Norte de África. Pelo contrário procurou fazer a paz com eles e com eles negociar pactos comerciais. Toda a sua atenção estava voltada para o Atlântico. Soube rodear-se de grandes navegadores e homens experientes e audazes, como Diogo Cão, que descobriu a foz do Zaire, Bartolomeu Dias que havia de dobrar o Cabo das Tormentas, e Pêro da Covilhã seu escudeiro e agente secreto.

Ainda antes do ano de 1487, Pêro da Covilhã fez duas viagens de exploração à Berberia, e ainda nesse mesmo ano D. João II o enviou, juntamente com Afonso de Paiva, para uma viagem com missões bem determinadas à Índia e à Etiópia. Incumbiu Pêro da Covilhã de saber dos portos de navegação daqueles mares da Índia, bem como do tráfego de especiarias, enquanto Afonso de Paiva seria portador de uma carta para o Prestes João, na qual propunha uma aliança para defender a fé católica e encetar tratos comerciais entre os dois reinos. E na primeira quinzena de Agosto daquele mesmo ano, D. João II fazia seguir Bartolomeu Dias em suas caravelas, com os melhores pilotos daquele tempo, na viagem memorável em que se ultrapassou o Cabo das Tormentas, logo chamado Cabo da Boa Esperança.

Já em 1484, Cristóvão Colombo chegara a Lisboa para convencer o Rei português a por à sua disposição navios com que ele pudesse navegar para o Ocidente, julgando por aí atingir a Índia.

Mas por essa altura, D. João II tinha já conhecimento da existência de terras a Ocidente e que talvez por aí, de facto, se atingisse a Índia. Não acedeu às pretensões de Colombo e não se surpreendeu quando este, em 1489, ao serviço dos espanhóis, descobriu o continente americano que tomou por Índias. O Mundo já fora dividido pelo Tratado de Tordesilhas, e estava salvaguardada para Portugal a parte da América do Sul correspondente ao Brasil.

Disfarçados de mercadores, chegaram Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva à Península do Sinai e ao Mar Vermelho. Afonso de Paiva, que era natural de Castelo Branco, não chegou a cumprir a sua missão por ter morrido de febres no Cairo. E durante um ano, o aventureiro covilhanense viajou por terras da Índia, tendo estado em Cananor, Ormuz, Goa e Calicut, terra esta que pisou dez anos antes de Vasco da Gama. Nos fins de 1489, segundo o seu biógrafo Conde Ficalho, terá estado na encosta do Sofala, dirigindo-se depois para o Cairo, onde teve conhecimento da morte do seu parceiro Afonso de Paiva. Quando se preparava para regressar à Pátria, vieram ao seu encontro dois emissários de D. João II, José de Lamego e o Rabi Abraão de Beja, que traziam ordem do Rei para que ele voltasse a Ormuz com o Rabi, enquanto José Lamego regressava a Portugal com as preciosas informações colhidas por Pêro da Covilhã sobre a Índia e os portos, que os navios portugueses poderiam demandar.

 

Alberto Roseta (1915/1990)

 

Foi industrial e artista plástico covilhanense, sendo autor de numerosos desenhos de recantos típicos da sua terra natal.
Foi discípulo, na Escola Industrial Campos Melo, do Professor António Lopes. Covilhanense de afeição, salientou-se como autor de belos quadros a óleo, e de painéis nas Igrejas de Santa Maria Maior e da Misericórdia. Entusiasta do desporto do esqui, logrou algumas vezes ser campeão nacional desta modalidade.
publicado por Paulo Jesus às 17:48

Setembro 27 2008

AS IGREJAS

 

Por decreto de 19 de Fevereiro de 1851, ficou a Covilhã dividida em quatro freguesias: São Martinho, São Pedro, Santa Maria e Nossa Senhora da Conceição. Além destas freguesias da cidade, contam-se mais 23 freguesias no concelho, rondando a população global pelos 60.000 habitantes. A freguesia de Nossa Senhora da Conceição é, atualmente, a mais populosa, tendo em 1970 11.091 habitantes, número que baixou em 1980 para 10.711. Santa Maria, nos mesmos anos, baixou igualmente de 4.475 para 4.301, São Martinho de 5.968 para 5.344, e São Pedro de 3.636 para 3.356. As freguesias limítrofes de Aldeia, atualmente Vila do Carvalho, do Teixoso e do Tortosendo são as mais populosas, tendo aumentado, ao contrário das freguesias da cidade, a sua população – Em 1980, o Teixoso contava 3.979 almas, e a Vila de Carvalho 5.685.

 

As atuais freguesias englobam hoje outras mais antigas, com númerosas igrejas e capelas, muitas já desaparecidas. Assim, podemos mencionar os antigos templos de São Tiago, São Silvestre, São João de Malta e São João Martir-in-Collo, ainda hoje existentes, tal como a mais moderna consagrada a Nossa Senhora de Fátima. Outras há muito desaparecidas, como a de São Vicente, de São Salvador, Santa Marinha, Santa Maria Madalena, São Paulo, São Miguel, São Lourenço, Santo Estêvão, Santo André e São Bartolomeu.

 

Segundo Pinho Leal, em 1811, o concelho da Covilhã tinha 5.119 fogos, num total de 21.630 habitantes.

 

A Igreja de São Martinho presume-se que remonta, como outras congéneres românticas, aos fins do século XII. Mais pela sua antiguidade do que pelo seu valor arquitetónico, é considerada monumento nacional. Segundo a tradição é coeva de Afonso Henriques, e situava-se na praça principal do velho burgo, chamada por isso Praça de São Martinho, local onde hoje se encontra a Universidade da Beira Interior. Já no relatório dos Párocos de 1758, diz-se que esta igreja se situa fora da vila, “solitária”, constando de 68 fogos. Tinha então uma relíquia do Santo Lenho no altar de Nossa do Rosário, tendo dos lados a imagem de São Martinho Bispo de São Vicente de Paula. Estando muitos anos votada ao abandono, e mesmo prestes a ser demolida, foi graças ao pároco da freguesia, Joaquim dos Santos Morgadinho, e da ação do então Presidente da Câmara Dr. Luís Victor Baptista, que foi restaurada e aberta ao público em Junho de 1943. Foi-lhe, então, demolida uma torre, considerada fora da traça original. Nas paredes laterais, podem-se admirar pinturas sobre tela, muito deterioradas, representando cenas do Calvário, de época desconhecida. Na parede, junto ao altar-mor, há azulejos hispano-árabes, atribuídos ao século XVI. Dois quadros de grande valor, representando Santo Estêvão e São Lourenço, hoje na Câmara Municipal, pertenceram a esta veneranda igreja, por certo a mais antiga da Covilhã. Perto desta igreja situava-se a Capela do Senhor da Ribeira, donde saía antigamente a Processão do Santo Antão, demolida para dar lugar à nova Igreja de Nossa Senhora de Fátima, inaugurada em 13 de Junho de 1947, e que se ficou igualmente a dever ao incansável zelo do Padre Morgadinho (1900/1977), bem como à generosa contribuição do Industrial Padre Santos Marques.

 

A atual igreja de Santa Maria Maior, matriz da freguesia, que já foi a mais populosa da cidade, corresponde à reedificação na mais antiga igreja de Nossa Senhora do Castelo, efetuada segundo uma tradição, pelo Bispo D. Cristóvão de Castro, nos meados do século XVI. A antiga fachada seiscentista foi adulterada pelas reparações, efetuadas nos anos 1872/6 pelos Padres Grainhas, adquirindo um estilo barroco, com frontão contracurvado, com pilastras, um grande nicho ao centro com a imagem de Nossa Senhora, e uma torre sineira lateral. A fachada ostenta portais encimados por janelas com mísulas, e na reparação efetuada nos anos quarenta deste século, pelo seu pároco Dr. Joaquim Pereira Seco, foi revestida com painéis de azulejo, reproduzindo Virgens de Murillo, que desvirtuaram a antiga traça seiscentista. Datam dessa altura as pinturas do teto da autoria do professor de desenho da Escola Industrial António Lopes.

 

Sendo o templo mais importante da antiga vila, no seu adro se julgavam os pleitos pelo juiz e homens bons da terra. Possui esta igreja uma relíquia do Santo Lenho, oferecida pelo Infante D. Luís, quando foi Senhor da Covilhã. Segundo Francisco Giraldes, a custódia de prata, onde se guarda esta relíquia, foi feita em Braga no ano de 1749.

 

No memorial dos párocos de 1758, diz-se quinda que esta igreja pertencia ao Padroado Real, e a freguesia contava 3.720 pessoas maiores e mais 527 de menor idade. Atualmente, nos seus altares, há muitas imagens da Virgem, sob diversas invocações, além de uma notável imagem de São Francisco de Sales e de Santa Teresa de Jesus. Possui um quadro do século XVII, representando a Senhora da Boa Morte, e que pertencera ao Convento de Santo António. Pode nesta igreja também admirar-se uma escultura do Pintor Caldas, que representa a Ascensão da Virgem, bem como outra de autor desconhecido figurando Santa Rita, além de um pequeno mas rico museu de paramentos dos séculos XVII e XVIII.

 

A atual freguesia de Santa Maria engloba a antiga freguesia de São Silvestre, e na sua área situavam-se as ermidas de Santa Marinha, Senhora do Rosário, Santa Cruz e de São Sebastião, existindo atualmente apenas a de Santa Cruz, ao Calvário, de muita antiguidade, mas de reduzido valor arquitetural, com profusão de colunas simples a sustentarem o peso de alpendres rústicos. No interior, ostenta antigos painéis, muito deteriorados pelo tempo, e com tentativas de restauração, da autoria do pintor covilhanense Costa Montez e de José Moço.

 

A capela de S. Silvestre situa-se a Nascente, perto das Portas do Sol, e junto de uma antiga barbacã. Ignora-se a data da sua fundação, sabendo-se todavia que foi restaurada em 1728, ficando então com o altar do orago e mais dois, o de Santa Eufémia e o da Nossa Senhora da Saúde. De longa data, possuía uma confraria de Nossa Senhora da Saúde, que fazia uma festa todos os segundos Domingos de julho. No Largo de São Silvestre, que lhe fica ao pé, realizava-se antigamente a feira da louça de barro, onde avultavam as “bruxas”, fogareiro de barro, em forma de vaso, de base estreita, com muitos furos laterais em seu bojo, e que servia tanto para assadouro, como para borralho. Por tal facto, e com algum chiste, chamava-se àquele lugar “Terreiro das Bruxas”. Durante muitos anos fechada ao público, a Igreja reabriu em 2 de Setembro de 1967, com a presença do Bispo da Guarda D. Policarpo da Costa Vaz. As obras orçaram então por 160 contos, tendo sido encontrados e restaurados azulejos hispano-árabes do século XVII, que atualmente formam um retábulo por detrás do altar. Conserva da sua primeira fundação a pia batismal em granito.

 

A atual freguesia de São Pedro tinha antigamente, como igreja matriz, a desaparecida Igreja de São Pedro, que se situava perto do lugar da Misericórdia e da Judiaria. Segundo se lia numa inscrição, o seu altar do Coração de Maria fora construído em 1616. Partia desta igreja, a tradicional Procissão do Senhor aos Enfermos.

 

A Santa Casa da Misericórdia da Covilhã procede da extinta Irmandade de Nossa Senhora da Alâmpada, que em 1213 fundara um hospital para pobres enfermos. Na fachada axial da igreja lê-se a data de 1601, mas no memorial dos párocos de 1758 diz-se que esta igreja terá sido construída um ano depois da restauração de Portugal. O seu estilo barroco foi de alguma forma desvirtuado pelas reparações efetuadas nos meados do nosso século, levantando-se a torre acima do traçado primitivo. O frontão é ornado com as imagens angélicas das três virtudes, a Fé, a Esperança e a Caridade. No princípio deste século, o hospital passou para o lugar do Calvário. No plano de modernização da cidade ainda hoje em curso, há um protocolo que prevê a demolição desta igreja, dada a pobreza da sua arquitetura e desvirtuada a sua construção. O povo da Covilhã não se conformou com este propósito, e a Igreja da Misericórdia é hoje património nacional. Sai daqui a Procissão do Enterro do Senhor bem como a do Senhor dos Passos. A imagem do Senhor dos Passos, que pertence a este templo, foi levada pelo povo, quando das invasões francesas, para a serra, só regressando ao seu lugar após a debandada do inimigo.

 

A freguesia de São Pedro englobava antigamente as freguesias de São João de Malta, Santa Maria Madalena e São Tiago.

 

A velha igreja de São Tiago reedificada no primeiro quartel do século XVIII pelo prior Manuel dos Santos Basto. No seu largo fazia-se a feira de São Tiago, também chamada feira dos queijos, que passou para o Largo de São Francisco, chamado depois de D. Maria Pia.

 

A pedido dos Padres Grainhas, os Jesuítas estabeleceram-se na Covilhã em 1871, com uma Casa da Ordem, no Largo de Santa Maria. O Prior de São Pedro facultou-lhes depois a antiga Igreja de São Tiago, que eles demoliram para construírem uma nova igreja, consagrada ao Coração de Jesus, e que foi aberta ao culto em 1877. Com o advento da República, os Jesuítas foram expulsos da sua igreja, que viria a ser posteriormente utilizada e profanada como celeiro, armazém, cavalariça e, finalmente, tribunal. Em 1942, um incêndio devastou o edifício, vindo depois as suas ruínas a ser entregues aos antigos donos, que reconstruíram o templo, abrindo-o de novo ao culto em 1952. Mas já antes, em 1931, os Jesuítas tinham aberto um colégio para rapazes, chamado Colégio Nuno Álvares, onde sobressaíram professores padres, muito populares, como o Padre Cunha e o Padre Lopes. Com a abertura do Liceu Heitor Pinto, foi o colégio jesuíta compelido a suspender o ensino, dedicando-se unicamente à catequese e à formação cristã da juventude, que ali desfrutava igualmente de jogos nas horas de lazer. Em 1888, construiu-se, junto a esta igreja, a Torre de São Tiago, elemento de relevo na paisagem da Covilhã.

 

A Capela de São João da Malta, sendo um templo de reduzido valor arquitetural, é não obstante rica de historicidade cristã. Pertenceu à Comenda da Ordem de Malta, ordem esta que data do século XI. Por cima do altar, tem um quadro alusivo ao Batismo de Cristo, atribuído ao pintor covilhanense Costa Montez.

 

A Covilhã, terra de muita devoção, foi pátria de muitos Bispos. D. Cristóvão de Castro (Século XVI) foi Bispo de Guarda. Diogo Seco (1574/1623) foi Bispo de Niceia e Patriarca da Etiópia. D. José Valério da Cruz, oratoriano, foi sagrado Bispo de Portalegre em 1799. D. Frei Ângelo de Nossa Senhora da Boa Morte, franciscano, (1777/1852) foi Par do Reino e Bispo de Elvas. D. Manuel Damasceno da Costa (1867), doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra, é sagrado Bispo da Angra em 1915. D. José do Patrocínio Dias (1884/1965), Bispo de Beja, inaugurou a Sé Catedral daquela cidade alentejana em 5 de Junho de 1937, e o Seminário Diocesano em 1940. Finalmente, D. José da Cruz Moreira Pinto (1887/1964), natural do Tortosendo, foi sagrado Bispo de Viseu no ano de 1928, tendo-se notabilizado como orador sagrado.

 In, História da Covilhã de José Aires da Silva

 

A IGREJA DA MISERICÓRDIA

 

 

A igreja da Misericórdia foi reedificada na segunda metade do século XVII, sobre um primeiro templo construído em meados do século anterior.

Trata-se de uma igreja de planimetria maneirista, composta por nave única e capela-mor mais baixa e estreita, com torre sineira adossada do lado esquerdo.

Na década de quarenta do século XX, a igreja foi restaurada segundo a orientação do arquiteto Bernardino Coelho. No entanto, a fachada principal terminada em frontão triangular e rasgada por eixo de vãos de modinatura barroca, não foi alterada. Destacam-se nesta fachada as imagens da Fé, da Esperança e da Caridade.

No interior, o retábulo-mor da talha a branco, é um revivalismo, mas elementos do retábulo executado no século XVII, por André Dias e Valério Aires. Os tetos foram pintados, aquando da última reconstrução da igreja, por António Lopes e os painéis e telas da capela-mor executados, em meados do século XVIII, por José Botelho.

A igreja da Misericórdia está classificada como imóvel de interesse público desde 1997 (IIP-Decreto nº 67/97, DG nº 301 de 31 Dezembro 1997)

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 
CAPELA ROMÂNICA DE SÂO MARTINHO
 
 
 
 

A capela de São Martinho é presentemente o edifício mais antigo da cidade.

Foi edificado durante os séculos XII/XIII, sendo a sua fundação atribuída a Fuas Roupinho. No “Catálogo das igrejas, mosteiros e comendas do reino”, de 1320, surge taxada com 75 libras.

É uma igreja de tipologia românica e mudéjar, com uma fachada singular devido à relação entre o portal e a janela. O portal principal é flanqueado por colunelos com capitéis ornados com motivos fitomórficos. Tem tímpano vazado por quadrifólios e é sobrepujado por fresta com estrutura semelhante. No remate da empena surge a cruz de Malta.

O interior é lajeado e possui arco triunfal de volta perfeita, ladeado por altares revestidos a azulejo mudéjar. Encontram-se ainda vários vestígios de frescos com figuração sacra.

A capela de São Martinho está classificada como imóvel de interesse público desde 1963 (IPP-Decreto nº 45327, DG nº 251 de 25 de Outubro de 1963).

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
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IGREJA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

 

 

A igreja de Nossa Senhora de Fátima foi construída, em grande parte, graças à ação dos padres Joaquim dos Santos Morgadinho e Alfredo Santos Marques, tendo sido inaugurada em Julho de 1947.

A tipologia deste templo segue em esquema maneirista por ter sido edificado no local onde em 1730 se ergueu a capela do Senhor da Ribeira, com a mesma traça, posteriormente destruída.

À semelhança da antiga capela, a fachada principal é circunscrita por pilastras e cornijas e rematada por frontão que por sua vez é extravasado pelo frontão contracurvo do janelão, conseguindo-se maior monumentalidade ao flanquear a fachada por duas torres.

In, Património Eclesiástico da Covilhã
 
 
 
 
IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
 
 

A igreja de Nossa Senhora da Conceição foi, inicialmente, uma igreja conventual, integrando um convento franciscano masculino.

O convento de São Francisco instalou-se naquele local em meados do século XIII. No reinado de D. Fernando foi concebida uma mercê régia para a construção da igreja.

No século XVI são abertas no cruzeiro da igreja duas capelas tumulares pela  família dos Castros.

Cinco anos após a extinção do convento a igreja torna-se na matriz de uma nova paróquia que vai aglutinar outras então desaparecidas. Sucede-se uma séria de obras profundas e em 1884 inicia-se a construção da torre por António Saraiva e, no ano seguinte, as obras na fachada principal, acima do portal, foram arrematadas por António Mendes Coelho.

Em Fevereiro de 1886 é mandado construir o batistério e até final do século XIX são realizadas várias obras no interior da igreja e construídos anexos. Em 1935, é construído no anexo norte uma sala de teatro e um salão de conferências e, em 1948, são construídas as abóbadas revivalistas na nave da igreja, e coro-alto, da autoria do engenheiro covilhanense, Luís Felipe Ranito Catalão.

A igreja apresenta planta de cruz latina, com sacristia, anexos e torre adossados no lado direito e casa mortuária no lado esquerdo.

Na fachada principal resta da primeira edificação o portal gótico em arco quebrado com três arquivoltas e colunelos com capitéis decorados com motivos vegetalistas que se ocultam na imposta. O restante formulário decorativo da fachada é neobarroco com exceção dos nichos e janelão em arco quebrado.

No interior destaca-se o retábulo-mor com estilo nacional, a abóbada da capela-mor com caixotões pintados, retratando os emblemas do livro Schola Cordis, os túmulos quinhentistas, a capelo dos Terceiros com o seu retábulo joanino e o painel pintado com temas relativos à Ordem Terceira.

A igreja de Nossa Senhora da Conceição está classificada como imóvel de interesse público desde 1986 (IIP-Decreto nº 1/86, DG nº 02 de 3 Janeiro 1986).

In, Património Eclesiástico da Covilhã
 
 
 
 
IGREJA DE SANTA MARIA MAIOR
 
 
 

A igreja de Santa Maria Maior é a mais emblemática e a maior igreja da cidade. Foi construída no século XVI, sobre o templo medieval de Nossa Senhora do Castelo, por ordem do bispo D. Cristóvão de Castro. A igreja quinhentista possuía três naves e sete altares. Em 1627, procede-se a uma nova reedificação, sendo as obras arrematadas por António Marques pelo valor de 5.000 cruzados e, em 1667, fizeram-se novas obras segundo o desenho de José de Almeida. No século seguinte, em 1758, a igreja é descrita como tendo duas naves e sete altares. Nos finais do século XIX (1872-1886) a igreja de Santa Maria Maior volta a ser alvo de profundas obras que lhe alteraram a tipologia. A empena contracurvada é da responsabilidade do padre Francisco Grainha, que suporta financeiramente as obras em conjunto com o seu irmão, padre João Grainha.

Em 1899 inicia-se a construção da torre. Já no século XX, em 1942, procede-se a novo restauro profundo, o que não evita a queda do teto em 1943. Sucede-se o arranjo do mesmo e o revestimento da fachada principal com azulejos alusivos a temas Marianos, da fábrica Aleluia.

A igreja apresenta tipologia revivalista e neobarroca, plante longitudinal de nave única com capelas laterais à face e capela-mor mais baixa e estreita.

No interior é de realçar o retábulo-mor, em estilo rococó, trazido do extinto convento de Santo António e a imaginária ali existente, nomeadamente a de Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Boa Morte ou Nossa Senhora da Assunção, esta última da autoria de Castro Caldas.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 
CAPELA DE SANTA CRUZ
 
 
 
 
Capela quinhentista, vulgarmente conhecida por Capela do Calvário, situada já fora das muralhas, na parte mais alta da cidade. Desconhece-se ao certo o ano em que foi erguida, no entanto, a primeira referência conhecida remonta à Idade Média, constando no Livro Negro da Sé de Coimbra e serviu de penetração da Igreja de Coimbra nesta parte da serra. Alguns autores apontam para uma construção primitiva pelo Infante D. Henrique e mais tarde, nos finais do séc. XVI, restaurada pelo Infante D. Luis, filho de D. Manuel e pai de D. António, Prior do Crato.
A capela é de construção simples, granítica, estilo renascentista, composta de um corpo e capela-mor. O tecto é revestido por painéis de pinturas emolduradas por talha dourada, contendo cenas da vida de Jesus Cristo. Infelizmente devido aos furores do tempo e à inépcia humana, das 30 telas que preenchem o tecto, só sete delas guardam a sua pureza primitiva. No exterior, podem ainda observar-se dois alpendres, com colunas toscanas e um púlpito. Em frente à capela estão os muros envolventes da antiga Cidadela.
 
 

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CAPELA DE SÃO SILVESTRE
 
 
 

A fundação da Capela de São Silvestre é atribuída a Fernão Feio e à sua esposa Maria Calvo, no entanto não existe, entre os vários autores, uma data consensual para a primeira edificação deste templo.

Em 1728 recebe obras profundas que lhe transformam a tipologia, ganhando feições maneiristas e barrocas. Nesta dará desaparecem também os arcossólios (túmulos parietais) que possuía nas paredes exteriores. Em 19 de Fevereiro de 1851, deixa de ser igreja matriz em virtude da paróquia ter sido extinta. No século XX, em 1967, são realizadas novas obras sendo retirados os retábulos laterais, reedificando o arco triunfal e substituído o soalho.

É uma capela de planta longitudinal, composta por nave, capela-mor mais estreia, sacristia e campanário de sineira dupla. Na fachada principal sobressia o portal de boa dimensão, com moldura almofadada, sobrepujado por frontão interrompido por cruz latina. No interior, mantém o painel de azulejos hispano-mouriscos colocados na parede testeira com perfil curvo.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 

 
 
 
CAPELA DE SÃO JOÃO DE MALTA
 
 
 

 

A capela de São João de Malta foi matriz, da paróquia de São João e mais tarde da paróquia de São Pedro.

Pertenceu a uma comenda da Ordem de Malta, cujas insígnias são ainda visíveis no tímpano do frontão que sobrepuja o portal principal e na cruz que remata a empena.

Deverá ter sido construída durante o século XVI, apresentando tipologia maneirista e barroca. É uma capela de planta longitudinal composta por nava única e sacristia adossada à fachada lateral direita. A fachada principal apresenta vãos rasgados no eixo composto pelo portal, de lintel reto, sobrepujado por frontão triangular e óculo circular.

No interior destaca-se o retábulo-mor, com tribuna apresentando tela pintada com o batismo de Cristo da autoria de Bernardo Faustino da Costa Montez e a coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima, feita a partir de joias oferecidas pelos paroquianos em 1947.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 
 
CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO
 
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A Capela de São Sebastião, estava situada a 750 metros, num sítio ermo, no alto da então Vila da Covilhã, precisamente ao lado da Capela de Santa Cruz.

A Capela tinha apenas um altar com a imagem do seu orago, São Sebastião Mártir, e pertencia à Paróquia de Santa Maria; tinha uma Irmandade ou Confraria. Era aí celebrada uma missa todos os Domingos e dias Santificados.

Ao redor da Capela existia um cemitério e, no lado do Nascente, foi construído, cerca de 1870, o atual cemitério municipal. Ambos tinham por finalidade acabar com os aterramentos dentro dos templos.

Nos princípios do Século XX começou a notar-se degradação do templo, que lentamente ficou quase em escombros … Apenas se manteve uma parte do altar-mor, que ainda perdurou durante cerca de 30 anos.

Em meados do século passado foi aberto um troço de estrada, a fim de melhorar o acesso à Serra da Estrela, cujo traçado coincidia com o local onde se entravam as ruínas da ermida que foram então demolidas.

In História da Freguesia de SANTA MARIA - Covilhã, António Garcia Borges

 

 

 

 

IGREJA DO SAGRADO CORAÇÂO DE JESUS

 

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A igreja do Sagrado Coração de Jesus é atualmente a matriz da paróquia de São Pedro, tendo sido edificada no mesmo local onde se erguia o templo medieval de São Tiago, um dos primeiros a ser construídos na Covilhã, doado ao mosteiro de São Jorge de Coimbra, em 1192.

Em 1875, após a compra do antigo templo, começou a edificar-se ali a igreja do Sagrado Coração de Jesus por ação dos Jesuítas, vindo a ser aberta ao culto em 1887. Durante a Primeira República, o templo foi confiscado à Companhia de Jesus para instalação dos Paços do Concelho, o que não se veio a concretizar, e em 1917 acolheu o Celeiro Municipal, sendo transformado em tribunal a 5 de Outubro de 1924. Em 1948 e após um incêndio, o edifício foi de novo adquirido pelos Jesuítas e procedeu-se à reedificação da igreja.

O atual templo, de tipologia modernista, deve o seu traço ao arquiteto Teotónio Pereira. É uma igreja de linhas simples, com a escassa decoração destacando-se a existência de grupos escultóricos, na fachada principal, da autoria de Joaquim Correia, representando o orago da igreja, o Sagrado Coração de Jesus, e os dois mártires Jesuítas da cidade: o beato Francisco Álvares e o padre António de Sousa.

No interior da igreja é de destacar a pintura do orago, inserida em mandorla, invocando as representações medievais da figura de Cristo, da autoria de Martins Barata.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 

IGREJA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

 

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A igreja da Santíssima Trindade inaugurada em 13 de Setembro de 2009 e sagrada pelo bispo da Guarda, D. Manuel Felício, era muito ambicionada para servir a população da zona baixa da cidade.

Este templo com traço de Carlos Remualdo, apresenta uma nave com capacidade para 350 lugares sentados, e áreas complementares como a capelo do Santíssimo, o batistério, a torre, a capela mortuária, as salas para reuniões e a sacristia.

De tipologia contemporânea, faz uso de uma linguagem arquitetónica que articula a junção de volumes e de formas geométricas praticamente puras, onde predomina o triângulo, numa clara alusão à Santíssima Trindade. Destacam-se ainda as diferentes soluções para captação de luz natural, nomeadamente i óculo sobre a capela-mor. Todo o vocábulo estético é simples sendo o interior dominado pelos tons naturais da madeira que contrastam com o imaculado dos brancos. Na parede testeira da capela-mor destaca-se uma imagem da Santíssima Trindade, e na capela do Santíssimo, o sacrário de características bizantinas inserido em estrutura cruciforme.

In, Património Eclesiástico da Covilhã
 
 
 

IGREJA DE SÃO JOSÉ

 

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A construção da igreja de São José inicia-se em 1949 para servir a nova comunidade dos Penedos Altos, essencialmente operária, vindo a ser sagrada no dia 22 de Outubro de 1950, pelo bispo D. Domingos da Silva Gonçalves.

É uma igreja de planta longitudinal, composta por nave, capela-mor pentagonal, torre sineira, sacristia, no lado direito, e batistério pentagonal no lado esquerdo, atualmente desativado.

A fachada principal, em empena, apresenta vãos rasgados no eixo, composta por óculo e pelo portal de lintel reto protegido por alpendre de arco de volta perfeita como remata de empena.

No interior destacam-se os dois painéis de azulejo representando o batismo de Cristo e a Samaritana.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 

IGREJA DE SANTO ANTÓNIO

 

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A igreja de Santo António é inaugurada em 1954 no bairro do Rodrigo.

Possui planta longitudinal de nave única e capela-mor mais estreita. A fachada principal, em empena, é circunscrita por pilastras com portal em arco de volta pe3rfeita, sobrepujado de três janelas longilíneas a que foi, posteriormente, acrescentado um exonartex. No alçado lateral esquerdo, apresenta um campanário de sineira dupla e um anexo, inaugurado em 9 de Abril de 1991, destinado a sacristia, sala de catequese e casa mortuária.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 
CAPELA DE SANTO ANTÓNIO
 

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A capela de Santo António foi inaugurada em 1994, pelo bispo D. José Garcia, no mesmo local onde até 1966 existia um nicho da mesma inovação que fora edificado por Manuel Martins Carrola.
Este templo de planta longitudinal, faz uso de uma linguagem arquitectónica contemporânea, onde predomina, entre outras formas geométricas, o uso do trapézio. A inovação de Santo António deve-se ao antigo convento Capucho existente nas imediações e presentemente transformado em reitoria da Universidade da Beira Interior.
 
In, Património Eclesiástico da Covilhã
 
 
 

CAPELA DE NOSSA SENHORA DO REFÚGUIO

 

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A capela de Nossa Senhora do Refúgio foi, segundo a tradição popular, mandada construir por Maciel, um liberal que fugia às perseguições miguelistas e que prometeu construiu uma capela, caso conseguisse escapar. A capela foi ampliada e reedificada pelo comendador José Mendes Veiga, que a doaria ao sobrinho Marcelino José Ventura que, por sua vez, a legou ao afilhado José Mendes Veiga de Albuquerque Calheiros.

Trata-se de um templo de tipologia tardo-barroca, de planta longitudinal simples, de espaço único, com sacristia e anexo adossados ao lado direito. A fachada principal em empena, formando frontão interrompido por cruz latina, é rasgada por eixo composto pelos vãos do portal de lintel reto, flanqueado por dois postigos e janelão com os extremos curvos.

No interior, possui coro-alto, assente em colunas toscanas que incorporam as pias de água benta. Destaca-se o retábulo-mor de talha a branco, com cinco eixos diferenciados, que lhe conferem uma grande sensação de movimento.

In, Património Eclesiástico da Covilhã
 
 
 
 

CAPELA DE SÃO JOÃO DE MÁRTIR-IN-COLO

 

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A capela de São João de Mártir-in-colo foi matriz de paróquia, mas encontra-se hoje adaptada a capela particular do Lar de São José. Poucos vestígios restam da sua construção medieval. De tipologia vernácula, apresenta planta longitudinal composta por nave, capela-mor e sacristia, no lado esquerdo.

Possui um imponente campanário seiscentista, que corresponderá a uma reedificação do templo. Na fachada principal, em empena, hoje muito descaracterizada pelo passadiço que a liga ao lar, é ainda visível a janela que sobrepujava o portal principal.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 
 CAPELA DO SENHOR JESUS
 

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A Capela do Senhor Jesus estava situada ao fundo do Largo D. Maria Pia, que hoje se designa como Jardim Público, no início da estrada que conduzia à Aldeia do Carvalho, ou seja, na atual Rua da Indústria.

A sua construção era simples, consistindo em pedra de cantaria, desconhecendo-se, porém, a data da sua construção. Interiormente tinha apenas o altar-mor, com a imagem do Senhor Jesus, orago da mesma capela.

Esta Capela pertenceu à antiga Paróquia de São Paulo. Depois da extinção desta, em 1835, foi anexada à Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.

Nos princípios dos anos 60 do século XX quando se encontrava já em ruínas, foi demolida parra alargamento da estrada e desenvolvimento habitacional da zona.

In, História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Covilhã, António Garcia Borges

 

 

 

CAPELA DE SANTA MARINHA

 

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Esta Igreja, que se situava fora das muralhas, na parte Norte, tinha três altares. Na Capela-mor, estava a Imagem de Santa Marinha, Orado da mesma Igreja e Paróquia e tinha mais uma pequena Imagem de Nossa Senhora do Carmo. Nos dois laterais, do lado direito, estava Nossa Senhora da Garça e no esquerdo o Glorioso Patriarca São José.

Esta Paróquia foi extinta em 1835, passando a fazer parte da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição com todos os seus foros.

Alguns anos depois a Igreja foi restaurada, e no ano de 1892, foi ali colocada pela primeira vez, a imagem de São Francisco Álvares, no altar direito.

São Francisco Álvares era natural da Covilhã, nasceu em Santa Marinha, tinha a profissão de cardador; entrou para a Companhia de Jesus em 21-12-1564. Veio a falecer a caminho do Brasil, martirizado com mais 39 companheiros, quando se dirigiam para a sua missão de evangelização. Todos os anos os cardadores lhe prestavam homenagem, com uma festa.

É de referir que no largo desta igreja se realizava, antigamente, o mercado dos porcos.

A Igreja de Santa Marinha foi demolida, no ano de 1954, ficando para a memória dos covilhanenses só os topónimos do Largo e da Travessa de Santa Marinha.

In, História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Covilhã, António Garcia Borges

 

 

IGREJA DA SENHORA DO ROSÁRIO

 

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Esta Igreja, que hoje já não existe, ficava situada junto às muralhas, do lado sul, frente ao Postigo do Rosário. Era uma igreja muito antiga, desconhecendo-se a data da sua construção.

Sabe-se que no ano de 1580 já existia, como se pode notar por uma doação, feita à própria igreja, por Pedro Pacheco e sua mulher, Isabel d’Abreu, com a finalidade de nela se fazer um mosteiro de freiras, o que nunca foi cumprido.

Em 1611 encontrava-se na Covilhã o Bispo da Diocese da Guarda, D. Afonso Furtado de Mendonça, e as pessoas gradas da Covilhã pediram-lhe para auxiliar a obra do mosteiro, tendo este assumido prontamente o pedido, prometendo, para esse fim, cem cruzados por 10 anos, como consta dum alvará por ele assinado.

No entanto tal mosteiro nunca chegou a ser construído tendo sido feitas, anos mais tarde, alterações na igreja em que foram abertas janelas, transformando-se em casa de habitação.

Na década de 40 do século passado, sofreu obras de requalificação. Foi fechada a porta principal, só restando a porta lateral, como se pode verificar ainda hoje.

In História da Freguesia de SANTA MARIA - Covilhã, António Garcia Borges

 

 

S. Pedro
 
É uma igreja muito irregular e bastante pequena para a freguesia. Antigamente tinha só três altares: o altar-mor, Sacramento e Almas.
 
 
 
 
Outras

 

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CEMITÉRIO DA COVILHÃ

 

O Cemitério da Covilhã é um dos mais opulentos da Beira Interior e o mais rico em arte fúnebre, com aproximadamente 150 mausoléus e jazigos.

Foi construído nos arrabaldes da cidade, lado Norte, numa altitude de 750 metros, satisfazendo as exigências higiénicas. Na altura era um local ermo, existindo apenas duas capelas, a de São Sebastião e a de Santa Cruz (Calvário).

Tem uma superfície de 15.200 metros quadrados, a qual se encontra distribuída em 5 quarteirões. Todos os quarteirões tinham porta lateral, em ferro, virada para Sul, sendo atravessadas por uma rua central com a largura de três metros e meio, que liga com o portão principal e se situa paralela a uma passagem onde se encontram os jazigos de maios valor.

O seu primeiro funeral foi feito em 4 de Julho de 1874, andando ainda em obras que terminaram em 1882.

Em frente da fachada principal tinha um espaço, sob a forma de retângulo, medindo 2.000 metros quadrados, que foi ajardinado entre 1896 e 1897, sendo o primeiro jardim público da Covilhã.

Anos mais tarde o cemitério teve obras de beneficiação. Os portões que existiam nos quarteirões foram amuralhados; o espaço em frente à fachada principal foi todo calcetado e, no quarteirão do cimo, foi aberto um pequeno portão para dar acesso aos residentes dos Bairros da Biquinha, Municipal e da Rua dos Montes Hermínios.

In História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, António Garcia Borges

 
 

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publicado por Paulo Jesus às 17:46

Setembro 27 2008
 

 

 

 Ordenação heráldica do brasão e bandeira

Publicada no Diário do Governo, I Série de 29/08/1941

 
Armas De azul com uma estrela de seis raios de prata carregada por um rodízio vermelho, realçado a ouro e posto em pala. Em chefe e contrachefe uma faixa ondeada de prata. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco com os dizeres "Cidade da Covilhã" a negro. Envolvendo o pé e flancos das armas, as insígnias das Ordens de Cristo e do Mérito Industrial, suspensas das fitas, tudo de suas cores.
 
Bandeira - Quarteada de quatro peças de branco e quatro peças de vermelho. Cordões e borlas de prata e de vermelho. Haste e lança douradas.

 

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes e em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal Covilhã". Envolvendo o selo, as fitas das Ordens de Cristo e de Mérito Industrial, suspendendo as respectivas insígnias.

 
Como as principais peças das Armas são a estrela e o rodízio, a bandeira é branca (que representa a prata) e vermelha. Para cortejos e outras cerimónias a bandeira é de seda, bordada e com a área de um metro quadrado. A coroa mural de cinco torres e a bandeira quartejada de oito peças, é o que está determinado para simbolizar as cidades.
 
O campo das Armas da Covilhã é de há muitos anos esmaltado de azul, cor que heraldicamente significa zelo, caridade e lealdade.
 
A estrela e os rios são de prata porque este metal na heráldica, denota humildade e riqueza.
 
O rodízio é de vermelho, porque este esmalte significa vitórias, força, energia, actividade e vida. O rodízio é realçado a ouro por ser este o metal mais rico na heráldica e que significa nobreza, fé, fidelidade, constância, poder e liberdade.
 
Com estas peças e com estes esmaltes fica realçada e dignificada a história da Covilhã e a índole dos seus naturais.
 
 
Freguesias

 

Aldeia de São Francisco de Assis;   Aldeia do Souto;   Barco;  Boidobra;   Canhoso;   Cantar-Galo;  Casegas;   Conceição;  Cortes do Meio;   Coutada;     Dominguizo;   Erada;   Ferro;   Orjais;   Ourondo;   Paul;   Peraboa;   Peso;   Santa Maria;    São Jorge da Beira;   São Martinho;   São Pedro;    Sarzedo;   Sobral de São Miguel;   Teixoso;   Tortozendo;   Unhais da Serra;     Vale Formoso;   Verdelhos;   Vales do Rio;  Vila do Carvalho;

 

Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos
 

 

 

 

 Bandeira para uso no exterior (2x3)
 
 
        
Bandeira para uso em interiores (1x1)
 
A Covilhã é uma bela cidade, situada num planalto, a meia encosta de Serra da Estrela. Daí lhe vem o nome, de Cova + lhana ( plana ). Parece que foi fundada pelos Romanos 41 a.C. e estes puseram-lhe o nome de Sila Hermínia.
 
É atravessada pelas correntes rápidas das ribeiras da Carpinteira e da Degoldra, em cujas margens se estabeleceram as primeiras fábricas de lanifícios, pois é grande a abundância de gado lanígero.
 
Covilhã teve foral antigo dado por D. Sancho I em Setembro de 1186, confirmado, posteriormente, em Coimbra por D. Afonso II, no mês de Outubro de 1217.
 
Deve-se à clara política de D. Sancho I a reedificações de vila que estava prestes a ser abandonada pelos seus moradores. No ano da concessão do foral em 1186, os habitantes receberam honrarias régias, entre elas destacando-se o privilégio dos escravos ganharem alforria e habilitações para honras e empregos quando por mais de um ano vivido na Covilhã.
 
Na provisão de 2 de Dezembro de 1253, D. Afonso III declara ser a Covilhã uma das principais povoações acasteladas da Beira. Atribuiu-se a fundação ao célebre Conde D. Julião que, para se vingar de D. Rodrigo – o último rei dos Gagos, lhe ler seduzido a filha, provocou a invasão dos Árabes na Península Hispânica. Conta a tradição que na Covilhã derivado da Cova - Juliana, nome que D. Julião dera à vila reunindo num só, o seu nome e o da sua concubina ( mulher ; legítima ).
 
Em 1 de Junho de 1510, D. Manuel I outorgou - lhe foral novo, em Santarém.
 
Foi elevada à categoria de cidade no século XIX a 20 de Outubro de 1870.
 
 
Datas Importantes
 
1186 – Setembro
 
D. Sancho I dá foral à Covilhã
 
1260 – 25 Julho
 
Por carta régia desta data D. Afonso III mandou fazer feira anual de 15 dias na sua vila da Covilhã pela festa de Stª Maria, em Agosto, devendo começar oito dias antes e acabar oito dita depois da dita festa.
 
1319 – 22 de Dezembro
 
D, Dinis outorgou carta régia confirmando privilégios, foros, usos e costumes do concelho da Covilhã, declarando que os juizes do mesmo concelho lhe “fornecerão cama, pão, vinho e outras coisas não por foro nem por serviço, mas por mera hospitalidade”.
 
1485 – Nasceu na Covilhã D. Frei Diogo da Silva, doutor em jurisprudência, conselheiro de D. João III, desembargador dos Agravos e mais tarde nomeado Arcebispo de Braga. Pertenceu à Ordem Franciscana, foi confessor do rei e faleceu em 1541.
 
1487 – 7 de Maio
 
Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva partem de Santarém, por terra, para a Etiópia.
Esta missão foi-lhes confiada por D. João II a fim de obter dados necessários à preparação da viagem de Vasco da Gama à Índia.
Depois de chegarem ao Cairo e Adem, separam-se partindo Afonso de Paiva para a Etiópia e Pêro da Covilhã para a Índia.
Pêro da Covilhã veio a exercer grande influência na corte Abexim, teve a honra de ser o primeiro Português que pisou o solo da Índia.
Foi senhor de muitas terras e haveres mas jamais lhe foi concedida autorização para regressar a Portugal, ali morrendo em 1545.
 
1506 – 3 de Março
 
Nasceu em Abrantes o Infante D. Luís quinto filho de D. Manuel I.
Mandou edificar a capela de Stª. Cruz ( Calvário ) dotando-a com uma magnífica custódia de prata dourada encerrando uma relíquia do Santo Lenho.
Duque de Beja, condestável do Reino, Grão-Prior do Crato senhor da Covilhã, Serpa e Marvão.
 
!510 – 1 de Junho
 
É datado de Santarém o segundo foral concedido à Covilhã, por D. Manuel II, onde lhe foram conservados todos os seus privilégios.
 
1515 – 10 de Abril
 
Faleceu Mateus Fernandes, natural da Covilhã, que foi um dos arquitectos do Mosteiro da Batalha, ali pontificando durante 25 anos.
Fez a porta de entrada para as capelas imperfeitas considerada um dos expoentes máximos da arquitectura Portuguesa.
 
1517 – Dezembro
 
Dão entrada em Sevilha Rui Faleiro, sua mulher Eva Afonso, e seu irmão Francisco, idos da Covilhã da Covilhã de onde eram naturais.
Dedicaram-se ao estudo e determinação das coordenadas geográficas, sobre tudo das longitudes, modificando os astrolábios da época, e tornando possível as viagens marítimas de longo curso com cálculos de maior exactidão
 
1535 – Publicado em Sevilha a 1ª edição do livro “ Tratado del Sphera Y del Arte de Marear “ pelo cosmógrafo Francisco Faleiro.
 
1538 – 26 de junho
 
Teve começo o 1º cerco de Diu e em que se distinguiu pela sua coragem e valentia, o intrépido Covilhanense Fernão Penteado.
 
1543 – 8 de Abril
 
Data em que Frei Heitor Pinto professou no Instituto de S. Jerónimo no Convento de Stª. Maria de Belém.
Considerado um dos mais notáveis escritores clássicos portugueses do Século XVI.
 
1618 – Ano em que nasceu na Covilhã, Simão Pinheiro Morão.
Exerceu clínica na Covilhã, Alenquer e Almada.
 
1710 – El-rei D. João V ordena que na vila da Covilhã se fabriquem todas as fardas para o seu exército.
 
1761 – Neste ano ordena D. José I a construção do grandioso edifício da Real Fábrica de panos ( onde actualmente se encontra instalada a Universidade da Beira Interior ).
 
1801 – 3 de Março
 
Nesta data nasceu na Covilhã o Dr. Gaspar Pereira da Silva, que foi jurisconsulto e política
 
1806 – 1 de Janeiro
 
Data em que nasceu na Covilhã Manuel de Morais da Silva Ramos, conhecido por o “ Morais do Convento “ por ter adquirido o Convento de Santo António.
 
1808 – 20 de Agosto
 
Nasceu na Covilhã José Maria da Silva Campos Melo, a quem foi dado em 1870 o título de Visconde da Coriscada.
Foi Industrial de grande valor, Presidente da Câmara Municipal, escrivão da Misericórdia, etc.
 
1824 – 5 de Janeiro
 
Nasceu na Covilhã Francisco Joaquim da Silva Campos Melo, a quem foi dado em 1870 o título de Visconde da Coriscada.
Foi industrial de grande valor, presidente da Câmara Municipal e escrivão da Misericórdia, ...
 
1827 – 4 de Março
 
 Nesta data nasceu na Covilhã, Francisco Maria Rodrigues de Oliveira grainha. Foi médico e sacerdote.
 
1832 – 21 de Agosto
 
Nesta data nasceu na Covilhã o padre Manuel Teles Alegrete vulgarmente conhecido por padre Saioto.
 
1840 – 22 de Junho
 
Nasceu na Covilhã José Maria Veiga da Silva Campos Melo, que foi o maior industrial do seu tempo. A ele se deve o desenvolvimento do ensino primário e técnico na Covilhã, assim como da previdência social pele construção médica aos trabalhadores.
 
1860 – 25 de Fevereiro
 
Foi nesta data que pela primeira vez a Covilhã foi ilimitada com seis lampiões de azeite.
 
1863 – 9 de Maio
 
Foi nesta data destruído o pelourinho da Covilhã, que se encontrava situado em frente ao antigo Paço Municipal.
Este monumento que consistia num fuste oitavado composto de duas pedras que assentava sobre plataforma de 4 ou 5 degraus e terminava por roca, constituía o símbolo da autonomia municipal e só por incúria se pode conceber a sua destruição.
 
1864 – 13 de Junho
 
Nesta data nasceu na Covilhã o Dr. António Mendes Alçada de Morais que exerceu a advocacia brilhantemente nesta cidade durante muitos anos.
 
1870 – 20 de Outubro
 
 Foi a vila de Covilhã elevada à categoria de cidade, no reinado de D. Luís I.
 
1874 – 19 de Outubro
 
Nesta data nasceu na Covilhã José Maria de Campos Melo.
Fixou-se na Covilhã, tendo tomado a direcção “ técnica da fábrica velha “.
 
1883 – 26 de Abril
 
Foi nesta data decidido pelo governo a construção do caminho de ferro da Beira - Baixa, passando por Castelo Branco, Fundão e Covilhã.
 
1891 – 6 de Setembro
 
Nesta data foi solenemente inaugurado o troço do caminho de ferro da Beira Baixa compreendido entre as estações de Abrantes e Covilhã
 
1896 – 9 de Outubro
 
Data em que nasceu na Covilhã Ernesto de Campos Melo e Castro. Formado em engenharia químico - industrial pelo I.S.T. de Lisboa em 1921, desenvolveu grande acção pedagógica na sua cidade natal tendo sido director da Escola Industrial e Comercial Campos Melo durante 36 anos.
 
1907 – 14 de Junho
 
Nas primeiras horas da madrugada deste dia deflagrou na Rua António Augusto de Aguiar, junto à Praça do Município, um grande incêndio que ficou tristemente conhecido pelo incêndio “ da mineira “.
 
 
CURIOSIDADES
 
1619 - A Câmara de Lisboa estabelece um acordo com Paulo Domingues, oficial neveiro, para levar para Lisboa 96 arrobas de neve da Serra da Estrela para fornecimento diário entre 1 de Junho e 30 de Setembro
 
1673 - Por ordem do Príncipe Regente, mais tarde D. Pedro II, vieram de Inglaterra cinco mestres para as fábricas de panos
 
1710 - D. João V ordena que na Vila da Covilhã se fabriquem todas as fardas para o exército
 
1750 - É destituída a forca da Covilhã
 
1755 - No dia 1 de Novembro de 1755, o terramoto que arruinou a capital, também se fez sentir na Covilhã.
As muralhas do castelo tal como as suas grandes torres sofreram enormes danos.
 
1840 - Aprovado o estatuto da Associação Fabril da Covilhã
 
1860 - A 25 de Fevereiro de 1860, a Covilhã foi pela primeira vez iluminada com seis lampiões de azeite.
Em Julho de 1866, o número de lampiões aumentou para 50, passando a iluminação a ser feita a petróleo. A 10 de Fevereiro de 1892 a iluminação pública e particular passou a ser a gás, e só em 6 de Janeiro de 1924 foi a cidade pela primeira vez iluminada a electricidade pela Firma Copeiro & Donas, passando para os Serviços Municipalizados a 28 de Fevereiro de 1928.
 
1864 - 1º. Jornal impresso na Covilhã: O "Commercio da Covilhã"
1871 - Pinheiro Chagas é eleito deputado pelo círculo da Covilhã
1873 - Abertura da estrada das Pedras Lavradas entre Covilhã e Coimbra
1874 - Fundado o Banco da Covilhã
1875 - Fundada a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Covilhã ( Torre e Espada )
1882 - Fundada a Biblioteca Heitor Pinto: 1ª. Biblioteca Pública após Lisboa, Porto, Coimbra e Évora
1891 - Decretada a autonomia do Concelho da Covilhã em 14 de Março por D. Carlos I
1891 - Inauguração do troço Abrantes - Covilhã da linha de Caminho de Ferro da Beira Baixa, com a presença do Rei e da Rainha
1924 - Criada a Banda da Covilhã
1926 - Orfeão da Covilhã dá o 1º. concerto
1940 - Fim das barreiras (portagens) na Covilhã
1953 - Constituído o Núcleo da Covilhã do Clube de Montanhismo
1958 - Criado o Conservatório Regional de Música
1958 - Inaugurado o actual edifício da Câmara Municipal da Covilhã
1970 - 1º Centenário da cidade. Deu-se início ao concurso de Piano "Cidade da Covilhã"
1973 - Foi criado o Instituto Politécnico da Covilhã
1978 - Foi instaurado o Feriado Municipal - 20 de Outubro
1986 - Foi instituída a UBI - Universidade da Beira Interior
1988 - Tiveram lugar na Covilhã as comemorações do dia "10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das comunidades", com a presença do Presidente da República, Mário Soares.
 

Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos
publicado por Paulo Jesus às 17:44

Setembro 27 2008

A “Estância de Esqui da Serra da Estrela”, está localizada próximo da Torre, a cerca de 1900 m de altitude, sendo a única em Portugal.

Há duas épocas conheceu algumas alterações com a entrada para os Quadros da Turistrela de um novo Directos da Estância, que após muitos anos de experiência na reconhecida estância de Meribel – França – veio trazer uma melhor organização, segurança e manutenção das pistas.
Pretende-se que, juntamente com o plano de investimentos previsto, a “Estância de Esqui da Serra da Estrela”, se torne de ano para ano uma opção cada vez mais válida para a prática de desportos de Inverno e um espaço de animação de referência no nosso país.
 
Esta estância tem 2 pistas verdes (Lagoa e Covão) de pouca dificuldade, ideais para o primeiro contacto com a neve (integração das botas e esquis no sistema corporal). Continuando a sua aprendizagem, poderá continuar a evoluir experimentando as pistas azuis (Vale e Piornos) de dificuldade média, Perca (ganhe!) algum tempo até dominar as várias tecnologias do esqui. Por último poderá experimentar as pistas vermelhas (Cântaros, Espinhaço. Loriga e Torre) para sentir alguma adrenalina e ganhar um melhor conhecimento de si próprio. Pode ainda optar por alugar trenós nas zonas de trenós disponíveis.
 
Dimensão: As pistas de esqui, têm uma dimensão de 5,5 Km esquiáveis, bem no coração da Serra da Estrela.
 
Cota máx: 1972m
Cota min: 1874m
 
Utilização: Nestas pistas é possível praticar-se esqui, snow-board.
 
 
Na Serra da Estrela, a 1200 metros de altitude ergue-se da sua plataforma natural, a estalagem Varanda dos Carqueijais. Considerada o melhor miradouro sobre toda a Cova da Beira, dista apenas 10 Km da Torre, o ponto mais alto de Portugal Continental, com as suas postas de esqui e muitas outras atracções, e 6 Km da Covilhã, Aérodromo, e estação de Caminhos de Ferro. Ponto de partida para muitas aventuras e os mais variados roteiros, é igualmente o ponto de chegada mais agradável para todos aqueles que nos visitam, em lazer ou em negócios.
 
 
POUSADA DA SERRA DA ESTRELA
 

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A Pousada que faltava, abriu de verdade. Dia 1 de abril, inaugurou a Pousada da Serra da Estrela, repleta de experiências únicas para os mais pequenos e graúdos também. Deixe-se contagiar pelos ares da serra e, parta à descoberta dos mais de mil encantos que ela contempla.

A nova Pousada conta com 92 quartos e suites, salas equipadas para reuniões e eventos, Spa e piscinas. O investimento global neste projeto, que esteve cerca de três anos em obras, ascendeu a 15 milhões de euros.

Este hotel na Serra da Estrela, encontra-se num edifício construído no início do séc. XX, com uma arquitetura da responsabilidade de Eduardo Souto Moura, integrando o novo conceito de Unidades, de maior dimensão, já que contará com cerca de 92 quartos. 

Aqui, o frio torna-se num elemento de beleza paisagística das terras altas, fazendo deste hotel na Serra da Estrela, um lugar singular para apreciar as vistas e as atividades da época glaciar, bem como, desfrutar de um SPA, Piscina interior e exterior e ainda, degustar de uma oferta gastronómica regional de excelência.

Poderá também conhecer algumas das aldeias mais históricas de Portugal, monumentos, castelos e museus presentes nas proximidades da Pousada e, pelo meio deslumbrar-se com as panorâmicas de outro mundo sem sair do seu país. O refúgio perfeito para uma fuga à rotina, ou umas férias plenas de sossego e rodeadas pelo ambiente natural de montanha.

Fora da época fria, o interesse por esta zona não arrefece. As encostas brancas cobertas de neve dão lugar às paisagens claras e verdejantes de verão. Criando todo um novo lugar para redescobrir.

 

 
ESTALAGEM VARANDA DOS CARQUEIJAIS
 
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Esta estância de 4 estrelas, com 50 quartos, completamente equipados, está situada numa localização privilegiada, no topo da Serra da Estrela. Oferece estacionamento gratuito e vistas panorâmicas sobre a Cova da Beira.

A Estalagem Varanda dos Carqueijais está situada no interior da Reserva Natural da Serra da Estrela e apresenta um estilo arquitectónico único, com decoração moderna por todo o edifício.

Os quartos incluem banheira de hidromassagem, e alguns dispõem de varandas.

O restaurante do resort, Cova da Beira, tem capacidade para 150 pessoas. O bar e lounge estão equipados com Wi-Fi, e têm capacidade para 70 pessoas.

A Estalagem Varanda fica a apenas 10 minutos da estância de esqui Vodafone. Também fica a 5 km da cidade de Covilhã.


 
HOTEL SERRA DA ESTRELA
 
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O Hotel Serra da Estrela ergue-se numa pequena e típica povoação serrana, denominada Penhas da Saúde, a uma altitude de 1.500 metros. É considerado, quer quanto à arquitectura quer quanto aos materiais e técnicas utilizadas na sua construção, como o mais representativo hotel de montanha do nosso pais. Dista 10 Km da Covilhã, Aeródromo e estação de Caminhos de Ferro e 10 Km da Estância de Esqui.
Constitui-se num espaço privilegiado para o repouso e contemplação, retemperador de forças e terapia para o stress de uma agitada vida urbana.
 
Hotel Serra da Estrela Apartado 332 6200 Covilhã Telefone: 275 - 310300 Fax: 275 - 310309
 
 

Informação do Hotel

O Hotel Serra da Estrela já foi considerado com marco de excelência em turismo na neve em Portugal e é conhecido como o típico hotel de montanha do país. Agora foi completamente remodelado e irá tornar-se no destino privilegiado para aqueles que desejam ficar hospedados na Serra da Estrela, seja por motivos de lazer ou de negócios. Desfrute a sua estadia!


Situado no maior destino do país em resort de montanha, integrado na Reserva Natural da Serra da Estrela, longe do stress, numa atmosfera familiar, os Hotéis da Serra da Estrela são os locais ideais para conseguir trabalhar em qualidade e tranquilidade e o ponto de partida ideal para todo o tipo de actividades turísticas e de lazer. Para auxiliá-lo a planear, aconselhar, suportar e organizar os seus eventos de grupo, Turistrela dispõe de uma equipa de funcionários especialistas em negócios, treinados para preencher todos os seus requisitos, proporcionando-lhe um apoio contínuo e total durante todo o evento.


Com um leque diversificado de serviços, tanto relacionado com os hotéis resort como também em relação a serviços de apoio e actividades exteriores, Turistrela é capaz de proporcionar-lhe soluções feitas à medida para workshops e eventos de grupo ou para conferências de empresa, envolvendo um amplo número de participantes.

 

Informação da Acomodação:

O hotel de 4 estrelas, dispõe de 79 quartos, incluindo 3 suites e 8 quartos triplos. Os quartos foram recentemente renovados e oferecem uma decoração harmoniosa e mobílias com um design confortável.

 

Comida e bebida:

O restaurante Nave da Areia pode acomodar até 150 pessoas. O bar e discoteca têm capacidade para 100 pessoas. O bar e saguão podem acomodar até 100 pessoas.

 

 

Informação dos arredores:

A aldeia da montanha fica mesmo no coração da Serra da Estrela, harmoniosamente aninhada dentro do cenário urbano de Penhas da Saúde, a uma altitude de 1500 metros.

Consiste no Hotel Serra da Estrela e nos Chalés da Montanha, a 10 minutos da estância de ski Vodafone.

Um pouco abaixo da aldeia da montanha, com vista sobre Cova da Beira, fica a típica Estalagem Varanda dos Carqueijais.

Descubra este grupo de resorts hoteleiros que foram construídos com os níveis de excelência que equivalem à montanha mais alta de Portugal.

A Estância de ski Vodafone está situado na Torre, no município de Seia, mesmo no centro da reserva natural e a uma altitude de 2000 metros.
Coberta por um manto de neve entre Dezembro e Abril, graças ao processo inovador de produção de neve artificial, a estância de ski alberga infraestruturas para praticar desportos de Inverno e providencia comodidades sofisticadas como elevadores mecânicos de última geração e um sistema de passe de identificação moderno para os elevadores. A Estância de ski Vodafone é o destino privilegiado em Portugal para os amantes de desportos de Inverno, entretenimento e emoções fortes.

As actividades incluem mushing (trenós puxados por cães), andar de trenó e em motas de neve. Poderá alugar uma variedade de equipamentos, como esquis alpinos e snowboards.

Geral:

Parque de estacionamento, Restaurante, Bar, Recepção 24 horas, Jornal, Jardim, Quartos/Comodidades para pessoas com mobilidade condicionada, Quartos Familiares, Parque de estacionamento gratuito, Elevador, Cofre, Quartos insonorizados, Aquecimento, Sala para Bagagem, Depósito para equipamento de Esqui, Todos os espaços públicos e privados são não-fumadores

Actividades:

Pesca, Esquiar, Sala de jogos, Parque infantil, Bilhar, Dardos, Canoagem, Caminhadas, Andar de bicicleta, Equitação, Escola de Esqui

Serviços:

Serviço de quartos, Comodidades para Reuniões/Banquetes, Baby-sitting/ Serviço para crianças, Lavandaria, Lavagem a seco, Pequeno-almoço no quarto, Serviço de engomadoria, Suite nupcial, Serviço de Internet, Serviços de câmbios, Aluguer de bicicleta, Refeições pré-embaladas, Aluguer de carro, Fax/fotocopiadora, Wi-Fi / Wireless LAN

Internet:

Internet Wireless disponível por todo o hotel: poderão aplicar-se custos adicionais.

Estacionamento:
Estacionamento gratuito público; disponível no local.
 
 
 
CHALES DE MONTANHA  - SERRA DA ESTRELA
 

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O Chalés de Montanha está localizado num resort de montanha na região da Covilhã, no centro da Serra da Estrela. Disponibiliza vistas panorâmicas sobre as montanhas, bem como um spa com uma banheira de hidromassagem e serviço de massagens.

Os chalés possuem 2 varandas com vistas para as montanhas, 3 quartos, 2 casas de banho, um lounge espaçoso e uma kitchenette totalmente equipada.

As opções de relaxamento no Spa Dharma incluem uma piscina interior e uma gama de terapias de massagens e aromaterapia.

O restaurante serve cozinha tradicional portuguesa preparada com ingredientes frescos e sazonais.

O Chalés de Montanha - Serra da Estrela fica apenas a 10 minutos de carro da Estância de Esqui Vodafone, onde os hóspedes podem desfrutar de uma variedade de desportos de Inverno, tais como esqui, snow-board e trenó.

 
Actividades Outdoor
 
A Serra da Estrela, ponto mais alto do país, constitui-se num dos últimos destinos turísticos, onde a Natureza, preservada contra todas as tendências devastadoras da sociedade contemporânea, se revela passo a passo, em recantos de espectacular beleza. A conjugação deste lindíssimo património natural com a cultura do povo serrano, cioso dos seus valores, garantem ao visitante o acesso a um modo de vida e de estar que o transportam para o que mais simples e verdadeiro a vida lhe proporciona.
 
É neste contexto que vimos oferecer-lhe a possibilidade de desfrutar a Serra e a Natureza, na sua plenitude, através da utilização de uma verdadeira casa serrana, no aldeamento Chalés de Montanha, abrindo-lhe as portas para uma ocupação ecológica e terapêutica dos seus tempos livres.
 
Construído no Parque Natural, em plena Serra da Estrela, este complexo de lazer único no país, oferece uma gama de equipamentos e diversões capaz de satisfazer o mais exigente utilizador de actividades ao ar livre, de aventura ou actividades radicais.
 
O Skiparque dispôe de um pista de esqui de 400 metros, com um débito de 600 esquiadores/hora, bem como de um half-pipe para a prática de Snowboard.

 

publicado por Paulo Jesus às 17:23

Setembro 27 2008

Serra da Estrela - um passeio em direcção ao céu

 
 
 
Para quem gosta de montanhas, a Serra da Estrela é o local ideal para um passeio de fim de semana. Aqui encontra algumas das mais bonitas e preservadas aldeias históricas do país, gastronomia regional e, se for tempo disso, ainda pode aproveitar para se divertir na neve.
 
A zona da Serra da Estrela conserva alguns dos mais originais recantos do país e preserva um conjunto de aldeias históricas à espera da sua visita.
 
Símbolo: Cristal de gelo

Localização: Região Centro
Distrito de Castelo Branco: Concelho da Covilhã
Distrito da Guarda: Concelho de Celorico da Beira; Gouveia; Guarda
 
Altitude : máxima: 1993 m mínima: 300 m

Clima: Influência mediterrânica e atlântica
 
Relevo:
O maciço montanhoso da Serra da Estrela apresenta-se como um alto planalto inclinado para Nordeste, profundamente recortado pelos vales dos rios e ribeiros que nele têm origem. Sendo essencialmente granítico - se bem que nele ocorram largas manchas de xisto - o aspecto mais marcante da paisagem do planalto superior é a presença dos afloramentos rochosos, sejam as vigorosas fragas, rochedos e penhascos, sejam os caos de blocos, sejam os depósitos de vertente ou cascalheiras. Em toda a sua área são inúmeros os vestígios da acção glaciar, designadamente os vales em U do Zêzere e de Unhais, sucedendo-se blocos erráticos, as moreias, os covões e os lagos e lagoas naturais.
 
 
 
 
FAUNA
 
A paisagem multifacetada, onde os solos são mais férteis e há água em abundância, permite que, num espaço relativamente pequeno, a fauna disponha simultaneamente de boas zonas de alimentação (explorações agrícolas), bebedouros (tanques e riachos) e áreas de abrigo e reprodução (bosquetes, manchas de matagal e silvados). A esta grande diversidade de unidades ecológicas vai corresponder uma igual variedade de espécies animais que, "saltando" rapidamente de um meio para outro, reforçam a sua interdependência.
 
As searas de centeio, implantadas nos terrenos mais planos e de solos pobres constituem um biótopo homogéneo e estruturalmente simples que suporta um número de espécies reduzido.
 
Relativamente à fauna, apresenta mamíferos como o lobo, javali, lontra, gineta, raposa, fuinha, texugo e gato-bravo, destacando-se entre os pequenos mamíferos a toupeira-de-água.
 
Cão da Serra da Estrela
 
Resultado de uma tradição artesanal de preservação genética, é considerada uma das raças caninas mais genuínas e antigas da Península Ibérica, é dócil, corajoso e um amigo fiel. Na época de invernia em que os rebanhos, na busca de alimento, eram obrigados à prática da transumância para locais a grande distância, o cão da Serra da Estrela era o guardião atento na defesa contra as feras e assaltantes.
 
Esta raça apresenta-se ora de pêlo curto, ora comprido, com grande estatura e um peso que oscila entre os 40 e 50 Kg. A cabeça é forte e volumosa e as orelhas pequenas e pendentes. A boca é grande com dentes fortes, o peito é arqueado e o abdómen bem proporcionado à sua corpulência e a cauda é comprida, grossa, formando gancho na ponta. Forte e destemido, é um cão de guarda por excelência.
 
Ovelha, Cabra e Vaca
 
Por volta de Abril, quando as neves começavam a derreter, os rebanhos iniciavam a subida para a Estrela. Vinham do sopé da Serra, das terras baixas do Norte (Fornos de Algodres, Sátão, Nelas, Gouveia, Arganil, Oliveira do Hospital), da Cova da Beira, do Alentejo e mesmo de zonas fronteiriças espanholas. Com os primeiros ventos frios de Outono os rebanhos desciam até ao Baixo Alentejo (campos de Ourique), campos do Mondego, junto a Coimbra e para as campinas de Idanha.
           
Actualmente o efectivo ovino da Estrela já desceu para menos de metade do que era em meados do século. A transumância faz-se em camiões, mas alguns proprietários de São João do Campo e Oliveira do Hospital ainda seguem para o Baixo Mondego, Covilhã ou Nelas. No Verão ainda se sobe ao Montemuro e ao Baixo Douro. A importância da lã como matéria prima esbateu-se. Esteve na origem de importante indústria de lanifícios - manufactura de panos - cujo centro era a Real Fábrica de Panos na Covilhã. O leite de ovelha foi sempre o produto base para o fabrico artesanal do queijo da Serra, parte importante do qual é actualmente produzido em moldes industriais.
 
Javali
 
Apresentando formas e proporções corporais inconfundíveis, o javali é a espécie de caça maior com a mais ampla representação em Portugal. Podendo atingir 1,70 m de comprimento e 140 Kg de peso, o javali ostenta uma silhueta compacta e poderosa, com membros relativamente curtos e fortes, ausência aparente de pescoço e uma grande cabeça afunilada, que lhe confere um aspecto sólido e resistente, bem complementado por uma pelagem bastante farta e rude, constituída por pêlos mais ou menos compridos (cerdas).
 
Nesta espécie, o dimorfismo sexual manifesta-se não só no tamanho e no peso (o macho é maior e mais pesado que a fêmea), mas também por diferenças na própria estrutura óssea, de que ressaltam no macho, entre outros aspectos, a cabeça mais larga e menos afunilada e a existência de caninos ou presas extremamente desenvolvidas que servem principalmente como arma. Estes dentes-navalha (caninos inferiores) e amoladeiras (caninos superiores) constituem o trofeu da caça.
 
Tal como o porco doméstico, também o javali é um animal omnívoro. Assim os elementos constituintes da sua dieta são frutos, raízes, bolbos, tubérculos, partes de pequenas plantas, larvas de insectos, pequenos vertebrados (ratos, láparos e lebrachos), ovos e mesmo cadáveres de outros animais. No entanto é de realçar uma preferência nítida por bolotas, castanhas e cereais, o que leva à incompatibilidade com explorações agrícolas, dado o risco de prejuízos de monta para os agricultores.
 
Aves
 
* Melro-de-água
* Perdizes
* Faisões
 
Peixes
 
* Truta arco-íris - As características da água acima dos 1500 metros, nomeadamente as temperaturas baixas e a elevada quantidade de oxigénio dissolvido, são propícias à truta arco-íris. Esta é semelhante à truta do rio, distinguindo-se da mesma principalmente pela coloração e pelas escamas mais pequenas.
* Escalo do Norte (bordalo) - Possui um corpo alongado de cabeça grande com boca relativamente pequena.
 
Répteis
 
* Lagarto-de-água - Encontra-se por todo o Planalto Central mas é mais abundante nas zonas de menor altitude.
* Lagartixa-da-montanha (Lacerta monticola) - Apenas existe no Planalto Central da Serra da Estrela e corresponde a uma população única no mundo, sendo mais abundante nas zonas de maior altitude.
* Cobra austríaca (Coronella austríaca) - Apesar de se tratar de uma cobra rara em Portugal, pode ser encontrada na Serra da Estrela geralmente acima dos 1900 metros de altitude.
 
Anfíbios
 
* Salamandra - Detectável essencialmente à noite quando vai depositar as suas larvas em ribeiros.
* Rã Verde (Rana perezi) - Espécie típica das lagoas, dos charcos e dos ribeiros de correntes fracas.
* Rã Castanha (Rana ibérica) - É um endemismo do Noroeste da Península Ibérica típico dos ribeiros de águas límpidas e correntes fortes.
* Rela - Espécie típica das pequenas lagoas e charcos. Durante a época da reprodução, ao fim do dia e durante a noite, os machos cantam para atrair as fêmeas, formando-se grandes coros (fim da Primavera).
* Sapo - Detecta-se principalmente em terra, debaixo de pedras, deslocando-se à água apenas da reprodução, para aí depositar os seus ovos.
Nas zonas de maior altitude há uma maior abundância do sapo corredor, nas de menor altitude encontra-se mais o sapo comum.
* Tritão-de-ventre-laranja (Triturus boscal) e Tritão-marmorado (Triturus marmoratus) - Encontram-se essencialmente à noite em charcos onde se reproduzem e alimentam.
 
FLORA
 
A elevada altitude faz com que seja um dos locais de maior precipitação do país e condiciona um zonamento bem marcado da vegetação: um andar basal, até aos 900 metros, de influência mediterrânica, caracterizado por um aproveitamento cultural intenso; um andar intermédio, entre os 900 e os 1600 metros de altitude, domínio climático do carvalho negral, de existência residual, encontrando-se manchas de soutos e castinçais, giestais de giestas-brancas, urgueirais de urgueira, piornais de piorno-dos-tintureiros e sargaçais de sargaço, para além das matas artificiais de pinheiro bravo, pseudotsuga, abeto, cedro, larix, acer e cupressus, encontrando-se ainda campos de centeio; finalmente um andar superior, domínio dos zimbrais de zimbro, cervunais de cervum e arrelvados, salientando-se as comunidades rupícolas com grande representação das plantas endémicas e dos orófitos apenas representadas em Portugal na Serra da Estrela, e finalmente as comunidades lacustres das lagoas e charcas da parte superior, onde surgem igualmente algumas raridades.
 
No caso da Estrela, as características do relevo bastante dissecto, os pendores muito acentuados e os enormes contrastes da expressão climática ora mediterrânica ora atlântica, retalham as paisagens em fractais e moldam, segundo os andares e exposições, fortes contrastes no manto vegetal.
 
A continuada acção humana por seu lado ainda potenciou mais o mosaico ambiental formado de tesselas extremamente miúdas.
 
A fragmentação natural e antropogénica das unidades populacionais que incrementa a pressão selectiva, pode de certa maneira explicar a peculiaridade e o interesse florístico da Flora Hermínica que, por especiação biológica, tende a individualizar-se no confronto com floras vizinhas quer do lado da fachada atlântica quer das regiões mais marcadamente continentais e alpinas, do centro da península. 
 
Pinheiro-bravo

O pinhal adquire maior extensão e representatividade na zona serrana, embora se encontre um pouco por todo o território, a maior parte das vezes sob a forma de bosquetes de reduzida dimensão.

 
Carvalho negral (Quercus pyrenaica)
Encontra-se no andar intermédio de vegetação da Serra da estrela desde os 600-800 até aos 1600 metros.
 
Azinheira
Esta quercínea forma um verdadeiro montado, de densidade variável, que se prolonga para Espanha.
 
Antinoria Agrostidea
É um endemismo ibérico e pode ser encontrada por exemplo na Lagoa da Paixão.
 
Cervum seco (Galio-Nardetum)
Podem ser vistos na Nave de Santo António, no Covão do Boi, no Vale do Conde e no Vale de Loriga, assumindo sempre um aspecto verdejante.
 
Cervum húmido (Junco-Sphagnetum compacti)
Encontram-se junto de lagoas como a Comprida.
 
Arrelvados
A degradação dos cervunais devido ao sobrepastoreio favorece a acção da erosão pela água escorrente determinando a abertura de clareiras com uma camada fina de saibro granítico.
 
Zimbro rasteiro (Juniperus communis)
É a planta de maior expansão aqui, devido à facilidade de propagação das suas bagas. Encontra-se no andar superior de vegetação da Serra da Estrela acima dos 1600 metros. Trata-se de um arbusto amoitado, resistente aos fortes ventos, às temperaturas muito baixas, ao gelo e à neve.
 
Teixo (Taxus baccata)
De referir que esta planta deu origem ao nome da Freguesia do Teixoso.
 
Urze (Erica)
Nas encostas serranas dominam as urzes: urze vermelha (Erica australis), urze das vassouras (Erica scoparia), torga (Erica umbellata) e urze branca (Erica arborea).
 
Giesta (Cytisus)
O meio arbustivo tem como denominador comum as giestas, sobretudo a giesteira branca (Cystisus multiflores) e a giesta negral (Cystisus striatus). No entanto é possível detectar diferenças significativas na composição e estrutura destas formações. Para além da densidade, altura e presença ou ausência de afloramentos rochosos no seu seio, é possível identificar determinados padrões que se prendem com a presença ou ausência de espécies. Assim as cistáceas predominam nas áreas mais baixas, xistosas ou sedimentares, enquanto as giestas são mais expressivas em granito.
 
Narcisos (Narcissus bulbocodium)
Com flores brancas, amarelas ou bicolores e fragâncias diversas, os narcisos são utilizados desde há longos anos, como ornamentos. Em Portugal Continental ocorrem quase duas dezenas de espécies de narcissus, ficando situadas as que têm maior procura comercial, na zona da Serra da Estrela: a Narcissus Rupicola (estrelinha), Narcissus asturiensis, Narcissus triandus e a Narcissus bulbocodium (campainhas).
Entre 1986 e 1991, a Holanda importou cerca de 3,5 milhões de bolbos de narcisos provenientes de Portugal. Directamente colhidos na natureza, ainda que ocorram em todo o País, é na Serra da Estrala que estas colheitas se verificam com mais incidência.
 
Fava-de-água (menyanthes trifoliata)
Pode ser encontrada na vegetação flutuante ou marginal das lagoas.
 
Caldoneira (Echinospartum lusitanicum)
Costuma revestir a base e as fissuras dos rochedos ou monólitos.
 
Carqueja (Genista Tridentata)
 
Planta carnívora (Drosera Rotundifolia)
 
Tramazeira (Sorbus aucuparia)
 
 
Turismo e Lazer
 
A Serra da Estrela, ponto mais alto de Portugal Continental, constitui-se num dos últimos destinos turísticos, onde a Natureza, preservada contra todas as tendências devastadoras da sociedade contemporânea, se revela passo a passo, em recantos de espectacular beleza.
 
A neve com que se cobre durante parte do ano, permite a realização de actividades únicas em Portugal, tais como Caminhadas na Neve, Escalada em Gelo, Percursos de Mushing, etc.
 
Mas a Serra da Estrela não é só neve e desportos de Inverno. Actividades como Passeios Pedestres, de BTT e de Jipe, Paintball, Canoagem, Slide, Rappel, Escalada, Orientação, Caça ao Tesouro e muitas outras, encontram na Serra um local privilegiado durante todo o ano.
  
 
 
 
ACTIVIDADES SÓCIO-ECONÓMICAS
 
 Actividades Tradicionais:
 
São ainda o pastoreio, a agricultura e a indústria de lanifícios, as actividades tradicionais, que ocupam grande parte da população activa, residente na área do Parque Natural da Serra da Estrela.
           
Produtos regionais:  
 
Para além do mel, do pão de centeio, das mantas de lã, dos enchidos, o Queijo Serra da Estrela é sem dúvida o produto mais famoso, com peso na economia da região.
 

publicado por Paulo Jesus às 17:20

Setembro 27 2008

Queijo da Serra da Estrela (Denominação de Origem Protegida)

 

Este queijo é o nosso cartão de visita. Já ultrapassou fronteiras. É um queijo com história.
A área geográfica de produção contempla os concelhos de Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia, Manteigas, Oliveira do Hospital, Seia e algumas freguesias dos concelhos da Covilhã, Guarda e Trancoso.
Trata-se de um queijo produzido exclusivamente com leite de ovelha da raça Bordaleira, coalhado pela flor do cardo Cinara cardunculus L., planta espontânea característica da nossa Região que tem como finalidade coalhar a massa que dará origem ao Queijo da Serra.
 
 
Queijo de Castelo Branco (Denominação de Origem protegida)
 
É um queijo curado, de pasta semifina ou semimole, ligeiramente amarelado, com alguns olhos pequenos e obtido por esgotamento lento da coalha, após coagulação do leite cru de ovelha por acção de uma infusão de cardo.
A área geográfica de produção abrange algumas freguesias do concelho do Fundão.
 
 
Queijo Amarelo da Beira Baixa (Denominação de Origem Protegida)
 
É um queijo curado, de pasta semifina ou semimole, ligeiramente amarelado, com alguns olhos irregulares e obtido por esgotamento lento da coalha, após coagulação do leite cru de ovelha por acção do coalho animal.
 
 
Queijo Picante da Beira Baixa (Denominação de Origem Protegida)
 
É um queijo curado, de pasta dura ou semidura, branco sujo a acinzentado, sem olhos ou com pequenos olhos irregulares e obtido por esgotamento lento da coalhada, após coagulação do leite cru de ovelha ou de cabra, estreme ou de mistura, por acção do coalho animal.
 
 
Borrego Serra da Estrela (Denominação de Origem Protegida)
 
A carne deste Borrego é particularmente macia e saborosa, de paladar muito suave, com gordura intersticial e subcutânea bem distribuída. Também é designada por "borrego de canastra".
A raça Bordaleira da Serra da Estrela tem sido, desde tempos imemoriais, seleccionada para a produção de leite, o qual se utiliza na produção do famoso Queijo da Serra da Estrela. Os borregos surgem como um sub- produto desta actividade principal.
A vocação desta raça é a produção leiteira.
 
 
Borrego da Beira (Indicação Geográfica Protegida)
 
O Borrego é pequeno, de carne muito tenra e saborosa devido ao seu maneio em pastoreio extensivo na zona da Beira Interior. A carne é rosa com sabor e cheiro característico a leite. Devido às suas particularidades também é conhecido por "borrego de canastra" ou "borrego de leite" (o leite constitui o seu único alimento). É produzido nos concelhos de Pinhel, Almeida, Belmonte, Fundão, Penamacor algumas freguesias dos concelhos de Trancoso, Guarda e Covilhã.
 
 
Cabrito da Beira (Indicação Geográfica Protegida)
 
Carne de cor rosa-pálida, decorrente da sua alimentação quase exclusiva de leite materno. A carne é muito tenra, clara e de gosto suave aleitado.
Estes animais resultam de um sistema de exploração da raça caprina baseada no pastoreio extensivo, onde é vulgar encontrar um pastor acompanhado de 2 a 4 cães, guardando rebanhos, e na produção de leite para fabrico do queijo.
 
 
Azeites da Beira Interior (Denominação de Origem Protegida)
 
"O azeite da Beira Baixa tem uma coloração amarela clara levemente esverdeada, com aroma "sui generis" e um sabor a fruto ".
A área geográfica limita-se aos concelhos da Covilhã, Belmonte, Fundão, Penamacor.
" O azeite da Beira Alta tem coloração amarela levemente esverdeada com aroma "sui generis" e um sabor a fruto".
 
VINHOS
 
Na Região de Turismo da Serra da Estrela inserem-se duas importantes Regiões Demarcadas: Região Demarcada dos Vinhos Dão com duas sub-regiões – Serra da Estrela e Alva- e a Região Beira Interior com duas sub-regiões da Cova da Beira e de Pinhel.
 
 
 
Cereja da Cova da Beira (Indicação Geográfica Protegida)
 
 
A cereja produzida na região do Fundão, berço da Cova da Beira, sempre foi conhecida pela sua qualidade.
 
 
Maçã da Cova da Beira ( Indicação Geográfica Protegida)
 
As variedades existentes em maior quantidade são a Golden delicious, Red delicious e Jersey Mac. As características destas variedades distinguem-se das suas similares, produzidas noutras regiões, pelo sabor característico resultante das condições edafo-climáticas desta Região.
 
 
Pêssego da Cova da Beira
 
 A Cova da Beira é uma depressão geográfica, onde corre o rio Zêzere, entalada entre as Serras da Estrela e da Gardunha, em zona protegida dos ventos atlânticos, com condições climáticas únicas o que lhe confere características próprias.
 
 
Outros Produtos de Qualidade
 
Enchidos
 
A partir de meados de Novembro e até Janeiro ocorre a tradicional MATANÇA DO PORCO. Nesse dia, as famílias reúnem-se, logo pela manhã. É-lhes oferecido um bom pequeno almoço, constituído por presunto, chouriço, salpicão, chouriça de carnes e de bofes (miúdos do porco- coração, rins e pulmões). Estes produtos pertencem à matança do ano anterior.
Seguidamente, procede-se à matança do porco- coloca-se o animal em cima de um banco de madeira, à medida do animal, na ponta do banco existe uma racha para prender a cabeça do porco.
Mas as primeiras tarefas estão ligadas aos enchidos: fazem-se as farinheiras, as chouriças, as morcelas, o salpicão e o bucho.
 
Presunto
 
Para conservar a carne de porco de modo a poder ser consumida muito depois da matança, recorreu-se desde sempre à salga e ao fumeiro.
O apetitoso presunto não é mais do que a perna de porco que, depois de salgada ao longo de vários meses, é bem lavada em água corrente para lhe retirar o sal e coberta depois com uma pasta protectora essencialmente à base de colorau e azeite.
Segue-se então o processo de secagem, que poderá ser em fumeiro ou em local frio.
O frio e a humidade desempenham um papel primordial na qualidade do presunto.
 
 
Pão Centeio do Sabugueiro
 
O Pão Centeio do Sabugueiro é único na Região. O seu sabor depende de factores tão básicos como o tipo de farinha, o forno e o processo de fabrico. E foi partindo da aldeia do "Sabugueiro", que, ao longo dos anos entrou no rol dos mais genuínos produtos turísticos;
Aproveitando a farinha de centeio da Região, o "saber-fazer" da família, com técnicas artesanais e aquecimento a lenha em fornos feitos de tijolo, foi garantindo a qualidade de um produto de excelente qualidade, apelidado mesmo de "produto de luxo".
 
 
Broa Serrana
 
O que torna a broa serrana tão particular é o facto de ser a que contém mais elevada percentagem de milho (95% só com 5% de trigo).
 
Requeijão
 
O requeijão resulta do aproveitamento do soro, isto é, o excedente que se escoa do acincho durante a feitura do Queijo da Serra. É em seguida fervido, de onde se obtém uma massa pastosa, a que é dada a sua forma característica, depois de ser comprimida em açafates de fina verga.
É um alimento com alto valor nutritivo, a que a tradição local atribuiu até poderes terapêuticos e de fortalecimento.
 
 
Castanha
 
É nas terras frias que surgem os castanheiros. "Árvore do pão", assim era conhecida; nos tempos de crise, as castanhas tornavam-se num alimento rico (caldudo).
As castanhas, quentes e boas, apetecem nos dias frios da nossa Região. Este fruto gera a criação de diversos pratos (sopa, puré, estufadas, assadas, cozidas).
 
 
Mel Serra da Estrela
 
 O mel Serra da Estrela tem, em regra geral, um aroma forte, persistente (característico da urze), espesso com um paladar adstringente e macio como o mel de rosmaninho. Este obteve durante o corrente ano medalhas (prata e bronze) em Concursos Internacionais de Mel.
 
 
ENTRADAS
 
Xerovias Fritas
 
A Xerovia é uma raiz que se cultiva nesta zona do país, e tem a forma de uma cenoura e a cor do nabo. O seu sabor é uma mistura de ambos os legumes, mas mais acentuado e até adocicado. É um sabor único e extremamente agradável, podendo ser servido como entrada ou como acompanhamento de um prato de peixe.
Dadas as suas características, devem ser cozidas em água e sal e cortadas em fatias finas, no sentido longitudinal, temperando-se com sal e sumo de limão.
Em seguida, passam-se por um polme, feito com ovo e farinha, fritas em azeite ou óleo e servem-se.
 
 
Grelos à Pastor
 
 Os Grelos à Pastor fizeram parte da ementa daqueles que durante anos e anos se dedicaram quase exclusivamente à pastorícia, e que passavam muitos dias fora de casa. Então impunha-se que levassem com eles produtos de fácil transporte e confecção: os enchidos. Assim, juntaram-se os grelos de nabo, batatas, regados com um bom azeite, e estava preparada uma excelente refeição quente (grelos de nabo, chouriço, morcela, farinheiro, ovo, batata, sal e azeite).
 
 
Míscaros
 
 Durante o mês de Outubro é costume ir apanhar castanhas. Ao passarem pelas matas, as pessoas colhem os Míscaros, aproveitando–os para confeccionarem diversos pratos, como por exemplo o Ensopado de Míscaros de Trancoso.
 
 
Torresmos
 
Ainda hoje, em qualquer altura do ano, pode provar este prato.
Corta-se a carne de porco, ou da entremeada ou da pá, em quadrados. Adiciona-se vinho tinto, sal, alho, louro, colorau e piri-piri. Unta-se uma frigideira com azeite ou banha e deitam-se todos os ingredientes deixando fritar.
Os Torresmos servem-se frios.
 
 
ENTRADA DE ENCHIDOS
 
Morcela da Guarda
 
 Morcela de sangue é tradicional da cidade dos 5 "efes" (Guarda), e leva: sangria de porco; tripas grossas (intestino grosso) de porco; pão saloio assente; cominhos; sal; gorduras derretidas e salsa picada. A tripa é fechada e atada com um fio. Depois é submetida a uma leve cozedura.
Para confeccionar a Morcela deve dar-se-lhe uma cozedura e depois tostá-la. Deve ser acompanhada com batatas cozidas e grelos.
A Morcela só se faz durante a época de Inverno.
 
 
Morcela para Todo o Ano
 
São morcelas da zona raiana, a norte da Região. São compostas por sangue de porco; gordura; abóbora; salsa e sal. Depois de prontas, vão para o fumeiro e podem ser apreciadas ao longo de todo o ano.
 
 
Farinheiros
 
Mais um derivado da matança do porco. Confeccionam-se da seguinte forma: Miga-se o pão(assente); na água de cozer os ossos do porco amolece-se o pão; junta-se gordura derretida com colorau; mistura-se tudo. Lavam-se em água quente e de seguida vão para o fumeiro.
 
 
Farinheira com Míscaros
 
Especialidade outonal, este prato, rico e substancial é totalmente confeccionado com produtos da Região: farinheira, míscaros, alho, azeite, bacon, broa de milho, ovos e salsa.
 
 
Farinheira de Gouveia com Ovo
 
Este prato é composto por farinheira, das freguesias de Gouveia, frita e acompanhada com ovo estrelado, batatas fritas e arroz.
 
 
Farinheiros de Todo o Ano
 
 Este é um enchido típico da parte norte da região da raia. Os mesmos ingredientes que o farinheiro, apenas se acrescenta a abóbora e erva de anis
 
 
Migas de Farinheiro
 
No dia em que se faziam os enchidos, era dia de festa, para os criados da casa. Os ingredientes que sobravam dos enchidos que entregavam aos senhores eram todos misturados e faziam assim as Migas.
Este prato é confeccionado numa panela de ferro, contendo: sêmea com 4 dias, azeite, sal, colorau pimentão, ossos da espinha salgados, frango e coelho.
 
 
Prova de Chouriças
 
 Ingredientes das chouriças: pá de porco, alho, sal, vinho branco, pimento doce, água, colorau e limão.
 
 
Chouriças de Bofe
 
São feitas para aproveitar o bofe, coração, o bucho e carnes ensanguentadas da cabeça, espinhela e pescoço do porco.
Migam-se estas carnes, adicionando os condimentos das chouriças (sal; pimentão; água e vinho branco).
 
 
Bucho Recheado
 
O bucho é o estômago do porco que, depois de bem lavado em várias águas com limão, sal e vinagre, é trabalhado e preparado para cozinhar.
Este é típico da zona sul da Região e é recheado com: vinho branco, dentes de alho, salsa, carne de porco (cabeça de lombo), banha, cebolas, manteiga ou margarina, pão ralado, limão, ovos, pimenta em pó, grãos de pimenta, cravinho e sal.
 
 
Bucho
 
As grandes fogueiras vão temperando de sabores beirões os enchidos, como é o caso do bucho da parte norte da Região. Prato especial da época do Carnaval, composto por chispe, orelha, focinho, rabo, ossos tenros da parte do peito temperados com água, sal, alho, pimentão doce e pimentão picante. Serve-se cozido com batatas e grelos.
 
 
Maranhos ou Borlhões
 
Prato típico da zona sul desta Região de Turismo. Antigamente este prato era confeccionado apenas em dias festivos, hoje em dia confecciona-se durante todo o ano.
Miga-se a carne de cabrito, porco, chouriço caseiro e presunto. Depois junta-se o arroz. Tempera-se com sal, azeite, colorau e bastante serpão.
Após estar tudo misturado, introduz-se no saco do bucho, é cozido deixando apenas um pequeno orifício. De seguida, vai ao lume durante, pelo menos, 1 hora.
 
 
Serrabulho à Moda da Beira
 
Tipicamente beirão este prato é composto por: lombo, sangue cozido, fígado, unto (gorduras da barriga) de porco, pão de trigo, sal pimenta, alho, louro, cominhos, colorau e vinho tinto.
 
 
SOPAS
 
Pastel de Molho da Covilhã
 
Nos anos 20, os empregados fabris não tinham tempo para fazer sopa e então substituíram-na por estes pastéis, uma vez que despendiam muito menos tempo a confeccioná-los, aguentando durante várias semanas, o que não sucede com a sopa. O Pastel de Molho era e continua a ser servido com molho de açafrão. Prepara-se da seguinte forma: põe-se água a ferver com sal, vinagre, açafrão e um ramo de salsa; coloca-se o Pastel num prato, deitando a calda por cima, tapa-se com outro prato e aguarda-se um pouco (para "abrir"); o Pastel de Molho "abre", fortalecendo a refeição. O Pastel é composto por uma massa de margarina ou banha de porco, sal, farinha e recheado com carne picada guisada (cebola, louro e sal).
Para além de poder ser servido com molho de açafrão ou chá preto, pode ainda ser comido apenas como Pastel.
Este Pastel seco é feito com massa folhada cortada em tirinhas, que se enrolam em forma de espiral, dobrando uma das pontas do pastel para rechear com carne de vaca refogada.
Para provar este delicioso Pastel terá que se deslocar à cidade da Covilhã, uma vez que só aqui é confeccionado.
 
  
Caldo de Grão à Moda da Guarda
 
Prato forte e apetitoso, o tradicional Caldo de Grão que é comido na noite de S. João.
É composto por grão de bico, carnes (pé de porco, barriga e orelha de porco); louro; cebola; azeite; alho; noz moscada; presunto; molho de soja e massas.
 
 
Sopa da Beira
 
Este prato regional é confeccionado à base de tudo o que o homem destas paragens produzia. Terra de fracos recursos, cercada de montanha, onde tudo tardava em chegar, as gentes destas terras comiam o que produziam. Assim, nada melhor que uma substancial Sopa de feijão e couves com os seguintes ingredientes: batata; feijão vermelho; cenoura; cebola; couve lombarda; azeite e sal.
 
 
Caldo Verde com Bagudos
 
 Sendo o caldo verde uma das sopas mais apreciadas em todo o país, esta é uma variante em que o feijão bagudo (feijão ainda verde) lhe confere um paladar particular.
 
 
Sopa da Beira Baixa
 
 Feita nas aldeias mais escondidas da Beira Baixa, na lareira, numa panela de ferro, em pleno Inverno, enquanto se faziam as brasas para se aquecerem ( repolho; feijão encarnado; azeite; fatias de pão centeio; ovos; batata).
 
PEIXES
 
Trutas à Moda de Manteigas
 
As Trutas à Moda de Manteigas surgiram quando os pastores desta Região apanhavam, nas águas do Rio Zêzere, belíssimas trutas, preparando-as de seguida, enquanto guardavam o seu rebanho.
Para preparar este prato, são necessários os seguintes ingredientes: trutas; leite; manteiga; salsa; farinha; sal e pimenta.
 
 
Trutas Recheadas com Presunto
 
A truta é limpa com sal, aberta ao meio e recheada com uma fatia de presunto da Região. Depois é grelhada, levando um molho de sumo de limão, manteiga e salsa picada.
 
Peixe do Rio
 
Nas margens do rio Alva era hábito as pessoas irem até à ponte das três entradas e, nos caminhos velhos que nos levam até às margens do rio, pescar peixinhos do rio. Assim sendo, nasceu esta tradição na Região. O peixe que se encontra nos seus rios é a truta e o peixinho do rio. Estes são muito saborosos, cozinhados com óleo, vinagre, cebola, alho, louro e colorau.
 
 
Bacalhau à Lagareiro
 
Nos lagares de azeite dos nossos antepassados, onde se moíam as azeitonas para fazer o azeite, fazia-se a prova do mesmo nos moinhos movidos a água dos rios. Para provarem o azeite, assavam as batatas e o bacalhau no borralho do lume (postas de bacalhau demolhado, batatas miúdas a murro, azeite, cebola cortada às meias luas, dentes de alho, azeitonas e ovo cozido). Assim nasceu este famoso prato de bacalhau.
 
 
Bacalhau com Broa
 
Ligando o bacalhau aos produtos da Região, nasceu a tão apreciada combinação do bacalhau com a broa.
Na sua confecção utiliza-se posta de bacalhau demolhado, miolo de broa, cebola grande, dentes de alho, azeite virgem, pimenta e sal.
 
 
Bacalhau à Conde da Guarda
 
Segundo consta, foi alguém que pretendeu dar prestigio à criação desta receita e decidiu apelidá-lo de Conde da Guarda, pois criava uma certa curiosidade em relação a este nome (bacalhau; manteiga ou margarina; batatas; cebolas; dentes de alho; natas; queijo ralado; sal e pimenta).
 
 
Bacalhau à Assis
 
Esta receita foi criada há alguns anos pelo dono de uma pensão, que, surpreendido, na Serra da Estrela, por um nevão, teve que disponibilizar os últimos alimentos que lhe restavam, para saciar os hóspedes: bacalhau; batata; cenouras; cebola; azeite; presunto; pimento morrone; ovos; salsa e óleo.
 
 
Migas de Grão de Alpedrinha
 
 Prato típico de Alpedrinha, confeccionado com azeite da sua terra, grão, bacalhau e cebola.
 
 
Tiborna
 
Tiborna significa azeite novo, o que implica que só se pode comer durante a apanha da azeitona, ou seja, quando o azeite é novo. Coincidindo com a época natalícia, este é o prato típico da ceia de Natal (couve de corte; bacalhau; batata cozida e azeite novo). Fora desta época já não há azeite novo nem couve de corte. Então, deixa de ter a designação de Tiborna, passando apenas a ser bacalhau com todos.
Este prato é típico da zona de Oliveira do Hospital.
 
 
CARNES
 
Panela no Forno
 
Este é um prato típico da Covilhã, só nesta região se pode apreciar este manjar. A Panela no Forno é um prato muito ligado à cozinha operária (a Covilhã foi sempre uma cidade ligada aos lanifícios), que por uma questão de economia, teve a tendência de aproveitar as partes pobres do porco. O resultado foi a criação de um prato extremamente, apaladado em que os sabores vêm da diversidade das várias carnes e ervas.
É composto pelos seguintes ingredientes: dobrada, carnes de porco (pé de porco, orelheira e toucinho entremeado), ervas aromáticas, serpão, hortelã, tomilho, louro, salsa, chouriços, farinheiras e morcelas.
 
 
Cabrito na Telha
 
A telha, dita "caleira", era utilizada como travessa pelos mais pobres e servia, ao mesmo tempo, para conservar o tempero do preparado do cabrito de leite confeccionado com azeite, vinagre, sal, salsa e picante.
 
 
Feijoada de Cabritinho com Grelos
 
Este prato é uma criação da Sr.ª D. Maria João ferreira Pinto. Recorreu aos produtos da Região e criou este delicioso prato.São necessários os seguintes ingredientes: cabrito pequeno, feijão vermelho, azeite, alhos, cebola, tomate concentrado, louro, tomilho, sal e vinho tinto.
 
 
Cabrito em Brasa de Azinho
 
Das boas pastagens da Beira Alta, o cabrito apenas com sal e com um corte especial é assado em lenha de azinho, que é o segredo do seu paladar tenro e suculento.
 
 
Cabrito à Serrana
 
Um dos mais típicos pratos da Serra da Estrela, este é o famoso Cabrito Assado no Forno. O que faz a diferença é de ser o Cabrito da Serra da Estrela que, como é sabido, é o cabrito mais saboroso do País, devido aos pastos de que dispõe.
Cabrito, cebolas, sal, azeite, pimenta, uma pitada de noz moscada, vinho tinto.
 
 
Caldeirada de Cabrito
 
Este é mais um dos tão apreciados pratos de cabrito. É composto por camadas alternadas de batata, cabrito, tomate, pimento vermelho e cebola.
Ingredientes: cabrito, batata, pimento, cebola, azeite, tomate pelado salsa, vinho branco, outra bebida para dar sabor, alho, piri-piri e sal.
 
 
Feijoca à Senhora do Monte
 
A feijoca é cultivada nesta Região e é um prato muito forte e de grande alimento, próprio para combater o frio.
Feijocas; chispe de porco; orelha de porco; entrecosto; cebola; tomate; cenoura; dentes de alho; chouriço de carne; dobrada; morcela; azeite; sal e piri-piri.
 
 
Grão de Bico à Moda da Arrifana
 
Um bom regenerador de forças, o Grão de Bico é confeccionado com carne de porco e vitela, enchidos da Região, salpicados de laranja e acompanhado com arroz.
 
 
Arroz de Carqueja
 
Trata-se de um prato muito antigo da Gastronomia da Serra da Estrela e que nos últimos anos tem sido objecto de um grande relançamento. É evidente que a Carqueja é o ingrediente mais forte para o sabor deste prato.
Ingredientes: Entrecosto cortado fino, cebolas, dentes de alho, sal, pimenta, vinho tinto e branco, arroz agulha, azeite e água de carqueja.
 
 
Chispe à Moda de Trancoso
 
Prato muito apreciado na zona de Trancoso. Da carne de porco surge este prato de chispe com ovos, azeite, sal e alho.
 
 
Febras à Moda da Feira
 
Prato tradicional confeccionado na Região em dias de festa ou feira. Ingredientes: febra, batata, pimentão, azeite, sal, alho, vinho tinto.
 
 
PRATOS DE CAÇA

 
Javali à Caçador
 
António Cleópatra, quando andava pelas suas propriedades, viu um caçador com um javali na carroça, e logo perguntou se o queria vender. De seguida convidou o caçador a cozinhar o javali para uma festa que ele ia dar na sua propriedade.
O nome que António Cleópatra deu àquele cozinhado perante os seus convidados foi "javali à caçador".
Foram utilizados os seguintes ingredientes: javali, vinho branco, concentrado de tomate, cogumelos, folhas de louro, estragão picado, cebolas picadas, chouriço de carne às rodelas, brandy, gotas de vinagre, cerveja preta, sal e pimenta.
 
Javali com Feijão
 
Este é mais um prato suculento e consistente da Região da Serra da Estrela.
Ingredientes: javali, feijão, cebola, azeite, sal, pimento, noz moscada, colorau e cerveja preta.
 
 
Coelho Grelhado com Alecrim e Carqueja
 
E o coelho, de repente, escondeu-se debaixo da carqueja, na altura das sementeiras; foi, então, rodeado pelos cavadores, que depressa chamaram o ganhão (pessoa que ia à frente do gado durante o lavrar da terra). Sem um tiro nem uma paulada, o coelho depressa passou para a fogueira juntando-se à carqueja e adicionando alecrim e outras ervas.
Ingredientes: coelho, carqueja, dentes de alho, folhas de louro, azeite, sal, pimenta e alecrim.
 
 
Coelho Estufado com Ameixa
 
 
Confeccionado com ameixa, cebola, azeite, batata e vinho fino, o coelho, em época de Natal, é substituído por por peru.
 
 
Arroz de Lebre Malandrinho
 
O facto de a caça ser uma tradição nesta Região, faz com que se dêem asas à imaginação, e surjam aqui diversos pratos com base nos animais caçados.
O Arroz de Lebre Malandrinho é um dos mais apreciados.
Ingredientes: lebre, arroz, azeite, tomate, cebola, louro, alho, cenoura, piri-piri, salsa e sal.
 
 
Perdiz de Escabeche de Alpedrinha
 
Mais um dos variadíssimos e saborosos pratos de caça. Composto por: perdiz, vinagre, azeite, sal e alho.
 
 
Sobremesas
 
Gargantas de Freira
 
 
Francisco Muñoz Gomes (Paco), um espanhol que vivia em Lisboa, ao ir viver para a Covilhã, abriu a “Confeitaria Lisbonense”, no início deste século. Então criou este doce, dizendo que era uma receita proveniente de um convento e daí o nome “Gargantas de Freira”. Este leva fios de ovos enrolados em capa de hóstia.
 
Rapsódia
 
Rapsódia foi criada por SRª D. Isabel Varão e é composta por 4 sobremesas da Região: doce de abóbora, requeijão, arroz doce e leite-creme. Para provar esta iguaria terá que se deslocar a Gouveia.
 
 
Tigelada
 
 
Na tentativa de aproveitar os ovos das galinhas, na região de Oliveira do Hospital criaram-se várias sobremesas, das quais se destaca a tão apreciada Tigelada. Esta surgiu da junção de ovos com leite, farinha maizena, açúcar e canela em pó. Esta é mais uma deliciosa sobremesa beirã.
 
 
Cavacas de Pinhel
 
Nasceram das cozinhas dos velhos Conventos de Portugal as melhores iguarias da mesa Portuguesa.
Do Convento de Santa Clara de Pinhel nasceram as saborosas Cavacas, que, criadas há centenas de anos, ainda hoje são delícia a apreciar.
Cantaram-nas os poetas e os músicos nas suas composições, e em 1939, constituíram um “Quadro de Revista” que nunca mais se esquece.
A sua receita contém: ovos, farinha, óleo de girassol e baunilha.
 
 
Bolo de Azeite
 
 
É uma tradição do dia de Todos os Santos e na época da Páscoa os padrinhos de batismo oferecem, ainda hoje, aos afilhados este Bolo composto por azeite, ovos, farinha e sal.
 
 
Biscoitos
 
 
Estes biscoitos são uma tradição na Covilhã, Fundão e na Guarda, onde são conhecidos por “Cristas”.
Habitualmente este Bolo, pouco doce, acompanha a hora da tomada do chá.
 
 
Talassas
 
 
Típicas da Covilhã, as Talassas contam com os seguintes ingredientes: farinha, ovos, açúcar e manteiga.
 
 
Sardinhas Doces de Trancoso
 
 
As irmãs do Convento de Santa Clara, em Trancoso, eram detentoras de autênticas especialidades a nível de doçaria. Como as morcelinhas de amêndoa, o folar da Páscoa, o bolo doce que acompanhava o queijo de ovelha amanteigado, as cavacas e a bola de folhas.
Para além destes doces o mais famoso é sem dúvida as tradicionais Sardinhas Doces de Trancoso, sem escamas nem espinhas e com tripinhas de amêndoa.
O Convento de Santa Clara iniciou-se com 4 irmãs e estas, para poderem sobreviver, começaram a fabricar os doces acima mencionados.
Após a morte das outras irmãs, Maria da Luz, conhecedora da receita das Sardinhas Doces de Trancoso, recusou-se a divulgar o segredo da receita. Porém, alguém pertencente ao convento, após a morte da irmã, revelou o segredo.
Ingredientes: farinha de trigo; azeite; ovo; sal fino; água para a massa. No Recheio: açúcar; gemas batidas; miolo de amêndoa e água. Na cobertura: tablete de chocolate; açúcar amarelo e margarina.
 
 
Requeijão à Moda da D. Rosalina
 
Há mais de 50 anos que a Srª. D. Rosalina Camelo teve a brilhante ideia de fazer acompanhar o requeijão fresco com doce de abóbora salpicado de amêndoa triturada. Esta sobremesa é já hoje considerada um ex-libris da Região.
 
 
Pudim de Requeijão de Trancoso
 
 
Também esta sobremesa faz parte da tradicional doçaria de Trancoso contendo os seguintes ingredientes: açúcar; requeijão; farinha; gemas de ovos; claras; licor de amêndoa e raspa de limão.
 
 
Doce de Requeijão com Amêndoa
 
 
Em Trancoso fabrica-se o queijo de ovelha, daí ser utilizado nas sobremesas. Em relação às amêndoas, elas vêm da Meda ou Vila Nova de Foz Côa (açúcar; gemas de ovos; água; requeijão e miolo de amêndoa).
 
 
Queijadinhas Serranas
 
 
Como em toda a Região da Serra da Estrela havia doces típicos alusivos a ela, o Sr. Francisco, proprietário de uma pastelaria, na Covilhã, decidiu, também ele, criar um doce com requeijão e daí nasceram estas afamadas Queijadinhas Serranas feitas à base de farinha, ovos, açúcar e requeijão).
 
 
Filhós
 
 
É uma tradição da época de Natal. Em toda a boa mesa desta região, devem constar filhoses feitas à base de uma massa composta por farinha, ovos, azeite para fritar, fermento, azeite e um cálice de aguardente. De referir que se deve amassar a massa nos joelhos. Depois de bem amassadas e esticadas, fritam-se em azeite.
 
 
Rabanadas da Beira
 
 
As Rabanadas fazem, também, parte da tradição de Natal. Levam leite de cabra, farinha de trigo sem fermento, ovos, sal e pão de trigo (Sêmea); depois de fritas em azeite virgem, são pulverizadas com açúcar e canela.
 
 
Lampreia de Ovos
 
 
Sobremesa tradicional nas duas épocas festivas, Natal e Páscoa. Tanto pode ter o formato de uma lampreia, como de uma galinha com pintainhos. Ingredientes; fios de ovos.
 
 
Órgão
 
 
Mais uma deliciosa sobremesa da cidade da Covilhã. Ingredientes: ovos, farinha, açúcar, manteiga, aguardente, sal e azeite (para a massa); açúcar, amêndoa, gemas e fios de ovos (para o recheio e ornamentação).
 
 
Massapães
 
 
Tradicionais da Covilhã, os Massapães são compostos por: açúcar, amêndoa, clara de ovo e hóstia.
 
 
Papas de Carola
 
 
Sobremesa muito popular, na época de Inverno, na Covilhã e na Guarda, é confeccionada à base de milho, finamente moído, amarelo ou branco e que tanto pode ser servida quente como fria. Ingredientes: milho moído; leite; água; açúcar; sal e canela.
 
 
Arroz Doce
 
 
O tão conhecido e tradicional doce é feito em pequenas porções com ovos caseiros, açúcar, arroz e leite com casca de laranja. É enfeitado com canela em pó, em desenho gradeado.
 
 
Leite Creme
 
 
Esta sobremesa simples e saborosa é composta por ovos caseiros, açúcar, farinha e leite fresco. É queimado, na hora, com ferro em brasa, aquecido nas brasas das lareiras.
 
 
Casamento Feliz
 
 
Sobremesa tradicional das aldeias do concelho de Seia, servido em dias de festas, “casamentos”, é realmente feliz esta ligação do arroz doce confeccionado sem ovos e coberto depois com leite-creme queimado.
 
 
Gastronomia Judaica
 
Comida Kasher
 
 
Na vila de Belmonte, que integra a Região de Turismo da Serra da Estrela, existe a última comunidade peninsular de origem Cripto-Judaica a sobreviver enquanto tal.
Os costumes dos judeus na gastronomia assentam no facto de não comerem carne de porco, coelho e peixe sem escamas.
Antes de comerem os animais, existe todo um processo que se baseia no facto de o animal ter de ser morto e vistoriado pelo Rabino que acompanha todo o processo. Deste modo, ao animal, depois de morto, são-lhe retiradas todas as gorduras e os veios. Depois é desmanchado e colocado em água e sal durante um período nunca inferior a meia hora para que, deste modo, saia todo o sangue. De seguida, a carne é guardada, encontrando-se pronta para ser comida.
Todos os alimentos consumidos pelos judeus são vistoriados pelo Rabino (vinho, sumos, bolachas, tudo). Todo este processo é designado por Kasher (puro).
Uma outra tradição é o facto de cada utensílio da cozinha ter só uma função, isto é, a faca de cortar a carne ou a panela do leite não podem servir para outros serviços.
 
publicado por Paulo Jesus às 16:20

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