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"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

COVILHÃ NA ANTIGUIDADE

A Covilhã - povoação - situa-se na encosta da Serra da Estrela, voltada para nascente, rodeada por duas ribeiras, a Degoldra e a Carpinteira, tendo a seus pés o rio Zêzere e toda a Cova da Beira.

Esta localização faz com que os habitantes da Covilhã sejam, por um lado, homens e mulheres da montanha, tendo por matriz a Serra da Estrela o que lhes transmite coragem, espírito de luta e perseverança; por outro, a baixa ou seja a extensa Cova da Beira que se prolonga até Espanha, que imprime confiança, autonomia e determinação.

Inicialmente, os habitantes ocupavam a baixa junto ao rio onde as úberes terras os alimentavam. Com o andar dos tempos, forças de fora obrigaram-nos a fixarem-se numa altitude aproximada dos 800 metros, numa encosta íngreme.

Importantes "achados" mostram que os primeiros habitantes não foram os Romanos. A navegabilidade do Zêzere, que faz parte da bacia hidrográfica do Tejo, trouxe gentes das mais variadas partes que vinham comerciar.

A existência de inúmeros castros, verdadeiras sentinelas e postos de defesa, mostra que por ali passaram vários povos da pré-história que se foram instalando devido às boas condições de subsistência.

Os Romanos, após as lutas com os Lusitanos, acomodaram-se na região, como se pode verificar ao percorrer as margens do Zêzere, onde os exemplos de terra sigillata hispanica (tritium) se encontram a cada passo.

Escavações, em curso, apontam para a existência de uma importante colónia - povoação romana - que ultrapassa a simples passagem de expedições militares. As vias romanas que se encontram por toda a parte e até na própria Serra, viradas para nascente, para evitar o gelo, são outra demonstração clara da sua presença.

 
 
 
A COVILHÃ NA IDADE MÉDIA
 
A Covilhã tornou-se, desde a Antiguidade, num ponto de cruzamento de estradas e caminhos. Foi conquistada e reconquistada várias vezes, chegando os mouros a destruí-la quase por completo.
 
Estes acontecimentos levaram a que as gentes da Covilhã criassem o seu próprio município, segundo Alexandre Herculano, para se poderem organizar e defender.
 
A Carta de Foral à Covilhã, concedida por D. Sancho I, em Setembro de 1186, vem confirmar a sua importância como posto fronteiriço.
 
Os limites do alfoz (concelho), definidos pelo Foral, incluíam Castelo Branco e iam até ao Tejo, Portas de Ródão. É significativo.
 
Até ao final do reinado de D. Sancho II, a vila da Covilhã viveu o espírito de Reconquista, isto é, de luta contra os mouros. Foi capital do reino durante a Reconquista. Por várias vezes, o rei se instalou aqui com a corte.
 
Terminada que foi a Reconquista ou seja feita a paz com os mouros, as gentes da Covilhã passaram a organizar-se economicamente. Havia que ir além da agricultura de subsistência. O Rei D. Afonso III vem ajudar ao instituir uma feira anual com a duração de oito dias. A feira celebrava-se em Agosto, depois da festa de Santa Maria. Também D. João I concede uma feira franqueada anual a realizar-se pelo São Tiago e que se tem mantido, com altos e baixos, até aos dias de hoje.
 
A indústria dos lanifícios, entretanto, ia começando a tomar forma. Há que ter em conta que, por aqui, se deslocavam, vindos de Espanha, almocreves que levavam lãs para Tomar, seguindo uma via romana que passava por Paúl, Casegas, Sobral de São Miguel... Era conhecida como a Estrada da Lã.
 
A Carta de Foral aponta para muitas indústrias artesanais, incluindo a dos lanifícios e abria a porta a todos os que desejassem vir instalar-se na região.
 
Uma burguesia, cada vez mais forte, fomentava o progresso e tornava-a apetecida pelas suas riquezas. No termo da Covilhã, na Idade Média, incluíam-se mais de 300 lugares.
 
Os judeus eram já um núcleo importante que chegou a ter influência na corte.
 
A arte e a cultura está bastante representada, caracterizando esta época. A título de exemplo cita-se a capela de São Martinho, autêntica jóia de estilo românico.
 
 
COVILHÃ NO RENASCIMENTO
 
A Covilhã era uma vila em plena expansão populacional quando surge o Renascimento. O sector económico tinha particular relevo na agricultura, pastorícia, fruticultura e floresta. O comércio e a indústria, embora artesanal, especialmente os lanifícios, estavam em franco progresso. Gil Vicente cita "os muitos panos finos".
 
Os judeus dominavam o comércio e a indústria. Eram os detentores do capital. A Covilhã e sua região, como transfronteiriças, eram um bom abrigo.
 
As ruas que vão desaguar na Praça do Município, de qualquer um dos pontos cardeais, denotam a importância do comércio e trabalho. As dezenas e dezenas de casas com a porta larga e a porta estreita - uma entrada para a casa e outra, a larga, para a oficina mostram essa importância.
 
O Infante D. Henrique conhecia bem essa realidade, daí o passar a ser "senhor" da Covilhã.
 
A gesta dos Descobrimentos exigia verbas importantes. As gentes da vila e seu concelho colaboraram não apenas através dos impostos, mas também com o potencial humano.
 
A expansão para além-mar iniciou-se com a conquista de Ceuta em 1415. Personalidades da Covilhã como Frei Diogo Alves da Cunha, que se encontra sepultado na Igreja da Conceição, participaram no acontecimento.
A presença de covilhanenses em todo o processo prolonga-se com Pêro da Covilhã (primeiro português a pisar terras de Moçambique e que enviou notícias a D. João II sobre o modo de atingir os locais onde se produziam as especiarias, preparando o Caminho Marítimo para a Índia) João Ramalho, Fernão Penteado e outros.
 
Entre os missionários encontramos o Beato Francisco Álvares, morto a caminho do Brasil; frei Pedro da Covilhã, capelão na expedição de Vasco da Gama para a Índia, o primeiro mártir da Índia; o padre Francisco Cabral, missionário no Japão; padre Gaspar Pais que de Goa partiu para a Abissínia; e muitos outros que levaram, juntamente com a fé, o nome da Covilhã para todas as partes do mundo.
 
Os irmãos Rui e Francisco Faleiro, cosmógrafos, tornaram-se notáveis pelo conhecimento da ciência náutica. Renascentista é Frei Heitor Pinto, um dos primeiros portugueses a defender, publicamente, a identidade portuguesa. A sua obra literária está expressa na obra "Imagem da Vida Cristã". Um verdadeiro clássico.
 
A importância da Covilhã, neste período, explica-se não apenas pelo título "notável" que lhe concedeu o rei D. Sebastião como também pelas obras aqui realizadas e na região pelos reis castelhanos. A Praça do Município foi até há poucos anos, de estilo filipino. Nas ruas circundantes encontram-se vários vestígios desse estilo. No concelho também.
 
Exemplos de estilo manuelino também se encontram na cidade. É o caso de uma janela manuelina da judiaria da Rua das Flores. É o momento de citar o arquitecto Mateus Fernandes, covilhanense, autor do projecto da porta de entrada para as Capelas imperfeitas, no mosteiro da Batalha.
 
 
COVILHÃ NA INDÚSTRIA
 
Joel Serrão sintetiza assim a especial capacidade da vila da Covilhã e sua zona envolvente para a indústria de lanifícios: "Uma cintura de vilas e aldeias animadas pelos lanifícios envolve a Serra da Estrela. Os "panos finos" que se faziam na Covilhã eram afamados no começo do século XVI (Gil Vicente)".
 
Após o ouro do Brasil, Portugal entrou em depressão económica.
 
D. Luís de Menezes, conde da Ericeira, funda a fábrica - escola na Ribeira da Carpinteira. Mandou vir técnicos estrangeiros, sobretudo da Inglaterra (5 estampadores, 4 tecelões, 2 mulheres que fiavam e oficiais de tinturaria). Ainda há ruínas desta empresa. Poucos anos depois, trabalhavam nesta laboriosa cidade 400 oficiais e 17 teares.
 
O Marquês de Pombal ao instalar nesta cidade a Real Fábrica de Panos, junto à Ribeira da Degoldra, vem confirmar as capacidades das gentes da Covilhã e as potencialidades da sua zona envolvente para a indústria."Pombal cria a Superintendência das fábricas de lanifícios que valorizou os centros beirões, em especial na Covilhã e no Fundão. Do estrangeiro manda vir tecedeiros e tintureiros, seguindo o exemplo do Conde da Ericeira, que abriu e desenvolveu fábricas e teares."
 
A marca da importância industrial da Covilhã vê-se no património industrial, único no País, o que indica os passos dados na evolução técnica até aos dias de hoje. Resposta aos que afirmam que a Covilhã não é rica em património construído.
 
A criação da Escola Industrial, por decreto do Ministério das Obras Públicas, publicado em 20 de Dezembro de 1864 é, exemplarmente, o sinal inequívoco da importância da indústria de lanifícios na Covilhã.
 
Poucos anos depois, em 20 de Outubro de 1870, o rei D. Luís eleva a Covilhã à categoria de cidade: "..., é uma das vilas mais importantes do reino pela sua população e riqueza;... fecunda iniciativa dos seus habitantes..." Assim condecora a vila da Covilhã e as suas gentes.
 
Como síntese, há que dizer que a Universidade da Beira Interior - cúpula e corolário deste processo que surgiu antes dos primórdios da nacionalidade - nasceu, tendo como um dos primeiros cursos a licenciatura nos têxteis.
 
 
O MOVIMENTO OPERÁRIO DA COVILHÃ (1890/1907)
 
A classe operária da Covilhã, gerada enquanto tal, no processo - lento e demorado - de industrialização dos lanifícios, irrompeu na cena social da cidade e do concelho a partir da década de 1890.
Com efeito, datam de meados do último decénio de oitocentos não apenas os actos fundadores das organizações autónomas e de classe do operariado covilhanense, mas também as primeiras movimentações grevistas e outras formas de luta através das quais o operariado procurava fazer frente às suas duras condições de existência.
Em todo este processo, sociológico, económico, político e até psicológico, a classe dos tecelões desempenhou um papel preponderante.
 
 
A PRIMEIRA EMPRESA TÊXTIL DA COVILHÃ
 
A Inquisição, cujo primeiro tribunal foi instituído em 1560, no tempos de D. João III, veio provocar o êxodo de muitos cristãos novos e judeus que, em pleno século XVI, haviam dado grande incremento ao comércio, à indústria e ao tráfego marítimo. Com a sua expulsão, além de levarem consigo para fora do reino os seus cabedais, Portugal via-se afectado no seu comércio, na sua indústria e no tráfego com o ultramar. Devido em parte aos judeus, a Holanda tornou-se uma potência marítima, vindo a assenhorar-se de parte do nosso tráfego e a atacar as nossa feitorias do ultramar. A feitoria de S. Jorge da Mina, bastião e orgulho de D.. João II, foi conquistada pelos Holandeses. A debandada de judeus e cristãos novos, continuada no tempo da dominação espanhola, prolongou-se até ao reinado de D. João IV, apesar das advertências do Padre António Vieira, que lhe fazia ver que essa perseguição era duplamente prejudicial ao reino, já pelo facto de eles levarem consigo seus enormes cabedais, já por os colocarem depois ao serviço dos nossos inimigos.
 
Os judeus eram não só homens da indústria, da ciência e do comércio, mas também homens de grande influência, no trafego marítimo e na política internacional. A Covilhã teve por muito tempo a fama de ali actuarem muitos mercadores e assentistes no comércio de panos. Sabe-se que muitos dos judeus, que se dedicavam à indústria têxtil, se foram estabelecer em Bordéus e Antuérpia, cidades que se tornaram grandes centros desta indústria. Curioso notar que foi um judeu covilhanense o criador, na América, da Bolsa de Nova York, da Wall Stret.
 
Para obstar a carência de cereais, procurou-se desenvolver o seu cultivo nas amplas várzeas circundantes da Serra da Estrela. Esta várzea, ontem como hoje, era rica de potencialidades agro-pecuárias. Às margens das ribeiras ergueram-se os engenhos de moinhos, lagares, pisões, tintes e tendas, e lavandarias com águas ideais para o tratamento das lãs. As ribeiras da Carpinteira e Degoldra, tornaram-se centros da indústria manufactureira de panos, e principalmente com o aproveitamento da força hidráulica, que seria a principal fonte de energia da indústria da Covilhã no século XIX.
 
 

 

 
 
A REAL FÁBRICA DE PANOS
 
Os chamados “Inquéritos Pombalinos” foram primeiramente da iniciativa do padre Luís Cardoso, e só depois consentidos e incentivados pelo Marquês de Pombal que, através deles, quis ter ideia do país de que dispunha após a desesperação em que o havia lançado o terramoto de 1755. Outrossim avaliar a estagnação em que se debatiam a agricultura e a indústria. A Covilhã tinha ao tempo a população de 3800 habitantes, e as suas doze freguesias alongavam os seus termos a muitas povoações limítrofes. Uma parte das muralhas e suas torres, e algumas das suas igrejas, encontravam-se em parte arruinadas. A Igreja de S. Salvador, já desaparecida, englobava os moinhos da ribeira da Carpinteira, as quintas de Cantargalo, de Flandres, e de outras que se estendiam às margens do rio Zêzere.
 
À ribeira da Carpinteira, sede de muitas oficinas e tendas de manufacturas de panos, estava, desde os fins do séc. XVII, a Fábrica Real. Na outra ribeira, a Degoldra, existia no lugar chamado Biribau uma grande lavandaria de lãs.
 
Quartel   de   Infantaria   21   -   1904
 
 
 
 
 
 
Dos itinerários culturais europeus salienta-se, pela importância histórica e turística uma rota que abarca tanto o percurso económico da lã como matéria-prima como o percurso turístico do património industrial dos lanifícios. Na Península Ibérica e em Portugal esse percurso passa, na região da Beira Interior, pela cidade da Covilhã, considerada o centro da produção nacional dos tecidos de lã. Desde o século XII até à actualidade são inúmeros os vestígios do património industrial dos lanifícios nesta cidade. As rotas da transumância dos gados que passavam pela Covilhã, em direcção à Serra da Estrela, encontram-se ilustradas no seguinte mapa:
 
 
  
 
"Se os filhos de Adão pecaram os da Covilhã sempre cardaram."
 
 
A Covilhã foi na região da Beira Interior, até aos séculos XVIII/XIX, o centro polarizador de uma produção de tecidos de lã dispersa realizada em regime doméstico e artesanal. Desde o século XVII verifica-se a localização nessa cidade das primeiras manufacturas, processo que foi continuado com a industrialização que conduziu a uma forte concentração fabril, até à actualidade.
 
A partir de 1970 inicia-se um processo que conduziu ao abandono sucessivo de numerosas fábricas e à reconversão industrial da cidade. Os investimentos feitos na indústria não contemplaram a manutenção dos edifícios antigos, concentrando-se, quase exclusivamente, na renovação de equipamentos técnicos ou em novas construções fora das áreas de implantação tradicional, ou seja, as Ribeiras da Degoldra e Carpinteira e o tecido urbano. Estes eram, desde o século XVII até aos anos 60 do século XX, os locais de eleição da ancestral mono-indústria dos lanifícios covilhanenses.
 
Na actualidade, a Covilhã apresenta-se como mais uma das áreas características da desindustrialização europeia. Assim, também nesta cidade, ao assistir-se às transformações que põem em causa os alicerces sócio-económicos do seu passado, se procura salvaguardar-lhe a memória. Um conjunto de acções, que passam pela preservação de sítios de interesse arqueológico-industrial e pela criação de equipamentos de natureza cultural, encontram-se programados uns e concretizados outros com o objectivo de recuperar a memória da indústria de lanifícios e o seu envolvimento na vida da cidade e dos seus habitantes. Nesse sentido, a Universidade da Beira Interior instituiu, na manufactura pombalina da Real Fábrica de Panos, o Museu de Lanifícios. Este é um projecto dinâmico que procura aliar à preservação da memória do trabalho dos lanifícios a revitalização da Covilhã e da região que tem por matriz a Serra da Estrela.

 

 
ENQUADRAMENTO ESPÁCIO - TEMPORAL
 
A Covilhã, encastoada na falda oriental da Serra da Estrela, a montanha de maior altitude de Portugal Continental (2.000 m), localiza-se na Beira Interior, na sub-região da Cova da Beira, uma depressão que, integrando a bacia hidrográfica do Alto Zêzere e ainda pela Serra da Malcata a Leste.
 
A história da Covilhã está indissociavelmente ligada a todo este espaço, rico de diversidades e propício a uma auto-subsistência que era garantida pelas actividades agro-pastoris, pela caça, pela pesca nos rios e ribeiros, pelo abastecimento de lenhas e pela abertura à penetração mercantil. Foram estes condicionalismos naturais que justificaram que, a partir de finais do século XII, os homens se fossem aperfeiçoando na prática dos lanifícios.
 
Efectivamente, a montanha, propiciando ao gado os pastos naturais, foi ponto de encontro dos grandes trajectos da transumância tanto nacional como peninsular. Por tal razão permitiu-se a alguns aglomerados populacionais da sua área, como Manteigas, Seia, Gouveia e Covilhã, a especialização no fabrico dos panos. Esta situação foi facilitada pelo acesso fácil à matéria-prima que alimentou esta indústria: a lã. De igual modo, a energia indispensável ao seu desenvolvimento foi fornecida pelo fácil acesso e utilização da água e das lenhas. Assim, esta região é caracterizada por uma economia agro-pastoril e manufactureira, onde tudo são lãs e panos.
 
Neste contexto a Covilhã foi-se desenvolvendo, até ao século XIX, tendo sido apelidada e conhecida como cidade-granja/cidade-fábrica. A partir de então, por condicionalismos vários, mas sobretudo por acção dos homens, ir-se-à especializar como cidade-fábrica até aos anos oitenta do século XX. Foi a partir desta altura que a Universidade da Beira Interior começando por se instalar no edifício da pombalina Real Fábrica de Panos da Covilhã iniciou a recuperação de alguns dosmais representativos antigos edifícios fabris convertendo-os em instalações universitárias.
 
Subsistem ainda hoje muitos vestígios do passado industrial da Covilhã. Desde o século XII até à actualidade, são numerosas as fontes documentais existentes. De entre as mesmas o destaque vai para os arquivos empresariais de muitas das fábricas da Covilhã. Refira-se ainda a proliferação de catálogos dispersos pelos arquivos das fábricas, de papel timbrado, rótulos e embalagens de produtos, fotografias e gravuras, desenhos e plantas, registos audiovisuais, produtos e amostras, modelos e maquetes das fábricas que, ao longo do tempo, foram sendo construídas, e anúncios empresariais publicados na imprensa.
 
Para além deste conjunto documental salientam-se ainda como muito significativas do processo de industrialização Covilhanense, as numerosas fontes materiais ainda hoje existentes. Pela quantidade e autenticidade de que se revestem são de primordial importância no domínio da arqueologia industrial. Hoje em dia, a Covilhã pode ser classificada como o principal centro histórico dos lanifícios portugueses.
 
 
A ROTA DA LÃ
 
O actual desenvolvimento das práticas e políticas associadas ao turismo cultural tem contribuído para a definição e divulgação de um conjunto variado de itinerários culturais, no âmbito dos quais a Rota da Lã tem vindo a ganhar forma e contornos. Em 1987, o Conselho da Europa lançou um programa sobre itinerários culturais que tinha objectivos de natureza turística, nomeadamente a melhoria da qualidade do ócio dos europeus, convidando-os a percorrer e a explorar os “caminhos reais ou imaginários em que, através da unidade e da diversidade, se forjara a identidade europeia”, como o defende Michel Thomas-Penette, Conselheiro do Programa de Itinerários Culturais do Conselho da Europa (Universitat de Barcelona,1996).
 
Esta é uma questão que tem dependido de um conjunto diversificado de objectivos relacionados com a dinamização do turismo, mas que, cada vez mais, procura restabelecer as continuidades perdidas ao longo do tempo em diversos espaços europeus, visando ainda a valorização dos produtos naturais e do trabalho artesanal. De várias das publicações levadas a efeito, a partir de 1987, sublinhe-se o Guia dos Itinerários Culturais das Regiões da Europa, onde a Região Centro de Portugal aparece caracterizada através, precisamente, de uma entrada intitulada “O Fio da Meada”. Nela valoriza-se a definição de uma Rota da Lã, que se justifica claramente que entronque, a nível do país, na cidade da Covilhã (Fernando Lozano Hernando, Guia dos Itinerários Culturais das Regiões da Europa, 1ª Ed., Barcelona,1992).
 
A importância destas Rotas deriva ainda, como o sublinha Doudou Diène, Conselheiro da UNESCO, de elas serem concebidas como mecanismo de contacto entre povos e civilizações, concluindo que "a história e a cultura de cada povo são o resultado de um duplo processo dinâmico: processo de encontros, de contactos e de influências, mas igualmente processo através do qual estes contactos e influências se traduzem, graças a uma complicada alquimia, na construção de uma identidade específica”. (Espanã y Portugal en las Rutas de la Seda, Publicaciones de la Universitat de Barcelona, Barcelona, 1996).
 
Contudo, numa era caracterizada pela intensificação dos sistemas e práticas de comunicação, as rotas são hoje, sobretudo, os itinerários culturais de “cidadãos do mundo” desenraizados da sua matriz natural e ambiental, em busca todavia, dos fios perdidos de uma identidade que urge preservar. Daí o interesse deste tema e o seu actual aprofundamento por parte das indústrias culturais e de turismo.
 
Todavia, na abordagem ao tema da Rota da Lã, para além destas razões que explicam a sua actualidade, devemos ainda ter presentes várias outras das suas vertentes. O estudo de uma qualquer rota deverá procurar clarificar os percursos económicos tanto da matéria-prima como do produto fabricado, evidenciando ainda, e sobretudo, a abordagem antropológica que gera todo o processo.
 
No que se refere à Rota da Lã, os seus itinerários aparecem-nos profusamente documentados no nosso país e, concretamente, na região da Beira Interior, desde o século XII até à actualidade. Há ainda que ter em conta as complementaridades espaciais e de natureza geográfica que, ao longo dos tempos, se estabeleceram entre os homens que, neste domínio, se especializaram. Trata-se, muitas vezes, de circuitos criados e desenvolvidos através de laços de natureza pessoal ou grupal, de âmbito social e religioso que transcendem as meras relações de natureza económica e que permitem compreender situações pouco comuns. É o caso da Covilhã que podendo considerar-se geograficamente isolada no contexto nacional beneficiou de intensos contactos internacionais que podem considerar-se privilegiados e que terão resultado, provavelmente desde o século XVI, do estreitamento de laços veiculados através das comunidades judaicas e cristãs-novas, não só na esfera penínsular como europeia e até mundial.
 
Deste modo se poderão mais facilmente compreender as facilidades de circulação e a presença frequente de muitos empresários covilhanenses em importantes cidades industriais europeias, desde o século XVIII até à actualidade, não só para comprar maquinaria e colocar a produção como para frequentar escolas superiores de especialização têxtil.
 
 
 
TRAJECTÓRIA DA ROTA DA LÃ
 
A intervenção efectuada nos edifícios que constituíram esta manufactura, desenvolvida por fases e com objectivos diversos, revestiu-se de real significado, não só no domínio da recuperação arquitectónica e da conservação do património edificado, como a nível da própria preservação da memória dos lanifícios na Covilhã e da história da tinturaria portuguesa e europeia do Antigo Regime.
 
Os modelos de intervenção arquitectónica, de conservação arqueológica e de musealização nela experimentados podem avaliar-se já hoje como contributos para a própria afirmação da arqueologia industrial em Portugal. Efectivamente, foi no contexto da recuperação e musealização da Tinturaria da Real Fábrica de Panos que, tendo-se iniciado, se concluiu, provavelmente, um dos primeiros projectos de recuperação do património industrial português, com a inauguração, em 30 de Abril de 1992, do Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior. Foi igualmente no âmbito desta experiência que se iniciaram, na Covilhã e na região circundante, com carácter sistemático, levantamentos no domínio do património industrial.
 
Deste modo foi possível salvaguardar alguma da memória dos itinerários da produção de panos de lã, tanto a nível regional e nacional como até internacional, conhecer a diversidade e a origem dos produtos tintureiros orgânicos mais utilizados nas tinturarias da Real Fábrica de Panos, assim como os processos de fabrico e de tingimento característicos de uma manufactura de estado do Antigo Regime.
 
Os fios com que se tecem os panos fabricam também a recuperação da memória de um passado com que se procura alicerçar o futuro. É mais uma das virtualidades desta fibra natural que é a lã.
 
 
 

8 Séculos a trabalhar a lã

Um percurso no tempo

 

Da ovelha ao tecido.JPG

 

Séc. XII/XIII – Um trabalho doméstico

Nos primeiros tempos da monarquia já se fabricavam panos de lã em Portugal. As oficinas não eram fábrica mas a mera casa de habitação onde o tecido resultava de um trabalho doméstico. O 1º foral da Covilhã (1186) é um documento comprovativo.

 

Séc. XIV – Afirmação da Serra da Estrela

Portugal importava também os melhores tecidos os quais eram fabricados na Flandres. Os panos de Arras tinham prestígio internacional e, os teares domésticos nacionais já não teciam apenas panos lisos usando-se temas fornecidos pelos pintores.

A produção artesanal nacional encontrava-se baseada na Serra da Estrela e no Alentejo (Covilhã, Estremoz, Portalegre e Beja). O burel (pano tipo hábito de monge grosseiro) era o que mais se fabricava até aparecer o pano de lã meirinha.

 

Séc. XV – A produção diversifica-se

Nestas cidades portuguesas começam a ser fabricadas as baetas, picotes e outros tecidos até aí importados de Castela. Da Flandres importavam-se a sarja e o burel mas também os muito qualificados panos de Arras e as escarlatas (tecidos vermelhos).

 

Séc. XVI – Disseminação junto às rotas da transumância

O trabalho de lã encontra-se agora mais disseminado pelo território especialmente nas regiões de transumância e nas fronteiriças.

Os centros produtores alargavam-se na zona da Serra da Estrela (Covilhã, Gouveia, Seia, Oliveira do Hospital, Trancoso e Pinhel), no Alentejo (Beja, Portalegre, Arronches e Castelo de Vide) e em Santarém (os alambéis).

A produção de tecidos de lã satisfazia parte do consumo de Portugal, Açores e Madeira e os alambéis (tapetes coloridos) de Santarém parte do Norte de África.

 

Séc. XVII – As Primeiras Manufacturas

Por altura da Restauração Portuguesa (1640) a produção de tecidos de lã encontra-se distribuída nacionalmente e mantinha-se como trabalho caseiro e artesanal.

Algum tempo após, o 3º Conde da Ericeira encetar uma política de fomento e renovação do sistema produtivo. É agora a altura das primeiras grandes transformações em Portugal.

A partir de 1679 aparecem as grandes MANUFACTURAS de lã; Covilhã, Estremoz, Manteigas, Melo (Gouveia) e Lisboa são concretizadas, invocando-se que “A produção que daqui iria advir protegeria o país dos artigos importados”.

A evolução e o êxito das manufacturas foram tão grandes que durante dezenas de anos a sua produção supriu o consumo de Portugal e Brasil.

 

Séc. XVIII – Do Tratado de Methuen às Reais Fábricas

 

Os anos de setecentos começam com uma grave crise económica originada pelo famoso tratado de Methuen de 1703. A Inglaterra passava a introduzir livremente os seus lanifícios em Portugal. Depois sucede o mesmo com a Holanda. Acontece a ruína e a decadência de produção portuguesa.

A partir de 1710, por decisão de D. João V, a Covilhã +assa a fabricar nas suas manufacturas todos os fardamentos militares portugueses.

Quatro anos antes existiam 186 produtores (domésticos) desses panos na cidade. Aí existiam também a funcionar 72 teares e na sua limítrofe de Teixoso mais 46. Em Manteigas funcionavam 28 e em Belmonte 18.

Aparecem então as grandes unidades manufactureiras que envolvem grandes processos de modernização.

O grande restabelecimento da indústria de lanifícios deve-se à visão política e económica do Marquês de Pombal.

Num século de profunda evolução técnica e de sistema produtivo, Portugal vê criada em 1764 a Real Fábrica de Panos da Covilhã.

 

O Fomento Industrial de Pombal (1760-1777)

Neste período a política nacional assume a importância estratégica das manufacturas produtivas e com base nelas assentam as grandes medidas de industrialização. O plano parte de acções de espionagem industrial levadas a cabo na Europa com vista a conhecer melhor as inovações técnicas e a organização do trabalho têxtil (lanifícios, algodão e outros sectores).

O objetivo político era o de combater a dependência portuguesa das importações, articular a ligação de produção às colónias e modernizar uma produção atrasada.

O fomento industrial de Pombal baseia-se por isso na realidade pré-industrial (os centros das manufacturas) existentes no país: a fábrica de vidros da Marinha Grande (1769), a Rea Fábrica de Lanifícios de Portalegre (1772), a Fábrica de Chapéus de Pombal (1759), as de tabaco, refinação de açúcar e pólvora (1759), a reforma da Fábrica das Sedas (1757) e a Real Fábrica de Panos da Covilhã (1764).

Na Inglaterra tinha-se iniciado a Revolução Industrial.

 

Séc. XIX (1ª metade) – O Operário, a Indústria, o Proletariado

O trabalho de preparar, fiar e tecer as lãs é ainda manual em Portugal no início do Séc. XIX. Em 1808/ 10 inventam-se em Inglaterra os primeiros maquinismos para a indústria. Os conceitos evoluem para o significado atual: artista, artífice, operário, proletário e indústria.

As grandes unidades manufactureiras lusitanas prosperam até às invasões francesas altura em que o novo Tratado com os ingleses prejudica a indústria portuguesa. A Real Fábrica da Covilhã fecha durante anos até que, por acordo com o Estado, é transferida para privados em 1821.

Em 1837 verifica-se novo incremento da produção de lanifícios. Para além da Covilhã, Gouveia, Manteigas e Trinta (todas na Serra da Estrela), Lisboa, Porto, Amarante e Alenquer assistiram à criação de novas grandes unidades.

Em 1860, Belmonte, Teixoso e Tortosendo (marginando a Covilhã) já possuem 600 fogos cada. Metade da população destes centros vive dos lanifícios da Covilhã. Aqui, 35 unidades industriais empregam 1.850 homens, 680 menores, 760 mulheres e 540 raparigas. Nesse ano a grande massa de operários atinge quase 4.000 trabalhadores.

Cerca de 1850, Portugal já dispunha da máquina a vapor e os grandes centros industriais eram Lisboa, Porto, Covilhã e Portalegre.

No Alentejo e nos lanifícios trabalhavam ainda o Redondo (750 trabalhadores), Reguendos (430), Évora (98) e Estremoz.

 

Séc. XIX 2ª metade – A expansão industrial

Em 1881 o maior número de unidades industriais de lanifícios estava na Covilhã, no distrito da Guarda e em Castanheira de Pêra. O Porto e Lisboa tinham 3 fábricas cada e Alenquer uma.

Das 160 unidades portuguesas, a Covilhã detinha agora 128. A antiga vila da Covilhã, cidade desde 1870, tinha uma população de 12.000 habitantes e mais de metade (6.502) trabalhava nos lanifícios (homens, mulheres e crianças). Havia 859 teares instalados dos quais 57 eram mecânicos.

Gouveia possuía 20, Seia possuía 15, Manteigas e Guarda possuíam 5 e 1, respetivamente.

De 1881 para o fim do século (1896) a indústria de lanifícios passou de 160 unidades (151 fábricas e 9 oficinas) para 234.

O número de trabalhadores manteve-se quase nos 9.000 dos quais 6.500 na Covilhã. A indústria têxtil era em 1896 a maior empregadora (11.732 trabalhadores), seguida dos lanifícios (8.895), dos tabacos (4.776), conservas (4.653) e cortiça (4.380).

 

Séc. XX – Um apogeu Produtivo

Em 1916 a indústria têxtil era a mais importante (50.000 operários). A dos lanifícios mantinha-se em segundo lugar (10.861 operários), 210 unidades (103 no Distrito de Castelo Branco, 56 na Guarda, 18 em Leiria e 18 em Lisboa). Das 103 unidades de Castelo Branco, 88 encontravam-se na cidade da Covilhã.

Em 1934 o número de fábricas nacionais já era de 414, trabalhando em lanifícios 14.000 pessoas cabendo à Covilhã 5.600.

Após a II Grande Guerra a indústria de lanifícios atinge um novo apogeu produtivo. Era já um terceiro depois dos verificados no final do séc. XIX e após a I Grande Guerra. A partir de 1970 verificam-se encerramentos e a reestruturação tecnológica provoca uma crise social profunda.

 

Séc. XXI – Prossegue a Revolução Tecnológica

Nestes primeiros anos do séc. XXI a indústria laneira já é reflexo de outra revolução tecnológica. O trabalho foi deixando de ser baseado em mão-de-obra intensiva e é cada vez mais suportado em tecnologia intensiva. Esta alteração que permitiu produzir mais do que nunca, vai também sendo sustentada num menor número de unidades de lanifícios (e de trabalhadores) mas com enorme capacidade de produção. Atualmente saem das fábricas de lanifícios da Serra da Estrela dezenas de milhões de metros de tecido por ano. O escoamento do produto é agora feito mais pela exportação e menos para o mercado interno. Em termos tecnológicos, os teares a jacto de ar comprimido necessitam pouca mão-de-obra e fabricam com muita qualidade. Grandes marcas mundiais de vestuário usam tecidos “made in” Serra da Estrela.

A CULTURA E SEUS NOTÁVEIS

No domínio da investigação histórica, sobretudo da história da Covilhã, destacam-se os nomes de Artur de Moura Quintela, que publicou no ano de 1899, os "Subsídios para a Monografia da Covilhã", e o Dr. Luís Fernando de Carvalho Dias (1914/1991) formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Dedicou-se à investigação histórica, coligindo, na Torre do Tombo, numerosos documentos relativos à história dos lanifícios, do que resultou a publicação, em três volumes, da "História dos Lanifícios", versando a época de 1750/1834. Publicou ainda "Heitor Pinto - Novas Achegas para a sua Biografia" e "Forais Manuelinos". No âmbito da investigação da histórica local e na defesa do património ainda existente, destacam-se nomes como o Dr. Rui Nunes Proença Delgado, com vários títulos sobre a "História da Covilhã", e José Mendes dos Santos, que fundou aqui a melhor livraria da Cidade, e, além da recente obra "Breve História Cronológica da Covilhã", fez publicar a "Toponímia Covilhanense", repositório de numerosas achegas para a história da Covilhã, escritas por publicistas locais de mérito, como José Vicente Milhano (1913/1995), Vitorino de Almeida Bonina, M. M. Sardinha, Dr. António Crespo de Carvalho, Artur Penha (1904/87), Humberto Correia Morão, Álvaro Morgadinho, e outros.

Ainda no domínio da cultura, foi figura de relevo neste século, o Eng.º Ernesto de Campos Melo e Castro (1896/1973). Pertencente à Família Campos Melo, foi, durante trinta e sete anos director da Escola Industrial. Dedicado igualmente à música, foi professor no Conservatório desta cidade, violinista em saraus artísticos e compositor da "Trilogia Camoniana" para canto e piano. Teve também o mérito de recolher e escrever numerosas cantigas típicas da região da Beira Baixa.

Embora se façam sentir pelos formosos campos do Zêzere e nas alturas da serra, as harpas eólicas das musas, rareiam por aqui os poetas. Todavia, ainda sobressaem nomes como Celestino David (1880/19529, José Seca Júnior (19101971), José Nepomuceno (1874/1954), natural do Tortosendo, José Soares Pereira da Rocha (1904/1983), natural de Vale Formoso, que deixaram os seus versos dispersos por diversas publicações e jornais. Ernesto de Melo e Castro, filho de Engenheiro do mesmo nome, é autor do livro de poesia experimentalista "Trans (a) parências".

No jornalismo, avultam nomes como o de Mário Quintela (1872/1956), natural do Sabugal, mas covilhanense de coração, que foi director do "Notícias da Covilhã" (1941), autor de revistas teatrais de sucesso, como "No País da Guedelha", "Covilhã à Vista" e "No País do Minério". José Marmelo e Silva (1911/1991), natural do Paul, colaborou nos jornais "O Raio" e no "O Diabo", bem como na Seara Nova. Editou ainda em Coimbra o Boletim "Altitude". O Padre Jaime Pinto Pereira (1916/1987), natural de Sobral de São Miguel, jornalista e etnólogo, foi fundador do jornal "Nordeste" e publicou dois volumes de canções religiosas e profanas, inspiradas e recolhidas na região. O jornalista José Nunes Torrão (1929/1981), natural da freguesia da Boidobra, trabalhou longo tempo no "Jornal do Fundão" e, tendo emigrado para Angola, foi em Luanda, chefe de redacção do diário "Província de Angola". Nascido no Tortosendo, o Dr. Jorge Ferreira Peixoto, foi primeiro bibliotecário da Universidade de Coimbra, e professor da Faculdade de Letras da mesma universidade, deixando extensa obra bibliográfica.

 
 
O CONCELHO DA COVILHÃ
 
 
Covilhã – Concelho
 
Reclinada na encosta da Serra da Estrela, voltada a Nascente, a Covilhã oferece a quem a visita a bela paisagem da sua casaria, enquadrada num majestoso anfiteatro de montanhas.
O Concelho tem uma área de mais de 550 mil hectares e a sua população está estimada em 54 mil 506 habitantes, dos quais 49 mil 527 são eleitores (segundo dados apurados pelo Censos 2001).
É constituído por 31 freguesias: Aldeia de São Francisco de Assis, São Jorge da Beira, Casegas, Sobral de São Miguel, Ourondo, Erada, Paul, Coutada, Barco, Peso, Vales do Rio, Cortes do Meio, Unhais da Serra, Tortosendo, Dominguiso, Boidobra, Ferro, Cantar Galo, Vila do Carvalho, Teixoso, Santa Maria, São Martinho, São Pedro, Conceição, Peraboa, Verdelhos, Sarzedo, Orjais, Aldeia do Souto, Canhoso e Vale Formoso.
 
 
Covilhã – Cidade
 
A cidade da Covilhã situa-se na vertente oriental da Serra da Estrela a cerca de 700 metros de altitude.
Desde 1851 que é constituída por quatro freguesias urbanas: São Martinho, São Pedro, Santa Maria e Conceição.
É Cidade desde 20 de Outubro de 1870, título atribuído por D. Luís I.
 
 
 
Covilhã- No Distrito
 
A Covilhã pertence ao distrito de Castelo Branco que é formado por onze concelhos (Covilhã, Belmonte, Fundão, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Rodão), compostos por 159 freguesias.
A delimitação geográfica do distrito é feita a Norte pelo distrito da Guarda, a Sul pelo distrito de Portalegre, a Oeste pelos distritos de Santarém, Leiria e Coimbra, a Leste pelas fronteiras com o País vizinho, Espanha.
Geograficamente o distrito é caracterizado pelas várias serras que o atravessam, com parte das serras da Estrela e da Lousã e com as serras da Gardunha, Malcata, Alvelos e Muradal.
Nos seus vales correm os Rios Erges, Ponsul, Ocreza e o Zêzere, afluentes da margem direita do Rio Tejo, o qual delimita o distrito a sul.
 
 
LENDA DA COVILHÃ
 
A Cova da Beira está situada no eixo da Guarda - Covilhã - Castelo Branco, fazendo fronteira com Espanha. O seu primeiro nome foi o de Cova Plana, por razões de ordem morfológica. "Cova" porque está enclausurada entre serras altas, nas abas das Serra da Estrela, Serra da Gata, Serra da Malcata, Serra da Gardunha. "Plana" porque se trata de um espaço onde se erguem aqui e além pequenos montes ou mamelões que, vistos do cimo de qualquer uma das serras que a envolvem, se diluem na paisagem, parecendo tratar-se de uma planície entre montanhas onde brilham as águas.
Após a invasão e conquista da Península Ibérica pelos romanos é que aconteceu surgirem os vários nomes (Cova Julia e Silia Herminia) a que as lendas deram notoriedade.
Os generais romanos, por razões estratégicas davam os seus nomes às regiões por onde passavam e sobretudo onde assentavam arraiais. Temos assim a Cova Plana a mudar de nome para Cova Julia, antes de Cristo, devido ao facto de ser Júlio César o general, comandante das legiões romanas, na Península Ibérica.
Em 41 depois de Cristo, há uma outra alteração. O nome de Cova Julia desaparece e a região passa a ser conhecida como Silia Herminia, devido ao facto de o general romano, que então comandava as legiões romanas, se chamar "Silius", e ter, ali, acampado para dominar os lusitanos.
A Covilhã encontra-se situada na vertente oriental da Serra da Estrela a cerca de 700 metros de altitude. Possui uma localização estratégica, confinada entre as ribeiras da Carpinteira e da Degoldra, com excelentes pastos para a criação de gado ovino, condições essenciais para a manufactura de panos. Desde cedo se destacaram na paisagem azenhas, moinhos de pão, tintes e tendas e, posteriormente, fábricas transformando a Covilhã no maior centro da indústria têxtil do País.
O topónimo da Covilhã estará relacionado com uma LENDA . Segundo esta, o Conde Julião, governador de Ceuta, teria permitido a passagem dos mouros, por vingança, pelo facto da sua filha, Florinda, se ter enamorado por Rodrigo, o último rei dos Godos. Após a morte deste, numa batalha contra Tariq, esta refugiou-se nos Montes Hermínios e, pela sua astúcia e formosura, mereceu o respeito dos mouros e o nome de Cova. Seria o lugar da Cova Juliana ou Covaliana, donde resulta o nome da Covilhã.
Há ainda quem conte que foram as condições em a Covilhã se insere, com zonas de pastagens e refúgio do gado na Serra da Estrela que lhe deram o nome.
Inicialmente conhecida como o Covil da Lã, hoje denomina-se Covilhã.
 
 
LENDA DA SERRA DA ESTRELA
 
IN "Velhas Lendas" de Maria Antonieta Garcia, Edição Centro Cultural da Beira Interior
 
Olhar o céu todas as noites, decifrar linguagens das estrelas, lua, nuvens e ventos era momento de prazer sempre renovado.
Quando se está só, as coisas que nos rodeiam ganham outra importância. Temos tempo para elas, entendemo-las, deixamos que entrem connosco na nossa vida. E à noitinha, no veludo negro do céu, via estrelas lindas, lindas que não sabe por que loucura ouvia falar. Aquele barulho e o tremeluzir ritmavam melodias, conversas, confidencias... E os jogos que faziam? Fugiam para um lado e para o outro, escorregavam sabe-se lá para onde, dançavam... Escondiam-se!
Era então que o José desdobrava recordações, passeando pelo Largo da sua Infância com acenos de felicidade... E lembrava-se das histórias com estrelas. Todos tínhamos uma no céu, dizia-se. Boa ou má... Ah! Se um dia descobrisse a sua Estrela!!!
Noite após noite, procurava um sinal, um sussurro... A Lua olhava-o divertida e aguardava serenamente poder assistir ao encontro de José e da sua Estrela.
Era nas noites sem sono que o som da flauta subia mais alto no silêncio.
 
                   O brilho da minha estrela
                   Aquece o negro do céu;
                   Espreito-a pela janela,
                   Marco encontro: ela e eu.
 
                   Sou jovem enamorado
                   À noite mato a saudade,
                   Desce no sopro da Estrela
                   Um sol de Felicidade.
 
- José, sou a tua Estrela! José sou a tua Estrela! - ouviu-se.
Era lá possível! Cantigas, são cantigas! Não queria acreditar! Esfregou os ouvidos, os olhos. E ouviu de novo:
- José, sou a tua Estrela!
E tremeluzia rindo em brilho de poeta e paz. O José teve receio. Beliscou-se até doer para sentir que estava acordado. E estava mesmo... Porque a Estrela continuava:
- Que linda a tua serenata! Diz-me os teus anseios, mas pensa bem, antes de decidires. Traçado o Caminho da Vontade, partiremos juntos, e não voltaremos atrás. Quando quiseres, chama-me! Sou a tua Estrela.
E afastou-se devagarinho.
Prisioneiro daquela voz que lhe oferecia viagens, deixou fugir as ideias para paraísos sumarentos. Abandonou-se a uma loucura saborosa e teceu aventuras que acariciou com o desejo semeado pela espera. Queria partir, conhecer serranias altas, coroadas de branco...
Numa noite luminosa olhou o céu:
- Estrela, minha Estrela. Sou eu que te chamo! Vem comigo!
O cheiro das lareiras da aldeia entranhava-se no ar e bafos tépidos, conhecidos, aconchegavam e prendiam as gentes. Mas o José tinha de seu apenas a solidão e uma vontade que recusava resignação e bolores. Vizinho de um mundo de sonho, partiu com a Estrela mais brilhante. Marcou os caminhos que percorreu com a alegria. Irrequieto e insubmisso, em cada terra, um sonho novo subia-lhe à cabeça e reinventava o gosto de viver. Fascinava-o uma criança, um regato de cantilenas, uma romã aberta... Eram imagens que soldava ao corpo, para construir pilares capazes de exorcizar tristezas, hipocrisias, azedumes.
O José tinha escolhido uma Boa Estrela.
Os anos passaram. Os caminhos da montanha rendilhados de branco estavam próximos. No céu, a Estrela brilhava cada vez mais intensamente. Entrava-lhe todas as noites nas palheiras que lhe serviam de abrigo. Desafiava-o feliz para todos os percursos até ao local do seu encantamento. Do alto da Serra, dominaria horizontes mais largos e maior seria o seu prazer franciscano de se emocionar, admirar e acariciar ternamente o que o rodeava.
- José, sou a tua Estrela! Estamos perto. - confidenciava-lhe.
Flautas mágicas cantavam com o sopro do vento. O José cansava-se, subia... A Estrela à sua frente, corria, corria, corria em fúria de chegar.
- Tão bonita a Serra!
- Tão bonita a Serra! Ecoavam as vozes voando longe, longe, longe.
José mergulhou o olhar nos rumores e espaços marcados por pedras e lagoas, plantas e bichos a quem ouviria histórias... para contar.
Ali ficaria. Com a Estrela sua companheira, Amiga e conselheira, durante uma vida. Esperavam que a noite descesse para as longas conversas e confidências...
Diz-se que o Rei cioso das maravilhas do seu reino, teve conhecimento desta Amizade. E quis a Estrela. Coleccionador de raridades aspirava possuí-la.
- Dou-te o que pedires. Ofereço-te poder e privilégios que nunca conheceste em troca da tua Estrela.
No rosto do pastor desenhou-se a admiração:
- Não posso dá-la! - elucidou - É a minha Estrela e ficará comigo para sempre. Vossa Majestade pode escolher uma no Céu.
O Rei não acreditava no que ouvia:
- Recusas as riquezas, o bem-estar, poderios? Não sabes o que fazes. Para que te serve uma estrela se não tens mais nada?
- Eu tenho um dom digno de deuses. Conheço meu caminho. Tracei-o com as minhas mãos; povoei a vida com alegrias - e algumas tristezas! - que não posso oferecer, nem trocar, nem esquecer... Fizeram de mim o que sou...
A Estrela ouviu o José. Na noite de veludo brilhou com maior fulgor.
Ainda hoje, todas as noites se vê na Serra uma Estrela linda, estranha, diferente de todas as outras.
Acompanha o José sempre... ternamente apaixonada pelos pastores e pela Serra a que deu o nome:
A Serra da Estrela.
 
 
Fátima
 
Manteigas, na Serra da Estrela, é uma vetusta população que já no tempo da romanização possuía uma certa importância. Na época da dominação Muçulmana, teve direito a alcaide ou emir, autoridades que a tradição popularizou sobre designação de reis.
A cerca de duas léguas de Manteigas ergue-se o píncaro de Alfátema, o cabeço mais elevado da Serra da Estrela, amiúde revestido de alvo manto de neve. De Alfátema falará a nossa lenda, que se passa nessa época em que o montante cristão não dava descanso ao alfange muçulmano. Os mouros iam perdendo terreno de combate em combate e a perseguição que os cavaleiros cristãos lhes moviam era tão rápida e implacável que lhes revelava impossível pôr a salvo todas as riquezas que tinham acumulado ao longo dos séculos. Assim escondiam os tesouros nos sítios que achavam mais adequados, ocultando-os muitas vezes por artes mágicas, o que levava o povo a dizer que ele estava guardado por mouras encantadas.
Conta a lenda que o rei mouro de Manteigas tinha uma filha, chamada Fátima, e que era formosa como uma visão magnífica do paraíso de Alá. Os cristãos das vizinhanças empregavam todos os seus esforços para se apoderar do território do rei, da sua Fátima tão linda e de todas as suas jóias e bens.
Ainda quis resistir, o rei, abrigado como estava dentro do seu castelo. Mas o numero de assaltantes era tal que lhe pareceu loucura ficar e resolveu fugir pelos correios escusos da serra, levando a filha e o que das riquezas ainda não puseram a salvo.
Era madrugada quando fugiram de Manteigas por uma pequena porta dissimulada nas muralhas. Andaram, andaram todo o dia por entre penedos e escarpas e, ao anoitecer, Fátima morria de cansaço e não conseguia dar nem mais um passa porque os seus pés estavam em chaga. Que fazer ali no sítio mais solitário da serra
Subitamente, abre-se-lhes em frente o caminho esplêndido, todo ele florido, calçado de pedras finíssimas e iluminado, lá no fundo, por um foco de luz intenso que mais provir de estrela particular. Alá fizera o milagre! A esperança renasceu em todos os corações e, num inesperado alento, entraram na senda que se lhes abrira como se nesse momento tivesse começado a caminhada. Ao fundo da entrada, a luz que havia divisado revelou-se-lhes um palácio resplandecente, tão cheio de magnitude que se quedaram estarrecidos.
O que depois se passou ninguém o soube, mas, nos dias imediatos, os serranos viram subir e descer a encosta vários pastores totalmente conhecidos na localidade. Duraram algum tempo aquelas idas e vindas ao Coruto de Alfátema, como chamavam àquele sítio, e um belo dia os pastores desapareceram sem deixar rasto. Os pastores desconhecidos eram mouros disfarçados e foi por indiscrição de um deles que se soube que uma fada boa, madrinha de Fátima, a guardaria no seu palácio encantado do Coruto, sempre jovem e formosa, até ao dia que os fiéis sectários do Corão reconquistassem Portugal.
Tão arreigada ficou esta crença no espirito dos serranos que, durante os séculos XII e XIII, as pessoas várias vezes entraram em pânico por acreditarem ver chegar, ao longe, os esquadrões mouriscos em busca da bela Fátima. E a lenda tomou ainda mais corpo no espirito crédulo dos aldeões quando, alguns anos depois dos cristãos terem tomado Manteigas, aconteceu o que vamos contar a seguir.
Um dia, uma mulher, das mais miseráveis da localidade, teve de passar na madrugada de S. João no Coruto de Alfátema. Fatigada, sentou-se a descansar num penhasco enquanto ia comendo uma côdea de broa que trazia. O pão era duro de muitos dias e, quando a mal-aventurada ia a dizer mal da sua vida, viu a seu lado um vasto estendal de figos secos. Comeu uns quantos, feliz por poder quebrar inesperadamente a sua pobre dieta e, lembrando-se dos filhos, encheu deles uma cesta que levava.
E, rápida e alegre, dirigiu-se à sua choupana, antegozando a alegria das crianças ao comerem os figos, mas, uma vez chegada a casa, ao destapar a cesta, ficou pasmada: no lugar dos figos encontrou diamantes e moedas de ouro, tudo reluzente e novo.
Estava rica! Mas a mendiga de há um minuto, conformada com um naco de pão duro sentiu a mordedura da ambição. Não lhe bastando o que já tinha, quis o que ficara no Coruto e voltou a correr ao local onde deixaram os restantes figos.
Entretanto, o sol subira no horizonte e estava no meio de um céu sem nuvens. Passara a hora dos encantos e, dos figos, a mulher encontrou apenas o lugar. Desesperada, começou a arrancar os cabelos e ia blasfemar quando uma voz suavíssima – a de Fátima, sem dúvida – caiu sobre si cantando:
 
Era teu tudo o que viste;
Agora tornas-te em vão!
Não passes mais neste sítio
Na manhã de São João.
Não te perdeu a pobreza
Pode matar-te a ambição!
 
 
A Lenda da Lagoa Escura
 
Na Lagoa Escura, na Serra da Estrela existe um palácio, onde se guarda a capa de um rei coberta de diamantes e para a feitura da qual foi preciso vender sete cidades. Quem quiser entrar no palácio, tem de fazer com que uma cabra preta atravesse a água, e esperar que o sol esteja a pino para dar numa fisga que é a única entrada. Um aventureiro que lá entrou, nunca saiu.
Na Lagoa Escura nenhum pastor da Estrela vai nadar, porque dizem eles que lá no meio os puxam para baixo e que existem lá bichos que comem a gente. Na Lagoa Escura há o palácio de um muro encantado, guardado por um gato selvagem que se desencanta com treze palavras sagradas, ou Oração do Anjo custódio.

JOGOS TRADICIONAIS

Introdução

 

         Assistimos hoje ao renascer dos Jogos tradicionais. Os seus nomes e regras, variam de terra para terra. As maneiras de se jogarem são simples e rudimentares e por isso facilmente os jogadores as adaptam ao local onde decorrem . Embora hoje em dia os jogos já tenham perdido a sua ligação ao trabalho e à vida do dia a dia, continuam a ser uma forma alegre, divertida e sadia de ocupar os tempos livres.


Jogo da Porca, Serramuda ou chicarmona

 

Material: 1 Pinha verde ( Porca Serramuda ou Chicarmona )

1 pau ou vara geralmente de castanho ou medronheiro por cada jogador.

         Geralmente no adro das Igrejas ou capelas ou noutros largos das povoações, os rapazes abrem uma pequena cova e em volta desta, a alguns passos de distância, outras correspondentes ao numero de jogadores menos uma. Metida na coval principal – a do centro – uma pinha verde ( a porca, serramuda ou chicaramona ) .

         Cada um dos jogadores toma o seu lugar empunhando um pau ou vara, geralmente de castanho ou de medronheiro, que introduz numa das covas, junto ao qual se coloca.

         Para se saber quem deve primeiro um dos jogadores toma todas as varas ou paus nos dois braços e atira-se, a todos simultaneamente, para trás das costas. O dono da que ficar debaixo de todas, a mais fundeira, é o que joga primeiro.

         Este jogador vai ocupar o lugar do centro e a defender a serramuda que todos os parceiros procuram afastar o mais possível da cova ou nicho central.

         A luta é por vezes árdua e só termina pela entrada da porca serramuda ou chicaramona na cova. Nesta altura, todos e cada um dos jogadores procuram apossar-se de cada uma das covas metendo nela a sua vara ou pau.

         Como as covas não correspondem, como se disse, ao numero de jogadores, um fica sem cova, pelo que lhe compete agora defende a serramuda.

         Assim prossegue, às vezes por muito tempo, este belo exercício que é ao mesmo tempo luta e um divertimento entusiástico.

         Se, durante o jogo, algum jogador precisar-se, mete a vara na cova e diz: o meu nicho está forrado. Ninguém desta declaração o pode ocupar.

 

Jogo do avião ou da Macaca


Material: Uma malha para cada jogador.

Participantes: Rapazes e raparigas

 

Desenvolvimento do jogo:

         No solo é traçado a seguinte figura:

 

         O jogador que a partida, coloca a sua malha na casa número 1 e começa a percorrer “ o pé coxinho “ as casas 2 e 3; nas 4 e 5 põe simultaneamente os dois um cada; na 6 de novo um só pé e nas 7 e 8, procede como nas casas 4 e 5 indo cair número 9 com os dois pés ( nos Açores, onde este jogo igualmente se pratica, dá-se à casa número 9 o nome de “ cabeça de nabo ” ).

            Depois de ter descansado em nove, o competidor inicia o retorno até ao ponto de partir, tendo de apanhar a sua malha antes de passar há casa onde ela esteja.

         Lança em seguida, a malha para a sua número 32 e assim sucessivamente. Nas 4, 5, 6 e 8 o jogador pode lançar a sua malha – e, nesse caso, passando por ela também a “ pé coxinho ”.

            Quando a malha é atirada para a casa número 9, o jogador, ao chegar aos lugares 7 e 8, tem de saltar a pés juntos para fora do desenho e por cima da casa número 9. Apanhará a sua malha e novamente sem calçar a casa número 9, regressa ao ponto de partida.

         Por vezes o jogo continua mas em sentido inverso, considerando-se como ponto de partida a casa número 9 e sendo descendente a progressão.

         Logo que o jogador consiga ir e regressar correctamente, escolhe uma das divisões ou casas e nela marca uma “ macaca ” ( por meio de uma cruz ou nela escrevendo o seu nome ). Aí poderá descansar pousando os dois pés no chão quando, na jogada seguinte, passar por essa; em contrapartida, os demais competidores não podem ocupa-la e sobre ela têm de passar no desenrolar das jogadas que fizeram.

 

Jogo em Recinto Fechado

 

Material: 1 rolha e moedas.

 

         É colocado a rolha em cima de uma mesa ou lugar já destinado e que se encontra a 3,4 metros de distância dos jogadores.

         Inicia-se o jogo que os jogadores tentam derrubar a rolha ou colocar a moeda o mais perto possível.

         Se acertar e derrubar ganha três pontos. Se ninguém o conseguir apenas ganha dois pontos o que colocar a moeda mais perto da rolha.

         Se entretanto um jogador derrubar e a sua moeda ficar mais próximo da rolha que todas as outras, somará 5 pontos.

         O jogo termina aos trinta pontos, propondo o jogador que estiver perdendo logo que atinja uns quinze pontos, que se passe a jogar com a mão esquerda ou atirar a moeda para baixo da perna.

 

Jogo do trinta

 

N.º de Jogadores que utiliza: 2 equipas

 

Idades: 18 a 50

 

Local onde costuma ser jogado: adro da igreja ou outro largo similar.

 

Material que utiliza: duas bolas / madeira ( tipo booling ) 6 pinos pequenos e 1 pino grande.

 

Descrição do jogo:

 

Objectivos: Somar 30 pontos. A equipa que primeiro somar 30 pontos ganha o jogo. Cada pino vale 5 pontos. O pino do centro pode valer 5 ou 30 pontos. Vale os 30 se for derrubado sem haver mais nenhum derrube nos outros pinos, se for derrubado em conjunto com os restantes, vale 5 pontos.

 

Movimentação: primeiro concorrem duas ou mais equipas de dois elementos ( nota: também pode ser um jogo individual ). Os jogadores das equipas fazem jogadas individuais intervaladas, isto é; inicia o jogo o primeiro jogador de uma equipa, fazendo o segundo jogador um jogador de equipa adversária. Seguem-se jogadas sucessivas até uma das equipas atingir 30 pontos.

 

2º objectivo: Derrubar em cada jogador o maior número de pinos, com a finalidade de obter os 30 pontos.

 

Jogo da Barra (Malha)

 

N.º de jogadores que utiliza: Vários

 

Idades: Várias

 

Sexo: Masculino

 

Local onde costuma jogado: Num largo da aldeia

 

Material necessário: Uma pedra com cerca de 6 a 7 Kg

 

Descrição do jogo:

 

Objectivo: Atirar a pedra à maior distância.

 

Movimentação: O atirador coloca-se atrás de um risco traçado no chão de pernas abertas. Segura a pedra com a mão, de pernas bem firmes, balanceia-se o braço contorção do tronco, duas ou três vezes, e aproveitando o impulso da torção e do balanceamento atira-se a pedra para a frente.

 

Observação: Este jogo parece-nos, pela forma de jogar, ser um percursor do lançamento do disco.

 

Péla à parede

 

Material: 1 bola de trapos – « Péla »

 

Participantes: Ambos os sexos. Individualmente ou em equipas de dois.

 

Desenvolvimento: Consiste em lançar a bola à parede e bate-la sucessivamente sem parar nem deixar cair no chão. Quando acontece começa outro jogador ou equipa. Ganha o jogador que consegue bater com a péla na parede maior número de vezes. Pode-se lançar à parede o mais alto que se quiser.

 

Características: Jogo de lançamento e competição com movimento.

 

Tracção com corda e linha

 

Material: Uma corda e um lenço.

 

Participantes: Ambos os sexos.

 

Desenvolvimento: Duas equipas com forças idênticas, seguram a igual distância do lenço, um de cada lado. O jogo consiste em puxar a corda até que uma equipa seja arrastada pela outra ( passando uma marca no solo ), caia ou largue a corda.

Nota: Não é permitido enrolar a corda ao tronco ou fazer escavações prévias no solo.

 

Características: Jogo de força.

  

O lencinho

Material: 1 lenço

 

Participantes: Ambos os sexos – Crianças

 

Disposição inicial: As crianças dispõem-se em roda, à excepção de uma que está de fora com um lenço na mão.

 

Desenvolvimento: A que está com o lenço na mão corre à volta da roda e vai cantando:

 

Lencinho vai na mão/cairá ou não

Lencinho vai na mão/cairá ou não

Lencinho vai na mão/cairá ou não

 

Sem que tenha de parar, deixa cair o lenço atrás de uma das crianças. Esta, logo que sinta o lenço de trás de si, apanha-o e tenta agarrar a outra. Aquela termina a sua fuga no lugar vazio deixado pelo sua seguidora. Se a corrida não é suficiente para escapar à que a persegue e é agarrada, vai para o centro da roda, enquanto todos entoam em coro:

 

Vai para o chôcho! Vai para o chôcho!

O jogo recomeça, e ela fica a observar onde é que o lenço cai. Se o conseguir agarrar, sai do chôcho por substituição da criança que não sentir o lenço atrás de si e começa novamente a correr à volta da roda.

 

Características: Jogo de atenção e perseguição.

  

Barra do lenço

Material: 1 lenço.

 

Participantes: Ambos os sexos. Elementos igualmente divididos por duas equipas. O juiz de campo segura o lenço e chama pelo número dos jogadores.

 

Terreno: Um recinto dividido igualmente em duas partes.

 

Objectivo: Fazer o máximo de pontos em determinado tempo ou tentar alcançar em primeiro lugar, um número pré determinado de pontos.

Ex.: Quem faz vinte pontos primeiro.

 

Desenvolvimento: A cada jogador corresponde um número. Estes estão colocados nos extremos opostos do terreno. O juiz de campo coloca-se a meio do terreno e chama um número.

 

A Cabra Cega

 

Material: Uma venda ( lenço ).

 

Participantes: Ambos os sexos.

 

Desenvolvimento: Um gruo está em roda. Um elemento está no centro da roda de olhos vendados – Cabra Cega - . Os outros tocam-lhe e tentam não ser agarrados. Logo que algum seja agarrado a Cabra Cega terá que o identificar. Se tal não acontecer continua o jogo. O jogador identificado passa a ser a Cabra Cega.

Nota: Por vezes é jogado, em certas regiões, com lengalengas.

 

Característica: Jogo sensorial com movimento.

Corrida do Arco

 

Material: Arco e Gancheta.

 

Participantes: Ambos os sexos.

 

Desenvolvimento: Consiste numa corrida em que cada participante faz rolar o arco com a gancheta, num percurso que tem uma « partida » e uma « meta ». Alternativas: por vezes fazem-se corridas com obstáculos – planos inclinados ou de perícia. Como alternativa pode-se fazer também o jogo, rolando o arco com a mão.

 

Característica: Jogo de coordenação, corrida e perseguição.

 

O Mata

Material: 1 bola de trapos.

 

Participantes: Ambos os sexos. Equipas.

 

Terreno: Um recinto dividido em duas partes iguais.

 

Objectivo: Colocar no « piolho » todos os jogadores contrários.

 

Disposição inicial: De trás de cada há um jogador da equipa adversária no « piolho ». Este jogador lança a bola os elementos da sua equipa. A partir desse momento uns e outros podem matar « matar » um adversário.

Desenvolvimento: Após sorteio começa uma equipa. Esta faz passes com o jogador que está no « piolho » e procura « matar » ( atingir directamente com a bola os jogadores adversários ) que tentam esquivar-se ou agarrar a bola.

            a) Quem for atingido vai para o « piolho »;

            b) O jogador que estava no « piolho » no início do jogo, vai para o canto logo que o primeiro jogador de equipa seja « morto »;

            c) Só se pode « matar » quando a bola for agarrada antes de tocar.

 

Cabra Cega


Todas as crianças fazem uma roda.

Uma das crianças vai para o meio de olhos vendados. Os outros fazem perguntas a esta, que vai respondendo:

-          Ó cabra-cega.

-          Que é?

-          Donde Vens?

-          De Mirandela.

-          Que comeste lá?

-          Pão e vitela.

-          E não trazes nada para mim?

-          Não chegou prá minha cadela.

Neste momento as crianças batem-lhe nas costas e fogem para não serem agarradas, dizendo:

-          Busca, cabra-cega.

Esta procura agarrar e identificar uma das crianças, que ficará a seguir, de cabra-cega.

O diálogo em Castedo é:

-          Donde vens, cabra-cega?

-          De Vizela.

-          Que trazes na saca?

-          Pão e canela.

-          Busca, cabra-cega

  

 

Tracção à corda


O terreno que se deve utilizar para este jogo tem de ser plano e igual para ambas equipas que usarão calçado semelhante.

            A corda deve ter 25 metros aproximadamente.

            As equipas, tem de ter entre 5 a 10 elementos, devem colocar-se em fila, uma em frente da outra e cada uma delas a cerca de 2 metros de uma raia ( risco ) marcada no chão.

            A meio da coda fixa-se uma marca que pode ser um lenço de mão atado. Quando a corda for esticada pelos jogadores, estes devem agarrá-la de modo que a marca fique sobre a raia central.

            O capitão, isto é, o primeiro jogador de cada grupo não pode pisar o risco que o separa da raia central nos 2 metros referidos, quando o júri der o sinal de começo do jogo.

            Vence a equipa que arrastar o adversário, puxando a corda de modo que a marca ultrapasse o risco que delimita o seu campo.

 

Lenço ( ou Barra do Lenço )

 

 

Constituem-se duas equipas alinhadas à distância de 20 metros ( aproximadamente ) uma da outra. Entre elas, ao meio, fica o juiz.
A cada jogador corresponde um número ( 1, 2, 3, etc. ), sendo os números iguais numa e noutra equipas.
O juiz tem um lenço pendurado na mão e chama um número à sorte dentre os que estão em jogo.
Os jogadores que têm esse número procuram apoderar-se do lenço, sem serem tocados pelo correspondente adversário, e fugir para uma das barras.
O jogador tocado pelo adversário permite à equipa deste ganhar um ponto.
O jogador que conseguir escapar-se vitoriosamente para a sua barra ganha também um ponto para a sua equipa.
Ganhará dois se conseguir entrar na barra adversária sem ser tocado pelo jogador que tem o seu número.
Ganha a equipa que primeiro somar 20 pontos.
Em algumas localidades o juiz pode, ao verificar a demora dos jogadores em apoderar-se do lenço:

                        Chamar outro número ou até toda a equipa, dizendo: Fogo.

                        Se disser Água, ninguém pode mover-se.

                        No caso de dizer Bombeiros, põe o lenço no chão.

                        Azeite, os jogadores partem devagar.

                        Vinagre, andam depressa.

                        Dizendo Vinho tem de marchar como quem pisa o vinho.

                        Dizendo Pé-coxinho tendo estes de andar ao pé-coxinho

 

Jogo das Sacas

 

O material utilizado são três sacas, num terreno livre de obstáculos.

Quanto ao número de participantes, tem de ser três grupos.

            O objectivo do jogo é ver qual o grupo que ganha.

Para se iniciar o jogo fazem-se 3 colunas com uma saca à frente de cada uma .

Ao apito os primeiros da coluna vestem as sacas e vão saltando até á meta e voltam para trás. Quando chegam á fila despem a saca e vão para o fim, o que está a seguir veste a saca e faz o mesmo.

Vão fazendo todos até chegar ao primeiro da fila.

Ganha o grupo que fizer tudo mais rapidamente.
 

Saltar à Corda

 

O material utilizado é uma corda grande e o terreno tem de ser plano, podendo ter vários participantes.

O objectivo do jogo é saltar o mais tempo possível sem parar a corda

Para iniciar o jogo é necessário que dois meninos dêem à corda, os outros vão saltando e cantando, as seguintes canções:

1ª- Quantos carros leva a noiva?
1,2 3,4,... e contam até perder, pois a corda deixa de rodar.

2ª- Freira, casada e solteira... vão dizendo, quando a corda deixar de rodar, vimos em qual calhou se é freira, casada ou solteira.

 
Jogo do Eixo
 

Não é necessário qualquer tipo de material, apenas um terreno sem obstáculos.

O número de participantes pode ser entre 6 a 8.

O objectivo do jogo é saltar por cima do outro, sem cair e chegar ao fim sem perder uma única vez.

O jogo começa, ficando um jogador dobrado ( amochar ) e os outros vão saltando por cima dele com as pernas abertas dizendo :

 
Um à bananeira
Dois à catatumba
Três aberta, fechada ou mista
Quatro rás ca parta
Cinco Maria do brinco
Seis panela do tio Zé Reis
Sete canivete
Oito biscoito
Nove já não chove
Dez não molhes os pés

Onze os sinos da capela são de bronze

 

O jogo termina quando todos saltam e conseguem ganhar sem perder uma única vez. Caso perca fica esse a amochar.

 

Jogo dos Cinco Cantinhos

 

É necessário desenhar cinco cantinhos no chão, em qualquer terreno livre.

O número de participantes são seis.

O objectivo do jogo consiste em trocar de lugares sem perder o lugar para aquele que está no meio.

Para começar o jogo, cinco jogadores metem-se nos cinco cantinhos que foram desenhados no chão e fica um a pedir lume ao meio. Se dissermos que não ele vai a outro pedir, se dissermos que sim ele vai para o nosso cantinho e esse que disse que sim vai para o meio pedir lume. Enquanto ele vai pedir lume os outros trocam de lugar entre si, mas o do meio tenta ver se consegue apanhar o lugar de algum que se distraia

  

 

Jogo do Lencinho

 

O material necessário é um lenço e o terreno deve ser plano e limpo, podendo ser vário o número de participantes.

            O objectivo do jogo consiste em conseguir pôr o lenço atrás das costas de outro jogador sem este dar por isso.

Para iniciar o jogo, os jogadores sentam-se no chão formando uma roda. Um outro jogador anda à volta da roda pelo lado de fora cantando:"o lencinho vai na mão, ele vai cair ao chão." Vai dando voltas e cantando, até deixar cair o lenço atrás de um outro jogador sentado; se este der por isso, apanha o lenço e corre atrás dele. Quando o que tinha o lenço se deixa apanhar vai para o meio e fica GALINHA CHOCA, vai tentar apanhar o lenço primeiro do que os jogadores que estão sentados na roda. Quando não se deixa apanha, senta-se no lugar do jogador que ficou com o lenço e o jogo recomeça.

 

 

Jogo do trinta

 

O material necessário são duas bolas / madeira ( tipo booling ) 6 pinos pequenos e 1 pino grande.

Quanto ao número de jogadores que utiliza são 2 equipas, com idades compreendidas entre os 18 e 50 anos, de número igual para cada equipa.

O local onde costuma ser jogado é no adro da igreja ou noutro largo similar.

O jogo tem como objectivo somar 30 pontos. A equipa que primeiro somar 30 pontos ganha o jogo. Cada pino vale 5 pontos. O pino do centro pode valer 5 ou 30 pontos. Vale os 30 se for derrubado sem haver mais nenhum derrube nos outros pinos, se for derrubado em conjunto com os restantes, vale 5 pontos.

 

Primeiro concorrem duas ou mais equipas de dois elementos ( nota: também pode ser um jogo individual ). Os jogadores das equipas fazem jogadas individuais intervaladas, isto é; inicia o jogo o primeiro jogador de uma equipa, fazendo o segundo jogador um jogador de equipa adversária. Seguem-se jogadas sucessivas até uma das equipas atingir 30 pontos.

 

Tem como segundo objectivo tentarderrubar em cada jogador o maior número de pinos, com a finalidade de obter os 30 pontos.

  

 

Corrida do Arco

 

O material necessário é um Arco e uma Gancheta.

Quanto aos seus participantes podem ser de ambos os sexos.

            O jogo consiste numa corrida em que cada participante faz rolar o arco com a gancheta, num percurso que tem uma « partida » e uma « meta ». Alternativas: por vezes fazem-se corridas com obstáculos – planos inclinados ou de perícia. Como alternativa pode-se fazer também o jogo, rolando o arco com a mão.

Este jogo caracteriza-se por ser um jogo de coordenação, corrida e perseguição.

 

 

O Mata

 

È necessário uma bola de trapos.

O número de participantes tem de ser igual para ambas as equipas podendo ser de ambos os sexos.

O local do jogo tem de ser dividido em duas partes iguais

O objectivo do jogo é colocar no « piolho » todos os jogadores contrários.

De trás de cada equipa há um jogador da equipa adversária no « piolho ». Este jogador lança a bola aos elementos da sua equipa. A partir desse momento uns e outros podem “matar” um adversário.

Após sorteio começa uma equipa. Esta faz passes com o jogador que está no      « piolho » e procura “matar” (atingir directamente com a bola os jogadores adversários) que tentam esquivar-se ou agarrar a bola.

 

Pião
 
Neste jogo utiliza-se um pião e uma baraça (cordel).
            Faz-se um círculo no chão com cerca de um metro e meio de raio, para onde todos os concorrentes lançam o pião, segundo uma ordem sorteada.
            O concorrente cujo pião ficar dentro do círculo, depois do movimento de rotação, será arredado do jogo, deixando lá o pião que os restantes concorrentes, um de cada vez, tentarão deitar fora. Quem o conseguir ganha 50 pontos.
            É permitido no acto de lançamento nicar (atirar) o pião que está dentro do círculo.
            O pião pode ser aparado (empurrado) pelo concorrente que, depois de o pôr a dançar na palma da mão, tenta atirá-lo contra o que está no chão, para fazer sair fora do círculo, de maneira que o seu também saia.
            O jogo tem três séries de lançamentos, vencendo o jogador com mais pontos.
             É um jogo antiquíssimo que ainda hoje se pratica, embora cada vez menos, por todo o mundo. A forma habitual do pião é uma esfera de madeira com a parte inferior em cone rematado por uma ponta metálica, geralmente um prego, e com a parte superior achatada, tendo ao meio uma pequena cauda ou saliência também de madeira. O pião joga-se com uma das mãos, lançando-o para o chão, sem deixar escapar a baraça que se tinha enrolado à sua volta, a partir da ponta metálica (ferrão).
 
Andas ( Moletas ou Xiola )
 
            Os concorrentes deverão trazer as andas.
            A altura mínima para o apoio dos pés será de 30 cm.
            O percurso e distância de corrida serão definidos pela organização.
            Após o início de prova, deverá voltar ao ponto de partida todo o concorrente que caia das ambas.
            Nesta 1.ª eliminatória ficarão automaticamente apurados metade dos concorrentes mais 1 que terminem a prova. Para os eliminados haverá uma segunda prova que, nos moldes anteriores, apurará mais metade dos concorrentes.
            Achar-se-ão os três primeiros numa prova final.
           
Jogo da vara
 
O número de varas é de menos uma em relação ao número de participantes.
Onúmero de jogadores é variável.
Ao iniciar-se o jogo, espetam-se as varasno chão. Os participantes
alinham, atrás de uma marca, de costas voltadas para as varas. Após um sinal, dado por alguém que não esteja a jogar, cada jogador corre para tentar apoderar-se de uma vara. O jogador que não o conseguir é eliminado, os outros dirigem-se novamente para a marca de partida e o jogo prossegue com cada vez menos varas até que reste só um jogador, que será o vencedor.
 
Jogo da malha
 
São necessárias 4 malhas de madeira, ferro ou pedra (duas para cada equipa); 2 pinos (paus redondos que se equilibrem na vertical).

Cada equipa tem que ter dois elementos.

      O Jogo decorrenum terreno liso e plano, são colocados os pinos, na mesma direcção, com cerca de 15/18 metros de distância entre eles. Cada equipa encontra-se atrás de um pino. Joga primeiro um elemento de uma equipa e depois o da outra, tendo como objectivo derrubar ou colocar a malha o mais perto do pino onde está a outra equipa, lançando-a com uma mão.

Pontuação: 6 pontos por cada derrube, 3 pontos para a malha que fique mais perto do pino. Quando uma equipa atinge 30 pontos, ganha. Uma partida pode ser composta por três jogos, uma equipa para vencer terá de ganhar dois.
 
Jogo dos bilros
 
É necessária1 bola de trapos ou madeira; 9 bilros (pinos); 1    bilro maior (o vinte).
Cada equipa é constituída com o mesmo número de jogadores. 
 O jogo decorre num terreno liso e plano formam-se três colunas, de três bilros cada, com os bilros mais pequenos, estando todos separados cerca de 15 centímetros. O bilro grande coloca-se no prolongamento da coluna central, distando dos outros cerca de 30 centímetros e estando separado por um risco feito no chão. 
As equipas devem encontrar-se a uma distância dos bilros que irá de
6 a 8 metros.
Um jogador de cada vez lança a bola de forma a que esta role pelo chão, tentando derrubar os bilros

 Pontuação: 20 pontos pelo derrube do bilro diferente; 2 pontos pelo derrube de um bilro pequeno se este não ultrapassar o risco, se o fizer o derrube vale 10 pontos. Ganha a equipa que fizer primeiro 100 pontos. Cada partida pode ser composta por três jogos, uma equipa para vencer terá de ganhar dois.
 
Jogo da corrida de sacos
 
São necessários sacos de serapilheira ou plástico grosso, em número igual ao dos participantes.
O número de jogadores é variável.
Para se iniciar o jogo é marcado um percurso no chão com uma linha de partida e uma meta. Todos os concorrentes se colocam atrás da linha de partida. Ao sinal de partida, cada um entra para dentro do seu saco, segura as abas com as mãos e desloca-se em direcção à meta. Ganha aquele que chegar primeiro.
 
Variantes: Equipas de três jogadores, colocando-se dois lado a lado, o terceiro enfia as pernas nos sacos onde os outros já se encontram metidos (um em cada saco), abraçando-os.
As restantes regras são iguais às da corrida individual.
Todos estes jogos são passíveis de sofrerem adaptações, consoante o material que temos disponível, o terreno a utilizar; o número de jogadores e a própria imaginação das crianças que é sempre de  explorar.
 
Jogo dos berlindes
 
São necessários Berlindes (esferas de vidro ou metal)
O local onde se joga é num terreno de terra batida e plano.
            Quanto ao número de participantes podem ser vários.
O objectivo do jogo é meter os berlindes nas covas.
 
Quanto ao desenvolvimento do jogo, fazem-se 3 covas. Cada jogador lança o berlinde. Quem conseguir chegar mais longe inicia o jogo que consiste em tentar enfiar os berlindes sucessivamente nas 3 covas que estão em linha recta empurrando-o com os dedos. Quando se consegue chegar à última cova faz-se o percurso no sentido oposto. À medida que os jogadores vão conseguindo estas etapas ficam com o direito de tentar acertar nos berlindes dos outros jogadores, também utilizando a técnica de os empurrar com os dedos na terra. Quando acertam ganham esses berlindes.
 
Roda da Cabacinha
 
Não é necessário qualquer tipo de material.
O jogo desenrola-se num terreno que deve ser plano e limpo, de preferência sem buracos.
São dois o número de participantes.
Quanto ao objectivo do jogo consiste em dar balanço com o corpo e rodar o mais depressa possível sem cair ou largar as mãos.
O Jogo começa com dois jogadores virados de frente um para o outro dão as mãos ao mesmo tempo juntam os pés e dão uma inclinação ao corpo, para trás de modo que os braços fiquem esticados. Lentamente vão começando a rodar dizendo:" RODA RODA CABACINHA, RODA RODA CABAÇÃO ... "ou então "XIXA CANELA , XIXA CANELA " ,até conseguirem rodar o mais depressa possível.
 
Caracol
 
O material utilizado são pedrinhas, giz.
O jogo desenrola-se num terreno que deve ser plano e limpo, de preferência sem buracos.
Quanto ao número de participantes podem ser vários.
O objectivo do jogo é chegar ao centro do Caracol sem perder.
Quanto ao seu desenvolvimento, primeiro desenha-se um caracol grande no chão. No inicio do caracol o primeiro jogador lança uma pedra; depois ao pé coxinho vai empurrando essa pedra até conseguir alcançar o centro do caracol, sem que esta saia do caracol .Se a pedra sai do interior do caracol passa a vez de jogar a outro jogador e assim sucessivamente.

BREVE GLOSSÁRIO DE PALAVRAS TÍPICAS OU DA GÍRIA COVILHANENSE

Letra A

 
Abalar (ir-se embora) * Abêbera (frouxo) * Abendiçado (abençoado) * Acaçapado (encolhido) * Acunapado (mal remendado) * Aforrar (...as mangas) * Alanzoar (maldizer) * Almotolia (vazo esguio para o azeite) * Alpergata (chinela) * Auga de cheiro (perfume) * Aldravão * Amadurar * Amarujar (Azedar) * Amodorrado (encolhido) * Amolancado (Amachucado) * Amoganhado (amachucado) * Andorisco (andorinha) * Aporrinhado (afligido) * Área (sem área, sem jeito) * Arre-chamona (Arre diabo!) * Arreado (vestido) * Arreganhar (arrebitar, mostrar os dentes, as unhas) * Arremangar (estar disposto a) * Arrelampado (encandeado) * Arremedar (macaquear) * Arteiro (vivaz) * Asadinho (jeitoso) * Asqueles ou asquelas (aqueles, aquelas) * Asseadona (vaidosa) * Asselanado (marcado) * Aventar * Assente (diz-se do pão) * Atadela (nó) * Atado (tímido) * Avezar (habituar) * Auga ou áugua (água).
 
Letra B
 
Babala (frouxo) * Babanca * Bacorada * Bacorelhos (papeira) * Balcão (varanda)*Banana (idiota) * Baraço(cordel) * Bilharda (jogo) * Biscoito (bolo típico) * Bispo (esturro) * Bocadechinho (pouquinho) * Boer (beber) * Bolachada (bofetada) * Bolha (cabeça) * Bolir (mexer,incomodar) * Bonda (basta) * Bonecra (boneca) * Bonzão * Botar (deitar,vazar) * Burgesso (mal-encarado) * Borrachana (borracho) * Brocho (prego) * Bueiro (sarjeta) * Burrancana (pobre diabo) * Bule (cafeteira).
 
Letra C
 
Cacarro (religioso em extremo) * Cachené (cachecol) * Cachopo (rapaz) * Caçoar (troçar) * Caçola (panela) * Cagança (gabarolice) * Caganeirento (vaidoso) * Cagão (vaidoso) * Caganito (pequeno) * Cagarela (medroso) * Calaceiro (guloso) * Caleirão (do telhado) * Cambulhada (entrar de) * Cambulho (malandro) * Cangalhas (óculos) * Cântara (bilha) * Cantareira (onde se penduram as panelas) * Canudo (onde se doba o fio, problema, diploma) * Caramouço (pevide) * Caramunha (fazer o mal e a...) * Carchantada (cacetada) * Carnuça (carne) * Carrapato (nu) * Carrapicha (ir à) * Carreira(ir numa) * Caruma (agulhas de pinheiro) * Catrino (ai...) * Catrapão (desajeitado) * Cavaloças (ir às) * Chacota (troça) * Chambaril (não chega a...) * Chanato (sapato) * Champlantrina (desajeitado) * Chicha (febra) * Chila (abóbora) * China-mãe (mal arranjado) * Chincar (extorquir) * Choco (porco) * Chospa (indivíduo de baixa estofa) * Chouriça (chouriço) * Cogulo (estar de, cheio) * Coirão (indivíduo desprezível) * Colandrina (meretriz) * Conduto (substância, recheio) * Corna (cafeteira) * Cornaça (chifrudo) * Concha (colher de sopa) * Corricho (leitão) * Corrimaça (corrida) * Cruzes (zona lombar, figas) * Cunapa (remendo) * Cuzapeirão.
 
Letra D
 
Daimoso (dadivoso) * Deixas (andar às..., restos, prestações) * Demónho (demónio) * Derrancado (enraivecido) * Desandador (chave de fendas) * Desasado (deselegante) * Desassemelhado (mal arranjado) * Desenculatrado (escangalhado) * Desenguiçar (tirar o enguiço) * Desmazelado (desleixado) * Destroçar (destruir) * Desenxabido (sem gosto) * Doudivanas.
 
Letra E
 
Emalar (comer) * Embarracado (atulhado) * Empalhar (entreter) * Emplamado (doente) * Escangalhado (desfeito) * Encalado (encroado) * Encalotar (endividar) * Encarrapato (nu) * Engonhar (perder tempo) * Entanguido (encolhido) * Enxambrado (húmido) * Ervas (esparregado) * Esbica (pinça) * Esbugalhar (abrir muito) * Esbrurgar (descansar) * Escarrado (igualzinho) * Esculhambrado (rebentado) * Esfreganço (fricção) * Esgrovelheiro (desinquieto) * Esgrouviado (tolo) * Esparvoado (doido) * Espinhaço (lombo; coluna) * Espinhela (coluna) * Esposado (noivo) Espunir (ansiar) * Esquecido (bolo regional) * Estreloucado (caquéctico).
 
Letra F
 
Facção (trabalhar à..., trabalhar por conta) * Farófia (bazófia) * Farrapana (farroupilha) * Farromba (fanfarrão) * Fiandeiro (o que fia) * Fidúcias (ter..., peneiras) * Fraldisqueiro (mal vestido) * Fragulho (pedra) * Frangalhos (pedaços) * Franganito (pequeno).
 
Letra G
 
Gacho (cacho)* Gadanha (pata, colher) * Ganapa (rapariga boémia) * Gandaia (pândega) * Gargana (ladrão) * Gimbrinha (indivíduo insignificante) * Gosma (andar à..., cobiçar) * Grancho (encrespado, diz-se do cabelo) * Grandura ( comprimento) * Granjeio (juízo, orientação) * Graxa (dar..., louvaminha) * Grimpa (levantar a..., falar alto) * guedelha (melena, cabelo, lã).
 
Letra J
 
Jaja (fato, vestido) * Janelo (postigo) * Jarra (jarro) * Javardo (porco) * Jorros (chover a).
 
Letra L
 
Laje (lágea, pedra) * Lambareiro (guloso) * Lampanas (intrujices) * Lanho (golpe) * Lanzudo (trabalhador da lã, diz-se pejorativamente dos covilhanenses) * Lapacheiro (lamaçal) * Laracheiro (falador) * Lavarinto (pressa, bulha).
 
Letra M
 
Malga (tigela) * Mal-amanhado (aldravado) * Malápio (maçã) * Mal-enjorcado (mal-arranjado) * Malha (sova) * Mal(t)estanhado (reles) * Manco (coxo) * Mandinga (veneno) * Mangar (troçar) * Marafalha (algazarra) * Mastrunço (feio, mal-encarado) * Matacão (mal-feitão) * Manzada (aperto de mão) * Mear (dividir ao meio) * Melado (adoçicado) * Melúrias (lamúrias) * Miga (açorda) * Míscaro (cogumelo) * Missagra (dobradiça) * Mocho (banco pequeno) * Mole (preguiçoso) * Molengão (vagaroso) * Molenga (preguiça) * Morcão (calão).
 
Letra N
 
Nagalho (atilho) * Nalgas (nádegas) * Nocoo (toque com o dedo) * Nonjo (nojo).
 
Letra O
 
Olheiro (vigilante) * Olhudo (bisbilhoteiro) * Osdespois (ao depois).
 
Letra P
 
Panada (pancada) * Pano (Naperon) * Pantanas (ir de..., cair) * Parrana (bonzão) * Parrumar (mandriar) * Pecarricho (pequeno) * Pedrez (mesclado) * Pentem (pente) * Peoinudo (alongado) * Pertelinho (pertinho) * Pesquinheiro ou pesquinhento (esquisito no comer, petisqueiro) * Peste (ser como a..., mau) * Petar (...com, arreliar) * Pimento (colorau) * Pincho (salto, trinco) * Pindricalho (farrapo) * Pindrico (penduricalho) * Pingarelho (armar ao..., bazofiar) * Pinoco (marco) * Pirisca (cigarro meio fumado) * Pisco (...a comer, o que come pouco) * Pita (galinha) * Pitacoto (pequeno, anão) * Pitrol (petróleo) Poldra (pedra a servir de vau na ribeira) * Portinhola (braguilha).
 
Letra Q
 
Quebra (dar em..., falir) * Quebrada (encosta) * Quêdo (quieto) * Queimas (ser das..., muito mau) * Quelha (viela) * Quina (esquina) * Quintos (ir para os...infernos).
 
Letra R
 
Raboqueiro (falso ao jogo) * Ralado (preocupado) * Ramoso (picante) * Rebatinha (à rebatinha, deitar tudo de uma vez) * Regueifa (pão de) * Rebilindo (estar..., em ânsias) * Relocado (caquético) * Reumát'co (reumático, deturpação da palavra, tal como em máqu'na em vez de máquina) * Rilha (jogo local) * Roçar (diz-se roçar o chão, esfregar) * Rosmano (rosmaninho).
 
Letra S
 
Safardana (safado, miserável) * Sarrar (serrar) * Saltimbanco (jogo) * Semonga (fingido) * Sobrado (sótão) * Sopapada (bofetada) * Substância (comida de engorda).
 
Letra T
 
Tarro (saco dos pastores) * Tentear (apalpar terreno) * Tinte (tinturaria) * Tenda (loja) * Tinhoso (nojento) * Tomba-lobos (fortalhaço, mal-encarado) * Tónho (vadio, boémio) * Tortulho (desajeitado de corpo) * Trespassar-se (esquecer-se) * Trama (fio que a lançadeira faz passar na urdidura) * Trambalazana (brutamontes) * Trombalobos (fortalhaço, mal encarado).
 
Letra V
 
Vacão (preguiçoso) * Varão (ferro) * Varrido (andar na limpeza do lixo) * Vinhaça (vinho) * Venda (loja) * Vintaneira (vento) * Vraveira (zanga).
 
Vocabulário Popular

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PERSONALIDADES DA COVILHÃ

Padre António de Sousa (1589 / 1633)

 

Jesuíta covilhanense.

Em 1617 partiu para o Oriente para a difícil evangelização do Japão, onde, durante vinte e cinco anos vivera oculto, tendo por abrigo uma pequena barca, donde partia para visitar os convertidos e conquistar almas para Cristo.

Acabou por ser preso em Nagasaky, onde foi morto após o tormento das covas.

 

Frei Diegalves da Cunha

 

Natural da Covilhã, distinguiu-se na tomada de Arzila, em 1415.

Foi sepultado na Igreja de São Francisco, hoje de Nossa Senhora da Conceição, onde existe uma lápide com o seu nome, que nos parece dizer antes Frei Dielgalves da Covilhã.

Nessa igreja, encontram-se os túmulos de Jorge Cabral, que foi governador da Índia Portuguesa, bem como os irmãos D. Fernando e Diogo de Castro. O primeiro combateu em Arzila, o segundo chegou a ser Alcaide-Mor da Covilhã.

 

Eduardo Malta

 

No mundo da arte, destacou-se no século passado, um artista covilhanense: Eduardo Malta.

Pintor e retratista insigne, a sua fama ultrapassou fronteiras. Conquistou em 1936 o Prémio Columbano, e no ano seguinte, a medalha de ouro da Exposição Internacional de Paris. Seu pai, Manuel Morais, destinara-o à medicina, mas cedo, aos dez anos, seguindo uma vocação irresistível, já o jovem artista frequentava a Escola de Belas Artes do Porto. Ainda aparentado com o escultor Manuel Morais, e ainda com o escritor Raul Brandão nasceu na Covilhã, no Largo de São João, no dia 28 de Outubro de 1900. Fez a instrução primária na sua terra, e, embora a famíliase tivesse fixado no Porto, foi em 1921 que ele aqui desenhou os cenários para a revista "o País da Guedelha".

Na sua extensa galeria de retratos, figuram homens célebres na arte e na política, como Teixeira de Pascoais, Aquilino Ribeiro e Augusto de Castro. Os retratos de Salazar e do Cardeal Cerejeira, da sua autoria, pertencem ao Instituto Nacional de Estatística. O Presidente do Brasil Getúlio Vargas e o político espanhol José António Primo de Rivera, posaram para ele.

Espírito ávido de cultura, escreveu também livros, como "Do Meu Ofício de Pintar" e "Retratos e Retractados". Faleceu no ano de 1967, e sua viúva, Sr.ª D. Dulce Malta, ofereceu um quadro ao Museu da Cidade que tem o nome do grande artista.

 

Fernão Penteado

 

Natural da Covilhã, distinguiu-se na defesa de Diu, onde se escreveu uma das páginas mais gloriosas da história de Portugal.

Com efeito, no primeiro cerco de Diu, a epopeia portuguesa tem aí um dos seus mais formidáveis rasgos de heroísmo. Foi tal a façanha, que Francisco I da França, assombrado, mandou colocar o retracto de António da Silveira, capitão-mor de Diu, na Casa da Fama, no Palácio de Fontainebleu.

No primeiro cerco de Diu, que começou em 6 de Junho de 1538, distingue-se, entre todos os heróis, um covilhanense a que se refere Lopo de Sousa Coutinho, na sua "História do Cerco de Diu".

Umas poucas centenas de portugueses lutavam contra 19.000 inimigos, comandados por Coge Sofar. O ataque foi brutal e feroz. Lutou-se de dia e noite, em terra e no mar. Os muros da fortaleza ruíram com as bombardas do inimigo, mas os portugueses estavam dispostos a dar cara a vida.

Fernão Penteado, um dos feridos que recolhera à enfermaria da fortaleza, voltava ao combate e era de novo atingido. Três vezes repetiu a façanha, até que novas feridas o impediram de prosseguir na luta. Dos 612 homens de armas que defenderam Diu, restaram apenas 40 em estado de combater. Os assaltantes acabaram por desistir do cerco, face ao arrojo indómito dos portugueses.

Fernão Penteado curou-se dos ferimentos mas veio a morrer de naufrágio, durante um temporal.

 

"... entre estes vinha ferido em a cabeça,

de uma grande ferida, um Fernão Penteado,

homem mancebo e esforçado, natural da Covilhã...

Não esperando ser curado, disse ao cirurgião que

curasse outro, e correndo como poude, se foi ao

combate ... e houve prestes outra ferida, isso mesmo

na cabeça, assaz má ... E deixando o que cumpria à

sua saúde e vida, veio de novo juntar-se de um pique,

dando sinal mui claro a todos de seu alento e valentia."

Lopo de Sousa Coutinho "História do Cerco de Diu"

 

O Beato Francisco Álvares

 

A Companhia de Jesus, instalada em Portugal em 1540, foi, pelos seus professores e colonizadores, e seus mártires, no Ultramar, especialmente na Índia e no Brasil, a ordem religiosa mais evangelizadora e universalista.

Segundo o "Catalogus" de António Franco S. J., foram 94 os seus mártires, contando-se entre eles o covilhanense Beato Francisco Álvares.

Beatificado em 1854 por Pio IX, como mártir da fé, foi na sua terra natal cardador de profissão. Tendo entrado para a Companhia de Jesus em 1564, seis anos depois acompanhava o Padre Inácio de Azevedo na sua viagem para o Brasil, para a obra de evangelização naquela imensa colónia ainda por desbravar. Mas logo à saída da ilha de Palma, nas Canárias, foi a nau Santiago, em que seguiam, assaltada por piratas, comandados por Jacques Sória, sendo todos assassinados, à excepção do frade cozinheiro, que feito prisioneiro e só mais tarde liberto, havia de contar os pormenores do martírio de seus irmãos religiosos.

O Padre Francisco Álvares foi apunhalado e lançado, ainda vivo, às ondas. Tal como o padre Inácio de Azevedo aceitou com heroísmo a palma do martírio. E, se na Igreja é venerado como beato, na Covilhã há muito é adorado como santo. Está actualmente em curso o processo de canonização dos chamados mártires do Brasil.

Na Covilhã, todos os anos se fazia festa na extinta Capela de Santa Marinha onde existia a sua imagem. A casa onde se diz ter nascido, situava-se, segundo Moura Quintela, no "lado superior do Beco do Ribeiro". Hoje é voz corrente que se trata de uma casinha, ao rés da rua Santa Marinha, antigamente chamada Travessa do Rosário, porta n.º 51.

A sua imagem, venerada antigamente na referida Capela de Santa Marinha, encontra-se hoje na Igreja da Nossa Senhora da Conceição.

 

Padre Francisco Cabral (? /1609)

 

Jesuíta também covilhanense, foi notável pregador e missionário no Japão.

Converteu o rei de Bungo, a quem São Francisco Xavier também catequizara. Converteu Mandarins, e ao seu ânimo e zelo religioso se atribui a vitória naval, que Mem Lopes Carrasco alcançou em Achen. Chegou a ser provincial e Visitador de toda a Índia Portuguesa, e morreu em Goa, no ano de 1609, com 81 anos.

 

Padre Gaspar País (1593 / 1655)

 

Nascido na Covilhã em 1593, recebeu a roupeta de jesuíta em Goa no ano de 1607.

Partiu para a Abissínia nos fins de 1623, para evangelizar e combater as ideias cismáticas de Alexandria, mas tendo morrido o Négus de então, recebeu ordem de expulsão do seu sucessor, juntamente com todos os padres da sua ordem.

Não obstante, o padre Gaspar País não se conformando com a expulsão, continuou ali a sua obra de evangelização "oculto nas cavernas e espessuras dos bosques", até ao dia em que foi inesperadamente atacado por cismáticos, e assassinado com lançadas. Era o dia 25 de Abril de 1655.


Heitor Pinto (1528? / 1584)

 

Heitor Pinto é justamente considerado um dos melhores clássicos da literatura portuguesa.

Nasceu na Covilhã, talvez no ano de 1528. No capítulo XVIII do "Diálogo dos Verdadeiros e Falsos Bens", da sua obra "Imagem da Vida Cristã", o discípulo diz ao mestre, o próprio Heitor Pinto: "E eu já vos ouvi dizer que, andando por terras estranhas, suspiráveis por Portugal, e algumas vezes vos ouvi particularmente louvar a própria terra onde nascestes...chamada antigamente Cova Júlia, hoje Covilhã".

Nos "Autos e Provas de Cursos" da Universidade de Coimbra, Heitor Pinto assina-se Frei Heitor da Covilhã, nome com que professou no Mosteiro de Santa Maria de Belém, aos 8 de Abril de 1543. Cunhais de Figueiredo diz-nos que ele se assinou posteriormente Heitor Pinto, indo buscar tal apelido aos antepassados.

Contrariando os que dão o Heitor Lusitano - como também lhe chamaram - natural da Vila de Melo, o historiógrafo covilhanense Dr. Luís Fernando Carvalho Dias averiguou que o documento da sua profissão de fé o dá como originário da diocese da Guarda, enquanto a Vila de Melo pertence à diocese de Coimbra.

Frei Heitor Pinto fez os seus estudos eclesiásticos no Convento da Costa em Coimbra, onde foi colega de D. António Prior do Crato, filho do Infante D. Luís, que teve o senhorio da Covilhã. Por carta de El-Rei, foi-lhe dado o grau de Mestre em 1554, tendo depois passado à Universidade de Siguença, onde tomou a borla doutoral em teologia. Em 1559, assistiu à coroação do Papa Pio IV, em Roma, onde se encontrava em negócios da sua Ordem. Foi Reitor do Colégio da Ordem em 1565, e mais tarde, em 1571, seria eleito Providencial em Portugal. Na mesma data publicou a sua obra "in Isaiam Prophetarum Commentaria".

Sendo já doutor pela Universidade de Siguença, doutorou-se em teologia, em 9 de Maio de 1576, pela Universidade de Coimbra. O próprio Rei D. Sebastião, querendo "ilustrar a Academia com a doutrina de tão insigne varão", mandou que se criasse a cadeira de Sagrada Escritura, para a qual foi nomeado lente o doutíssimo frade covilhanense. Por esse tempo (1575/1579) escreveu comentários sobre os profetas Daniel e Jeremias.

O último Conselho a que assistiu, na Universidade de Coimbra, foi em 19 de Agosto de 1579, reunido para deliberar sobre a recepção a D. António Prior do Crato. Aproximavam-se dias negros para a Pátria. Sabe-se que defendeu a causa do seu desaventurado amigo, como pertencente à Coroa, e como por isso foi perseguido por Filipe II. Com mero pretexto de o fazer seu conselheiro, obrigou o monarca espanhol a seguir para Espanha em 1583. Consta que o grande português então se lamentou: "El-Rei Filipe me quer meter em Castela, mas Castela em mim é impossível". Em um dos seus "Diálogos", suspira por Portugal, preferindo na sua Pátria ter uma pobreza contente, que lá fora "quaisquer delícias ou riquezas". Já se deixa ver quanta mágoa lhe causaria a perda de independência nacional, e com que ardente vontade defenderia a causa nacional.

O que lhe sucedeu até à sua morte, ocorrida no ano de 1584, não está definitivamente apurado. Diz-se que foi recluso, com outros religiosos, no Mosteiro de Sisla, fora dos muros de Toledo, onde terá morrido. O Dr. Carvalho Dias tentou em vão localizar este Mosteiro de que não resta memória. D. António Prior do Crato escreveu uma carta ao Papa Gregório XII, onde insinuava que Filipe II mandara envenenar Heitor Pinto. Na pedra tumular, no referido claustro, consta que alguém terá colocado o seguinte epitáfio, não se sabe se por piedade, se por ironia: "Aqui jaze Heitor, aquele lusitano".

Na História da Literatura Portuguesa, Heitor Pinto é um clássico, que iguala, em pureza de linguagem e profundidade de conceitos, Vieira e Manuel Bernardes. Frei Francisco dos Santos, na sua "História da Ordem de São Jerónimo", chama-lhe "esplendor da Universidade de Coimbra e de todo o Reino Lusitano". Em toda a sua obra, revela uma espantosa erudição, sobretudo na teologia e nos Livros Sagrados em cuja leitura consumira a "mor parte da sua idade". Em toda a sua prosa abundam as citações dos mais variados autores, desde Fídias a Homero, de Heródoto a Santo Agostinho. E desmerece por isso, já que, sem citações, o seu estilo torna-se mais límpido e sereno, tal rio correndo com cintilações de céu.

Na sua obra fundamental "Imagem da Vida Cristã", escrita à maneira dos "Diálogos" de Platão, o "Mestre" dialoga com os discípulos, procurando transmitir-lhes, com toda a sua cultura religiosa e clássica, a imagem da vida cristã, quer dizer, o ideal dessa vida.

No "Diálogo da Justiça", diz o matemático para o teólogo: "Vós haveis de tomar entre as mãos a matéria, trazendo para isso não somente partes da teologia, mas também sentenças de filósofos e histórias antigas, que sei fostes dado a lê-las, e ainda agora depois que vos achais cansados do grave estudo da teologia, folgais de tomar na mão um livro de humanidades".

A vida de Heitor Pinto decorreu calma e austera, excepto no concurso, em 1558, à cadeira de Sagrada Escritura na Universidade de Salamanca, e nos trágicos anos do seu forçado exílio. No "Diálogo da Religião", refere que teve muitos trabalhos em Roma, em negócios da Ordem, recordando então os tempos em que vivia "muito contente, num repouso solitário dado ao estudo das divinas letras, estando em Portugal o mais tempo metido na cela...". na própria definição de bom religioso, ele foi "profundo na humildade, alto na contemplação, lembrado de Deus, esquecido do mundo, frio no amor da terra, abalizado no amor de Deus".

Além do acentuado uso de citações, há outra característica na obra de Heitor da Covilhã, que é a abundância de comparações. Quase sempre felizes, posto que uma ou outra arrojada, tal esta: "Assim como o piloto depois de cansado de longa navegação, achando lugar oportuno lança âncora para descansar, assim eu, cansado de longa prática, quero lançar âncora à língua e amainar as velas às minhas palavras".

Como monge em sua cela, Heitor Pinto recomenda-nos o propósito de "deixarmos as falsas opiniões do mundo, e suas vaidades, e suas maldades, e contemplarmos a Divina Bondade". Como beirão que era, faz timbre na amizade, e dedica um formosíssimo "Diálogo" a esse nobre sentimento. Daí esta comparação: "Assim como as ervas do Outono nascem frescas com as primeiras águas, mas queimam-se logo com os frios de Novembro, assim as amizades inconstantes começam com as primeiras palavras do primeiro encontro e acabam-se à primeira experiência que dela se faz".

A primeira edição da "Imagem da Vida Cristã" saiu em 1563, organizada por Gaspar Barreiros, só com a primeira parte, incluídos os Diálogos da Filosofia, da Religião, da Justiça, da Tribulação, da Vida Solitária e da Lembrança da Morte. A segunda parte da obra, com os restantes diálogos, apareceu em 1572. São publicadas em 1681 as duas partes num só volume, em edição de Miguel Manescal. Houve posteriormente várias edições, sendo a última da Livraria Sá da Costa, excelentemente coordenada pelo Padre Alves Correia.

 

O Infante D. Luís - Senhor da Covilhã

 

Depois da conquista de Ceuta, o Infante D. Henrique, entre outros galardões, recebeu de seu pai D. João I o senhorio da Covilhã.

Não tendo o Infante de Sagres sucessor, seu tio D. Afonso V doou por carta régia de 30 de Junho de 1471, o Senhorio da Covilhã ao Infante D. Diogo, duque de Viseu. Por morte deste, D. João II concede em 1489 este mesmo Senhorio a seu cunhado D. Manuel, que seria o Rei Venturoso. E este rei, por Provisão de 21 de Fevereiro de 1498, declara a Covilhã "tão principal no conto das outras vilas do reino "por sua real fé de nunca em nenhum tempo a dar a nenhum outro grande, nem fidalgo, por muita obrigação que para isso tivesse", e rogando a seus filhos e a todos os seus sucessores que tal determinação fosse respeitada. Mas D. João III logo concedeu o Senhorio da Covilhã, em 15 de Agosto de 1527, ao Infante D. Luís, quarto filho de D. Manuel I e de sua segunda mulher a rainha D. Maria. Nasceu este príncipe em Abrantes. Teve como seu professor Pedro Nunes, revelando-se aluno distinto em matemática. Foi Duque de Beja, Condestável do Reino e Grão Prior do Crato. Além da Covilhã, teve o senhorio de Moura, Seia, Serpa e Marvão. Tomou parte na expedição de Carlos V. Antunes.

Diz-se que resistiu na Covilhã, durante algum tempo, no Palácio Real, que existia, talvez desde o tempo de D. Sancho I, encostado à muralha, junto à porta da vila. Te-lo-á então embelezado com duas janelas de lavores manuelinos. Desse Palácio, que depois se tornou conhecido por Casa da Hera, pelo facto de a hera revestir as suas vetustas paredes, ainda restavam vestígios antes da modernização do centro da cidade. Já vimos que o Infante D. Luís teve de uma formosa judia covilhanense chamada Violante Gomes, a "Pelicana", um filho, o malogrado D. António Prior do Crato. Por curiosidade, refira-se que o covilhanense Frei Heitor Pinto e D. António foram condiscípulos na Universidade de Coimbra, e irmanados na mesma causa contra a usurpação filipina. Tiveram por isso igual destino, isto é, o exílio e a morte longe da Pátria.

A Capela de Santa Cruz, Calvário, terá sido mandada construir pelo Infante D. Luís, embora uma tradição muito antiga nos diga que foi o Infante D. Henrique o seu construtor, quando senhor da Covilhã. O certo é que foi o Infante D. Luís que a dotou com uma preciosa Relíquia do Santo Lenho, guardada numa custódia de prata. Esta custódia encontra-se hoje na Igreja de Santa Maria Maior. Num memorial de párocos, datado de 1758, descreve-se esta relíquia do seguinte teor: "está esta relíquia em forma de uma cruz, em uma preciosa custódia de prata sobredourada, onde ultimamente foi posta e autenticada pelo bispo actual D. Bernardo António de Melo Osório, no ano de 1754. Tem esta relíquia meio palmo de comprido, e de largo dois dedos, e quase meio dedo de grossura".

D. Manuel I, por carta de 18 de Abril de 1497, atende a um requerimento dos moradores da Covilhã, que se queixavam de que os requeridores e portageiros da Guarda, Valhelhas, Belmonte, Sabugal, Sortelha e Penamacor lhes requeriam indevidamente o pagamento da portagem. Por essa mesma carta, o Rei Venturoso confirma esses privilégios e outros foros, que El Rei D. Afonso V já reafirmara à Covilhã por carta de 29 de Maio de 1458.

O chamado Foral Novo, concedido por D. Manuel à Covilhã, consiste na confirmação e reformulação do antigo foral de D. Sancho I. Surgem novas sentenças e determinações, acordadas entre o Rei, o Concelho e os Letrados. Este foral é datado de Santarém, de 1 de Junho de 1510. Em relação ao foral de 1186, revogaram-se medidas de defesa concernentes ao perigo que, antigamente, representavam os mouros e os castelhanos, que por então infestavam as fronteiras. E, embora este foral não descurasse da autonomia do concelho, dava agora mais importância ao poder central e a fixação de novos tributos. Há uma cláusula que confirma a relevância que tinha, nesta região, a lã e as suas manufacturas. Com efeito, não se pagaria portagem por "pano e fiado que se mande tecer a curar ou a tingir. De todos os panos de seda ou de lã ou de algodão ou de linho se pagará por carga maior nove reis e por carga menor quatro reis e meio...E de linho em cabelo fiado ou por fiar que não seja tecido. E assim de lã e de feltro, burel, mantas da terra e dos outros, semelhantes panos baixos e grossos, por carga maior quatro reis e por menor dois reis..." Noutra parte, se diz: "do escravo ou escrava que se vender se pagará um real e cinco ceitis, mas se vender com filhos de mama não pagarão senão pelas mães, e se trocarem uns escravos por outros sem tomar dinheiro, nada pagarão".

 

Os Irmãos Faleiro

 

D. João II, através de conhecimentos secretos, quis garantir-se da posse das terras da América do Sul, onde viria a situar-se o Brasil. Por outro lado, despistava os espanhóis do seu plano Índico, que consistia em alcançar a Índia, contornando a África pela costa do Sofala. A viagem de Vasco da Gama tornou-se possível graças às grandes figura quatrocentistas portuguesas, que foram além de D. João II e o Infante D. Henrique, Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Pêro da Covilhã.

A Espanha muito nos deve quanto às suas descobertas marítimas. A contribuição dos conhecimentos científicos portugueses à Espanha foi tão grande que Joaquim Bemsaúde não hesita em dizer que a ciência náutica espanhola se pode considerar a ciência náutica portuguesa ao serviço de Espanha. Português foi Fernão de Magalhães e portugueses foram os seus mais directos colaboradores. Os irmãos Rui Faleiro e Francisco Faleiro, cosmógrafos e homens de ciência, foram covilhanenses. Rui Faleiro tornou-se notável na ciência náutica, dedicando-se ao estudo das longitudes.

Em fins do século XII, ainda era arriscado aos navios afastarem-se muito da terra, sendo de boa prudência os mareantes seguirem sempre com terra à vista. Ao ladearem a costa de África, esta ficava-lhes do lado esquerdo do navio, resultando daí o nome de bombordo, isto é, o lado do navio donde era bom avistar-se a terra. Primeiro com o astrolábio, depois com o sextante, os marinheiros passaram a calcular as latitudes, e a internar-se mais no oceano.

Rui Faleiro, além do cálculo das longitudes, terá sido o primeiro cosmógrafo a estudar o magnetismo terrestre. O matemático Gomes Teixeira proferiu uma conferência na Covilhã, no ano de 1929, quando era presidente do Município o Dr. Almeida Eusébio, garantindo que Rui Faleiro era da Covilhã.

A viagem de circum-navegação, levada a efeito por Fernão de Magalhães, partiu do porto espanhol de S. Lucas de Barrameda, ao serviço de Carlos I de Espanha, em 20 de Setembro de 1519. Dois anos depois, o grande português aporta às Ilhas Marianas, e logo atravessa o estreito a que se daria o seu nome. Ao chegar às Filipinas foi assassinado pelos indígenas, tendo depois continuado a viagem, outro comandante, o espanhol Sebastião del Cano.

A convite de Fernão de Magalhães, os irmãos Faleiro tinham-se instalado em Sevilha pelo ano de 1517. Carlos I, depois Carlos V, autorizou no ano seguinte a viagem, convencido de que tal empresa não ia contra as cláusulas do Tratado de Tordesilhas. Na armada não seguiu Rui Faleiro, o mais certo por se encontrar doente, ou devido ao seu génio irascível, que mais tarde o levaria à loucura. Sabe-se que ao regressar à pátria foi preso, pelo facto de ao tempo as leis portuguesas serem severas para com aqueles que abandonassem o País, levando segredos ou sequer irem colaborar no estrangeiro em expedições marítimas. É bem possível que, por tais leis, alguns pormenores da nossa história marítima permaneçam ainda hoje mal conhecidos. Fosse por que fosse, Rui Faleiro acabou por ser solto a pedido do rei espanhol, voltando de novo para Sevilha. Pouco tempo depois enlouqueceu, tendo ficado a receber, por mercê do rei espanhol, uma tença, e ao cuidado de seu irmão Francisco. Este, em 1525, publicou em Sevilha o "Tratado de la Esfera y de la Arte de Marear", no qual expôs os conhecimentos do seu irmão.

Rui Faleiro terá morrido em 1544, deixando o seu nome ligado à ciência náutica, que permitiu as viagens de longo curso.

 

João Ramalho

 

Foi um aventureiro beirão, o mais certo covilhanense, que naufragou nas plagas de Vera Cruz, segundo uns, antes de lá ter chegado Pedro Álvares Cabral, segundo outros pelo ano de 1508.

Depois da viagem de Pedro Álvares Cabral, novas armadas e naus, navegam junto à costa do novo continente, fazendo o reconhecimento de novas enseadas. Por vezes fundeavam, e procuravam internar-se naquelas terras exuberantes de vegetação e despertadoras de sonhos e aventuras. Sucedia, que por vezes, algumas naus abandonavam naquelas ignotas terras, degredados, que por ali ficavam entregues à sua sorte. Os náufragos procuravam sobreviver em terras inóspitas e florestas impenetráveis e desconhecidas, povoadas de serpentes de onças e inimigos invisíveis. Acontecia depararem-se com nativos que, se algumas vezes os acolhiam impávidos e serenos, outros os hostilizavam e dizimavam. Colombo viria a declarar que os selvagens, que ele descobrira eram mais felizes do que os homens civilizados...

Um tal Diogo Álvares, minhoto, foi para ao Norte do Brasil, no lugar onde mais tarde o governador Tomé de Sousa viria a fundar a cidade da Baía. Outro degredado da armada de Gonçalo Coelho, fixou-se ao Sul, na ilha depois chamada Cananeia, que povoou. E outro grupo de portugueses, pelo ano de 1508 naufragou no local que viria a ser capitania de S. Vicente, e que depois se tornou metrópole de garimpeiros, aventureiros perdidos na miragem do ouro e dos diamantes.

Como quer que fosse, João Ramalho foi um desses aventureiros que se internou no mato, ganhando a costa do Cubatão, onde se encontrou com os índios, tendo com eles artes de bem se relacionar. Aprendeu a falar a língua dos nativos, o tupi-guarani, e ganhou a confiança de um chefe índio, que lhe deu uma filha em casamento.

Mas João Ramalho havia de fazer larga prole de mestiços, e com eles fundou a aldeia de Santo André da Porta do Campo. Passaram anos, e um belo dia de 1535, fundeava na Baía, depois chamada de Todos os Santos, a armada de Martim Afonso de Sousa. Do cerrado da mata, começaram a surgir índios armados, dispostos a enfrentar os mareantes desembarcados nas areias da formosa baía. Já se iam preparando as bombardas nas naus, quando foi visto um homem branco, enorme, de longas barbas, que tentava apaziguar os índios, e levantava para os portugueses os braços em sinal de paz. Era João Ramalho.

Um pintor chamado Pedro Américo retratou para a História, esse momento memorável do encontro entre um capitão-mor, enviado por El Rei às terras de Vera Cruz, e João Ramalho e seus companheiros índios.

Martim Afonso de Sousa deu foral à vila de S. Vicente, e nomeou, em nome de El Rei D. João II, João Ramalho capitão-mor das terras altas de Piratininga. Sabe-se que João Ramalho colaborou com Martim Afonso de Sousa nos primeiros aldeamentos do Brasil.

Nas clareiras das florestas, começaram-se a construir casas com tecto de colmo, e à sua volta currais e os primeiros engenhos de açúcar. Navios carregados de cereais e de gado chegavam da metrópole e doutras terras. Cerca de vinte anos mais tarde, por volta de 1553, fundeava ali a armada de Duarte Gois, que trazia o padre jesuíta José Anchieta, deliberado a fundar ali uma igreja e um colégio da Ordem. Não se sabe porquê, João Ramalho resistiu a princípio à penetração dos jesuítas no seu território. Alguma coisa se terá passado, antes de ele se tornar guia e intérprete do Padre Anchieta e também do padre Manuel da Nóbrega até ao outeiro, onde, junto ao rio Tiéte, lançaram as primeiras pedras de uma povoação, que viria a ser, mais tarde, a cidade de S. Paulo. Já antes em 1549, chegara a armada de Tomé de Sousa, que fundou a cidade da Baía, capital histórica das novas terras. Numa carta ao rei, conta Tomé de Sousa que João Ramalho, sendo já um homem entregado em anos, calcorreava a pé, pelo mato, todos os dias, nove léguas.

Em 1590, São Paulo era já a metrópole do café, e construíram-se os bairros de Ipiranga e Vila Preta. Hordas de aventureiros, misto de militares e homens de negócio, os chamados bandeirantes, percorriam o Brasil no deslumbre das suas riquezas. João Ramalho deixa vestígios da sua presença na área de São Paulo, nos princípios do século XVI. No Arquivo Municipal daquela cidade, existem cadernos alusivos ao aventureiro covilhanense, com uma assinatura convencional presumivelmente sua, pois era analfabeto.

Para sair da sombra da História, seria necessário buscar novas achegas sobre a vida deste covilhanense, capitão-do-mato e um dos fundadores da cidade de São Paulo.

 

Mateus Fernandes

 

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi mandado edificar por D. João I, em acção de graças pela vitória de Aljubarrota. A sua construção começou no mesmo ano da batalha, em 1385, e por disposição testamentária, D. Manuel I mandou que se acabassem as capelas deste maravilhoso monumento nacional. O arquitecto Ouguet concluiu a Capela do Fundador, construiu a sacristia e o refeitório e parte do Claustro Real. Martim Vasques e Fernão de Évora continuaram a obra de Ouguet, tendo o último levado a termo o segundo claustro. Depois de 1467, sucederam-se nas obras do mosteiro os arquitectos Guilherme e António de Castilho, bem como Francisco Arruda, que trabalham nas Capelas Imperfeitas, assim chamadas por se não terem dado por concluídas. O arquitecto Afonso Domingos, mais famoso pela lenda que à sua volta teceu Alexandre Herculano, terá concluído, já cego, a Casa do Capítulo.

Pela tradição se diz que Afonso Domingues, "arquitecto da Batalha" era covilhanense, por certo por confusão com Mateus Fernandes, já que Bernardo de Brito, na sua Monarquia Lusitana, o dá como natural de Lisboa, baptizado na freguesia da Madalena.

Em 1490, Mateus Fernandes é já Mestre da Batalha. Assim se lhe refere D. João II numa carta em que lhe faz uma doação.

No livro intitulado "Retratos de Varões Que Ilustraram a Nação Portuguesa", da autoria de António José de Figueiredo, vem desenhado o retrato de Mateus Fernandes, com a legenda de ser da Covilhã, e "o mais insigne arquitecto, cujo nome conserva a história do Reino, a quem podemos chamar o primeiro arquitecto da Europa e do seu século. Segundo o mesmo autor, D. João II facultara ao ilustre arquitecto viajar pela Europa, a fim de tomar contacto com a arte das catedrais europeias. Ainda o mesmo autor terá visto confirmada a naturalidade de Mateus Fernandes em uma crónica carmelita, facto que não é contestado pelo Cardeal D. Francisco de São Luís, que, apontou erros no citado livro.

Ignora-se a data do nascimento de Mateus Fernandes, sabendo-se, todavia, que morreu em 1515, tal como se pode ler numa pedra tumular, à entrada axial do templo.

Mateus Fernandes terá sido o introdutor do estilo manuelino, ou estilo gótico português, caracterizado pela introdução de temas marítimos, vegetalistas e exóticos, inspirado na gesta dos Descobrimentos.

O ilustre covilhanense trabalhou no átrio, no pórtico principal, nas abóbadas das Capelas Imperfeitas e talvez na conclusão da Casa do Capítulo. Enquanto era substituído nas obras do Mosteiro por seu filho, do mesmo nome, Mateus Fernandes trabalhou na reconstrução dos Castelos de Almeida e de Castelo Branco. Pode estranhar-se porque não terá trabalhado nas torres e muralhas da Covilhã, sua terra natal. O que se sabe é que ele foi igualmente arquitecto da Igreja da Misericórdia das Caldas da Rainha, onde se vislumbram traços do seu estilo peculiar manuelino.

No último ano da sua vida, terá ainda gizado o plano da Igreja Matriz da Batalha, que só seria concluída em 1532, isto é dezassete anos após a sua morte.

Cabe, pois, à Covilhã, a glória de ter sido berço de um dos mais insignes arquitectos do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, a mais requintada obra do manuelino português, estilo de que foi introdutor, e que é o mais representativo, senão único, da individualidade da arte portuguesa.

 

O Morais do Convento (1806 / 1872)

 

Manuel de Morais da Silva Ramos, mais conhecido por Morais do Convento ou Morais da Covilhã, foi um grande escultor aqui nascido em 6 de Janeiro de 1806.

À volta da sua figura de artista e de aventureiro tecem-se lendas sem nexo. Tendo frequentado a Casa Pia de Lisboa, cedo revelou a sua vocação para o desenho e para a escultura. Aos dezoito anos, entra para a Brigada Real da Marinha, e nos anos conturbados de 1832/34 já se encontra no Porto, onde combate no cerco dos Liberais. A sua arte de modelar, esculpir e desenhar não passou despercebida ao fundador da Fábrica de Louças da Vista Alegre, onde trabalhou, mas foi na Cidade Invicta que logo se distinguiu como medalhista e escultor. A medalha comemorativa da visita de D. Luís ao Porto, no ano de 1852, a da Real Sociedade Humanitária e a que foi dedicada à memória de Carlos Alberto de Itália em 1854, são peças artísticas de valor meseológico, cujo paradeiro, como outras obras deste mestre, se desconhece. Em 1864 trabalhou no monumento a D. Pedro V.

Escultor exímio, era capaz de reproduzir à perfeição libras em ouro, que se não extremavam das autênticas, e isso levou-o ao excesso de abrir cunhos de moedas, sendo preso, arguido de moedeiro falso, nas cadeias da Relação do Porto.

Esculpia belas imagens de santos, em madeira de buxo, para as igrejas, e trabalhava em prata magníficas salvas e candelabros.

Pintava igualmente quadros a óleo. A sua obra prima é uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, executada em buxo, tendo no seu pedestal, em finíssimos lavores, o cenário do Natal. Quem alguma vez teve o privilégio de admirar essa obra, dá conta do seu fascínio. Tal peça de arte, que há muito deveria pertencer ao património da Covilhã, dizem encontrar-se já estropeada e ainda em poder da família do artista.

Na antiga Igreja de São Tiago, existia uma imagem do Senhor da Agonia, obra de Morais do Convento. Imagens pertenças do antigo Convento de Santo António, usurpado em 1834 pelas Leis de Mousinho da Silveira, foram distribuídas por igrejas da cidade. Dessas imagens, uma foi a do Senhor dos Aflitos, que terá ido primeiro para a Capela do Senhor da Ribeira, e depois da demolição desta, para a Igreja de São João. Outra, a da Senhora da Boa Morte, terá ido para a Igreja de Santa Maria Maior. Como quer que fosse, Morais do Convento procurou reaver, de forma rocambolesca, algumas imagens do Convento, o que acarretou novas pendências com as autoridades. Não obstante, reza a tradição que era esmoler, capaz de dar tudo de seu aos pobres.

Do Porto regressou à terra natal, muito combalido de saúde e de ânimo. Tinha, contudo, dinheiro suficiente para comprar as casas do antigo Convento de Santo António e nesse lugar aprazível, donde se desfruta uma ridente paisagem sobre a casaria da cidade e sobre a várzea do Zêzere, viveu o artista os seu últimos anos, apagados e silenciosos. Transformou as celas do Convento em salas, quartos e oficina de trabalho. Quando Eduardo Coelho, director do "Diário de Notícias" visitou a Covilhã, talvez no último ano da vida do escultor, 1872, foi vê-lo, levado pela curiosidade e fama da sua vida quase lendária. Diz-nos no seu livro "Passeios na Província", que encontrou um velho acabado e triste, cego e paralítico. Era o que restava de um homem que teria sido grande na arte deste país, se outros têm sido os seus fados.

A sua obra está praticamente ignorada. No Museu desta cidade, ainda hoje em preparação, irá figurar unicamente a imagem do "Coração de Maria", e na Câmara Municipal, pode admirar-se hoje o quadro da "Ressurreição". Seria obra meritória que se adquirisse para o Museu da Covilhã, esculturas e medalhas de Morais do Convento.

Morreu em 26 de Setembro de 1872 e tem o seu busto, de sua própria autoria, no cemitério desta cidade.

 

Frei Pedro da Covilhã

 

Foi um dos padres confessores de Vasco da Gama, na viagem do descobrimento do caminho marítimo para a Índia.

Na Índia fez evangelização, até ser capturado por índios selvagens, que o crivaram de flechas. Conta-se que, na sua atroz agonia, teve a visão da vinda de São Francisco Xavier a chegar àquele lugar de martírio.

 

Pêro da Covilhã

 

A honra senhorial de D. Afonso V, que foi o nosso último rei cavaleiro medieval, levou-o a bater-se com Fernando de Aragão, na Batalha de Toro, de resultado duvidoso, mas que teria redundado num desastre, se não fora o heroísmo dos seus vassalos e a bravura do jovem príncipe D. João I, que viria a ser o Príncipe Perfeito.

Nessa batalha combatera, como escudeiro do Rei, um jovem chamado Pêro que era da Covilhã. Já havia sido seu moço de esporas, quando regressara de Sevilha, onde estivera ao serviço de D. Afonso de Guzena, Duque de Medina Sidónio. Aí se envolvera e tomara o gosto de lutas e emboscadas. Inteirando-se da sua valentia e também da sua lealdade, D. Afonso V levou-o consigo para uma viagem a terras de França, onde esperava valer-se da influência e poder do Rei Luís XI. Não teve sorte D. Afonso V, pelo facto de o rei francês estar já de boas avenças com o rei Fernando de Aragão. As viagens naquele tempo eram longas e difíceis, e durante muito tempo não houve em Portugal novas de D. Afonso V, nem da sua comitiva, a tal ponto que seu filho o Infante D. João se proclamou rei. E, de facto não havia tempo a perder. O País encontrava-se enfraquecido com as praças conquistadas no Mangrebe e o jovem príncipe tinha já em mente o seu plano atlântico dos descobrimentos. E certo dia, ao saber que seu pai regressara ao Reino, dirigiu-se ao seu encontro para lhe restituir a coroa real, que D. Afonso V retomou até à sua morte em 1481. Por certo terá regressado com o rei o jovem Pêro da Covilhã, agora mais experimentado ainda em andanças e intrigas políticas.

 

Viram gentes incógnitas e estranhas

Da Índia, da Carmânia e Gedrosia,

Vendo vários costumes, várias manhas,

Que cada região produz e cria,

Mas de vias tão ásperas, tamanhas

Tornar-se facilmente não podia.

Lá morreram, enfim, e lá ficaram,

Que à desejada Pátria não tornaram.

Camões

in Canto IV dos "Os Lusíadas"

 

Com a tomada de Constantinopla, os turcos ocupavam quase todo o território que pertencera ao antigo Império Cristão do Oriente. Na última fase da sua vida, o Infante D. Henrique, ciente do perigo que representava para a Europa o avanço dos turcos, pretendeu entrar em contacto com o poderoso e longínquo rei cristão, a que chamavam Prestes João das Índias. O cronista João de Barros diria mais tarde na sua "Década I" que um tal João Afonso de Aveiro, ao regressar de Benin, fizera memória que a oriente desse reino, "por vinte e duas luas de andadura" existia um rei, que era o mais poderoso daquelas partes, e que ali tinham como santo. Em 1427, já o Infante D. Henrique enviava a Valência um arauto, por sinal chamado Covilhã, para colher quaisquer informes na corte Leonesa sobre o dito rei. Religiosos e mercadores davam conta da existência desse monarca, que já em 1435 enviara dois religiosos em peregrinação a Santiago de Compostela. Do contacto com esses emissários ou peregrinos terá nascido o plano Índico do Infante D. Henrique, que visava além de alcançar a Índia, contornando a costa de África, entrar em negociações com o Prestes João, para com ele fazer uma aliança contra os turcos. A chamada fase henriquina dos Descobrimentos terminou com a morte do Infante em 1460, tendo por essa altura o navegador Pedro de Sintra atingido a Serra Leoa. O Príncipe D. João iria continuar a obra já encetada por seu tio avô, o Infante D. Henrique, embora só em 1474, sete anos antes da morte de seu pai, pusesse em marcha o seu próprio plano atlântico. Era este Príncipe bem diferente em génio de seu pai. Embora armado cavaleiro quando da tomada de Arzila aos Mouros, não era dado a gestas cavaleirescas medievais, nem achava por bem continuar a fazer guerra aos infiéis no Norte de África. Pelo contrário procurou fazer a paz com eles e com eles negociar pactos comerciais. Toda a sua atenção estava voltada para o Atlântico. Soube rodear-se de grandes navegadores e homens experientes e audazes, como Diogo Cão, que descobriu a foz do Zaire, Bartolomeu Dias que havia de dobrar o Cabo das Tormentas, e Pêro da Covilhã seu escudeiro e agente secreto.

Ainda antes do ano de 1487, Pêro da Covilhã fez duas viagens de exploração à Berberia, e ainda nesse mesmo ano D. João II o enviou, juntamente com Afonso de Paiva, para uma viagem com missões bem determinadas à Índia e à Etiópia. Incumbiu Pêro da Covilhã de saber dos portos de navegação daqueles mares da Índia, bem como do tráfego de especiarias, enquanto Afonso de Paiva seria portador de uma carta para o Prestes João, na qual propunha uma aliança para defender a fé católica e encetar tratos comerciais entre os dois reinos. E na primeira quinzena de Agosto daquele mesmo ano, D. João II fazia seguir Bartolomeu Dias em suas caravelas, com os melhores pilotos daquele tempo, na viagem memorável em que se ultrapassou o Cabo das Tormentas, logo chamado Cabo da Boa Esperança.

Já em 1484, Cristóvão Colombo chegara a Lisboa para convencer o Rei português a por à sua disposição navios com que ele pudesse navegar para o Ocidente, julgando por aí atingir a Índia.

Mas por essa altura, D. João II tinha já conhecimento da existência de terras a Ocidente e que talvez por aí, de facto, se atingisse a Índia. Não acedeu às pretensões de Colombo e não se surpreendeu quando este, em 1489, ao serviço dos espanhóis, descobriu o continente americano que tomou por Índias. O Mundo já fora dividido pelo Tratado de Tordesilhas, e estava salvaguardada para Portugal a parte da América do Sul correspondente ao Brasil.

Disfarçados de mercadores, chegaram Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva à Península do Sinai e ao Mar Vermelho. Afonso de Paiva, que era natural de Castelo Branco, não chegou a cumprir a sua missão por ter morrido de febres no Cairo. E durante um ano, o aventureiro covilhanense viajou por terras da Índia, tendo estado em Cananor, Ormuz, Goa e Calicut, terra esta que pisou dez anos antes de Vasco da Gama. Nos fins de 1489, segundo o seu biógrafo Conde Ficalho, terá estado na encosta do Sofala, dirigindo-se depois para o Cairo, onde teve conhecimento da morte do seu parceiro Afonso de Paiva. Quando se preparava para regressar à Pátria, vieram ao seu encontro dois emissários de D. João II, José de Lamego e o Rabi Abraão de Beja, que traziam ordem do Rei para que ele voltasse a Ormuz com o Rabi, enquanto José Lamego regressava a Portugal com as preciosas informações colhidas por Pêro da Covilhã sobre a Índia e os portos, que os navios portugueses poderiam demandar.

Depois da diagem de Bartolomeu Dias e dessas informações de Pêro da Covilhã, sabia o rei português pelo certo que podia alcançar a Índia, dobrando o Cabo da Boa Esperança e, navegando pela cosa do Sofala, poderia conseguir desviar mais tarde o comércio das especiarias do Mediterrâneo para o Atlântico, de Génova e de Veneza para Lisboa. Vasco da Gama iria assim encetar a grande empresa do Mar Oceano.

Depois de se separar do Rabi Braão de Beja, que regressou à Pátria, Pêro da Covilhã partiu para a Etiópia, para cumprir a parte da missão que fora incumbida ao malogrado Afonso de Paiva. Terá alcançado as terras de Prestas João pelos anos de 1492/94. Os pormenores dessa aventura, de que jamais regressaria, foram narrados pelo próprio Pêro da Covilhã ao Padre Francisco Alvares, quando este, mandado por D. Manuel I, acompanhou a embaixada de D. Rodrigo de Lima à Etiópia.

Essa embaixada tornou-se numa viagem de exploração pelo interior desse país, onde foram encontrar Pêro da Covilhã, integrado na vida local, casado com uma nativa e com filhos. Gozava de prestígio na corte abexim, tendo servido de intérprete, entre o embaixador português e o Négus, para a celebração de um acordo de cooperação entre os dois reinos. Segundo tal acordo, as caravelas portuguesas podiam servir-se das enseadas etíopes, como bases de protecção das novas rotas de comércio marítimo, obrigando-se por sua vez o rei português e defender, com as suas armadas, aquele reino africano. Essa cooperação com a Etiópia havia de manter-se até 1634, data em que se deu a expulsão dos Jesuítas daquele território.

No regresso da referida embaixada, D. Rodrigo de Lima não conseguiu trazer consigo para a Pátria, Pêro da Covilhã. Nas suas próprias palavras, sentia-se "muito velho e mui feliz e contente nas muitas terras que tinha". Pediu, então, a D. Rodrigo de Lima que lhe trouxesse um filho para Portugal, para aí ser educado e que D. Manuel, como galardão dos seus serviços. lhe proporcionasse situação condigna. Mandou ainda 28 onças de ouro para a família, que deixara na Covilhã. O rapaz morreu de febres durante a viagem, e não se sabe se as onças de ouro chegaram à sua longínqua terra natal.

Assim como Pêro da Covilhã, muitos portugueses casaram com mulheres etíopes, e durante quase um século e meio, que transcorreu entre a chegada de Pêro da Covilhã e a expulsão dos Jesuítas, muito sangue luso correu nas veias de muitos príncipes e princesas etíopes, bem assim nos campos de batalha contra os turcos e os árabes. Com efeito, lá morreu Cristóvão da Gama, filho de Vasco da Gama, numa expedição contra os turcos.

Em 1555, chegaram à Etiópia os primeiros missionários Jesuítas, onde desenvolveram obra notável de evangelização e de fomento. Os etíopes tinham uma civilização milenária, um reino de ortodoxia cristã, que provinha dos séculos II e III da nossa era. Mas um povo de raízes culturais tão profundas e diversificadas não podia ser facilmente evangelizado. Assim, foi nascendo uma reacção contra os portugueses, especialmente contra os Jesuítas, portadores de uma civilização muito diferente. Por lá restam ruínas de castelos, pontes e palácios construídos pelos portugueses, nesse país, raro em África, que nunca foi colonizado.

Pêro da Covilhã, covilhanense das arábias, não regressaria pois `´A sua pátria. De resto, já não reinava, então, seu rei e senhor, El Rei D. João II, que morrera em Alvor, solitário, afastado dos negócios do reino, minado pela dor de ter visto morrer, na flor da idade, num desastre de montaria, seu filho legítimo D. Afonso.

 

Alberto Roseta (1915/1990)

 

Foi industrial e artista plástico covilhanense, sendo autor de numerosos desenhos de recantos típicos da sua terra natal.
Foi discípulo, na Escola Industrial Campos Melo, do Professor António Lopes. Covilhanense de afeição, salientou-se como autor de belos quadros a óleo, e de painéis nas Igrejas de Santa Maria Maior e da Misericórdia. Entusiasta do desporto do esqui, logrou algumas vezes ser campeão nacional desta modalidade.
 
 

Raul Costa Camelo

Também nas artes plásticas, ocupa actualmente lugar de relevo o covilhanense Raul Costa Camelo, radicado em Paris desde 1950, e cuja pintura tem um cunho expressionista. Alguns dos seus quadros figuraram na exposição que teve lugar quando das comemorações do dia 10 de Junho do ano de 1988, centralizadas na Covilhã.

Manuel do Carmo Peixeiro 

Manuel do Carmo Peixeiro nasceu na Covilhã, no ano de 1893. Principiou os seus estudos de debuxo na Escola Industrial de Campos Melo, especializando-se na manufactura de tapetes e criando o chamado ponto de pedra. Como se estabeleceu com uma fábrica de tapetes de Portalegre, o dito ponto de pedra tornou-se depois conhecido por ponto de Portalegre. Igual fábrica de tapeçaria artística fundou no Porto. Pintores de renome, como Almada Negreiros e Júlio Pomar, executaram cartões para os seus tapetes. Assim a indústria de tapetes de Portalegre atingiu renome universal. Esse artista da indústria têxtil, que faleceu em 1964, sobressaiu entre tantos outros artistas anónimos, que, recebendo a arte de seus pais, mantêm viva uma tradição de muitos séculos.

João de Figueiredo (1898/1960)

Foi um poeta de índole popular, perdido da labuta dos lanifícios. Autor de bonitas redondilhas, quadras e epigramas, os seus versos alegraram as festas da cidade, e os cantares das janeiras. Além da sua colaboração no semanário "Notícias da Covilhã", onde colaborou sob os pseudónimos de "José Faísca" e "João Ninguém", deixou uns livrinhos de versos, intitulados "Natal" e "Os Pobres".

Augusto de Figueiredo (1910/1981)

Irmão do referido poeta, cedo revelou a sua vocação para o teatro, vindo a frequentar com distinção o Conservatório Nacional de Lisboa. Em 1937, estreava-se no Teatro da Trindade na opereta "O Conde de Luxemburgo". Ingressando depois no Teatro D. Maria II, ali actuou, durante dezasseis épocas, na Companhia Rey Colaço - Robles Monteiro. Entrou posteriormente no elenco de várias companhias, entte elas, a de Mirita Casimiro, em Cascais, onde obteve sucesso na "Maluquinhas de Arroios". Também a sua actuação no Teatro da Estufa Fria, como, director, foi notável, atingindo o cume da sua arte na peça " A Dança da Morte". Ficou na história do teatro português, comi genial intérprete de Gil Vicente.

IGREJAS DA CIDADE

AS IGREJAS

 

Por decreto de 19 de Fevereiro de 1851, ficou a Covilhã dividida em quatro freguesias: São Martinho, São Pedro, Santa Maria e Nossa Senhora da Conceição. Além destas freguesias da cidade, contam-se mais 23 freguesias no concelho, rondando a população global pelos 60.000 habitantes. A freguesia de Nossa Senhora da Conceição é, atualmente, a mais populosa, tendo em 1970 11.091 habitantes, número que baixou em 1980 para 10.711. Santa Maria, nos mesmos anos, baixou igualmente de 4.475 para 4.301, São Martinho de 5.968 para 5.344, e São Pedro de 3.636 para 3.356. As freguesias limítrofes de Aldeia, atualmente Vila do Carvalho, do Teixoso e do Tortosendo são as mais populosas, tendo aumentado, ao contrário das freguesias da cidade, a sua população – Em 1980, o Teixoso contava 3.979 almas, e a Vila de Carvalho 5.685.

 

As atuais freguesias englobam hoje outras mais antigas, com númerosas igrejas e capelas, muitas já desaparecidas. Assim, podemos mencionar os antigos templos de São Tiago, São Silvestre, São João de Malta e São João Martir-in-Collo, ainda hoje existentes, tal como a mais moderna consagrada a Nossa Senhora de Fátima. Outras há muito desaparecidas, como a de São Vicente, de São Salvador, Santa Marinha, Santa Maria Madalena, São Paulo, São Miguel, São Lourenço, Santo Estêvão, Santo André e São Bartolomeu.

 

Segundo Pinho Leal, em 1811, o concelho da Covilhã tinha 5.119 fogos, num total de 21.630 habitantes.

 

A Igreja de São Martinho presume-se que remonta, como outras congéneres românticas, aos fins do século XII. Mais pela sua antiguidade do que pelo seu valor arquitetónico, é considerada monumento nacional. Segundo a tradição é coeva de Afonso Henriques, e situava-se na praça principal do velho burgo, chamada por isso Praça de São Martinho, local onde hoje se encontra a Universidade da Beira Interior. Já no relatório dos Párocos de 1758, diz-se que esta igreja se situa fora da vila, “solitária”, constando de 68 fogos. Tinha então uma relíquia do Santo Lenho no altar de Nossa do Rosário, tendo dos lados a imagem de São Martinho Bispo de São Vicente de Paula. Estando muitos anos votada ao abandono, e mesmo prestes a ser demolida, foi graças ao pároco da freguesia, Joaquim dos Santos Morgadinho, e da ação do então Presidente da Câmara Dr. Luís Victor Baptista, que foi restaurada e aberta ao público em Junho de 1943. Foi-lhe, então, demolida uma torre, considerada fora da traça original. Nas paredes laterais, podem-se admirar pinturas sobre tela, muito deterioradas, representando cenas do Calvário, de época desconhecida. Na parede, junto ao altar-mor, há azulejos hispano-árabes, atribuídos ao século XVI. Dois quadros de grande valor, representando Santo Estêvão e São Lourenço, hoje na Câmara Municipal, pertenceram a esta veneranda igreja, por certo a mais antiga da Covilhã. Perto desta igreja situava-se a Capela do Senhor da Ribeira, donde saía antigamente a Processão do Santo Antão, demolida para dar lugar à nova Igreja de Nossa Senhora de Fátima, inaugurada em 13 de Junho de 1947, e que se ficou igualmente a dever ao incansável zelo do Padre Morgadinho (1900/1977), bem como à generosa contribuição do Industrial Padre Santos Marques.

 

A atual igreja de Santa Maria Maior, matriz da freguesia, que já foi a mais populosa da cidade, corresponde à reedificação na mais antiga igreja de Nossa Senhora do Castelo, efetuada segundo uma tradição, pelo Bispo D. Cristóvão de Castro, nos meados do século XVI. A antiga fachada seiscentista foi adulterada pelas reparações, efetuadas nos anos 1872/6 pelos Padres Grainhas, adquirindo um estilo barroco, com frontão contracurvado, com pilastras, um grande nicho ao centro com a imagem de Nossa Senhora, e uma torre sineira lateral. A fachada ostenta portais encimados por janelas com mísulas, e na reparação efetuada nos anos quarenta deste século, pelo seu pároco Dr. Joaquim Pereira Seco, foi revestida com painéis de azulejo, reproduzindo Virgens de Murillo, que desvirtuaram a antiga traça seiscentista. Datam dessa altura as pinturas do teto da autoria do professor de desenho da Escola Industrial António Lopes.

 

Sendo o templo mais importante da antiga vila, no seu adro se julgavam os pleitos pelo juiz e homens bons da terra. Possui esta igreja uma relíquia do Santo Lenho, oferecida pelo Infante D. Luís, quando foi Senhor da Covilhã. Segundo Francisco Giraldes, a custódia de prata, onde se guarda esta relíquia, foi feita em Braga no ano de 1749.

 

No memorial dos párocos de 1758, diz-se quinda que esta igreja pertencia ao Padroado Real, e a freguesia contava 3.720 pessoas maiores e mais 527 de menor idade. Atualmente, nos seus altares, há muitas imagens da Virgem, sob diversas invocações, além de uma notável imagem de São Francisco de Sales e de Santa Teresa de Jesus. Possui um quadro do século XVII, representando a Senhora da Boa Morte, e que pertencera ao Convento de Santo António. Pode nesta igreja também admirar-se uma escultura do Pintor Caldas, que representa a Ascensão da Virgem, bem como outra de autor desconhecido figurando Santa Rita, além de um pequeno mas rico museu de paramentos dos séculos XVII e XVIII.

 

A atual freguesia de Santa Maria engloba a antiga freguesia de São Silvestre, e na sua área situavam-se as ermidas de Santa Marinha, Senhora do Rosário, Santa Cruz e de São Sebastião, existindo atualmente apenas a de Santa Cruz, ao Calvário, de muita antiguidade, mas de reduzido valor arquitetural, com profusão de colunas simples a sustentarem o peso de alpendres rústicos. No interior, ostenta antigos painéis, muito deteriorados pelo tempo, e com tentativas de restauração, da autoria do pintor covilhanense Costa Montez e de José Moço.

 

A capela de S. Silvestre situa-se a Nascente, perto das Portas do Sol, e junto de uma antiga barbacã. Ignora-se a data da sua fundação, sabendo-se todavia que foi restaurada em 1728, ficando então com o altar do orago e mais dois, o de Santa Eufémia e o da Nossa Senhora da Saúde. De longa data, possuía uma confraria de Nossa Senhora da Saúde, que fazia uma festa todos os segundos Domingos de julho. No Largo de São Silvestre, que lhe fica ao pé, realizava-se antigamente a feira da louça de barro, onde avultavam as “bruxas”, fogareiro de barro, em forma de vaso, de base estreita, com muitos furos laterais em seu bojo, e que servia tanto para assadouro, como para borralho. Por tal facto, e com algum chiste, chamava-se àquele lugar “Terreiro das Bruxas”. Durante muitos anos fechada ao público, a Igreja reabriu em 2 de Setembro de 1967, com a presença do Bispo da Guarda D. Policarpo da Costa Vaz. As obras orçaram então por 160 contos, tendo sido encontrados e restaurados azulejos hispano-árabes do século XVII, que atualmente formam um retábulo por detrás do altar. Conserva da sua primeira fundação a pia batismal em granito.

 

A atual freguesia de São Pedro tinha antigamente, como igreja matriz, a desaparecida Igreja de São Pedro, que se situava perto do lugar da Misericórdia e da Judiaria. Segundo se lia numa inscrição, o seu altar do Coração de Maria fora construído em 1616. Partia desta igreja, a tradicional Procissão do Senhor aos Enfermos.

 

A Santa Casa da Misericórdia da Covilhã procede da extinta Irmandade de Nossa Senhora da Alâmpada, que em 1213 fundara um hospital para pobres enfermos. Na fachada axial da igreja lê-se a data de 1601, mas no memorial dos párocos de 1758 diz-se que esta igreja terá sido construída um ano depois da restauração de Portugal. O seu estilo barroco foi de alguma forma desvirtuado pelas reparações efetuadas nos meados do nosso século, levantando-se a torre acima do traçado primitivo. O frontão é ornado com as imagens angélicas das três virtudes, a Fé, a Esperança e a Caridade. No princípio deste século, o hospital passou para o lugar do Calvário. No plano de modernização da cidade ainda hoje em curso, há um protocolo que prevê a demolição desta igreja, dada a pobreza da sua arquitetura e desvirtuada a sua construção. O povo da Covilhã não se conformou com este propósito, e a Igreja da Misericórdia é hoje património nacional. Sai daqui a Procissão do Enterro do Senhor bem como a do Senhor dos Passos. A imagem do Senhor dos Passos, que pertence a este templo, foi levada pelo povo, quando das invasões francesas, para a serra, só regressando ao seu lugar após a debandada do inimigo.

 

A freguesia de São Pedro englobava antigamente as freguesias de São João de Malta, Santa Maria Madalena e São Tiago.

 

A velha igreja de São Tiago reedificada no primeiro quartel do século XVIII pelo prior Manuel dos Santos Basto. No seu largo fazia-se a feira de São Tiago, também chamada feira dos queijos, que passou para o Largo de São Francisco, chamado depois de D. Maria Pia.

 

A pedido dos Padres Grainhas, os Jesuítas estabeleceram-se na Covilhã em 1871, com uma Casa da Ordem, no Largo de Santa Maria. O Prior de São Pedro facultou-lhes depois a antiga Igreja de São Tiago, que eles demoliram para construírem uma nova igreja, consagrada ao Coração de Jesus, e que foi aberta ao culto em 1877. Com o advento da República, os Jesuítas foram expulsos da sua igreja, que viria a ser posteriormente utilizada e profanada como celeiro, armazém, cavalariça e, finalmente, tribunal. Em 1942, um incêndio devastou o edifício, vindo depois as suas ruínas a ser entregues aos antigos donos, que reconstruíram o templo, abrindo-o de novo ao culto em 1952. Mas já antes, em 1931, os Jesuítas tinham aberto um colégio para rapazes, chamado Colégio Nuno Álvares, onde sobressaíram professores padres, muito populares, como o Padre Cunha e o Padre Lopes. Com a abertura do Liceu Heitor Pinto, foi o colégio jesuíta compelido a suspender o ensino, dedicando-se unicamente à catequese e à formação cristã da juventude, que ali desfrutava igualmente de jogos nas horas de lazer. Em 1888, construiu-se, junto a esta igreja, a Torre de São Tiago, elemento de relevo na paisagem da Covilhã.

 

A Capela de São João da Malta, sendo um templo de reduzido valor arquitetural, é não obstante rica de historicidade cristã. Pertenceu à Comenda da Ordem de Malta, ordem esta que data do século XI. Por cima do altar, tem um quadro alusivo ao Batismo de Cristo, atribuído ao pintor covilhanense Costa Montez.

 

A Covilhã, terra de muita devoção, foi pátria de muitos Bispos. D. Cristóvão de Castro (Século XVI) foi Bispo de Guarda. Diogo Seco (1574/1623) foi Bispo de Niceia e Patriarca da Etiópia. D. José Valério da Cruz, oratoriano, foi sagrado Bispo de Portalegre em 1799. D. Frei Ângelo de Nossa Senhora da Boa Morte, franciscano, (1777/1852) foi Par do Reino e Bispo de Elvas. D. Manuel Damasceno da Costa (1867), doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra, é sagrado Bispo da Angra em 1915. D. José do Patrocínio Dias (1884/1965), Bispo de Beja, inaugurou a Sé Catedral daquela cidade alentejana em 5 de Junho de 1937, e o Seminário Diocesano em 1940. Finalmente, D. José da Cruz Moreira Pinto (1887/1964), natural do Tortosendo, foi sagrado Bispo de Viseu no ano de 1928, tendo-se notabilizado como orador sagrado.

 In, História da Covilhã de José Aires da Silva

 

A IGREJA DA MISERICÓRDIA

 

 

A igreja da Misericórdia foi reedificada na segunda metade do século XVII, sobre um primeiro templo construído em meados do século anterior.

Trata-se de uma igreja de planimetria maneirista, composta por nave única e capela-mor mais baixa e estreita, com torre sineira adossada do lado esquerdo.

Na década de quarenta do século XX, a igreja foi restaurada segundo a orientação do arquiteto Bernardino Coelho. No entanto, a fachada principal terminada em frontão triangular e rasgada por eixo de vãos de modinatura barroca, não foi alterada. Destacam-se nesta fachada as imagens da Fé, da Esperança e da Caridade.

No interior, o retábulo-mor da talha a branco, é um revivalismo, mas elementos do retábulo executado no século XVII, por André Dias e Valério Aires. Os tetos foram pintados, aquando da última reconstrução da igreja, por António Lopes e os painéis e telas da capela-mor executados, em meados do século XVIII, por José Botelho.

A igreja da Misericórdia está classificada como imóvel de interesse público desde 1997 (IIP-Decreto nº 67/97, DG nº 301 de 31 Dezembro 1997)

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 
CAPELA ROMÂNICA DE SÂO MARTINHO
 
 
 
 

A capela de São Martinho é presentemente o edifício mais antigo da cidade.

Foi edificado durante os séculos XII/XIII, sendo a sua fundação atribuída a Fuas Roupinho. No “Catálogo das igrejas, mosteiros e comendas do reino”, de 1320, surge taxada com 75 libras.

É uma igreja de tipologia românica e mudéjar, com uma fachada singular devido à relação entre o portal e a janela. O portal principal é flanqueado por colunelos com capitéis ornados com motivos fitomórficos. Tem tímpano vazado por quadrifólios e é sobrepujado por fresta com estrutura semelhante. No remate da empena surge a cruz de Malta.

O interior é lajeado e possui arco triunfal de volta perfeita, ladeado por altares revestidos a azulejo mudéjar. Encontram-se ainda vários vestígios de frescos com figuração sacra.

A capela de São Martinho está classificada como imóvel de interesse público desde 1963 (IPP-Decreto nº 45327, DG nº 251 de 25 de Outubro de 1963).

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
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IGREJA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

 

 

 

A igreja de Nossa Senhora de Fátima foi construída, em grande parte, graças à ação dos padres Joaquim dos Santos Morgadinho e Alfredo Santos Marques, tendo sido inaugurada em Julho de 1947.

A tipologia deste templo segue em esquema maneirista por ter sido edificado no local onde em 1730 se ergueu a capela do Senhor da Ribeira, com a mesma traça, posteriormente destruída.

À semelhança da antiga capela, a fachada principal é circunscrita por pilastras e cornijas e rematada por frontão que por sua vez é extravasado pelo frontão contracurvo do janelão, conseguindo-se maior monumentalidade ao flanquear a fachada por duas torres.

In, Património Eclesiástico da Covilhã
 
 
 
 
IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
 
 

A igreja de Nossa Senhora da Conceição foi, inicialmente, uma igreja conventual, integrando um convento franciscano masculino.

O convento de São Francisco instalou-se naquele local em meados do século XIII. No reinado de D. Fernando foi concebida uma mercê régia para a construção da igreja.

No século XVI são abertas no cruzeiro da igreja duas capelas tumulares pela  família dos Castros.

Cinco anos após a extinção do convento a igreja torna-se na matriz de uma nova paróquia que vai aglutinar outras então desaparecidas. Sucede-se uma séria de obras profundas e em 1884 inicia-se a construção da torre por António Saraiva e, no ano seguinte, as obras na fachada principal, acima do portal, foram arrematadas por António Mendes Coelho.

Em Fevereiro de 1886 é mandado construir o batistério e até final do século XIX são realizadas várias obras no interior da igreja e construídos anexos. Em 1935, é construído no anexo norte uma sala de teatro e um salão de conferências e, em 1948, são construídas as abóbadas revivalistas na nave da igreja, e coro-alto, da autoria do engenheiro covilhanense, Luís Felipe Ranito Catalão.

A igreja apresenta planta de cruz latina, com sacristia, anexos e torre adossados no lado direito e casa mortuária no lado esquerdo.

Na fachada principal resta da primeira edificação o portal gótico em arco quebrado com três arquivoltas e colunelos com capitéis decorados com motivos vegetalistas que se ocultam na imposta. O restante formulário decorativo da fachada é neobarroco com exceção dos nichos e janelão em arco quebrado.

No interior destaca-se o retábulo-mor com estilo nacional, a abóbada da capela-mor com caixotões pintados, retratando os emblemas do livro Schola Cordis, os túmulos quinhentistas, a capelo dos Terceiros com o seu retábulo joanino e o painel pintado com temas relativos à Ordem Terceira.

A igreja de Nossa Senhora da Conceição está classificada como imóvel de interesse público desde 1986 (IIP-Decreto nº 1/86, DG nº 02 de 3 Janeiro 1986).

In, Património Eclesiástico da Covilhã
 
 
 
 
IGREJA DE SANTA MARIA MAIOR
 
 
 

A igreja de Santa Maria Maior é a mais emblemática e a maior igreja da cidade. Foi construída no século XVI, sobre o templo medieval de Nossa Senhora do Castelo, por ordem do bispo D. Cristóvão de Castro. A igreja quinhentista possuía três naves e sete altares. Em 1627, procede-se a uma nova reedificação, sendo as obras arrematadas por António Marques pelo valor de 5.000 cruzados e, em 1667, fizeram-se novas obras segundo o desenho de José de Almeida. No século seguinte, em 1758, a igreja é descrita como tendo duas naves e sete altares. Nos finais do século XIX (1872-1886) a igreja de Santa Maria Maior volta a ser alvo de profundas obras que lhe alteraram a tipologia. A empena contracurvada é da responsabilidade do padre Francisco Grainha, que suporta financeiramente as obras em conjunto com o seu irmão, padre João Grainha.

Em 1899 inicia-se a construção da torre. Já no século XX, em 1942, procede-se a novo restauro profundo, o que não evita a queda do teto em 1943. Sucede-se o arranjo do mesmo e o revestimento da fachada principal com azulejos alusivos a temas Marianos, da fábrica Aleluia.

A igreja apresenta tipologia revivalista e neobarroca, plante longitudinal de nave única com capelas laterais à face e capela-mor mais baixa e estreita.

No interior é de realçar o retábulo-mor, em estilo rococó, trazido do extinto convento de Santo António e a imaginária ali existente, nomeadamente a de Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Boa Morte ou Nossa Senhora da Assunção, esta última da autoria de Castro Caldas.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 
CAPELA DE SANTA CRUZ
 
 
 
 
Capela quinhentista, vulgarmente conhecida por Capela do Calvário, situada já fora das muralhas, na parte mais alta da cidade. Desconhece-se ao certo o ano em que foi erguida, no entanto, a primeira referência conhecida remonta à Idade Média, constando no Livro Negro da Sé de Coimbra e serviu de penetração da Igreja de Coimbra nesta parte da serra. Alguns autores apontam para uma construção primitiva pelo Infante D. Henrique e mais tarde, nos finais do séc. XVI, restaurada pelo Infante D. Luis, filho de D. Manuel e pai de D. António, Prior do Crato.
A capela é de construção simples, granítica, estilo renascentista, composta de um corpo e capela-mor. O tecto é revestido por painéis de pinturas emolduradas por talha dourada, contendo cenas da vida de Jesus Cristo. Infelizmente devido aos furores do tempo e à inépcia humana, das 30 telas que preenchem o tecto, só sete delas guardam a sua pureza primitiva. No exterior, podem ainda observar-se dois alpendres, com colunas toscanas e um púlpito. Em frente à capela estão os muros envolventes da antiga Cidadela.
 
 

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CAPELA DE SÃO SILVESTRE
 
 
 

A fundação da Capela de São Silvestre é atribuída a Fernão Feio e à sua esposa Maria Calvo, no entanto não existe, entre os vários autores, uma data consensual para a primeira edificação deste templo.

Em 1728 recebe obras profundas que lhe transformam a tipologia, ganhando feições maneiristas e barrocas. Nesta dará desaparecem também os arcossólios (túmulos parietais) que possuía nas paredes exteriores. Em 19 de Fevereiro de 1851, deixa de ser igreja matriz em virtude da paróquia ter sido extinta. No século XX, em 1967, são realizadas novas obras sendo retirados os retábulos laterais, reedificando o arco triunfal e substituído o soalho.

É uma capela de planta longitudinal, composta por nave, capela-mor mais estreia, sacristia e campanário de sineira dupla. Na fachada principal sobressia o portal de boa dimensão, com moldura almofadada, sobrepujado por frontão interrompido por cruz latina. No interior, mantém o painel de azulejos hispano-mouriscos colocados na parede testeira com perfil curvo.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 

 
 
 
CAPELA DE SÃO JOÃO DE MALTA
 
 
 

 

A capela de São João de Malta foi matriz, da paróquia de São João e mais tarde da paróquia de São Pedro.

Pertenceu a uma comenda da Ordem de Malta, cujas insígnias são ainda visíveis no tímpano do frontão que sobrepuja o portal principal e na cruz que remata a empena.

Deverá ter sido construída durante o século XVI, apresentando tipologia maneirista e barroca. É uma capela de planta longitudinal composta por nava única e sacristia adossada à fachada lateral direita. A fachada principal apresenta vãos rasgados no eixo composto pelo portal, de lintel reto, sobrepujado por frontão triangular e óculo circular.

No interior destaca-se o retábulo-mor, com tribuna apresentando tela pintada com o batismo de Cristo da autoria de Bernardo Faustino da Costa Montez e a coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima, feita a partir de joias oferecidas pelos paroquianos em 1947.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 
 
CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO
 
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A Capela de São Sebastião, estava situada a 750 metros, num sítio ermo, no alto da então Vila da Covilhã, precisamente ao lado da Capela de Santa Cruz.

A Capela tinha apenas um altar com a imagem do seu orago, São Sebastião Mártir, e pertencia à Paróquia de Santa Maria; tinha uma Irmandade ou Confraria. Era aí celebrada uma missa todos os Domingos e dias Santificados.

Ao redor da Capela existia um cemitério e, no lado do Nascente, foi construído, cerca de 1870, o atual cemitério municipal. Ambos tinham por finalidade acabar com os aterramentos dentro dos templos.

Nos princípios do Século XX começou a notar-se degradação do templo, que lentamente ficou quase em escombros … Apenas se manteve uma parte do altar-mor, que ainda perdurou durante cerca de 30 anos.

Em meados do século passado foi aberto um troço de estrada, a fim de melhorar o acesso à Serra da Estrela, cujo traçado coincidia com o local onde se entravam as ruínas da ermida que foram então demolidas.

In História da Freguesia de SANTA MARIA - Covilhã, António Garcia Borges

 

 

 

 

IGREJA DO SAGRADO CORAÇÂO DE JESUS

 

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A igreja do Sagrado Coração de Jesus é atualmente a matriz da paróquia de São Pedro, tendo sido edificada no mesmo local onde se erguia o templo medieval de São Tiago, um dos primeiros a ser construídos na Covilhã, doado ao mosteiro de São Jorge de Coimbra, em 1192.

Em 1875, após a compra do antigo templo, começou a edificar-se ali a igreja do Sagrado Coração de Jesus por ação dos Jesuítas, vindo a ser aberta ao culto em 1887. Durante a Primeira República, o templo foi confiscado à Companhia de Jesus para instalação dos Paços do Concelho, o que não se veio a concretizar, e em 1917 acolheu o Celeiro Municipal, sendo transformado em tribunal a 5 de Outubro de 1924. Em 1948 e após um incêndio, o edifício foi de novo adquirido pelos Jesuítas e procedeu-se à reedificação da igreja.

O atual templo, de tipologia modernista, deve o seu traço ao arquiteto Teotónio Pereira. É uma igreja de linhas simples, com a escassa decoração destacando-se a existência de grupos escultóricos, na fachada principal, da autoria de Joaquim Correia, representando o orago da igreja, o Sagrado Coração de Jesus, e os dois mártires Jesuítas da cidade: o beato Francisco Álvares e o padre António de Sousa.

No interior da igreja é de destacar a pintura do orago, inserida em mandorla, invocando as representações medievais da figura de Cristo, da autoria de Martins Barata.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 

IGREJA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

 

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A igreja da Santíssima Trindade inaugurada em 13 de Setembro de 2009 e sagrada pelo bispo da Guarda, D. Manuel Felício, era muito ambicionada para servir a população da zona baixa da cidade.

Este templo com traço de Carlos Remualdo, apresenta uma nave com capacidade para 350 lugares sentados, e áreas complementares como a capelo do Santíssimo, o batistério, a torre, a capela mortuária, as salas para reuniões e a sacristia.

De tipologia contemporânea, faz uso de uma linguagem arquitetónica que articula a junção de volumes e de formas geométricas praticamente puras, onde predomina o triângulo, numa clara alusão à Santíssima Trindade. Destacam-se ainda as diferentes soluções para captação de luz natural, nomeadamente i óculo sobre a capela-mor. Todo o vocábulo estético é simples sendo o interior dominado pelos tons naturais da madeira que contrastam com o imaculado dos brancos. Na parede testeira da capela-mor destaca-se uma imagem da Santíssima Trindade, e na capela do Santíssimo, o sacrário de características bizantinas inserido em estrutura cruciforme.

In, Património Eclesiástico da Covilhã
 
 
 

IGREJA DE SÃO JOSÉ

 

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A construção da igreja de São José inicia-se em 1949 para servir a nova comunidade dos Penedos Altos, essencialmente operária, vindo a ser sagrada no dia 22 de Outubro de 1950, pelo bispo D. Domingos da Silva Gonçalves.

É uma igreja de planta longitudinal, composta por nave, capela-mor pentagonal, torre sineira, sacristia, no lado direito, e batistério pentagonal no lado esquerdo, atualmente desativado.

A fachada principal, em empena, apresenta vãos rasgados no eixo, composta por óculo e pelo portal de lintel reto protegido por alpendre de arco de volta perfeita como remata de empena.

No interior destacam-se os dois painéis de azulejo representando o batismo de Cristo e a Samaritana.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 

IGREJA DE SANTO ANTÓNIO

 

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A igreja de Santo António é inaugurada em 1954 no bairro do Rodrigo.

Possui planta longitudinal de nave única e capela-mor mais estreita. A fachada principal, em empena, é circunscrita por pilastras com portal em arco de volta pe3rfeita, sobrepujado de três janelas longilíneas a que foi, posteriormente, acrescentado um exonartex. No alçado lateral esquerdo, apresenta um campanário de sineira dupla e um anexo, inaugurado em 9 de Abril de 1991, destinado a sacristia, sala de catequese e casa mortuária.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 
CAPELA DE SANTO ANTÓNIO
 

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A capela de Santo António foi inaugurada em 1994, pelo bispo D. José Garcia, no mesmo local onde até 1966 existia um nicho da mesma inovação que fora edificado por Manuel Martins Carrola.
Este templo de planta longitudinal, faz uso de uma linguagem arquitectónica contemporânea, onde predomina, entre outras formas geométricas, o uso do trapézio. A inovação de Santo António deve-se ao antigo convento Capucho existente nas imediações e presentemente transformado em reitoria da Universidade da Beira Interior.
 
In, Património Eclesiástico da Covilhã
 
 
 

CAPELA DE NOSSA SENHORA DO REFÚGUIO

 

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A capela de Nossa Senhora do Refúgio foi, segundo a tradição popular, mandada construir por Maciel, um liberal que fugia às perseguições miguelistas e que prometeu construiu uma capela, caso conseguisse escapar. A capela foi ampliada e reedificada pelo comendador José Mendes Veiga, que a doaria ao sobrinho Marcelino José Ventura que, por sua vez, a legou ao afilhado José Mendes Veiga de Albuquerque Calheiros.

Trata-se de um templo de tipologia tardo-barroca, de planta longitudinal simples, de espaço único, com sacristia e anexo adossados ao lado direito. A fachada principal em empena, formando frontão interrompido por cruz latina, é rasgada por eixo composto pelos vãos do portal de lintel reto, flanqueado por dois postigos e janelão com os extremos curvos.

No interior, possui coro-alto, assente em colunas toscanas que incorporam as pias de água benta. Destaca-se o retábulo-mor de talha a branco, com cinco eixos diferenciados, que lhe conferem uma grande sensação de movimento.

In, Património Eclesiástico da Covilhã
 
 
 
 

CAPELA DE SÃO JOÃO DE MÁRTIR-IN-COLO

 

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A capela de São João de Mártir-in-colo foi matriz de paróquia, mas encontra-se hoje adaptada a capela particular do Lar de São José. Poucos vestígios restam da sua construção medieval. De tipologia vernácula, apresenta planta longitudinal composta por nave, capela-mor e sacristia, no lado esquerdo.

Possui um imponente campanário seiscentista, que corresponderá a uma reedificação do templo. Na fachada principal, em empena, hoje muito descaracterizada pelo passadiço que a liga ao lar, é ainda visível a janela que sobrepujava o portal principal.

In, Património Eclesiástico da Covilhã

 
 
 
 CAPELA DO SENHOR JESUS
 

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A Capela do Senhor Jesus estava situada ao fundo do Largo D. Maria Pia, que hoje se designa como Jardim Público, no início da estrada que conduzia à Aldeia do Carvalho, ou seja, na atual Rua da Indústria.

A sua construção era simples, consistindo em pedra de cantaria, desconhecendo-se, porém, a data da sua construção. Interiormente tinha apenas o altar-mor, com a imagem do Senhor Jesus, orago da mesma capela.

Esta Capela pertenceu à antiga Paróquia de São Paulo. Depois da extinção desta, em 1835, foi anexada à Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.

Nos princípios dos anos 60 do século XX quando se encontrava já em ruínas, foi demolida parra alargamento da estrada e desenvolvimento habitacional da zona.

In, História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Covilhã, António Garcia Borges

 

 

 

CAPELA DE SANTA MARINHA

 

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Esta Igreja, que se situava fora das muralhas, na parte Norte, tinha três altares. Na Capela-mor, estava a Imagem de Santa Marinha, Orado da mesma Igreja e Paróquia e tinha mais uma pequena Imagem de Nossa Senhora do Carmo. Nos dois laterais, do lado direito, estava Nossa Senhora da Garça e no esquerdo o Glorioso Patriarca São José.

Esta Paróquia foi extinta em 1835, passando a fazer parte da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição com todos os seus foros.

Alguns anos depois a Igreja foi restaurada, e no ano de 1892, foi ali colocada pela primeira vez, a imagem de São Francisco Álvares, no altar direito.

São Francisco Álvares era natural da Covilhã, nasceu em Santa Marinha, tinha a profissão de cardador; entrou para a Companhia de Jesus em 21-12-1564. Veio a falecer a caminho do Brasil, martirizado com mais 39 companheiros, quando se dirigiam para a sua missão de evangelização. Todos os anos os cardadores lhe prestavam homenagem, com uma festa.

É de referir que no largo desta igreja se realizava, antigamente, o mercado dos porcos.

A Igreja de Santa Marinha foi demolida, no ano de 1954, ficando para a memória dos covilhanenses só os topónimos do Largo e da Travessa de Santa Marinha.

In, História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Covilhã, António Garcia Borges

 

 

IGREJA DA SENHORA DO ROSÁRIO

 

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Esta Igreja, que hoje já não existe, ficava situada junto às muralhas, do lado sul, frente ao Postigo do Rosário. Era uma igreja muito antiga, desconhecendo-se a data da sua construção.

Sabe-se que no ano de 1580 já existia, como se pode notar por uma doação, feita à própria igreja, por Pedro Pacheco e sua mulher, Isabel d’Abreu, com a finalidade de nela se fazer um mosteiro de freiras, o que nunca foi cumprido.

Em 1611 encontrava-se na Covilhã o Bispo da Diocese da Guarda, D. Afonso Furtado de Mendonça, e as pessoas gradas da Covilhã pediram-lhe para auxiliar a obra do mosteiro, tendo este assumido prontamente o pedido, prometendo, para esse fim, cem cruzados por 10 anos, como consta dum alvará por ele assinado.

No entanto tal mosteiro nunca chegou a ser construído tendo sido feitas, anos mais tarde, alterações na igreja em que foram abertas janelas, transformando-se em casa de habitação.

Na década de 40 do século passado, sofreu obras de requalificação. Foi fechada a porta principal, só restando a porta lateral, como se pode verificar ainda hoje.

In História da Freguesia de SANTA MARIA - Covilhã, António Garcia Borges

 

 

S. Pedro
 
É uma igreja muito irregular e bastante pequena para a freguesia. Antigamente tinha só três altares: o altar-mor, Sacramento e Almas.
 
 
 
 
Outras

 

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CEMITÉRIO DA COVILHÃ

 

O Cemitério da Covilhã é um dos mais opulentos da Beira Interior e o mais rico em arte fúnebre, com aproximadamente 150 mausoléus e jazigos.

Foi construído nos arrabaldes da cidade, lado Norte, numa altitude de 750 metros, satisfazendo as exigências higiénicas. Na altura era um local ermo, existindo apenas duas capelas, a de São Sebastião e a de Santa Cruz (Calvário).

Tem uma superfície de 15.200 metros quadrados, a qual se encontra distribuída em 5 quarteirões. Todos os quarteirões tinham porta lateral, em ferro, virada para Sul, sendo atravessadas por uma rua central com a largura de três metros e meio, que liga com o portão principal e se situa paralela a uma passagem onde se encontram os jazigos de maios valor.

O seu primeiro funeral foi feito em 4 de Julho de 1874, andando ainda em obras que terminaram em 1882.

Em frente da fachada principal tinha um espaço, sob a forma de retângulo, medindo 2.000 metros quadrados, que foi ajardinado entre 1896 e 1897, sendo o primeiro jardim público da Covilhã.

Anos mais tarde o cemitério teve obras de beneficiação. Os portões que existiam nos quarteirões foram amuralhados; o espaço em frente à fachada principal foi todo calcetado e, no quarteirão do cimo, foi aberto um pequeno portão para dar acesso aos residentes dos Bairros da Biquinha, Municipal e da Rua dos Montes Hermínios.

In História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, António Garcia Borges

 
 

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COVILHÃ

 

 

 

 Ordenação heráldica do brasão e bandeira

Publicada no Diário do Governo, I Série de 29/08/1941

 
Armas De azul com uma estrela de seis raios de prata carregada por um rodízio vermelho, realçado a ouro e posto em pala. Em chefe e contrachefe uma faixa ondeada de prata. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco com os dizeres "Cidade da Covilhã" a negro. Envolvendo o pé e flancos das armas, as insígnias das Ordens de Cristo e do Mérito Industrial, suspensas das fitas, tudo de suas cores.
 
Bandeira - Quarteada de quatro peças de branco e quatro peças de vermelho. Cordões e borlas de prata e de vermelho. Haste e lança douradas.

 

Selo - Circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes e em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres "Câmara Municipal Covilhã". Envolvendo o selo, as fitas das Ordens de Cristo e de Mérito Industrial, suspendendo as respectivas insígnias.

 
Como as principais peças das Armas são a estrela e o rodízio, a bandeira é branca (que representa a prata) e vermelha. Para cortejos e outras cerimónias a bandeira é de seda, bordada e com a área de um metro quadrado. A coroa mural de cinco torres e a bandeira quartejada de oito peças, é o que está determinado para simbolizar as cidades.
 
O campo das Armas da Covilhã é de há muitos anos esmaltado de azul, cor que heraldicamente significa zelo, caridade e lealdade.
 
A estrela e os rios são de prata porque este metal na heráldica, denota humildade e riqueza.
 
O rodízio é de vermelho, porque este esmalte significa vitórias, força, energia, actividade e vida. O rodízio é realçado a ouro por ser este o metal mais rico na heráldica e que significa nobreza, fé, fidelidade, constância, poder e liberdade.
 
Com estas peças e com estes esmaltes fica realçada e dignificada a história da Covilhã e a índole dos seus naturais.
 
 
Freguesias

 

Aldeia de São Francisco de Assis;   Aldeia do Souto;   Barco;  Boidobra;   Canhoso;   Cantar-Galo;  Casegas;   Conceição;  Cortes do Meio;   Coutada;     Dominguizo;   Erada;   Ferro;   Orjais;   Ourondo;   Paul;   Peraboa;   Peso;   Santa Maria;    São Jorge da Beira;   São Martinho;   São Pedro;    Sarzedo;   Sobral de São Miguel;   Teixoso;   Tortozendo;   Unhais da Serra;     Vale Formoso;   Verdelhos;   Vales do Rio;  Vila do Carvalho;

 

Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos
 

 

 

 

 Bandeira para uso no exterior (2x3)
 
 
        
Bandeira para uso em interiores (1x1)
 
A Covilhã é uma bela cidade, situada num planalto, a meia encosta de Serra da Estrela. Daí lhe vem o nome, de Cova + lhana ( plana ). Parece que foi fundada pelos Romanos 41 a.C. e estes puseram-lhe o nome de Sila Hermínia.
 
É atravessada pelas correntes rápidas das ribeiras da Carpinteira e da Degoldra, em cujas margens se estabeleceram as primeiras fábricas de lanifícios, pois é grande a abundância de gado lanígero.
 
Covilhã teve foral antigo dado por D. Sancho I em Setembro de 1186, confirmado, posteriormente, em Coimbra por D. Afonso II, no mês de Outubro de 1217.
 
Deve-se à clara política de D. Sancho I a reedificações de vila que estava prestes a ser abandonada pelos seus moradores. No ano da concessão do foral em 1186, os habitantes receberam honrarias régias, entre elas destacando-se o privilégio dos escravos ganharem alforria e habilitações para honras e empregos quando por mais de um ano vivido na Covilhã.
 
Na provisão de 2 de Dezembro de 1253, D. Afonso III declara ser a Covilhã uma das principais povoações acasteladas da Beira. Atribuiu-se a fundação ao célebre Conde D. Julião que, para se vingar de D. Rodrigo – o último rei dos Gagos, lhe ler seduzido a filha, provocou a invasão dos Árabes na Península Hispânica. Conta a tradição que na Covilhã derivado da Cova - Juliana, nome que D. Julião dera à vila reunindo num só, o seu nome e o da sua concubina ( mulher ; legítima ).
 
Em 1 de Junho de 1510, D. Manuel I outorgou - lhe foral novo, em Santarém.
 
Foi elevada à categoria de cidade no século XIX a 20 de Outubro de 1870.
 
 
Datas Importantes
 
1186 – Setembro
 
D. Sancho I dá foral à Covilhã
 
1260 – 25 Julho
 
Por carta régia desta data D. Afonso III mandou fazer feira anual de 15 dias na sua vila da Covilhã pela festa de Stª Maria, em Agosto, devendo começar oito dias antes e acabar oito dita depois da dita festa.
 
1319 – 22 de Dezembro
 
D, Dinis outorgou carta régia confirmando privilégios, foros, usos e costumes do concelho da Covilhã, declarando que os juizes do mesmo concelho lhe “fornecerão cama, pão, vinho e outras coisas não por foro nem por serviço, mas por mera hospitalidade”.
 
1485 – Nasceu na Covilhã D. Frei Diogo da Silva, doutor em jurisprudência, conselheiro de D. João III, desembargador dos Agravos e mais tarde nomeado Arcebispo de Braga. Pertenceu à Ordem Franciscana, foi confessor do rei e faleceu em 1541.
 
1487 – 7 de Maio
 
Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva partem de Santarém, por terra, para a Etiópia.
Esta missão foi-lhes confiada por D. João II a fim de obter dados necessários à preparação da viagem de Vasco da Gama à Índia.
Depois de chegarem ao Cairo e Adem, separam-se partindo Afonso de Paiva para a Etiópia e Pêro da Covilhã para a Índia.
Pêro da Covilhã veio a exercer grande influência na corte Abexim, teve a honra de ser o primeiro Português que pisou o solo da Índia.
Foi senhor de muitas terras e haveres mas jamais lhe foi concedida autorização para regressar a Portugal, ali morrendo em 1545.
 
1506 – 3 de Março
 
Nasceu em Abrantes o Infante D. Luís quinto filho de D. Manuel I.
Mandou edificar a capela de Stª. Cruz ( Calvário ) dotando-a com uma magnífica custódia de prata dourada encerrando uma relíquia do Santo Lenho.
Duque de Beja, condestável do Reino, Grão-Prior do Crato senhor da Covilhã, Serpa e Marvão.
 
!510 – 1 de Junho
 
É datado de Santarém o segundo foral concedido à Covilhã, por D. Manuel II, onde lhe foram conservados todos os seus privilégios.
 
1515 – 10 de Abril
 
Faleceu Mateus Fernandes, natural da Covilhã, que foi um dos arquitectos do Mosteiro da Batalha, ali pontificando durante 25 anos.
Fez a porta de entrada para as capelas imperfeitas considerada um dos expoentes máximos da arquitectura Portuguesa.
 
1517 – Dezembro
 
Dão entrada em Sevilha Rui Faleiro, sua mulher Eva Afonso, e seu irmão Francisco, idos da Covilhã da Covilhã de onde eram naturais.
Dedicaram-se ao estudo e determinação das coordenadas geográficas, sobre tudo das longitudes, modificando os astrolábios da época, e tornando possível as viagens marítimas de longo curso com cálculos de maior exactidão
 
1535 – Publicado em Sevilha a 1ª edição do livro “ Tratado del Sphera Y del Arte de Marear “ pelo cosmógrafo Francisco Faleiro.
 
1538 – 26 de junho
 
Teve começo o 1º cerco de Diu e em que se distinguiu pela sua coragem e valentia, o intrépido Covilhanense Fernão Penteado.
 
1543 – 8 de Abril
 
Data em que Frei Heitor Pinto professou no Instituto de S. Jerónimo no Convento de Stª. Maria de Belém.
Considerado um dos mais notáveis escritores clássicos portugueses do Século XVI.
 
1618 – Ano em que nasceu na Covilhã, Simão Pinheiro Morão.
Exerceu clínica na Covilhã, Alenquer e Almada.
 
1710 – El-rei D. João V ordena que na vila da Covilhã se fabriquem todas as fardas para o seu exército.
 
1761 – Neste ano ordena D. José I a construção do grandioso edifício da Real Fábrica de panos ( onde actualmente se encontra instalada a Universidade da Beira Interior ).
 
1801 – 3 de Março
 
Nesta data nasceu na Covilhã o Dr. Gaspar Pereira da Silva, que foi jurisconsulto e política
 
1806 – 1 de Janeiro
 
Data em que nasceu na Covilhã Manuel de Morais da Silva Ramos, conhecido por o “ Morais do Convento “ por ter adquirido o Convento de Santo António.
 
1808 – 20 de Agosto
 
Nasceu na Covilhã José Maria da Silva Campos Melo, a quem foi dado em 1870 o título de Visconde da Coriscada.
Foi Industrial de grande valor, Presidente da Câmara Municipal, escrivão da Misericórdia, etc.
 
1824 – 5 de Janeiro
 
Nasceu na Covilhã Francisco Joaquim da Silva Campos Melo, a quem foi dado em 1870 o título de Visconde da Coriscada.
Foi industrial de grande valor, presidente da Câmara Municipal e escrivão da Misericórdia, ...
 
1827 – 4 de Março
 
 Nesta data nasceu na Covilhã, Francisco Maria Rodrigues de Oliveira grainha. Foi médico e sacerdote.
 
1832 – 21 de Agosto
 
Nesta data nasceu na Covilhã o padre Manuel Teles Alegrete vulgarmente conhecido por padre Saioto.
 
1840 – 22 de Junho
 
Nasceu na Covilhã José Maria Veiga da Silva Campos Melo, que foi o maior industrial do seu tempo. A ele se deve o desenvolvimento do ensino primário e técnico na Covilhã, assim como da previdência social pele construção médica aos trabalhadores.
 
1860 – 25 de Fevereiro
 
Foi nesta data que pela primeira vez a Covilhã foi ilimitada com seis lampiões de azeite.
 
1863 – 9 de Maio
 
Foi nesta data destruído o pelourinho da Covilhã, que se encontrava situado em frente ao antigo Paço Municipal.
Este monumento que consistia num fuste oitavado composto de duas pedras que assentava sobre plataforma de 4 ou 5 degraus e terminava por roca, constituía o símbolo da autonomia municipal e só por incúria se pode conceber a sua destruição.
 
1864 – 13 de Junho
 
Nesta data nasceu na Covilhã o Dr. António Mendes Alçada de Morais que exerceu a advocacia brilhantemente nesta cidade durante muitos anos.
 
1870 – 20 de Outubro
 
 Foi a vila de Covilhã elevada à categoria de cidade, no reinado de D. Luís I.
 
1874 – 19 de Outubro
 
Nesta data nasceu na Covilhã José Maria de Campos Melo.
Fixou-se na Covilhã, tendo tomado a direcção “ técnica da fábrica velha “.
 
1883 – 26 de Abril
 
Foi nesta data decidido pelo governo a construção do caminho de ferro da Beira - Baixa, passando por Castelo Branco, Fundão e Covilhã.
 
1891 – 6 de Setembro
 
Nesta data foi solenemente inaugurado o troço do caminho de ferro da Beira Baixa compreendido entre as estações de Abrantes e Covilhã
 
1896 – 9 de Outubro
 
Data em que nasceu na Covilhã Ernesto de Campos Melo e Castro. Formado em engenharia químico - industrial pelo I.S.T. de Lisboa em 1921, desenvolveu grande acção pedagógica na sua cidade natal tendo sido director da Escola Industrial e Comercial Campos Melo durante 36 anos.
 
1907 – 14 de Junho
 
Nas primeiras horas da madrugada deste dia deflagrou na Rua António Augusto de Aguiar, junto à Praça do Município, um grande incêndio que ficou tristemente conhecido pelo incêndio “ da mineira “.
 
 
CURIOSIDADES
 
1619 - A Câmara de Lisboa estabelece um acordo com Paulo Domingues, oficial neveiro, para levar para Lisboa 96 arrobas de neve da Serra da Estrela para fornecimento diário entre 1 de Junho e 30 de Setembro
 
1673 - Por ordem do Príncipe Regente, mais tarde D. Pedro II, vieram de Inglaterra cinco mestres para as fábricas de panos
 
1710 - D. João V ordena que na Vila da Covilhã se fabriquem todas as fardas para o exército
 
1750 - É destituída a forca da Covilhã
 
1755 - No dia 1 de Novembro de 1755, o terramoto que arruinou a capital, também se fez sentir na Covilhã.
As muralhas do castelo tal como as suas grandes torres sofreram enormes danos.
 
1840 - Aprovado o estatuto da Associação Fabril da Covilhã
 
1860 - A 25 de Fevereiro de 1860, a Covilhã foi pela primeira vez iluminada com seis lampiões de azeite.
Em Julho de 1866, o número de lampiões aumentou para 50, passando a iluminação a ser feita a petróleo. A 10 de Fevereiro de 1892 a iluminação pública e particular passou a ser a gás, e só em 6 de Janeiro de 1924 foi a cidade pela primeira vez iluminada a electricidade pela Firma Copeiro & Donas, passando para os Serviços Municipalizados a 28 de Fevereiro de 1928.
 
1864 - 1º. Jornal impresso na Covilhã: O "Commercio da Covilhã"
1871 - Pinheiro Chagas é eleito deputado pelo círculo da Covilhã
1873 - Abertura da estrada das Pedras Lavradas entre Covilhã e Coimbra
1874 - Fundado o Banco da Covilhã
1875 - Fundada a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Covilhã ( Torre e Espada )
1882 - Fundada a Biblioteca Heitor Pinto: 1ª. Biblioteca Pública após Lisboa, Porto, Coimbra e Évora
1891 - Decretada a autonomia do Concelho da Covilhã em 14 de Março por D. Carlos I
1891 - Inauguração do troço Abrantes - Covilhã da linha de Caminho de Ferro da Beira Baixa, com a presença do Rei e da Rainha
1924 - Criada a Banda da Covilhã
1926 - Orfeão da Covilhã dá o 1º. concerto
1940 - Fim das barreiras (portagens) na Covilhã
1953 - Constituído o Núcleo da Covilhã do Clube de Montanhismo
1958 - Criado o Conservatório Regional de Música
1958 - Inaugurado o actual edifício da Câmara Municipal da Covilhã
1970 - 1º Centenário da cidade. Deu-se início ao concurso de Piano "Cidade da Covilhã"
1973 - Foi criado o Instituto Politécnico da Covilhã
1978 - Foi instaurado o Feriado Municipal - 20 de Outubro
1986 - Foi instituída a UBI - Universidade da Beira Interior
1988 - Tiveram lugar na Covilhã as comemorações do dia "10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das comunidades", com a presença do Presidente da República, Mário Soares.
 

Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos

ESTÂNCIA DE ESQUI

A “Estância de Esqui da Serra da Estrela”, está localizada próximo da Torre, a cerca de 1900 m de altitude, sendo a única em Portugal.

Há duas épocas conheceu algumas alterações com a entrada para os Quadros da Turistrela de um novo Directos da Estância, que após muitos anos de experiência na reconhecida estância de Meribel – França – veio trazer uma melhor organização, segurança e manutenção das pistas.
Pretende-se que, juntamente com o plano de investimentos previsto, a “Estância de Esqui da Serra da Estrela”, se torne de ano para ano uma opção cada vez mais válida para a prática de desportos de Inverno e um espaço de animação de referência no nosso país.
 
Esta estância tem 2 pistas verdes (Lagoa e Covão) de pouca dificuldade, ideais para o primeiro contacto com a neve (integração das botas e esquis no sistema corporal). Continuando a sua aprendizagem, poderá continuar a evoluir experimentando as pistas azuis (Vale e Piornos) de dificuldade média, Perca (ganhe!) algum tempo até dominar as várias tecnologias do esqui. Por último poderá experimentar as pistas vermelhas (Cântaros, Espinhaço. Loriga e Torre) para sentir alguma adrenalina e ganhar um melhor conhecimento de si próprio. Pode ainda optar por alugar trenós nas zonas de trenós disponíveis.
 
Dimensão: As pistas de esqui, têm uma dimensão de 5,5 Km esquiáveis, bem no coração da Serra da Estrela.
 
Cota máx: 1972m
Cota min: 1874m
 
Utilização: Nestas pistas é possível praticar-se esqui, snow-board.
 
 
Na Serra da Estrela, a 1200 metros de altitude ergue-se da sua plataforma natural, a estalagem Varanda dos Carqueijais. Considerada o melhor miradouro sobre toda a Cova da Beira, dista apenas 10 Km da Torre, o ponto mais alto de Portugal Continental, com as suas postas de esqui e muitas outras atracções, e 6 Km da Covilhã, Aérodromo, e estação de Caminhos de Ferro. Ponto de partida para muitas aventuras e os mais variados roteiros, é igualmente o ponto de chegada mais agradável para todos aqueles que nos visitam, em lazer ou em negócios.
 
 
POUSADA DA SERRA DA ESTRELA
 

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A Pousada que faltava, abriu de verdade. Dia 1 de abril, inaugurou a Pousada da Serra da Estrela, repleta de experiências únicas para os mais pequenos e graúdos também. Deixe-se contagiar pelos ares da serra e, parta à descoberta dos mais de mil encantos que ela contempla.

A nova Pousada conta com 92 quartos e suites, salas equipadas para reuniões e eventos, Spa e piscinas. O investimento global neste projeto, que esteve cerca de três anos em obras, ascendeu a 15 milhões de euros.

Este hotel na Serra da Estrela, encontra-se num edifício construído no início do séc. XX, com uma arquitetura da responsabilidade de Eduardo Souto Moura, integrando o novo conceito de Unidades, de maior dimensão, já que contará com cerca de 92 quartos. 

Aqui, o frio torna-se num elemento de beleza paisagística das terras altas, fazendo deste hotel na Serra da Estrela, um lugar singular para apreciar as vistas e as atividades da época glaciar, bem como, desfrutar de um SPA, Piscina interior e exterior e ainda, degustar de uma oferta gastronómica regional de excelência.

Poderá também conhecer algumas das aldeias mais históricas de Portugal, monumentos, castelos e museus presentes nas proximidades da Pousada e, pelo meio deslumbrar-se com as panorâmicas de outro mundo sem sair do seu país. O refúgio perfeito para uma fuga à rotina, ou umas férias plenas de sossego e rodeadas pelo ambiente natural de montanha.

Fora da época fria, o interesse por esta zona não arrefece. As encostas brancas cobertas de neve dão lugar às paisagens claras e verdejantes de verão. Criando todo um novo lugar para redescobrir.

 

 
ESTALAGEM VARANDA DOS CARQUEIJAIS
 
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Esta estância de 4 estrelas, com 50 quartos, completamente equipados, está situada numa localização privilegiada, no topo da Serra da Estrela. Oferece estacionamento gratuito e vistas panorâmicas sobre a Cova da Beira.

A Estalagem Varanda dos Carqueijais está situada no interior da Reserva Natural da Serra da Estrela e apresenta um estilo arquitectónico único, com decoração moderna por todo o edifício.

Os quartos incluem banheira de hidromassagem, e alguns dispõem de varandas.

O restaurante do resort, Cova da Beira, tem capacidade para 150 pessoas. O bar e lounge estão equipados com Wi-Fi, e têm capacidade para 70 pessoas.

A Estalagem Varanda fica a apenas 10 minutos da estância de esqui Vodafone. Também fica a 5 km da cidade de Covilhã.


 
HOTEL SERRA DA ESTRELA
 
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O Hotel Serra da Estrela ergue-se numa pequena e típica povoação serrana, denominada Penhas da Saúde, a uma altitude de 1.500 metros. É considerado, quer quanto à arquitectura quer quanto aos materiais e técnicas utilizadas na sua construção, como o mais representativo hotel de montanha do nosso pais. Dista 10 Km da Covilhã, Aeródromo e estação de Caminhos de Ferro e 10 Km da Estância de Esqui.
Constitui-se num espaço privilegiado para o repouso e contemplação, retemperador de forças e terapia para o stress de uma agitada vida urbana.
 
Hotel Serra da Estrela Apartado 332 6200 Covilhã Telefone: 275 - 310300 Fax: 275 - 310309
 
 

Informação do Hotel

O Hotel Serra da Estrela já foi considerado com marco de excelência em turismo na neve em Portugal e é conhecido como o típico hotel de montanha do país. Agora foi completamente remodelado e irá tornar-se no destino privilegiado para aqueles que desejam ficar hospedados na Serra da Estrela, seja por motivos de lazer ou de negócios. Desfrute a sua estadia!


Situado no maior destino do país em resort de montanha, integrado na Reserva Natural da Serra da Estrela, longe do stress, numa atmosfera familiar, os Hotéis da Serra da Estrela são os locais ideais para conseguir trabalhar em qualidade e tranquilidade e o ponto de partida ideal para todo o tipo de actividades turísticas e de lazer. Para auxiliá-lo a planear, aconselhar, suportar e organizar os seus eventos de grupo, Turistrela dispõe de uma equipa de funcionários especialistas em negócios, treinados para preencher todos os seus requisitos, proporcionando-lhe um apoio contínuo e total durante todo o evento.


Com um leque diversificado de serviços, tanto relacionado com os hotéis resort como também em relação a serviços de apoio e actividades exteriores, Turistrela é capaz de proporcionar-lhe soluções feitas à medida para workshops e eventos de grupo ou para conferências de empresa, envolvendo um amplo número de participantes.

 

Informação da Acomodação:

O hotel de 4 estrelas, dispõe de 79 quartos, incluindo 3 suites e 8 quartos triplos. Os quartos foram recentemente renovados e oferecem uma decoração harmoniosa e mobílias com um design confortável.

 

Comida e bebida:

O restaurante Nave da Areia pode acomodar até 150 pessoas. O bar e discoteca têm capacidade para 100 pessoas. O bar e saguão podem acomodar até 100 pessoas.

 

 

Informação dos arredores:

A aldeia da montanha fica mesmo no coração da Serra da Estrela, harmoniosamente aninhada dentro do cenário urbano de Penhas da Saúde, a uma altitude de 1500 metros.

Consiste no Hotel Serra da Estrela e nos Chalés da Montanha, a 10 minutos da estância de ski Vodafone.

Um pouco abaixo da aldeia da montanha, com vista sobre Cova da Beira, fica a típica Estalagem Varanda dos Carqueijais.

Descubra este grupo de resorts hoteleiros que foram construídos com os níveis de excelência que equivalem à montanha mais alta de Portugal.

A Estância de ski Vodafone está situado na Torre, no município de Seia, mesmo no centro da reserva natural e a uma altitude de 2000 metros.
Coberta por um manto de neve entre Dezembro e Abril, graças ao processo inovador de produção de neve artificial, a estância de ski alberga infraestruturas para praticar desportos de Inverno e providencia comodidades sofisticadas como elevadores mecânicos de última geração e um sistema de passe de identificação moderno para os elevadores. A Estância de ski Vodafone é o destino privilegiado em Portugal para os amantes de desportos de Inverno, entretenimento e emoções fortes.

As actividades incluem mushing (trenós puxados por cães), andar de trenó e em motas de neve. Poderá alugar uma variedade de equipamentos, como esquis alpinos e snowboards.

Geral:

Parque de estacionamento, Restaurante, Bar, Recepção 24 horas, Jornal, Jardim, Quartos/Comodidades para pessoas com mobilidade condicionada, Quartos Familiares, Parque de estacionamento gratuito, Elevador, Cofre, Quartos insonorizados, Aquecimento, Sala para Bagagem, Depósito para equipamento de Esqui, Todos os espaços públicos e privados são não-fumadores

Actividades:

Pesca, Esquiar, Sala de jogos, Parque infantil, Bilhar, Dardos, Canoagem, Caminhadas, Andar de bicicleta, Equitação, Escola de Esqui

Serviços:

Serviço de quartos, Comodidades para Reuniões/Banquetes, Baby-sitting/ Serviço para crianças, Lavandaria, Lavagem a seco, Pequeno-almoço no quarto, Serviço de engomadoria, Suite nupcial, Serviço de Internet, Serviços de câmbios, Aluguer de bicicleta, Refeições pré-embaladas, Aluguer de carro, Fax/fotocopiadora, Wi-Fi / Wireless LAN

Internet:

Internet Wireless disponível por todo o hotel: poderão aplicar-se custos adicionais.

Estacionamento:
Estacionamento gratuito público; disponível no local.
 
 
 
CHALES DE MONTANHA  - SERRA DA ESTRELA
 

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O Chalés de Montanha está localizado num resort de montanha na região da Covilhã, no centro da Serra da Estrela. Disponibiliza vistas panorâmicas sobre as montanhas, bem como um spa com uma banheira de hidromassagem e serviço de massagens.

Os chalés possuem 2 varandas com vistas para as montanhas, 3 quartos, 2 casas de banho, um lounge espaçoso e uma kitchenette totalmente equipada.

As opções de relaxamento no Spa Dharma incluem uma piscina interior e uma gama de terapias de massagens e aromaterapia.

O restaurante serve cozinha tradicional portuguesa preparada com ingredientes frescos e sazonais.

O Chalés de Montanha - Serra da Estrela fica apenas a 10 minutos de carro da Estância de Esqui Vodafone, onde os hóspedes podem desfrutar de uma variedade de desportos de Inverno, tais como esqui, snow-board e trenó.

 

Pousada da Juventude das Penhas da Saúde

 

Apresentação

A Pousada da Juventude da Serra da Estrela, encontra-se no cimo da montanha, a 1520 metros de altitude, inserida na área cénica do Parque Natural da Serra da Estrela, a apenas a 10 km da estância de ski mais próxima. A Pousada dispõe de acomodações em dormitórios específicos de acordo com o género, bem como em quartos twin privativos. Os dormitórios têm acesso a uma casa de banho partilhada, enquanto os quartos twin possuem uma casa de banho privativa.

Está disponível acesso Wi-Fi gratuito. Os hóspedes poderão preparar as suas próprias refeições na cozinha comum e comprar snacks e bebidas nas máquinas de venda automática disponíveis no local, bem como visitar os inúmeros restaurantes, situados a menos de 10 km. Muitos dos restaurantes propõem pratos tradicionais portugueses. 

Os hóspedes poderão fazer caminhadas ou andar de bicicleta, para explorar a área. O Parque Natural apresenta uma vasta vida animal e vegetal, vários pontos de piquenique e trilhos para caminhadas.

Outras Informações

Alojamento

Nº de Quartos 38

Caracteristicas e Serviços

Quartos duplos c/ WC, Quarto duplo c/ WC, adaptado a pessoas de mobilidade condicionada, Quartos duplos rústicos c/ WC, Quarto múltiplo c/ 8 camas, Quarto múltiplo c/ 12 camas, Berço.

Atividades Disponíveis

O Inverno é a melhor altura para nos vires fazer uma visita pois está perfeito para a prática de desportos de Inverno como o Esqui, o Snowboard ou o Snowpaint – uma espécie de Paintball. As caminhadas também são uma excelente opção para quem gosta de aventuras, já que nesta zona de serra existem mais de 300 Km de trilhos sinalizados, alguns dos quais começam muito perto da pousada.

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Actividades Outdoor
 
A Serra da Estrela, ponto mais alto do país, constitui-se num dos últimos destinos turísticos, onde a Natureza, preservada contra todas as tendências devastadoras da sociedade contemporânea, se revela passo a passo, em recantos de espectacular beleza. A conjugação deste lindíssimo património natural com a cultura do povo serrano, cioso dos seus valores, garantem ao visitante o acesso a um modo de vida e de estar que o transportam para o que mais simples e verdadeiro a vida lhe proporciona.
 
É neste contexto que vimos oferecer-lhe a possibilidade de desfrutar a Serra e a Natureza, na sua plenitude, através da utilização de uma verdadeira casa serrana, no aldeamento Chalés de Montanha, abrindo-lhe as portas para uma ocupação ecológica e terapêutica dos seus tempos livres.
 
Construído no Parque Natural, em plena Serra da Estrela, este complexo de lazer único no país, oferece uma gama de equipamentos e diversões capaz de satisfazer o mais exigente utilizador de actividades ao ar livre, de aventura ou actividades radicais.
 
O Skiparque dispôe de um pista de esqui de 400 metros, com um débito de 600 esquiadores/hora, bem como de um half-pipe para a prática de Snowboard.

 

SERRA DA ESTRELA

Serra da Estrela - um passeio em direcção ao céu

 
 
 
Para quem gosta de montanhas, a Serra da Estrela é o local ideal para um passeio de fim de semana. Aqui encontra algumas das mais bonitas e preservadas aldeias históricas do país, gastronomia regional e, se for tempo disso, ainda pode aproveitar para se divertir na neve.
 
A zona da Serra da Estrela conserva alguns dos mais originais recantos do país e preserva um conjunto de aldeias históricas à espera da sua visita.
 
Símbolo: Cristal de gelo

Localização: Região Centro
Distrito de Castelo Branco: Concelho da Covilhã
Distrito da Guarda: Concelho de Celorico da Beira; Gouveia; Guarda
 
Altitude : máxima: 1993 m mínima: 300 m

Clima: Influência mediterrânica e atlântica
 
Relevo:
O maciço montanhoso da Serra da Estrela apresenta-se como um alto planalto inclinado para Nordeste, profundamente recortado pelos vales dos rios e ribeiros que nele têm origem. Sendo essencialmente granítico - se bem que nele ocorram largas manchas de xisto - o aspecto mais marcante da paisagem do planalto superior é a presença dos afloramentos rochosos, sejam as vigorosas fragas, rochedos e penhascos, sejam os caos de blocos, sejam os depósitos de vertente ou cascalheiras. Em toda a sua área são inúmeros os vestígios da acção glaciar, designadamente os vales em U do Zêzere e de Unhais, sucedendo-se blocos erráticos, as moreias, os covões e os lagos e lagoas naturais.
 
 
 
 
FAUNA
 
A paisagem multifacetada, onde os solos são mais férteis e há água em abundância, permite que, num espaço relativamente pequeno, a fauna disponha simultaneamente de boas zonas de alimentação (explorações agrícolas), bebedouros (tanques e riachos) e áreas de abrigo e reprodução (bosquetes, manchas de matagal e silvados). A esta grande diversidade de unidades ecológicas vai corresponder uma igual variedade de espécies animais que, "saltando" rapidamente de um meio para outro, reforçam a sua interdependência.
 
As searas de centeio, implantadas nos terrenos mais planos e de solos pobres constituem um biótopo homogéneo e estruturalmente simples que suporta um número de espécies reduzido.
 
Relativamente à fauna, apresenta mamíferos como o lobo, javali, lontra, gineta, raposa, fuinha, texugo e gato-bravo, destacando-se entre os pequenos mamíferos a toupeira-de-água.
 
Cão da Serra da Estrela
 
Resultado de uma tradição artesanal de preservação genética, é considerada uma das raças caninas mais genuínas e antigas da Península Ibérica, é dócil, corajoso e um amigo fiel. Na época de invernia em que os rebanhos, na busca de alimento, eram obrigados à prática da transumância para locais a grande distância, o cão da Serra da Estrela era o guardião atento na defesa contra as feras e assaltantes.
 
Esta raça apresenta-se ora de pêlo curto, ora comprido, com grande estatura e um peso que oscila entre os 40 e 50 Kg. A cabeça é forte e volumosa e as orelhas pequenas e pendentes. A boca é grande com dentes fortes, o peito é arqueado e o abdómen bem proporcionado à sua corpulência e a cauda é comprida, grossa, formando gancho na ponta. Forte e destemido, é um cão de guarda por excelência.
 
Ovelha, Cabra e Vaca
 
Por volta de Abril, quando as neves começavam a derreter, os rebanhos iniciavam a subida para a Estrela. Vinham do sopé da Serra, das terras baixas do Norte (Fornos de Algodres, Sátão, Nelas, Gouveia, Arganil, Oliveira do Hospital), da Cova da Beira, do Alentejo e mesmo de zonas fronteiriças espanholas. Com os primeiros ventos frios de Outono os rebanhos desciam até ao Baixo Alentejo (campos de Ourique), campos do Mondego, junto a Coimbra e para as campinas de Idanha.
           
Actualmente o efectivo ovino da Estrela já desceu para menos de metade do que era em meados do século. A transumância faz-se em camiões, mas alguns proprietários de São João do Campo e Oliveira do Hospital ainda seguem para o Baixo Mondego, Covilhã ou Nelas. No Verão ainda se sobe ao Montemuro e ao Baixo Douro. A importância da lã como matéria prima esbateu-se. Esteve na origem de importante indústria de lanifícios - manufactura de panos - cujo centro era a Real Fábrica de Panos na Covilhã. O leite de ovelha foi sempre o produto base para o fabrico artesanal do queijo da Serra, parte importante do qual é actualmente produzido em moldes industriais.
 
Javali
 
Apresentando formas e proporções corporais inconfundíveis, o javali é a espécie de caça maior com a mais ampla representação em Portugal. Podendo atingir 1,70 m de comprimento e 140 Kg de peso, o javali ostenta uma silhueta compacta e poderosa, com membros relativamente curtos e fortes, ausência aparente de pescoço e uma grande cabeça afunilada, que lhe confere um aspecto sólido e resistente, bem complementado por uma pelagem bastante farta e rude, constituída por pêlos mais ou menos compridos (cerdas).
 
Nesta espécie, o dimorfismo sexual manifesta-se não só no tamanho e no peso (o macho é maior e mais pesado que a fêmea), mas também por diferenças na própria estrutura óssea, de que ressaltam no macho, entre outros aspectos, a cabeça mais larga e menos afunilada e a existência de caninos ou presas extremamente desenvolvidas que servem principalmente como arma. Estes dentes-navalha (caninos inferiores) e amoladeiras (caninos superiores) constituem o trofeu da caça.
 
Tal como o porco doméstico, também o javali é um animal omnívoro. Assim os elementos constituintes da sua dieta são frutos, raízes, bolbos, tubérculos, partes de pequenas plantas, larvas de insectos, pequenos vertebrados (ratos, láparos e lebrachos), ovos e mesmo cadáveres de outros animais. No entanto é de realçar uma preferência nítida por bolotas, castanhas e cereais, o que leva à incompatibilidade com explorações agrícolas, dado o risco de prejuízos de monta para os agricultores.
 
Aves
 
* Melro-de-água
* Perdizes
* Faisões
 
Peixes
 
* Truta arco-íris - As características da água acima dos 1500 metros, nomeadamente as temperaturas baixas e a elevada quantidade de oxigénio dissolvido, são propícias à truta arco-íris. Esta é semelhante à truta do rio, distinguindo-se da mesma principalmente pela coloração e pelas escamas mais pequenas.
* Escalo do Norte (bordalo) - Possui um corpo alongado de cabeça grande com boca relativamente pequena.
 
Répteis
 
* Lagarto-de-água - Encontra-se por todo o Planalto Central mas é mais abundante nas zonas de menor altitude.
* Lagartixa-da-montanha (Lacerta monticola) - Apenas existe no Planalto Central da Serra da Estrela e corresponde a uma população única no mundo, sendo mais abundante nas zonas de maior altitude.
* Cobra austríaca (Coronella austríaca) - Apesar de se tratar de uma cobra rara em Portugal, pode ser encontrada na Serra da Estrela geralmente acima dos 1900 metros de altitude.
 
Anfíbios
 
* Salamandra - Detectável essencialmente à noite quando vai depositar as suas larvas em ribeiros.
* Rã Verde (Rana perezi) - Espécie típica das lagoas, dos charcos e dos ribeiros de correntes fracas.
* Rã Castanha (Rana ibérica) - É um endemismo do Noroeste da Península Ibérica típico dos ribeiros de águas límpidas e correntes fortes.
* Rela - Espécie típica das pequenas lagoas e charcos. Durante a época da reprodução, ao fim do dia e durante a noite, os machos cantam para atrair as fêmeas, formando-se grandes coros (fim da Primavera).
* Sapo - Detecta-se principalmente em terra, debaixo de pedras, deslocando-se à água apenas da reprodução, para aí depositar os seus ovos.
Nas zonas de maior altitude há uma maior abundância do sapo corredor, nas de menor altitude encontra-se mais o sapo comum.
* Tritão-de-ventre-laranja (Triturus boscal) e Tritão-marmorado (Triturus marmoratus) - Encontram-se essencialmente à noite em charcos onde se reproduzem e alimentam.
 
FLORA
 
A elevada altitude faz com que seja um dos locais de maior precipitação do país e condiciona um zonamento bem marcado da vegetação: um andar basal, até aos 900 metros, de influência mediterrânica, caracterizado por um aproveitamento cultural intenso; um andar intermédio, entre os 900 e os 1600 metros de altitude, domínio climático do carvalho negral, de existência residual, encontrando-se manchas de soutos e castinçais, giestais de giestas-brancas, urgueirais de urgueira, piornais de piorno-dos-tintureiros e sargaçais de sargaço, para além das matas artificiais de pinheiro bravo, pseudotsuga, abeto, cedro, larix, acer e cupressus, encontrando-se ainda campos de centeio; finalmente um andar superior, domínio dos zimbrais de zimbro, cervunais de cervum e arrelvados, salientando-se as comunidades rupícolas com grande representação das plantas endémicas e dos orófitos apenas representadas em Portugal na Serra da Estrela, e finalmente as comunidades lacustres das lagoas e charcas da parte superior, onde surgem igualmente algumas raridades.
 
No caso da Estrela, as características do relevo bastante dissecto, os pendores muito acentuados e os enormes contrastes da expressão climática ora mediterrânica ora atlântica, retalham as paisagens em fractais e moldam, segundo os andares e exposições, fortes contrastes no manto vegetal.
 
A continuada acção humana por seu lado ainda potenciou mais o mosaico ambiental formado de tesselas extremamente miúdas.
 
A fragmentação natural e antropogénica das unidades populacionais que incrementa a pressão selectiva, pode de certa maneira explicar a peculiaridade e o interesse florístico da Flora Hermínica que, por especiação biológica, tende a individualizar-se no confronto com floras vizinhas quer do lado da fachada atlântica quer das regiões mais marcadamente continentais e alpinas, do centro da península. 
 
Pinheiro-bravo

O pinhal adquire maior extensão e representatividade na zona serrana, embora se encontre um pouco por todo o território, a maior parte das vezes sob a forma de bosquetes de reduzida dimensão.

 
Carvalho negral (Quercus pyrenaica)
Encontra-se no andar intermédio de vegetação da Serra da estrela desde os 600-800 até aos 1600 metros.
 
Azinheira
Esta quercínea forma um verdadeiro montado, de densidade variável, que se prolonga para Espanha.
 
Antinoria Agrostidea
É um endemismo ibérico e pode ser encontrada por exemplo na Lagoa da Paixão.
 
Cervum seco (Galio-Nardetum)
Podem ser vistos na Nave de Santo António, no Covão do Boi, no Vale do Conde e no Vale de Loriga, assumindo sempre um aspecto verdejante.
 
Cervum húmido (Junco-Sphagnetum compacti)
Encontram-se junto de lagoas como a Comprida.
 
Arrelvados
A degradação dos cervunais devido ao sobrepastoreio favorece a acção da erosão pela água escorrente determinando a abertura de clareiras com uma camada fina de saibro granítico.
 
Zimbro rasteiro (Juniperus communis)
É a planta de maior expansão aqui, devido à facilidade de propagação das suas bagas. Encontra-se no andar superior de vegetação da Serra da Estrela acima dos 1600 metros. Trata-se de um arbusto amoitado, resistente aos fortes ventos, às temperaturas muito baixas, ao gelo e à neve.
 
Teixo (Taxus baccata)
De referir que esta planta deu origem ao nome da Freguesia do Teixoso.
 
Urze (Erica)
Nas encostas serranas dominam as urzes: urze vermelha (Erica australis), urze das vassouras (Erica scoparia), torga (Erica umbellata) e urze branca (Erica arborea).
 
Giesta (Cytisus)
O meio arbustivo tem como denominador comum as giestas, sobretudo a giesteira branca (Cystisus multiflores) e a giesta negral (Cystisus striatus). No entanto é possível detectar diferenças significativas na composição e estrutura destas formações. Para além da densidade, altura e presença ou ausência de afloramentos rochosos no seu seio, é possível identificar determinados padrões que se prendem com a presença ou ausência de espécies. Assim as cistáceas predominam nas áreas mais baixas, xistosas ou sedimentares, enquanto as giestas são mais expressivas em granito.
 
Narcisos (Narcissus bulbocodium)
Com flores brancas, amarelas ou bicolores e fragâncias diversas, os narcisos são utilizados desde há longos anos, como ornamentos. Em Portugal Continental ocorrem quase duas dezenas de espécies de narcissus, ficando situadas as que têm maior procura comercial, na zona da Serra da Estrela: a Narcissus Rupicola (estrelinha), Narcissus asturiensis, Narcissus triandus e a Narcissus bulbocodium (campainhas).
Entre 1986 e 1991, a Holanda importou cerca de 3,5 milhões de bolbos de narcisos provenientes de Portugal. Directamente colhidos na natureza, ainda que ocorram em todo o País, é na Serra da Estrala que estas colheitas se verificam com mais incidência.
 
Fava-de-água (menyanthes trifoliata)
Pode ser encontrada na vegetação flutuante ou marginal das lagoas.
 
Caldoneira (Echinospartum lusitanicum)
Costuma revestir a base e as fissuras dos rochedos ou monólitos.
 
Carqueja (Genista Tridentata)
 
Planta carnívora (Drosera Rotundifolia)
 
Tramazeira (Sorbus aucuparia)
 
 
Turismo e Lazer
 
A Serra da Estrela, ponto mais alto de Portugal Continental, constitui-se num dos últimos destinos turísticos, onde a Natureza, preservada contra todas as tendências devastadoras da sociedade contemporânea, se revela passo a passo, em recantos de espectacular beleza.
 
A neve com que se cobre durante parte do ano, permite a realização de actividades únicas em Portugal, tais como Caminhadas na Neve, Escalada em Gelo, Percursos de Mushing, etc.
 
Mas a Serra da Estrela não é só neve e desportos de Inverno. Actividades como Passeios Pedestres, de BTT e de Jipe, Paintball, Canoagem, Slide, Rappel, Escalada, Orientação, Caça ao Tesouro e muitas outras, encontram na Serra um local privilegiado durante todo o ano.
  
 
 
 
ACTIVIDADES SÓCIO-ECONÓMICAS
 
 Actividades Tradicionais:
 
São ainda o pastoreio, a agricultura e a indústria de lanifícios, as actividades tradicionais, que ocupam grande parte da população activa, residente na área do Parque Natural da Serra da Estrela.
           
Produtos regionais:  
 
Para além do mel, do pão de centeio, das mantas de lã, dos enchidos, o Queijo Serra da Estrela é sem dúvida o produto mais famoso, com peso na economia da região.
 

GASTRONOMIA NA REGIÃO DA SERRA DA ESTRELA

Queijo da Serra da Estrela (Denominação de Origem Protegida)

 

Este queijo é o nosso cartão de visita. Já ultrapassou fronteiras. É um queijo com história.
A área geográfica de produção contempla os concelhos de Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia, Manteigas, Oliveira do Hospital, Seia e algumas freguesias dos concelhos da Covilhã, Guarda e Trancoso.
Trata-se de um queijo produzido exclusivamente com leite de ovelha da raça Bordaleira, coalhado pela flor do cardo Cinara cardunculus L., planta espontânea característica da nossa Região que tem como finalidade coalhar a massa que dará origem ao Queijo da Serra.
 
 
Queijo de Castelo Branco (Denominação de Origem protegida)
 
É um queijo curado, de pasta semifina ou semimole, ligeiramente amarelado, com alguns olhos pequenos e obtido por esgotamento lento da coalha, após coagulação do leite cru de ovelha por acção de uma infusão de cardo.
A área geográfica de produção abrange algumas freguesias do concelho do Fundão.
 
 
Queijo Amarelo da Beira Baixa (Denominação de Origem Protegida)
 
É um queijo curado, de pasta semifina ou semimole, ligeiramente amarelado, com alguns olhos irregulares e obtido por esgotamento lento da coalha, após coagulação do leite cru de ovelha por acção do coalho animal.
 
 
Queijo Picante da Beira Baixa (Denominação de Origem Protegida)
 
É um queijo curado, de pasta dura ou semidura, branco sujo a acinzentado, sem olhos ou com pequenos olhos irregulares e obtido por esgotamento lento da coalhada, após coagulação do leite cru de ovelha ou de cabra, estreme ou de mistura, por acção do coalho animal.
 
 
Borrego Serra da Estrela (Denominação de Origem Protegida)
 
A carne deste Borrego é particularmente macia e saborosa, de paladar muito suave, com gordura intersticial e subcutânea bem distribuída. Também é designada por "borrego de canastra".
A raça Bordaleira da Serra da Estrela tem sido, desde tempos imemoriais, seleccionada para a produção de leite, o qual se utiliza na produção do famoso Queijo da Serra da Estrela. Os borregos surgem como um sub- produto desta actividade principal.
A vocação desta raça é a produção leiteira.
 
 
Borrego da Beira (Indicação Geográfica Protegida)
 
O Borrego é pequeno, de carne muito tenra e saborosa devido ao seu maneio em pastoreio extensivo na zona da Beira Interior. A carne é rosa com sabor e cheiro característico a leite. Devido às suas particularidades também é conhecido por "borrego de canastra" ou "borrego de leite" (o leite constitui o seu único alimento). É produzido nos concelhos de Pinhel, Almeida, Belmonte, Fundão, Penamacor algumas freguesias dos concelhos de Trancoso, Guarda e Covilhã.
 
 
Cabrito da Beira (Indicação Geográfica Protegida)
 
Carne de cor rosa-pálida, decorrente da sua alimentação quase exclusiva de leite materno. A carne é muito tenra, clara e de gosto suave aleitado.
Estes animais resultam de um sistema de exploração da raça caprina baseada no pastoreio extensivo, onde é vulgar encontrar um pastor acompanhado de 2 a 4 cães, guardando rebanhos, e na produção de leite para fabrico do queijo.
 
 
Azeites da Beira Interior (Denominação de Origem Protegida)
 
"O azeite da Beira Baixa tem uma coloração amarela clara levemente esverdeada, com aroma "sui generis" e um sabor a fruto ".
A área geográfica limita-se aos concelhos da Covilhã, Belmonte, Fundão, Penamacor.
" O azeite da Beira Alta tem coloração amarela levemente esverdeada com aroma "sui generis" e um sabor a fruto".
 
VINHOS
 
Na Região de Turismo da Serra da Estrela inserem-se duas importantes Regiões Demarcadas: Região Demarcada dos Vinhos Dão com duas sub-regiões – Serra da Estrela e Alva- e a Região Beira Interior com duas sub-regiões da Cova da Beira e de Pinhel.
 
 
 
Cereja da Cova da Beira (Indicação Geográfica Protegida)
 
 
A cereja produzida na região do Fundão, berço da Cova da Beira, sempre foi conhecida pela sua qualidade.
 
 
Maçã da Cova da Beira ( Indicação Geográfica Protegida)
 
As variedades existentes em maior quantidade são a Golden delicious, Red delicious e Jersey Mac. As características destas variedades distinguem-se das suas similares, produzidas noutras regiões, pelo sabor característico resultante das condições edafo-climáticas desta Região.
 
 
Pêssego da Cova da Beira
 
 A Cova da Beira é uma depressão geográfica, onde corre o rio Zêzere, entalada entre as Serras da Estrela e da Gardunha, em zona protegida dos ventos atlânticos, com condições climáticas únicas o que lhe confere características próprias.
 
 
Outros Produtos de Qualidade
 
Enchidos
 
A partir de meados de Novembro e até Janeiro ocorre a tradicional MATANÇA DO PORCO. Nesse dia, as famílias reúnem-se, logo pela manhã. É-lhes oferecido um bom pequeno almoço, constituído por presunto, chouriço, salpicão, chouriça de carnes e de bofes (miúdos do porco- coração, rins e pulmões). Estes produtos pertencem à matança do ano anterior.
Seguidamente, procede-se à matança do porco- coloca-se o animal em cima de um banco de madeira, à medida do animal, na ponta do banco existe uma racha para prender a cabeça do porco.
Mas as primeiras tarefas estão ligadas aos enchidos: fazem-se as farinheiras, as chouriças, as morcelas, o salpicão e o bucho.
 
Presunto
 
Para conservar a carne de porco de modo a poder ser consumida muito depois da matança, recorreu-se desde sempre à salga e ao fumeiro.
O apetitoso presunto não é mais do que a perna de porco que, depois de salgada ao longo de vários meses, é bem lavada em água corrente para lhe retirar o sal e coberta depois com uma pasta protectora essencialmente à base de colorau e azeite.
Segue-se então o processo de secagem, que poderá ser em fumeiro ou em local frio.
O frio e a humidade desempenham um papel primordial na qualidade do presunto.
 
 
Pão Centeio do Sabugueiro
 
O Pão Centeio do Sabugueiro é único na Região. O seu sabor depende de factores tão básicos como o tipo de farinha, o forno e o processo de fabrico. E foi partindo da aldeia do "Sabugueiro", que, ao longo dos anos entrou no rol dos mais genuínos produtos turísticos;
Aproveitando a farinha de centeio da Região, o "saber-fazer" da família, com técnicas artesanais e aquecimento a lenha em fornos feitos de tijolo, foi garantindo a qualidade de um produto de excelente qualidade, apelidado mesmo de "produto de luxo".
 
 
Broa Serrana
 
O que torna a broa serrana tão particular é o facto de ser a que contém mais elevada percentagem de milho (95% só com 5% de trigo).
 
Requeijão
 
O requeijão resulta do aproveitamento do soro, isto é, o excedente que se escoa do acincho durante a feitura do Queijo da Serra. É em seguida fervido, de onde se obtém uma massa pastosa, a que é dada a sua forma característica, depois de ser comprimida em açafates de fina verga.
É um alimento com alto valor nutritivo, a que a tradição local atribuiu até poderes terapêuticos e de fortalecimento.
 
 
Castanha
 
É nas terras frias que surgem os castanheiros. "Árvore do pão", assim era conhecida; nos tempos de crise, as castanhas tornavam-se num alimento rico (caldudo).
As castanhas, quentes e boas, apetecem nos dias frios da nossa Região. Este fruto gera a criação de diversos pratos (sopa, puré, estufadas, assadas, cozidas).
 
 
Mel Serra da Estrela
 
 O mel Serra da Estrela tem, em regra geral, um aroma forte, persistente (característico da urze), espesso com um paladar adstringente e macio como o mel de rosmaninho. Este obteve durante o corrente ano medalhas (prata e bronze) em Concursos Internacionais de Mel.
 
 
ENTRADAS
 
Xerovias Fritas
 
A Xerovia é uma raiz que se cultiva nesta zona do país, e tem a forma de uma cenoura e a cor do nabo. O seu sabor é uma mistura de ambos os legumes, mas mais acentuado e até adocicado. É um sabor único e extremamente agradável, podendo ser servido como entrada ou como acompanhamento de um prato de peixe.
Dadas as suas características, devem ser cozidas em água e sal e cortadas em fatias finas, no sentido longitudinal, temperando-se com sal e sumo de limão.
Em seguida, passam-se por um polme, feito com ovo e farinha, fritas em azeite ou óleo e servem-se.
 
 
Grelos à Pastor
 
 Os Grelos à Pastor fizeram parte da ementa daqueles que durante anos e anos se dedicaram quase exclusivamente à pastorícia, e que passavam muitos dias fora de casa. Então impunha-se que levassem com eles produtos de fácil transporte e confecção: os enchidos. Assim, juntaram-se os grelos de nabo, batatas, regados com um bom azeite, e estava preparada uma excelente refeição quente (grelos de nabo, chouriço, morcela, farinheiro, ovo, batata, sal e azeite).
 
 
Míscaros
 
 Durante o mês de Outubro é costume ir apanhar castanhas. Ao passarem pelas matas, as pessoas colhem os Míscaros, aproveitando–os para confeccionarem diversos pratos, como por exemplo o Ensopado de Míscaros de Trancoso.
 
 
Torresmos
 
Ainda hoje, em qualquer altura do ano, pode provar este prato.
Corta-se a carne de porco, ou da entremeada ou da pá, em quadrados. Adiciona-se vinho tinto, sal, alho, louro, colorau e piri-piri. Unta-se uma frigideira com azeite ou banha e deitam-se todos os ingredientes deixando fritar.
Os Torresmos servem-se frios.
 
 
ENTRADA DE ENCHIDOS
 
Morcela da Guarda
 
 Morcela de sangue é tradicional da cidade dos 5 "efes" (Guarda), e leva: sangria de porco; tripas grossas (intestino grosso) de porco; pão saloio assente; cominhos; sal; gorduras derretidas e salsa picada. A tripa é fechada e atada com um fio. Depois é submetida a uma leve cozedura.
Para confeccionar a Morcela deve dar-se-lhe uma cozedura e depois tostá-la. Deve ser acompanhada com batatas cozidas e grelos.
A Morcela só se faz durante a época de Inverno.
 
 
Morcela para Todo o Ano
 
São morcelas da zona raiana, a norte da Região. São compostas por sangue de porco; gordura; abóbora; salsa e sal. Depois de prontas, vão para o fumeiro e podem ser apreciadas ao longo de todo o ano.
 
 
Farinheiros
 
Mais um derivado da matança do porco. Confeccionam-se da seguinte forma: Miga-se o pão(assente); na água de cozer os ossos do porco amolece-se o pão; junta-se gordura derretida com colorau; mistura-se tudo. Lavam-se em água quente e de seguida vão para o fumeiro.
 
 
Farinheira com Míscaros
 
Especialidade outonal, este prato, rico e substancial é totalmente confeccionado com produtos da Região: farinheira, míscaros, alho, azeite, bacon, broa de milho, ovos e salsa.
 
 
Farinheira de Gouveia com Ovo
 
Este prato é composto por farinheira, das freguesias de Gouveia, frita e acompanhada com ovo estrelado, batatas fritas e arroz.
 
 
Farinheiros de Todo o Ano
 
 Este é um enchido típico da parte norte da região da raia. Os mesmos ingredientes que o farinheiro, apenas se acrescenta a abóbora e erva de anis
 
 
Migas de Farinheiro
 
No dia em que se faziam os enchidos, era dia de festa, para os criados da casa. Os ingredientes que sobravam dos enchidos que entregavam aos senhores eram todos misturados e faziam assim as Migas.
Este prato é confeccionado numa panela de ferro, contendo: sêmea com 4 dias, azeite, sal, colorau pimentão, ossos da espinha salgados, frango e coelho.
 
 
Prova de Chouriças
 
 Ingredientes das chouriças: pá de porco, alho, sal, vinho branco, pimento doce, água, colorau e limão.
 
 
Chouriças de Bofe
 
São feitas para aproveitar o bofe, coração, o bucho e carnes ensanguentadas da cabeça, espinhela e pescoço do porco.
Migam-se estas carnes, adicionando os condimentos das chouriças (sal; pimentão; água e vinho branco).
 
 
Bucho Recheado
 
O bucho é o estômago do porco que, depois de bem lavado em várias águas com limão, sal e vinagre, é trabalhado e preparado para cozinhar.
Este é típico da zona sul da Região e é recheado com: vinho branco, dentes de alho, salsa, carne de porco (cabeça de lombo), banha, cebolas, manteiga ou margarina, pão ralado, limão, ovos, pimenta em pó, grãos de pimenta, cravinho e sal.
 
 
Bucho
 
As grandes fogueiras vão temperando de sabores beirões os enchidos, como é o caso do bucho da parte norte da Região. Prato especial da época do Carnaval, composto por chispe, orelha, focinho, rabo, ossos tenros da parte do peito temperados com água, sal, alho, pimentão doce e pimentão picante. Serve-se cozido com batatas e grelos.
 
 
Maranhos ou Borlhões
 
Prato típico da zona sul desta Região de Turismo. Antigamente este prato era confeccionado apenas em dias festivos, hoje em dia confecciona-se durante todo o ano.
Miga-se a carne de cabrito, porco, chouriço caseiro e presunto. Depois junta-se o arroz. Tempera-se com sal, azeite, colorau e bastante serpão.
Após estar tudo misturado, introduz-se no saco do bucho, é cozido deixando apenas um pequeno orifício. De seguida, vai ao lume durante, pelo menos, 1 hora.
 
 
Serrabulho à Moda da Beira
 
Tipicamente beirão este prato é composto por: lombo, sangue cozido, fígado, unto (gorduras da barriga) de porco, pão de trigo, sal pimenta, alho, louro, cominhos, colorau e vinho tinto.
 
 
SOPAS
 
Pastel de Molho da Covilhã
 
Nos anos 20, os empregados fabris não tinham tempo para fazer sopa e então substituíram-na por estes pastéis, uma vez que despendiam muito menos tempo a confeccioná-los, aguentando durante várias semanas, o que não sucede com a sopa. O Pastel de Molho era e continua a ser servido com molho de açafrão. Prepara-se da seguinte forma: põe-se água a ferver com sal, vinagre, açafrão e um ramo de salsa; coloca-se o Pastel num prato, deitando a calda por cima, tapa-se com outro prato e aguarda-se um pouco (para "abrir"); o Pastel de Molho "abre", fortalecendo a refeição. O Pastel é composto por uma massa de margarina ou banha de porco, sal, farinha e recheado com carne picada guisada (cebola, louro e sal).
Para além de poder ser servido com molho de açafrão ou chá preto, pode ainda ser comido apenas como Pastel.
Este Pastel seco é feito com massa folhada cortada em tirinhas, que se enrolam em forma de espiral, dobrando uma das pontas do pastel para rechear com carne de vaca refogada.
Para provar este delicioso Pastel terá que se deslocar à cidade da Covilhã, uma vez que só aqui é confeccionado.
 
  
Caldo de Grão à Moda da Guarda
 
Prato forte e apetitoso, o tradicional Caldo de Grão que é comido na noite de S. João.
É composto por grão de bico, carnes (pé de porco, barriga e orelha de porco); louro; cebola; azeite; alho; noz moscada; presunto; molho de soja e massas.
 
 
Sopa da Beira
 
Este prato regional é confeccionado à base de tudo o que o homem destas paragens produzia. Terra de fracos recursos, cercada de montanha, onde tudo tardava em chegar, as gentes destas terras comiam o que produziam. Assim, nada melhor que uma substancial Sopa de feijão e couves com os seguintes ingredientes: batata; feijão vermelho; cenoura; cebola; couve lombarda; azeite e sal.
 
 
Caldo Verde com Bagudos
 
 Sendo o caldo verde uma das sopas mais apreciadas em todo o país, esta é uma variante em que o feijão bagudo (feijão ainda verde) lhe confere um paladar particular.
 
 
Sopa da Beira Baixa
 
 Feita nas aldeias mais escondidas da Beira Baixa, na lareira, numa panela de ferro, em pleno Inverno, enquanto se faziam as brasas para se aquecerem ( repolho; feijão encarnado; azeite; fatias de pão centeio; ovos; batata).
 
PEIXES
 
Trutas à Moda de Manteigas
 
As Trutas à Moda de Manteigas surgiram quando os pastores desta Região apanhavam, nas águas do Rio Zêzere, belíssimas trutas, preparando-as de seguida, enquanto guardavam o seu rebanho.
Para preparar este prato, são necessários os seguintes ingredientes: trutas; leite; manteiga; salsa; farinha; sal e pimenta.
 
 
Trutas Recheadas com Presunto
 
A truta é limpa com sal, aberta ao meio e recheada com uma fatia de presunto da Região. Depois é grelhada, levando um molho de sumo de limão, manteiga e salsa picada.
 
Peixe do Rio
 
Nas margens do rio Alva era hábito as pessoas irem até à ponte das três entradas e, nos caminhos velhos que nos levam até às margens do rio, pescar peixinhos do rio. Assim sendo, nasceu esta tradição na Região. O peixe que se encontra nos seus rios é a truta e o peixinho do rio. Estes são muito saborosos, cozinhados com óleo, vinagre, cebola, alho, louro e colorau.
 
 
Bacalhau à Lagareiro
 
Nos lagares de azeite dos nossos antepassados, onde se moíam as azeitonas para fazer o azeite, fazia-se a prova do mesmo nos moinhos movidos a água dos rios. Para provarem o azeite, assavam as batatas e o bacalhau no borralho do lume (postas de bacalhau demolhado, batatas miúdas a murro, azeite, cebola cortada às meias luas, dentes de alho, azeitonas e ovo cozido). Assim nasceu este famoso prato de bacalhau.
 
 
Bacalhau com Broa
 
Ligando o bacalhau aos produtos da Região, nasceu a tão apreciada combinação do bacalhau com a broa.
Na sua confecção utiliza-se posta de bacalhau demolhado, miolo de broa, cebola grande, dentes de alho, azeite virgem, pimenta e sal.
 
 
Bacalhau à Conde da Guarda
 
Segundo consta, foi alguém que pretendeu dar prestigio à criação desta receita e decidiu apelidá-lo de Conde da Guarda, pois criava uma certa curiosidade em relação a este nome (bacalhau; manteiga ou margarina; batatas; cebolas; dentes de alho; natas; queijo ralado; sal e pimenta).
 
 
Bacalhau à Assis
 
Esta receita foi criada há alguns anos pelo dono de uma pensão, que, surpreendido, na Serra da Estrela, por um nevão, teve que disponibilizar os últimos alimentos que lhe restavam, para saciar os hóspedes: bacalhau; batata; cenouras; cebola; azeite; presunto; pimento morrone; ovos; salsa e óleo.
 
 
Migas de Grão de Alpedrinha
 
 Prato típico de Alpedrinha, confeccionado com azeite da sua terra, grão, bacalhau e cebola.
 
 
Tiborna
 
Tiborna significa azeite novo, o que implica que só se pode comer durante a apanha da azeitona, ou seja, quando o azeite é novo. Coincidindo com a época natalícia, este é o prato típico da ceia de Natal (couve de corte; bacalhau; batata cozida e azeite novo). Fora desta época já não há azeite novo nem couve de corte. Então, deixa de ter a designação de Tiborna, passando apenas a ser bacalhau com todos.
Este prato é típico da zona de Oliveira do Hospital.
 
 
CARNES
 
Panela no Forno
 
Este é um prato típico da Covilhã, só nesta região se pode apreciar este manjar. A Panela no Forno é um prato muito ligado à cozinha operária (a Covilhã foi sempre uma cidade ligada aos lanifícios), que por uma questão de economia, teve a tendência de aproveitar as partes pobres do porco. O resultado foi a criação de um prato extremamente, apaladado em que os sabores vêm da diversidade das várias carnes e ervas.
É composto pelos seguintes ingredientes: dobrada, carnes de porco (pé de porco, orelheira e toucinho entremeado), ervas aromáticas, serpão, hortelã, tomilho, louro, salsa, chouriços, farinheiras e morcelas.
 
 
Cabrito na Telha
 
A telha, dita "caleira", era utilizada como travessa pelos mais pobres e servia, ao mesmo tempo, para conservar o tempero do preparado do cabrito de leite confeccionado com azeite, vinagre, sal, salsa e picante.
 
 
Feijoada de Cabritinho com Grelos
 
Este prato é uma criação da Sr.ª D. Maria João ferreira Pinto. Recorreu aos produtos da Região e criou este delicioso prato.São necessários os seguintes ingredientes: cabrito pequeno, feijão vermelho, azeite, alhos, cebola, tomate concentrado, louro, tomilho, sal e vinho tinto.
 
 
Cabrito em Brasa de Azinho
 
Das boas pastagens da Beira Alta, o cabrito apenas com sal e com um corte especial é assado em lenha de azinho, que é o segredo do seu paladar tenro e suculento.
 
 
Cabrito à Serrana
 
Um dos mais típicos pratos da Serra da Estrela, este é o famoso Cabrito Assado no Forno. O que faz a diferença é de ser o Cabrito da Serra da Estrela que, como é sabido, é o cabrito mais saboroso do País, devido aos pastos de que dispõe.
Cabrito, cebolas, sal, azeite, pimenta, uma pitada de noz moscada, vinho tinto.
 
 
Caldeirada de Cabrito
 
Este é mais um dos tão apreciados pratos de cabrito. É composto por camadas alternadas de batata, cabrito, tomate, pimento vermelho e cebola.
Ingredientes: cabrito, batata, pimento, cebola, azeite, tomate pelado salsa, vinho branco, outra bebida para dar sabor, alho, piri-piri e sal.
 
 
Feijoca à Senhora do Monte
 
A feijoca é cultivada nesta Região e é um prato muito forte e de grande alimento, próprio para combater o frio.
Feijocas; chispe de porco; orelha de porco; entrecosto; cebola; tomate; cenoura; dentes de alho; chouriço de carne; dobrada; morcela; azeite; sal e piri-piri.
 
 
Grão de Bico à Moda da Arrifana
 
Um bom regenerador de forças, o Grão de Bico é confeccionado com carne de porco e vitela, enchidos da Região, salpicados de laranja e acompanhado com arroz.
 
 
Arroz de Carqueja
 
Trata-se de um prato muito antigo da Gastronomia da Serra da Estrela e que nos últimos anos tem sido objecto de um grande relançamento. É evidente que a Carqueja é o ingrediente mais forte para o sabor deste prato.
Ingredientes: Entrecosto cortado fino, cebolas, dentes de alho, sal, pimenta, vinho tinto e branco, arroz agulha, azeite e água de carqueja.
 
 
Chispe à Moda de Trancoso
 
Prato muito apreciado na zona de Trancoso. Da carne de porco surge este prato de chispe com ovos, azeite, sal e alho.
 
 
Febras à Moda da Feira
 
Prato tradicional confeccionado na Região em dias de festa ou feira. Ingredientes: febra, batata, pimentão, azeite, sal, alho, vinho tinto.
 
 
PRATOS DE CAÇA

 
Javali à Caçador
 
António Cleópatra, quando andava pelas suas propriedades, viu um caçador com um javali na carroça, e logo perguntou se o queria vender. De seguida convidou o caçador a cozinhar o javali para uma festa que ele ia dar na sua propriedade.
O nome que António Cleópatra deu àquele cozinhado perante os seus convidados foi "javali à caçador".
Foram utilizados os seguintes ingredientes: javali, vinho branco, concentrado de tomate, cogumelos, folhas de louro, estragão picado, cebolas picadas, chouriço de carne às rodelas, brandy, gotas de vinagre, cerveja preta, sal e pimenta.
 
Javali com Feijão
 
Este é mais um prato suculento e consistente da Região da Serra da Estrela.
Ingredientes: javali, feijão, cebola, azeite, sal, pimento, noz moscada, colorau e cerveja preta.
 
 
Coelho Grelhado com Alecrim e Carqueja
 
E o coelho, de repente, escondeu-se debaixo da carqueja, na altura das sementeiras; foi, então, rodeado pelos cavadores, que depressa chamaram o ganhão (pessoa que ia à frente do gado durante o lavrar da terra). Sem um tiro nem uma paulada, o coelho depressa passou para a fogueira juntando-se à carqueja e adicionando alecrim e outras ervas.
Ingredientes: coelho, carqueja, dentes de alho, folhas de louro, azeite, sal, pimenta e alecrim.
 
 
Coelho Estufado com Ameixa
 
 
Confeccionado com ameixa, cebola, azeite, batata e vinho fino, o coelho, em época de Natal, é substituído por por peru.
 
 
Arroz de Lebre Malandrinho
 
O facto de a caça ser uma tradição nesta Região, faz com que se dêem asas à imaginação, e surjam aqui diversos pratos com base nos animais caçados.
O Arroz de Lebre Malandrinho é um dos mais apreciados.
Ingredientes: lebre, arroz, azeite, tomate, cebola, louro, alho, cenoura, piri-piri, salsa e sal.
 
 
Perdiz de Escabeche de Alpedrinha
 
Mais um dos variadíssimos e saborosos pratos de caça. Composto por: perdiz, vinagre, azeite, sal e alho.
 
 
Sobremesas
 
Gargantas de Freira
 
 
Francisco Muñoz Gomes (Paco), um espanhol que vivia em Lisboa, ao ir viver para a Covilhã, abriu a “Confeitaria Lisbonense”, no início deste século. Então criou este doce, dizendo que era uma receita proveniente de um convento e daí o nome “Gargantas de Freira”. Este leva fios de ovos enrolados em capa de hóstia.
 
Rapsódia
 
Rapsódia foi criada por SRª D. Isabel Varão e é composta por 4 sobremesas da Região: doce de abóbora, requeijão, arroz doce e leite-creme. Para provar esta iguaria terá que se deslocar a Gouveia.
 
 
Tigelada
 
 
Na tentativa de aproveitar os ovos das galinhas, na região de Oliveira do Hospital criaram-se várias sobremesas, das quais se destaca a tão apreciada Tigelada. Esta surgiu da junção de ovos com leite, farinha maizena, açúcar e canela em pó. Esta é mais uma deliciosa sobremesa beirã.
 
 
Cavacas de Pinhel
 
Nasceram das cozinhas dos velhos Conventos de Portugal as melhores iguarias da mesa Portuguesa.
Do Convento de Santa Clara de Pinhel nasceram as saborosas Cavacas, que, criadas há centenas de anos, ainda hoje são delícia a apreciar.
Cantaram-nas os poetas e os músicos nas suas composições, e em 1939, constituíram um “Quadro de Revista” que nunca mais se esquece.
A sua receita contém: ovos, farinha, óleo de girassol e baunilha.
 
 
Bolo de Azeite
 
 
É uma tradição do dia de Todos os Santos e na época da Páscoa os padrinhos de batismo oferecem, ainda hoje, aos afilhados este Bolo composto por azeite, ovos, farinha e sal.
 
 
Biscoitos
 
 
Estes biscoitos são uma tradição na Covilhã, Fundão e na Guarda, onde são conhecidos por “Cristas”.
Habitualmente este Bolo, pouco doce, acompanha a hora da tomada do chá.
 
 
Talassas
 
 
Típicas da Covilhã, as Talassas contam com os seguintes ingredientes: farinha, ovos, açúcar e manteiga.
 
 
Sardinhas Doces de Trancoso
 
 
As irmãs do Convento de Santa Clara, em Trancoso, eram detentoras de autênticas especialidades a nível de doçaria. Como as morcelinhas de amêndoa, o folar da Páscoa, o bolo doce que acompanhava o queijo de ovelha amanteigado, as cavacas e a bola de folhas.
Para além destes doces o mais famoso é sem dúvida as tradicionais Sardinhas Doces de Trancoso, sem escamas nem espinhas e com tripinhas de amêndoa.
O Convento de Santa Clara iniciou-se com 4 irmãs e estas, para poderem sobreviver, começaram a fabricar os doces acima mencionados.
Após a morte das outras irmãs, Maria da Luz, conhecedora da receita das Sardinhas Doces de Trancoso, recusou-se a divulgar o segredo da receita. Porém, alguém pertencente ao convento, após a morte da irmã, revelou o segredo.
Ingredientes: farinha de trigo; azeite; ovo; sal fino; água para a massa. No Recheio: açúcar; gemas batidas; miolo de amêndoa e água. Na cobertura: tablete de chocolate; açúcar amarelo e margarina.
 
 
Requeijão à Moda da D. Rosalina
 
Há mais de 50 anos que a Srª. D. Rosalina Camelo teve a brilhante ideia de fazer acompanhar o requeijão fresco com doce de abóbora salpicado de amêndoa triturada. Esta sobremesa é já hoje considerada um ex-libris da Região.
 
 
Pudim de Requeijão de Trancoso
 
 
Também esta sobremesa faz parte da tradicional doçaria de Trancoso contendo os seguintes ingredientes: açúcar; requeijão; farinha; gemas de ovos; claras; licor de amêndoa e raspa de limão.
 
 
Doce de Requeijão com Amêndoa
 
 
Em Trancoso fabrica-se o queijo de ovelha, daí ser utilizado nas sobremesas. Em relação às amêndoas, elas vêm da Meda ou Vila Nova de Foz Côa (açúcar; gemas de ovos; água; requeijão e miolo de amêndoa).
 
 
Queijadinhas Serranas
 
 
Como em toda a Região da Serra da Estrela havia doces típicos alusivos a ela, o Sr. Francisco, proprietário de uma pastelaria, na Covilhã, decidiu, também ele, criar um doce com requeijão e daí nasceram estas afamadas Queijadinhas Serranas feitas à base de farinha, ovos, açúcar e requeijão).
 
 
Filhós
 
 
É uma tradição da época de Natal. Em toda a boa mesa desta região, devem constar filhoses feitas à base de uma massa composta por farinha, ovos, azeite para fritar, fermento, azeite e um cálice de aguardente. De referir que se deve amassar a massa nos joelhos. Depois de bem amassadas e esticadas, fritam-se em azeite.
 
 
Rabanadas da Beira
 
 
As Rabanadas fazem, também, parte da tradição de Natal. Levam leite de cabra, farinha de trigo sem fermento, ovos, sal e pão de trigo (Sêmea); depois de fritas em azeite virgem, são pulverizadas com açúcar e canela.
 
 
Lampreia de Ovos
 
 
Sobremesa tradicional nas duas épocas festivas, Natal e Páscoa. Tanto pode ter o formato de uma lampreia, como de uma galinha com pintainhos. Ingredientes; fios de ovos.
 
 
Órgão
 
 
Mais uma deliciosa sobremesa da cidade da Covilhã. Ingredientes: ovos, farinha, açúcar, manteiga, aguardente, sal e azeite (para a massa); açúcar, amêndoa, gemas e fios de ovos (para o recheio e ornamentação).
 
 
Massapães
 
 
Tradicionais da Covilhã, os Massapães são compostos por: açúcar, amêndoa, clara de ovo e hóstia.
 
 
Papas de Carola
 
 
Sobremesa muito popular, na época de Inverno, na Covilhã e na Guarda, é confeccionada à base de milho, finamente moído, amarelo ou branco e que tanto pode ser servida quente como fria. Ingredientes: milho moído; leite; água; açúcar; sal e canela.
 
 
Arroz Doce
 
 
O tão conhecido e tradicional doce é feito em pequenas porções com ovos caseiros, açúcar, arroz e leite com casca de laranja. É enfeitado com canela em pó, em desenho gradeado.
 
 
Leite Creme
 
 
Esta sobremesa simples e saborosa é composta por ovos caseiros, açúcar, farinha e leite fresco. É queimado, na hora, com ferro em brasa, aquecido nas brasas das lareiras.
 
 
Casamento Feliz
 
 
Sobremesa tradicional das aldeias do concelho de Seia, servido em dias de festas, “casamentos”, é realmente feliz esta ligação do arroz doce confeccionado sem ovos e coberto depois com leite-creme queimado.
 
 
Gastronomia Judaica
 
Comida Kasher
 
 
Na vila de Belmonte, que integra a Região de Turismo da Serra da Estrela, existe a última comunidade peninsular de origem Cripto-Judaica a sobreviver enquanto tal.
Os costumes dos judeus na gastronomia assentam no facto de não comerem carne de porco, coelho e peixe sem escamas.
Antes de comerem os animais, existe todo um processo que se baseia no facto de o animal ter de ser morto e vistoriado pelo Rabino que acompanha todo o processo. Deste modo, ao animal, depois de morto, são-lhe retiradas todas as gorduras e os veios. Depois é desmanchado e colocado em água e sal durante um período nunca inferior a meia hora para que, deste modo, saia todo o sangue. De seguida, a carne é guardada, encontrando-se pronta para ser comida.
Todos os alimentos consumidos pelos judeus são vistoriados pelo Rabino (vinho, sumos, bolachas, tudo). Todo este processo é designado por Kasher (puro).
Uma outra tradição é o facto de cada utensílio da cozinha ter só uma função, isto é, a faca de cortar a carne ou a panela do leite não podem servir para outros serviços.