"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

Fevereiro 01 2016

Introdução

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Junto ao ponto mais alto de Portugal Continental, em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, a natureza oferece um conjunto de lagoas único no país. São os espelhos de água a maior altitude existentes no todo nacional.

Geralmente de origem glaciária, as 25 lagoas permitem criar trilhos pedestres originais, próprios para as épocas quentes de Verão.

A Região de Turismo da Serra da Estrela aconselha aos menos experientes a aquisição da Carta Turística (1 :50 000) do Parque Natural da Serra da Estrela, bem como o contacto com guias que permitam percorrer os trilhos com maior orientação.

Propomos três Percursos que variam entre os 7 e os 12 Km e abrangem outras tantas zonas de paisagens fabulosas dentro da área do Parque Natural da Serra da Estrela. Dois dos Percursos são circulares, o das Lagoas da Torre e o das Grandes Lagoas, e o terceiro corresponde ao trajeto Penhas da Saúde – Torre (Trilho de Viriato).

 

Trilho de Viriato (7 Km) – 3h

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As Penhas da Saúde são uma estância de turismo a 1500 m de altitude ótima para repouso pois proporciona ar puro e clima saudável.

Suga pela estrada até encontrar o Lago Viriato cujas águas abastecem a Covilhã.

Continue a subir pela EN 339, passando o cruzamento para Manteigas, até encontrar em baixo à direita, a Nave de Santo António (1550 m).

A Nave é uma planície arenosa de que em tempos teria sido lagoa glaciária. Extenso cervunal semeado de blocos arredondados e de rochas aborregadas constitui, no Verão, um manto de verdura onde se apascentam numerosas cabeças de gado.

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Continuando pela estrada vamos encontrar na curva imediatamente a seguir, à esquerda, a Barragem do Covão do Ferro, também conhecida por Barragem do Padre Alfredo. Este construiu-a em 1940 para que a Penteadora – uma grande unidade de lanifícios – fizesse o aproveitamento hidrelétrico das águas da Bacia de Alforfa.

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Junto à Barragem parte o caminho que sobe a encosta até à nascente do Terroeiro, no lado de Unhais, entre piornais, urzes e amontoados de pedras que rolaram da vertente e por entre as quais se ouve o correr das águas.

Continue em lacetes até encontrar uma passagem estreita entre as fragas que se destacam. E … Respire fundo !...

A encosta que acabou de subir dará lugar a uma vertente suave com um caminho de traçado apropriado à passagem das vacas, ovelhas e cabras que, durante o Verão, ainda vêm de Unhais pastar para o planalto. Para a direita, a vista sobre o Covão do Ferro, a Nave de Santo António e as Penhas da Saúde deleita-nos. Quinhentos metros mais à frente, do lado esquerdo, é a vistas sobre Unhais da Serra e as montanhas xistosas da Lousã que maravilham o nosso olhar.

Continuando entre zimbrais e cervunais, sem caminho marcado, siga para Norte até chegar à Torre a 2000 m de altitude.

 

Trilho das Lagoas da Torre (8 Km) – 3h

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O ponto de partida para este circuito pedestre é um local mítico: a Torre – ponto mais alto de Portugal Continental.

 

João VI (1816-1826) mandou aí erigir uma torre toda em pedra para completar os 2000 m. Daí, a vista alcança pontos culminantes, extremamente longínquos, desde a Serra da Boa Viagem na Figueira da Foz, até à Serra de Gredos em Espanha; do Marão em Trás-os-Montes à Serra de Portalegre no Alentejo. Praticamente metade do território português e algum espanhol podem ser avistados da Torre.

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Nas traseiras das instalações que abrigam o radar, junto à capela, siga para Poente pelo caminho em direção ao Poio Estrela (1931 m).

Marginando pela direita e, mais abaixo pela esquerda, a linha de água passa no esporão que separa as Lagoas do Covão das Quilhas da Lagoa Serrano.

Atravesse o muro da Lagoa do Covão das Quillhas e siga a linha de água até ao Covão do Boeiro.

Entra-se na Garganta de Loriga, vale glaciário constituído por quatro depressões (covões), escavadas pelo gelo e situadas em degrau.

Eram antigos lagos glaciários, hoje colmatados e cobertos por cervunais.

Depois da ponto de madeira, siga pelo caminho à esquerda que desce até ao Covão do Meio.

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A população de Loriga sempre utilizou a água destas lagoas para produzir energia. Ao ser construída a Barragem do Covão do Meio, pela EDP, esse direito foi assegurado. No princípio do Verão, a água contida na barragem é esvaziada para a Lagoa Comprida, através de um túnel, ficando um caudal natural disponível para uso da população durante os 3 meses da estação.

Siga agora até à estrada nacional passando pelas ruínas de uma capela. Atravessando aquela no sítio da Fonte dos Perus, vai encontrar um local com um marco, conhecido por Cume (1858 m).

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Também conhecido por Planalto da Expedição, onde se acampou, no Verão de 1881, o grupo de cientistas da Sociedade de Geografia de Lisboa liderado por Hermenegildo Capelo. O desconhecimento da Serra da Estrela era tão grande que mereceu exploração e estudo, qual África no meio de Portugal.

A partir do Cume vá em direção nascente. Passeie junto às Lagoas das Salgadeiras.

Vire à direita no sentido da estrada e prossiga até à Torre onde concluirá o circuito.

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Trilho das Grandes Lagoas (12 Km) – 6h

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Iniciamos este trilho num local extremamente aprazível, a Barragem do Lagoacho – espelho de água de 480.000 m2.

Estamos a 1425 m de altitude.

Tomamos o caminho que vai até à Barragem do Vale do Rossim e pelo meio passamos pela pequena Barragem do Covão da Malhada.

Dada a sua situação privilegiada, o Vale do Rossim funciona como espaço de recreio e lazer nos meses de Verão. Esta Barragem serve as centrais da EDP e inunda uma área de 371.000 m22, Junto à casa do guarda da EDP, o trilho segue a jusante da Barragem.

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Atravesse a ponte na Ribeira da Fervença, continue à esquerda por uma carreteira, ao longo da Ribeira da Malhada da Laginha, que sobe entre mato de sargaço, urzes, torgas e piorno, em direção aos três fragões das Penhas Douradas, que devem o seu nome à cor do Sol poente.

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Atravesse a linha de água e suba a encosta, em terrenos de areias soltas num morro a 1631 m.

Em frente, para além dos blocos arredondados das moreias glaciárias, avista-se uma outra paisagem. Desaparecem os castelos de rochas e surgem os rochedos polidos e os cervunais nas depressões, evocando ambientes da glaciação.

Desça a encosta e entre no Vale do Conde a 1590 m.

Este pequeno vale glaciário é coberto por um imenso cervunal que, no Verão, alimenta o gado transumante do Sabugueiro. Em solos de turfa, esta associação vegetal, em que o cervum domina, é formada por espécies próprias de zonas frias. Encontra-se em todo o planalto acima dos 1600 m, entre rochedos, em profundos covões ou em extensos vales. São sítios muito sensíveis e raros, com uma expressão única no país. Merecem todo o cuidado, quando percorridos.

Siga para montante ao longo da margem esquerda da Ribeira das Nateiras e atravessando par o outro lado pelas pedras, continue pelo cervunal até encontrar um caminho que, pela esquerda, o conduzirá a um enorme bloco de pedra denominado Lapão do Ronca.

 

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Junto desta pedra parte uj caminho que segue ao longo da encosta através do Covão das Lapas e Vale da Barca ssituados à esquerda, com cervunais juncados de lapas (blocos erráticos), descendo para o Covão dos Conchos (1690 m).

Esta pequena barragem desvia as águas para a Barragem da Lagoa Comprida através de um túnel com 1519 m de comprimento.

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Suba pelo caminho até uma área denominada Charcos 1 1650 m.

Pequeno planalto semeado de charcos (lagoas glaciárias), que na Primavera se cobrem de ramúsculos de flor branca, e no Verão servem de bebedouro aos gados transumantes. As águas paradas e as temperaturas baixas destes locais, permitem uma decomposição lenta e imperfeita de espécies de flora e fauna, que se vão depositando no fundo, em camadas de sedimentos que se sucedem no tempo. As lagoas vão desaparecendo e os cervunais ocupam o se espaço.

Siga pelo caminho onde encontrará, à esquerda, duas pequenas lagoas e poderá visitar a Lagoa Comprida – 1580 m.

Esta era um antigo glaciar com 1 Km de extensão. Aproveitando o covão, iniciou-se em 1912 a construção da barragem. Em 1914 tinha uma altura de 6 m e em 1934 atingia os 15 m. Atualmente, desde 1965, tem uma altura de 28 m. É uma barragem do tipo gravidade, formada por três arcos de alvenaria de granito com 1200 m de desenvolvimento. A albufeira tem a capacidade de cerca de 12 milhões de m3 de água, e inunda uma área de 800.000 m2. Aí desaguam dois túneis: o do Covão do Meio com 2354 m, que desvia a água das encostas da Torre, e o do Covão dos Conchos com 1519 m que desvia as águas da Ribeira das Naves.

A partir da Lagoa Comprida, acompanhe a linha de água que vai ao Covão do Forno.

Daqui, continue em direção à Lagoa Sêca.

Andando mais um pouco alcançará a Lagoa Redonda.

Siga agora a linha de água e encontrará de novo a Barragem do Lagoacho.

Depois de contornar esta lagoa voltará ao ponto de partida junto ao paredão.

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O Peixe e a Pesca nas Lagoas

 

A realidade das comunidades piscícolas das lagoas corresponde principalmente à truta arco-íris (oncorhynchus mykiss) e ao escalo-do-Norte (euciscus carolitertii).

A existência do escalo a esta altitude é surpreendente já que no rio Zêzere apenas foi detetado até aos 1000 m.

Por outro lado, as características da água acima dos 1500 m, nomeadamente as temperaturas baixas e a elevada quantidade de oxigénio dissolvido, são propícias à truta arco-íris. Esta é semelhante à truta do rio, distinguindo-se da mesma principalmente pela coloração e pelas escamas mais pequenas.

O escalo-do-Norte (Bordalo) possui um corpo alongado de cabeça grande com boca relativamente pequena.

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FLORA

 

Hoje coincidente com a Reserva Bio-Genética da Serra da Estrela, o andar superior da Serra da Estrela é uma fóia botânica que necessita preservação. Assim, durante o passeio, deixe as plantas como as encontrou.

A elevada altitude da Serra da Estrela condiciona uma zonação bem marcada e particularmente interessante da vegetação, permitindo diferenciar três andares com diferenciação de plantas. São eles:

- Andar basal, de acentuada influência mediterrânica, até aos 800-900 m.

- Andar intermédio, domínio do carvalho-negral (Quercus pyrenaica), desde os 600-800 m até aos 1600 m.

- Andar superior, domínio do zimbro (Junipers Communis), acima dos 1600 m.

É este último patamar que corresponde à zona de existência das lagoas e dos circuitos propostos.

 

Os Zimbrais

 

O zimbro é a planta de maior expansão aqui, devido à facilidade de propagação das suas bagas.

A caldoneira (Echinospartum lusitanicum) costuma revestir a base e as fissuras dos rochedos ou monólitos.

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Os Cervunais

 

No fundo dos vales da parte cimeira da Serra, locais de maior retenção de água, aparecem os cervunais que podem ser secos (Galio-Nardetum) ou húmidos (Junco-Sphagnetum compacti) conforme a maior proximidade de água.

Os primeiros podem ser vistos na Nave de Santo António, no Covão do Boi, no Vale do Conde e no Vale de Loriga, assumindo sempre um aspeto verdejante. E os segundos junto de lagoas como a Comprida.

Os cervunais assumem papel importante no pascigo dos srebanhos.

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Os Arrelvados

 

A degradação dos cervunais devido ao sobrepastoreio favorece a ação da erosão pela água escorrente determinando a abertura de clareiras com uma camada fina de saibro granítico. Estas clareiras são colonizadas pelo Arenario-Cerastietum ramosissimi.

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Comunidades Rupícolas

 

Nos locais dos enormes rochedos, como os Cântaros as condições de sombra tornam possível uma vegetação muito rica.

Nos desfiladeiros e nas zonas de maior frescura encontram-se a maioria dos endemismos e orótifos mais notáveis da Serra da Estrela. O Vale da Candieira, descendo até à Lagoa da Paixão é um bom exemplo.

 

Comunidades Lacustres

A vegetação flutuante ou marginal das Lagoas é extremamente curiosa podendo encontrar-se plantas como a fava-de-água (Menyanthes trifoliata) e a Antinoria agrostidea (por exemplo na Lagoa da Paixão) e um endemismo ibérico.

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FAUNA

 

Anfíbios

 

Rã verde (Rana perezi)

Espécie típica das lagoas, dos charcos e dos ribeiros de correntes fracas.

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Rã-castanha (Rana ibérica)

É um endemismo do Noroeste da Península Ibérica típico dos ribeiros de águas límpidas e correntes fortes.

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Rela

Espécie típica das pequenas lagoas e charcos. Durante a época da reprodução, ao fim do dia e durante a noite, os machos cantam para atrair as fêmeas, formando-se grandes coros (fim da Primavera).

 

Sapo

Deteta-se principalmente em terra, debaixo de pedras deslocando-se à água apenas na época da reprodução, para aí depositar os seus ovos.

Nas zonas de maior altitude há uma maior abundância do sapo corredor. Nas de menor altitude encontra-se mais o sapo comum.

 

Tristão-de-ventre-laranja (Triturus boscai) e Tristão-marmorado (Triturus marmoratus)

Encontram-se essencialmente à noite em charcos onde se reproduzem e alimentam.

 

Salamandra

Detetável essencialmente à noite quando vai depositar as suas larvas em ribeiros.

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Répteis

Lagartixa-da-montanha (lacerta montícola)

Apenas existe no Planalto Central da Serra da Estrela e corresponde a uma população única no mundo, sendo mais abundante nas zonas de maior altitude.

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Lagarto-de-água

Encontra-se por todo o Planalto Central mas é mais abundante nas zonas de menor altitude.

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Cobra austríaca (Coronella austríaca)

Apesar de se tratar de uma cobra rara em Portugal, pode ser encontrada na Serra da Estrela geralmente acima dos 1900 m de altitude.

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publicado por Paulo Jesus às 16:04

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