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"COVILHÃ, CIDADE FÁBRICA, CIDADE GRANJA"

OUTRAS IMAGENS DA COVILHÃ (3)

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ESCOLA SECUNDÁRIA CAMPOS MELO

 

A família Campos Mello pensou num estabelecimento para uma escola industrial na Covilhã. Outras cidades e vilas pretenderam o mesmo do Governo, simplesmente, coube À Covilhã a honra de ter sabido convencer os poderes públicos, numa luta porfiada que durou vinte anos.

Ao fim desse tempo, um ilustre covilhanense, José Maria Veiga da Silva Campos Mello, lutou junto do seu antigo condiscípulo o companheiro de viagens, o então Ministro das Obras Públicas, António Augusto de Aguiar, pela fundação da Escola Industrial da Covilhã.

Foi no reinado de D. Luís I que se fundou, então, a Escola Industrial Campos Mello, e a Covilhã pode-se orgulhar de ter a escola industrial mais antiga do país. Tudo se deve ao industrial José Maria Veiga da Silva Campos Mello e à sua persistência que levou o governo, do qual eram ministros Hintze Ribeiro e António Augusto de Aguiar, a aprovar o Decreto-Lei do Diário do Governo de 3 de Janeiro de 1884.

A Escola Industrial Campos Mello foi instalada na rua Fernão Penteado, num edifício muito próximo da Igreja da Nossa Senhora da Conceição, cedido pela Câmara Municipal da Covilhã.

No Decreto-Lei de 14 de Dezembro de 1897, subscrito por António José da Cunha, no qual a Escola Industrial Campos Mello é englobada indistintamente com outras escolas, previam-se as seguintes disciplinas: desenho, matemática, tecelagem, debuxo, Língua Portuguesa e lavores femininos.

O Decreto de Manuel Francisco Vargas, de 14 de Dezembro de 1901, restabelecendo um pouco daquele espírito incluído no Decreto de António Augusto de Aguiar, não traz à Escola Industrial Campos Mello grandes vantagens práticas. Uma disposição semelhante à do decreto anterior impede, do mesmo modo, o provimento das disciplinas que lhe são atribuídas.

Só em 1905 é contratado um novo mestre de tecelagem, recomeçando então o ensino no prático de debuxo, e começa a ser lecionada a disciplina de língua Francesa.

A Escola começa a aumentar o número de alunos e o edifício não se ajusta às suas necessidades, razão por que, em 1912, é transferida para o edifício que a Companhia de Jesus estava a construiu na Covilhã, por os Jesuítas terem sido expropriados do seu edifício e bens quando se implantou a República. O sumptuoso edifício, construído expressamente para um colégio católico, com ótimas salas para aulas e amplos corredores, um vasto salão e grandes pés direitos, ofereceu excelentes instalações para uma escola industrial reservando-se o andar térreo para as oficinas.

No ano de 1918 a escola passou a designar-se Escola Industrial de Lanifícios Campos Mello, mas, em 1921, voltou a mudar de nome, passando a chamar-se Escola Industrial Campos Mello da Covilhã e, no ano de 1948, passou a Escola Industrial e Comercial Campos Mello.

Por motivo de a Escola já ser pequena para a população do concelho da Covilhã, no ano de 1950 começou a ser construído um novo edifício nos mesmos terrenos da escola, que foi inaugurado no ano de 1955.

Em frente ao mesmo edifício, na Avenida 25 de Abril, foi construído um monumento em homenagem ao patrono José Maria Veiga da Silva Campos Mello, que foi inaugurado em 1970. Nesse ano, a Escola Industrial começou a designar-se por Escola Técnica Campos Mello e no ano de 1979, volta a mudar de nome e a chamar-se Escola Secundária Campos Mello.

Nos princípios do ano 2000, iniciou-se a construção de um novo edifício para ser utilizado como Pavilhão Gimnodesportivo, que foi inaugurado em 2003. Perfazendo com os dois anteriores um triângulo.

Desta escola saíram grandes técnicos que deram fama à industria covilhanense tanto no país como no estrangeiro, o que se deve também aos bons professores que, ao longo da sua história, quiseram partilhar o seu saber tal como a sua técnica.

Para recordar os cursos que existiram na Escola, a Presidente da Comissão Executiva, Drª Isabel Maria de Almeida Lopes Fael, com a colaboração dos seus colegas, construiu dentro deste edifício um belíssimo museu com várias secções dos cursos lecionados e que foi inaugurado no ano de 2004.

 

Cronologia dos Diretores e Presidentes

 

Patrono

José Maria Veiga da Silva Campos Mello

 

Diretores

Professor – José da Fonseca Teixeira – 1884-1914

Professor – José Maria Campos Mello – 1914-1916

Professor – Joaquim Porfírio – 1916-1922

Professor – José Farias Bichinho – 1922-1930

Engenheiro – Ernesto de Campos Mello e Castro – 1930-1966

Dr. Duarte de Almeida Cordeiro Simões – 1966-1967

Dr. Augusto Rodrigues Guimarães – 1967-1974

 

Encarregado Interino da Direção

Dr. José de Oliveira Dias – 1974

 

Presidente do Concelho Diretivo

Dr. Rui Delgado – 1974-1976

Dr. Joaquim Ferreira de Almeida – 1976-1977

Dr. João Martins – 1977-1978

Professor Rodolfo Romeno Passaporte – 1979-1980

Drª Maria de Ascensão A. A. Figueiredo Simões – 1980-1986

Professor Ricardo dos Reis Matos – 1986-1992

Dr. António Jesus Gomes Ivo – 1992-1998

 

Comissão Executiva Provisória

Dr. Jorge Augusto Neves Wahon – 1998-1999

Drª Isabel Maria Marques de Almeida Fael – 1999-2009

 

In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges

 

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Como filho de Jorge de Jesus, ex professor da Escola Secundária Campos Melo, não podia deixar de colocar uma foto, que representa uma vida a ensinar e partilhar conhecimentos relacionados com a Indústria Têxtil...

 

Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos
 

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O CONVENTO DE SANTO ANTÓNIO

 

A Província da Piedade, em Portugal, procede da de São Tiago de Castela, e foi fundada por Frei João de Guadalupe quando, em 1500, veio estabelecer o primeiro convento em Vila Viçosa. Desta Província franciscana separou-se depois a da Soledade, sendo geral frei Francisco Maria Rhini. Estes frades, por usarem um capuz, alto e terminado em pirâmide, eram conhecidos por frades capuchos.

O Convento de Santo António da Covilhã, juntamente com outros edifícios, que posteriormente se lhe juntaram, situa-se na extrema da montanha que se levanta ao Sul desta cidade. Frei Manuel de Monforte, referindo-se ao seu edifício, considera-o “pequeno e recolhido, mas com bastante firmeza e capaz de albergar os doze religiosos que o habitam”.

Foi este convento fundado em 1553, em virtude de um milagre que ocorrera nesse mesmo ano. O povo aluíra ao Convento de Nossa Senhora do Fundão, com grande fé, suplicando o fim da enorme seca que, então, estava assolando a região. E a intercessão de Santo António foi tal que, assim que lá chegaram os romeiros, começou a cair grande chuvada. Daí resultou maior devoção pelo Santo, que levou o povo a pedir aos frades capuchos que edificassem outro convento na Covilhã. Choveram igualmente dádivas, e o Provincial Frei Miguel de Abrantes fez a vontade ao povo devoto, escolhendo para o convento um local aprazível e de surpreendente panorama sobre a cidade e sobre a várzea da Cova da Beira.

A capela-mor foi executada pelo licenciado Mendo Cão, que ali teve s sua sepultura. Durante a construção do convento deram-se vários casos miraculosos. Certo dia, passou um carro de bois carregado de pedra sobre o homem que o guiava, chamado Francisco Giraldes, do que resultou ileso. Outro operário, de seu nome Pêro Fernandes, caindo-lhe um penedo em cima, nada sofreu. E enfim outro caso, e esse o mais conhecido e admirável, foi que, quando duas juntas de bois carregavam uma grande trave para sustentar o coro da igreja, ao começarem a subir a íngreme ladeira, lhes minguaram as forças, e dali não arrancaram por mais diligências que fizessem os boieiros. Calhou então passarem por ali uns garotos, que ao verem tal, disseram:

-Tomemos esta trave e com a ajuda de Santo António levemo-la para o Convento!

E, metendo sob a trave os seus cajados montanheses, eles próprios carregaram a trave, com tal desembaraço até ao local das obras, que logo foram considerados miraculados do Santo Seráfico.

Com as dádivas dos devotos e algum contributo do Rei D. João V, chegou a ter uma bela igreja, um claustro, casa do capítulo, biblioteca, fábrica de buréis, além de adega, celeiro e terras de regadio, dispondo de excelente água das fontes. Bem à maneira dos franciscanos, foi sóbria a construção e pobrinha a arquitetura do convento. A fachada principal, voltada a Nascente, foi há pouco tempo reconstruída pela UBI. O portal, de arco inteiro sobre colunas simples, tem sobreposto um brasão e um óculo, e está ladeado por dois nichos com santos. Ao alto, um campanário com pilastras, com dois sinos. Dois pórticos, um voltado a Norte e outro ao Sul, davam acesso a todo o interior. O claustro tem arcaria de algum valor, sotoposta a renques de janelas. Depois da usurpação liberal de 1834, sofreu o convento grave delapidação do seu património, com construções adventícias e reparações adulterantes. Antes de ser comprado pelo artista Manuel de Morais da Silva Ramos, serviu de quartel a um regimento, e a Câmara projetou ali construir o Hospital D. Amélia, cuja “primeira pedra”, e única, foi colocada quando da visita real de 1891.

Depois de novos proprietários, e de outros arrendamentos, o convento de Santo António está sob a alçada da Universidade da Beira Interior, que o reconstruiu e remodelou para ali instalar a Reitoria, Sala dos Atos, etc.

In História da Covilhã de José Aires da Silva

 

 

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OUTRAS IMAGENS DA COVILHÃ (2)

 
 REFÚGIO

 

O Refúgio é um pequeno lugar, airoso, situado na Cova da Beira a sul da Covilhã.

Aqui residiu, na sua quinta, Joaquim António Clemente Maciel, que serviu o Rei D. João VI e seu filho o Rei D. Pedro IV como militar com a patente de Major. Tendo passado à reserva, continuou como comandante das melícias fiéis a D. Pedro IV.

Algum tempo após ter mandado construir a Capela de Nossa Senhora do Refúgio D. Miguel subiu ao trono e ficou como Rei até sua sobrinha atingir a maioridade (futura Rainha D. Maria II) e, como rei absolutista, persegue politicamente todos aqueles que defendiam a causa liberal.

Joaquim Maciel foi preso no ano de 1829, tendo sido encarcerado na torre de São Julião da Barra, e mais tarde, transferido para as prisões do Porto.

José Mendes da Veiga e sua esposa, Maria Cândida Tavares Veiga, proprietários de muitas terras, compraram, aos herdeiros de Joaquim Maciel, a quinta onde se encontrava a Capela de Nossa Senhora do Refúgio.

Foram estes proprietários que, na sua época, desenvolveram aquela zona. No local, onde se situava a casa da quinta de Maciel, foi construído o palacete. Ampliaram a Capela de Nossa Senhora do Refúgio. Construíram três fábricas de lanifícios, localizando-se uma na Estrada Real que passou, mais tarde, a Nacional 18, a outra em frente à Capela de Nossa Senhora do Refúgio e a terceira, na Ribeira de Água Alta. Construíram, ainda, casas para os seus operários e empregados, um forno comunitário, um moinho, um lagar e em frente do seu palacete, uma fonte para abastecer de água as populações.

Possuidor de inestimáveis dotes de honradez e inexcedíveis qualidades de trabalho, José Mendes da Veiga que muito novo se ligou à indústria dos lanifícios, depressa conquistou, pelo seu mérito, um elevado nível na carreira social.

Por morte de seu pai Manuel Mendes Viegas, tinha ficado sua mãe, Rosa Jacinta Carvalho Viegas, a gerir toda a sua grande fortuna, até que José Mendes Veiga atingisse a maioridade e foi, nessa altura, que com o seu irmão, Manuel Mendes Veiga (com o mesmo nome do pai), tomou conta dos destinos das suas propriedades.

José Mendes da Veiga foi um dos principais industriais da Covilhã, dotado de muitos privilégios, que o Reino lhe consagrava com relevado merecimento, pois possuía, para além das fábricas, escolas de aprendizagem de cardação e fiação nos lugares de Vale de Lobo, Santo Estevão, Castelejo, procedendo, deste modo à formação de técnicos que muito viriam a contribuir para o desenvolvimento industrial.

O seu nome está ligado a todos os melhoramentos desenvolvidos na indústria daquela época, pondo deste modo a Covilhã na vanguarda de todos os centros de lanifícios do país.

O valor deste seu trabalho foi reconhecido por Sua Majestade, o Rei D. Luís I, cujo governo, por decreto de 28 de Março de 1864, o condecorou com o grau de Comendador da Ordem de Cristo.

Por sua morte, ocorrida no Refúgio em 26 de Fevereiro de 1872, todas as suas fábricas e propriedades foram doadas em testamento ao seu afilhado e sócio Marcelino José Ventura.

Marcelino José Ventura, nasceu na Covilhã no ano de 1820, onde fez a instrução primária. Foi trabalhar, ainda jovem, para a fábrica de seu padrinho. Após alguns anos, devido ao seu saber, humildade, diligência, pontualidade, apto em qualquer serviço e ainda devido ao facto de ser cuidadoso, interessado e muito dedicado, foi nomeado administrador de todas as firmas e propriedades pelo Comendador José Mendes Veiga que se apercebeu das suas qualidades.

Após perceber esta herança, Marcelino José Ventura, granjeou em alto prestígio e tornou-se o maior industrial e comerciante da região. Foi Procurador-Geral do Distrito de Castelo Branco, eleito pela Cidade da Covilhã e Presidente da Assembleia Geral do Banco da Covilhã. Para além destes títulos, exerceu muitos cargos e funções revelantes para a Cidade da Covilhã. Foi contrariado que recebeu o título de Comendador, que rejeitou várias vezes, devido à sua modéstia.

O título de Comendador foi-lhe concedido pelo seu velho amigo e condiscípulo, Conselheiro António Maria Couto Monteiro que, naquela época, era Ministro e secretário de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça.

Aquando da visita à Covilhã do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia de Orleães, por ocasião da inauguração do Caminho de Ferro da Beira Baixa, que se efectuou em 6 de Setembro de 1891, o Comendador Marcelino Ventura encontrava-se gravemente doente, pelo que não pode receber os monarcas no seu palacete do Refúgio, onde estiveram hospedados. Assim, encarregou o seu amigo e companheiro Cândido Augusto de Albuquerque Calheiros de fazer as honras da casa, tendo suas Majestades sido recebidos e tratados com toda a pompa.

Onze dias depois, ocorre a morte do Comendador Marcelino Ventura, no Refúgio, no dia 17 de Setembro de 1891, tendo legado à Santa Casa da Misericórdia da Covilhã 1.000 escudos. Deixando ao seu amigo e companheiro, Cândido Augusto de Albuquerque Calheiros, toda a sua importante fortuna.

Cândido Augusto Albuquerque Calheiros nasceu em Valezim (Concelho de Seia), em 5 de Abril de 1840. Era filho de José Maria de Albuquerque Calheiros e de Margarida Henriques.

Veio muito novo trabalhar para a Covilhã, para as fábricas Mendes Veiga e, aqui foi um homem dinâmico e empreendedor dando mostras da sua capacidade no meio industrial. Foi aqui que o Comendador Marcelino Ventura lhe deu a categoria de administrador e passado pouco tempo lhe deu sociedade.

Casou em Lisboa, em 15 de Agosto de 1873, com sua prima Ana Cândida de Quental da Câmara Esmeraldo Freira Calheiros.

No seu regresso à Covilhã começou, de imediato, a desenvolver não só as fábricas Veiga, como a criação da nova fábrica no Ourondinho, perto de Unhais da Serra. A confirmar estão a alta chaminé e as paredes, em completa ruína.

No meio financeiro foi, também, figura de relevo, pelo cargo de Director do Banco da Covilhã, que desempenhou durante mais de 20 anos.

Ao seu dinamismo deve-se, ainda, a criação das termas de Unhais da Serra, que tiveram o seu auge em finais do século XIX. Construiu o edifício das termas, o grande hotel, casino, e outros edifícios que tornaram Unhais da Serra, além de estância termal de renome pela riqueza das suas águas, uma privilegiada zona de vilegiatura.

Foi um dos principais beneméritos da construção do Monumento de Nossa Senhora da Conceição (em Santo António), suportando a maioria das despesas.

Também desempenhou um cargo como Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, nos anos de 1902 e 1903, tendo dado, nessa época, um desenvolvimento notório à cidade.

Augusto Albuquerque Calheiros veio a falecer em 11 de Outubro de 1904, no seu palacete no Refúgio.

Deixou toda a sua fortuna a seu filho primogénito, José Mendes Veiga Albuquerque Calheiros (2º Conde da Covilhã).

O 2º Conde da Covilhã, José Mendes Veiga Albuquerque Calheiros nasceu no Refúgio, a 6 de Setembro de 1873, era filho do 1º Conde da Covilhã, Cândido Augusto Albuquerque Calheiros e da Condessa D. Cândida de Quental da Câmara Carvalhal Esmeraldo Freire Calheiros. Veio a casar com D. Alice Emília Cândida Costa Fróis (2ª Condessa da Covilhã).

Foi uma figura de muito destaque na sua época, tendo desempenhado vários cargos públicos tendo sido, ainda, industrial de lanifícios.

Deu grande apoio às festas de Nossa Senhora do Refúgio e à de Santo Antão.

Veio a falecer no seu palacete no Refúgio, do dia 27 de Abril de 1931, deixando a maioria da sua fortuna à sua filha D. Alice Froes Quental Calheiros, que nasceu no palacete do Refúgio, no dia 28 de Julho de 1900, tendo vindo a casar-se com o Engº António Serrão Burguete.

Foi uma excelsa senhora que levou a sua vida, sempre a praticar o bem, expressando sentimentos, de bondade e de carinho pelas gentes pobres do Refúgio, pela grandeza e generosidade da sua alma e que tudo fazia com simplicidade e amor.

A quinta Jardim do Palacete e a capela, herdados dos seus falecidos pais, foram por ela muito bem cuidados, preservando para a posteridade estas obras de grande valor.

Deste casamento nasceram doze filhos; Daniel; Maria de Lurdes; Maria Alice; Maria Emília; António; Maria Helena; Luís; José; Nuno-de-Santa-Maria; Pedro: Maria Teresa e Maria do Rosário Froes Calheiros Burguete.

Veio a falecer em Lisboa devido a uma queda a 10 de Outubro de 1955.

Deixou a capela privativa da família Calheiros Burguete inteiramente franqueada ao serviço religioso da comunidade refugiense.

Merece-nos destacar, também, e continuadamente estes seus sentimentos humanos e solidários, de seu neto Nuno-de-Santa-Maria de Séguier de Albuquerque Calheiros Burguete, casado com D. Mónica Pereira Nina Miguel Calheiros Burguete, filho de Daniel Froes de Albuquerque Calheiros Burguete e de Maria Emília Viegas da Cunha Neves, que por força de testamento, fideicomisso, feito em 1950, passou por morte de sua avó o único e actual proprietário do Palacete do Refúgio e da sua Capela.

Nuno-de-Santa-Maria tem dois filhos, José-de-Santa-Maria e Alice Miguel Albuquerque Calheiros Burguete.

In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges

 

PALACETE DO REFÚGIO

 

O Palacete do Refúgio, junto à estrada Nacional nº 18, foi mandado construir por volta dos anos 30 do século XIX, pelo Sr. Comendador José Mendes da Veiga, sendo o maior industrial de lanifícios na região e senhor de uma grande fortuna, e sua esposa Srª D. Maria Cândida Tavares Veiga.

Após o falecimento de ambos, e por não existirem filhos, todos os seus bens foram doados em testamento a seu afilhado, o Administrador Sr. Marcelino José Ventura, homem honesto, de inteira confiança e com grandes capacidades para dar continuidade à obra herdada.

Após esta herança, o Sr. Marcelino José Ventura granjeou um alto prestígio e tornou-se o maior industrial e comerciante da região. Foi Procurador Geral do Distrito, eleito pela cidade da Covilhã; Presidente da Assembleia Geral da Associação Geral do Banco da Covilhã, tendo exercido, para além destes, muitos outros cargos e funções revelantes para a cidade da Covilhã, recebendo o título de Comendador, forçadamente, que rejeitou várias vezes, devido à sua modéstia.

Sucede-lhe Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros, nascido em Valezim a 5 de Abril de 1840, que veio para a Covilhã trabalhar nas fábricas Veiga, homem com uma capacidade extraordinária, muito dinamismo que, passado pouco tempo passou a ser administrador das mesmas empresas.

Alguns anos depois casa-se com a única sobrinha do Comendador Marcelino Ventura, a Srª D. Ana Cândida, ficando a residir no Palacete.

Nos dias 6 e 7 de Setembro de 1891, o Rei Dom Carlos e a Rainha Dona Amélia, deslocaram-se à Covilhã para inaugurar o caminho-de-ferro da Beira-Baixa. Os monarcas, e todos os seus acompanhantes, foram recebidos sumptuosamente no Palacete do Refúgio pelo Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros, pelo facto de o Sr. Comendador Marcelino Ventura se encontrar muito doente.

O Palacete, foi decorado com todo o requinte, onde era manifesta a riqueza, para assim receber condignamente os Reis de Portugal.

Em reconhecimento pela faustosidade da receção, o Rei Dom Carlos concedeu ao aludido Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros o título nobiliárquico de “Conde do Refúgio” por duas vidas, que aceitou com muita honra e agrado.

Passados sete anos, por Decreto-Lei de 16 de Fevereiro de 1898, Dom Carlos alterou o citado título nobiliárquico de “Conde do Refúgio” para “Conde da Covilhã”, que veio a falecer no Refúgio a 11 de Outubro de 1904 com 64 anos de idade.

Sucedeu-lhe, como segundo “Conde da Covilhã” seu filho primogénito, Sr. José Mendes Veiga de Quental Calheiros, que foi casado com Sr. Dª Emília Cândida da Costa Fróis e faleceu em 26 de Abril de 1931.

O Palacete, o jardim, a capela e os terrenos em redor passaram a pertencer, por herança, a sua filha legítima, Dona Alice Frões Albuquerque Calheiros Burguete, que veio a falecer no ano de 1955.

Em testamento, o Palacete, jardim e capela passou a propriedade do filho mais svelho Dr. Daniel Frões Calheiros Burguete filho primogénito que, há eventualidade de não ter descendente varão, passará para o primogénito do irmão a seguir e assim se sucederá até à quinta geração.

 

In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges
 
 
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GRUPO RECREATIVO REFUGIENSE

 

O Grupo Recreativo Refugiense foi fundado em 14 de Julho de 1961. Esta associação dedicou-se, ao longo dos anos, ao desporto e à cultura, tendo a sua sede nas antigas escolas do Refúgio.

No desporto, tem praticado várias modalidades amadoras e na parte da cultura, criou um rancho Folclórico e Etnográfico do Refúgio e ainda um museu etnográfico.

Nos finais do século XX, após a aquisição da sede, foi feita uma remodelação, ampliação e modernização, sendo inaugurado no dia 6 de Outubro de 2000, pelo Presidente da Câmara Municipal da Covilhã Carlos Pinto e pela Vereadora da Cultura Dr: Maria do Rosário Gomes Figueiredo.

In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges
 
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ADEGA COOPERATIVA DA COVILHÃ, C.R.L.

 

A Adega Cooperativa da Covilhã foi fundada em 1954, com 147 associados, tendo efetuada a sua primeira vindima em 1957. A data da sua constituição foi 24 de Fevereiro de 1954.

Durante os primeiros anos da sua existência, a Adega Cooperativa da Covilhã esteve mais vocacionada para o fabrico e venda de vinho a granel, tendo mais tarde iniciado as primeiras iniciativas de engarrafamento, então manual.

A partir da década de 70, foi adquirido um sistema de enchimento smi-automático, que permitiu um ligeiro crescimento nas vendas de vinho engarrafado.

Com a entrada da Portugal da CEE, também a Adega Cooperativa da Covilhã se viu “obrigada” a iniciar um processo de modernização que ainda hoje perdura.

No final da década de 80, a Adega Cooperativa da Covilhã já comercializava três marcas; PEDRA DO URSO, PIORNOS e CONDE JULIÃO (em exclusivo para a Viniparra).

Hoje tem quase 1200 associados no ativo, com uma área social e geográfica que ultrapassa amplamente os limites do concelho da Covilhã, estendendo a sua influência também aos concelhos de Manteigas, Belmonte e ainda algumas freguesias do concelho da Guarda e do Sabugal, numa extensão de aproximadamente 1500 hectares de vinha.

Em termos de produção anual a Adega Cooperativa da Covilhã engarrafa cerca de 4.000.000 de garrafas, repartidas pelas seguintes marcas: Vinho de Mesa “PEDRA DO URSO”; Vinho Regional “SETE FONTES”; DOC “TERRAS DE CABRAL”; DOC “PIORNOS”; DOC “COLHEITA DO SÓCIO”; DOC “PIORNOS” (Monovarietais); Aguardentes “PIORNOS ZIMBRO” e “CENTUM CELLAS”; Jeropiga “PIORNOS”; Abafado “PIORNOS”; Vinho >Kosher “TERRAS DA BEIRA”.

A capacidade de vinificação é cerca de quatro milhões e meio de litros de vinho. São 25 os funcionários desta adega, podendo atingir o dobro em períodos de Vindimas, que decorrem, normalmente, de finais de Setembro até meados de Outubro.

 

In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges

 

 
 
 
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BAIRRO DA BIQUINHA

 

Este bairro, de casas económicas, encontra-se localizado na parte mais altaneira da Covilhã, a cerca de 700 metros de altitude.

No passado, era ocupado por um pinhal, propriedade da família Campos Melo, adquirido pela Segurança Social que fez uma permuta, com o empreiteiro José Augusto Bom Jesus, para aí construir um bairro operário.

Em 17 de Dezembro de 1963, José Augusto Bom Jesus vendeu uma parcela desse terreno à Câmara Municipal da Covilhã, por 40.000 escudos, para construção de um bloco de 10 moradias.

As obras deste bairro iniciaram-se no ano de 1964, com projeto do Arquiteto Pinto Sousa. O bairro foi construído por diversas fases e na primeira fase os lotes foram construídos paralelemente junto ao Estádio Municipal José dos Santos Pinto, moradias unifamiliares, de dois pisos, distribuídas em banda. Todas as moradias contêm logradouro e são de tipologia três. A segunda fase foi construída a Este por um bloco de habitação coletiva de três pisos.

No ano de 1976 foram construídas mais 10 moradias unifamiliares de um só piso com logradouro.

Atualmente este bairro é composto pelos seguintes topónimos: Rua Viriato; Rua 1º de Maio; Rua António Aleixo; Rua 20 de Outubro e Rua do Operário.

In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges

 

Estádio José Santos Pinto - Covilhã.jpg

Estádio Municipal José dos Santos Pinto - Cheio de adeptos do Futebol num Domingo

Em cima pode verificar-se que ainda não existe o Bairro da Biquinha - Década de 50 do século XX

 

 

Video elaborado por José Pereira Santos in
https://www.facebook.com/Mem%C3%B3rias-da-Covilh%C3%A3-267737363560243/videos
 
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LACTÁRIO DE NOSSA SENHORA DA COVILHÃ

Nos anos de 1920/30, as Senhoras D. Maria Ilda Catalão Espiga e D. Adelaide Ranito Catalão, alertaram a população covilhanense, e as entidades de então, para o problema da mortalidade infantil que, na altura se fazia sentir de forma muito grave.

Foram coadjuvadas por um grupo de senhoras com mo mesmo sentir, que apareceram voluntariamente, com o desejo de fazerem algo contra a preocupante situação.

Assim, com o firme propósito de possibilitarem a adequada profilaxia às famílias mais carenciadas, de forma a conseguir que as crianças se libertassem do flagelo da morte, fundaram o “Lactário de Nossa Senhora da Covilhã”.

Para que essa obra tivesse corpo e vida, era indispensável a ajuda, não só das entidades oficiais mas também de todos os covilhanenses com meios económicos para o efeito.

Não se fez esperar essa ajuda e, consequentemente, nesse distante dia 3 de Maio de 1931, abriu-se a porta de uma pequena e modesta casa, na Rua do Senhor da Paciência, onde nasceu uma obra de profundo alcance social, em defesa da saúde e da vida das crianças pobres da Covilhã. O “Lactário”, como vulgarmente era conhecida tão útil obra de assistência infantil, conseguiu-se com o trabalho gratuito de um grupo de senhoras.

Animadas por um espírito de caridade, todas trabalhavam graciosamente. Faltava a esta sublime obra a imprescindível assistência médica, bem precioso para a saúde de todas as crianças.

Passado algum tempo, regressado de Paris, chega à Covilhã, sua terra Natal, um jovem médico, o Dr. José Ranito Baltazar. Depois de se ter especializado, em obstetrícia e puericultura, imediatamente se disponibiliza a prestar gratuitamente os seus serviços.

Assim, o Lactário começou a aprestar assistência médica e medicamentos, acompanhadas de conselhos de higiene, e passou a fornecer diariamente, em doses certas para cada caso, leite fresco, farinha e leite em pó, a um número elevado de crianças.

As instalações eram muito, reduzidas; mas, com a ajuda do Dr. José de Almeida Eusébio, conseguiu-se a aquisição de um imóvel que, pela sua amplitude, veio a constituir umas instalações que, depois de adaptadas, eram condignas para o bem exercício da plena atividade do “Lactário”.

 

In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges
 
 
 
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OUTRAS IMAGENS DA COVILHÃ (1)

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BAIRRO MUNICIPAL
 

O Bairro Municipal fica situado a Norte da Covilhã, paralelamente à Estrada do Sineiro e à Ribeira da Carpinteira, numa encosta ingreme que, no passado, era ocupada por uma densa mata de eucaliptos e pinheiros, onde se realizava, semanalmente, o mercado dos porcos, no século XIX até aos anos 20 do século XX.

As florestas eram propriedade da Câmara Municipal da Covilhã e da família Campos Melo.

A sua construção começou no ano de 1925, com moradias de quatro tipos de classes A, B, C e D, de acordo com o número de quartos. Foi o primeiro bairro social a ser construído na Covilhã e os terrenos foram vendidos, por parcelas, a particulares. Os arruamentos foram feitos pelos operários da Indústria de Lanifícios tendo em conta que, na época, existia uma crise de emprego e a Câmara Municipal tentou resolver o problema dando emprego provisório a uma grande parte da população.

Foi necessária a construção de muros de suporte para todas as residências e respectivos arruamentos, devido ao declive do terreno. As ruas, após o acabamento das obras, ficaram designadas com os números 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8, mas na década de 50, do século XX, a Câmara Municipal mandou calcetar todas as ruas e, passado algum tempo, foi-lhes atribuído os seguintes topónimos: Rua Dr. Alberto Rato; Rua Afonso Domingues; Rua Cidade de Cáceres; Travessa de São Sebastião; Rua José Caetano Júnior; Avenida de Santarém; Rua Dom José Valério da Cruz e Rua Dr. António Plácido da Costa.

No dia 9 de Abril de 1959 foi celebrada a escritura da venda do Pinhal do Gaiteiro, propriedade da família Campos Mello, com a área de 38.497,25 m2, à Câmara Municipal da Covilhã, pela quantia de 31.452 escudos.

Anos mais tarde, o Município Covilhanense dividiu a propriedade em lotes de terreno que vendeu a particulares para construção de moradias.

O Bairro Municipal ficou a contar com mais uma rua: Rua Pinhal do Gaiteiro.

In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges
 
 
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GRUPO EDUCAÇÃO E RECREIO CAMPOS MELO

 

No dia 7 de Março de 1941 é fundado o Grupo de Educação e Recreio e, poucos dias depois, no dia 12 de Março é solicitado ao senhor Inspetor Escolar a instalação de uma Escola Primária. Nesse mesmo ano, no mês de Junho são aprovados os estatutos pelo Governo Civil e em Julho é realizada a primeira Assembleia Geral para a eleição dos primeiros Corpos Dirigentes.

Com o passar dos tempos, novas necessidades foram surgindo, sendo criada a Escola de Música desta associação.

Em 1943 a família Campos Melo ofereceu o terreno para a construção da sede desta associação e ainda uma verba de vinte contos. Fruto desta generosa contribuição, em Assembleia Geral foi aprovado o acrescento do nome desta família ao nome do Grupo, tendo, até hoje, permanecido como Grupo de Educação e Recreio Campos Melo.

No ano de 1944 foi criado institucionalmente o subsídio de funeral, medida sem precedentes em Coletividades e, pouco tempo depois, em 1947 é aberta na sede uma barbearia para servir associados e habitantes do bairro.

Em 1948 foi criado, a nível social, outro subsídio que tinha como finalidade custear despesas de deslocação a médicos noutras cidades para os associados e suas famílias.

Já em 1954 é formado o Rancho Folclórico e dois anos mais tarde são completadas as obras da sede e dá-se a respetiva inauguração.

O Grupo Educação e Recreio Campos Melo, em 1962, edita um boletim mensal onde dá a conhecer aos associados tudo o que se passa na coletividade e no movimento associativo em geral. Foi, igualmente neste ano, criado outro subsídio de solidariedade chamado “Natal do Doente”, que consistia em distribuir, pelos associados mais carenciados, cabazes de géneros alimentares para, naquela quadra, minimizarem as dificuldades dos mesmos.

Em 1967 o Grupo de Teatro da Coletividade, com grande relevo em todo o concelho, participou no concurso, a nível nacional, de Arte Dramática, organizado pelo Secretariado Nacional de Informação e a cujo júri pertenceu o ator Ruy de Carvalho, sendo premiados com uma menção honrosa.

Foi palco da visita do notável escritor Ferreira de Castro, em 1968, com a finalidade de inaugurar a biblioteca, que, no ano de 1959, data da sua criação, já tinha o seu nome e nesse mesmo ano foi indigitado ao Prémio Nobel da Literatura. Foi um ano de várias atividades, nomeadamente um concerto de canções de intervenção dado, pelo conhecido Padre Fanhais e conferencias, sobre Camões, com o conferencista Reis Brasil.

Em 1978 os Corpos Dirigentes adquiriram um terreno nas traseiras da coletividade para a construção de um polidesportivo. Nos jogos tradicionais, datados de 1980, é realizado pela primeira vez o Torneio de Malhas que depois nos anos seguintes teve proporções nacionais com participação de 400 jogadores.

Mais tarde, surgem duas novas atividades, a Dança Jazz, com a participação de 40 jovens de ambos os sexos e o agrupamento de música popular Covimúsica, que levou a música popular, e da região, a diferentes pontos do País.

Em 1985 o Grupo de Teatro estende as suas atuações além fronteiras e dois anos mais tarde são iniciadas as obras do Polidesportivo. É de referir que as diversas atividades desportivas, que ao longo destes anos tiveram grande incremento, culminaram com o futsal em grande realce, vencendo todos os Torneios realizados nos distritos da Guarda e Castelo Branco.

No ano de 1990, ano da realização das primeiras Marchas Populares do Concelho da Covilhã, o Grupo Educação e Recreio Campos Melo não deixou de marcar presença, conquistando um meritório 1º lugar.

Já em 1991, a Escola Primária existente no interior das instalações da sua sede desde 1941, continua a ter grande utilidade para as crianças do Bairro Municipal e Bairro da Biquinha. Este foi o ano da comemoração dos 50 anos de existência deste grupo e cujo programa foi de Março a 31 de Dezembro, sendo um programa vasto de cultura, desporto e entretenimento, contando com diversas personalidades, como Alçada Batista, Vitorino de Almeida, Carlos Pinto, entre outros.

Ainda neste ano, o Governo, por intermédio do Ministério da Cultura, tendo como Ministro Roberto Carneiro, agracia esta associação com a medalha de mérito Desportivo, pelos bons serviços prestado ao desporto, às camadas jovens e à cultura, com referência às escolas existentes na Coletividade e que tem sido um bem essencial para a população.

A inauguração do Polidesportivo é realizada a 14 de Novembro, obra de grande envergadura e só possível pela tenacidade dos Dirigentes e Associados. Nesta ocasião esteve presente o Delegado do INDESP – Mirandela da Costa, o Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, - Carlos Pinto e o Presidente da Freguesia da Conceição – Carlos Martins.

Em 1994 é criada a secção de Ginástica Mista.

Os noas de 1995 a 2010 são de pura estagnação, com as dificuldades inerentes ao custo de vida. A diminuição de Associados obriga os Corpos Gerentes a mandatos de contenção financeira, não permitindo um desenvolvimento das atividades criadas e não dando igualmente hipóteses à participação noutras atividades para as quais esta Associação é convidada, face aos custos inerentes.

In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges
 
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CASA DOS MAGISTRADOS

 

Este edifício, na sua origem, foi destinado a habitação dos Juízes de Fora, designados como Ministros Territoriais.

A data da construção reporta-se à segunda metade do século XVIII. Em estilo Pombalino, com características marcantes da arquitetura da época, a fachada principal é constituída, no rés-do-chão, por arcadas, que funcionavam como armazém de cereais; no segundo piso, são visíveis janelas de sacada e ao centro uma pedra de armas, emoldurada com a coroa do Reino.

A construção é remontada por pilastras de aparelho isódomo.

A sua última utilização deu-se como Registo Predial e Repartição de Finanças.

A cave foi arrendada pela Câmara Municipal à Casa Leão (comércio) para armazém de ferragens.

Este edifício, ímpar na Covilhã, foi totalmente recuperado e transformado em espaço cultural. Foi classificado, pelo Decreto-Lei nº 5, de 19 de Fevereiro de 2002, como Imóvel de Interesse Público.

Em frente a este edifício, no passado, eram julgados os pleitos, pelos juízes e homens bons da avila, num local que fazia parte do adro da Igreja de Santa Maria. Durante as obras de requalificação da zona, foram encontradas, três sepulturas medievais, que se supõe datadas dos Séculos XIII/XIV, integralmente escavadas na rocha com orientação Nascente/Poente, talvez com carácter simbólico, e como forma de recordar a crença popular – “Quando mais perto as sepulturas estivessem das igrejas, mais fácil seria a entrada no Paraíso”.

Numa tão nobre parte da cidade, a presença das sepulturas, depois da requalificação do local, ficou marcada no pavimento através da colocação de cubos de granito de cor diferente da do espaço envolvente.

 

In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges

 

 
 
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MERCADO MUNICIPAL

Nos fins dos anos 30 do século passado, a Câmara Municipal da Covilhã tinha como preocupação construir um edifício para centralizar os mercados que se realizavam em diversos locais da cidade ao ar livre.

O terreno escolhido, para a construção deste espaço, foi o espaço situado em frente às muralhas entre o Postigo da Barbacã e a Porta de São Vicente, que faz um ângulo reto com a Rua António Augusto de Aguiar e Rua de Olivença. Este terreno foi adquirido por escritura de 10 de Julho de 1940, pelo Município da Covilhã, que era representado pelo seu Presidente Dr. Luís Victor Tavares Baptista (Capitão Médico). A proprietária do terreno era a D. Maria da Natividade Trigueiros Osório (Viscondessa do Sardoal).

Após s sua aquisição, a Câmara Municipal da Covilhã, começou imediatamente com as obras para a construção do Mercado que ficou com três pisos, um terraço a todo o comprimento e um logradouro na entrada principal. Foi também construído, junto a este, um pequeno edifício para os vendedores pagarem os impostos.

O edifício, já concluído, foi inaugurado a 8 de Dezembro de 1943, e abriu seguidamente ao público, ficando ordenado segundo os seguintes produtos: 1º piso – venda de azeitonas, aves e ovos; 2º piso – composto por talhos, lateralmente, e bancas de pão, bolos e queijos ao centro; 3º piso – venda de peixe com a instalação de mesas retangulares laterais e venda de hortaliças, frutas e feijão. No logradouro, vendiam-se no Verão melões e melancias – e era utilizado também para a atuação dos popularmente chamados vendedores da banha da cobra…

Com o desenrolar dos tempos, devido ao sal usado no peixe que ali se vendia, o edifício começou a dar sinais de degradação. Por isso, nos anos 1992/1993, foi construído um novo edifício no logradouro do mercado, onde passou a fazer-se a venda do peixe. Por essa altura, o terraço, que era aberto, foi dotado de uma cobertura, e foram construídas dezenas de lojas para que os vendedores ambulantes pudessem aí vender os produtos do seu comércio, como roupas, calçado, bijutarias, etc.

Atualmente a distribuição efetuada no edifício do mercado é: 1º piso – Loja Ponto já; 2º piso – Silo Auto e Loja Vodafone; 3º piso – venda de frutas, hortaliças, queijos, feijão, pão, bolos, carne entre outros; 4º piso – Empresa Call-Center; no logradouro, continua a fazer-se a venda do peixe.

 

In História da Freguesia de SANTA MARIA - Covilhã, António Garcia Borges

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