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"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

Igreja do Sagrado Coração de Jesus - Factos e Figuras da História da Covilhã

IGREJA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 

 

Construída sobre o templo medieval de São Tiago, a igreja do Sagrado Coração de Jesus foi a primeira a ser construída na Covilhã depois da sua elevação à categoria de cidade. Também a igreja de São Tiago havia sido um dos primeiros templos a ser erguidos na Covilhã. Desta antiga construção apenas nos chegaram escassas descrições do seu interior, nomeadamente, da existência de três altares onde entre várias imagens se destacavam duas de São Tiago, uma combatendo os mouros, outra envergando os trajes de romeiro. Em 1192, foi doada ao mosteiro de S. Jorge de Coimbra, tendo-lhe sido confirmada, em 19 de Fevereiro de 1221, pelo Papa Honório III através da bula Sacrosanta Romana Ecclesia.

 

Com a extinção da freguesia de São Tiago, a igreja foi perdendo prestígio, apesar da reedificação empreendida, no século XVIII, pelo Prior Manuel dos Santos de Bastos. Em 1875, é adquirida pelos Jesuítas, representados pelo Padre Nicolau Rodrigues. Nos dois anos que se seguem, realizam-se as obras de reedificação. Em 1877, no dia de Natal segundo alguns autores, ou no Sábado de Aleluia segundo outros, é aberta de novo ao culto, mas o seu orago é, agora o Sagrado Coração de Jesus.

A igreja apresentava uma traça austera, a fachada principal era composta por um portal em arco de volta perfeita, encimado por um grande janelão, na empena de linhas curvas foi colocado um nicho com uma imagem.

Com a instituição da república em 1910, e com o novo afastamento dos Jesuítas, o edifício foi utilizado como armazém, cavalariça e celeiro.

Alguns anos depois, foi ali instalado o tribunal da comarca. O corpo da igreja e a capela-mor foram convertidos em sala de audiências. Particularmente interessante foi a transformação da fachada principal, onde se aplicou um estilo neoclássico. No lugar do janelão, abriram-se três portais com frontões triangulares que davam para uma varanda com balaustrada. Fizeram-se duas novas entradas ladeando o antigo portal, o nicho foi tapado e no seu lugar colocou-se um azulejo com uma representação da justiça, a cruz foi substituída pelas armas da república. Em 1942, um incêndio destrói este edifício, deixando-o em ruínas.

Em 1948 o edifício foi de novo adquirido pelos Jesuítas e procedeu-se a uma nova reedificação.

O actual templo, de tipologia modernista, deve o seu traço a Teotónio Pereira. É uma igreja de linhas simples e com escassa decoração, destacando-se a existência de grupos escultóricos, na fachada, da autoria de Joaquim Correia. Estes conjuntos escultóricos representam o orago da igreja, o Sagrado Coração de Jesus, e os dois mártires jesuítas da cidade, o Beato Francisco Álvares e o Padre António de Sousa. Interiormente destaca-se a pintura do orago, inserido na mandorla, invocando as representações medievais da figura de Cristo, da autoria de Martins Barata.

A 10 de Fevereiro de 1952 a nova igreja é aberta ao culto e a partir de 1969 torna-se matriz da paróquia.

 

Carlos Madaleno in Notícias da Covilhã

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