"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

Setembro 05 2010

O BANCO DA COVILHÃ

 

Criado em 1874, quatro anos após a elevação da Covilhã a cidade, constituiu a primeira instituição financeira aqui sedeada.

Começou por se instalar no edifício onde actualmente funciona o Lar de S. José, no Largo Eduardo Malta, tendo sido transferido para a Rua 1º de Dezembro, para o imóvel que veio a ser propriedade da Associação de Socorros Mútuos “Mutualista Covilhanense”, que ocupou até à sua liquidação, em 1933.

Foi constituído como sociedade anónima, de responsabilidade limitada, com um capital social de 1.500 contos, que poderia vir a ser elevado até 3.000 contos, dividido em acções, nominativas e ao portador, de 100$000 réis, tendo iniciado a sua actividade com um capital de 750 contos.

Foram seus instaladores os portuenses Manuel Joaquim Vieira Braga e Anastácio Gaspar Ferreira Leão, sócios da firma Vieira & Leão.

O Banco da Covilhã tinha por função realizar um conjunto de operações financeiras comuns às restantes instituições bancárias, nomeadamente a emissão de notas ao portador, o desconto de títulos, quer do Estado quer de estabelecimentos e repartições públicas; as transferências de fundos entre Portugal e outros países; a abertura de contas correntes de nacionais e estrangeiros; os empréstimos por contracto ou subscrição pública, tanto ao Governo como às câmaras municipais, às juntas de distrito e a particulares; a compra e venda de metais e pedras preciosas, de títulos da dívida pública, de acções de bancos e companhias ou outras de cotação oficial; os empréstimos sobre hipoteca, etc. Contudo, distinguia-se dos restantes porquanto previra nos seus estatutos “auxiliar, quanto possível, a indústria de lanifícios, proporcionando-lhe capitais, mediante boas garantias”.

Apesar de projectado para apoiar financeiramente a indústria local, foi constituído maioritariamente por accionistas do Norte do país, se bem que os seus corpos sociais tivessem sido preenchidos, ao longo da sua história, pelos covilhanenses de maior projecção industrial e financeira à excepção dos Campos Melo, que se circunscreveram meramente à posição de accionistas. Pelo contrário, o Comendador Marcelino José Ventura e, posteriormente, o Conde da Covilhã, o Comendador Francisco Nunes Marques de Paiva e o Visconde de Morão, para além de diversos membros da família Mendes Alçada, de que se destaca o Dr. José Mendes Alçada de Paiva, ocuparam posições estratégicas no controle do banco, bem como António Baptista Alves Leitão, para além de muitos outros.

No primeiro quinquénio da sua existência, o Banco da Covilhã dispunha de uma filial no Porto que, por irregularidades, erros detectados e quebra de confiança nos seus dirigentes veio a ser extinta em 1880 e transformada numa simples agência. Nos finais de 1882, o capital do Banco, no montante de 750.000$000 réis, era detido por 293 accionistas, proprietários de 3.852 acções nominativas, por 1.486 acções ao portador e por 2.162 acções detidas pelo próprio banco, localizando-se os accionistas maioritários (com mais de 50 acções) no Porto, em Braga, Fafe e Lisboa, sendo Francisco Cardoso Valente, do Porto, o maior accionista, com um total de 200 acções. Contavam-se ainda no grupo dos seus accionistas diversos bancos, nomeadamente o Comercial e o Mercantil, ambos de Braga, o Mercantil de Viana do Castelo e a Caixa de Crédito Penafidelense, de Penafiel.

Nos inícios dos anos 20 do séc. XX a casa bancária Borges & Irmão, do Porto passou nele a assumir uma posição accionista de relevo.

O Banco da Covilhã veio a encerrar em 1933, por um processo de liquidação, aprovado em Assembleia-geral, em 6 de Junho do mesmo ano, na sequência de um acentuado decréscimo da sua actividade financeira. Fizeram parte da sua comissão liquidatária a casa bancária Banco Borges & Irmão, representada pelo Eng. Francisco Burguete, e Francisco da Silva Ranito.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

publicado por Paulo Jesus às 23:20

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