Projectado pelo arquitecto Cottinelli Telmo nos anos 20, e mandado construir pelos Caminhos de Ferro, este sanatório fica situado em Porta dos Hermínios nas Penhas da Saúde junto à cidade da Covilhã, a 950 metros de altitude. O seu objectivo foi o tratamento de tuberculose dos seus funcionários. Estes podiam beneficiar da localização em sitio calmo e dos ares da Serra, fazendo parte da rede de 11 sanatórios, existentes no inicio do século XX.
Demorou 8 anos a ser construído (1928-1936) e permaneceu fechado durante outros tantos anos, devido a circunstâncias diversas e estranhas à CP. Depois viria a ser arrendado à Sociedade Portuguesa de Sanatórios, com a condição de receber todos os doentes necessitados de tratamento de altitude, tendo cinquenta camas à disposição da Assistência Nacional aos Tuberculosos.
Este bonito edifício, se estivesse situado nos Alpes, decerto não teria acabado como as últimas fotos mostram.
O edifício acolheu, ao longo de mais de 40 anos, muitos milhares de tuberculosos, provenientes de todo o país, que procuravam recuperar da tuberculose nos bons ares da Serra da Estrela.
Apesar de acolher doentes de todas as classes sociais, os doentes menos favorecidos não tinham acesso a todas as alas, algumas destinadas apenas às classes altas, que ali encontravam todo o conforto que o dinheiro podia comprar.
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Oito anos após a cedência, o edifício passou para as mãos do Estado, "tomando conta dele", o Instituto de Assistência Nacional de Tuberculose (IANT), passando também a partir de 1953, a ser internados doentes pobres.
O recurso à quimioterapia anti-tuberculose, levou ao encerramento dos sanatórios afastados dos centros urbanos e pouco rentáveis.
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Em Junho de 1969, por ordem do Ministério de Saúde e Assistência seria dada ordem de encerramento. O seu último director Dr. Carlos Coelho, licenciado em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, acabou por ser o último testemunho do encerramento do Sanatório.
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Depois do encerramento do edifício como Sanatório, este continuou a ser preservado por um casal, dois funcionários que aí permaneceram para o manter habitável. Enquanto esses dois funcionários, o Sr. José Francisco Amorim e Sra. D. Lurdes Amorim aí se mantiveram como funcionários do Estado, o referido espaço manteve todo o seu esplendor e todas as condições de habitabilidade até à altura em que foi utilizado para prestar acolhimento a cerca de 700 pessoas “retornadas”, por motivo da independência das antigas colónias portuguesas.
Após a estadia temporária dessas pessoas, que entretanto procuraram refazer a vida e foram abandonado definitivamente o Sanatório que lhes serviu de abrigo temporário, notou-se muita degradação. Mesmo assim, o Sanatório manteve-se funcional e preservado até ao momento em que estes dois funcionários abandonaram definitivamente o Sanatório quando chegou a idade da sua aposentação.
No final dos anos 80, quando já se encontrava praticamente abandonado e seriamente degradado passou para as "mãos" da Turistrela.
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No ano de 1998 o Sanatório chegou a ser vendido à ENATUR (empresa das Pousadas de Portugal) pelo preço simbólico de 1 escudo. Em contrapartida a ENATUR comprometia-se a instalar ali uma Pousada de Portugal, cujo projecto chegou a ser elaborado pelo arquitecto Souto Moura o qual previa um investimento na ordem dos 10 milhões de euros. Entretanto a ENATUR foi entregue ao Grupo Pestana, e o projecto foi abandonado, tendo em 2004 cessado o contracto. Assim a titularidade do sanatório regressou às mãos da Turistrela.
Continua por decidir o destino a dar a este edifício …
Pousada Serra da Estrela
Depois de uma longa batalha o sonho concretiza-se
Foi preciso esperar nove anos para fazer concretizar a obra de transformação da ruína do edifício do Sanatório em nova Pousada da Serra da Estrela. A Entidade Regional de Turismo da Serra da Estrela fez disponibilizar os meios para o pagamento do projecto na condição de propor o arquitecto Souto Moura.
Agora, também nos sentimos orgulhosos; a Serra da Estrela inaugurará em menos de 16 meses a mais recente obra do vencedor do Prémio Pritzker.
Valeu a pena lutar pela concretização da obra (desde há 7 anos sozinhos).
Parabéns Eduardo Souto Moura.
In jornal local “já agora”
A FÁBRICA ALÇADA
Foram várias as unidades industriais que, a partir de meados do séc. XIX, foram fundadas por membros da família Alçada. Contudo, só uma delas ficou designada de “Fábrica Alçada” apesar de ter sido fundada, em 1840, por Manuel Nunes Mouzaco e se encontrar adjacente a uma outra, fundada por João Mendes Alçada. Trata-se de duas pré-existências, nas margens da ribeira da Carpinteira, que, em 1840, foram adquiridas por estes dois empresários covilhanenses, vindo as mesmas a desenvolver-se paralelamente. Em 1864, eram já duas fábricas completas.
Após o falecimento de João Mendes Alçada, em 1875, na partilha dos bens, a sua empresa coube, entre outros, a Manuel Mendes Alçada, vindo a dar origem à “Manuel Mendes Alçada & Filhos”, fundada em 1902 e que, em 1946, veio a ser adquiridas pela firma “Alçada & Rosa, Lda.”.
Entretanto, a empresa de Manuel Nunes Mouzaco passou a “Mouzaco & Cª.”, tendo diversificado os seus empreendimentos, a partir de 1859, através de uma nova firma, localizada no Prazo, a “Manuel Telles Feio & Manuel Nunes Mouzaco”.
Foi na sequência do casamento de João Mendes Alçada de Paiva com a filha de Manuel Nunes Mouzaco, D. Ritta do Sacramento Mouzaco Alçada, que a “Fábrica Alçada”, designada, a partir de 1878, de “Alçada & Mouzaco”, veio a registar um assinalável desenvolvimento. Em 1888, fez a sua primeira apresentação pública na Exposição da Avenida tendo, no ano seguinte, sido distinguida com a medalha de Prata na Exposição Mundial de Paris. Em 1889, alterou a sua denominação para “Alçada & Filho”, vendo a ser uma das quatro fábricas da Covilhã visitadas pela comitiva real, em 6 de Setembro de 1891, no âmbito da inauguração do troço de caminho-de-ferro. Dispunha já então de 234 trabalhadores.
Em 1904, inaugurou a montagem de uma nova cardação e fiação, que constituiu a primeira instalação completa de estambre do nosso país. No mesmo ano, na Exposição Universal de St. Louis, foi distinguida com a medalha de Ouro, na secção de tecidos de lã.
Em 1908, passou a designar-se “Alçada & Filho, Sucessor, fábrica de penteação de lãs, fios de estambre e cardados e ultimação de fazendas”, tendo-se mantido em actividade até 1964. Todavia, em 1919/20, fundou a “Alçada & Cª”, de que passou a ser sócia, juntamente com a firma “Copeiro & Donas”, o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada e o Dr. Manuel Anaquim, vindo a deter, em 1923 50% do capital da mesma. Nesta data, foi efectuado o pedido de licenciamento, para a instalação da fábrica de lanifícios da firma “Alçada & Filho, Sucrs.”.
Em Outubro de 1935, foi instalada uma nova lavadeira para lã penteada, fabricada pela “Fundição do Campo do Rou, Ldaª. A empresa tinha então 320 trabalhadores e produzia, diariamente, 2.500 m de tecido ultimado. Destacava-se ainda pela acção filantrópica que os seus administradores desenvolviam junto do operariado ao serviço da empresa.
Na década de cinquenta, parte das instalações foram arrendadas á firma “António Joaquim Rodrigues”, que aqui laborou, com tecelagem própria, até 1961, seguido pela “Gomes & Cª.”.
Na sequência de um célebre litígio judicial dirimido em 1947, entre os herdeiros de D. Rita do Sacramento Mouzaco Alçada, sobre a posse da propriedade da firma e do estabelecimento fabril, passaram a ser reconhecidos como proprietários da mesma o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada e as suas irmãs, D. Maria Carolina Mouzaco Alçada da Costa Arnaut e D. Maria Beatriz Alçada Guimarães.
Em 8 de Dezembro de 1957, a firma “Alçada & Filho, Sucessor” sofreu um violento incêndio, que destruiu a penteação, parte da preparação e grande número de fiações, tendo, em 1959, requerido a reconstrução e ampliação dos edifícios fabris afectados e renovado o equipamento. A empresa foi ainda sócia da “Tinturaria Alçada” e da “Ernesto Cruz & Cª”. Em 1961, tinha a laborar mais de 500 trabalhadores. Em 1964, o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada tornou-se o único proprietário da empresa, que passou a designar-se de “Aníbal Mouzaco Alçada” ou Fábrica Alçada”. Conferiu então plenos poderes para a gerir a José Cruz Alves da Silva e ao Dr. José de Albuquerque de Almeida Ribeiro, tendo a mesma vindo a cessar a sua actividade em 1967-1968. A partir de então estabeleceu-se, em parte das instalações, a firma EMPREX.
O complexo fabril que compreendia seis edifícios de produção, uma quinta e três casas de habitação foi alvo de várias intervenções, ao longo do tempo, quer na sequência dos incêndios sofridos quer para ampliação das suas áreas produtivas, vindo a desenvolver-se em catorze corpos, ocupando uma área coberta de 14.650 m2.
Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã
A FÁBRICA CAMPOS MELO
Foi a sede de um grupo empresarial que marcou profundamente a história dos lanifícios tanto a nível local e regional, como nacional. Também conhecida por Fábrica Velha, deve esta designação ao facto de se encontrar instalada num dos mais significativos espaços arqueológico-industriais covilhanenses, nas margens da Ribeira da Carpinteira. Trata-se do local onde, em 1677, sob intervenção do Conde da Ericeira, se instalou a Fábrica Nacional de Sarjas e Baetas, que, em 1780, viria a ser ocupada pela Tinturaria de José Henriques de Castro e, posteriormente, dos seus herdeiros. A partir de 1845, os irmãos José Maria da Silva Campos Mello, Comendador (1808-1866) e Francisco Joaquim da Silva Campos Mello, 1º Visconde da Coriscada (1824-1876), hábeis comerciantes, instalaram a empresa que possuíam, desde 1835, na Rua Direita e um engenho, no Sítio da Califórnia (Engelho dos Mello), fundado em 1844 e explorado sob a designação comercial de “Gregório Nunes Geraldes & Sócios”, num edifício fabril destinado à cardação, fiação, apisoamento, tosa e percha, construído num terreno adquirido a André da Fonseca Corsino, próximo da Fábrica Velha. Em 1851, o mesmo foi pasto das chamas tendo, por este facto, adquirido as instalações da Fábrica Velha, então na posse de D. António Joaquina de Castro, que submeteram a uma reconstrução profunda, na origem do actual complexo.
Em 1864, encontravam-se já criadas as firmas “Mello Geraldes & Cª.”, com uma fábrica completa, na Ribeira da Carpinteira, e onde laboravam 244 trabalhadores e a “Campos Mello & Irmão”, especializada em acabamentos, com 57 trabalhadores. Esta última, em 1889, foi distinguida com a medalha de prata, na Exposição Internacional de Paris. Difundiram a empresa, a nível nacional, tendo criado casas filiais e depósitos em várias cidades, nomeadamente em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Santarém, dinamizadas pelos irmãos Campos Mello, enquanto que a direcção fabril se encontrava a cargo de Gregório Nunes Geraldes.
Em 1891, foi uma das quatro fábricas visitadas na Covilhã, pela comitiva real, a quando da inauguração do caminho-de-ferro. Em 1892, a firma é co-proprietária de um outro engenho, o do Sineirinho. A partir de então, passou também a produzir fardamentos para o exército.
Em 1908, de sociedade familiar, transformou-se em sociedade por quotas, de responsabilidade limitada, sendo transferida a sede da administração da empresa para Lisboa.
Em 1935, no decurso de uma grave crise que atravessou, foi sócia fundadora da “Nova Penteação e Fiação da Covilhã Lda.”, tendo, para realizar a sua quota, transferido para a nova sociedade os direitos sobre vários prédios rústicos e urbanos e uma mina, bem como a cedência de autorização para a instalação e exercício da indústria de penteação, fiação de lãs e fabrico de lanifícios, que lhes fora concedida por despacho ministerial de 1933. Este alvará e os terrenos vieram a ser adquiridos, em 1938, por aquela empresa à firma “Campos Mello & Irmão”.
Na década de 40 do séc. XX, um último esforço de modernização transformou-a numa empresa modelo, a nível nacional, datando deste período a aquisição, no âmbito do Plano Marshall, do mais moderno lavadouro de lãs do país, com capacidade para lavar 2.000 Kg de lã, por hora.
O espírito progressista e filantrópico dos fundadores e continuadores desta firma, evidenciou-se na criação e apoio a diversas instituições de beneficência covilhanenses, como a Biblioteca Heitor Pinto, a Associação da Infância Desvalida, a Misericórdia da Covilhã e, particularmente, a Escola Industrial Campos Melo. Marcaram a história económica, social, política e cultural da cidade e do país, como expoentes da modernidade e do progresso e de que é ainda hoje um digno representante o especialista têxtil e poeta, Ernesto Manuel de Melo e Castro (1932).
Uma plêiade de técnicos e de operários especializados, formada por esta empresa, alimentou a indústria local e nacional dinamizada pela frequente contratação, no estrangeiro, de quadros técnicos altamente qualificados, particularmente oriundos da Suíça, Bélgica e Espanha (Catalunha).
De tão importante empresa subsiste, actualmente, o complexo fabril e o contexto arqueológico onde o mesmo se insere e que através de uma necessária intervenção arqueológica, permitirá pôr a descoberto as estruturas remanescentes da primeira manufactura de estado, fundada na Covilhã, no séc. XVII. De significativa importância patrimonial será a preservação in situ do lavadouro mecânico ali instalado.
Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã
A REAL FÁBRICA VEIGA
Em 1784, José Mendes Veiga (1762-1817), um negociante de lãs e panos, cristão-novo, natural de Belmonte, fundou, nas imediações da Real Fábrica de Panos, junto à Ribeira da Goldra, uma manufactura de tinturaria e acabamento de tecidos, que veio, posteriormente, a ser conhecida como a “Real Fábrica Veiga”.
Em 1803, para além da tinturaria e da casa para tesouras e prensas, já possuía um engenho de cardar e fiar, uma casa de teares e 6 râmolas de sol.
Após a morte do fundador, a empresa passou a ser dirigida pela viúva, D. Rosa Jacinta de Carvalho Veiga, e pelos filhos (Rafael, José e Manuel), primeiro sob a designação de “Viúva Veiga & Filhos” (1817-1822) e, seguidamente, sob a de “José Mandes Veiga & Irmão” (1822-1829).
Defensores do ideário liberal e partidários de D. Pedro, os filhos de José Mendes Veiga, entre 1829 e 1834, tiveram que exilar-se, tendo então a fábrica ficado a ser dirigida pela mãe, sob a designação de “Viúva Veiga” (1829-1834).
No final da guerra civil, de regresso à Covilhã, José Mendes Veiga (filho) (1792-1872), assumiu a direcção da empresa. Logo em 1834, veio a estabelecer, no convento de S. Francisco, na Covilhã, por um curto período de tempo, um novo engenho de cardar e fiar, movido a energia a sangue (bois), que viria a ser pasto das chamas.
Na segunda metade do séc. XIX, apresentava-se já como uma empresa vertical, tendo-se convertido num dos mais importantes complexos empresariais da Covilhã e do país. Em 1864, o empresário veio a ser agraciado com a Comenda da Ordem de Cristo.
O estabelecimento beneficiou, ao longo do tempo, de alguns privilégios reais, nomeadamente a isenção de fiscalização pelos Juízes e Vedores dos Panos, bem como a utilização, em regime de exclusividade, de diversos métodos, técnicas e produtos, que lhe garantiram as mais competitivas vantagens de produção.
Em 1881, empregava 400 trabalhadores, tinha 2 rodas hidráulicas e uma máquina a vapor e consumia mais de 180.000 Kg de lã.
Em finais do séc. XIX, integrava 14 unidades fabris e algumas escolas de fiação e cardação, dispersas por diversas localidades da Beira Interior, localizando-se as mais importantes na Covilhã, em Unhais da Serra, Pêro Mouro e no Fundão. Esta situação contribuiu para ter sido uma das quatro fábricas covilhanenses escolhidas para ser visitadas, em 6 de Setembro de 1891, pelos reis D. Carlos e D. Amélia, aquando da inauguração da linha de caminho de ferra à Covilhã. À data, os monarcas ficaram alojados no palacete do Refúgio, habitado pelo sobrinho e herdeiro de José Mendes Veiga, o Comendador Marcelino José Ventura (1820-1891). Este, após a morte do tio, passara a dirigir o complexo, sob a designação, que se manteve até 1904, de “José Mendes Veiga & Sucrs.”.
Nos finais do séc. XIX, a fábrica passou a ser gerida pelo 1º Conde da Covilhã, Cândido Augusto de Albuquerque Calheiros (1840-1904), afilhado de Marcelino José Ventura, que nela iniciara a sua actividade industrial, tendo-a mantido até à sua morte.
Seguidamente, foram numerosas as firmas ocupantes deste imóvel, até ao seu desmantelamento, em finais do séc. XX. De entre elas destacam-se “António da Cruz Inácio”, “Ramiro e Fazendeiro, Lda.”, “António Maria das Neves & Irmão”, “João Lopes Bola, Sucrs”, “Fiandeira Têxtil da Covilhã, Lda.” e “Alberto Roseta & Irmãos, Lda.”.
Vicissitudes várias afectaram este complexo, de que se destaca, em 1895, o desmoronamento de diversas áreas, na sequência de um forte temporal, que provocou graves inundações na ribeira da Goldra e atingiu várias outras unidades fabris. De igual modo, nas duas primeiras décadas do séc. XX quatro grandes incêndios (em 1904, 1915, 1916 e 1919) atingiram o imóvel. Após as necessárias reconstruções, dois outros incêndios, ocorridos nos anos 60 e 90, conduziram à sua desactivação definitiva.
Em 1997, a Universidade da Beira Interior adquiriu o complexo com o objectivo de o transformar na sede do Museu de Lanifícios e nele instalar o Núcleo Museológico da Industrialização e o Centro de Documentação/Arquivo-Histórico dos Lanifícios. Após as cuidadas obras de remodelação, nele encontra-se preservada uma área arqueológica, bem como uma valiosa colecção de máquinas, equipamentos e documentos que constituem os verdadeiros alicerces da história dos lanifícios da Covilhã, da Beira Interior e do próprio país.
Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã
MONUMENTO AOS SOLDADOS MORTOS NA GRANDE GUERRA
O monumento aos mortos da Grande Guerra nasce de um movimento juvenil criado na cidade por iniciativa do jornal “O Raio”.
Para a sua construção constituiu-se uma primeira comissão integrada por Júlio Carneiro, António Lopes Paes, José Cruz Alves da Silva, Alberto Fazenda, Manuel Gonçalves, José Cavaca Júnior e João Oliveira.
O lançamento da primeira pedra inseriu-se num programa mais vasto de homenagens ao regimento de Infantaria 21, que teve lugar em Março de 1925, do qual sobressaiu a imposição da Cruz de Guerra como resultado do raid de 9 de Março de 1918 levado a cabo pela 1ª companhia capitaneada por Ribeiro de Carvalho e onde se distinguiu heroicamente o alferes Gonzaga. Mas contrariando o entusiasmo de 1925 aquando do lançamento da primeira pedra, na praça de S. Pedro, na Covilhã, as obras não se iniciaram nos tempos seguintes. Na imprensa local surgiam com frequência críticas ao sucedido. Passado um ano os trabalhos eram retomados, a presidência honorária da Comissão foi entregue ao bispo de Beja e para angariar novos donativos foi criada uma comissão de honra constituída por mulheres covilhanenses.
A comissão possuía em Novembro de 1926 3.000 escudos provenientes da campanha levada a cabo pelo jornal “O Raio” e a promessa de 1.000 escudos por parte da Câmara Municipal.
Em Janeiro de 1927, tinha sido já possível contratar os trabalhos do escultor Francisco Santos para a elaboração de uma estátua que constaria no monumento.
Durante o ano de 1928, realizaram-se novas iniciativas para angariar fundos. Um sarau cultural no Teatro Covilhanense, onde participou a conhecida recitadora Maria de Lourdes, ou um espectáculo de circo da companhia Ivanov permitiram um novo fôlego para a causa ao atingir verbas num montante de 14.000$00.
Em 15 de Junho de 1930 foi finalmente inaugurado o monumento. O General Carmona descerrava a figura de um soldado que, no largo 5 de Outubro, se encontrava envolvido pela bandeira nacional. Na cerimónia da inauguração estiveram ainda presentes o Ministro da Guerra, o Ministro do Interior, pela direcção da Liga dos Combatentes, Eduardo de Faria e pela Câmara Municipal o seu presidente Almeida Eusébio e os representantes locais das várias instituições militares e civis.
Em 1999 por iniciativa da Liga dos Combatentes, é integrado no monumento um acrescento para homenagear os soldados mortos na guerra colonial. Esta última parte do monumento foi inaugurada em 23 de Outubro de 1999.
Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã
IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
Construída sobre o templo medieval de São Tiago, a igreja do Sagrado Coração de Jesus foi a primeira a ser construída na Covilhã depois da sua elevação à categoria de cidade. Também a igreja de São Tiago havia sido um dos primeiros templos a ser erguidos na Covilhã. Desta antiga construção apenas nos chegaram escassas descrições do seu interior, nomeadamente, da existência de três altares onde entre várias imagens se destacavam duas de São Tiago, uma combatendo os mouros, outra envergando os trajes de romeiro. Em 1192, foi doada ao mosteiro de S. Jorge de Coimbra, tendo-lhe sido confirmada, em 19 de Fevereiro de 1221, pelo Papa Honório III através da bula Sacrosanta Romana Ecclesia.
Com a extinção da freguesia de São Tiago, a igreja foi perdendo prestígio, apesar da reedificação empreendida, no século XVIII, pelo Prior Manuel dos Santos de Bastos. Em 1875, é adquirida pelos Jesuítas, representados pelo Padre Nicolau Rodrigues. Nos dois anos que se seguem, realizam-se as obras de reedificação. Em 1877, no dia de Natal segundo alguns autores, ou no Sábado de Aleluia segundo outros, é aberta de novo ao culto, mas o seu orago é, agora o Sagrado Coração de Jesus.
A igreja apresentava uma traça austera, a fachada principal era composta por um portal em arco de volta perfeita, encimado por um grande janelão, na empena de linhas curvas foi colocado um nicho com uma imagem.
Com a instituição da república em 1910, e com o novo afastamento dos Jesuítas, o edifício foi utilizado como armazém, cavalariça e celeiro.
Alguns anos depois, foi ali instalado o tribunal da comarca. O corpo da igreja e a capela-mor foram convertidos em sala de audiências. Particularmente interessante foi a transformação da fachada principal, onde se aplicou um estilo neoclássico. No lugar do janelão, abriram-se três portais com frontões triangulares que davam para uma varanda com balaustrada. Fizeram-se duas novas entradas ladeando o antigo portal, o nicho foi tapado e no seu lugar colocou-se um azulejo com uma representação da justiça, a cruz foi substituída pelas armas da república. Em 1942, um incêndio destrói este edifício, deixando-o em ruínas.
Em 1948 o edifício foi de novo adquirido pelos Jesuítas e procedeu-se a uma nova reedificação.
O actual templo, de tipologia modernista, deve o seu traço a Teotónio Pereira. É uma igreja de linhas simples e com escassa decoração, destacando-se a existência de grupos escultóricos, na fachada, da autoria de Joaquim Correia. Estes conjuntos escultóricos representam o orago da igreja, o Sagrado Coração de Jesus, e os dois mártires jesuítas da cidade, o Beato Francisco Álvares e o Padre António de Sousa. Interiormente destaca-se a pintura do orago, inserido na mandorla, invocando as representações medievais da figura de Cristo, da autoria de Martins Barata.
A 10 de Fevereiro de 1952 a nova igreja é aberta ao culto e a partir de 1969 torna-se matriz da paróquia.
Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã
CORREIOS
No século XVIII, após o terramoto, o correio chegava à Covilhã todos os sábados durante o Verão e aos domingos durante o Inverno. Estafetas levavam o correio para o Fundão e Castelo Branco às sextas-feiras e para a Guarda às segundas-feiras.
Na segunda metade do século XIX os serviços de correio e telégrafo, este último instalado em 1860, são transferidos para um novo edifício que mais tarde serviria de sede provisória à Câmara Municipal e em 1958 era transformado em sede da esquadra da P.S.P.
A transferência dos serviços para o novo edifício ficou-se a dever ao grande fluxo de correio que então se verificava. No final do século XIX, recebiam-se e expediam-se anualmente mais de cem mil bilhetes-postais, mais de 40.000 amostras e cerca de 6.000 encomendas. Igualmente digno de interesse é o número de jornais expedidos que atingia os 40.000 exemplares, mais do que aqueles que eram recebidos.
Já durante o Estado-Novo foi dispensada, por parte da tutela, uma atenção especial às estações de correio, elaborando-se projectos-tipo para a sua construção em detrimento das anteriores cedências e arrendamentos.
Na Covilhã é com a reorganização da Praça do Pelourinho, cujo plano se deve ao arquitecto João António de Aguiar, que se projecta o novo edifício dos correios. É então escolhido o projecto-tipo nº 3 elaborado por Adelino Alves Nunes, sendo em 1946 reavaliado e ajustado à realidade local de forma a criar uniformidade na Praça em que se implanta. De linhas sóbrias, sobressai no edifício a torre com janelas de sacada, coruchéu piramidal e pináculos de feição seiscentista, criando a necessária simetria com a torre do Teatro-cine.
Em 12 de Março de 1950, o edifício é inaugurado com a presença do Ministro das Comunicações, um representante do ministério das Obras Públicas, o Governador Civil, o Presidente da Câmara, o Vice Presidente da União Nacional e o Comandante Militar da Cidade.
Os correios mantiveram-se sediados neste edifício até que em finais dos anos oitenta se construiu o prédio para o qual haviam de transitar e onde ainda hoje se encontram.
Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã
O BANCO DA COVILHÃ
Criado em 1874, quatro anos após a elevação da Covilhã a cidade, constituiu a primeira instituição financeira aqui sedeada.
Começou por se instalar no edifício onde actualmente funciona o Lar de S. José, no Largo Eduardo Malta, tendo sido transferido para a Rua 1º de Dezembro, para o imóvel que veio a ser propriedade da Associação de Socorros Mútuos “Mutualista Covilhanense”, que ocupou até à sua liquidação, em 1933.
Foi constituído como sociedade anónima, de responsabilidade limitada, com um capital social de 1.500 contos, que poderia vir a ser elevado até 3.000 contos, dividido em acções, nominativas e ao portador, de 100$000 réis, tendo iniciado a sua actividade com um capital de 750 contos.
Foram seus instaladores os portuenses Manuel Joaquim Vieira Braga e Anastácio Gaspar Ferreira Leão, sócios da firma Vieira & Leão.
O Banco da Covilhã tinha por função realizar um conjunto de operações financeiras comuns às restantes instituições bancárias, nomeadamente a emissão de notas ao portador, o desconto de títulos, quer do Estado quer de estabelecimentos e repartições públicas; as transferências de fundos entre Portugal e outros países; a abertura de contas correntes de nacionais e estrangeiros; os empréstimos por contracto ou subscrição pública, tanto ao Governo como às câmaras municipais, às juntas de distrito e a particulares; a compra e venda de metais e pedras preciosas, de títulos da dívida pública, de acções de bancos e companhias ou outras de cotação oficial; os empréstimos sobre hipoteca, etc. Contudo, distinguia-se dos restantes porquanto previra nos seus estatutos “auxiliar, quanto possível, a indústria de lanifícios, proporcionando-lhe capitais, mediante boas garantias”.
Apesar de projectado para apoiar financeiramente a indústria local, foi constituído maioritariamente por accionistas do Norte do país, se bem que os seus corpos sociais tivessem sido preenchidos, ao longo da sua história, pelos covilhanenses de maior projecção industrial e financeira à excepção dos Campos Melo, que se circunscreveram meramente à posição de accionistas. Pelo contrário, o Comendador Marcelino José Ventura e, posteriormente, o Conde da Covilhã, o Comendador Francisco Nunes Marques de Paiva e o Visconde de Morão, para além de diversos membros da família Mendes Alçada, de que se destaca o Dr. José Mendes Alçada de Paiva, ocuparam posições estratégicas no controle do banco, bem como António Baptista Alves Leitão, para além de muitos outros.
No primeiro quinquénio da sua existência, o Banco da Covilhã dispunha de uma filial no Porto que, por irregularidades, erros detectados e quebra de confiança nos seus dirigentes veio a ser extinta em 1880 e transformada numa simples agência. Nos finais de 1882, o capital do Banco, no montante de 750.000$000 réis, era detido por 293 accionistas, proprietários de 3.852 acções nominativas, por 1.486 acções ao portador e por 2.162 acções detidas pelo próprio banco, localizando-se os accionistas maioritários (com mais de 50 acções) no Porto, em Braga, Fafe e Lisboa, sendo Francisco Cardoso Valente, do Porto, o maior accionista, com um total de 200 acções. Contavam-se ainda no grupo dos seus accionistas diversos bancos, nomeadamente o Comercial e o Mercantil, ambos de Braga, o Mercantil de Viana do Castelo e a Caixa de Crédito Penafidelense, de Penafiel.
Nos inícios dos anos 20 do séc. XX a casa bancária Borges & Irmão, do Porto passou nele a assumir uma posição accionista de relevo.
O Banco da Covilhã veio a encerrar em 1933, por um processo de liquidação, aprovado em Assembleia-geral, em 6 de Junho do mesmo ano, na sequência de um acentuado decréscimo da sua actividade financeira. Fizeram parte da sua comissão liquidatária a casa bancária Banco Borges & Irmão, representada pelo Eng. Francisco Burguete, e Francisco da Silva Ranito.
Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã
GARAGEM DE SÃO JOÃO
No local em que se viria a erguer a Garagem de São João existia desde 1875 um teatro denominado de “Teatro Velho”. Na década de 30 do século seguinte, a Câmara Municipal decidiu vender em hasta pública o Teatro Velho. De entre as condições de venda, constava a obrigatoriedade de ali se construir uma nova casa de espectáculos.
No início dos anos quarenta, uma sociedade empresarial, constituída por Francisco da Silva Ranito, Eurico Jotta Roseta e José Ranito Baltazar, decide dotar a Covilhã de um cinema digno da grande “Manchester Lusitana”, adquirindo para tal o Teatro Velho.
O anteprojecto para o Cine-Teatro S. João, assim se chamaria a futura casa de espectáculos, assinado por Luís Filipe Ranito Catalão, deu entrada na Câmara Municipal em 1944. Um ano depois daria entrada o projecto definitivo assinado pelo arquitecto Carlos Ramos, um dos grandes nomes da arquitectura do século XX e um dos introdutores de modernismo em Portugal.
O seu projecto para o Cine-Teatro S. João apresentava diferenças significativas em relação ao anteprojecto. A fachada principal, verdadeiramente interessante, conciliava o que parecia inconciliável, modernismo, cenografia e monumentalidade. No entanto o projecto foi mal aceite pelos técnicos da Câmara, Rafael dos Santos Costa, director da repartição técnica, escreveu: … de modo geral o projecto não nos agradou… forma no conjunto um edifício que choca no meio em que vai ser construído.
Durante o ano de 1947, foi pedida uma licença à Câmara Municipal para iniciar as obras. Entretanto Raul Rodrigues Lima projectou o Teatro-Cine e não haveria na cidade lugar para duas casas de espectáculos com a grandiosidade proposta, o que obrigou os promotores do Cine-Teatro S. João a optarem por construir, em seu lugar, uma garagem. O projecto data de 1949, sendo assinado por Alexandre Steinkitzer Bastos.
A Câmara Municipal, contrariamente aos projectos anteriores, reconheceu a importância desta obra e a 20 de Setembro de 1949, a repartição técnica emitiu o parecer favorável à construção.
Após concluída, a garagem não se mantém durante muito tempo sob a direcção da Empresa Nacional de Espectáculos, passou para a Sociedade de Camionagem da Guarda, depois para a Sacor (de Pedro Ordaz), mas foi com o empresário Alberto de Carvalho que ela viveu os seus “últimos dias de glória”.
Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã
Plano de Melhoramentos de 1883
Da autoria do Engº Antunes Navarro
Pedroso dos Santos é um dos primeiros presidentes da Câmara Municipal da Covilhã, senão o primeiro, a apresentar uma preocupação efectiva com o ordenamento urbanístico. Ainda vereador, em 1882, propõe a realização de uma série de melhoramentos na cidade. Esta proposta conduziu a elaboração, pelo engenheiro Antunes Navarro, de um projecto denominado de plano de melhoramentos, apresentado em 24 de Janeiro de 1883.
Este plano visava dotar a cidade de novas vias de comunicação e serviços públicos então considerados indispensáveis numa cidade moderna. Entre as novas artérias destacava-se a Rua Nova, uma via paralela à Rua Direita que iria unir o novo mercado, a construir no local da igreja de São Pedro, e o mercado de gados, a construir junto à igreja de São Francisco, a qual foi orçada em 25.500$00 réis. Outra das vias faria a ligação entre a igreja de São Paulo e o Pelourinho.
O Pelourinho continuaria a ser o coração da cidade, no entanto a praça seria remodelada, passaria a apresentar forma rectangular, o novo edifício dos Paços do Concelho ocuparia o lado Sul, enquanto a Este seria construída a escola normal e a biblioteca.
O campo militar, com uma área de 13.523 m2, localizar-se-ia entre o novo cemitério (actual) e o mercado dos gados, sendo composto de quartel e campo de exercícios.
Na área do lazer estava previsto um passeio público contíguo à estrada real nº 55, em São João de Malta, e um parque a construir no morro onde se ergue a capela de São Martinho.
No domínio do saneamento foi prevista a construção de uma nitreira, no local das Forcas, que receberia todo o tipo de resíduos sólidos e líquidos, convertendo-os em adubos agrícolas e de um reservatório de águas, a construir no largo do Castelo, para abastecimento dos fontanários públicos.
A habitação social não foi esquecida e projectou-se um bairro operário, entre a base do campo militar e o mercado de gados.
A penitenciária ficaria próxima do quartel militar e contaria com 50 celas.
Na memória justificativa do plano era referido que as obras não ultrapassariam os recursos do município nem careciam de vida superior a uma geração para serem levadas a efeito, os custos totais rondariam os 300 contos de réis.
Carta Régia de D. Luis I elevando a
vila da Covilhã à categoria de cidade
Por decreto de 20 de Outubro de 1870, foi esta villa de Covilhan, merecidamente, elevada à categoria de cidade; e em 16 de Janeiro de 1871, foi expedida a seguinte carta régia:
“Dom Luíz por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves N" Faço saber aos que esta Minha Carta virem que attendendo a que a minha notável Villa de Covilhã, no districto de Castello Branco, é uma das villas mais importantes do Reino pela sua população e riqueza.
Attendendo a que a mesma Villa é uma das Povoações do Reino que mais se tem distinguido pela fecunda iniciativa de seus habitantes na fundação e aperfeiçoamento de muitos e importantes estabelecimentos fabris, cujos productos podem já disputar primasia com os das fábricas estrangeiras mais acreditadas pelo seu desenvolvimento industrial. E desejando dar aos habitantes da referida Villa um solene testemunho do subido apreço em que tenho os seus honrados esforços pelo progresso e aperfeiçoamento da indústria nacional: Hei por bem fazer mercê à dita Villa da Covilhã de a Elevar à cathegoria de Cidade, com a denominação de cidade da Covilhã, e Me apraz que n’esta qualidade goze de todas as prerogativas, liberdades e franquezas que directamente lhe pertencem. Pelo que Mando a todos os tribunaes, Autoridades, Officiaes e mais pessoas a quem esta Minha carta for mostrada que indo assignada por Mim, referendada pelo Ministro e Secretario d’Estado dos Negócios do Reino e sellada com o sello pendente das Armas Reaes, hajam a sobredita Villa por cidade e assim a nomeei sem duvida ou embargo algum. Pagou de direitos de Mercê e addicionaes cento e cincoenta e quatro mil réis, como constou de um conhecimento em forma numero quinhentos evinte e cinco passado em dezaseis do corrente mez pela Recebedoria do sello de verba do districto de Lisboa. E esta carta é passada em dois exemplares um dos quais depois de registado nos livros da Câmara Municipal da Covilhã e no Governo Civil de Castello Branco, servirá para título d’aquella corporação, e o outro será depositado no Real Archivo da Torre do Tombo.
Dada no Paço da Ajuda em dezeseis de Janeiro de mil oitocentos setenta e um.
El-Rei (rubrica)
António bispo de Viseu”
Adágios
Aconteça o que acontecer haja calor, frio, nevão ou chuva, o chá está sempre a propósito. Faz parte da vida, dos hábitos. Talvez em nenhuma cidade do País se consuma em tão larga escala. Ricos, pobres, patrões, operários, todos o bebem.
PRAÇA DO MUNICÍPIO OU PELOURINHO
Do actual edifício dos Paços do Concelho, exemplo da arquitectura do Estado Novo, deve salientar-se o Salão Nobre, com os painéis da autoria do pintor Lino António, representando, quer momentos significativos da história da Covilhã, quer as suas actividades económicas mais importantes. Numa sala contígua, pode também observar-se uma Tapeçaria tipo Portalegre, do professor António Lopes “Covilhã, Cidade Fábrica, Cidade Granja” e que representa vários quadros da vida da Covilhã. No vestíbulo, encontram-se as estátuas de Frei Heitor Pinto e Pêro da Covilhã.
Formam os cinco principais vales desenhados pelo gelo e que agora podemos percorrer. Correspondiam à força das línguas de gelo que escoavam radialmente desde a referida calote da Torre. A partir daqui, vamos seguir os mesmos caminhos que o glaciar percorreu ao longo da glaciação formando este cenário único em todo o Portugal.
Os depósitos mais importantes situam-se a jusante da confluência do Vale da Estrela e do Vale de Alforfa, na junção da Ribeira das Cortes.
CASTELO DE TRANCOSO
A 885 m de altitude, situa-se uma cerca muralhada urbana implantada em zona planáltica.
Integra quatro torres sendo três a Oeste e uma a Norte. A Cidadela integra sete Torres.
CASTELO DE CELORICO DA BEIRA
Situa-se a 550 m de altitude sobranceiro à Vila e dominando o vale do Mondego. Daí podem ver-se os castelos de Trancoso e da Guarda.
CASTELO DE AVÔ - OLIVEIRA DO HOSPITAL
Situa-se no alto do monte onde se desenvolve a povoação, na margem do rio Alva.
CASTELO DE LINHARES DA BEIRA - CELORICO DA BEIRA
Situa-se num cabeço em contraforte a Noroeste da Serra da Estrela, a cerca de 820 m de altitude dominando o vale do Mondego.
CASTELO DE CASTELO NOVO - FUNDÃO
Situa-se na encosta Leste da Serra da Gardunha a 650 m de altitude.
CASTELO DE MONSANTO - IDANHA-A-NOVA
Num monte a 758 m de altitude, na margem direita do rio Pônsul, encontra-se o castelo de Monsanto. Integra a Aldeia Histórica e domina as planícies que se estendem desde a Serra da Gardunha.
Tem arquitectura militar com três recintos muralhados: um recinto englobante de traçado ovalado; um outro lateral de traçado oblongo, e o terceiro interior rectangular.
CASTELO DE PENHA GARCIA - IDANHA-A-NOVA
O castelo localiza-se na encosta Sul da serra do mesmo nome.
Antiga fortaleza, Penha Garcia foi até finais do séc. XVIII, couto de homiziados (1790).
CASTELO DE PENAMACOR
Situa-se a 573 m de altitude num cabeço fortificado entre as ribeiras de Ceife e de Taliscas.
CASTELO DE BELMONTE
Num cabeço fortificado a 615 m de altitude, na Vila de Belmonte, situa-se aquele que é um dos mais simbólicos castelos portugueses. Aí terá nascido Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil.
CASTELO DA GUARDA
É o castelo que se localiza a uma maior altitude em Portugal (1056m). Possui em perímetro muralhado envolvendo todo o núcleo medieval. A Torre de Menagem, isolada, situa-se numa colina e a Torre dos Ferreiros, a meia-encosta, encontra-se adossada.
Das antigas portas das muralhas são de referir: a Porta dos Ferreiros e a Porta da Erva ( ou da Estrela ), a Este; a Porta d’El-Rei e a Porta Falsa, a Norte.
PONTE FORTIFICADA DE SEQUEIROS, VALE LONGO - SABUGAL
Ponte fortificada que permite o atravessamento do rio Côa em vertentes de grandes afloramentos graníticos.
A Ponte é de tipologia românica e tem dois talha-mares, tabuleiro rampante facetado e parapeito em cantaria. O pavimento é lajeado com continuidade em calçada. A Torre significa o dispositivo militar da marcação da portagem fronteiriça.
CASTELO DE SORTELHA - SABUGAL
Localiza-se num cabeço granítico inacessível pela vertente sul. Integra o núcleo urbano da Aldeia Histórica cercada pela linha muralhada. O castelo ocupa o local mais elevado no cimo de um penhasco isolado.
A Porta Falsa, a Noroeste em arco quebrado
CASTELO DE SABUGAL
Situa-se em local sobranceiro ao rio Côa tendo pertencido ao reino de Leão. Em 1175 pertencia ao concelho de Ciudad Rodrigo mas em 1190, D. Afonso IX de Leão funda o concelho do Sabugal e teria mandado edificar o castelo.
CASTELO DE ALFAIATES
Situa-se em local planáltico delimitado por terreiro e com construções rústicas adossadas a dois alçados.
A sua tipologia é românica-gótica de planta quadrada.
A arquitectura é militar, tendo a Cidadela dupla cintura de muralhas, encontrando-se a cintura interna parcialmente ruída.
CASTELO DE VILAR MAIOR - SABUGAL
Localiza-se num cabeço planáltico sobranceiro à povoação, dominando o vale do rio Cesarão. Daí avista-se claramente o castelo da Guarda.
No exterior, no lado Oeste, observa-se o arranque da cintura muralhada exterior.
CASTELO DE CASTELO MENDO - ALMEIDA
Ocupa um cabeço situado a 762 m de altitude sobranceiro ao ribeiro de Cadelos e ao rio Côa. Integra dois núcleos urbanos destacando-se o recinto do castelo na zona mais elevada.
CASTELO DE CASTELO BOM - ALMEIDA
Encontra-se sobranceiro ao rio Côa num cabeço a 725 m de altitude e cuja muralha envolve a povoação.
FORTALEZA DE ALMEIDA
Destaca-se a 760 m de altitude numa zona planáltica sobranceira ao vale do rio Côa envolvendo a Vila de Almeida, Aldeia Histórica, e deve a sua actual construção a Pedro Gilles de São Paulo no séc. XVII, e a Miguel Luís Jacob no séc. XVIII.
Constitui uma das melhores fortalezas, estilo Vauban, do mundo
CASTELO DE PINHEL
Situa-se no meio urbano e tem perímetro muralhado envolvendo toda a colina e centro histórico. As Torres da Cidadela encontram-se no ponto mais alto e planáltico.
O perímetro urbano muralhado integra seis portas, duas Torres defensivas e o recinto da Cidadela, de cuja cintura muralhada subsistem dois troços que integram duas Torres.
CASTELO DE CASTELO RODRIGO
Situa-se a 810 m de altitude num cabeço fortificado e as suas muralhas envolvem a Aldeia Histórica.
Domina a planície sobranceira ao convento de Stª Maria de Aguiar e é actual sede do concelho. Confronta a Oeste com a Serra da Marofa e a Serra da Vieira. O primitivo castelo remonta ao séc. XI e em 1209 recebe carta de foral por D. Afonso IX de Leão. Em 1296, D. Dinis ordena a reedificação da fortaleza e da muralha. Oficialmente e por via do Tratado de Alcañices, passa a integrar o território português em 1297.
Durante a crise de 1383-85, na sequência do facto do alcaide-mor ter jurado fidelidade a D. Beatriz e ter recusado a entrada do Mestre de Avis, resultou a imposição do escudo nacional invertido no brasão da Vila. Em 1590, durante o domínio espanhol, D. Filipe I eleva a Vila a condado e nomeia para o título D. Cristóvão de Moura que, no lugar da antiga alcáçova, manda erigir um palácio residencial. Em 1640, com a restauração da independência, este palácio é incendiado por iniciativa popular. Em 1664 dá-se o cerco da Vila pelo exército espanhol comandado pelo Duque de Oduna, vencido na Batalha da Salgadela e, em 1762, durante a Guerra dos Sete Anos, Castelo Rodrigo é ocupada pelas tropas espanholas do Marquês de Soria. O recinto muralhado é de traçado irregular ovalado e possui três Portas ( Sol, Alverca e Traição ).
Rota da Lã
Reviva a História de Portugal participando numa Rota única onde se desenharam as origens do País.
À volta da maior montanha portuguesa, a Serra da Estrela, encontrará muitas das nossas raízes. A Rota dos 20 Castelos fá-lo-á regressar ao início da nacionalidade, ao tempo da definição das mais antigas fronteiras europeias, à época das lutas pela construção de um País e de um Povo. Tenha um bom passeio.
Rota das Aldeias Históricas
No meio de uma diversidade raríssima, aparecem 9 das 10 Aldeias Históricas Portuguesas. Jóias arquitectónicas de granito, Linhares, Marialva, Sortelha, Castelo Rodrigo, Castelo Mendo, Almeida, Castelo Novo, Idanha-a-Velha e Monsanto são a história viva do país. Igualmente o são os castelos da antiga linha de fronteira Sabugal, Belmonte, Guarda, Trancoso, Celorico da Beira,(entre outros).
Rota dos Descobridores
«Nesse mesmo dia (22 de Abril), houvemos visto terra!. A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão ( Cabral ) pôs o nome de o Monte de Pascoal e à terra A terra de Vera Cruz!»
in «A Carta de Pero Vaz de Caminha»
Rota das Judiarias
Esta é a história daqueles que são os últimos judeus secretos sefarditas. Até ao século XX o mundo desconhecia a existência, no interior de Portugal, da última comunidade Cripto-Judaica da Península Ibérica e porventura da Europa Junto à Serra da Estrela, montanha mais alta de Portugal (2.000 m), fica Belmonte, memória humana viva do riquíssimo e antigo Portugal Judaico. Aí ficam também as terras que como Covilhã, Guarda, Trancoso, Fundão e outras são a referência das antigas comunidades sefarditas portuguesas....
A Covilhã - povoação - situa-se na encosta da Serra da Estrela, voltada para nascente, rodeada por duas ribeiras, a Degoldra e a Carpinteira, tendo a seus pés o rio Zêzere e toda a Cova da Beira.
No domínio da investigação histórica, sobretudo da história da Covilhã, destacam-se os nomes de Artur de Moura Quintela, que publicou no ano de 1899, os "Subsídios para a Monografia da Covilhã", e o Dr. Luís Fernando de Carvalho Dias (1914/1991) formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Dedicou-se à investigação histórica, coligindo, na Torre do Tombo, numerosos documentos relativos à história dos lanifícios, do que resultou a publicação, em três volumes, da "História dos Lanifícios", versando a época de 1750/1834. Publicou ainda "Heitor Pinto - Novas Achegas para a sua Biografia" e "Forais Manuelinos". No âmbito da investigação da histórica local e na defesa do património ainda existente, destacam-se nomes como o Dr. Rui Nunes Proença Delgado, com vários títulos sobre a "História da Covilhã", e José Mendes dos Santos, que fundou aqui a melhor livraria da Cidade, e, além da recente obra "Breve História Cronológica da Covilhã", fez publicar a "Toponímia Covilhanense", repositório de numerosas achegas para a história da Covilhã, escritas por publicistas locais de mérito, como José Vicente Milhano (1913/1995), Vitorino de Almeida Bonina, M. M. Sardinha, Dr. António Crespo de Carvalho, Artur Penha (1904/87), Humberto Correia Morão, Álvaro Morgadinho, e outros.
Introdução
Assistimos hoje ao renascer dos Jogos tradicionais. Os seus nomes e regras, variam de terra para terra. As maneiras de se jogarem são simples e rudimentares e por isso facilmente os jogadores as adaptam ao local onde decorrem . Embora hoje em dia os jogos já tenham perdido a sua ligação ao trabalho e à vida do dia a dia, continuam a ser uma forma alegre, divertida e sadia de ocupar os tempos livres.
Jogo da Porca, Serramuda ou chicarmona
Material: 1 Pinha verde ( Porca Serramuda ou Chicarmona )
1 pau ou vara geralmente de castanho ou medronheiro por cada jogador.
Geralmente no adro das Igrejas ou capelas ou noutros largos das povoações, os rapazes abrem uma pequena cova e em volta desta, a alguns passos de distância, outras correspondentes ao numero de jogadores menos uma. Metida na coval principal – a do centro – uma pinha verde ( a porca, serramuda ou chicaramona ) .
Cada um dos jogadores toma o seu lugar empunhando um pau ou vara, geralmente de castanho ou de medronheiro, que introduz numa das covas, junto ao qual se coloca.
Para se saber quem deve primeiro um dos jogadores toma todas as varas ou paus nos dois braços e atira-se, a todos simultaneamente, para trás das costas. O dono da que ficar debaixo de todas, a mais fundeira, é o que joga primeiro.
Este jogador vai ocupar o lugar do centro e a defender a serramuda que todos os parceiros procuram afastar o mais possível da cova ou nicho central.
A luta é por vezes árdua e só termina pela entrada da porca serramuda ou chicaramona na cova. Nesta altura, todos e cada um dos jogadores procuram apossar-se de cada uma das covas metendo nela a sua vara ou pau.
Como as covas não correspondem, como se disse, ao numero de jogadores, um fica sem cova, pelo que lhe compete agora defende a serramuda.
Assim prossegue, às vezes por muito tempo, este belo exercício que é ao mesmo tempo luta e um divertimento entusiástico.
Se, durante o jogo, algum jogador precisar-se, mete a vara na cova e diz: o meu nicho está forrado. Ninguém desta declaração o pode ocupar.
Jogo do avião ou da Macaca
Material: Uma malha para cada jogador.
Participantes: Rapazes e raparigas
Desenvolvimento do jogo:
No solo é traçado a seguinte figura:
O jogador que a partida, coloca a sua malha na casa número 1 e começa a percorrer “ o pé coxinho “ as casas 2 e 3; nas 4 e 5 põe simultaneamente os dois um cada; na 6 de novo um só pé e nas 7 e 8, procede como nas casas 4 e 5 indo cair número 9 com os dois pés ( nos Açores, onde este jogo igualmente se pratica, dá-se à casa número 9 o nome de “ cabeça de nabo ” ).
Depois de ter descansado em nove, o competidor inicia o retorno até ao ponto de partir, tendo de apanhar a sua malha antes de passar há casa onde ela esteja.
Lança em seguida, a malha para a sua número 32 e assim sucessivamente. Nas 4, 5, 6 e 8 o jogador pode lançar a sua malha – e, nesse caso, passando por ela também a “ pé coxinho ”.
Quando a malha é atirada para a casa número 9, o jogador, ao chegar aos lugares 7 e 8, tem de saltar a pés juntos para fora do desenho e por cima da casa número 9. Apanhará a sua malha e novamente sem calçar a casa número 9, regressa ao ponto de partida.
Por vezes o jogo continua mas em sentido inverso, considerando-se como ponto de partida a casa número 9 e sendo descendente a progressão.
Logo que o jogador consiga ir e regressar correctamente, escolhe uma das divisões ou casas e nela marca uma “ macaca ” ( por meio de uma cruz ou nela escrevendo o seu nome ). Aí poderá descansar pousando os dois pés no chão quando, na jogada seguinte, passar por essa; em contrapartida, os demais competidores não podem ocupa-la e sobre ela têm de passar no desenrolar das jogadas que fizeram.
Jogo em Recinto Fechado
Material: 1 rolha e moedas.
É colocado a rolha em cima de uma mesa ou lugar já destinado e que se encontra a 3,4 metros de distância dos jogadores.
Inicia-se o jogo que os jogadores tentam derrubar a rolha ou colocar a moeda o mais perto possível.
Se acertar e derrubar ganha três pontos. Se ninguém o conseguir apenas ganha dois pontos o que colocar a moeda mais perto da rolha.
Se entretanto um jogador derrubar e a sua moeda ficar mais próximo da rolha que todas as outras, somará 5 pontos.
O jogo termina aos trinta pontos, propondo o jogador que estiver perdendo logo que atinja uns quinze pontos, que se passe a jogar com a mão esquerda ou atirar a moeda para baixo da perna.
Jogo do trinta
N.º de Jogadores que utiliza: 2 equipas
Idades: 18 a 50
Local onde costuma ser jogado: adro da igreja ou outro largo similar.
Material que utiliza: duas bolas / madeira ( tipo booling ) 6 pinos pequenos e 1 pino grande.
Descrição do jogo:
Objectivos: Somar 30 pontos. A equipa que primeiro somar 30 pontos ganha o jogo. Cada pino vale 5 pontos. O pino do centro pode valer 5 ou 30 pontos. Vale os 30 se for derrubado sem haver mais nenhum derrube nos outros pinos, se for derrubado em conjunto com os restantes, vale 5 pontos.
Movimentação: primeiro concorrem duas ou mais equipas de dois elementos ( nota: também pode ser um jogo individual ). Os jogadores das equipas fazem jogadas individuais intervaladas, isto é; inicia o jogo o primeiro jogador de uma equipa, fazendo o segundo jogador um jogador de equipa adversária. Seguem-se jogadas sucessivas até uma das equipas atingir 30 pontos.
2º objectivo: Derrubar em cada jogador o maior número de pinos, com a finalidade de obter os 30 pontos.
Jogo da Barra (Malha)
N.º de jogadores que utiliza: Vários
Idades: Várias
Sexo: Masculino
Local onde costuma jogado: Num largo da aldeia
Material necessário: Uma pedra com cerca de 6 a 7 Kg
Descrição do jogo:
Objectivo: Atirar a pedra à maior distância.
Movimentação: O atirador coloca-se atrás de um risco traçado no chão de pernas abertas. Segura a pedra com a mão, de pernas bem firmes, balanceia-se o braço contorção do tronco, duas ou três vezes, e aproveitando o impulso da torção e do balanceamento atira-se a pedra para a frente.
Observação: Este jogo parece-nos, pela forma de jogar, ser um percursor do lançamento do disco.
Péla à parede
Material: 1 bola de trapos – « Péla »
Participantes: Ambos os sexos. Individualmente ou em equipas de dois.
Desenvolvimento: Consiste em lançar a bola à parede e bate-la sucessivamente sem parar nem deixar cair no chão. Quando acontece começa outro jogador ou equipa. Ganha o jogador que consegue bater com a péla na parede maior número de vezes. Pode-se lançar à parede o mais alto que se quiser.
Características: Jogo de lançamento e competição com movimento.
Tracção com corda e linha
Material: Uma corda e um lenço.
Participantes: Ambos os sexos.
Desenvolvimento: Duas equipas com forças idênticas, seguram a igual distância do lenço, um de cada lado. O jogo consiste em puxar a corda até que uma equipa seja arrastada pela outra ( passando uma marca no solo ), caia ou largue a corda.
Nota: Não é permitido enrolar a corda ao tronco ou fazer escavações prévias no solo.
Características: Jogo de força.
O lencinho
Material: 1 lenço
Participantes: Ambos os sexos – Crianças
Disposição inicial: As crianças dispõem-se em roda, à excepção de uma que está de fora com um lenço na mão.
Desenvolvimento: A que está com o lenço na mão corre à volta da roda e vai cantando:
Lencinho vai na mão/cairá ou não
Lencinho vai na mão/cairá ou não
Lencinho vai na mão/cairá ou não
Sem que tenha de parar, deixa cair o lenço atrás de uma das crianças. Esta, logo que sinta o lenço de trás de si, apanha-o e tenta agarrar a outra. Aquela termina a sua fuga no lugar vazio deixado pelo sua seguidora. Se a corrida não é suficiente para escapar à que a persegue e é agarrada, vai para o centro da roda, enquanto todos entoam em coro:
Vai para o chôcho! Vai para o chôcho!
O jogo recomeça, e ela fica a observar onde é que o lenço cai. Se o conseguir agarrar, sai do chôcho por substituição da criança que não sentir o lenço atrás de si e começa novamente a correr à volta da roda.
Características: Jogo de atenção e perseguição.
Barra do lenço
Material: 1 lenço.
Participantes: Ambos os sexos. Elementos igualmente divididos por duas equipas. O juiz de campo segura o lenço e chama pelo número dos jogadores.
Terreno: Um recinto dividido igualmente em duas partes.
Objectivo: Fazer o máximo de pontos em determinado tempo ou tentar alcançar em primeiro lugar, um número pré determinado de pontos.
Ex.: Quem faz vinte pontos primeiro.
Desenvolvimento: A cada jogador corresponde um número. Estes estão colocados nos extremos opostos do terreno. O juiz de campo coloca-se a meio do terreno e chama um número.
A Cabra Cega
Material: Uma venda ( lenço ).
Participantes: Ambos os sexos.
Desenvolvimento: Um gruo está em roda. Um elemento está no centro da roda de olhos vendados – Cabra Cega - . Os outros tocam-lhe e tentam não ser agarrados. Logo que algum seja agarrado a Cabra Cega terá que o identificar. Se tal não acontecer continua o jogo. O jogador identificado passa a ser a Cabra Cega.
Nota: Por vezes é jogado, em certas regiões, com lengalengas.
Característica: Jogo sensorial com movimento.
Corrida do Arco
Material: Arco e Gancheta.
Participantes: Ambos os sexos.
Desenvolvimento: Consiste numa corrida em que cada participante faz rolar o arco com a gancheta, num percurso que tem uma « partida » e uma « meta ». Alternativas: por vezes fazem-se corridas com obstáculos – planos inclinados ou de perícia. Como alternativa pode-se fazer também o jogo, rolando o arco com a mão.
Característica: Jogo de coordenação, corrida e perseguição.
O Mata
Material: 1 bola de trapos.
Participantes: Ambos os sexos. Equipas.
Terreno: Um recinto dividido em duas partes iguais.
Objectivo: Colocar no « piolho » todos os jogadores contrários.
Disposição inicial: De trás de cada há um jogador da equipa adversária no « piolho ». Este jogador lança a bola os elementos da sua equipa. A partir desse momento uns e outros podem matar « matar » um adversário.
Desenvolvimento: Após sorteio começa uma equipa. Esta faz passes com o jogador que está no « piolho » e procura « matar » ( atingir directamente com a bola os jogadores adversários ) que tentam esquivar-se ou agarrar a bola.
a) Quem for atingido vai para o « piolho »;
b) O jogador que estava no « piolho » no início do jogo, vai para o canto logo que o primeiro jogador de equipa seja « morto »;
c) Só se pode « matar » quando a bola for agarrada antes de tocar.
Cabra Cega
Todas as crianças fazem uma roda.
Uma das crianças vai para o meio de olhos vendados. Os outros fazem perguntas a esta, que vai respondendo:
- Ó cabra-cega.
- Que é?
- Donde Vens?
- De Mirandela.
- Que comeste lá?
- Pão e vitela.
- E não trazes nada para mim?
- Não chegou prá minha cadela.
Neste momento as crianças batem-lhe nas costas e fogem para não serem agarradas, dizendo:
- Busca, cabra-cega.
Esta procura agarrar e identificar uma das crianças, que ficará a seguir, de cabra-cega.
O diálogo em Castedo é:
- Donde vens, cabra-cega?
- De Vizela.
- Que trazes na saca?
- Pão e canela.
- Busca, cabra-cega
O terreno que se deve utilizar para este jogo tem de ser plano e igual para ambas equipas que usarão calçado semelhante.
A corda deve ter 25 metros aproximadamente.
As equipas, tem de ter entre 5 a 10 elementos, devem colocar-se em fila, uma em frente da outra e cada uma delas a cerca de 2 metros de uma raia ( risco ) marcada no chão.
A meio da coda fixa-se uma marca que pode ser um lenço de mão atado. Quando a corda for esticada pelos jogadores, estes devem agarrá-la de modo que a marca fique sobre a raia central.
O capitão, isto é, o primeiro jogador de cada grupo não pode pisar o risco que o separa da raia central nos 2 metros referidos, quando o júri der o sinal de começo do jogo.
Vence a equipa que arrastar o adversário, puxando a corda de modo que a marca ultrapasse o risco que delimita o seu campo.
Lenço ( ou Barra do Lenço )
Chamar outro número ou até toda a equipa, dizendo: Fogo.
Se disser Água, ninguém pode mover-se.
No caso de dizer Bombeiros, põe o lenço no chão.
Azeite, os jogadores partem devagar.
Vinagre, andam depressa.
Dizendo Vinho tem de marchar como quem pisa o vinho.
Dizendo Pé-coxinho tendo estes de andar ao pé-coxinho
Jogo das Sacas
O material utilizado são três sacas, num terreno livre de obstáculos.
Quanto ao número de participantes, tem de ser três grupos.
O objectivo do jogo é ver qual o grupo que ganha.
Para se iniciar o jogo fazem-se 3 colunas com uma saca à frente de cada uma .
Ao apito os primeiros da coluna vestem as sacas e vão saltando até á meta e voltam para trás. Quando chegam á fila despem a saca e vão para o fim, o que está a seguir veste a saca e faz o mesmo.
Vão fazendo todos até chegar ao primeiro da fila.
Saltar à Corda
O material utilizado é uma corda grande e o terreno tem de ser plano, podendo ter vários participantes.
Para iniciar o jogo é necessário que dois meninos dêem à corda, os outros vão saltando e cantando, as seguintes canções:
2ª- Freira, casada e solteira... vão dizendo, quando a corda deixar de rodar, vimos em qual calhou se é freira, casada ou solteira.
Não é necessário qualquer tipo de material, apenas um terreno sem obstáculos.
O número de participantes pode ser entre 6 a 8.
O objectivo do jogo é saltar por cima do outro, sem cair e chegar ao fim sem perder uma única vez.
O jogo começa, ficando um jogador dobrado ( amochar ) e os outros vão saltando por cima dele com as pernas abertas dizendo :
Onze os sinos da capela são de bronze
O jogo termina quando todos saltam e conseguem ganhar sem perder uma única vez. Caso perca fica esse a amochar.
Jogo dos Cinco Cantinhos
É necessário desenhar cinco cantinhos no chão, em qualquer terreno livre.
O objectivo do jogo consiste em trocar de lugares sem perder o lugar para aquele que está no meio.
Para começar o jogo, cinco jogadores metem-se nos cinco cantinhos que foram desenhados no chão e fica um a pedir lume ao meio. Se dissermos que não ele vai a outro pedir, se dissermos que sim ele vai para o nosso cantinho e esse que disse que sim vai para o meio pedir lume. Enquanto ele vai pedir lume os outros trocam de lugar entre si, mas o do meio tenta ver se consegue apanhar o lugar de algum que se distraia
O material necessário é um lenço e o terreno deve ser plano e limpo, podendo ser vário o número de participantes.
O objectivo do jogo consiste em conseguir pôr o lenço atrás das costas de outro jogador sem este dar por isso.
Para iniciar o jogo, os jogadores sentam-se no chão formando uma roda. Um outro jogador anda à volta da roda pelo lado de fora cantando:"o lencinho vai na mão, ele vai cair ao chão." Vai dando voltas e cantando, até deixar cair o lenço atrás de um outro jogador sentado; se este der por isso, apanha o lenço e corre atrás dele. Quando o que tinha o lenço se deixa apanhar vai para o meio e fica GALINHA CHOCA, vai tentar apanhar o lenço primeiro do que os jogadores que estão sentados na roda. Quando não se deixa apanha, senta-se no lugar do jogador que ficou com o lenço e o jogo recomeça.
Jogo do trinta
O material necessário são duas bolas / madeira ( tipo booling ) 6 pinos pequenos e 1 pino grande.
Quanto ao número de jogadores que utiliza são 2 equipas, com idades compreendidas entre os 18 e 50 anos, de número igual para cada equipa.
O local onde costuma ser jogado é no adro da igreja ou noutro largo similar.
O jogo tem como objectivo somar 30 pontos. A equipa que primeiro somar 30 pontos ganha o jogo. Cada pino vale 5 pontos. O pino do centro pode valer 5 ou 30 pontos. Vale os 30 se for derrubado sem haver mais nenhum derrube nos outros pinos, se for derrubado em conjunto com os restantes, vale 5 pontos.
Primeiro concorrem duas ou mais equipas de dois elementos ( nota: também pode ser um jogo individual ). Os jogadores das equipas fazem jogadas individuais intervaladas, isto é; inicia o jogo o primeiro jogador de uma equipa, fazendo o segundo jogador um jogador de equipa adversária. Seguem-se jogadas sucessivas até uma das equipas atingir 30 pontos.
Tem como segundo objectivo tentarderrubar em cada jogador o maior número de pinos, com a finalidade de obter os 30 pontos.
Corrida do Arco
O material necessário é um Arco e uma Gancheta.
Quanto aos seus participantes podem ser de ambos os sexos.
O jogo consiste numa corrida em que cada participante faz rolar o arco com a gancheta, num percurso que tem uma « partida » e uma « meta ». Alternativas: por vezes fazem-se corridas com obstáculos – planos inclinados ou de perícia. Como alternativa pode-se fazer também o jogo, rolando o arco com a mão.
Este jogo caracteriza-se por ser um jogo de coordenação, corrida e perseguição.
O Mata
È necessário uma bola de trapos.
O número de participantes tem de ser igual para ambas as equipas podendo ser de ambos os sexos.
O local do jogo tem de ser dividido em duas partes iguais
O objectivo do jogo é colocar no « piolho » todos os jogadores contrários.
De trás de cada equipa há um jogador da equipa adversária no « piolho ». Este jogador lança a bola aos elementos da sua equipa. A partir desse momento uns e outros podem “matar” um adversário.
Após sorteio começa uma equipa. Esta faz passes com o jogador que está no « piolho » e procura “matar” (atingir directamente com a bola os jogadores adversários) que tentam esquivar-se ou agarrar a bola.
Letra A
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Termo Popular
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Termo Correcto
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Aforrar
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Arregaçar
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Aguça
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Apara lápis
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Alanzoar
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Resmungar
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Algures
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Em qualquer lado
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|
Atão
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Então
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Assoma
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Espreita
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Aventar
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Deitar fora
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Ronda
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Já chega
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Babala
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Ingénuo
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Bácoro
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Porco
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Cachopos
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Rapazes
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Deixas
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Prestações
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Esvendes
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Escudos
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Gorou
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Que morre à nascença
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Gadanha
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Concha de sopa
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Gargana
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Avarento
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Granjeio
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Senso ; orientação
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Jaja
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Fato
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Lanho
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Golpe
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Malha
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Sova
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Mestrunço
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Estafermo
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Nenhures
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Nenhum lugar
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Olhudo
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Bisbilhoteiro
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Poi atão
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Pois então
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Babequeiro
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Falador
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Vação
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Preguiçoso
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Vintém
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Sexo dos meninos
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Vraveira
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Arrelia
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Vossemecê
Bem haja
Sertã
Guita
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Você
Obrigado
Frigideira
Cordel
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Padre António de Sousa (1589 / 1633)
Jesuíta covilhanense.
Em 1617 partiu para o Oriente para a difícil evangelização do Japão, onde, durante vinte e cinco anos vivera oculto, tendo por abrigo uma pequena barca, donde partia para visitar os convertidos e conquistar almas para Cristo.
Acabou por ser preso em Nagasaky, onde foi morto após o tormento das covas.
Frei Diegalves da Cunha
Natural da Covilhã, distinguiu-se na tomada de Arzila, em 1415.
Foi sepultado na Igreja de São Francisco, hoje de Nossa Senhora da Conceição, onde existe uma lápide com o seu nome, que nos parece dizer antes Frei Dielgalves da Covilhã.
Nessa igreja, encontram-se os túmulos de Jorge Cabral, que foi governador da Índia Portuguesa, bem como os irmãos D. Fernando e Diogo de Castro. O primeiro combateu em Arzila, o segundo chegou a ser Alcaide-Mor da Covilhã.
Eduardo Malta
No mundo da arte, destacou-se no século passado, um artista covilhanense: Eduardo Malta.
Pintor e retratista insigne, a sua fama ultrapassou fronteiras. Conquistou em 1936 o Prémio Columbano, e no ano seguinte, a medalha de ouro da Exposição Internacional de Paris. Seu pai, Manuel Morais, destinara-o à medicina, mas cedo, aos dez anos, seguindo uma vocação irresistível, já o jovem artista frequentava a Escola de Belas Artes do Porto. Ainda aparentado com o escultor Manuel Morais, e ainda com o escritor Raul Brandão nasceu na Covilhã, no Largo de São João, no dia 28 de Outubro de 1900. Fez a instrução primária na sua terra, e, embora a famíliase tivesse fixado no Porto, foi em 1921 que ele aqui desenhou os cenários para a revista "o País da Guedelha".
Na sua extensa galeria de retratos, figuram homens célebres na arte e na política, como Teixeira de Pascoais, Aquilino Ribeiro e Augusto de Castro. Os retratos de Salazar e do Cardeal Cerejeira, da sua autoria, pertencem ao Instituto Nacional de Estatística. O Presidente do Brasil Getúlio Vargas e o político espanhol José António Primo de Rivera, posaram para ele.
Espírito ávido de cultura, escreveu também livros, como "Do Meu Ofício de Pintar" e "Retratos e Retractados". Faleceu no ano de 1967, e sua viúva, Sr.ª D. Dulce Malta, ofereceu um quadro ao Museu da Cidade que tem o nome do grande artista.
Fernão Penteado
Natural da Covilhã, distinguiu-se na defesa de Diu, onde se escreveu uma das páginas mais gloriosas da história de Portugal.
Com efeito, no primeiro cerco de Diu, a epopeia portuguesa tem aí um dos seus mais formidáveis rasgos de heroísmo. Foi tal a façanha, que Francisco I da França, assombrado, mandou colocar o retracto de António da Silveira, capitão-mor de Diu, na Casa da Fama, no Palácio de Fontainebleu.
No primeiro cerco de Diu, que começou em 6 de Junho de 1538, distingue-se, entre todos os heróis, um covilhanense a que se refere Lopo de Sousa Coutinho, na sua "História do Cerco de Diu".
Umas poucas centenas de portugueses lutavam contra 19.000 inimigos, comandados por Coge Sofar. O ataque foi brutal e feroz. Lutou-se de dia e noite, em terra e no mar. Os muros da fortaleza ruíram com as bombardas do inimigo, mas os portugueses estavam dispostos a dar cara a vida.
Fernão Penteado, um dos feridos que recolhera à enfermaria da fortaleza, voltava ao combate e era de novo atingido. Três vezes repetiu a façanha, até que novas feridas o impediram de prosseguir na luta. Dos 612 homens de armas que defenderam Diu, restaram apenas 40 em estado de combater. Os assaltantes acabaram por desistir do cerco, face ao arrojo indómito dos portugueses.
Fernão Penteado curou-se dos ferimentos mas veio a morrer de naufrágio, durante um temporal.
O Beato Francisco Álvares
A Companhia de Jesus, instalada em Portugal em 1540, foi, pelos seus professores e colonizadores, e seus mártires, no Ultramar, especialmente na Índia e no Brasil, a ordem religiosa mais evangelizadora e universalista.
Segundo o "Catalogus" de António Franco S. J., foram 94 os seus mártires, contando-se entre eles o covilhanense B