"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

Abril 13 2010

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ESCOLA SECUNDÁRIA CAMPOS MELLO

 

A família Campos Mello pensou num estabelecimento para uma escola industrial na Covilhã. Outras cidades e vilas pretenderam o mesmo do Governo, simplesmente, coube À Covilhã a honra de ter sabido convencer os poderes públicos, numa luta porfiada que durou vinte anos.

Ao fim desse tempo, um ilustre covilhanense, José Maria Veiga da Silva Campos Mello, lutou junto do seu antigo condiscípulo o companheiro de viagens, o então Ministro das Obras Públicas, António Augusto de Aguiar, pela fundação da Escola Industrial da Covilhã.

Foi no reinado de D. Luís I que se fundou, então, a Escola Industrial Campos Mello, e a Covilhã pode-se orgulhar de ter a escola industrial mais antiga do país. Tudo se deve ao industrial José Maria Veiga da Silva Campos Mello e à sua persistência que levou o governo, do qual eram ministros Hintze Ribeiro e António Augusto de Aguiar, a aprovar o Decreto-Lei do Diário do Governo de 3 de Janeiro de 1884.

A Escola Industrial Campos Mello foi instalada na rua Fernão Penteado, num edifício muito próximo da Igreja da Nossa Senhora da Conceição, cedido pela Câmara Municipal da Covilhã.

No Decreto-Lei de 14 de Dezembro de 1897, subscrito por António José da Cunha, no qual a Escola Industrial Campos Mello é englobada indistintamente com outras escolas, previam-se as seguintes disciplinas: desenho, matemática, tecelagem, debuxo, Língua Portuguesa e lavores femininos.

O Decreto de Manuel Francisco Vargas, de 14 de Dezembro de 1901, restabelecendo um pouco daquele espírito incluído no Decreto de António Augusto de Aguiar, não traz à Escola Industrial Campos Mello grandes vantagens práticas. Uma disposição semelhante à do decreto anterior impede, do mesmo modo, o provimento das disciplinas que lhe são atribuídas.

Só em 1905 é contratado um novo mestre de tecelagem, recomeçando então o ensino no prático de debuxo, e começa a ser lecionada a disciplina de língua Francesa.

A Escola começa a aumentar o número de alunos e o edifício não se ajusta às suas necessidades, razão por que, em 1912, é transferida para o edifício que a Companhia de Jesus estava a construiu na Covilhã, por os Jesuítas terem sido expropriados do seu edifício e bens quando se implantou a República. O sumptuoso edifício, construído expressamente para um colégio católico, com ótimas salas para aulas e amplos corredores, um vasto salão e grandes pés direitos, ofereceu excelentes instalações para uma escola industrial reservando-se o andar térreo para as oficinas.

No ano de 1918 a escola passou a designar-se Escola Industrial de Lanifícios Campos Mello, mas, em 1921, voltou a mudar de nome, passando a chamar-se Escola Industrial Campos Mello da Covilhã e, no ano de 1948, passou a Escola Industrial e Comercial Campos Mello.

Por motivo de a Escola já ser pequena para a população do concelho da Covilhã, no ano de 1950 começou a ser construído um novo edifício nos mesmos terrenos da escola, que foi inaugurado no ano de 1955.

Em frente ao mesmo edifício, na Avenida 25 de Abril, foi construído um monumento em homenagem ao patrono José Maria Veiga da Silva Campos Mello, que foi inaugurado em 1970. Nesse ano, a Escola Industrial começou a designar-se por Escola Técnica Campos Mello e no ano de 1979, volta a mudar de nome e a chamar-se Escola Secundária Campos Mello.

Nos princípios do ano 2000, iniciou-se a construção de um novo edifício para ser utilizado como Pavilhão Gimnodesportivo, que foi inaugurado em 2003. Perfazendo com os dois anteriores um triângulo.

Desta escola saíram grandes técnicos que deram fama à industria covilhanense tanto no país como no estrangeiro, o que se deve também aos bons professores que, ao longo da sua história, quiseram partilhar o seu saber tal como a sua técnica.

Para recordar os cursos que existiram na Escola, a Presidente da Comissão Executiva, Drª Isabel Maria de Almeida Lopes Fael, com a colaboração dos seus colegas, construiu dentro deste edifício um belíssimo museu com várias secções dos cursos lecionados e que foi inaugurado no ano de 2004.

 

Cronologia dos Diretores e Presidentes

 

Patrono

José Maria Veiga da Silva Campos Mello

 

Diretores

Professor – José da Fonseca Teixeira – 1884-1914

Professor – José Maria Campos Mello – 1914-1916

Professor – Joaquim Porfírio – 1916-1922

Professor – José Farias Bichinho – 1922-1930

Engenheiro – Ernesto de Campos Mello e Castro – 1930-1966

Dr. Duarte de Almeida Cordeiro Simões – 1966-1967

Dr. Augusto Rodrigues Guimarães – 1967-1974

 

Encarregado Interino da Direção

Dr. José de Oliveira Dias – 1974

 

Presidente do Concelho Diretivo

Dr. Rui Delgado – 1974-1976

Dr. Joaquim Ferreira de Almeida – 1976-1977

Dr. João Martins – 1977-1978

Professor Rodolfo Romeno Passaporte – 1979-1980

Drª Maria de Ascensão A. A. Figueiredo Simões – 1980-1986

Professor Ricardo dos Reis Matos – 1986-1992

Dr. António Jesus Gomes Ivo – 1992-1998

 

Comissão Executiva Provisória

Dr. Jorge Augusto Neves Wahon – 1998-1999

Drª Isabel Maria Marques de Almeida Fael – 1999-2009

 

In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges

 

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Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos
 

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O CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO

 

A Província da Piedade, em Portugal, procede da de São Tiago de Castela, e foi fundada por Frei João de Guadalupe quando, em 1500, veio estabelecer o primeiro convento em Vila Viçosa. Desta Província franciscana separou-se depois a da Soledade, sendo geral frei Francisco Maria Rhini. Estes frades, por usarem um capuz, alto e terminado em pirâmide, eram conhecidos por frades capuchos.

O Convento de Santo António da Covilhã, juntamente com outros edifícios, que posteriormente se lhe juntaram, situa-se na extrema da montanha que se levanta ao Sul desta cidade. Frei Manuel de Monforte, referindo-se ao seu edifício, considera-o “pequeno e recolhido, mas com bastante firmeza e capaz de albergar os doze religiosos que o habitam”.

Foi este convento fundado em 1553, em virtude de um milagre que ocorrera nesse mesmo ano. O povo aluíra ao Convento de Nossa Senhora do Fundão, com grande fé, suplicando o fim da enorme seca que, então, estava assolando a região. E a intercessão de Santo António foi tal que, assim que lá chegaram os romeiros, começou a cair grande chuvada. Daí resultou maior devoção pelo Santo, que levou o povo a pedir aos frades capuchos que edificassem outro convento na Covilhã. Choveram igualmente dádivas, e o Provincial Frei Miguel de Abrantes fez a vontade ao povo devoto, escolhendo para o convento um local aprazível e de surpreendente panorama sobre a cidade e sobre a várzea da Cova da Beira.

A capela-mor foi executada pelo licenciado Mendo Cão, que ali teve s sua sepultura. Durante a construção do convento deram-se vários casos miraculosos. Certo dia, passou um carro de bois carregado de pedra sobre o homem que o guiava, chamado Francisco Giraldes, do que resultou ileso. Outro operário, de seu nome Pêro Fernandes, caindo-lhe um penedo em cima, nada sofreu. E enfim outro caso, e esse o mais conhecido e admirável, foi que, quando duas juntas de bois carregavam uma grande trave para sustentar o coro da igreja, ao começarem a subir a íngreme ladeira, lhes minguaram as forças, e dali não arrancaram por mais diligências que fizessem os boieiros. Calhou então passarem por ali uns garotos, que ao verem tal, disseram:

-Tomemos esta trave e com a ajuda de Santo António levemo-la para o Convento!

E, metendo sob a trave os seus cajados montanheses, eles próprios carregaram a trave, com tal desembaraço até ao local das obras, que logo foram considerados miraculados do Santo Seráfico.

Com as dádivas dos devotos e algum contributo do Rei D. João V, chegou a ter uma bela igreja, um claustro, casa do capítulo, biblioteca, fábrica de buréis, além de adega, celeiro e terras de regadio, dispondo de excelente água das fontes. Bem à maneira dos franciscanos, foi sóbria a construção e pobrinha a arquitetura do convento. A fachada principal, voltada a Nascente, foi há pouco tempo reconstruída pela UBI. O portal, de arco inteiro sobre colunas simples, tem sobreposto um brasão e um óculo, e está ladeado por dois nichos com santos. Ao alto, um campanário com pilastras, com dois sinos. Dois pórticos, um voltado a Norte e outro ao Sul, davam acesso a todo o interior. O claustro tem arcaria de algum valor, sotoposta a renques de janelas. Depois da usurpação liberal de 1834, sofreu o convento grave delapidação do seu património, com construções adventícias e reparações adulterantes. Antes de ser comprado pelo artista Manuel de Morais da Silva Ramos, serviu de quartel a um regimento, e a Câmara projetou ali construir o Hospital D. Amélia, cuja “primeira pedra”, e única, foi colocada quando da visita real de 1891.

Depois de novos proprietários, e de outros arrendamentos, o convento de Santo António está sob a alçada da Universidade da Beira Interior, que o reconstruiu e remodelou para ali instalar a Reitoria, Sala dos Atos, etc.

In História da Covilhã de José Aires da Silva

 

 

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0145.jpg

Convento de Santo António.jpg

 

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publicado por Paulo Jesus às 16:37

Obrigado pela partilha: excelente!
Luís Cunha a 10 de Julho de 2017 às 13:11

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