"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

Abril 13 2010
 
 REFÚGIO

 

O Refúgio é um pequeno lugar, airoso, situado na Cova da Beira a sul da Covilhã.

Aqui residiu, na sua quinta, Joaquim António Clemente Maciel, que serviu o Rei D. João VI e seu filho o Rei D. Pedro IV como militar com a patente de Major. Tendo passado à reserva, continuou como comandante das melícias fiéis a D. Pedro IV.

Algum tempo após ter mandado construir a Capela de Nossa Senhora do Refúgio D. Miguel subiu ao trono e ficou como Rei até sua sobrinha atingir a maioridade (futura Rainha D. Maria II) e, como rei absolutista, persegue politicamente todos aqueles que defendiam a causa liberal.

Joaquim Maciel foi preso no ano de 1829, tendo sido encarcerado na torre de São Julião da Barra, e mais tarde, transferido para as prisões do Porto.

José Mendes da Veiga e sua esposa, Maria Cândida Tavares Veiga, proprietários de muitas terras, compraram, aos herdeiros de Joaquim Maciel, a quinta onde se encontrava a Capela de Nossa Senhora do Refúgio.

Foram estes proprietários que, na sua época, desenvolveram aquela zona. No local, onde se situava a casa da quinta de Maciel, foi construído o palacete. Ampliaram a Capela de Nossa Senhora do Refúgio. Construíram três fábricas de lanifícios, localizando-se uma na Estrada Real que passou, mais tarde, a Nacional 18, a outra em frente à Capela de Nossa Senhora do Refúgio e a terceira, na Ribeira de Água Alta. Construíram, ainda, casas para os seus operários e empregados, um forno comunitário, um moinho, um lagar e em frente do seu palacete, uma fonte para abastecer de água as populações.

Possuidor de inestimáveis dotes de honradez e inexcedíveis qualidades de trabalho, José Mendes da Veiga que muito novo se ligou à indústria dos lanifícios, depressa conquistou, pelo seu mérito, um elevado nível na carreira social.

Por morte de seu pai Manuel Mendes Viegas, tinha ficado sua mãe, Rosa Jacinta Carvalho Viegas, a gerir toda a sua grande fortuna, até que José Mendes Veiga atingisse a maioridade e foi, nessa altura, que com o seu irmão, Manuel Mendes Veiga (com o mesmo nome do pai), tomou conta dos destinos das suas propriedades.

José Mendes da Veiga foi um dos principais industriais da Covilhã, dotado de muitos privilégios, que o Reino lhe consagrava com relevado merecimento, pois possuía, para além das fábricas, escolas de aprendizagem de cardação e fiação nos lugares de Vale de Lobo, Santo Estevão, Castelejo, procedendo, deste modo à formação de técnicos que muito viriam a contribuir para o desenvolvimento industrial.

O seu nome está ligado a todos os melhoramentos desenvolvidos na indústria daquela época, pondo deste modo a Covilhã na vanguarda de todos os centros de lanifícios do país.

O valor deste seu trabalho foi reconhecido por Sua Majestade, o Rei D. Luís I, cujo governo, por decreto de 28 de Março de 1864, o condecorou com o grau de Comendador da Ordem de Cristo.

Por sua morte, ocorrida no Refúgio em 26 de Fevereiro de 1872, todas as suas fábricas e propriedades foram doadas em testamento ao seu afilhado e sócio Marcelino José Ventura.

Marcelino José Ventura, nasceu na Covilhã no ano de 1820, onde fez a instrução primária. Foi trabalhar, ainda jovem, para a fábrica de seu padrinho. Após alguns anos, devido ao seu saber, humildade, diligência, pontualidade, apto em qualquer serviço e ainda devido ao facto de ser cuidadoso, interessado e muito dedicado, foi nomeado administrador de todas as firmas e propriedades pelo Comendador José Mendes Veiga que se apercebeu das suas qualidades.

Após perceber esta herança, Marcelino José Ventura, granjeou em alto prestígio e tornou-se o maior industrial e comerciante da região. Foi Procurador-Geral do Distrito de Castelo Branco, eleito pela Cidade da Covilhã e Presidente da Assembleia Geral do Banco da Covilhã. Para além destes títulos, exerceu muitos cargos e funções revelantes para a Cidade da Covilhã. Foi contrariado que recebeu o título de Comendador, que rejeitou várias vezes, devido à sua modéstia.

O título de Comendador foi-lhe concedido pelo seu velho amigo e condiscípulo, Conselheiro António Maria Couto Monteiro que, naquela época, era Ministro e secretário de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça.

Aquando da visita à Covilhã do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia de Orleães, por ocasião da inauguração do Caminho de Ferro da Beira Baixa, que se efectuou em 6 de Setembro de 1891, o Comendador Marcelino Ventura encontrava-se gravemente doente, pelo que não pode receber os monarcas no seu palacete do Refúgio, onde estiveram hospedados. Assim, encarregou o seu amigo e companheiro Cândido Augusto de Albuquerque Calheiros de fazer as honras da casa, tendo suas Majestades sido recebidos e tratados com toda a pompa.

Onze dias depois, ocorre a morte do Comendador Marcelino Ventura, no Refúgio, no dia 17 de Setembro de 1891, tendo legado à Santa Casa da Misericórdia da Covilhã 1.000 escudos. Deixando ao seu amigo e companheiro, Cândido Augusto de Albuquerque Calheiros, toda a sua importante fortuna.

Cândido Augusto Albuquerque Calheiros nasceu em Valezim (Concelho de Seia), em 5 de Abril de 1840. Era filho de José Maria de Albuquerque Calheiros e de Margarida Henriques.

Veio muito novo trabalhar para a Covilhã, para as fábricas Mendes Veiga e, aqui foi um homem dinâmico e empreendedor dando mostras da sua capacidade no meio industrial. Foi aqui que o Comendador Marcelino Ventura lhe deu a categoria de administrador e passado pouco tempo lhe deu sociedade.

Casou em Lisboa, em 15 de Agosto de 1873, com sua prima Ana Cândida de Quental da Câmara Esmeraldo Freira Calheiros.

No seu regresso à Covilhã começou, de imediato, a desenvolver não só as fábricas Veiga, como a criação da nova fábrica no Ourondinho, perto de Unhais da Serra. A confirmar estão a alta chaminé e as paredes, em completa ruína.

No meio financeiro foi, também, figura de relevo, pelo cargo de Director do Banco da Covilhã, que desempenhou durante mais de 20 anos.

Ao seu dinamismo deve-se, ainda, a criação das termas de Unhais da Serra, que tiveram o seu auge em finais do século XIX. Construiu o edifício das termas, o grande hotel, casino, e outros edifícios que tornaram Unhais da Serra, além de estância termal de renome pela riqueza das suas águas, uma privilegiada zona de vilegiatura.

Foi um dos principais beneméritos da construção do Monumento de Nossa Senhora da Conceição (em Santo António), suportando a maioria das despesas.

Também desempenhou um cargo como Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, nos anos de 1902 e 1903, tendo dado, nessa época, um desenvolvimento notório à cidade.

Augusto Albuquerque Calheiros veio a falecer em 11 de Outubro de 1904, no seu palacete no Refúgio.

Deixou toda a sua fortuna a seu filho primogénito, José Mendes Veiga Albuquerque Calheiros (2º Conde da Covilhã).

O 2º Conde da Covilhã, José Mendes Veiga Albuquerque Calheiros nasceu no Refúgio, a 6 de Setembro de 1873, era filho do 1º Conde da Covilhã, Cândido Augusto Albuquerque Calheiros e da Condessa D. Cândida de Quental da Câmara Carvalhal Esmeraldo Freire Calheiros. Veio a casar com D. Alice Emília Cândida Costa Fróis (2ª Condessa da Covilhã).

Foi uma figura de muito destaque na sua época, tendo desempenhado vários cargos públicos tendo sido, ainda, industrial de lanifícios.

Deu grande apoio às festas de Nossa Senhora do Refúgio e à de Santo Antão.

Veio a falecer no seu palacete no Refúgio, do dia 27 de Abril de 1931, deixando a maioria da sua fortuna à sua filha D. Alice Froes Quental Calheiros, que nasceu no palacete do Refúgio, no dia 28 de Julho de 1900, tendo vindo a casar-se com o Engº António Serrão Burguete.

Foi uma excelsa senhora que levou a sua vida, sempre a praticar o bem, expressando sentimentos, de bondade e de carinho pelas gentes pobres do Refúgio, pela grandeza e generosidade da sua alma e que tudo fazia com simplicidade e amor.

A quinta Jardim do Palacete e a capela, herdados dos seus falecidos pais, foram por ela muito bem cuidados, preservando para a posteridade estas obras de grande valor.

Deste casamento nasceram doze filhos; Daniel; Maria de Lurdes; Maria Alice; Maria Emília; António; Maria Helena; Luís; José; Nuno-de-Santa-Maria; Pedro: Maria Teresa e Maria do Rosário Froes Calheiros Burguete.

Veio a falecer em Lisboa devido a uma queda a 10 de Outubro de 1955.

Deixou a capela privativa da família Calheiros Burguete inteiramente franqueada ao serviço religioso da comunidade refugiense.

Merece-nos destacar, também, e continuadamente estes seus sentimentos humanos e solidários, de seu neto Nuno-de-Santa-Maria de Séguier de Albuquerque Calheiros Burguete, casado com D. Mónica Pereira Nina Miguel Calheiros Burguete, filho de Daniel Froes de Albuquerque Calheiros Burguete e de Maria Emília Viegas da Cunha Neves, que por força de testamento, fideicomisso, feito em 1950, passou por morte de sua avó o único e actual proprietário do Palacete do Refúgio e da sua Capela.

Nuno-de-Santa-Maria tem dois filhos, José-de-Santa-Maria e Alice Miguel Albuquerque Calheiros Burguete.

In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges

 

PALACETE DO REFÚGIO

 

O Palacete do Refúgio, junto à estrada Nacional nº 18, foi mandado construir por volta dos anos 30 do século XIX, pelo Sr. Comendador José Mendes da Veiga, sendo o maior industrial de lanifícios na região e senhor de uma grande fortuna, e sua esposa Srª D. Maria Cândida Tavares Veiga.

Após o falecimento de ambos, e por não existirem filhos, todos os seus bens foram doados em testamento a seu afilhado, o Administrador Sr. Marcelino José Ventura, homem honesto, de inteira confiança e com grandes capacidades para dar continuidade à obra herdada.

Após esta herança, o Sr. Marcelino José Ventura granjeou um alto prestígio e tornou-se o maior industrial e comerciante da região. Foi Procurador Geral do Distrito, eleito pela cidade da Covilhã; Presidente da Assembleia Geral da Associação Geral do Banco da Covilhã, tendo exercido, para além destes, muitos outros cargos e funções revelantes para a cidade da Covilhã, recebendo o título de Comendador, forçadamente, que rejeitou várias vezes, devido à sua modéstia.

Sucede-lhe Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros, nascido em Valezim a 5 de Abril de 1840, que veio para a Covilhã trabalhar nas fábricas Veiga, homem com uma capacidade extraordinária, muito dinamismo que, passado pouco tempo passou a ser administrador das mesmas empresas.

Alguns anos depois casa-se com a única sobrinha do Comendador Marcelino Ventura, a Srª D. Ana Cândida, ficando a residir no Palacete.

Nos dias 6 e 7 de Setembro de 1891, o Rei Dom Carlos e a Rainha Dona Amélia, deslocaram-se à Covilhã para inaugurar o caminho-de-ferro da Beira-Baixa. Os monarcas, e todos os seus acompanhantes, foram recebidos sumptuosamente no Palacete do Refúgio pelo Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros, pelo facto de o Sr. Comendador Marcelino Ventura se encontrar muito doente.

O Palacete, foi decorado com todo o requinte, onde era manifesta a riqueza, para assim receber condignamente os Reis de Portugal.

Em reconhecimento pela faustosidade da receção, o Rei Dom Carlos concedeu ao aludido Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros o título nobiliárquico de “Conde do Refúgio” por duas vidas, que aceitou com muita honra e agrado.

Passados sete anos, por Decreto-Lei de 16 de Fevereiro de 1898, Dom Carlos alterou o citado título nobiliárquico de “Conde do Refúgio” para “Conde da Covilhã”, que veio a falecer no Refúgio a 11 de Outubro de 1904 com 64 anos de idade.

Sucedeu-lhe, como segundo “Conde da Covilhã” seu filho primogénito, Sr. José Mendes Veiga de Quental Calheiros, que foi casado com Sr. Dª Emília Cândida da Costa Fróis e faleceu em 26 de Abril de 1931.

O Palacete, o jardim, a capela e os terrenos em redor passaram a pertencer, por herança, a sua filha legítima, Dona Alice Frões Albuquerque Calheiros Burguete, que veio a falecer no ano de 1955.

Em testamento, o Palacete, jardim e capela passou a propriedade do filho mais svelho Dr. Daniel Frões Calheiros Burguete filho primogénito que, há eventualidade de não ter descendente varão, passará para o primogénito do irmão a seguir e assim se sucederá até à quinta geração.

 

In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges
 
 
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GRUPO RECREATIVO REFUGIENSE

 

O Grupo Recreativo Refugiense foi fundado em 14 de Julho de 1961. Esta associação dedicou-se, ao longo dos anos, ao desporto e à cultura, tendo a sua sede nas antigas escolas do Refúgio.

No desporto, tem praticado várias modalidades amadoras e na parte da cultura, criou um rancho Folclórico e Etnográfico do Refúgio e ainda um museu etnográfico.

Nos finais do século XX, após a aquisição da sede, foi feita uma remodelação, ampliação e modernização, sendo inaugurado no dia 6 de Outubro de 2000, pelo Presidente da Câmara Municipal da Covilhã Carlos Pinto e pela Vereadora da Cultura Dr: Maria do Rosário Gomes Figueiredo.

In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges
 
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ADEGA COOPERATIVA DA COVILHÃ, C.R.L.

 

A Adega Cooperativa da Covilhã foi fundada em 1954, com 147 associados, tendo efetuada a sua primeira vindima em 1957. A data da sua constituição foi 24 de Fevereiro de 1954.

Durante os primeiros anos da sua existência, a Adega Cooperativa da Covilhã esteve mais vocacionada para o fabrico e venda de vinho a granel, tendo mais tarde iniciado as primeiras iniciativas de engarrafamento, então manual.

A partir da década de 70, foi adquirido um sistema de enchimento smi-automático, que permitiu um ligeiro crescimento nas vendas de vinho engarrafado.

Com a entrada da Portugal da CEE, também a Adega Cooperativa da Covilhã se viu “obrigada” a iniciar um processo de modernização que ainda hoje perdura.

No final da década de 80, a Adega Cooperativa da Covilhã já comercializava três marcas; PEDRA DO URSO, PIORNOS e CONDE JULIÃO (em exclusivo para a Viniparra).

Hoje tem quase 1200 associados no ativo, com uma área social e geográfica que ultrapassa amplamente os limites do concelho da Covilhã, estendendo a sua influência também aos concelhos de Manteigas, Belmonte e ainda algumas freguesias do concelho da Guarda e do Sabugal, numa extensão de aproximadamente 1500 hectares de vinha.

Em termos de produção anual a Adega Cooperativa da Covilhã engarrafa cerca de 4.000.000 de garrafas, repartidas pelas seguintes marcas: Vinho de Mesa “PEDRA DO URSO”; Vinho Regional “SETE FONTES”; DOC “TERRAS DE CABRAL”; DOC “PIORNOS”; DOC “COLHEITA DO SÓCIO”; DOC “PIORNOS” (Monovarietais); Aguardentes “PIORNOS ZIMBRO” e “CENTUM CELLAS”; Jeropiga “PIORNOS”; Abafado “PIORNOS”; Vinho >Kosher “TERRAS DA BEIRA”.

A capacidade de vinificação é cerca de quatro milhões e meio de litros de vinho. São 25 os funcionários desta adega, podendo atingir o dobro em períodos de Vindimas, que decorrem, normalmente, de finais de Setembro até meados de Outubro.

 

In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges

 

 
 
 
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BAIRRO DA BIQUINHA

 

Este bairro, de casas económicas, encontra-se localizado na parte mais altaneira da Covilhã, a cerca de 700 metros de altitude.

No passado, era ocupado por um pinhal, propriedade da família Campos Melo, adquirido pela Segurança Social que fez uma permuta, com o empreiteiro José Augusto Bom Jesus, para aí construir um bairro operário.

Em 17 de Dezembro de 1963, José Augusto Bom Jesus vendeu uma parcela desse terreno à Câmara Municipal da Covilhã, por 40.000 escudos, para construção de um bloco de 10 moradias.

As obras deste bairro iniciaram-se no ano de 1964, com projeto do Arquiteto Pinto Sousa. O bairro foi construído por diversas fases e na primeira fase os lotes foram construídos paralelemente junto ao Estádio Municipal José dos Santos Pinto, moradias unifamiliares, de dois pisos, distribuídas em banda. Todas as moradias contêm logradouro e são de tipologia três. A segunda fase foi construída a Este por um bloco de habitação coletiva de três pisos.

No ano de 1976 foram construídas mais 10 moradias unifamiliares de um só piso com logradouro.

Atualmente este bairro é composto pelos seguintes topónimos: Rua Viriato; Rua 1º de Maio; Rua António Aleixo; Rua 20 de Outubro e Rua do Operário.

In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges

 

Estádio José Santos Pinto - Covilhã.jpg

Estádio Municipal José dos Santos Pinto - Cheio de adeptos do Futebol num Domingo

Em cima pode verificar-se que ainda não existe o Bairro da Biquinha - Década de 50 do século XX

 

 

Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos
 
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LACTÁRIO DE NOSSA SENHORA DA COVILHÃ

Nos anos de 1920/30, as Senhoras D. Maria Ilda Catalão Espiga e D. Adelaide Ranito Catalão, alertaram a população covilhanense, e as entidades de então, para o problema da mortalidade infantil que, na altura se fazia sentir de forma muito grave.

Foram coadjuvadas por um grupo de senhoras com mo mesmo sentir, que apareceram voluntariamente, com o desejo de fazerem algo contra a preocupante situação.

Assim, com o firme propósito de possibilitarem a adequada profilaxia às famílias mais carenciadas, de forma a conseguir que as crianças se libertassem do flagelo da morte, fundaram o “Lactário de Nossa Senhora da Covilhã”.

Para que essa obra tivesse corpo e vida, era indispensável a ajuda, não só das entidades oficiais mas também de todos os covilhanenses com meios económicos para o efeito.

Não se fez esperar essa ajuda e, consequentemente, nesse distante dia 3 de Maio de 1931, abriu-se a porta de uma pequena e modesta casa, na Rua do Senhor da Paciência, onde nasceu uma obra de profundo alcance social, em defesa da saúde e da vida das crianças pobres da Covilhã. O “Lactário”, como vulgarmente era conhecida tão útil obra de assistência infantil, conseguiu-se com o trabalho gratuito de um grupo de senhoras.

Animadas por um espírito de caridade, todas trabalhavam graciosamente. Faltava a esta sublime obra a imprescindível assistência médica, bem precioso para a saúde de todas as crianças.

Passado algum tempo, regressado de Paris, chega à Covilhã, sua terra Natal, um jovem médico, o Dr. José Ranito Baltazar. Depois de se ter especializado, em obstetrícia e puericultura, imediatamente se disponibiliza a prestar gratuitamente os seus serviços.

Assim, o Lactário começou a aprestar assistência médica e medicamentos, acompanhadas de conselhos de higiene, e passou a fornecer diariamente, em doses certas para cada caso, leite fresco, farinha e leite em pó, a um número elevado de crianças.

As instalações eram muito, reduzidas; mas, com a ajuda do Dr. José de Almeida Eusébio, conseguiu-se a aquisição de um imóvel que, pela sua amplitude, veio a constituir umas instalações que, depois de adaptadas, eram condignas para o bem exercício da plena atividade do “Lactário”.

 

In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges
 
 
 
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publicado por Paulo Jesus às 12:45

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