"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

Setembro 27 2008

Serra da Estrela - um passeio em direcção ao céu

 
 
 
Para quem gosta de montanhas, a Serra da Estrela é o local ideal para um passeio de fim de semana. Aqui encontra algumas das mais bonitas e preservadas aldeias históricas do país, gastronomia regional e, se for tempo disso, ainda pode aproveitar para se divertir na neve.
 
A zona da Serra da Estrela conserva alguns dos mais originais recantos do país e preserva um conjunto de aldeias históricas à espera da sua visita.
 
Símbolo: Cristal de gelo

Localização: Região Centro
Distrito de Castelo Branco: Concelho da Covilhã
Distrito da Guarda: Concelho de Celorico da Beira; Gouveia; Guarda
 
Altitude : máxima: 1993 m mínima: 300 m

Clima: Influência mediterrânica e atlântica
 
Relevo:
O maciço montanhoso da Serra da Estrela apresenta-se como um alto planalto inclinado para Nordeste, profundamente recortado pelos vales dos rios e ribeiros que nele têm origem. Sendo essencialmente granítico - se bem que nele ocorram largas manchas de xisto - o aspecto mais marcante da paisagem do planalto superior é a presença dos afloramentos rochosos, sejam as vigorosas fragas, rochedos e penhascos, sejam os caos de blocos, sejam os depósitos de vertente ou cascalheiras. Em toda a sua área são inúmeros os vestígios da acção glaciar, designadamente os vales em U do Zêzere e de Unhais, sucedendo-se blocos erráticos, as moreias, os covões e os lagos e lagoas naturais.
 
 
 
 
FAUNA
 
A paisagem multifacetada, onde os solos são mais férteis e há água em abundância, permite que, num espaço relativamente pequeno, a fauna disponha simultaneamente de boas zonas de alimentação (explorações agrícolas), bebedouros (tanques e riachos) e áreas de abrigo e reprodução (bosquetes, manchas de matagal e silvados). A esta grande diversidade de unidades ecológicas vai corresponder uma igual variedade de espécies animais que, "saltando" rapidamente de um meio para outro, reforçam a sua interdependência.
 
As searas de centeio, implantadas nos terrenos mais planos e de solos pobres constituem um biótopo homogéneo e estruturalmente simples que suporta um número de espécies reduzido.
 
Relativamente à fauna, apresenta mamíferos como o lobo, javali, lontra, gineta, raposa, fuinha, texugo e gato-bravo, destacando-se entre os pequenos mamíferos a toupeira-de-água.
 
Cão da Serra da Estrela
 
Resultado de uma tradição artesanal de preservação genética, é considerada uma das raças caninas mais genuínas e antigas da Península Ibérica, é dócil, corajoso e um amigo fiel. Na época de invernia em que os rebanhos, na busca de alimento, eram obrigados à prática da transumância para locais a grande distância, o cão da Serra da Estrela era o guardião atento na defesa contra as feras e assaltantes.
 
Esta raça apresenta-se ora de pêlo curto, ora comprido, com grande estatura e um peso que oscila entre os 40 e 50 Kg. A cabeça é forte e volumosa e as orelhas pequenas e pendentes. A boca é grande com dentes fortes, o peito é arqueado e o abdómen bem proporcionado à sua corpulência e a cauda é comprida, grossa, formando gancho na ponta. Forte e destemido, é um cão de guarda por excelência.
 
Ovelha, Cabra e Vaca
 
Por volta de Abril, quando as neves começavam a derreter, os rebanhos iniciavam a subida para a Estrela. Vinham do sopé da Serra, das terras baixas do Norte (Fornos de Algodres, Sátão, Nelas, Gouveia, Arganil, Oliveira do Hospital), da Cova da Beira, do Alentejo e mesmo de zonas fronteiriças espanholas. Com os primeiros ventos frios de Outono os rebanhos desciam até ao Baixo Alentejo (campos de Ourique), campos do Mondego, junto a Coimbra e para as campinas de Idanha.
           
Actualmente o efectivo ovino da Estrela já desceu para menos de metade do que era em meados do século. A transumância faz-se em camiões, mas alguns proprietários de São João do Campo e Oliveira do Hospital ainda seguem para o Baixo Mondego, Covilhã ou Nelas. No Verão ainda se sobe ao Montemuro e ao Baixo Douro. A importância da lã como matéria prima esbateu-se. Esteve na origem de importante indústria de lanifícios - manufactura de panos - cujo centro era a Real Fábrica de Panos na Covilhã. O leite de ovelha foi sempre o produto base para o fabrico artesanal do queijo da Serra, parte importante do qual é actualmente produzido em moldes industriais.
 
Javali
 
Apresentando formas e proporções corporais inconfundíveis, o javali é a espécie de caça maior com a mais ampla representação em Portugal. Podendo atingir 1,70 m de comprimento e 140 Kg de peso, o javali ostenta uma silhueta compacta e poderosa, com membros relativamente curtos e fortes, ausência aparente de pescoço e uma grande cabeça afunilada, que lhe confere um aspecto sólido e resistente, bem complementado por uma pelagem bastante farta e rude, constituída por pêlos mais ou menos compridos (cerdas).
 
Nesta espécie, o dimorfismo sexual manifesta-se não só no tamanho e no peso (o macho é maior e mais pesado que a fêmea), mas também por diferenças na própria estrutura óssea, de que ressaltam no macho, entre outros aspectos, a cabeça mais larga e menos afunilada e a existência de caninos ou presas extremamente desenvolvidas que servem principalmente como arma. Estes dentes-navalha (caninos inferiores) e amoladeiras (caninos superiores) constituem o trofeu da caça.
 
Tal como o porco doméstico, também o javali é um animal omnívoro. Assim os elementos constituintes da sua dieta são frutos, raízes, bolbos, tubérculos, partes de pequenas plantas, larvas de insectos, pequenos vertebrados (ratos, láparos e lebrachos), ovos e mesmo cadáveres de outros animais. No entanto é de realçar uma preferência nítida por bolotas, castanhas e cereais, o que leva à incompatibilidade com explorações agrícolas, dado o risco de prejuízos de monta para os agricultores.
 
Aves
 
* Melro-de-água
* Perdizes
* Faisões
 
Peixes
 
* Truta arco-íris - As características da água acima dos 1500 metros, nomeadamente as temperaturas baixas e a elevada quantidade de oxigénio dissolvido, são propícias à truta arco-íris. Esta é semelhante à truta do rio, distinguindo-se da mesma principalmente pela coloração e pelas escamas mais pequenas.
* Escalo do Norte (bordalo) - Possui um corpo alongado de cabeça grande com boca relativamente pequena.
 
Répteis
 
* Lagarto-de-água - Encontra-se por todo o Planalto Central mas é mais abundante nas zonas de menor altitude.
* Lagartixa-da-montanha (Lacerta monticola) - Apenas existe no Planalto Central da Serra da Estrela e corresponde a uma população única no mundo, sendo mais abundante nas zonas de maior altitude.
* Cobra austríaca (Coronella austríaca) - Apesar de se tratar de uma cobra rara em Portugal, pode ser encontrada na Serra da Estrela geralmente acima dos 1900 metros de altitude.
 
Anfíbios
 
* Salamandra - Detectável essencialmente à noite quando vai depositar as suas larvas em ribeiros.
* Rã Verde (Rana perezi) - Espécie típica das lagoas, dos charcos e dos ribeiros de correntes fracas.
* Rã Castanha (Rana ibérica) - É um endemismo do Noroeste da Península Ibérica típico dos ribeiros de águas límpidas e correntes fortes.
* Rela - Espécie típica das pequenas lagoas e charcos. Durante a época da reprodução, ao fim do dia e durante a noite, os machos cantam para atrair as fêmeas, formando-se grandes coros (fim da Primavera).
* Sapo - Detecta-se principalmente em terra, debaixo de pedras, deslocando-se à água apenas da reprodução, para aí depositar os seus ovos.
Nas zonas de maior altitude há uma maior abundância do sapo corredor, nas de menor altitude encontra-se mais o sapo comum.
* Tritão-de-ventre-laranja (Triturus boscal) e Tritão-marmorado (Triturus marmoratus) - Encontram-se essencialmente à noite em charcos onde se reproduzem e alimentam.
 
FLORA
 
A elevada altitude faz com que seja um dos locais de maior precipitação do país e condiciona um zonamento bem marcado da vegetação: um andar basal, até aos 900 metros, de influência mediterrânica, caracterizado por um aproveitamento cultural intenso; um andar intermédio, entre os 900 e os 1600 metros de altitude, domínio climático do carvalho negral, de existência residual, encontrando-se manchas de soutos e castinçais, giestais de giestas-brancas, urgueirais de urgueira, piornais de piorno-dos-tintureiros e sargaçais de sargaço, para além das matas artificiais de pinheiro bravo, pseudotsuga, abeto, cedro, larix, acer e cupressus, encontrando-se ainda campos de centeio; finalmente um andar superior, domínio dos zimbrais de zimbro, cervunais de cervum e arrelvados, salientando-se as comunidades rupícolas com grande representação das plantas endémicas e dos orófitos apenas representadas em Portugal na Serra da Estrela, e finalmente as comunidades lacustres das lagoas e charcas da parte superior, onde surgem igualmente algumas raridades.
 
No caso da Estrela, as características do relevo bastante dissecto, os pendores muito acentuados e os enormes contrastes da expressão climática ora mediterrânica ora atlântica, retalham as paisagens em fractais e moldam, segundo os andares e exposições, fortes contrastes no manto vegetal.
 
A continuada acção humana por seu lado ainda potenciou mais o mosaico ambiental formado de tesselas extremamente miúdas.
 
A fragmentação natural e antropogénica das unidades populacionais que incrementa a pressão selectiva, pode de certa maneira explicar a peculiaridade e o interesse florístico da Flora Hermínica que, por especiação biológica, tende a individualizar-se no confronto com floras vizinhas quer do lado da fachada atlântica quer das regiões mais marcadamente continentais e alpinas, do centro da península. 
 
Pinheiro-bravo

O pinhal adquire maior extensão e representatividade na zona serrana, embora se encontre um pouco por todo o território, a maior parte das vezes sob a forma de bosquetes de reduzida dimensão.

 
Carvalho negral (Quercus pyrenaica)
Encontra-se no andar intermédio de vegetação da Serra da estrela desde os 600-800 até aos 1600 metros.
 
Azinheira
Esta quercínea forma um verdadeiro montado, de densidade variável, que se prolonga para Espanha.
 
Antinoria Agrostidea
É um endemismo ibérico e pode ser encontrada por exemplo na Lagoa da Paixão.
 
Cervum seco (Galio-Nardetum)
Podem ser vistos na Nave de Santo António, no Covão do Boi, no Vale do Conde e no Vale de Loriga, assumindo sempre um aspecto verdejante.
 
Cervum húmido (Junco-Sphagnetum compacti)
Encontram-se junto de lagoas como a Comprida.
 
Arrelvados
A degradação dos cervunais devido ao sobrepastoreio favorece a acção da erosão pela água escorrente determinando a abertura de clareiras com uma camada fina de saibro granítico.
 
Zimbro rasteiro (Juniperus communis)
É a planta de maior expansão aqui, devido à facilidade de propagação das suas bagas. Encontra-se no andar superior de vegetação da Serra da Estrela acima dos 1600 metros. Trata-se de um arbusto amoitado, resistente aos fortes ventos, às temperaturas muito baixas, ao gelo e à neve.
 
Teixo (Taxus baccata)
De referir que esta planta deu origem ao nome da Freguesia do Teixoso.
 
Urze (Erica)
Nas encostas serranas dominam as urzes: urze vermelha (Erica australis), urze das vassouras (Erica scoparia), torga (Erica umbellata) e urze branca (Erica arborea).
 
Giesta (Cytisus)
O meio arbustivo tem como denominador comum as giestas, sobretudo a giesteira branca (Cystisus multiflores) e a giesta negral (Cystisus striatus). No entanto é possível detectar diferenças significativas na composição e estrutura destas formações. Para além da densidade, altura e presença ou ausência de afloramentos rochosos no seu seio, é possível identificar determinados padrões que se prendem com a presença ou ausência de espécies. Assim as cistáceas predominam nas áreas mais baixas, xistosas ou sedimentares, enquanto as giestas são mais expressivas em granito.
 
Narcisos (Narcissus bulbocodium)
Com flores brancas, amarelas ou bicolores e fragâncias diversas, os narcisos são utilizados desde há longos anos, como ornamentos. Em Portugal Continental ocorrem quase duas dezenas de espécies de narcissus, ficando situadas as que têm maior procura comercial, na zona da Serra da Estrela: a Narcissus Rupicola (estrelinha), Narcissus asturiensis, Narcissus triandus e a Narcissus bulbocodium (campainhas).
Entre 1986 e 1991, a Holanda importou cerca de 3,5 milhões de bolbos de narcisos provenientes de Portugal. Directamente colhidos na natureza, ainda que ocorram em todo o País, é na Serra da Estrala que estas colheitas se verificam com mais incidência.
 
Fava-de-água (menyanthes trifoliata)
Pode ser encontrada na vegetação flutuante ou marginal das lagoas.
 
Caldoneira (Echinospartum lusitanicum)
Costuma revestir a base e as fissuras dos rochedos ou monólitos.
 
Carqueja (Genista Tridentata)
 
Planta carnívora (Drosera Rotundifolia)
 
Tramazeira (Sorbus aucuparia)
 
 
Turismo e Lazer
 
A Serra da Estrela, ponto mais alto de Portugal Continental, constitui-se num dos últimos destinos turísticos, onde a Natureza, preservada contra todas as tendências devastadoras da sociedade contemporânea, se revela passo a passo, em recantos de espectacular beleza.
 
A neve com que se cobre durante parte do ano, permite a realização de actividades únicas em Portugal, tais como Caminhadas na Neve, Escalada em Gelo, Percursos de Mushing, etc.
 
Mas a Serra da Estrela não é só neve e desportos de Inverno. Actividades como Passeios Pedestres, de BTT e de Jipe, Paintball, Canoagem, Slide, Rappel, Escalada, Orientação, Caça ao Tesouro e muitas outras, encontram na Serra um local privilegiado durante todo o ano.
  
 
 
 
ACTIVIDADES SÓCIO-ECONÓMICAS
 
 Actividades Tradicionais:
 
São ainda o pastoreio, a agricultura e a indústria de lanifícios, as actividades tradicionais, que ocupam grande parte da população activa, residente na área do Parque Natural da Serra da Estrela.
           
Produtos regionais:  
 
Para além do mel, do pão de centeio, das mantas de lã, dos enchidos, o Queijo Serra da Estrela é sem dúvida o produto mais famoso, com peso na economia da região.
 

publicado por Paulo Jesus às 17:20

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