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"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

SENHORES DA COVILHÃ

1º Senhor da Covilhã

Infante D. Henrique (1415 – 1460)

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A 2 de Setembro de 1415, no seguimento da Conquista de Ceuta, o Infante D. Henrique recebeu de seu pai, o título de Senhor da Covilhã e a sua Alcaidaria-mor, conjuntamente com o Ducado de Viseu.

Nasceu no Porto em 1394, vindo a falecer em Sagres no ano de 1460. A partir de 1420 torna-se Regedor e Governador da Ordem de Cristo, passando a dispor de valiosos recursos e a deter enormes responsabilidades.

A sua Casa Senhorial possuía, entre os seus servidores, 36 indivíduos da Beira Baixa, dos quais 20 eram navegadores e destes, 9 eram da Covilhã. Não será ainda de descurar o valor geoestratégico que a Covilhã viria a ganhar no quadro regional, enquanto guardiã da Beira Alta e traço de união entre as duas Beiras.

Na Covilhã, e de acordo com a tradição, D. Henrique fundou a Capela de Santa Cruz que mais tarde viria a ser reconstruída pelo Infante D. Luís.

 

 

2º Senhor da Covilhã

D. Fernando (1460 – 1470)

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A 13 de Novembro de 1460 recebe o Senhorio da Covilhã, após a morte de seu tio, o Infante D. Henrique. Filho do Rei D. Duarte e da rainha D. Leonor de Aragão nasceu em 1433, em Almeirim, vindo a falecer em 1470 em Setúbal. Aventureiro, saiu secretamente de Portugal em 1452, sendo o seu navio impedido de atravessar o Estreito de Gibraltar. Participou ao lado do Rei na conquista de Alcácer Ceguer e arrasou a cidade de Anafé em 1468.

Por ter sido adotado pelo seu tio, o Infante D. Henrique, torna-se num dos senhores mais poderosos de Portugal. Foi o 1º Duque de Beja e o 2º de Viseu, Condestável do Reino, Governador das Ordens de Cristo e São Tiago, teve os Senhorios da Covilhã, Beja, Moura, Serpa e Lagos.

No território da Covilhã, teve ainda a administração dos bens do Mestrado de Cristo e fundou a ferraria do Teixoso, para a qual alcançou privilégio de não pagar qualquer imposto.

 

 

 

3º Senhor da Covilhã

D. João (1470 – 1472)

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A 18 de Setembro de 1470 morre o Infante D. Fernando, sucedendo-lhe, no Senhorio da Covilhã, o seu filho D. João. Herdou os títulos de seu pai, tornando-se, para além de 3º Senhor da Covilhã, 3º Duque de Viseu, 2º Duque de Beja e 2º Senhor de Moura. À semelhança de D. Fernando teve os cargos de Mestre da Ordem de Cristo e da Ordem de Santiago, tornando-se no 7º Condestável de Portugal.

Em Julho de 1472, o Rei Afonso V, seu tio, concedeu-lhe a cidade marroquina de Anafé.

O Senhorio de D. João foi curto, visto este ter morrido jovem, solteiro e sem descendência.

Teve como sucessor o seu irmão, o Infante Diogo.

 

 

4º Senhor da Covilhã

D. Diogo (1472 – 1484)

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A 30 de Junho de 1472, é emitida uma carta régia pela qual D. Afonso V autoriza o Infante D. Diogo a suceder, no Senhorio da Covilhã, ao Infante D. João, que morrera prematuramente.

D. Diogo, para além dos cargos e mercês herdados do irmão D. João, foi ainda agraciado por Afonso V com os cargos de condestável do Reino e Governador da Ordem de Cristo.

Era detentor de grande influência pelo poder que possuía e por ser cunhado do futuro Rei D. João II.

Eleito líder dos revoltosos, devido à política centralizadora do Monarca, preparou uma conspiração para assassinar D. João II e o príncipe herdeiro, o que lhe permitiria depois subir ao trono.

Tendo o Rei conhecimento desta conjura e, atraindo D. Diogo a Palmela, aí o apunhalou a 27 de Agosto de 1484.

 

 

 

5º Senhor da Covilhã

D. Manuel (1484 – 1521)

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Após a morte de D. Diogo, o Senhorio da Covilhã foi entregue a seu irmão, futuro rei D. Manuel I. O Venturoso nasceu em Alcochete em 1469, vindo a falecer em Lisboa em 1521, era o nono filho do Infante D. Fernando. Feito filho adotivo por D. João II e após a morte do Infante D. Afonso, em 1491, alcançou a grande meta dos Descobrimentos: a Viagem, à Índia.

Depois de ter recebido em 1484 o Senhorio da Covilhã e Vila Viçosa. O Governo da Ordem de Cristo e a investidura nos ducados de Beja e Viseu, recebeu os cargos de Fronteiro-mor das comarcas de entre Tejo e Guadiana. Além do Guadiana e do Reino do Algarve, de Condestável do Reino das saboarias da coroa, do Senhorio das Ilhas da Madeira, Cabo Verde, Açores, Guarda, Gouveia, dos Castelos de Tavira e Portel. Na Covilhã, para além do referido Senhorio, confirmado em 28 de Maio de 1489, teve ainda a administração de todos os bens do Mestrado de Cristo e a confirmação de privilégios que D. Fernando conseguira para a ferraria do Teixoso. É este monarca que atribui à Covilhã, a 1 de Junho de 1510, o 2º Foral.

 

 

6º Senhor da Covilhã

D. Luís (1521 – 1555)

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A 5 de Agosto de 1527 é confirmado, por D. João III, ao Infante D. Luís, seu irmão, o Senhorio da Covilhã. Este nasceu, em Abrantes, a 3 de Março de 1506, sendo filho de D. Manuel I e da sua segunda esposa, D. Maria de Castela. Veio a alcançar grande notabilidade no seu tempo, como diplomata, cultor das artes e das ciências. Da sua relação com a Covilhã destaca-se o facto de ter aqui residido durante alguns períodos de tempo. Ofereceu à Covilhã uma custódia/relicário com uma relíquia do Santo Lenho tendo, segundo a tradição, refundado a Capela de Santa Cruz.

Para além de Senhor da Covilhã, foi duque de Beja, condestável do Reino, fronteiro-mor da comarca de Entre Tejo e Guadiana, Senhor de Ceuta e das vilas de Seia, Salvaterra de Magos, Almada, Moura, Serpa e Marvão e do Concelho de Lafões e Besteiros e, ainda administrador do Priorado do Crato e da Ordem de Malta. Foi pai de D. António Prior do Crato.

Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos

PERSONALIDADES NOS DESCOBRIMENTOS

Infante D. Henrique

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Zuraca, in crónicas da conquista de Ceuta

 

D. Henrique será senhor da Covilhã – “pela grandeza do trabalho que filhou em todos estes feitos assim na armação que fez no Porto, como no trabalho e perigo que houve no dia que filhamos a cidade”

 

Porto, 1349-1460 (?)

«O Senhor da Covilhã»

 

Aquele que é considerado o iniciador da expansão marítima portuguesa teve também premonitoriamente como seu primeiro título nobiliárquico o de «Senhor da Covilhã». Esta terra da Serra da Estrela é-lhe doada em Tavira pelo pai, Rei D. João I. Esta doação acontece após a também primeira conquista portuguesa conseguida além-mar, neste caso, a grande porta entre o Atlântico e o Mediterrâneo; Ceuta (1415). O Infante tinha apenas 21 anos.

O avanço para esta cidade africana significa a génese de uma grande epopeia que levou uma forma de civilização e de cultura aos cinco continentes.

Depois de Ceuta, dá-se o descobrimento do arquipélago da Madeira (1419-1420), as expedições militares portuguesas ao das Canárias (1424), a redescoberta dos Açores (1427). Sob o comando do Infante, a saga continua agora em 1434 quando Gil Eanes dobra o Cabo Bojador e em 1436 com o atingir do rio do Ouro. Em 1440, é nomeado pelo rei D. Afonso V, fronteiro mor da Beira, o que inclui toda a Serra da Estrela. Em 1441, é atingido o Cabo Branco e em 1444, o Cabo Verde. Em 1460, ano da sua morte, são atingidas as ilhas de Cabo Verde e na costa africana, a Serra Leo.

O Senhorio da Covilhã é criado em 1415 pela primeira vez por D. João I, para ser doado ao Infante. A partir daí e até à sua morte, D. Henrique constituirá uma enorme e poderosa casa senhorial englobando toda a atual região da Serra da Estrela. Como outros decisivos vultos das navegações que lhe seguiram, ficou o nome do Infante para sempre ligado a estas terras.

 

 

PÊRO DA COVILHÃ

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(Covilhã, 1450 a 55 – ETIÓPIA, cerca de 1530)

 

A Imagem da aventura portuguesa

 

Primeiro grande explorador europeu das Costas da Arábia, da Índia e Oriental de África, fê-lo cumprido ordens do rei D. João II no sentido de preparar a viagem de Vasco da Gama.

Contemporâneo de Cabral, era natural da cidade da Covilhã na altura vila, situada a 20 Km, de Belmonte.

Pêro da Covilhã é o símbolo e expoente da aventura que representou a expansão quinhentista.

Partiu muito jovem para Castela e cerca de 1467-68 (data do nascimento de Cabral) estava ao serviço do Duque de Medina Sidónia como moço de esporas, terá sido em Sevilha que aprendeu a língua árabe.

Cerca de 1475, é cedido como escudeiro ao rei D. Afonso V de Portugal, que assim o admitiu na casa real. Nesta qualidade participa na batalha de Toro, apoiando a pretensão do rei português ao trono de Castela. Em 1481, passa a servir D. João II que utiliza as suas aptidões com as armas e a fluência da língua castelhana. No início de 1487, o rei acreditava numa passagem de Sueste que permitiria a ligação entre o mar Oceano (o Atlântico) e o Índico. O objetivo era as naus portuguesas pudessem aportar à Índia e aos centros das especiarias.

Para Concretizar essa determinação, D. João II envia a Bartolomeu Dias para atingir essa passagem, via Costa Ocidental africana. Simultaneamente, incumbe Pêro da Covilhã (e Afonso de Paiva) de recolher informações sobre a Costa Oriental de África, o reino custão de Preste João e a Índia. A tarefa concreta de Pêro da Covilhã era a de uma passagem entre o Índico e o Atlântico; reconhecer as margens do Índico; identificar as zonas produtoras das especiarias (pimenta, cravo e canela) e os seus principais centros produtores e finalmente conhecer as principais redes comerciais de Oriente. Assim, Pêro da Covilhã parte em 1487 para Valência e Barcelona (Espanha). Daqui navega para Nápoles (Itália).

Passa à ilha de Rodes (Grécia) e a Alexandria e Cairo (Egito).

Disfarçado (falava árabe), integra uma caravana muçulmana que se destinava à Arábia. Passa para o porto africano de Suaquém (no mar vermelho) e chega à costa da Arábia em Aden. Até ao princípio de 1499, Pêro da Covilhã visita a costa ocidental da Índia (Cananor, Calecute e Goa) e Ormuz, no golfo Pérsico.

Concluída a missão de espionagem económica na Ásia, o escudeiro visita toda a costa africana entre Zeila (no golfo de Aden) e Sofala (na costa de Moçambique).

Regressou ao Cairo em 1491. Aí encontra novos emissários de D. João II a quem transmite os dados recolhidos e a quem informa que os navios portugueses que entravam no Atlântico sul poderiam dirigir-se ao Índico, atingir Sofala ou a ilha de Madagáscar e daí passar às importantes cidades das especiarias na Índia. Após entregar a carta para D. João II, Pêro da Covilhã segue para Ormuz com um dos emissários do rei (o rabino judeu Abraão) visitando Jeddah (na costa da Arábia) e as cidades santas do Islão, Meca e Medina. Daí, prossegue para o Monte Sinai e no final de 1492 (ou início de 93) inicia a visita ao reino do Preste João: a Etiópia, em África.

As informações que enviou foram determinantes para a certeira viagem em que Vasco da Gama descobre o Caminho Marítimo para Índia. O próprio Camões, nos Lusíadas, considerou as viagens de Pêro da Covilhã o facto capital do reinado de D. João II.

Pêro da Covilhã tornou-se assim um dos iniciadores decisivos para presença portuguesa no mundo; primeiro explorador europeu das costas da Índia e África Oriental; contribuidor para a descoberta do caminho marítimo para a Índia; iniciador das relações mais fáceis entre a Europa e o Oriente; iniciador do relacionamento com o reino cristão do oriente africano (a Etiópia e o Preste João.

 

CAMÕES

Sobre Pêro da Covihã

 

Viram gentes incógnitas e estranhas

Da Índia, da Carmânia e Gedrosia

Vendo vários costumes, várias manhas,

Que cada região produz e cria,

Mas de vias tão ásperas, tamanhas

Tornar-se facilmente não podia,

Lá morreram, enfim, e lá ficaram,

Que à desejada Pátria não tornaram.

Lusíadas in Canto IV

 

 

Mestre José Vizinho

Navegação Astronómica

 

A grande invenção do séc. XV foi a descoberta da navegação astronómica.

 

Logo na fase inicial da expansão marítima portuguesa acontece a exploração progressiva da costa ocidental africana em direção ao sul. Com a aproximação da linha do equador, o habitual modo de orientação dos navios através da estrela polar, deixava de ser aplicável. Torna-se fácil imaginar a dificuldade de orientação de uma nau em pleno Atlântico, sem vista de terra, sem as referências estrelares já conhecidas, em latitudes nunca antes atingidas. A fase decisiva do início das grandes navegações teve de passar pelo avanço da ciência náutica. D. João II mandou então seus cosmógrafos tentar descobrir um método eficaz para determinar as latitudes em qualquer ponto do mar.

O judeu covilhanense José Vizinho, também médico do rei, foi o responsável pela original aplicação de um método que desde o séc. XIII tinha sido estudado na escola astronómica de Toledo.

José Vizinho, parte para sul ao longo da costa de África até latitudes próximas do equador. A latitude podia ser determinada a partir da medição da altura do Sol na sua passagem pelo meridiano do lugar; uma vez conhecida a declinação do Sol na sua passagem pelo meridiano do lugar e também a declinação deste no dia de observação, para medir a sua altura, adaptou-se o astrolábio. Estas experimentações acontecem em 1485 e revolucionam completamente a possibilidade de orientação marítima, tornando possível a qualquer nau estar em qualquer ponto dos hemisférios norte ou sul. Passam também a revelar Portugal com uma supremacia total, que a própria Espanha reconhecia, no que respeita à ciência náutica, à prática de navegar e ao conhecimento da geografia.

Mestre José Vizinho, originário da importante comunidade judaica da Covilhã, cidade estabelecida no sopé da Serra da Estrela, estudou em Salamanca onde foi aluno do professor de Astronomia Abraão Zacuto. Daí também a sua grande preparação científica e o ser escolhido como cosmógrafo por D. João II.

Zacuto, expulso de Espanha pela ação do inquisidor Torquemada, emigra para Lisboa e publica em 1496 o «Almanach Perpetum Celestium Motuum». Este foi um dos 4 primeiros livros publicados em Portugal após a invenção da imprensa e a primeira a utilizar os tipos soltos do sistema Gutemberg. Essa obra foi editada e traduzida de hebreu para latim e castelhano por José Vizinho, que já conhecia as tabelas solares manuscritas, desde 1483. As tabelas de declinação do sol aí descritas eram usadas pelos capitães e pilotos nas suas naus.

Cristóvão Colombo, amigo do cosmógrafo, nas notas da sua viagem para a América, mostra bem quão importante era a técnica de Vizinho deixando referências registadas em notas escritas. Provavelmente, deve-se a Mestre José a tábua única editada no Guia de Munique.

Dia a dia, passou a ser possível avaliar a latitude atingida pelo navio e Vizinho provou igualmente que a navegação sobre e a sul do equador era praticável. Da mesma forma, a consequente prática da navegação provou que as tabelas por si elaboradas para marinheiros, eram excelentes para aplicarem todas as latitudes (D. W. Waters). Uma tábua (tabela) sua serviu aos navegantes de 1485 a 1497, tendo sido usada também por Colombo e Bartolomeu Dias. Colombo esclarece mesmo que das observações de «mestre José, físico e astrólogo» se obtiveram resultados muito interessantes acerca da extensão do arco do meridiano terrestre, que aliás diz ter pessoalmente confirmado.

O astrolábio náutico tornou-se um aparelho de conceção portuguesa apesar de derivado do astrolábio planisférico.

Como cosmógrafo, Vizinho auxiliou o seu conterrâneo Pêro da Covilhã na elaboração de um globo terrestre para este explorador e participou na reunião onde Cristóvão Colombo apresentou o projeto de atingir a Índia, a D. João II. Finalmente, Mestre José Judeu (Vizinho) desenvolveu o primeiro astrolábio, ainda que rudimentar (teve a colaboração de mestre Rodrigo e Martin Behaim) com que «tão rusticamente começou esta arte que tanto fruto tem dado ao navegar». Segundo João de Barros, este astrolábio de madeira era «pau de três palmos de diâmetro, o qual armavam em três paus à maneira de cábrea por melhor seguir a linha solar, e mais verificada e distintamente poderem saber a verdadeira altura daquele lugar».

José Vizinho deve ser considerado um dos maiores responsáveis pela revolução da náutica astronómica como medida decisiva para orientar a navegação.

«O rei de Portugal enviou à Guiné no ano do Senhor de 1485, mestre José, seu físico e astrólogo, para observar a altura do Sol em toda a Guiné o que fez e comunicou ao dito Sereníssimo rei, estando eu e outros presentes a 11 de Março …

Mais tarde, o mesmo Sereníssimo Rei enviou ainda e muitas vezes observadores a outros lugares da Guiné (…) e encontrou os respetivos resultados sempre de acordo com mestre José…»

Cristovão Colombo

 

 

Rui Faleiro

Covilhã, Sec. XV (1544)

 

«E havendo neste tempo ido Rui Faleiro a um lugar de Portugal, de onde era natural (Covilhã), a curar-se de certa enfermidade prenderam-no e tomaram-lhe o que tinha, o que el-Rei sentiu muito e fez demonstração disso, pedindo com instância ao Rei de Portugal que o mandasse pôr em liberdade e restituir-lhe os bens, o que logo foi feito». (Herrera, 1522).

“… Colombo descobriu a América com base nas informações de Faleiro: «e que foram suas as descrições com que o Almirante Colombo se determinou a fazer certo este descobrimento e novo mundo»” (Diego Cisneros, 1618).

“ a alucinação cosmográfica de Colombo descobriu a América; e a de Faleiro ia descobrir a passagem do Atlântico para o Pacífico mostrando a rota da circum-navegação” (Oliveira Martins).

Sócio e mestre (segundo Oliveira Martins) de Fernão de Magalhães, Rui Faleiro planeou com este a viagem que se propunham fazer às ilhas das Molucas, centro do cravo e da noz.

Esta viagem resultou na primeira de circum-navegação à volta da Terra. Até hoje não foi apurado de que dos dois foi iniciativa. Tanto Magalhães como Rui Faleiro e o irmão deste foram colocar-se ao serviço do rei espanhol aliás, como já antes o havia feito Cristóvão Colombo. Esta situação ajuda a patentear como a ciência náutica portuguesa continuava bem à frente, podendo dizer-se que, no fundo, os avanços marítimos de Espanha eram feitos com base na técnica e ciência portuguesa.

Rui Faleiro esteve assim, com Magalhães, na preparação de uma grande operação marítima o que lhe valeu, inclusivamente, a prisão num Portugal que não perdoava a quem fosse ao estrangeiro transmitir ou promover conhecimentos náuticos. E Faleiro tinha muitos.

É que enquanto Magalhães foi tornado navegador e soldado por seis ou sete anos de trabalhos, Faleiro era um grande homem na cosmografia, astrologia e outras ciências humanas, que vivia na Serra da Estrela, na Covilhã e nunca viajara nem possuía dotes militares nem audácia de aventureiro.

Exilados em Sevilha desde 1517, Magalhães e Rui Faleiro apresentam-se logo em 1518 na corte de Carlos I, em Valladolid, onde os dois assinam a contrata com o rei, acordo que lhes garante gratas condições e vantagens desde que a grande viagem tenha sucesso.

Sobre a viagem, enquanto as tarefas de Magalhães respeitavam à armação da frota, o recrutamento da tripulação e a provisão de armas, equipamentos e víveres, as de Faleiro dirigiam-se à organização das cartas geográficas e trabalhos de carácter científico.

Ainda em 1518 o rei espanhol elevou-os a Comendadores da Ordem de Santiago enquanto o português, D. Manuel, tudo fazia para que o projeto concebido derrocasse e que os dois organizadores regressassem a Portugal.

De carácter irrascível, Rui Faleiro acabou por não acompanhar Magalhães mas deixa para sempre o seu nome ligado àquela que acabou por ser a primeira rota de circum-navegação marítima do globo.

 

 

Francisco Faleiro

Covilhã, Sécs. XV-XVI

 

Irmão do sócio de Fernão de Magalhães, Francisco Faleiro foi o cosmógrafo que mais desenvolveu os estudos para a avaliação da longitude em pleno mar.

José Vizinho tinha já, em final do séc. XV, conseguido desenvolver a ciência para a análise da latitude.

Porém, continuava a ser necessário resolver problemas importantes da navegação.

Um destes, era a procura de um modo para a determinação da longitude do lugar pois completava os métodos já conhecidos, para determinar a latitude e permitir localizar as naus à superfície dos mares do globo.

Notável cosmógrafo, Francisco Faleiro deixou escrito o «Tratado del Esphera y del arte del marear»; com el regimieto de las alturas; cõ algûas reglas nuevamête escritas muy necessárias. A obra foi impressa em Sevilha em 1535 e representa um Guia Náutico em que o mais inovador é a exposição de três modos de obter a declinação magnética por observações solares (um quarto modo está errado). O tratado de Pedro Nunes só foi publicado 2 anos mais tarde.

E, 1517 junto com Rui Faleiro chega a Sevilha onde inicia a sua colaboração com o rei de Espanha e ajuda o irmão a organizar cientificamente a grande viagem de circum-navegação.

Tal como o irmão, não acompanhou Magalhães na grande viagem, embora tenha estado indicado por Carlos I para seguir numa expedição atrás da frota de Magalhães.

 

 

Diogo Álvares da Cunha

A Tomada de Ceuta

 

Frei Diogo Álvares da Cunha era covilhanense, neto da Rainha D. Leonor Teles e de João Lourenço da Cunha. Colaborou com o Infante D. Henrique na expedição que tomou a cidade de Ceuta e que para muitos marcou o início da expansão. As fontes publicadas sobre a Ordem de Cristo mostram que entrou para a mesma após esta expedição.

A 19 de Maio de 1426 esteve no capítulo geral de sua Ordem em Tomar. Após a Expedição às Canárias recebeu a Comenda do Castelejo e Castelo Novo. Em 1438 são-lhe atribuídos 15.781 reis de soldo pelo seu serviço em Ceuta.

Está sepultado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, onde é visível uma lápide com inscrição.

 

 

Fernando de Castro

Ao Serviço do Infante

 

D. Fernando de Castro, Alcaide-mor da Covilhã, Senhor de Ançã, S. Lourenço do Bairro e do Paúl do Boquilobo, casou com D. Isabel Ataíde.

Pertenceu à Casa do Rei D. João I, a quem acompanhou na conquista de Ceuta. De regresso à pátria, é enviado como Embaixador de Portugal ao concílio de Constança (1416) e Castela (1423).

É nomeado Governador da Casa d Infante D. Henrique e este concede-lhe a alcaidaria-mor da Covilhã.

Seguiu no comando de uma expedição à Grã-Canária (1424). Participou ainda na malograda expedição a Tânger (1437), sendo enviado a Ceuta para negociar o resgate do Infante D. Fernando, onde foi atacado e morto por piratas genoveses em Abril de 1440.

 

 

 

Pedro da Covilhã

1ª Missa no Oriente

 

Frei Pedro da Covilhã foi capelão da armada de Vasco da Gama.

Primeiro mártir do Oriente, covilhanense que viveu no século XV, entrou para o convento da Ordem da Santíssima Trindade, em Lisboa, no ano de 1468 e ali permaneceu durante alguns anos.

Tendo conhecimento da viagem por mar à Índia sob o comando de Vasco da Gama, pediu para ser o confessor e capelão da armada.

Partiram de Lisboa a 8 de Julho de 1497 e desembarcaram em Calecute a 20 de Maio de 1498.

Terá sido o primeiro português a celebrar missa naquelas terras e a iniciar a evangelização do gentio, contudo rapidamente sucumbiu às mãos dos inimigos da Fé Cristã.

 

 

Rodrigo de Castro

Erudição e Fidalguia

 

D. Rodrigo de Castro foi Alcaide-mor da Covilhã.

Fidalgo da casa régia e Senhor de Valhelhas, foi nomeado membro do Conselho Real em 1487, criado de D. Afonso V, tendo vivido os principais acontecimentos militares, em Castela e em África, sendo remunerado com títulos e distinções.

Recebeu por testamento a alcaidaria-mor da Covilhã de seu pai, 1º conde de Monsanto, que faleceu na tomada de Arzila em 1471. O então Senhor da Covilhã, El-Rei D. Manuel, viria a confirmar esta atribuição em 1485 e novamente em 1495.

Cavaleiro e poeta, participou com outros nas justas de Évora, aquando dos festejos de noivado do Príncipe D. Afonso, filho de D. João II, D. Manuel depositava nele uma enorme confiança, escolhendo-o para representar Portugal numa embaixada do Papa Alexandre VI.

Casou com D. Maria Coutinho em 1473, da qual teve cinco filhos. D Rodrigo de Castro teve ainda vários filhos bastardos, entre os quais D. Cristóvão de Castro, que foi bispo da Guarda (sagrado em 1550), e faleceu em 1552.

D. Rodrigo de Castro faleceu no ano de 1543 e foi sepultado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Covilhã.

 

 

Fernando de Castro

Coragem em Arzila

 

D. Fernando de Castro foi cavaleiro do Conselho d’El-Rei D. Manuel, Alcaide-mor do Sabugal e Alfaiates, senhor das terras de Santa Cruz de Riba-Tâmega, Lanhos, Cinfães e Resende.

Casou com D. Isabel de Castro, filha de D. Rodrigo de Castro.

Em 1509 partiu para Arzila como fronteiro. Acudindo ao repique que se fizera pelo ataque dos alcaides Baraxa e Almandarim, passou a porta da vila antes de fechada pelo porteiro, acompanhado apenas por dez homens a cavalo. Enfrentou a multidão dos inimigos mas não conseguiu sobreviver. O Conde de Borba, D. Vasco Coutinho, mandaria buscar o seu corpo, que foi enterrado na capela-mor de S. Bartolomeu. À data da sua morte já sucedera na Casa e alcaidarias do pai, mas não lograra da Alcaidaria-mor da Covilhã, anda que lhe tivesse sido prometida.

Os seus restos mortais foram mais tarde transladados e repousam juntamente com os do seu filho e sucessor, D. Diogo de Castro, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na capela lateral (lado da Epístola), em túmulos mandados construir por sua esposa.

 

João Ramalho

Pai dos Bandeirantes

Terá ido para o Brasil por volta de 1510.

Apesar de casado canonicamente em Portugal, tomou como companheira a filha do chefe índio local, Tibiriçá, de quem teve uma numerosa prol.

Em 1530 identificou-se como covilhanense em declarações ao tabelião-comendador Lourenço Vaz.

Tornou-se colaborador do «capitão-do-mar-e-de-terra» Martim Afonso de Sousa. Por nomeação do mesmo capitão, foi ele feito Capitão-mor e Alcaide-mor de Santo André da Borba do Campo, vila que tinha fundado.

Desfrutou de largo prestígio e autoridade.

 

 

André Aranha

Bravura e Diplomacia

Procurador da Covilhã nas Cortes de Lisboa.

Serviu nas guerras do Norte de África, onde foi armado cavaleiro pelo capitão de Ceuta.

Nesta cidade ser-lhe-ia lançado igualmente o hábito da Ordem de Cristo, de que D. João III lhe fez mercê, bem como da comenda de S. Miguel de Rio de Moinhos, em 1569.

Alguns anos depois tomou posse da comenda de Santa Maria da Covilhã (por volta de 1578), onde passou a viver.

Em 1583 foi procurador às Cortes de Lisboa.

Faleceu em Fevereiro de 1597.

 

 

Francisco Álvares

Mártir do Brasil

Beato, patrono dos Cardadores, missionário, viveu durante o século XVI.

Antes de ingressar na Companhia de Jesus, foi cardador na Covilhã.

A 5 de Junho de 1570 embarcou para o Brasil com o Padre Inácio de Azevedo, a nau foi assaltada por Piratas, a mando do calvinista Jacques Sória, ao largo de Las Palmas. A viagem terminou a 15 de Julho, os missionários foram feridos, alguns mortos de imediato e atirados às águas. Francisco Álvares foi lançado ainda vivo ao mar.

Ficaram conhecidos como os «quarenta Mártires do Brasil» e foram todos beatificados em 1854, pelo Papa Pio IX.

 

 

Fernão Penteado

O Cerco de Diu

Natural da Covilhã que viveu no séc. XVI, rumou para o Oriente distinguiu-se na defesa de Diu, onde se escreveu uma das páginas mais gloriosas da história de Portugal.

No primeiro cerco de Diu, que começou em 6 de Junho de 1538, distingue-se, entre todos os heróis, Fernão Penteado pelos seus feitos heroicos relatados por Lopo de Sousa Coutinho, na sua «História do Cerco de Diu».

Umas poucas centenas de portugueses lutavam contra 19.000 inimigos, comandados por Coge Sofar. O ataque foi brutal e feroz. Lutou-se de dia e noite, em terra e no mar. Os muros da fortaleza ruíram com as bombardas do inimigo, mas os portugueses estavam dispostos a dar cara a vida. Apesar de diversas vezes ferido, o herói covilhanense, não desistiu de combater. Dos 612 homens de armas que defenderam Diu, restaram apenas 40 em estado de combater. Os assaltantes acabaram por desistir.

 

 

António de Sousa

Missionário do Japão

Jesuíta covilhanense, o Padre António de Sousa nasceu em 1589. Com apenas 15 anos entrou para o Colégio Jesuíta em Coimbra e cinco anos depois partiu para o Oriente, fazendo parte da expedição de 24 missionários, 11 dos quais portugueses.

Acabou os estudos em Macau e em 1616 seguiu até ao Japão, onde suspeitaram que era Jesuíta e foi desterrado. Foi alguns anos Procurador da Província do Japão.

Disfarçado de mercador por volta de 1628 voltou ao território nipónico e durante cinco anos andou numa barca a confortar os cristãos que lá existiam, incutindo-lhes coragem e fé para resistirem às durras provocações.

Em 1633 foi reconhecido, junto a Osaca, sendo preso. Foi submetido a «tratos de água», e depois, carregado de ferros foi levado a Nagasáqui e posto no tormento das covas no qual perseverou vivo sem comer coisa alguma ao longo de nove dias. Findo este período veio a ser executado a 26 de Outubro de 1633.

 

Simão Pinheiro Morão

Medicina no Brasil

Médico, filho do Advogado de origem judaica Henrique Morão Pinheiro e da Marqueza Mendes de Lucena, do Fundão, nasceu na Covilhã e foi batizado nesta cidade na Igreja de São Silvestre a 4 de Março de 1618.

Estudou medicina em Coimbra e Salamanca.

Entre 1649 e 1651 exerceu a profissão na Covilhã, passando depois por Lisboa e Almada. Perseguido pela Inquisição, que o torturou e à sua vista e dos outros irmãos fez arder o velho pai num auto-de-fé em 1668, fugiu para o Brasil, fixando-se no Recife em Pernambuco.

Escreveu, sob a autoria de «Romão Mosia Reinhhipo», anagrama do seu nome, sendo de destacar o seu «Tratado das Bexigas e Sarampo», impresso em Lisboa em 1683.

 

Video elaborado por José Pereira Santos in
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ROTA DAS 25 LAGOAS

Introdução

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Junto ao ponto mais alto de Portugal Continental, em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, a natureza oferece um conjunto de lagoas único no país. São os espelhos de água a maior altitude existentes no todo nacional.

Geralmente de origem glaciária, as 25 lagoas permitem criar trilhos pedestres originais, próprios para as épocas quentes de Verão.

A Região de Turismo da Serra da Estrela aconselha aos menos experientes a aquisição da Carta Turística (1 :50 000) do Parque Natural da Serra da Estrela, bem como o contacto com guias que permitam percorrer os trilhos com maior orientação.

Propomos três Percursos que variam entre os 7 e os 12 Km e abrangem outras tantas zonas de paisagens fabulosas dentro da área do Parque Natural da Serra da Estrela. Dois dos Percursos são circulares, o das Lagoas da Torre e o das Grandes Lagoas, e o terceiro corresponde ao trajeto Penhas da Saúde – Torre (Trilho de Viriato).

 

Trilho de Viriato (7 Km) – 3h

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As Penhas da Saúde são uma estância de turismo a 1500 m de altitude ótima para repouso pois proporciona ar puro e clima saudável.

Suga pela estrada até encontrar o Lago Viriato cujas águas abastecem a Covilhã.

Continue a subir pela EN 339, passando o cruzamento para Manteigas, até encontrar em baixo à direita, a Nave de Santo António (1550 m).

A Nave é uma planície arenosa de que em tempos teria sido lagoa glaciária. Extenso cervunal semeado de blocos arredondados e de rochas aborregadas constitui, no Verão, um manto de verdura onde se apascentam numerosas cabeças de gado.

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Continuando pela estrada vamos encontrar na curva imediatamente a seguir, à esquerda, a Barragem do Covão do Ferro, também conhecida por Barragem do Padre Alfredo. Este construiu-a em 1940 para que a Penteadora – uma grande unidade de lanifícios – fizesse o aproveitamento hidrelétrico das águas da Bacia de Alforfa.

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Junto à Barragem parte o caminho que sobe a encosta até à nascente do Terroeiro, no lado de Unhais, entre piornais, urzes e amontoados de pedras que rolaram da vertente e por entre as quais se ouve o correr das águas.

Continue em lacetes até encontrar uma passagem estreita entre as fragas que se destacam. E … Respire fundo !...

A encosta que acabou de subir dará lugar a uma vertente suave com um caminho de traçado apropriado à passagem das vacas, ovelhas e cabras que, durante o Verão, ainda vêm de Unhais pastar para o planalto. Para a direita, a vista sobre o Covão do Ferro, a Nave de Santo António e as Penhas da Saúde deleita-nos. Quinhentos metros mais à frente, do lado esquerdo, é a vistas sobre Unhais da Serra e as montanhas xistosas da Lousã que maravilham o nosso olhar.

Continuando entre zimbrais e cervunais, sem caminho marcado, siga para Norte até chegar à Torre a 2000 m de altitude.

 

Trilho das Lagoas da Torre (8 Km) – 3h

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O ponto de partida para este circuito pedestre é um local mítico: a Torre – ponto mais alto de Portugal Continental.

 

João VI (1816-1826) mandou aí erigir uma torre toda em pedra para completar os 2000 m. Daí, a vista alcança pontos culminantes, extremamente longínquos, desde a Serra da Boa Viagem na Figueira da Foz, até à Serra de Gredos em Espanha; do Marão em Trás-os-Montes à Serra de Portalegre no Alentejo. Praticamente metade do território português e algum espanhol podem ser avistados da Torre.

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Nas traseiras das instalações que abrigam o radar, junto à capela, siga para Poente pelo caminho em direção ao Poio Estrela (1931 m).

Marginando pela direita e, mais abaixo pela esquerda, a linha de água passa no esporão que separa as Lagoas do Covão das Quilhas da Lagoa Serrano.

Atravesse o muro da Lagoa do Covão das Quillhas e siga a linha de água até ao Covão do Boeiro.

Entra-se na Garganta de Loriga, vale glaciário constituído por quatro depressões (covões), escavadas pelo gelo e situadas em degrau.

Eram antigos lagos glaciários, hoje colmatados e cobertos por cervunais.

Depois da ponto de madeira, siga pelo caminho à esquerda que desce até ao Covão do Meio.

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A população de Loriga sempre utilizou a água destas lagoas para produzir energia. Ao ser construída a Barragem do Covão do Meio, pela EDP, esse direito foi assegurado. No princípio do Verão, a água contida na barragem é esvaziada para a Lagoa Comprida, através de um túnel, ficando um caudal natural disponível para uso da população durante os 3 meses da estação.

Siga agora até à estrada nacional passando pelas ruínas de uma capela. Atravessando aquela no sítio da Fonte dos Perus, vai encontrar um local com um marco, conhecido por Cume (1858 m).

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Também conhecido por Planalto da Expedição, onde se acampou, no Verão de 1881, o grupo de cientistas da Sociedade de Geografia de Lisboa liderado por Hermenegildo Capelo. O desconhecimento da Serra da Estrela era tão grande que mereceu exploração e estudo, qual África no meio de Portugal.

A partir do Cume vá em direção nascente. Passeie junto às Lagoas das Salgadeiras.

Vire à direita no sentido da estrada e prossiga até à Torre onde concluirá o circuito.

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Trilho das Grandes Lagoas (12 Km) – 6h

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Iniciamos este trilho num local extremamente aprazível, a Barragem do Lagoacho – espelho de água de 480.000 m2.

Estamos a 1425 m de altitude.

Tomamos o caminho que vai até à Barragem do Vale do Rossim e pelo meio passamos pela pequena Barragem do Covão da Malhada.

Dada a sua situação privilegiada, o Vale do Rossim funciona como espaço de recreio e lazer nos meses de Verão. Esta Barragem serve as centrais da EDP e inunda uma área de 371.000 m22, Junto à casa do guarda da EDP, o trilho segue a jusante da Barragem.

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Atravesse a ponte na Ribeira da Fervença, continue à esquerda por uma carreteira, ao longo da Ribeira da Malhada da Laginha, que sobe entre mato de sargaço, urzes, torgas e piorno, em direção aos três fragões das Penhas Douradas, que devem o seu nome à cor do Sol poente.

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Atravesse a linha de água e suba a encosta, em terrenos de areias soltas num morro a 1631 m.

Em frente, para além dos blocos arredondados das moreias glaciárias, avista-se uma outra paisagem. Desaparecem os castelos de rochas e surgem os rochedos polidos e os cervunais nas depressões, evocando ambientes da glaciação.

Desça a encosta e entre no Vale do Conde a 1590 m.

Este pequeno vale glaciário é coberto por um imenso cervunal que, no Verão, alimenta o gado transumante do Sabugueiro. Em solos de turfa, esta associação vegetal, em que o cervum domina, é formada por espécies próprias de zonas frias. Encontra-se em todo o planalto acima dos 1600 m, entre rochedos, em profundos covões ou em extensos vales. São sítios muito sensíveis e raros, com uma expressão única no país. Merecem todo o cuidado, quando percorridos.

Siga para montante ao longo da margem esquerda da Ribeira das Nateiras e atravessando par o outro lado pelas pedras, continue pelo cervunal até encontrar um caminho que, pela esquerda, o conduzirá a um enorme bloco de pedra denominado Lapão do Ronca.

 

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Junto desta pedra parte uj caminho que segue ao longo da encosta através do Covão das Lapas e Vale da Barca ssituados à esquerda, com cervunais juncados de lapas (blocos erráticos), descendo para o Covão dos Conchos (1690 m).

Esta pequena barragem desvia as águas para a Barragem da Lagoa Comprida através de um túnel com 1519 m de comprimento.

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Suba pelo caminho até uma área denominada Charcos 1 1650 m.

Pequeno planalto semeado de charcos (lagoas glaciárias), que na Primavera se cobrem de ramúsculos de flor branca, e no Verão servem de bebedouro aos gados transumantes. As águas paradas e as temperaturas baixas destes locais, permitem uma decomposição lenta e imperfeita de espécies de flora e fauna, que se vão depositando no fundo, em camadas de sedimentos que se sucedem no tempo. As lagoas vão desaparecendo e os cervunais ocupam o se espaço.

Siga pelo caminho onde encontrará, à esquerda, duas pequenas lagoas e poderá visitar a Lagoa Comprida – 1580 m.

Esta era um antigo glaciar com 1 Km de extensão. Aproveitando o covão, iniciou-se em 1912 a construção da barragem. Em 1914 tinha uma altura de 6 m e em 1934 atingia os 15 m. Atualmente, desde 1965, tem uma altura de 28 m. É uma barragem do tipo gravidade, formada por três arcos de alvenaria de granito com 1200 m de desenvolvimento. A albufeira tem a capacidade de cerca de 12 milhões de m3 de água, e inunda uma área de 800.000 m2. Aí desaguam dois túneis: o do Covão do Meio com 2354 m, que desvia a água das encostas da Torre, e o do Covão dos Conchos com 1519 m que desvia as águas da Ribeira das Naves.

A partir da Lagoa Comprida, acompanhe a linha de água que vai ao Covão do Forno.

Daqui, continue em direção à Lagoa Sêca.

Andando mais um pouco alcançará a Lagoa Redonda.

Siga agora a linha de água e encontrará de novo a Barragem do Lagoacho.

Depois de contornar esta lagoa voltará ao ponto de partida junto ao paredão.

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O Peixe e a Pesca nas Lagoas

 

A realidade das comunidades piscícolas das lagoas corresponde principalmente à truta arco-íris (oncorhynchus mykiss) e ao escalo-do-Norte (euciscus carolitertii).

A existência do escalo a esta altitude é surpreendente já que no rio Zêzere apenas foi detetado até aos 1000 m.

Por outro lado, as características da água acima dos 1500 m, nomeadamente as temperaturas baixas e a elevada quantidade de oxigénio dissolvido, são propícias à truta arco-íris. Esta é semelhante à truta do rio, distinguindo-se da mesma principalmente pela coloração e pelas escamas mais pequenas.

O escalo-do-Norte (Bordalo) possui um corpo alongado de cabeça grande com boca relativamente pequena.

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FLORA

 

Hoje coincidente com a Reserva Bio-Genética da Serra da Estrela, o andar superior da Serra da Estrela é uma fóia botânica que necessita preservação. Assim, durante o passeio, deixe as plantas como as encontrou.

A elevada altitude da Serra da Estrela condiciona uma zonação bem marcada e particularmente interessante da vegetação, permitindo diferenciar três andares com diferenciação de plantas. São eles:

- Andar basal, de acentuada influência mediterrânica, até aos 800-900 m.

- Andar intermédio, domínio do carvalho-negral (Quercus pyrenaica), desde os 600-800 m até aos 1600 m.

- Andar superior, domínio do zimbro (Junipers Communis), acima dos 1600 m.

É este último patamar que corresponde à zona de existência das lagoas e dos circuitos propostos.

 

Os Zimbrais

 

O zimbro é a planta de maior expansão aqui, devido à facilidade de propagação das suas bagas.

A caldoneira (Echinospartum lusitanicum) costuma revestir a base e as fissuras dos rochedos ou monólitos.

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Os Cervunais

 

No fundo dos vales da parte cimeira da Serra, locais de maior retenção de água, aparecem os cervunais que podem ser secos (Galio-Nardetum) ou húmidos (Junco-Sphagnetum compacti) conforme a maior proximidade de água.

Os primeiros podem ser vistos na Nave de Santo António, no Covão do Boi, no Vale do Conde e no Vale de Loriga, assumindo sempre um aspeto verdejante. E os segundos junto de lagoas como a Comprida.

Os cervunais assumem papel importante no pascigo dos rebanhos.

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Os Arrelvados

 

A degradação dos cervunais devido ao sobrepastoreio favorece a ação da erosão pela água escorrente determinando a abertura de clareiras com uma camada fina de saibro granítico. Estas clareiras são colonizadas pelo Arenario-Cerastietum ramosissimi.

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Comunidades Rupícolas

 

Nos locais dos enormes rochedos, como os Cântaros as condições de sombra tornam possível uma vegetação muito rica.

Nos desfiladeiros e nas zonas de maior frescura encontram-se a maioria dos endemismos e orótifos mais notáveis da Serra da Estrela. O Vale da Candieira, descendo até à Lagoa da Paixão é um bom exemplo.

 

Comunidades Lacustres

A vegetação flutuante ou marginal das Lagoas é extremamente curiosa podendo encontrar-se plantas como a fava-de-água (Menyanthes trifoliata) e a Antinoria agrostidea (por exemplo na Lagoa da Paixão) e um endemismo ibérico.

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FAUNA

 

Anfíbios

 

Rã verde (Rana perezi)

Espécie típica das lagoas, dos charcos e dos ribeiros de correntes fracas.

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Rã-castanha (Rana ibérica)

É um endemismo do Noroeste da Península Ibérica típico dos ribeiros de águas límpidas e correntes fortes.

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Rela

Espécie típica das pequenas lagoas e charcos. Durante a época da reprodução, ao fim do dia e durante a noite, os machos cantam para atrair as fêmeas, formando-se grandes coros (fim da Primavera).

 

Sapo

Deteta-se principalmente em terra, debaixo de pedras deslocando-se à água apenas na época da reprodução, para aí depositar os seus ovos.

Nas zonas de maior altitude há uma maior abundância do sapo corredor. Nas de menor altitude encontra-se mais o sapo comum.

 

Tristão-de-ventre-laranja (Triturus boscai) e Tristão-marmorado (Triturus marmoratus)

Encontram-se essencialmente à noite em charcos onde se reproduzem e alimentam.

 

Salamandra

Detetável essencialmente à noite quando vai depositar as suas larvas em ribeiros.

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Répteis

Lagartixa-da-montanha (lacerta montícola)

Apenas existe no Planalto Central da Serra da Estrela e corresponde a uma população única no mundo, sendo mais abundante nas zonas de maior altitude.

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Lagarto-de-água

Encontra-se por todo o Planalto Central mas é mais abundante nas zonas de menor altitude.

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Cobra austríaca (Coronella austríaca)

Apesar de se tratar de uma cobra rara em Portugal, pode ser encontrada na Serra da Estrela geralmente acima dos 1900 m de altitude.

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VISTAS DA CIDADE DA COVILHÃ

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Video elaborado por José Pereira Martins in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos

Sanatório das Penhas da Saúde

 

Projectado pelo arquitecto Cottinelli Telmo nos anos 20, e mandado construir pelos Caminhos de Ferro, este sanatório fica situado em Porta dos Hermínios nas Penhas da Saúde junto à cidade da Covilhã, a 950 metros de altitude. O seu objectivo foi o tratamento de tuberculose dos seus funcionários. Estes podiam beneficiar da localização em sitio calmo e dos ares da Serra, fazendo parte da rede de 11 sanatórios, existentes no inicio do século XX.

Demorou 8 anos a ser construído (1928-1936) e permaneceu fechado durante outros tantos anos, devido a circunstâncias diversas e estranhas à CP. Depois viria a ser arrendado à Sociedade Portuguesa de Sanatórios, com a condição de receber todos os doentes necessitados de tratamento de altitude, tendo cinquenta camas à disposição da Assistência Nacional aos Tuberculosos.

Este bonito edifício, se estivesse situado nos Alpes, decerto não teria acabado como as últimas fotos mostram.

 

O edifício acolheu, ao longo de mais de 40 anos, muitos milhares de tuberculosos, provenientes de todo o país, que procuravam recuperar da tuberculose nos bons ares da Serra da Estrela.

Apesar de acolher doentes de todas as classes sociais, os doentes menos favorecidos não tinham acesso a todas as alas, algumas destinadas apenas às classes altas, que ali encontravam todo o conforto que o dinheiro podia comprar.

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Oito anos após a cedência, o edifício passou para as mãos do Estado, "tomando conta dele", o Instituto de Assistência Nacional de Tuberculose (IANT), passando também a partir de 1953, a ser internados doentes pobres.

O recurso à quimioterapia anti-tuberculose, levou ao encerramento dos sanatórios afastados dos centros urbanos e pouco rentáveis.

 

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Em Junho de 1969, por ordem do Ministério de Saúde e Assistência seria dada ordem de encerramento. O seu último director Dr. Carlos Coelho, licenciado em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, acabou por ser o último testemunho do encerramento do Sanatório.

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Depois do encerramento do edifício como Sanatório, este continuou a ser preservado por um casal, dois funcionários que aí permaneceram para o manter habitável. Enquanto esses dois funcionários, o Sr. José Francisco Amorim e Sra. D. Lurdes Amorim aí se mantiveram como funcionários do Estado, o referido espaço manteve todo o seu esplendor e todas as condições de habitabilidade até à altura em que foi utilizado para prestar acolhimento a cerca de 700 pessoas “retornadas”,  por motivo da independência das antigas colónias portuguesas.

Após a estadia temporária dessas pessoas, que entretanto procuraram refazer a vida e foram abandonado definitivamente o Sanatório que lhes serviu de abrigo temporário, notou-se muita degradação. Mesmo assim, o Sanatório manteve-se funcional e  preservado até ao momento em que estes dois funcionários abandonaram definitivamente o Sanatório quando chegou a idade da sua aposentação.

No final dos anos 80, quando já se encontrava praticamente abandonado e seriamente degradado passou para as "mãos" da Turistrela.

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No ano de 1998 o Sanatório chegou a ser vendido à ENATUR (empresa das Pousadas de Portugal) pelo preço simbólico de 1 escudo. Em contrapartida a ENATUR comprometia-se a instalar ali uma Pousada de Portugal, cujo projecto chegou a ser elaborado pelo arquitecto Souto Moura o qual previa um investimento na ordem dos 10 milhões de euros. Entretanto a ENATUR foi entregue ao Grupo Pestana, e o projecto foi abandonado, tendo em 2004 cessado o contracto. Assim a titularidade do sanatório regressou às mãos da Turistrela.

 

Continua por decidir o destino a dar a este edifício …

 

 

 

Pousada Serra da Estrela

 

Depois de uma longa batalha o sonho concretiza-se

Foi preciso esperar nove anos para fazer concretizar a obra de transformação da ruína do edifício do Sanatório em nova Pousada da Serra da Estrela. A Entidade Regional de Turismo da Serra da Estrela fez disponibilizar os meios para o pagamento do projecto na condição de propor o arquitecto Souto Moura.

Agora, também nos sentimos orgulhosos; a Serra da Estrela inaugurará em menos de 16 meses a mais recente obra do vencedor do Prémio Pritzker.

Valeu a pena lutar pela concretização da obra (desde há 7 anos sozinhos).

Parabéns Eduardo Souto Moura.

In  jornal local “já agora

Pousada na Serra da Estrela... está quase pronta !!!

 

A reabilitação do edifício do antigo sanatório dos ferroviários, na Covilhã projectado pelo Arquitecto Cottineli vai estar concluída na Primavera de 2014, dando assim lugar à Pousada da Serra da Estrela.

A intervenção da autoria do arquitecto Souto de Moura teve um investimento total a 19,6 milhões de euros, apoiado a 70% pelo Programa Operacional Temático de Valorização do Território, no âmbito do Quadro Nacional de Referência Estratégico Nacional (QREN).

A pousada vai contar com 95 quartos e situa-se a 1200 metros de altitude.

Pousada abre a 1 de Abril

Ex-Sanatório dos Ferroviários encaixa meia centena de trabalhadores

  

A Pousada da Serra da Estrela, que resulta da reconversão do antigo Sanatório dos Ferroviários, localizada na Porta dos Hermínios, é inaugurada a 1 de Abril e entra nessa data em funcionamento, adiantou, ao NC, o Grupo Pestana.

De acordo com o gabinete de comunicação do grupo que gere a rede Pousadas de Portugal, o empreendimento vai criar “cerca de meia centena” de postos de trabalho.

A abertura da unidade hoteleira, como indicava o placar à entrada, estava inicialmente prevista para 2012, mas os trabalhos atrasaram. Há um ano, a ENATUR informava que a obra estava na fase dos acabamentos interiores e faltavam os arranjos exteriores e as ligações finais das redes de instalação de águas, esgotos, energia e telefones e a inauguração acabou novamente por ser adiada, já que chegou a estar prevista para o primeiro trimestre do ano passado.

A obra foi adjudicada há dois anos à Soares da Costa, por 13 milhões e meio de euros. Embora o investimento global ultrapasse os 19 milhões e meio de euros, incluindo o mobiliário, equipamento e a recuperação da zona envolvente. Um investimento apoiado a 70 por cento pelo Programa Operacional Temático de Valorização do Território, no âmbito do Quadro Nacional de Referência Estratégico Nacional (QREN).

No final da década de 80 o edifício passou a ser propriedade da Turistrela. Em 1998 foi vendido à ENATUR pelo valor simbólico de um escudo, para que esta o transformasse em Pousada de Portugal. Em 2003 o Governo privatizou 49 por cento do capital da ENATUR, passando o Grupo Pestana Pousadas a explorar a rede, mas o projecto da Serra da Estrela permanecia parado. Depois de anos de avanços e recuos, a obra começou no início de 2011.

In Notícias da Covilhã de 2014-02-26

A Fábrica Alçada - Factos e Figuras da História da Covilhã

A FÁBRICA ALÇADA

 

Foram várias as unidades industriais que, a partir de meados do séc. XIX, foram fundadas por membros da família Alçada. Contudo, só uma delas ficou designada de “Fábrica Alçada” apesar de ter sido fundada, em 1840, por Manuel Nunes Mouzaco e se encontrar adjacente a uma outra, fundada por João Mendes Alçada. Trata-se de duas pré-existências, nas margens da ribeira da Carpinteira, que, em 1840, foram adquiridas por estes dois empresários covilhanenses, vindo as mesmas a desenvolver-se paralelamente. Em 1864, eram já duas fábricas completas.

Após o falecimento de João Mendes Alçada, em 1875, na partilha dos bens, a sua empresa coube, entre outros, a Manuel Mendes Alçada, vindo a dar origem à “Manuel Mendes Alçada & Filhos”, fundada em 1902 e que, em 1946, veio a ser adquiridas pela firma “Alçada & Rosa, Lda.”.

Entretanto, a empresa de Manuel Nunes Mouzaco passou a “Mouzaco & Cª.”, tendo diversificado os seus empreendimentos, a partir de 1859, através de uma nova firma, localizada no Prazo, a “Manuel Telles Feio & Manuel Nunes Mouzaco”.

Foi na sequência do casamento de João Mendes Alçada de Paiva com a filha de Manuel Nunes Mouzaco, D. Ritta do Sacramento Mouzaco Alçada, que a “Fábrica Alçada”, designada, a partir de 1878, de “Alçada & Mouzaco”, veio a registar um assinalável desenvolvimento. Em 1888, fez a sua primeira apresentação pública na Exposição da Avenida tendo, no ano seguinte, sido distinguida com a medalha de Prata na Exposição Mundial de Paris. Em 1889, alterou a sua denominação para “Alçada & Filho”, vendo a ser uma das quatro fábricas da Covilhã visitadas pela comitiva real, em 6 de Setembro de 1891, no âmbito da inauguração do troço de caminho-de-ferro. Dispunha já então de 234 trabalhadores.

Em 1904, inaugurou a montagem de uma nova cardação e fiação, que constituiu a primeira instalação completa de estambre do nosso país. No mesmo ano, na Exposição Universal de St. Louis, foi distinguida com a medalha de Ouro, na secção de tecidos de lã.

Em 1908, passou a designar-se “Alçada & Filho, Sucessor, fábrica de penteação de lãs, fios de estambre e cardados e ultimação de fazendas”, tendo-se mantido em actividade até 1964. Todavia, em 1919/20, fundou a “Alçada & Cª”, de que passou a ser sócia, juntamente com a firma “Copeiro & Donas”, o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada e o Dr. Manuel Anaquim, vindo a deter, em 1923 50% do capital da mesma. Nesta data, foi efectuado o pedido de licenciamento, para a instalação da fábrica de lanifícios da firma “Alçada & Filho, Sucrs.”.

Em Outubro de 1935, foi instalada uma nova lavadeira para lã penteada, fabricada pela “Fundição do Campo do Rou, Ldaª. A empresa tinha então 320 trabalhadores e produzia, diariamente, 2.500 m de tecido ultimado. Destacava-se ainda pela acção filantrópica que os seus administradores desenvolviam junto do operariado ao serviço da empresa.

Na década de cinquenta, parte das instalações foram arrendadas á firma “António Joaquim Rodrigues”, que aqui laborou, com tecelagem própria, até 1961, seguido pela “Gomes & Cª.”.

Na sequência de um célebre litígio judicial dirimido em 1947, entre os herdeiros de D. Rita do Sacramento Mouzaco Alçada, sobre a posse da propriedade da firma e do estabelecimento fabril, passaram a ser reconhecidos como proprietários da mesma o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada e as suas irmãs, D. Maria Carolina Mouzaco Alçada da Costa Arnaut e D. Maria Beatriz Alçada Guimarães.

Em 8 de Dezembro de 1957, a firma “Alçada & Filho, Sucessor” sofreu um violento incêndio, que destruiu a penteação, parte da preparação e grande número de fiações, tendo, em 1959, requerido a reconstrução e ampliação dos edifícios fabris afectados e renovado o equipamento. A empresa foi ainda sócia da “Tinturaria Alçada” e da “Ernesto Cruz & Cª”. Em 1961, tinha a laborar mais de 500 trabalhadores. Em 1964, o Dr. Aníbal Mouzaco Alçada tornou-se o único proprietário da empresa, que passou a designar-se de “Aníbal Mouzaco Alçada” ou Fábrica Alçada”. Conferiu então plenos poderes para a gerir a José Cruz Alves da Silva e ao Dr. José de Albuquerque de Almeida Ribeiro, tendo a mesma vindo a cessar a sua actividade em 1967-1968. A partir de então estabeleceu-se, em parte das instalações, a firma EMPREX.

O complexo fabril que compreendia seis edifícios de produção, uma quinta e três casas de habitação foi alvo de várias intervenções, ao longo do tempo, quer na sequência dos incêndios sofridos quer para ampliação das suas áreas produtivas, vindo a desenvolver-se em catorze corpos, ocupando uma área coberta de 14.650 m2.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã


A Fábrica Campos Melo - Factos e Figuras da História a Covilhã

A FÁBRICA CAMPOS MELO

 

Foi a sede de um grupo empresarial que marcou profundamente a história dos lanifícios tanto a nível local e regional, como nacional. Também conhecida por Fábrica Velha, deve esta designação ao facto de se encontrar instalada num dos mais significativos espaços arqueológico-industriais covilhanenses, nas margens da Ribeira da Carpinteira. Trata-se do local onde, em 1677, sob intervenção do Conde da Ericeira, se instalou a Fábrica Nacional de Sarjas e Baetas, que, em 1780, viria a ser ocupada pela Tinturaria de José Henriques de Castro e, posteriormente, dos seus herdeiros. A partir  de 1845, os irmãos José Maria da Silva Campos Mello, Comendador (1808-1866) e Francisco Joaquim da Silva Campos Mello, 1º Visconde da Coriscada (1824-1876), hábeis comerciantes, instalaram a empresa que possuíam, desde 1835, na Rua Direita e um engenho, no Sítio da Califórnia (Engelho dos Mello), fundado em 1844 e explorado sob a designação comercial de “Gregório Nunes Geraldes & Sócios”, num edifício fabril destinado à cardação, fiação, apisoamento, tosa e percha, construído num terreno adquirido a André da Fonseca Corsino, próximo da Fábrica Velha. Em 1851, o mesmo foi pasto das chamas tendo, por este facto, adquirido as instalações da Fábrica Velha, então na posse de D. António Joaquina de Castro, que submeteram a uma reconstrução profunda, na origem do actual complexo.

Em 1864, encontravam-se já criadas as firmas “Mello Geraldes & Cª.”, com uma fábrica completa, na Ribeira da Carpinteira, e onde laboravam 244 trabalhadores e a “Campos Mello & Irmão”, especializada em acabamentos, com 57 trabalhadores. Esta última, em 1889, foi distinguida com a medalha de prata, na Exposição Internacional de Paris. Difundiram a empresa, a nível nacional, tendo criado casas filiais e depósitos em várias cidades, nomeadamente em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Santarém, dinamizadas pelos irmãos Campos Mello, enquanto que a direcção fabril se encontrava a cargo de Gregório Nunes Geraldes.

Em 1891, foi uma das quatro fábricas visitadas na Covilhã, pela comitiva real, a quando da inauguração do caminho-de-ferro. Em 1892, a firma é co-proprietária de um outro engenho, o do Sineirinho. A partir de então, passou também a produzir fardamentos para o exército.

Em 1908, de sociedade familiar, transformou-se em sociedade por quotas, de responsabilidade limitada, sendo transferida a sede da administração da empresa para Lisboa.

Em 1935, no decurso de uma grave crise que atravessou, foi sócia fundadora da “Nova Penteação e Fiação da Covilhã Lda.”, tendo, para realizar a sua quota, transferido para a nova sociedade os direitos sobre vários prédios rústicos e urbanos e uma mina, bem como a cedência de autorização para a instalação e exercício da indústria de penteação, fiação de lãs e fabrico de lanifícios, que lhes fora concedida por despacho ministerial de 1933. Este alvará e os terrenos vieram a ser adquiridos, em 1938, por aquela empresa à firma “Campos Mello & Irmão”.

Na década de 40 do séc. XX, um último esforço de modernização transformou-a numa empresa modelo, a nível nacional, datando deste período a aquisição, no âmbito do Plano Marshall, do mais moderno lavadouro de lãs do país, com capacidade para lavar 2.000 Kg de lã, por hora.

O espírito progressista e filantrópico dos fundadores e continuadores desta firma, evidenciou-se na criação e apoio a diversas instituições de beneficência covilhanenses, como a Biblioteca Heitor Pinto, a Associação da Infância Desvalida, a Misericórdia da Covilhã e, particularmente, a Escola Industrial Campos Melo. Marcaram a história económica, social, política e cultural da cidade e do país, como expoentes da modernidade e do progresso e de que é ainda hoje um digno representante o especialista têxtil e poeta, Ernesto Manuel de Melo e Castro (1932).

Uma plêiade de técnicos e de operários especializados, formada por esta empresa, alimentou a indústria local e nacional dinamizada pela frequente contratação, no estrangeiro, de quadros técnicos altamente qualificados, particularmente oriundos da Suíça, Bélgica e Espanha (Catalunha).

De tão importante empresa subsiste, actualmente, o complexo fabril e o contexto arqueológico onde o mesmo se insere e que através de uma necessária intervenção arqueológica, permitirá pôr a descoberto as estruturas remanescentes da primeira manufactura de estado, fundada na Covilhã, no séc. XVII. De significativa importância patrimonial será a preservação in situ do lavadouro mecânico ali instalado.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

A Real Fábrica Veiga - Factos e Figuras da História da Covilhã

A REAL FÁBRICA VEIGA

 

Em 1784, José Mendes Veiga (1762-1817), um negociante de lãs e panos, cristão-novo, natural de Belmonte, fundou, nas imediações da Real Fábrica de Panos, junto à Ribeira da Goldra, uma manufactura de tinturaria e acabamento de tecidos, que veio, posteriormente, a ser conhecida como a “Real Fábrica Veiga”.

Em 1803, para além da tinturaria e da casa para tesouras e prensas, já possuía um engenho de cardar e fiar, uma casa de teares e 6 râmolas de sol.

Após a morte do fundador, a empresa passou a ser dirigida pela viúva, D. Rosa Jacinta de Carvalho Veiga, e pelos filhos (Rafael, José e Manuel), primeiro sob a designação de “Viúva Veiga & Filhos” (1817-1822) e, seguidamente, sob a de “José Mandes Veiga & Irmão” (1822-1829).

Defensores do ideário liberal e partidários de D. Pedro, os filhos de José Mendes Veiga, entre 1829 e 1834, tiveram que exilar-se, tendo então a fábrica ficado a ser dirigida pela mãe, sob a designação de “Viúva Veiga” (1829-1834).

No final da guerra civil, de regresso à Covilhã, José Mendes Veiga (filho) (1792-1872), assumiu a direcção da empresa. Logo em 1834, veio a estabelecer, no convento de S. Francisco, na Covilhã, por um curto período de tempo, um novo engenho de cardar e fiar, movido a energia a sangue (bois), que viria a ser pasto das chamas.

Na segunda metade do séc. XIX, apresentava-se já como uma empresa vertical, tendo-se convertido num dos mais importantes complexos empresariais da Covilhã e do país. Em 1864, o empresário veio a ser agraciado com a Comenda da Ordem de Cristo.

O estabelecimento beneficiou, ao longo do tempo, de alguns privilégios reais, nomeadamente a isenção de fiscalização pelos Juízes e Vedores dos Panos, bem como a utilização, em regime de exclusividade, de diversos métodos, técnicas e produtos, que lhe garantiram as mais competitivas vantagens de produção.

Em 1881, empregava 400 trabalhadores, tinha 2 rodas hidráulicas e uma máquina a vapor e consumia mais de 180.000 Kg de lã.

Em finais do séc. XIX, integrava 14 unidades fabris e algumas escolas de fiação e cardação, dispersas por diversas localidades da Beira Interior, localizando-se as mais importantes na Covilhã, em Unhais da Serra, Pêro Mouro e no Fundão. Esta situação contribuiu para ter sido uma das quatro fábricas covilhanenses escolhidas para ser visitadas, em 6 de Setembro de 1891, pelos reis D. Carlos e D. Amélia, aquando da inauguração da linha de caminho de ferra à Covilhã. À data, os monarcas ficaram alojados no palacete do Refúgio, habitado pelo sobrinho e herdeiro de José Mendes Veiga, o Comendador Marcelino José Ventura (1820-1891). Este, após a morte do tio, passara a dirigir o complexo, sob a designação, que se manteve até 1904, de “José Mendes Veiga & Sucrs.”.

Nos finais do séc. XIX, a fábrica passou a ser gerida pelo 1º Conde da Covilhã, Cândido Augusto de Albuquerque Calheiros (1840-1904), afilhado de Marcelino José Ventura, que nela iniciara a sua actividade industrial, tendo-a mantido até à sua morte.

Seguidamente, foram numerosas as firmas ocupantes deste imóvel, até ao seu desmantelamento, em finais do séc. XX. De entre elas destacam-se “António da Cruz Inácio”, “Ramiro e Fazendeiro, Lda.”, “António Maria das Neves & Irmão”, “João Lopes Bola, Sucrs”, “Fiandeira Têxtil da Covilhã, Lda.” e “Alberto Roseta & Irmãos, Lda.”.

Vicissitudes várias afectaram este complexo, de que se destaca, em 1895, o desmoronamento de diversas áreas, na sequência de um forte temporal, que provocou graves inundações na ribeira da Goldra e atingiu várias outras unidades fabris. De igual modo, nas duas primeiras décadas do séc. XX quatro grandes incêndios (em 1904, 1915, 1916 e 1919) atingiram o imóvel. Após as necessárias reconstruções, dois outros incêndios, ocorridos nos anos 60 e 90, conduziram à sua desactivação definitiva.

Em 1997, a Universidade da Beira Interior adquiriu o complexo com o objectivo de o transformar na sede do Museu de Lanifícios e nele instalar o Núcleo Museológico da Industrialização e o Centro de Documentação/Arquivo-Histórico dos Lanifícios. Após as cuidadas obras de remodelação, nele encontra-se preservada uma área arqueológica, bem como uma valiosa colecção de máquinas, equipamentos e documentos que constituem os verdadeiros alicerces da história dos lanifícios da Covilhã, da Beira Interior e do próprio país.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

Monumento aos Soldados Mortos na Grande Guerra - Factos e Figuras da História da Covilhã

MONUMENTO AOS SOLDADOS MORTOS NA GRANDE GUERRA

 

 

O monumento aos mortos da Grande Guerra nasce de um movimento juvenil criado na cidade por iniciativa do jornal “O Raio”.

 

Para a sua construção constituiu-se uma primeira comissão integrada por Júlio Carneiro, António Lopes Paes, José Cruz Alves da Silva, Alberto Fazenda, Manuel Gonçalves, José Cavaca Júnior e João Oliveira.

O lançamento da primeira pedra inseriu-se num programa mais vasto de homenagens ao regimento de Infantaria 21, que teve lugar em Março de 1925, do qual sobressaiu a imposição da Cruz de Guerra como resultado do raid de 9 de Março de 1918 levado a cabo pela 1ª companhia capitaneada por Ribeiro de Carvalho e onde se distinguiu heroicamente o alferes Gonzaga. Mas contrariando o entusiasmo de 1925 aquando do lançamento da primeira pedra, na praça de S. Pedro, na Covilhã, as obras não se iniciaram nos tempos seguintes. Na imprensa local surgiam com frequência críticas ao sucedido. Passado um ano os trabalhos eram retomados, a presidência honorária da Comissão foi entregue ao bispo de Beja e para angariar novos donativos foi criada uma comissão de honra constituída por mulheres covilhanenses.

A comissão possuía em Novembro de 1926 3.000 escudos provenientes da campanha levada a cabo pelo jornal “O Raio” e a promessa de 1.000 escudos por parte da Câmara Municipal.

Em Janeiro de 1927, tinha sido já possível contratar os trabalhos do escultor Francisco Santos para a elaboração de uma estátua que constaria no monumento.

 

Durante o ano de 1928, realizaram-se novas iniciativas para angariar fundos. Um sarau cultural no Teatro Covilhanense, onde participou a conhecida recitadora Maria de Lourdes, ou um espectáculo de circo da companhia Ivanov permitiram um novo fôlego para a causa ao atingir verbas num montante de 14.000$00.

Em 15 de Junho de 1930 foi finalmente inaugurado o monumento. O General Carmona descerrava a figura de um soldado que, no largo 5 de Outubro, se encontrava envolvido pela bandeira nacional. Na cerimónia da inauguração estiveram ainda presentes o Ministro da Guerra, o Ministro do Interior, pela direcção da Liga dos Combatentes, Eduardo de Faria e pela Câmara Municipal  o seu presidente Almeida Eusébio e os representantes locais das várias instituições militares e civis.

 

Em 1999 por iniciativa da Liga dos Combatentes, é integrado no monumento um acrescento para homenagear os soldados mortos na guerra colonial. Esta última parte do monumento foi inaugurada em 23 de Outubro de 1999.

 

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

Igreja do Sagrado Coração de Jesus - Factos e Figuras da História da Covilhã

IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 

 

Construída sobre o templo medieval de São Tiago, a igreja do Sagrado Coração de Jesus foi a primeira a ser construída na Covilhã depois da sua elevação à categoria de cidade. Também a igreja de São Tiago havia sido um dos primeiros templos a ser erguidos na Covilhã. Desta antiga construção apenas nos chegaram escassas descrições do seu interior, nomeadamente, da existência de três altares onde entre várias imagens se destacavam duas de São Tiago, uma combatendo os mouros, outra envergando os trajes de romeiro. Em 1192, foi doada ao mosteiro de S. Jorge de Coimbra, tendo-lhe sido confirmada, em 19 de Fevereiro de 1221, pelo Papa Honório III através da bula Sacrosanta Romana Ecclesia.

 

Com a extinção da freguesia de São Tiago, a igreja foi perdendo prestígio, apesar da reedificação empreendida, no século XVIII, pelo Prior Manuel dos Santos de Bastos. Em 1875, é adquirida pelos Jesuítas, representados pelo Padre Nicolau Rodrigues. Nos dois anos que se seguem, realizam-se as obras de reedificação. Em 1877, no dia de Natal segundo alguns autores, ou no Sábado de Aleluia segundo outros, é aberta de novo ao culto, mas o seu orago é, agora o Sagrado Coração de Jesus.

A igreja apresentava uma traça austera, a fachada principal era composta por um portal em arco de volta perfeita, encimado por um grande janelão, na empena de linhas curvas foi colocado um nicho com uma imagem.

Com a instituição da república em 1910, e com o novo afastamento dos Jesuítas, o edifício foi utilizado como armazém, cavalariça e celeiro.

Alguns anos depois, foi ali instalado o tribunal da comarca. O corpo da igreja e a capela-mor foram convertidos em sala de audiências. Particularmente interessante foi a transformação da fachada principal, onde se aplicou um estilo neoclássico. No lugar do janelão, abriram-se três portais com frontões triangulares que davam para uma varanda com balaustrada. Fizeram-se duas novas entradas ladeando o antigo portal, o nicho foi tapado e no seu lugar colocou-se um azulejo com uma representação da justiça, a cruz foi substituída pelas armas da república. Em 1942, um incêndio destrói este edifício, deixando-o em ruínas.

Em 1948 o edifício foi de novo adquirido pelos Jesuítas e procedeu-se a uma nova reedificação.

O actual templo, de tipologia modernista, deve o seu traço a Teotónio Pereira. É uma igreja de linhas simples e com escassa decoração, destacando-se a existência de grupos escultóricos, na fachada, da autoria de Joaquim Correia. Estes conjuntos escultóricos representam o orago da igreja, o Sagrado Coração de Jesus, e os dois mártires jesuítas da cidade, o Beato Francisco Álvares e o Padre António de Sousa. Interiormente destaca-se a pintura do orago, inserido na mandorla, invocando as representações medievais da figura de Cristo, da autoria de Martins Barata.

A 10 de Fevereiro de 1952 a nova igreja é aberta ao culto e a partir de 1969 torna-se matriz da paróquia.

 

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

Correios - Factos e Figuras da História da Covilhã

CORREIOS

 

 

No século XVIII, após o terramoto, o correio chegava à Covilhã todos os sábados durante o Verão e aos domingos durante o Inverno. Estafetas levavam o correio para o Fundão e Castelo Branco às sextas-feiras e para a Guarda às segundas-feiras.

 

Na segunda metade do século XIX os serviços de correio e telégrafo, este último instalado em 1860, são transferidos para um novo edifício que mais tarde serviria de sede provisória à Câmara Municipal e em 1958 era transformado em sede da esquadra da P.S.P.

A transferência dos serviços para o novo edifício ficou-se a dever ao grande fluxo de correio que então se verificava. No final do século XIX, recebiam-se e expediam-se anualmente mais de cem mil bilhetes-postais, mais de 40.000 amostras e cerca de 6.000 encomendas. Igualmente digno de interesse é o número de jornais expedidos que atingia os 40.000 exemplares, mais do que aqueles que eram recebidos.

Já durante o Estado-Novo foi dispensada, por parte da tutela, uma atenção especial às estações de correio, elaborando-se projectos-tipo para a sua construção em detrimento das anteriores cedências e arrendamentos.

 

Na Covilhã é com a reorganização da Praça do Pelourinho, cujo plano se deve ao arquitecto João António de Aguiar, que se projecta o novo edifício dos correios. É então escolhido o projecto-tipo nº 3 elaborado por Adelino Alves Nunes, sendo em 1946 reavaliado e ajustado à realidade local de forma a criar uniformidade na Praça em que se implanta. De linhas sóbrias, sobressai no edifício a torre com janelas de sacada, coruchéu piramidal e pináculos de feição seiscentista, criando a necessária simetria com a torre do Teatro-cine.

 

Em 12 de Março de 1950, o edifício é inaugurado com a presença do Ministro das Comunicações, um representante do ministério das Obras Públicas, o Governador Civil, o Presidente da Câmara, o Vice Presidente da União Nacional e o Comandante Militar da Cidade.

Os correios mantiveram-se sediados neste edifício até que em finais dos anos oitenta se construiu o prédio para o qual haviam de transitar e onde ainda hoje se encontram.

 

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

O Banco da Covilhã - Factos e Figuras da História da Covilhã

O BANCO DA COVILHÃ

 

Criado em 1874, quatro anos após a elevação da Covilhã a cidade, constituiu a primeira instituição financeira aqui sedeada.

Começou por se instalar no edifício onde actualmente funciona o Lar de S. José, no Largo Eduardo Malta, tendo sido transferido para a Rua 1º de Dezembro, para o imóvel que veio a ser propriedade da Associação de Socorros Mútuos “Mutualista Covilhanense”, que ocupou até à sua liquidação, em 1933.

Foi constituído como sociedade anónima, de responsabilidade limitada, com um capital social de 1.500 contos, que poderia vir a ser elevado até 3.000 contos, dividido em acções, nominativas e ao portador, de 100$000 réis, tendo iniciado a sua actividade com um capital de 750 contos.

Foram seus instaladores os portuenses Manuel Joaquim Vieira Braga e Anastácio Gaspar Ferreira Leão, sócios da firma Vieira & Leão.

O Banco da Covilhã tinha por função realizar um conjunto de operações financeiras comuns às restantes instituições bancárias, nomeadamente a emissão de notas ao portador, o desconto de títulos, quer do Estado quer de estabelecimentos e repartições públicas; as transferências de fundos entre Portugal e outros países; a abertura de contas correntes de nacionais e estrangeiros; os empréstimos por contracto ou subscrição pública, tanto ao Governo como às câmaras municipais, às juntas de distrito e a particulares; a compra e venda de metais e pedras preciosas, de títulos da dívida pública, de acções de bancos e companhias ou outras de cotação oficial; os empréstimos sobre hipoteca, etc. Contudo, distinguia-se dos restantes porquanto previra nos seus estatutos “auxiliar, quanto possível, a indústria de lanifícios, proporcionando-lhe capitais, mediante boas garantias”.

Apesar de projectado para apoiar financeiramente a indústria local, foi constituído maioritariamente por accionistas do Norte do país, se bem que os seus corpos sociais tivessem sido preenchidos, ao longo da sua história, pelos covilhanenses de maior projecção industrial e financeira à excepção dos Campos Melo, que se circunscreveram meramente à posição de accionistas. Pelo contrário, o Comendador Marcelino José Ventura e, posteriormente, o Conde da Covilhã, o Comendador Francisco Nunes Marques de Paiva e o Visconde de Morão, para além de diversos membros da família Mendes Alçada, de que se destaca o Dr. José Mendes Alçada de Paiva, ocuparam posições estratégicas no controle do banco, bem como António Baptista Alves Leitão, para além de muitos outros.

No primeiro quinquénio da sua existência, o Banco da Covilhã dispunha de uma filial no Porto que, por irregularidades, erros detectados e quebra de confiança nos seus dirigentes veio a ser extinta em 1880 e transformada numa simples agência. Nos finais de 1882, o capital do Banco, no montante de 750.000$000 réis, era detido por 293 accionistas, proprietários de 3.852 acções nominativas, por 1.486 acções ao portador e por 2.162 acções detidas pelo próprio banco, localizando-se os accionistas maioritários (com mais de 50 acções) no Porto, em Braga, Fafe e Lisboa, sendo Francisco Cardoso Valente, do Porto, o maior accionista, com um total de 200 acções. Contavam-se ainda no grupo dos seus accionistas diversos bancos, nomeadamente o Comercial e o Mercantil, ambos de Braga, o Mercantil de Viana do Castelo e a Caixa de Crédito Penafidelense, de Penafiel.

Nos inícios dos anos 20 do séc. XX a casa bancária Borges & Irmão, do Porto passou nele a assumir uma posição accionista de relevo.

O Banco da Covilhã veio a encerrar em 1933, por um processo de liquidação, aprovado em Assembleia-geral, em 6 de Junho do mesmo ano, na sequência de um acentuado decréscimo da sua actividade financeira. Fizeram parte da sua comissão liquidatária a casa bancária Banco Borges & Irmão, representada pelo Eng. Francisco Burguete, e Francisco da Silva Ranito.

 

Elisa Calado Pinheiro in Notícias da Covilhã

Garagem de São João - Factos e Figuras da História da Covilhã

GARAGEM DE SÃO JOÃO

 

No local em que se viria a erguer a Garagem de São João existia desde 1875 um teatro denominado de “Teatro Velho”. Na década de 30 do século seguinte, a Câmara Municipal decidiu vender em hasta pública o Teatro Velho. De entre as condições de venda, constava a obrigatoriedade de ali se construir uma nova casa de espectáculos.

No início dos anos quarenta, uma sociedade empresarial, constituída por Francisco da Silva Ranito, Eurico Jotta Roseta e José Ranito Baltazar, decide dotar a Covilhã de um cinema digno da grande “Manchester Lusitana”, adquirindo para tal o Teatro Velho.

O anteprojecto para o Cine-Teatro S. João, assim se chamaria a futura casa de espectáculos, assinado por Luís Filipe Ranito Catalão, deu entrada na Câmara Municipal em 1944. Um ano depois daria entrada o projecto definitivo assinado pelo arquitecto Carlos Ramos, um dos grandes nomes da arquitectura do século XX e um dos introdutores de modernismo em Portugal.

O seu projecto para o Cine-Teatro S. João apresentava diferenças significativas em relação ao anteprojecto. A fachada principal, verdadeiramente interessante, conciliava o que parecia inconciliável, modernismo, cenografia e monumentalidade. No entanto o projecto foi mal aceite pelos técnicos da Câmara, Rafael dos Santos Costa, director da repartição técnica, escreveu: … de modo geral o projecto não nos agradou… forma no conjunto um edifício que choca no meio em que vai ser construído.

Durante o ano de 1947, foi pedida uma licença à Câmara Municipal para iniciar as obras. Entretanto Raul Rodrigues Lima projectou o Teatro-Cine e não haveria na cidade lugar para duas casas de espectáculos com a grandiosidade proposta, o que obrigou os promotores do Cine-Teatro S. João a optarem por construir, em seu lugar, uma garagem. O projecto data de 1949, sendo assinado por Alexandre Steinkitzer Bastos.

A Câmara Municipal, contrariamente aos projectos anteriores, reconheceu a importância desta obra e a 20 de Setembro de 1949, a repartição técnica emitiu o parecer favorável à construção.

Após concluída, a garagem não se mantém durante muito tempo sob a direcção da Empresa Nacional de Espectáculos, passou para a Sociedade de Camionagem da Guarda, depois para a Sacor (de Pedro Ordaz), mas foi com o empresário Alberto de Carvalho que ela viveu os seus “últimos dias de glória”.

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

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Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos

Plano de Melhoramentos de 1883 Da autoria do Engº Antunes Navarro - Factos e Figuras da História da Covilhã

Plano de Melhoramentos de 1883

Da autoria do Engº Antunes Navarro

 

Pedroso dos Santos é um dos primeiros presidentes da Câmara Municipal da Covilhã, senão o primeiro, a apresentar uma preocupação efectiva com o ordenamento urbanístico. Ainda vereador, em 1882, propõe a realização de uma série de melhoramentos na cidade. Esta proposta conduziu a elaboração, pelo engenheiro Antunes Navarro, de um projecto denominado de plano de melhoramentos, apresentado em 24 de Janeiro de 1883.

Este plano visava dotar a cidade de novas vias de comunicação e serviços públicos então considerados indispensáveis numa cidade moderna. Entre as novas artérias destacava-se a Rua Nova, uma via paralela à Rua Direita que iria unir o novo mercado, a construir no local da igreja de São Pedro, e o mercado de gados, a construir junto à igreja de São Francisco, a qual foi orçada em 25.500$00 réis. Outra das vias faria a ligação entre a igreja de São Paulo e o Pelourinho.

O Pelourinho continuaria a ser o coração da cidade, no entanto a praça seria remodelada, passaria a apresentar forma rectangular, o novo edifício dos Paços do Concelho ocuparia o lado Sul, enquanto a Este seria construída a escola normal e a biblioteca.

O campo militar, com uma área de 13.523 m2, localizar-se-ia entre o novo cemitério (actual) e o mercado dos gados, sendo composto de quartel e campo de exercícios.

Na área do lazer estava previsto um passeio público contíguo à estrada real nº 55, em São João de Malta, e um parque a construir no morro onde se ergue a capela de São Martinho.

No domínio do saneamento foi prevista a construção de uma nitreira, no local das Forcas, que receberia todo o tipo de resíduos sólidos e líquidos, convertendo-os em adubos agrícolas e de um reservatório de águas, a construir no largo do Castelo, para abastecimento dos fontanários públicos.

A habitação social não foi esquecida e projectou-se um bairro operário, entre a base do campo militar e o mercado de gados.

A penitenciária ficaria próxima do quartel militar e contaria com 50 celas.

Na memória justificativa do plano era referido que as obras não ultrapassariam os recursos do município nem careciam de vida superior a uma geração para serem levadas a efeito, os custos totais rondariam os 300 contos de réis.

Carta Régia de D. Luis I elevando a vila da Covilhã à categoria de cidade - Factos e Figuras da História da Covilhã

Carta Régia de D. Luis I elevando a

vila da Covilhã à categoria de cidade

 

Por decreto de 20 de Outubro de 1870, foi esta villa de Covilhan, merecidamente, elevada à categoria de cidade; e em 16 de Janeiro de 1871, foi expedida a seguinte carta régia:

 

“Dom Luíz por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves N" Faço saber aos que esta Minha Carta virem que attendendo a que a minha notável Villa de Covilhã, no districto de Castello Branco, é uma das villas mais importantes do Reino pela sua população e riqueza.

Attendendo a que a mesma Villa é uma das Povoações do Reino que mais se tem distinguido pela fecunda iniciativa de seus habitantes na fundação e aperfeiçoamento de muitos e importantes estabelecimentos fabris, cujos productos podem já disputar primasia com os das fábricas estrangeiras mais acreditadas pelo seu desenvolvimento industrial. E desejando dar aos habitantes da referida Villa um solene testemunho do subido apreço em que tenho os seus honrados esforços pelo progresso e aperfeiçoamento da indústria nacional: Hei por bem fazer mercê à dita Villa da Covilhã de a Elevar à cathegoria de Cidade, com a denominação de cidade da Covilhã, e Me apraz que n’esta qualidade goze de todas as prerogativas, liberdades e franquezas que directamente lhe pertencem. Pelo que Mando a todos os tribunaes, Autoridades, Officiaes e mais pessoas a quem esta Minha carta for mostrada que indo assignada por Mim, referendada pelo Ministro e Secretario d’Estado dos Negócios do Reino e sellada com o sello pendente das Armas Reaes, hajam a sobredita Villa por cidade e assim a nomeei sem duvida ou embargo algum. Pagou de direitos de Mercê e addicionaes cento e cincoenta e quatro mil réis, como constou de um conhecimento em forma numero quinhentos evinte e cinco passado em dezaseis do corrente mez pela Recebedoria do sello de verba do districto de Lisboa. E esta carta é passada em dois exemplares um dos quais depois de registado nos livros da Câmara Municipal da Covilhã e no Governo Civil de Castello Branco, servirá para título d’aquella corporação, e o outro será depositado no Real Archivo da Torre do Tombo.

Dada no Paço da Ajuda em dezeseis de Janeiro de mil oitocentos setenta e um.

 

El-Rei (rubrica)

 

António bispo de Viseu”

LARGO 5 DE OUTUBRO

 MONUMENTO AOS SOLDADOS MORTOS NA GRANDE GUERRA

 

Factos e Figuras da História da Covilhã

 

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O monumento aos mortos da Grande Guerra nasce de um movimento juvenil criado na cidade por iniciativa do jornal “O Raio”.

Para a sua construção constituiu-se uma primeira comissão integrada por Júlio Carneiro, António Lopes Paes, José Cruz Alves da Silva, Alberto Fazenda, Manuel Gonçalves, José Cavaca Júnior e João Oliveira.

O lançamento da primeira pedra inseriu-se num programa mais vasto de homenagens ao regimento de Infantaria 21, que teve lugar em Março de 1925, do qual sobressaiu a imposição da Cruz de Guerra como resultado do raid de 9 de Março de 1918 levado a cabo pela 1ª companhia capitaneada por Ribeiro de Carvalho e onde se distinguiu heroicamente o alferes Gonzaga. Mas contrariando o entusiasmo de 1925 aquando do lançamento da primeira pedra, na praça de S. Pedro, na Covilhã, as obras não se iniciaram nos tempos seguintes. Na imprensa local surgiam com frequência críticas ao sucedido. Passado um ano os trabalhos eram retomados, a presidência honorária da Comissão foi entregue ao bispo de Beja e para angariar novos donativos foi criada uma comissão de honra constituída por mulheres covilhanenses.

A comissão possuía em Novembro de 1926 3.000 escudos provenientes da campanha levada a cabo pelo jornal “O Raio” e a promessa de 1.000 escudos por parte da Câmara Municipal.

Em Janeiro de 1927, tinha sido já possível contratar os trabalhos do escultor Francisco Santos para a elaboração de uma estátua que constaria no monumento.

Durante o ano de 1928, realizaram-se novas iniciativas para angariar fundos. Um sarau cultural no Teatro Covilhanense, onde participou a conhecida recitadora Maria de Lourdes, ou um espectáculo de circo da companhia Ivanov permitiram um novo fôlego para a causa ao atingir verbas num montante de 14.000$00.

Em 15 de Junho de 1930 foi finalmente inaugurado o monumento. O General Carmona descerrava a figura de um soldado que, no largo 5 de Outubro, se encontrava envolvido pela bandeira nacional. Na cerimónia da inauguração estiveram ainda presentes o Ministro da Guerra, o Ministro do Interior, pela direcção da Liga dos Combatentes, Eduardo de Faria e pela Câmara Municipal  o seu presidente Almeida Eusébio e os representantes locais das várias instituições militares e civis.

Em 1999 por iniciativa da Liga dos Combatentes, é integrado no monumento um acrescento para homenagear os soldados mortos na guerra colonial. Esta última parte do monumento foi inaugurada em 23 de Outubro de 1999.

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

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Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos

MONUMENTO Nª Sª CONCEIÇÂO

EDIFICAÇÃO DO “MONUMENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO”

 

Com assento privilegiado na vertente sul do velho burgo covilhanense, situado na encosta da Serra da Estrela, num local onde existia um pequeno cabeço, cercado por um pinhal, terras de semeadura, um souto e um caminho sinuoso, estreito em terra e pedras, foi edificado o monumento em honra de Nossa Senhora da Conceição, “Nossa Senhora de Lourdes” nos finais da década de 90 do século XIX, cuja pilastra, com a imagem da Imaculada, foi assente num amontoado de pedras, com vista para a Covilhã.

Este monumento foi mandado construir por uma comissão, presidida pelo Padre João Rodrigues Moita, da qual faziam parte: o Padre Gregório Arroz; o Padre José Costa Tavares; o Padre Oliveira Pinto; a Câmara Municipal da Covilhã; o Sr. Cândido Augusto D’Albuquerque Calheiros, 1º Conde da Covilhã; o Dr. João Ferraz de Carvalho Megre; o Sr. Gregório Baltazar, entre outros.

Os principais beneméritos foram o Sr. Cândido Augusto D’Albuquerque Calheiros, Conde da Covilhã, que suportou a maioria das despesas e o Sr. Dr. João Ferraz Carvalho Megre que doou o terreno.

Este monumento que, faz parte da Paróquia de São Martinho da Covilhã, foi inaugurado a 10 de Outubro de 1904.

No lado norte do monumento estavam três lápides com estas inscrições “Sua Exª Rev. Ma o Sr. Núncio de Sua Santidade Monsenhor Júlio Tonti, concedeu uma vez por dia um ano de indulgências a todos os fiéis que devotamente recitarem uma Salve Rainha diante desta imagem da Virgem Imaculada”.

“Sua Eminência o Sr. Cardeal D. José III concedeu, 300 dias de indulgência aos fiéis que recitassem 3 Ave-maria perante esta imagem da Imaculada Conceição em honra de Maria Santíssima, Mãe de Deus e dos homens, de qualquer lugar que a vissem, devendo aplicar, pela conversão de algum pecador, aquelas ou outras preces que lhe sejam dirigidas”.

“Sua Exª Rev. Ma o Sr. D. Manuel Vieira de Matos, Arcebispo – Bispo da Guarda, concedeu 50 dias de indulgência a todos os fiéis que rezassem uma Avé-Maria quando avistem de qualquer parte, esta imagem de Nossa Senhora.

 

In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges

 

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