Na Rua António Augusto de Aguiar, no dia 14 de Junho de 1907, junto à Praça do Município, deflagrou um incêndio que ficou conhecido como o incêndio da mineira.
Dos escombros foi construído, por volta de 1920, um edifício de 5 pisos com frontaria em azulejos cuja arquitetura é pura Arte Nova cujo projeto é do Arquiteto Ernesto Norrodi, para aí funcionar o Banco Nacional Ultramarino.
Após a saída do banco, a Câmara Municipal da Covilhã adquiriu o edifício que foi utilizado como armazém até ser recuperado.
Nos princípios do século XXI, a parte interior do edifício foi toda reconstruída para ai funcionarem alguns serviços da Câmara Municipal da Covilhã e para exposições.
No dia 1 de Agosto de 2008, foi inaugurado o Museu de Arte e Cultura (PATRIMONIVS) com mais de cem obras de arte de cariz religioso e arquitetónico que fazem parte da coleção reunida pelo Município da Covilhã e Associação Cava Juliana e que retratam uma parte da história patrimonial do Concelho.
In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges
A família Campos Mello pensou num estabelecimento para uma escola industrial na Covilhã. Outras cidades e vilas pretenderam o mesmo do Governo, simplesmente, coube À Covilhã a honra de ter sabido convencer os poderes públicos, numa luta porfiada que durou vinte anos.
Ao fim desse tempo, um ilustre covilhanense, José Maria Veiga da Silva Campos Mello, lutou junto do seu antigo condiscípulo o companheiro de viagens, o então Ministro das Obras Públicas, António Augusto de Aguiar, pela fundação da Escola Industrial da Covilhã.
Foi no reinado de D. Luís I que se fundou, então, a Escola Industrial Campos Mello, e a Covilhã pode-se orgulhar de ter a escola industrial mais antiga do país. Tudo se deve ao industrial José Maria Veiga da Silva Campos Mello e à sua persistência que levou o governo, do qual eram ministros Hintze Ribeiro e António Augusto de Aguiar, a aprovar o Decreto-Lei do Diário do Governo de 3 de Janeiro de 1884.
A Escola Industrial Campos Mello foi instalada na rua Fernão Penteado, num edifício muito próximo da Igreja da Nossa Senhora da Conceição, cedido pela Câmara Municipal da Covilhã.
No Decreto-Lei de 14 de Dezembro de 1897, subscrito por António José da Cunha, no qual a Escola Industrial Campos Mello é englobada indistintamente com outras escolas, previam-se as seguintes disciplinas: desenho, matemática, tecelagem, debuxo, Língua Portuguesa e lavores femininos.
O Decreto de Manuel Francisco Vargas, de 14 de Dezembro de 1901, restabelecendo um pouco daquele espírito incluído no Decreto de António Augusto de Aguiar, não traz à Escola Industrial Campos Mello grandes vantagens práticas. Uma disposição semelhante à do decreto anterior impede, do mesmo modo, o provimento das disciplinas que lhe são atribuídas.
Só em 1905 é contratado um novo mestre de tecelagem, recomeçando então o ensino no prático de debuxo, e começa a ser lecionada a disciplina de língua Francesa.
A Escola começa a aumentar o número de alunos e o edifício não se ajusta às suas necessidades, razão por que, em 1912, é transferida para o edifício que a Companhia de Jesus estava a construiu na Covilhã, por os Jesuítas terem sido expropriados do seu edifício e bens quando se implantou a República. O sumptuoso edifício, construído expressamente para um colégio católico, com ótimas salas para aulas e amplos corredores, um vasto salão e grandes pés direitos, ofereceu excelentes instalações para uma escola industrial reservando-se o andar térreo para as oficinas.
No ano de 1918 a escola passou a designar-se Escola Industrial de Lanifícios Campos Mello, mas, em 1921, voltou a mudar de nome, passando a chamar-se Escola Industrial Campos Mello da Covilhã e, no ano de 1948, passou a Escola Industrial e Comercial Campos Mello.
Por motivo de a Escola já ser pequena para a população do concelho da Covilhã, no ano de 1950 começou a ser construído um novo edifício nos mesmos terrenos da escola, que foi inaugurado no ano de 1955.
Em frente ao mesmo edifício, na Avenida 25 de Abril, foi construído um monumento em homenagem ao patrono José Maria Veiga da Silva Campos Mello, que foi inaugurado em 1970. Nesse ano, a Escola Industrial começou a designar-se por Escola Técnica Campos Mello e no ano de 1979, volta a mudar de nome e a chamar-se Escola Secundária Campos Mello.
Nos princípios do ano 2000, iniciou-se a construção de um novo edifício para ser utilizado como Pavilhão Gimnodesportivo, que foi inaugurado em 2003. Perfazendo com os dois anteriores um triângulo.
Desta escola saíram grandes técnicos que deram fama à industria covilhanense tanto no país como no estrangeiro, o que se deve também aos bons professores que, ao longo da sua história, quiseram partilhar o seu saber tal como a sua técnica.
Para recordar os cursos que existiram na Escola, a Presidente da Comissão Executiva, Drª Isabel Maria de Almeida Lopes Fael, com a colaboração dos seus colegas, construiu dentro deste edifício um belíssimo museu com várias secções dos cursos lecionados e que foi inaugurado no ano de 2004.
Cronologia dos Diretores e Presidentes
Patrono
José Maria Veiga da Silva Campos Mello
Diretores
Professor – José da Fonseca Teixeira – 1884-1914
Professor – José Maria Campos Mello – 1914-1916
Professor – Joaquim Porfírio – 1916-1922
Professor – José Farias Bichinho – 1922-1930
Engenheiro – Ernesto de Campos Mello e Castro – 1930-1966
Dr. Duarte de Almeida Cordeiro Simões – 1966-1967
Dr. Augusto Rodrigues Guimarães – 1967-1974
Encarregado Interino da Direção
Dr. José de Oliveira Dias – 1974
Presidente do Concelho Diretivo
Dr. Rui Delgado – 1974-1976
Dr. Joaquim Ferreira de Almeida – 1976-1977
Dr. João Martins – 1977-1978
Professor Rodolfo Romeno Passaporte – 1979-1980
Drª Maria de Ascensão A. A. Figueiredo Simões – 1980-1986
Professor Ricardo dos Reis Matos – 1986-1992
Dr. António Jesus Gomes Ivo – 1992-1998
Comissão Executiva Provisória
Dr. Jorge Augusto Neves Wahon – 1998-1999
Drª Isabel Maria Marques de Almeida Fael – 1999-2009
In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges
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Como filho de Jorge de Jesus, ex professor da Escola Secundária Campos Melo, não podia deixar de colocar uma foto, que representa uma vida a ensinar e partilhar conhecimentos relacionados com a Indústria Têxtil...
A Província da Piedade, em Portugal, procede da de São Tiago de Castela, e foi fundada por Frei João de Guadalupe quando, em 1500, veio estabelecer o primeiro convento em Vila Viçosa. Desta Província franciscana separou-se depois a da Soledade, sendo geral frei Francisco Maria Rhini. Estes frades, por usarem um capuz, alto e terminado em pirâmide, eram conhecidos por frades capuchos.
O Convento de Santo António da Covilhã, juntamente com outros edifícios, que posteriormente se lhe juntaram, situa-se na extrema da montanha que se levanta ao Sul desta cidade. Frei Manuel de Monforte, referindo-se ao seu edifício, considera-o “pequeno e recolhido, mas com bastante firmeza e capaz de albergar os doze religiosos que o habitam”.
Foi este convento fundado em 1553, em virtude de um milagre que ocorrera nesse mesmo ano. O povo aluíra ao Convento de Nossa Senhora do Fundão, com grande fé, suplicando o fim da enorme seca que, então, estava assolando a região. E a intercessão de Santo António foi tal que, assim que lá chegaram os romeiros, começou a cair grande chuvada. Daí resultou maior devoção pelo Santo, que levou o povo a pedir aos frades capuchos que edificassem outro convento na Covilhã. Choveram igualmente dádivas, e o Provincial Frei Miguel de Abrantes fez a vontade ao povo devoto, escolhendo para o convento um local aprazível e de surpreendente panorama sobre a cidade e sobre a várzea da Cova da Beira.
A capela-mor foi executada pelo licenciado Mendo Cão, que ali teve s sua sepultura. Durante a construção do convento deram-se vários casos miraculosos. Certo dia, passou um carro de bois carregado de pedra sobre o homem que o guiava, chamado Francisco Giraldes, do que resultou ileso. Outro operário, de seu nome Pêro Fernandes, caindo-lhe um penedo em cima, nada sofreu. E enfim outro caso, e esse o mais conhecido e admirável, foi que, quando duas juntas de bois carregavam uma grande trave para sustentar o coro da igreja, ao começarem a subir a íngreme ladeira, lhes minguaram as forças, e dali não arrancaram por mais diligências que fizessem os boieiros. Calhou então passarem por ali uns garotos, que ao verem tal, disseram:
-Tomemos esta trave e com a ajuda de Santo António levemo-la para o Convento!
E, metendo sob a trave os seus cajados montanheses, eles próprios carregaram a trave, com tal desembaraço até ao local das obras, que logo foram considerados miraculados do Santo Seráfico.
Com as dádivas dos devotos e algum contributo do Rei D. João V, chegou a ter uma bela igreja, um claustro, casa do capítulo, biblioteca, fábrica de buréis, além de adega, celeiro e terras de regadio, dispondo de excelente água das fontes. Bem à maneira dos franciscanos, foi sóbria a construção e pobrinha a arquitetura do convento. A fachada principal, voltada a Nascente, foi há pouco tempo reconstruída pela UBI. O portal, de arco inteiro sobre colunas simples, tem sobreposto um brasão e um óculo, e está ladeado por dois nichos com santos. Ao alto, um campanário com pilastras, com dois sinos. Dois pórticos, um voltado a Norte e outro ao Sul, davam acesso a todo o interior. O claustro tem arcaria de algum valor, sotoposta a renques de janelas. Depois da usurpação liberal de 1834, sofreu o convento grave delapidação do seu património, com construções adventícias e reparações adulterantes. Antes de ser comprado pelo artista Manuel de Morais da Silva Ramos, serviu de quartel a um regimento, e a Câmara projetou ali construir o Hospital D. Amélia, cuja “primeira pedra”, e única, foi colocada quando da visita real de 1891.
Depois de novos proprietários, e de outros arrendamentos, o convento de Santo António está sob a alçada da Universidade da Beira Interior, que o reconstruiu e remodelou para ali instalar a Reitoria, Sala dos Atos, etc.
O Refúgio é um pequeno lugar, airoso, situado na Cova da Beira a sul da Covilhã.
Aqui residiu, na sua quinta, Joaquim António Clemente Maciel, que serviu o Rei D. João VI e seu filho o Rei D. Pedro IV como militar com a patente de Major. Tendo passado à reserva, continuou como comandante das melícias fiéis a D. Pedro IV.
Algum tempo após ter mandado construir a Capela de Nossa Senhora do Refúgio D. Miguel subiu ao trono e ficou como Rei até sua sobrinha atingir a maioridade (futura Rainha D. Maria II) e, como rei absolutista, persegue politicamente todos aqueles que defendiam a causa liberal.
Joaquim Maciel foi preso no ano de 1829, tendo sido encarcerado na torre de São Julião da Barra, e mais tarde, transferido para as prisões do Porto.
José Mendes da Veiga e sua esposa, Maria Cândida Tavares Veiga, proprietários de muitas terras, compraram, aos herdeiros de Joaquim Maciel, a quinta onde se encontrava a Capela de Nossa Senhora do Refúgio.
Foram estes proprietários que, na sua época, desenvolveram aquela zona. No local, onde se situava a casa da quinta de Maciel, foi construído o palacete. Ampliaram a Capela de Nossa Senhora do Refúgio. Construíram três fábricas de lanifícios, localizando-se uma na Estrada Real que passou, mais tarde, a Nacional 18, a outra em frente à Capela de Nossa Senhora do Refúgio e a terceira, na Ribeira de Água Alta. Construíram, ainda, casas para os seus operários e empregados, um forno comunitário, um moinho, um lagar e em frente do seu palacete, uma fonte para abastecer de água as populações.
Possuidor de inestimáveis dotes de honradez e inexcedíveis qualidades de trabalho, José Mendes da Veiga que muito novo se ligou à indústria dos lanifícios, depressa conquistou, pelo seu mérito, um elevado nível na carreira social.
Por morte de seu pai Manuel Mendes Viegas, tinha ficado sua mãe, Rosa Jacinta Carvalho Viegas, a gerir toda a sua grande fortuna, até que José Mendes Veiga atingisse a maioridade e foi, nessa altura, que com o seu irmão, Manuel Mendes Veiga (com o mesmo nome do pai), tomou conta dos destinos das suas propriedades.
José Mendes da Veiga foi um dos principais industriais da Covilhã, dotado de muitos privilégios, que o Reino lhe consagrava com relevado merecimento, pois possuía, para além das fábricas, escolas de aprendizagem de cardação e fiação nos lugares de Vale de Lobo, Santo Estevão, Castelejo, procedendo, deste modo à formação de técnicos que muito viriam a contribuir para o desenvolvimento industrial.
O seu nome está ligado a todos os melhoramentos desenvolvidos na indústria daquela época, pondo deste modo a Covilhã na vanguarda de todos os centros de lanifícios do país.
O valor deste seu trabalho foi reconhecido por Sua Majestade, o Rei D. Luís I, cujo governo, por decreto de 28 de Março de 1864, o condecorou com o grau de Comendador da Ordem de Cristo.
Por sua morte, ocorrida no Refúgio em 26 de Fevereiro de 1872, todas as suas fábricas e propriedades foram doadas em testamento ao seu afilhado e sócio Marcelino José Ventura.
Marcelino José Ventura, nasceu na Covilhã no ano de 1820, onde fez a instrução primária. Foi trabalhar, ainda jovem, para a fábrica de seu padrinho. Após alguns anos, devido ao seu saber, humildade, diligência, pontualidade, apto em qualquer serviço e ainda devido ao facto de ser cuidadoso, interessado e muito dedicado, foi nomeado administrador de todas as firmas e propriedades pelo Comendador José Mendes Veiga que se apercebeu das suas qualidades.
Após perceber esta herança, Marcelino José Ventura, granjeou em alto prestígio e tornou-se o maior industrial e comerciante da região. Foi Procurador-Geral do Distrito de Castelo Branco, eleito pela Cidade da Covilhã e Presidente da Assembleia Geral do Banco da Covilhã. Para além destes títulos, exerceu muitos cargos e funções revelantes para a Cidade da Covilhã. Foi contrariado que recebeu o título de Comendador, que rejeitou várias vezes, devido à sua modéstia.
O título de Comendador foi-lhe concedido pelo seu velho amigo e condiscípulo, Conselheiro António Maria Couto Monteiro que, naquela época, era Ministro e secretário de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça.
Aquando da visita à Covilhã do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia de Orleães, por ocasião da inauguração do Caminho de Ferro da Beira Baixa, que se efectuou em 6 de Setembro de 1891, o Comendador Marcelino Ventura encontrava-se gravemente doente, pelo que não pode receber os monarcas no seu palacete do Refúgio, onde estiveram hospedados. Assim, encarregou o seu amigo e companheiro Cândido Augusto de Albuquerque Calheiros de fazer as honras da casa, tendo suas Majestades sido recebidos e tratados com toda a pompa.
Onze dias depois, ocorre a morte do Comendador Marcelino Ventura, no Refúgio, no dia 17 de Setembro de 1891, tendo legado à Santa Casa da Misericórdia da Covilhã 1.000 escudos. Deixando ao seu amigo e companheiro, Cândido Augusto de Albuquerque Calheiros, toda a sua importante fortuna.
Cândido Augusto Albuquerque Calheiros nasceu em Valezim (Concelho de Seia), em 5 de Abril de 1840. Era filho de José Maria de Albuquerque Calheiros e de Margarida Henriques.
Veio muito novo trabalhar para a Covilhã, para as fábricas Mendes Veiga e, aqui foi um homem dinâmico e empreendedor dando mostras da sua capacidade no meio industrial. Foi aqui que o Comendador Marcelino Ventura lhe deu a categoria de administrador e passado pouco tempo lhe deu sociedade.
Casou em Lisboa, em 15 de Agosto de 1873, com sua prima Ana Cândida de Quental da Câmara Esmeraldo Freira Calheiros.
No seu regresso à Covilhã começou, de imediato, a desenvolver não só as fábricas Veiga, como a criação da nova fábrica no Ourondinho, perto de Unhais da Serra. A confirmar estão a alta chaminé e as paredes, em completa ruína.
No meio financeiro foi, também, figura de relevo, pelo cargo de Director do Banco da Covilhã, que desempenhou durante mais de 20 anos.
Ao seu dinamismo deve-se, ainda, a criação das termas de Unhais da Serra, que tiveram o seu auge em finais do século XIX. Construiu o edifício das termas, o grande hotel, casino, e outros edifícios que tornaram Unhais da Serra, além de estância termal de renome pela riqueza das suas águas, uma privilegiada zona de vilegiatura.
Foi um dos principais beneméritos da construção do Monumento de Nossa Senhora da Conceição (em Santo António), suportando a maioria das despesas.
Também desempenhou um cargo como Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, nos anos de 1902 e 1903, tendo dado, nessa época, um desenvolvimento notório à cidade.
Augusto Albuquerque Calheiros veio a falecer em 11 de Outubro de 1904, no seu palacete no Refúgio.
Deixou toda a sua fortuna a seu filho primogénito, José Mendes Veiga Albuquerque Calheiros (2º Conde da Covilhã).
O 2º Conde da Covilhã, José Mendes Veiga Albuquerque Calheiros nasceu no Refúgio, a 6 de Setembro de 1873, era filho do 1º Conde da Covilhã, Cândido Augusto Albuquerque Calheiros e da Condessa D. Cândida de Quental da Câmara Carvalhal Esmeraldo Freire Calheiros. Veio a casar com D. Alice Emília Cândida Costa Fróis (2ª Condessa da Covilhã).
Foi uma figura de muito destaque na sua época, tendo desempenhado vários cargos públicos tendo sido, ainda, industrial de lanifícios.
Deu grande apoio às festas de Nossa Senhora do Refúgio e à de Santo Antão.
Veio a falecer no seu palacete no Refúgio, do dia 27 de Abril de 1931, deixando a maioria da sua fortuna à sua filha D. Alice Froes Quental Calheiros, que nasceu no palacete do Refúgio, no dia 28 de Julho de 1900, tendo vindo a casar-se com o Engº António Serrão Burguete.
Foi uma excelsa senhora que levou a sua vida, sempre a praticar o bem, expressando sentimentos, de bondade e de carinho pelas gentes pobres do Refúgio, pela grandeza e generosidade da sua alma e que tudo fazia com simplicidade e amor.
A quinta Jardim do Palacete e a capela, herdados dos seus falecidos pais, foram por ela muito bem cuidados, preservando para a posteridade estas obras de grande valor.
Deste casamento nasceram doze filhos; Daniel; Maria de Lurdes; Maria Alice; Maria Emília; António; Maria Helena; Luís; José; Nuno-de-Santa-Maria; Pedro: Maria Teresa e Maria do Rosário Froes Calheiros Burguete.
Veio a falecer em Lisboa devido a uma queda a 10 de Outubro de 1955.
Deixou a capela privativa da família Calheiros Burguete inteiramente franqueada ao serviço religioso da comunidade refugiense.
Merece-nos destacar, também, e continuadamente estes seus sentimentos humanos e solidários, de seu neto Nuno-de-Santa-Maria de Séguier de Albuquerque Calheiros Burguete, casado com D. Mónica Pereira Nina Miguel Calheiros Burguete, filho de Daniel Froes de Albuquerque Calheiros Burguete e de Maria Emília Viegas da Cunha Neves, que por força de testamento, fideicomisso, feito em 1950, passou por morte de sua avó o único e actual proprietário do Palacete do Refúgio e da sua Capela.
Nuno-de-Santa-Maria tem dois filhos, José-de-Santa-Maria e Alice Miguel Albuquerque Calheiros Burguete.
In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges
PALACETE DO REFÚGIO
O Palacete do Refúgio, junto à estrada Nacional nº 18, foi mandado construir por volta dos anos 30 do século XIX, pelo Sr. Comendador José Mendes da Veiga, sendo o maior industrial de lanifícios na região e senhor de uma grande fortuna, e sua esposa Srª D. Maria Cândida Tavares Veiga.
Após o falecimento de ambos, e por não existirem filhos, todos os seus bens foram doados em testamento a seu afilhado, o Administrador Sr. Marcelino José Ventura, homem honesto, de inteira confiança e com grandes capacidades para dar continuidade à obra herdada.
Após esta herança, o Sr. Marcelino José Ventura granjeou um alto prestígio e tornou-se o maior industrial e comerciante da região. Foi Procurador Geral do Distrito, eleito pela cidade da Covilhã; Presidente da Assembleia Geral da Associação Geral do Banco da Covilhã, tendo exercido, para além destes, muitos outros cargos e funções revelantes para a cidade da Covilhã, recebendo o título de Comendador, forçadamente, que rejeitou várias vezes, devido à sua modéstia.
Sucede-lhe Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros, nascido em Valezim a 5 de Abril de 1840, que veio para a Covilhã trabalhar nas fábricas Veiga, homem com uma capacidade extraordinária, muito dinamismo que, passado pouco tempo passou a ser administrador das mesmas empresas.
Alguns anos depois casa-se com a única sobrinha do Comendador Marcelino Ventura, a Srª D. Ana Cândida, ficando a residir no Palacete.
Nos dias 6 e 7 de Setembro de 1891, o Rei Dom Carlos e a Rainha Dona Amélia, deslocaram-se à Covilhã para inaugurar o caminho-de-ferro da Beira-Baixa. Os monarcas, e todos os seus acompanhantes, foram recebidos sumptuosamente no Palacete do Refúgio pelo Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros, pelo facto de o Sr. Comendador Marcelino Ventura se encontrar muito doente.
O Palacete, foi decorado com todo o requinte, onde era manifesta a riqueza, para assim receber condignamente os Reis de Portugal.
Em reconhecimento pela faustosidade da receção, o Rei Dom Carlos concedeu ao aludido Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros o título nobiliárquico de “Conde do Refúgio” por duas vidas, que aceitou com muita honra e agrado.
Passados sete anos, por Decreto-Lei de 16 de Fevereiro de 1898, Dom Carlos alterou o citado título nobiliárquico de “Conde do Refúgio” para “Conde da Covilhã”, que veio a falecer no Refúgio a 11 de Outubro de 1904 com 64 anos de idade.
Sucedeu-lhe, como segundo “Conde da Covilhã” seu filho primogénito, Sr. José Mendes Veiga de Quental Calheiros, que foi casado com Sr. Dª Emília Cândida da Costa Fróis e faleceu em 26 de Abril de 1931.
O Palacete, o jardim, a capela e os terrenos em redor passaram a pertencer, por herança, a sua filha legítima, Dona Alice Frões Albuquerque Calheiros Burguete, que veio a falecer no ano de 1955.
Em testamento, o Palacete, jardim e capela passou a propriedade do filho mais svelho Dr. Daniel Frões Calheiros Burguete filho primogénito que, há eventualidade de não ter descendente varão, passará para o primogénito do irmão a seguir e assim se sucederá até à quinta geração.
In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges
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GRUPO RECREATIVO REFUGIENSE
O Grupo Recreativo Refugiense foi fundado em 14 de Julho de 1961. Esta associação dedicou-se, ao longo dos anos, ao desporto e à cultura, tendo a sua sede nas antigas escolas do Refúgio.
No desporto, tem praticado várias modalidades amadoras e na parte da cultura, criou um rancho Folclórico e Etnográfico do Refúgio e ainda um museu etnográfico.
Nos finais do século XX, após a aquisição da sede, foi feita uma remodelação, ampliação e modernização, sendo inaugurado no dia 6 de Outubro de 2000, pelo Presidente da Câmara Municipal da Covilhã Carlos Pinto e pela Vereadora da Cultura Dr: Maria do Rosário Gomes Figueiredo.
A Adega Cooperativa da Covilhã foi fundada em 1954, com 147 associados, tendo efetuada a sua primeira vindima em 1957. A data da sua constituição foi 24 de Fevereiro de 1954.
Durante os primeiros anos da sua existência, a Adega Cooperativa da Covilhã esteve mais vocacionada para o fabrico e venda de vinho a granel, tendo mais tarde iniciado as primeiras iniciativas de engarrafamento, então manual.
A partir da década de 70, foi adquirido um sistema de enchimento smi-automático, que permitiu um ligeiro crescimento nas vendas de vinho engarrafado.
Com a entrada da Portugal da CEE, também a Adega Cooperativa da Covilhã se viu “obrigada” a iniciar um processo de modernização que ainda hoje perdura.
No final da década de 80, a Adega Cooperativa da Covilhã já comercializava três marcas; PEDRA DO URSO, PIORNOS e CONDE JULIÃO (em exclusivo para a Viniparra).
Hoje tem quase 1200 associados no ativo, com uma área social e geográfica que ultrapassa amplamente os limites do concelho da Covilhã, estendendo a sua influência também aos concelhos de Manteigas, Belmonte e ainda algumas freguesias do concelho da Guarda e do Sabugal, numa extensão de aproximadamente 1500 hectares de vinha.
Em termos de produção anual a Adega Cooperativa da Covilhã engarrafa cerca de 4.000.000 de garrafas, repartidas pelas seguintes marcas: Vinho de Mesa “PEDRA DO URSO”; Vinho Regional “SETE FONTES”; DOC “TERRAS DE CABRAL”; DOC “PIORNOS”; DOC “COLHEITA DO SÓCIO”; DOC “PIORNOS” (Monovarietais); Aguardentes “PIORNOS ZIMBRO” e “CENTUM CELLAS”; Jeropiga “PIORNOS”; Abafado “PIORNOS”; Vinho >Kosher “TERRAS DA BEIRA”.
A capacidade de vinificação é cerca de quatro milhões e meio de litros de vinho. São 25 os funcionários desta adega, podendo atingir o dobro em períodos de Vindimas, que decorrem, normalmente, de finais de Setembro até meados de Outubro.
In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges
Este bairro, de casas económicas, encontra-se localizado na parte mais altaneira da Covilhã, a cerca de 700 metros de altitude.
No passado, era ocupado por um pinhal, propriedade da família Campos Melo, adquirido pela Segurança Social que fez uma permuta, com o empreiteiro José Augusto Bom Jesus, para aí construir um bairro operário.
Em 17 de Dezembro de 1963, José Augusto Bom Jesus vendeu uma parcela desse terreno à Câmara Municipal da Covilhã, por 40.000 escudos, para construção de um bloco de 10 moradias.
As obras deste bairro iniciaram-se no ano de 1964, com projeto do Arquiteto Pinto Sousa. O bairro foi construído por diversas fases e na primeira fase os lotes foram construídos paralelemente junto ao Estádio Municipal José dos Santos Pinto, moradias unifamiliares, de dois pisos, distribuídas em banda. Todas as moradias contêm logradouro e são de tipologia três. A segunda fase foi construída a Este por um bloco de habitação coletiva de três pisos.
No ano de 1976 foram construídas mais 10 moradias unifamiliares de um só piso com logradouro.
Atualmente este bairro é composto pelos seguintes topónimos: Rua Viriato; Rua 1º de Maio; Rua António Aleixo; Rua 20 de Outubro e Rua do Operário.
In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges
Estádio Municipal José dos Santos Pinto - Cheio de adeptos do Futebol num Domingo
Em cima pode verificar-se que ainda não existe o Bairro da Biquinha - Década de 50 do século XX
Nos anos de 1920/30, as Senhoras D. Maria Ilda Catalão Espiga e D. Adelaide Ranito Catalão, alertaram a população covilhanense, e as entidades de então, para o problema da mortalidade infantil que, na altura se fazia sentir de forma muito grave.
Foram coadjuvadas por um grupo de senhoras com mo mesmo sentir, que apareceram voluntariamente, com o desejo de fazerem algo contra a preocupante situação.
Assim, com o firme propósito de possibilitarem a adequada profilaxia às famílias mais carenciadas, de forma a conseguir que as crianças se libertassem do flagelo da morte, fundaram o “Lactário de Nossa Senhora da Covilhã”.
Para que essa obra tivesse corpo e vida, era indispensável a ajuda, não só das entidades oficiais mas também de todos os covilhanenses com meios económicos para o efeito.
Não se fez esperar essa ajuda e, consequentemente, nesse distante dia 3 de Maio de 1931, abriu-se a porta de uma pequena e modesta casa, na Rua do Senhor da Paciência, onde nasceu uma obra de profundo alcance social, em defesa da saúde e da vida das crianças pobres da Covilhã. O “Lactário”, como vulgarmente era conhecida tão útil obra de assistência infantil, conseguiu-se com o trabalho gratuito de um grupo de senhoras.
Animadas por um espírito de caridade, todas trabalhavam graciosamente. Faltava a esta sublime obra a imprescindível assistência médica, bem precioso para a saúde de todas as crianças.
Passado algum tempo, regressado de Paris, chega à Covilhã, sua terra Natal, um jovem médico, o Dr. José Ranito Baltazar. Depois de se ter especializado, em obstetrícia e puericultura, imediatamente se disponibiliza a prestar gratuitamente os seus serviços.
Assim, o Lactário começou a aprestar assistência médica e medicamentos, acompanhadas de conselhos de higiene, e passou a fornecer diariamente, em doses certas para cada caso, leite fresco, farinha e leite em pó, a um número elevado de crianças.
As instalações eram muito, reduzidas; mas, com a ajuda do Dr. José de Almeida Eusébio, conseguiu-se a aquisição de um imóvel que, pela sua amplitude, veio a constituir umas instalações que, depois de adaptadas, eram condignas para o bem exercício da plena atividade do “Lactário”.
In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges
O Bairro Municipal fica situado a Norte da Covilhã, paralelamente à Estrada do Sineiro e à Ribeira da Carpinteira, numa encosta ingreme que, no passado, era ocupada por uma densa mata de eucaliptos e pinheiros, onde se realizava, semanalmente, o mercado dos porcos, no século XIX até aos anos 20 do século XX.
As florestas eram propriedade da Câmara Municipal da Covilhã e da família Campos Melo.
A sua construção começou no ano de 1925, com moradias de quatro tipos de classes A, B, C e D, de acordo com o número de quartos. Foi o primeiro bairro social a ser construído na Covilhã e os terrenos foram vendidos, por parcelas, a particulares. Os arruamentos foram feitos pelos operários da Indústria de Lanifícios tendo em conta que, na época, existia uma crise de emprego e a Câmara Municipal tentou resolver o problema dando emprego provisório a uma grande parte da população.
Foi necessária a construção de muros de suporte para todas as residências e respectivos arruamentos, devido ao declive do terreno. As ruas, após o acabamento das obras, ficaram designadas com os números 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8, mas na década de 50, do século XX, a Câmara Municipal mandou calcetar todas as ruas e, passado algum tempo, foi-lhes atribuído os seguintes topónimos: Rua Dr. Alberto Rato; Rua Afonso Domingues; Rua Cidade de Cáceres; Travessa de São Sebastião; Rua José Caetano Júnior; Avenida de Santarém; Rua Dom José Valério da Cruz e Rua Dr. António Plácido da Costa.
No dia 9 de Abril de 1959 foi celebrada a escritura da venda do Pinhal do Gaiteiro, propriedade da família Campos Mello, com a área de 38.497,25 m2, à Câmara Municipal da Covilhã, pela quantia de 31.452 escudos.
Anos mais tarde, o Município Covilhanense dividiu a propriedade em lotes de terreno que vendeu a particulares para construção de moradias.
O Bairro Municipal ficou a contar com mais uma rua: Rua Pinhal do Gaiteiro.
In Bairros da Covilhã de António Garcia Borges
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GRUPO EDUCAÇÃO E RECREIO CAMPOS MELO
No dia 7 de Março de 1941 é fundado o Grupo de Educação e Recreio e, poucos dias depois, no dia 12 de Março é solicitado ao senhor Inspetor Escolar a instalação de uma Escola Primária. Nesse mesmo ano, no mês de Junho são aprovados os estatutos pelo Governo Civil e em Julho é realizada a primeira Assembleia Geral para a eleição dos primeiros Corpos Dirigentes.
Com o passar dos tempos, novas necessidades foram surgindo, sendo criada a Escola de Música desta associação.
Em 1943 a família Campos Melo ofereceu o terreno para a construção da sede desta associação e ainda uma verba de vinte contos. Fruto desta generosa contribuição, em Assembleia Geral foi aprovado o acrescento do nome desta família ao nome do Grupo, tendo, até hoje, permanecido como Grupo de Educação e Recreio Campos Melo.
No ano de 1944 foi criado institucionalmente o subsídio de funeral, medida sem precedentes em Coletividades e, pouco tempo depois, em 1947 é aberta na sede uma barbearia para servir associados e habitantes do bairro.
Em 1948 foi criado, a nível social, outro subsídio que tinha como finalidade custear despesas de deslocação a médicos noutras cidades para os associados e suas famílias.
Já em 1954 é formado o Rancho Folclórico e dois anos mais tarde são completadas as obras da sede e dá-se a respetiva inauguração.
O Grupo Educação e Recreio Campos Melo, em 1962, edita um boletim mensal onde dá a conhecer aos associados tudo o que se passa na coletividade e no movimento associativo em geral. Foi, igualmente neste ano, criado outro subsídio de solidariedade chamado “Natal do Doente”, que consistia em distribuir, pelos associados mais carenciados, cabazes de géneros alimentares para, naquela quadra, minimizarem as dificuldades dos mesmos.
Em 1967 o Grupo de Teatro da Coletividade, com grande relevo em todo o concelho, participou no concurso, a nível nacional, de Arte Dramática, organizado pelo Secretariado Nacional de Informação e a cujo júri pertenceu o ator Ruy de Carvalho, sendo premiados com uma menção honrosa.
Foi palco da visita do notável escritor Ferreira de Castro, em 1968, com a finalidade de inaugurar a biblioteca, que, no ano de 1959, data da sua criação, já tinha o seu nome e nesse mesmo ano foi indigitado ao Prémio Nobel da Literatura. Foi um ano de várias atividades, nomeadamente um concerto de canções de intervenção dado, pelo conhecido Padre Fanhais e conferencias, sobre Camões, com o conferencista Reis Brasil.
Em 1978 os Corpos Dirigentes adquiriram um terreno nas traseiras da coletividade para a construção de um polidesportivo. Nos jogos tradicionais, datados de 1980, é realizado pela primeira vez o Torneio de Malhas que depois nos anos seguintes teve proporções nacionais com participação de 400 jogadores.
Mais tarde, surgem duas novas atividades, a Dança Jazz, com a participação de 40 jovens de ambos os sexos e o agrupamento de música popular Covimúsica, que levou a música popular, e da região, a diferentes pontos do País.
Em 1985 o Grupo de Teatro estende as suas atuações além fronteiras e dois anos mais tarde são iniciadas as obras do Polidesportivo. É de referir que as diversas atividades desportivas, que ao longo destes anos tiveram grande incremento, culminaram com o futsal em grande realce, vencendo todos os Torneios realizados nos distritos da Guarda e Castelo Branco.
No ano de 1990, ano da realização das primeiras Marchas Populares do Concelho da Covilhã, o Grupo Educação e Recreio Campos Melo não deixou de marcar presença, conquistando um meritório 1º lugar.
Já em 1991, a Escola Primária existente no interior das instalações da sua sede desde 1941, continua a ter grande utilidade para as crianças do Bairro Municipal e Bairro da Biquinha. Este foi o ano da comemoração dos 50 anos de existência deste grupo e cujo programa foi de Março a 31 de Dezembro, sendo um programa vasto de cultura, desporto e entretenimento, contando com diversas personalidades, como Alçada Batista, Vitorino de Almeida, Carlos Pinto, entre outros.
Ainda neste ano, o Governo, por intermédio do Ministério da Cultura, tendo como Ministro Roberto Carneiro, agracia esta associação com a medalha de mérito Desportivo, pelos bons serviços prestado ao desporto, às camadas jovens e à cultura, com referência às escolas existentes na Coletividade e que tem sido um bem essencial para a população.
A inauguração do Polidesportivo é realizada a 14 de Novembro, obra de grande envergadura e só possível pela tenacidade dos Dirigentes e Associados. Nesta ocasião esteve presente o Delegado do INDESP – Mirandela da Costa, o Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, - Carlos Pinto e o Presidente da Freguesia da Conceição – Carlos Martins.
Em 1994 é criada a secção de Ginástica Mista.
Os noas de 1995 a 2010 são de pura estagnação, com as dificuldades inerentes ao custo de vida. A diminuição de Associados obriga os Corpos Gerentes a mandatos de contenção financeira, não permitindo um desenvolvimento das atividades criadas e não dando igualmente hipóteses à participação noutras atividades para as quais esta Associação é convidada, face aos custos inerentes.
Este edifício, na sua origem, foi destinado a habitação dos Juízes de Fora, designados como Ministros Territoriais.
A data da construção reporta-se à segunda metade do século XVIII. Em estilo Pombalino, com características marcantes da arquitetura da época, a fachada principal é constituída, no rés-do-chão, por arcadas, que funcionavam como armazém de cereais; no segundo piso, são visíveis janelas de sacada e ao centro uma pedra de armas, emoldurada com a coroa do Reino.
A construção é remontada por pilastras de aparelho isódomo.
A sua última utilização deu-se como Registo Predial e Repartição de Finanças.
A cave foi arrendada pela Câmara Municipal à Casa Leão (comércio) para armazém de ferragens.
Este edifício, ímpar na Covilhã, foi totalmente recuperado e transformado em espaço cultural. Foi classificado, pelo Decreto-Lei nº 5, de 19 de Fevereiro de 2002, como Imóvel de Interesse Público.
Em frente a este edifício, no passado, eram julgados os pleitos, pelos juízes e homens bons da avila, num local que fazia parte do adro da Igreja de Santa Maria. Durante as obras de requalificação da zona, foram encontradas, três sepulturas medievais, que se supõe datadas dos Séculos XIII/XIV, integralmente escavadas na rocha com orientação Nascente/Poente, talvez com carácter simbólico, e como forma de recordar a crença popular – “Quando mais perto as sepulturas estivessem das igrejas, mais fácil seria a entrada no Paraíso”.
Numa tão nobre parte da cidade, a presença das sepulturas, depois da requalificação do local, ficou marcada no pavimento através da colocação de cubos de granito de cor diferente da do espaço envolvente.
In, História da Freguesia de Santa Maria – Covilhã, António Garcia Borges
Nos fins dos anos 30 do século passado, a Câmara Municipal da Covilhã tinha como preocupação construir um edifício para centralizar os mercados que se realizavam em diversos locais da cidade ao ar livre.
O terreno escolhido, para a construção deste espaço, foi o espaço situado em frente às muralhas entre o Postigo da Barbacã e a Porta de São Vicente, que faz um ângulo reto com a Rua António Augusto de Aguiar e Rua de Olivença. Este terreno foi adquirido por escritura de 10 de Julho de 1940, pelo Município da Covilhã, que era representado pelo seu Presidente Dr. Luís Victor Tavares Baptista (Capitão Médico). A proprietária do terreno era a D. Maria da Natividade Trigueiros Osório (Viscondessa do Sardoal).
Após s sua aquisição, a Câmara Municipal da Covilhã, começou imediatamente com as obras para a construção do Mercado que ficou com três pisos, um terraço a todo o comprimento e um logradouro na entrada principal. Foi também construído, junto a este, um pequeno edifício para os vendedores pagarem os impostos.
O edifício, já concluído, foi inaugurado a 8 de Dezembro de 1943, e abriu seguidamente ao público, ficando ordenado segundo os seguintes produtos: 1º piso – venda de azeitonas, aves e ovos; 2º piso – composto por talhos, lateralmente, e bancas de pão, bolos e queijos ao centro; 3º piso – venda de peixe com a instalação de mesas retangulares laterais e venda de hortaliças, frutas e feijão. No logradouro, vendiam-se no Verão melões e melancias – e era utilizado também para a atuação dos popularmente chamados vendedores da banha da cobra…
Com o desenrolar dos tempos, devido ao sal usado no peixe que ali se vendia, o edifício começou a dar sinais de degradação. Por isso, nos anos 1992/1993, foi construído um novo edifício no logradouro do mercado, onde passou a fazer-se a venda do peixe. Por essa altura, o terraço, que era aberto, foi dotado de uma cobertura, e foram construídas dezenas de lojas para que os vendedores ambulantes pudessem aí vender os produtos do seu comércio, como roupas, calçado, bijutarias, etc.
Atualmente a distribuição efetuada no edifício do mercado é: 1º piso – Loja Ponto já; 2º piso – Silo Auto e Loja Vodafone; 3º piso – venda de frutas, hortaliças, queijos, feijão, pão, bolos, carne entre outros; 4º piso – Empresa Call-Center; no logradouro, continua a fazer-se a venda do peixe.
In História da Freguesia de SANTA MARIA - Covilhã, António Garcia Borges
Pela lei de 26 de Abril de 1883, o governo foi autorizado a construir o caminho-de-ferro da Beira Baixa; por portaria de 28 de Julho de 1887, foi aprovado o projeto dessa linha férrea que passava num lugar desta cidade chamado “Corredoura”. Esta linha tinha início na cidade de Abrantes e daí ligava à linha do Oeste e do Norte, que terminava na Guarda onde depois se ligava à linha da Beira Alta que fazia ligação com a fronteira de Vilar Formoso.
O primeiro troço desta linha foi até à Covilhã em 6 de Setembro de 1891, dia em que foi inaugurada pelo Rei D. Carlos e pela Rainha D. Amélia.
O comboio chegara às 17h entre vivas e aclamações de entusiasmo dos covilhanenses, a estação estava repleta de gente.
A Câmara Municipal, as autoridades civis e militares e as pessoas mais gradas da cidade, todos estavam presentes.
Os monarcas e todos os seus acompanhantes foram recebidos sumptuosamente no palacete do Refúgio pertencente ao Sr. Cândido Augusto Albuquerque Calheiros, dado que o Sr. Comendador Marcelino Ventura se encontrava muito doente.
Em reconhecimento pela grandiosidade da receção, o Rei concedeu o título de “Conde do Refúgio” so Sr. Augusto Albuquerque Calheiros.
O Sr. Dr. Eduardo Coelho, jornalista, escritor e fundador do jornal Diário de Notícias, fazendo parte da comitiva real, escreveu as seguintes palavras: “Sua Alteza Real visitou a fábrica José Mendes Veiga & Sucessor que emprega 850 pessoas, a de Campos Melo & Irmão que emprega 650, a de Alçada & Mousaco que emprega 400 e a de Sebastião Rato que emprega 300. São estas as quatro fábricas mais importantes da Covilhã.
Na cidade da Covilhã são fabricantes ou operários de lanifícios, o barbeiro, o sapateiro, o chapeleiro, o carpinteiro, o empregado e talvez o magistrado e até alguns padres, poucos dispensam o produto imediato do tear ou do pisão, do tinto ou da tenda. As crianças quase que têm como único brinquedo, em passando dos três anos, o encherem as canelas, esses são os seus bonecos, e não é raro vê-las ao colo das mães a aprender a escolher a lã.
É uma febre endémica local estacionária, filha do país, tendo as suas causas naquele solo, e atacando as pessoas que o visitam.
Em poucas ruas deixará de se encontrar um tear, um tinto, um preparo de corda, uma escolhedora, uma tenda ou oficina de ultimação.
Um escritor português erudito admitiu um céu de veludo azul, pois aqui pode-se dizer sem grande impropriedade, que se respira uma atmosfera de lã, que se como e se bebe lã, que lã é a alegria, e por ser o primeiro centro fabril de Portugal, alguns autores chamavam-lhe “Manchester Lusitana”, e o jornal o Século nº 6123 chama-lhe «Vernier portuguesa».
A ponte do caminho-de-ferro denominada Anaquim, fica situada sobre a Ribeira da Carpinteira no Sítio das Poldras.
Este topónimo advém do facto de ali ter existido a fábrica de lanifícios “Anaquim & Copeiro”.
Esta ponte, lançada entre duas vertentes que ladeiam um curso de água e uma estrada, é composta por dois pilares em pedra de cantaria, com arcos adoçados, e ao centro tem um tabuleiro metálico com barras cruzadas; na parte superior, assentam os carris e as travessas.
A Ponte do Anaquim foi construída no ano de 1893.
In, História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Covilhã, António Garcia Borges
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PONTE DOS OITO ARCOS
A Ponte dos Oito Arcos é uma ponte por onde passa o caminho-de-ferro que liga a Covilhã à Guarda e está localizada sobre o Ribeiro de Flandres. O topónimo deriva da sua arquitetura ser composta por oito arcos adoçados.
O traçado forma uma curva composta por sete pilares em pedra de cantaria da Região da Covilhã (Serra da Estrela), com arcos adoçados onde assentam os carris e as travessas.
Foi construída no ano de 1893, por um empreiteiro de nome Fazenda, natural da Covilhã.
In, História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Covilhã, António Garcia Borges
No ano de 1947 foi celebrado um contrato para a construção de um bairro operário a sul da Rua e Travessa do Rodrigo, com habitações económicas destinadas a trabalhadores da indústria de lanifícios.
Este, foi construído com base num acordo estre a Caixa Sindical e Previdência do Pessoal da Industria de Lanifícios, e a Câmara Municipal da Covilhã, que comparticipou a obra, juntamente com um subsídio financeiro atribuído pela Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios. Previa-se a construção de um bairro com 100 habitações, sendo metade de tipo A e metade de tipo B.
Competia à Câmara Municipal da Covilhã, a construção, junto a este bairro, de um edifício escolar com 8 salas, bem como das infra-estruturas de arruamentos, água, luz e esgotos.
Em 1948 procedeu-se à compra do terreno, para a construção deste bairro destinado às classes menos abastadas, e que pertencia aos proprietários António Pessoa de Amorim Morão e sus esposa, Berta de Castro Melo Pessoa de Amorim Morão, pela quantia de 460.000 escudos; a Rafael Pessoa de Amorim Morão e esposa Maria helena celeste Forjaz Pereira de Sampaio Guerra e Sá Morão, pela quantia de 40.500 escudos e a Maria da Natividade Trigueiros Frazão, pela quantia de 50.000 escudos.
Em 1949 foi adjudicada, a João da Costa Riscado, a empreitada da Construção de mais 50 moradias do tipo B, junto das 100 já implantadas.
No ano de 1950 foi celebrado o contrato da urbanização do bairro a João da Costa Riscado, pelo valor de 693.084 escudos.
Em 1951 foi adquirida uma parcela de terreno a Capitolina Alçada e outros, para a construção de mais casas para operários e foi celebrado o contrato de empreitada da construção de mais casas para operários e foi celebrado o contrato de empreitada da construção de 26 moradias, adjudicadas a João Costa Riscado, pelo valor de 1.337.500 escudos.
Nesse mesmo ano foi assinado o auto de entrega das casas do Bairro do Rodrigo, constituído por 100 moradias, num total de 24 prédios de 2, 4, 6 e 8 habitações cada; tendo sido edificado em regime de empreitada, pela Câmara Municipal da Covilhã, Caixa Sindical de Previdência do Pessoal da Indústria de Lanifícios, com a Comparticipação da Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios, de acordo com contrato celebrado em 1947.
No ano de 1952, a Câmara Municipal da Covilhã procedeu à aquisição de terrenos anexos para a construção de mais casas de renda económica.
Nos finais de Fevereiro de 1953, a Câmara Municipal da Covilhã procedeu à distribuição de 26 novas habitações.
Após a construção do bairro foram atribuídos os seguintes topónimos; às várias ruas para Rua Fernando Henrique da Cruz; Rua Francisco Rodrigues Taborda; Gregório Baltazar; João Batista Roseta; João Mendes Alçada de Paiva e Joaquim Pereira e Espiga.
A zona do Rodrigo ainda é composta por outras ruas, designadamente: Rua do Rodrigo; Rua Grupo de Instrução e Recreio; Travessa do Rodrigo; Rua da Tapada; Calçada das Poldras; Rua Mateus Fernandes e Rua Ferreira de Castro.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
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Ano de 1953 - Construção do Bairro do Rodrigo.
O Bairro do Rodrigo foi construído nos finais da década de 40, só para operários da indústria de lanifícios. Foram impulsionadoras a Caixa Sindical de Previdência e a F.N.I.L. (Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios).
IGREJA DE SANTO ANTÓNIO
A Capela de Santo António está situada no Bairro do Rodrigo. Foi inaugurada no ano de 1954. É composta por um só altar.
O Altar-mor tem, colocada na parede, uma Imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo Ressuscitado; nos lados estão colocados dois painéis pintados em madeira, um com a Imagem da Santa Luzia e o outro com a de Santa Marinha.
À direita do Sacrário encontra-se colocada, numa coluna esculpida em pedra, a Imagem de Santo António, Orago da mesma capela.
Na nave, estão duas colunas, de cada lado, trabalhadas em madeira, com pintura dourada estilo Rococó, a do lado direito com a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, e a do lado esquerdo com a do Sagrado Coração de Jesus.
Em 29 de Abril de 1988, começou a pensar-se em melhoramentos da capela, passado algum tempo, começou a ser construído um salão polivalente, no lado esquerdo que é utilizado para sacristia, catequese e casa mortuária, tendo sido inaugurado em 9 de Abril de 1991.
Passados alguns anos teve um novo melhoramento, tendo sido construído um alpendre fechado na porta principal, servindo para resguardar do vento e do frio.
É de referir que os dois painéis que se encontram no Altar-mor, as duas colunas que se encontram na nave, a porta principal em pedra e o campanário, fizeram parta da antiga Igreja de Santa Marinha.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
GRUPO DE INSTRUÇÃO E RECREIO
Esta Associação Cultural e Recreativa foi fundada no dia 2 de Abril de 1921. Foram fundadores José António Lopes (também conhecido por José Anastácio) juntamente com mais cindo companheiros: Bernardo dos Santos, Joaquim Brásia, Álvaro Mineiro, Mário Paiva e João Lemos. Todos homens de grande valor, com intuitos culturais e sociais cujos objetivos eram instruir e recriar, que de entre as suas múltiplas iniciativas, destaca-se o combate ao analfabetismo e a criação de uma lutuosa.
O G.I.R. teve origem na taberna de José António Lopes. A Direção, então formada, era integrada pelos seguintes membros, José António Lopes, Presidente; José Albino, Primeiro Secretário; António Quintela, Tesoureiro e Alfredo Fonseca, Vogal. Foi escolhido como colaborador Alfredo S. Romano.
Nasceu, então, a primeira escola primária do Rodrigo, fundada por José António Lopes, que após o seu horário de trabalho dava atenção a este grupo que administrava.
As aulas, que eram noturnas, eram frequentadas por adultos associados, tendo sido, os primeiros professores, José António Lopes, Armando Afonso, António Quintela e Belmiro da Fonseca.
O número de sócios foi aumentando, o que tornou necessário arrendar uma casa da Rua Mateus Fernandes onde se manteve por poucos meses. Passado algum tempo, foi arrendada a casa com o nome “Zé da antónia”, situada na mesma zona e, pouco depois, passou para a casa intitulada “Francisco Gigante”, onde se manteve vários anos.
Neste último edifício foi criada uma escola para crianças, que tinha como professora D. Adelaide, de apelido “Cabeças”, e depois a D. Rosa Fazenda. Eram aí lecionadas aulas diurnas para os filhos dos associados.
Devido à aderência da população instalaram-se na casa dos herdeiros “Francisco Dias Freira”, que era um local mais amplo e, nessa altura, formou-se uma comissão administrativa da qual faziam parte: Francisco Coelho, António da Cruz Fazenda, José Jacinto Proença, Alexandrino Vaz e Manuel dos Santos Tavares.
O G.I.R. sofreu um impulso dando maior amplitude ao ensino e organizou uma escola com todo o material didático. Esta escola foi inaugurada pelo Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Dr. José de Almeida Eusébio, no ano de 1928.
Em 1931, o Governo reconheceu o mérito e a utilidade pública desta escola, tendo nomeado, para ela, uma professora oficial, D Adelina Aguiar Pais, que lecionou com a maior competência durante anos até à extinção da escola, que ocorreu quando se construíram as escolas primárias do Bairro do Rodrigo.
Nos anos 30 foi adquirido um terreno para construção da sede própria. O associado Sr. António Fael emprestou a sua camioneta para se fazer o desaterro necessário à implantação do edifício. Os restantes associados também ajudaram, carregando as pedras nos seus carros de bois. Para o efeito e segundo se consta foi necessário o associado Sr. António Quintela empenhar o seu ouro, na Caixa Geral de Depósitos, para a compra da telha…
Em 1942 foi fundada a lutuosa, que tinha como objetivo pagar os funerais, a todos os associados e familiares /esposas e filhos). O G.I.R. pagava os funerais dos sócios falecidos, porque não existia então um regime de Segurança Social que assumisse esse encargo. A lutuosa era constituída por um grupo de sócios que acompanhava os funerais, levando a urna na carreta e empunhando o respetivo estandarte. A sua existência foi curta, tendo terminado, no ano de 1949, com o surgimento das casas funerárias. O subsídio, que era inicialmente de 500$00 passou, mais tarde, a ser de 1.000$00. Com a formação das Caixas de Previdência, este subsídio foi extinto.
Na década de 40 o G.I.R. promoveu um ciclo de conferências, onde o Prof. António Esteves Lopes, o Engº Ernesto Melo e Castro, o publicista Mário Quintela, o escritor Ferreira de Costa, o Dr. Aristides Vaz de Barros, José Bernardo Gíria e Francisco Teixeira David, entre outros, proferiram algumas palestras. O G.I.R. publicou parte destas conferências em livros, que se tornaram muito raros.
No ano de 1954 criou o Rancho Folclórico, constituído só por adultos.
O terceiro piso foi construído e inaugurado no ano de 1961 e, nesse mesmo ano, é editado um jornal com o título de “!Boletim do Grupo Instrução e Recreio”.
A Direção tomou a iniciativa de realizar, no ano de 1966, os Primeiros Jogos Florais da Covilhã, que foram coroados do maios êxito. Nos anos seguintes promoveu os II e III, Jogos Florais, que alcançaram ainda maior êxito.
A Câmara Municipal da Covilhã, por altura do seu centenário de elevação a cidade, propôs-se a levar novamente estes jogos a efeito, o que não se verificou. Desde então nunca mais se realizaram.
Na década de 70, a iniciativa do G.I.G., a par da criação de escolas, que tinham como primeiro objetivo instruir, criou um grupo de teatro, tendo este realizado várias representações.
Nos anos de 80 foi criada a secção de desporto que desenvolveu as seguintes modalidades: Torneio de Malha, Bilhar, Xadrez e Damas. Desta última modalidade saíram vencedores no Torneio da Covifeira no ano de 1990. No ano, de 1992 participou nas Marchas Populares da Covilhã tendo ficado classificado em 1º lugar.
A 20 de Outubro de 1990, a Câmara Municipal da Covilhã deliberou agraciar esta Associação Cultural e Desportiva com a Medalha de Prata. Também a Câmara Municipal deliberou dar um topónimo a uma Transversal da Rua do Rodrigo, sendo este, Rua Grupo Instrução e Recreio.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
CENTRO CULTURAL E DESPORTIVO DO RODRIGO
Esta associação desportiva e cultural foi fundada a 2 de Setembro de 1952, com o nome de “Centro de Recreio Popular do Bairro do Rodrigo”. Não tinha sede, pelo que se instalou no edifício do Grupo de Instrução e Recreio, mediante acordo celebrado entre as duas coletividades.
A fundação desta associação deveu-se ao facto de o Grupo de Instrução e recreio não estar filiado na antiga FNAT /Fundação Nacional para Alegria no Trabalho) e, por isso, estar impedido de participar nas atividades desportivas e culturais promovidas por aquela Fundação, que, eram reservadas apenas aos CDC. Foi, então criada esta nova associação para permitir que, através dela, os associados do GIR pudessem participar nas atividades da FNAT, já que os associados seriam comuns às duas coletividades.
Desde o seu início teve como modalidades desportivas o futebol, o atletismo, o voleibol e o andebol. Foi na mesma época criado um Rancho Folclórico.
No ano de 1965, a Direção resolveu tornar-se independente do Grupo de Instrução e Recreio, instalando-se em sede própria, na Rua Mateus Fernandes, nº 57.
No ano de 1975 começou a denominar-se Centro Popular dos Trabalhadores do Rodrigo. Em 1984 voltou a mudar de nome e passou a designar-se Centro Cultural e Desportivo do Rodrigo.
Introduziu a modalidade de xadrez, tendo sido campeão nacional de 2001 a 2003.
Em Junho de 2008, o Centro Cultural e Desportivo do Rodrigo adquiriu uma nova sede composta por um ringue desportivo. Situa-se no Bairro do Rodrigo, junto à Rua da Corredoura.
No dia 26 de Maio de 1950 foi deita a escritura de compra de três propriedades e parte de outra junto à estação do caminho-de-ferro e da cadeia desta cidade, pela quantia de 720.000 escudos como consta do livro de Atas nº 17 da Câmara Municipal da Covilhã, à família Santos Viegas de Seabra, representada por Aldegundes Maria Pinto Mesquita; como segundo outorgante estavam presentes: Anthero Frederico de Seabra e sua esposa Maria Augusta dos Santos Viegas de Seabra e Maria Hermínia dos Santos Viegas de Seabra representada pela Aldegundes Maria Pinto Mesquita. Como terceiro outorgante: Dr. Carlos Coelho, Presidente da Câmara Municipal da Covilhã.
Estas propriedades encontravam-se descritas na Conservatória do Registo Predial da Comarca da Covilhã, sob o nº 28362 e inscritos na matriz rústica da freguesia de Santa Maria Maior, sob o nº 436 denominadas «chindeiras». As restantes propriedades tinham número 759 inscrito na matriz rústica da freguesia de Santa Maria Maior sob. o nº 492 e o último terreno também se encontrava descrito na referida conservatória sob o nº 23496, inscrito na matriz rústica da freguesia de Santa Maria Maior sob o nº 434.
A Câmara Municipal da Covilhã vendeu, ao Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, 30 lotes de terreno no local da estação de caminho-de-ferro da Covilhã, por 806.058 escudos, onde foi implementado o bairro social de rendas económicas, para alojar famílias operárias.
Construído em três fases de construção bastante distintas entre si:
A 1ª fase de construção inicia-se em 1955, um quarteirão fechado de 15 lotes com logradouro no interior composto por 83 fogos e 8 lojas; O bairro caracteriza-se por blocos de habitação coletiva de três a quatro pisos e apresentam 7 tipologias diferentes.
A 2ª fase inicia-se em 1961 e caracteriza-se por blocos de habitação coletiva isolados; inicialmente estava prevista a construção de 11 blocos, tendo sido apenas construídos 6.
A 3ª fase construída no ano de 1963, em 2 blocos isolados, com uma altura de 4 andares.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
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TRIBUNAL JUDICIAL DA COMARCA DA COVILHÃ – CASA DOS MAGISTRADOS
No dia 13 de fevereiro de 1950 foi feita a escritura de compra e venda de uma casa e de uma propriedade rústica no sítio da estação de caminho-de-ferro desta cidade, a Beatriz Augusta Leal dos Santos Gascão Nunes, pela quantia de 850.000 escudos – consta no livro de Atas número 16 da Câmara Municipal da Covilhã.
Estes prédios encontravam-se descritos na Conservatória do Registo Predial da Comarca da Covilhã, sob o número 9826, livro b. 28 e 22.279 livro b. 59.
O Tribunal Judicial da Comarca da Covilhã e a residência dos magistrados foram inaugurados no ano de 1957, tendo sido construído em pedra da região e é um dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Dispõe de uma sala de audiências com um grande painel de azulejos representando a justiça e de uma secção central que dá apoio à secção do 1º Juiz, do 2º Juiz e do 3º Juiz, Serviços do Ministério Público, Conservatória do Registo Civil e Arquivos.
Junto a este edifício foi construído um outro, em pedra da região, para residência dos Magistrados.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
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URBANIZAÇÃO NA ZONA DO CENTRO COMERCIAL DA ESTAÇÃO
No dia 7 de Março de 1977 foi feita a escritura da venda de um lote de terreno, pela quantia de 350.000 escudos. À Câmara Municipal da Covilhã, para construção urbana, sito no Bairro da Estação, na zona do bloco estrela, com a área de 297 m2, onde foram construídos vários blocos habitacionais e o Centro Comercial da Estação, a Pedro Francisco Pereira Baptista, sua esposa Fernanda Pinto André Mendes Baptista; António Augusto de Ascensão casado com Olga Fernanda de Oliveira Marques; António José Castela, José Carlos Adonis Gomes de Almeida; Manuel Duarte da Costa; José Tomás Amaral; José Carlos Cavaca Gouveia; Carlos Alberto da Silva Gomes e Joaquim dos Santos Belo.
Atualmente a urbanização do Bairro da Estação tem os seguintes topónimos: Rua Conde da Ericeira; Rua da Misericórdia; Rua Arquiteto Calais; Rua João Alves da Silva (antiga Rua Heróis de Dadrá); Rua D. Sancho I; Avenida 25 de Abril (antiga Avenida de Salazar); Largo Francisco Sá Carneiro; Praceta Dr. Duarte Simões; Rua Zeca Afonso; Rua Mateus Fernandes; Rua de Acesso à Estação; Avenida Europa; Rua Irmãos Bonina; Rua António Lopes e Avenida Rio de Janeiro.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
ESTABELECIMENTO – PRISIONAL REGIONAL DA COMARCA DA COVILHÃ
No ano de 1949 a Câmara Municipal da Covilhã expropriou, a Barbara de Jesus Gigante, um terreno sito na Rua Conde da Ericeira ou Cruz da Rata, freguesia de São Pedro, Concelho da Covilhã, composto de uma casa com rés-do-chão e primeiro andar, com superfície de dez mil e cinquenta metros quadrados e logradouro com a área de dois mil cento e cinquenta metros quadrados, inscrito na matriz predial sob o artigo no 323 da freguesia de São Pedro, com o valor tributável de vinte e três mil oitocentos e quarenta e dois escudos e quarenta e cinco centavos.
Esse terreno foi destinado à construção do Estabelecimento Prisional Regional da Comarca da Covilhã que se efetuou na década de 1950.
Foi construído na década de 1950
O edifício tem a forma geométrica de um octógono, e arquitetura do Estado Novo.
É um belo edifício, com dois pisos e de grande dimensão rodeado por um muro a toda a volta e é propriedade da Câmara Municipal da Covilhã.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
ACONDICIONAMENTO TÊXTIL
A construção do Acondicionamento Têxtil foi adjudicada, em 1950, por um concurso à empresa Construtora Abrantina Lda. pela quantia de três milhões novecentos e trinta e seis mil e trezentos e sessenta e sete escudos, de acordo com o projeto da autoria do arquiteto Rodrigues Lima, tendo o custo final da obra e equipamentos ultrapassado os vinte e cinco mil contos, valores provenientes na integra dos fundos da Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios «F.N.I.L.».
No dia 25 de janeiro de 1950, a Câmara Municipal da Covilhã celebrou a escritura de venda de uma parcela de terreno no sítio da cadeia, freguesia de Santa Maria Maior a José Laureano de Moura e Sousa e seu representante, membro da direção da Federação Nacional dos Industriais dos Lanifícios.
Este equipamento de natureza técnica tinha, por finalidade o controlo de qualidade de todos os produtos e matérias-primas relacionadas com a indústria de Lanifícios.
A 28 de junho de 1952 foi inaugurado o edifício do Acondicionamento e Laboratório Têxtil da Covilhã.
Em 1982, o imóvel foi encerrado.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
ESCOLA SECUNDÁRIA FREI HEITOR PINTO
O Liceu Municipal da Covilhã foi criado por publicação do Decreto-Lei nº 23.685, de 21 de Março de 1934, que contém apenas dois artigos de seguinte teor: “art. 1º - é criado na cidade da Covilhã um liceu municipal, de frequência mista, que deverá funcionar a partir do ano letivo de 1934/1935 e será regido pelas disposições do Estatuto do Ensino Secundário, aprovado pelo Decreto com força de lei nº 20.741, de 18 de dezembro de 1931, e dos decretos com força de lei nºs. 21660 e 21706 e respetivamente de 3 de junho e de 17 de setembro 1932 art. 2º - é revogado o Decreto nº 20.930, de 20 de fevereiro de 1932”.
A Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Covilhã apresentou ao Governo a proposta para construção de um edifício expressamente destinado a liceu, independentemente da Escola Industrial Campos Mello, para poder começar a funcionar em Outubro de 1934.
Estava dado o primeiro passo para a satisfação dos covilhanenses a nível escolar. Havia porém, muitas contrariedades quanto à escolha do patrono do liceu, uma vez que o carisma intelectual e de patriotismo de Frei Heitor Pinto se coadunava perfeitamente com o título desejado. “A Comissão Municipal, presidida pelo Dr. Almeida Garrett atendendo ao Cedreto nº 21706, tem a faculdade de prestar homenagem a uma personalidade local que se tenha distinguido pelos seus serviços à Pátria e ao Município”. A 7 de agosto de 1934, no Decreto-lei nº 24312, é atribuída a designação do liceu Heitor Pinto àquela escola e no primeiro ano matricularam-se 182 alunos, de ambos os sexos, sob a lecionação de seis professores incluindo o Reitor.
O edifício do Liceu Heitor Pinto funcionou na Rua dos Combatentes da Grande Guerra até ao ano de 1968, passando depois a funcionar na Avenida Salazar, hoje 25 de Abril, em novos edifícios com diversos pavilhões construídos de raiz.
No dia 21 de março de 1970 o Liceu Nacional da Covilhã foi inaugurado por Sua Exª. O Presidente da República Almirante Américo da Deus Rodrigues Tomás.
Em 1974 passou a designar-se a Escola Frei Heitor Pinto.
Cronologia dos Reitores e Presidentes
Reitores
Dr. Manuel Rabaça – 1934-1936
Dr. Feliciano Ramos – 1937-1938
Dr. Paulo Sousa – 1938-1939
Dr. Joaquim Vasco – 1939-1950
Dr. João Fonseca Silva – 1950-1954
Dr. Alfredo Antunes dos Santos – 1954-1959
Dr. José Abrantes da Cunha – 1959-1967
Dr. Domingos Rijo – 1967-1974
Conselho Diretivo da Escola Secundária Frei Heitor Pinto
Drª Vitoria Campos – 1974-1975
Dr. Luís Canas Ferreira – 1975-1978
Drª Leonor Abreu – 1978-1980
Dr. Fernando Panarra – 1980-1984
Dr. Luís Alberto Amoreira – 1984-1986
Dr. Fernando Panarra – 1986-1991
Conselho Executivo
Dr. Aníbal José Trindade J. Mendes – 1991-1993
Drª Maria Cabral Nogueira – 1993-1994
Drª Fernanda da Costa – 1994-1997
Dr. José Manuel Gonçalves Rodrigues – 1997-2002
Dr. Aníbal José Trindade J. Mendes – 2002-2009
In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges
O Bairro dos Penedos Altos localiza-se na zona mais a Norte da Covilhã, junto à Ribeira da Carpinteira. Este bairro, foi o primeiro bairro social inserido nos programas habitacionais do Estado Novo. Designadamente no programa de casas económicas.
Em 1936, foi realizada a venda da Quinta dos Melos, “Penedos Altos”, por Georgina Geraldes de Lima e Cunha de Campos Mello, casada com José Maria Castro Campos Mello às seguintes entidades: Câmara Municipal da Covilhã; Caixa Sindical de Previdência do Pessoal da Industria de Lanifícios e à Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios, para construção de um bairro operário.
No ano de 1940 foi adjudicada a 1ª fase ”bairro de cima”, aos construtores António Alves Franco Júnior; Augusto Domingos e Joaquim da Silva Reis para a construção de casas com habitações de piso único e diversas tipologias para alojar agregados familiares de várias composições. Todas as casas possuem um quintal nas traseiras.
Em 1946, para dar continuidade à construção do bairro, foram adquiridos terrenos aos seguintes proprietários, Eng. Telo de Carvalho Simas e esposa bem como a Carlos Mello e Castro e esposa Isilda Castro Campos Mello e Matos, e outros. Nessa data, teve lugar a assinatura do empréstimo no valor de um milhão e seiscentos e quinze mil escudos à Caixa Geral de Depósitos às seguintes entidades: Câmara Municipal da Covilhã; Caixa Sindical de Previdência do Pessoal da Indústria de Lanifícios da Covilhã, para fazer face aos encargos que lhe competiam na ampliação do bairro.
Seguiu-se, no ano de 1947, a construção da 2ª fase “bairro de baixo” com o autor do projeto Eng. Mário Soares Lopes e os construtores José da Costa Riscado e Manuel Fernandes Pinto.
O bairro de baixo, era composto de habitações de 2 andares, e cujo número de divisões e rendas variavam em concordância com os agregados familiares a alojar. Todas as habitações possuíam um quintal nas traseiras.
O bairro estava dotado de infra-estruturas como saneamento, água, luz, edifício escolar e Igreja.
Em 1953 foram adquiridos terrenos à “Fábrica Alçada & Filhos, Sucessores”, para ampliação do bairro.
Na década dos anos 80 e 90, do século XX, as quintas do Samarra, do Mestre Jaime e Serrado foram vendidas em lotes de terreno para novas construções.
Atualmente, trata-se de um bairro único, dotado de variadas infra-estruturas de lazer; jardins; parque infantil; piscina municipal; escola; pavilhão gimnodesportivo; associações culturais e desportivas e outros equipamentos.
Este bairro é composto pelos seguintes arruamentos; Rua Celestino David; Rua da Calva; Praceta da Calva; 1ª e 2ª travessa da Calva; Travessa D. Filomena Anaquim; Rua D. Maria José Alçada; Rua Dr. Guilherme Raposo de Moura; Rua Dr. Manuel Mendes de Matos; Rua Fernando Antunes; Rua da Igreja; Rua São José; Rua e Escadas do Padre Pita; Caminho dos Moinhos; Rua dos Motoristas; Rua da Piscina; Rua e Escadas do Pinho Manso e Rua do Ribeiro de Flandres.
A Igreja de São José fica situada no Bairro dos Penedos Altos e foi inaugurada em 22 de outubro de 1950. Após a sua inauguração esta povoação passou a ser um Curato (povoação pastoreada por um cura com condições para se tornar paróquia).
Esta igreja tem o Altar-mor, do lado esquerdo, encontra-se colocada, em cima de um pedestal, a Imagem de São José, Orago da mesma Igreja e Paróquia; no lado direito estão dois painéis em azulejos, um alusivo ao Batismo de Jesus por São João Baptista, com uma pomba (descida do Espírito Santo, sobre o seu Filho muito amado) e o outro ao Encontro de Jesus com a Samaritana.
D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, passou este curato a paróquia em Maio de 2009.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
PISCINA DA COVILHÃ – BAIRRO DOS PENEDOS ALTOS
Na década de sessenta, a Câmara Municipal da Covilhã, então presidida pelo Eng. Vicente da Costa Borges Terenas, procedeu à construção de uma piscina no Bairro dos Penedos Altos. A obra, adjudicada ao Empreiteiro José Augusto Bom Jesus, foi inaugurada a 25 de Maio de 1968.
A Piscina Municipal da Covilhã teve novos melhoramentos, com a construção de uma cobertura e aquecimento e foi aberta ao público em 3 de Julho de 1998, inaugurada pelo Presidente da Câmara Municipal Carlos Pinto.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
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CLUBE DESPORTIVO DA COVILHÃ
O Clube Desportivo da Covilhã (C.D.C.) foi fundado em dezembro de 1932, com a finalidade da prática do desporto. Para além de praticar a educação física, este clube iniciou a modalidade de natação, que era praticada no chamado Poço Grande, situado no Bairro Municipal.
Esta associação, encerrou as suas atividades no ano de 1945 por ter sido proibida a prática de natação no Poço Grande (o poço era abastecido de água não tratada, proveniente da Ribeira da Carpinteira, que a montante recebia os esgotos do Sanatório dos Ferroviários).
Por volta do ano de 1954, os antigos dirigentes e associados do Clube entraram em contacto com a Comissão de Melhoramento do Bairro dos Penedos Altos, com vista à aquisição de terrenos pertencentes a essa Comissão, que se encontravam sem utilização, com a finalidade de aí construir um Parque Desportivo. Foi acordada a construção e foram de imediato iniciadas as obras de adaptação dos terrenos, tendo, em 15 de Maio de 1965, sido inaugurado o recinto com a presença do então Diretor Geral dos Desportos, Dr. Armando Rocha.
O C.D.C., além da prática da natação, pratica, ainda, as modalidades de hóquei em patins, xadrez, esqui alpino, futebol e basquetebol.
Nos finais dos anos 60, do século XX, organizaram-se os Torneios de Primavera, no seu parque desportivo, com a prática das modalidades de futebol de salão, andebol, basquetebol, voleibol e hóquei em patins, e onde estiveram representadas todas as Associações Desportivas da Covilhã. Estes torneios deixaram de se realizar no ano de 1999.
Alguns anos depois. O Parque Desportivo foi alvo de obras de requalificação tendo sido coberto, passando a Pavilhão Gimno-desportivo e foi inaugurado com a presença do Governador Civil do Distrito de Castelo Branco, Sr. Alberto Ferreira de Matos Romão zinho e do Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Sr. Augusto Lopes Teixeira.
Em 25 de Abril de 2005, foram construídas instalações anexas com a finalidade de servirem de balneários dos atletas e árbitros.
Na época de 1989-1990 a equipa do C.D.C. manteve-se na 2ª Divisão Nacional de Basquetebol, chegando a disputar a fase final para a subida à 1ª Divisão Nacional.
A Câmara Municipal da Covilhã, para prestar homenagem a esta associação, atribuiu o seu nome a uma rua do Bairro dos Penedos Altos, a Rua do Clube Desportivo da Covilhã, que começa na Rua da Igreja e termina no Pavilhão Gimno-desportivo do C.D.C.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
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CENTRO DE RECREIO POPULAR – ACADÉMICO DOS PENEDOS ALTOS
Decorria o ano de 1954, quando um grupo de habitantes do Bairro dos Penedos Altos, teve a ideia de fundar uma Associação Desportiva e Cultural – o Académico dos Penedos Altos. Foi arrendada uma casa, nas traseiras do prédio do Riscado, na Rua da Igreja, para o efeito. Em 24 de Junho de 1954, a nova Coletividade filiou-se na Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (F.N.A.T.), nos termos dos artigos 24º e 25º dos estatutos daquele organismo, publicados em anexo ao Decreto-Lei nº 37/836, de 24 de Maio de 1950, inserido sob o nº 60.
A frequência de pessoas, na sede, aumentou ao ponto de a direção ter de procurar um espaço mais amplo, onde pudessem ser desenvolvidas mais atividades culturais, desportivas e recreativas.
Surgiu a ideia de arrendar a antiga casa da Quinta dos Melos, da qual eram proprietárias D. Maria Isilda Campos Melo, D. Maria Teresa Lima Campos Melo Moitinho de Almeida e D. Maria Beatriz Lima de Campos Melo.
Feitas as diligências necessárias, a Associação mudou-se para a nova sede, no ano de 1955, ocupando o rés-do-chão. O andar superior estava ocupado pelo rendeiro da família Campos Melo, provisoriamente, até que se concluísse a construção de uma casa no bairro.
Nesse mesmo ano, começaram a praticar-se as modalidades de voleibol e futebol de onze, começando de imediato s disputar os campeonatos da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (F.N.A.T.). No ano de 1957, foram criadas as modalidades de ténis, badmington, hóquei em patins e ténis de mesa.
Em 1963, surgiu a formação de um grupo de teatro, que apresentou várias comédias, farsas e revistas. Nos finais da década de 60, o Académico entra nos Torneios de Primavera, na modalidade de futebol de salão, saindo vencedor nos anos de 1970, 1991, 1992, 1997.
A F.N.A.T., Delegação da Covilhã, no ano de 1966, organizou um Concurso de Presépios, a nível Regional, em que o Académico saiu premiado, tendo-lhe sido conferido o respetivo diploma. Esta Associação não parou de inovar em atividades e, no ano de 1971, introduziu a modalidade de basquetebol.
Em 1979, o Académico participou nos campeonatos da 2ª Divisão, na modalidade de voleibol e, nesse mesmo ano, fez a sua apresentação no Torneio organizado pelos Unidos do Tortosendo, nas modalidades de basquetebol e futebol de salão.
No ano de 1986, organizou o 1º Torneio de Tiro ao Alvo e, em 1987, participou no 2º Torneio Sport Club da Pousadinha e no 1º Torneio da Associação Desportiva de Belmonte.
Nos anos 90, a Direção do Académico, viu-se a braços com o problema da venda da sua sede e dos terrenos anexos. Os Srs. Eng Laurentino Agostinho de Almeida, Moisés Agostinho de Almeida e José Luís Carrilho de Almeida pretendiam a aquisição da Associação para aí construírem uma urbanização. Do projeto constava a demolição da sede do Académico.
A Coletividade não desistiu de lutar pela sua sede, tendo pedido à Câmara Municipal da Covilhã, então sob a presidência do Eng. Jorge Pombo, para intervir. A Câmara começa então a fazer diligências para resolver a situação.
Em 1988, o Académico entra nas Marchas Populares da Cidade da Covilhã, tendo obtido o 2º lugar da classificação geral e o 1º lugar no traje. No ano de 1999 entre no Torneio Quadrangular Juvenil do C.D. West Athletic, disputado no pavilhão do I.N.A.T.E.L., sagrando-se campeão.
Nos finais de 1999, o Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Sr. Carlos Pinto, garantiu:- “O Académico não ficará sem sede”. A Câmara Municipal da Covilhã reuniu com os proprietários do referido edifício, chegando a consenso, sendo posteriormente lavrada a escritura de posse que constou no ponto 8 da Ata elaborada em 14 de janeiro de 2000, anexo 15,
Começaram de imediato as obras de remodelação de todo o espaço, tendo o interior sido renovado e requalificado. As novas instalações foram inauguradas a 23 de Setembro de 2001, pelo Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Carlos Pinto.
In “BAIRROS DA COVILHÔ de António Garcia Borges
LIGA DOS AMIGOS DO BAIRRO DOS PENEDOS ALTOS
Decorria o ano de 1994 quando quatro amigos, sentados à mesa do café “Casa Nova”, no Bairro dos Penedos Altos, conversavam sobre aquele bairro e discutiam a falta de convívio associativo, recreativo e cultural.
Foi, então que resolveram fundar uma nova associação com uma estrutura forte e sólida, e assim surgiu a L.A.P.A. «Liga dos Amigos do Bairro dos Penedos Altos», que foi inaugurada no dia 10 de Novembro de 1997.
Foram seus fundadores: Duarte Nuno Serra Bichinho; José Manuel Matos Fernandes Rato; Paulo Conceição e Fernando Manuel de Jesus Pina.
Em seguida, os fundadores, com outros sócios, foram a primeira direção do clube que, de imediato, teve um grande desenvolvimento na parte social e a que, em 28 de Abril de 2005, foi atribuído o estatuto de I.P.S.S. «Instituição Particular de Solidariedade Social».
A missão foi criada de maneira a agir ativamente e de forma sustentável e empreendedora em diferentes áreas, como ação, cultura, desporto, educação, recreio, saúde e tempos livres, na reabilitação e na promoção da cidadania e da qualidade de vida dos sócios.
No dia 16 de Outubro de 1873, foi inaugurado o monumento ao qual foi dado o nome de “Palmatória” para comemorar a data de abertura da Estrada Nacional nº 230 que liga a cidade da Covilhã à cidade de Coimbra.
Estiveram presentes no acto inaugural o Sr. Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Francisco Joaquim da Silva Campos Melo (Visconde da Coriscada), o Ministro das Obras Públicas (Conselheiro António Cardoso Avelino), o Par do Reino Manuel Vaz Preto e o Deputado Pelo Círculo da Covilhã, Manuel Pinheiro Chagas.
Nos meados do século XIX, mais precisamente a 13 de Novembro de 1842, nascia em Lisboa um dos maiores polígrafos da Língua Portuguesa, Manuel Joaquim Pinheiro Chagas.
Autor polígrafo, escreveu sobre muitos assuntos: romances, poesia, crítica, memórias, monografias, artigos políticos e literários, crónicas, folhetins, dramas e comédias.
Jornalista de largos méritos colaborou, no Diário da Manhã, Gazeta Portugal, Correio da Manhã, Jornal Revolução de Setembro, Primeiro de Janeiro, Revista Contemporânea, Jornal do Comércio, Ilustração Portuguesa, Monitor Português, Diário Popular, Diário Ilustrado, Gazeta do Povo, etc., e teve lugar de relevo na política.
Como militante do Partido Regenerador, foi eleito deputado pelo círculo da Covilhã, em 1871, e reeleito sucessivamente até 1892.
A sua eloquência subjugava o auditório, como sucedeu quando se apreciaram as acusações sobre a escravatura nas Colónias Portuguesas.
A sua vida estava cheia de constantes êxitos: Deputado, Ministro da Marinha e Membro do Conselho da Coroa, Par do Reino, Secretário-Geral da Academia de Ciências, Vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, Presidente do crédito Predial, Presidente da Extinta Associação de Homens e Letras dos Jornalistas de Lisboa, etc.
Recebeu várias distinções como a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago, Grã-Cruz da Ordem de Carlos III de Espanha e de Leoplado da Bélgica e ainda o Grau de Grande Oficial de Legião de Honra de França.
Esta é uma figura portuguesa de que a cidade da Covilhã muito se orgulha de ter sido como seu representante no Parlamento.
Foi promotor da construção da Estrada Nacional nº 230 com ligação da Covilhã a Coimbra, com grande importância para a época e para os dias de hoje, abrangendo quase todo o Concelho da cidade da Covilhã.
In História da Freguesia de São Martinho da Covilhã, António Garcia Borges
A cerca do antigo Convento de São Francisco, foi o primeiro Cemitério Municipal da Covilhã. Os enterramentos terminaram ali em 1874, devido à construção do novo Cemitério na zona do Gameiro, que ainda hoje existe. Foram necessários alguns anos para a transladação dos mausoléus, jazigos, campas rasas e sepulturas, para este novo cemitério.
No ano de 1908, os terrenos foram utilizados para a construção de um jardim público, na altura considerado uma interessante parcela do património citadino.
Foi autor do seu traçado João de Ascensão Loriga, também autor do projeto do coreto. Além da finalidade recreativa, este jardim, do princípio do século XX, teve outras funções. Foi local de festas complementares da Feira de São Tiago (que voltou a este espaço de 16 de Julho a 1 de Agosto de 1999, comemorando os 588 anos desta feira), sem stands disseminados pelos arruamentos e tendo por palco o harmonioso coreto. Neste, era costume, aos Domingos e Quintas-Feiras, na quadra estival, ouvir-se a Banda do “21” (Regimento de Infantaria 21), sob a batuta de Costa Lança. Foi também, palco de espetáculos de beneficência, por ali tendo passado destacados artistas da música ligeira.
A 15 de Fevereiro de 1951, a Covilhã sofreu uma forte tempestade, acompanhada de um grande ciclone, que destruiu muitas árvores e derrubou o velho cipreste do antigo cemitério. Nessa altura deu lugar a uma nova urbanização que se manteve até aos anos 60.
A partir dessa data sofreu grandes alterações, foi demolido o coreto e teve uma nova urbanização, sendo que o povo covilhanense passou a desfrutar de um jardim moderno, retilinto, mas considerado por muitos menos atrativo que o anterior.
Nos finais do século XX, este jardim teve novamente obras de requalificação, passando a parque de divertimento, e foi inaugurado a 29 de Julho de 2001.
In História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, António Garcia Borges
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PALACETE JARDIM
O Palacete Jardim está situado numa área nobre da cidade, entre a Avenida Frei Heitor Pinto e a Rua Conde da Covilhã, junto ao Jardim Público, de frente para o monumento aos Combatentes da Grande Guerra.
Este Palacete foi mandado construir em 1919, pelo antigo proprietário do edifício, o industrial de Lanifícios Joseph Bouhon, nascido na Covilhã, mas que teve origens na Bélgica. Posteriormente, passou à da posse da Família Carneiro.
A obra foi projetada pelo Arquiteto Ernesto Korrodi, e é um belo exemplar da Arte Nova no nosso País, um estilo arquitetónico e decorativo dos finais do século XIX. É bem notória a aliança entre os materiais usados pela Arte Nova: o azulejo, liso de forma geométrica, em painéis decorativos; o granito e o mármore, aplicados de forma original e assimétrica; e o ferro utilizado nas varandas.
Os azulejos dos painéis decorativos das paredes foram importados da Bélgica bem como as loiças sanitárias e os azulejos das casas de banho, segundo informação cedida pela filha do proprietário, Susana Bouhon, que se casou com o filho de Ernesto Korrodi (filho que também foi arquiteto e se chamava Ernesto Camilo Korrodi ).
In História da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, António Garcia Borges
A Fonte Manuelina, é das fontes públicas mais antigas da cidade da Covilhã de que há notícia.
Esta fonte que se situava na Rua da Corredoura, encontra-se atualmente na Avenida 25 de Abril, junto ao Bairro da Estação.
Construída no século XVI, é composta por duas bicas em pedra trabalhada, cada uma com um tubo metálico, e por um tanque retangular de cantaria para onde aquelas desaguam.
O tanque está embutido em três paredes construídas em pedra de cantaria. A meio da fonte e em relevo, estão destacadas as armas nacionais da época de D. Manuel I, que têm de cada lado uma esfera armilar.
FONTE DA BOAVISTA
Esta fonte, está situada da Rua D. Cristóvão de Castro e cruza com as Ruas Comendador Gomes Correia e Capitão João de Almeida.
Este nome deve-se ao facto de a fonte se situar num local muito alto, de onde na época se avistava toda a Cova da Beira e de onde se obtinha uma “Boa Vista”.
FONTE DE SANTO CRISTO (DE CHAFURDO) – Fonte do Lameiro
Esta designação antiga é devida às suas águas serem dirigidas para um lameiro ali perto, onde hoje existe a Casa Paroquial da Freguesia e anexos.
Situava-se na Calçada do Lameiro e o seu caudal foi desviado para o lado lateral da Capela do Senhor da Ribeira, a fim de ser construída a Fábrica de Lanifícios, José Paulo Oliveira Júnior.
Atualmente a dita fonte encontra-se situada na parte lateral da Igreja de Nossa Senhora de Fátima.
FONTE DO MARQUÊS DE POMBAL
Esta fonte fica situada na Rua Marquês d’Ávila e Bolama, em pleno coração da Universidade da Beira Interior. Tem uma arquitetura de estilo Pombalino.
Mandada construir pelo próprio Marquês de Pombal, na época em que foi construída a Real Fábrica de Panos.
Reza a lenda que, na altura, foi também chamada “Fonte das Lágrimas”, pelo facto, de muitos Covilhanenses verem a construção do edifício com as pedras das extintas muralhas da Vila da Covilhã.
Fonte do Marquês de Pombal
Rua Marquês d'Ávila e Bolama
(Séc. XVIII)
FONTE DOS MELOS (DE CHAFURDO)
FONTE DE OLVIDEIRO
Esta fonte foi construída no século XIX, provavelmente entre 1872 e 1879. Toda em pedra, de cantaria da Serra da Estrela, é composta por duas colunas adoçadas e dois lintéis.
No cimo de cada uma encontra-se um pináculo em pedra trabalhada, imitando uma flor, no remate dos lintéis está colocado um vaso esculpido.
Na parte mais abaixo, onde os lintéis formam um ângulo agudo, encontra-se uma pedra, de baixo-relevo, embutida na parede com a inscrição da data da construção da fonte, já com os números sumidos.
Tem duas bicas em ferro e pedra trabalhada, que vertem água para um tanque retangular, embutido na parede.
Fonte de Olvideiro
Largo do Olvideiro
(Séc. XIX)
FONTE DAS TRÊS BICAS
A magnífica e monumental Fonte das Três Bicas foi construída poe António da Silva Leitão, pedreiro de Penamacor.
É uma bela obra de arquitetura do século XIX. Foi esculpida em pedra, em estilo neo-gótico, com quatro colunas com pequenos relevos e três capitéis triangulares. Tem, como elementos decorativos, três caras, três conchas, três bicas em pedra e latão, três pias e quatro mísulas na parede.
No capitel, ao centro, encontra-se uma chapa em ferro, fixa na parede, contendo a informação de que a fonte foi construída pela Câmara Municipal no ano de 1855.
No cimo da fonte, nos três triângulos, encontram-se três vasos em pedra.
Esta fonte esteve inicialmente situada na Praça do Município; mas, no ano de 1940, por virtude das obras de construção do Teatro Cina da Covilhã, foi mudada para a Avenida Frei Heitor Pinto, junto ao Jardim Público.
FONTE DO CONDE DA COVILHÃ
FONTE DAS GALINHAS
Esta fonte foi construída no ano de 1875 e é toda em pedra de cantaria, composta por duas colunas e um lintel em forma de curva. No cimo é ornamentada por um vaso em pedra trabalhado e, no centro, encontra-se uma placa em baixo relevo com a data da sua construção.
No fundo tem duas bicas em latão e pedra trabalhada embutidas na parede, que deitam água para um tanque retangular, todo em pedra de cantaria.
Nas duas colunas, terá existido no passado, em cima de cada uma, um pináculo, que se reflete pela forma arquitetónica que elas apresentam, onde se nota a falta do mesmo.
Esta fonte encontra-se situada na Rua Marquês D’Ávila e Bolama, muito próximo do cruzamento desta rua com a Rua Conde da Covilhã.
Fonte das Galinhas
Estrada Nacional 18
(Séc. XIX)
FONTE NOVA
FONTE DE SÃO SILVESTRE
A Fonte de São Silvestre situa-se no Largo de São Silvestre.
É muito possível que a construção da Fonte de São Silvestre date da década de 1880.
É construída em cantaria, em estilo neo-gótico do Século XIX. É composta, ao centro, por uma placa em granito trabalhado, formando um octógono, que contém ilegível a data da construção. Tendo em conta o pedestal em que se apoia, é muito provável que, no passado, tivesse sido uma fonte de mergulho.
FONTE DE SANTA MARIA
Sem qualquer data de construção mencionada, supõe-se que a Fonte de Santa Maria, situada na parede do pátio de um prédio, na Rua de Olivença, tenha sido ali implantada no início do século XX.
Na sua arquitetura poderá ser observado um desenho feito em cimento com uma bonita pedra, com o bordo redondo e que está colocado em cima de uma coluna também ela em cimento.
FONTE DE SANTO ANTÓNIO
A fonte de Santo António, encontra-se situada no Largo da Infantaria 21, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
É uma obra arquitetónica dos finais do século XIX, inaugurada em 1895.
A fonte está assente em cima de três espelhos de pedra de cantaria, dos quais dois são estreitos e um largo. Além daqueles, tem ainda mais dois, pequenos, que no seu todo formam um hexágono.
A fonte é formada por seis colunas trabalhadas. Tem três pias, mais três mísulas, encostadas na própria coluna, terminando, ao alto, com um capitel que suporta numa esfera armilar em bronze.
“ A ovelha era parte da vida das comunidades na Serra. Não admira, pois que esteja presente nos adágios e na sua filosofia de vida “
- Se queres ter ovelhas, anda atrás delas.
- Tola é a ovelha que se confessa ao Lobo.
- Ovelha que berra, bocado que perde.
- Cada ovelha busca a sua parelha.
- Ovelha que é de lobo, nem Sto. António lha tira.
- Pouco gado, pouco assobio.
- Vinho que nasce em Março vai no regaço.
- Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom centeio.
Lengalengas
O eco
Oh que eco que aqui há!
Que eco é?
É o eco que cá há
O quê? Há eco aqui?
Há cá eco. Há...
Padre Pedro
Padre Pedro
Prega pregos
Padre Pedro
Pardal Pardo
-Pardal Pardo porque parlas?
Eu parlo e parlarei, porque sou pardal Pardo, parlador de el-rei
Cada um
Cada um que vai a casa de cada um.
É porque quer que cada um lá vá:
Se cada um não quisesse que cada um lá fosse.
Dizia a cada um que não fosse cada um lá.
As quatro tábuas
Eu tenho quatro tábuas.
Todas mal atravincontinquelotadas.
Mandei chamar o atravincontiquelador.
Que mas venha atravincotinquelar melhor.
Tradições
Pelo natal é costume queimar-se no adro das igrejas um grande madeiro que se destina a aquecer o menino que vai nascer.
Em algumas terras é tradição roubá-lo noutras, e alguém que o oferece por promessa.
À meia-noite, o povo aproxima-se do madeiro.
Na noite de Ano Novo é de uso mandar às portas com farinha.
Este costume relembra o “ Milagre das portas “.
Pouco tempo após o nascimento de Jesus um soldado de Herodes conseguiu localizá-lo e marcou a porta com farinha, pois era de noite e ele não conhecia bem aqueles sítios. Quando voltou com os companheiros, todas as portas estavam com farinha e desistiu da busca.
Também é costume cantar as Janeiras entre o Natal e os Reis.
O Chá
O chá faz parte da vida intima e social da cidade, oferecê-lo, é uma tradição, aceitá-lo uma cortesia. Há casas adaptadas para o tomar, recantos confortáveis, almofadas convidativas. Mesas, segundo circunstâncias para o chá intimo, para o chá de cerimónia. Baixelas, porcelanas e pratos.
Aconteça o que acontecer haja calor, frio, nevão ou chuva, o chá está sempre a propósito. Faz parte da vida, dos hábitos. Talvez em nenhuma cidade do País se consuma em tão larga escala. Ricos, pobres, patrões, operários, todos o bebem.
Em 1958 Portugal contava já com 465 fábricas de lanifícios, sendo o principal centro industrial na zona da Covilhã. A título de exemplo só na cidade da Covilhã, principal polo industrial de lanifícios do pais, em Dezembro de 1972 e no relatório do Grémio dos Industriais de Lanifícios da Covilhã, havia registadas 99 empresas de lanifícios nesta cidade, que empregavam 6.760 operários, so na cidade, A “Ernesto Cruz & Cª”, actual “Pólo das Ciências Sociais e Humanas da UBI” (Universidade da Beira Interior) era uma das maiores fábricas na altura e empregava 810 trabalhadores. Outra das grandes industrias era a “Lanofrabil”, onde trabalhavam 412 pessoas, e a “Empresa Transformadora de Lãs, Lda.”, actual “Pólo I da UBI”, que empregava 451 operários.
Publicidade a algumas fábricas de lanifícios da Covilhã na “Gazeta dos Caminhos de Ferro” de Janeiro 1948.
Imagens do interior de uma fábrica de lanifícios nos finais dos anos 40 do século XX.
CARDAÇÃO
SELFACTINA - (FIAÇÃO DE FIOS CARDADOS GROSSOS)
TEAR DE MAQUINETA
PENTEAÇÃO
FIAÇÃO
TECELAGEM
A Covilhã chegou a ter mais de duzentas empresas. Hoje tem 10 a 15 empresas de lanifícios. Entre 1989 e 1993, encerraram ou paralisaram no concelho da Covilhã 25 empresas, entre as quais algumas das maiores. A “Empresa Transformadora de Lãs, Lda.”, empregadora, ma altura de 176 trabalhadores, a “Lanofabril”, com 270 trabalhadores e a “Ernesto Cruz & Cª”, com 223 trabalhadores, entre outras de menor dimensão, deixaram sem atividade profissional 1.324 trabalhadores.
O industrial, jornalista e político, José de Bastos Rabaça, nomeado em 1969 para presidir à FNIL, após reforma do Dr. Ubach Chaves, revitalizou a pesada estrutura em que se tinha, entretanto, transformado a FNIL, aliviou a burocracia e democratizou a gestão da Federação. Em 1970, um grupo de covilhanenses, à frente dos quais estava Manuel Mesquita Nunes, então Presidente do “Grémio da Covilhã” e que se destacou como grande industrial nos anos 60 do século XX, lançou as bases para a fundação do “Instituto Politécnico da Covilhã”, que se destinou principalmente a formar técnicos e gestores para a indústria têxtil e que veio a dar origem à “UBI – Universidade da Beira Interior”.
Com o desmantelamento do sistema corperativo em 1974 foi fundada a “Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios”, com sede na Covilhã.
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Lanofabril, Lda.
Antes de 1974 a indústria de lanifícios na Covilhã empregava milhares de operários. Muitas vezes, famílias inteiras trabalhavam na mesma empresa. As crianças entravam facilmente no mundo do trabalho e, a maioria, logo após a instrução primária, se não fosse antes.
Entre as maiores empresas de lanifícios da Covilhã encontrava-se a "Lanofabril, Lda."
No lugar da antiga Porta da Vila, a mais importante das cinco portas das muralhas medievais, mandaram os Filipes, em 1614, construir o edifício dos Paços do Concelho, referido na época como “o mais majestoso da vila”. Era um grande e pesado edifício, que albergava, para além dos serviços municipais, a prisão do concelho instalada no rés-do-chão e outros serviços públicos.
Em frente deste edifício abria-se um vasto terreiro, que viria a transformar-se no centro cívico da cidade. Ao centro levantou-se um pelourinho,que consistia numa coluna de pedra, assente sobre uma plataforma de quatro degraus e tendo por capitel uma roca, com fuste oitavado composto por duas pedras. O pelourinho foi derrubado em 9 de Maio de 1863.
Todo este espaço, foi-se pouco a pouco, rodeando de casas e igrejas, adquirindo o estatuto de Praça do Município, vulgo Pelourinho, onde o povo se juntava, na cavaqueira quotidiana, em festanças, em manifestações, procissões, paradas militares, etc. Ali mesmo se fizeram corridas de touros e se realizaram os mercados semanais. Estes deixaram de se realizar ali, a partir de 1944, aquando da inauguração do mercado fechado em S. Vicente.
Das igrejas construídas perto do Pelourinho, permanece a Igreja da Misericórdia, construída no ano a seguir à Restauração, e que tinha em anexo um hospital para pobres.
A Praça do Município, foi antigamente uma praça arborizada, com bancos e no centro teve coreto onde, em dias festivos tocavam as Bandas da cidade. Os edifícios envolventes tinham como característica essencial o estilo renascentista.
Os “ventos do progresso” que levaram a uma profunda remodelação desta praça, começaram a soprar nos anos 40, que culminou com a inauguração, em 12 de Outubro de 1958 do novo edifício da Câmara Municipal, tendo para a sua construção, sido derrubado o antigo edifício filipino. Com toda esta “modernização” do centro da cidade, a decantada Fonte das Três Bicas foi transferida para perto do Jardim Público. Esta fonte foi construída em 1855, de traça barroca, com colunas trabalhadas e frontões triangulares com pilastras.
Do actual edifício dos Paços do Concelho, exemplo da arquitectura do Estado Novo, deve salientar-se o Salão Nobre, com os painéis da autoria do pintor Lino António, representando, quer momentos significativos da história da Covilhã, quer as suas actividades económicas mais importantes. Numa sala contígua, pode também observar-se uma Tapeçaria tipo Portalegre, do professor António Lopes “Covilhã, Cidade Fábrica, Cidade Granja” e que representa vários quadros da vida da Covilhã. No vestíbulo, encontram-se as estátuas de Frei Heitor Pinto e Pêro da Covilhã.
O Teatro Cine da Covilhã foi construído no local onde existia a Fonte das Três Bicas e o Teatro Covilhanense. A sua construção iniciou-se por volta do ano de 1940, tendo sido feita a sua inauguração a 31 de Maio de 1945, pela companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro.
A arquitetura deste teatro é ao estilo do Estado Novo; o edifício foi mandado construir pela família Pina Bicho. Continua nos nossos dias a ser utilizado para a maior parte dos eventos culturais da Covilhã: Teatro, óperas, Concertos Musicais, concursos internacionais como o de Piano e Cordas, Cinema, Bailados, Exposições, Bailes de Gala, Feiras do Livro, Colecionismo, entre outros.
No mesmo edifício, também estava instalado o Café Montalto, inaugurado na mesma data do Teatro Cine. Este café era o espelho da aperaltada burguesia da cidade da Covilhã, predominantemente composta por industriais e empregados da indústria de lanifícios, e de outras figuras ligadas ao poder e ao dinheiro.
Encontrando-se situado em pleno coração da cidade (Praça do Município), aque eram realizados inúmeros negócios pelos industriais de lanifícios.
Naquela época, este café era o mais amplo e luxuoso que existia na Covilhã e, por isso, a fina flor da cidade, se algum operário ou trabalhador doutras profissões entrasse neste estabelecimento, via isso com maus olhos e até com certo desprezo.
As gentes simples não sentiam À-vontade em aí ir beber um café, devido à maneira como seriam vistos pelos seus patrões e empregador.
Após o 25 de Abril de 1974, a população operária, ao regressar de uma festa que se realizou no Parque Florestal, deu uma volta ao Pelourinho e entrou neste estabelecimento; então, um dos populares subiu para uma mesa e gritou em voz alta; isto é a nossa Bastilha.
Passado algum tempo. O café acabou por encerrar as suas portas. Atualmente o que resta do Café Montalto é a frontaria, o seu interior foi transformado numa agência bancária.
In História da Freguesia de São Pedro da Covilhã, de António Garcia Borges
Únicos em Portugal, os vales Glaciares da Serra da Estrela são hoje a imagem viva de como a glaciação deixou impressionantes testemunhos.
A Rota dos Vales Glaciares permite a observação do local de origem glaciar – a cúpula do cima da montanha – dos vales desenhados pelas várias línguas de gelo e dos depósitos deixados por esta massa de gelo em movimento.
Vale Glaciar do Zêzere, Vale Glaciar de Alforfa, Vale Glaciar de Loriga, Vale Glaciar do Covão Grande, Vale Glaciar do Covão do Urso são os cinco percursos que o gelo traçou e que o Homem pode agora descobrir em perfeita comunhão com a natureza.
Há milhares de anos, a Glaciação na Serra da Estrela permitiu a existência de neves perpétuas (a partir de 1.650m) que se fundiam durante o ano ficando compactadas e dando origem ao gelo.
Assim, acabou por se formar uma cúpula de gelo no Planalto da Torre que teria uma superfície de cerca de 70 Km2 e uma espessura de 80m.
O progressivo aumento da temperatura – sempre negativa, nesta era de glaciação – originou a formação de línguas de gelo que escoavam para as altitudes mais baixas, moldando então os vales já existentes.
O Planalto Glaciar
Corresponde à área outrora ocupada apela cúpula de gelo, formando uma paisagem de rocha nua em que existem depressões ocupadas por lagos, charcos ou prados húmidos. Normalmente não existem arestas vivas já que as rochas foram afeiçoadas pelo gelo em movimento, contrastando com as áreas não afectadas pela calote glaciária, onde as arestas irregulares das rochas subsistiram. Imaginemos aqui a existência de uma calote de gelo com uma altura de 80m.
Os Vales Glaciares
Formam os cinco principais vales desenhados pelo gelo e que agora podemos percorrer. Correspondiam à força das línguas de gelo que escoavam radialmente desde a referida calote da Torre. A partir daqui, vamos seguir os mesmos caminhos que o glaciar percorreu ao longo da glaciação formando este cenário único em todo o Portugal.
O Vale Glaciário do Zêzere
Corresponde à língua glaciária de maior dimensão da Serra da estrela, atingindo os 13 Km de extensão.
Pode ser facilmente observado o local em que o glaciar ultrapassava a zona actual vila de Manteigas, tendo-se dissolvido a cerca de 680 m de altitude. O enorme comprimento do vale glaciário, deve-se ao facto de ter sido alimentado pelas línguas da Nave de Santo António, Covão da Ametade, Candieira e Covões, progressivamente.
A espessura da língua de gelo atingia na parte montante do vale cerca de 300 m, o que pode ser confirmado pela existência de moreias na Lagoa Seca. Na nave de Santo António existem também moreias laterais espectaculares. A jusante, na margem esquerda do Rio Zêzere, abaixo do vale da Candieira, encontram-se moreias mais baixas às quais se chama Espinhaço de Cão.
O Vale Glaciar de Loriga
Situado na vertente oeste, quase atingia o local actual da vila. Tendo início a 1750 m de altitude, perto do Planalto da Torre, apresenta uma série de quatro covões (alguns com aproveitamento hidroeléctrico) que descem abruptamente uma extensão de 7 Km.
Na época do glaciar, o gelo progredia até à atitude máxima de 800 m que, posteriormente, removia todo o manto vegetal deixando a descoberto a superfície do granito sujeita a fracturação que é presente nos dias de hoje.
A ribeira de Loriga é a linha de água herdade deste glaciar constituíndo um dos magníficos cenários da Serra da Estrela.
O Vale Glaciar do Covão Grande
Situado na vertente noroeste, e portanto melhor alimentado pelas quedas de neve, estendia-se a cerca de 5,5 Km em direcção à Lapa dos Dinheiros e apresentava uma espessura de gelo de, pelo menos, 150 m, dissolvendo-se a uma altitude de cerca de 1000 m.
A sua posição elevada foi sujeita a uma erosão glaciária mais intensa e prolongada, sobreescavando a base do vale. Porém, as formas mais espectaculares de serem vistas são as acumulações morénicos da Nave Travessa, actualmente cobertas por vegetação, acumulações de blocos erráticos situados nas margens da Lagoa Comprida, antiga lagoa glaciária.
O Vale Glaciário do Covão do Urso
Situado na vertente noroeste, tinha origem no planalto da Torre, no local dos Conchos e dirigia-se até ao local da actual aldeia do Sabugueiro. Tinha cerca de 6,5 Km de comprimento mas dissolvia-se a uma altitude igual ou superior (1000 m).
Bruscas rupturas de declive, observadas a jusante do Lagoacho e abruptos sucessivos, observados na Nave Descida parecem formar o cenário ideal para a maior moreia lateral da Serra da Estrela, correspondente à fase de maior extensão dos glaciares, prolongando-se por cerca de 3 Km no meio da vegetação que, por vezes, atinge um porte arbóreo.
O Vale Glaciário de Alforfa
Situado na projecção oposta do Vale Glaciário de Manteigas, este foi originado por um glaciar que atingiu os 5,5 Km de comprimento e se dissolveu a uma altitude de 800 m. A sua maior exposição solar em relação ao vale oposto justifica esta diferença de altitude no término do glaciar (120 m). No entanto, este é o vale onde melhor se podem observar os terraços de acumulação proglaciária, acumulações desordenadas de rochas e blocos de grandes dimensões localizados à frente das antigas línguas glaciárias.
Os depósitos mais importantes situam-se a jusante da confluência do Vale da Estrela e do Vale de Alforfa, na junção da Ribeira das Cortes.
A 885 m de altitude, situa-se uma cerca muralhada urbana implantada em zona planáltica.
Engloba o centro histórico da vila de Trancoso.
A Cidadela está isolada a Nordeste sendo antecedida por um pequeno largo com cruzeiro.
Em 1097, Trancoso passa para o Condado Portucalense e em 1159 está comprovada a existência do castelo. No ano seguinte este é definitivamente reconquistado por D. Afonso Henriques que lhe concede foral. Em 1282 é reedificado por D. Dinis que faz construir a cerca muralhada. As torres do lado Norte desta cerca datam de 1530.
É de tipo românico-gótico e tem cerca e Cidadela, ambas de traçado oval irregular. A Torre de Menagem é tronco-piramidal de planta quadrada com pedras dentadas encastrando-se umas nas outras.
Tem quatro portas e três postigos: Portas d’El-Rei, a Sudoeste; Portas do Prado, a Noroeste; Portas do Carvalho ( do Cavalo ou de João Tição ) e de Traição, a Norte. Os Postigos de Olhinho do Sol, a Este, e o do Boeirinho, a Noroeste.
Integra quatro torres sendo três a Oeste e uma a Norte. A Cidadela integra sete Torres.
Por duas vezes, Trancoso foi oferecida como presente de reis a princesas. Primeiro doi dote de D. teresa, mulher do Conde D. Henrique; mais tarde, foi-o do casamento de D. Dinis com D. Isabel de Aragão (a Rainha Santa).
CASTELO DE CELORICO DA BEIRA
Situa-se a 550 m de altitude sobranceiro à Vila e dominando o vale do Mondego. Daí podem ver-se os castelos de Trancoso e da Guarda.
Foi conquistado aos mouros no reinado de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, recebendo aí carta de foral. As obras, então decorrentes no castelo, tiveram a participação dos Templários. Em 1198 é cercado pelos leoneses e recebe socorro de Linhares. O castelo é reedificado nos reinados de D. Dinis e D. Fernando. Em 1762 é assaltado por espanhóis e em 1810 é quartel-general dos exércitos francês e luso-britânico, aquando das Invasões Francesas.
É um castelo de arquitectura militar, de montanha e românico-gótico.
Apresenta recinto muralhado fechado, de traçado circular irregular, correspondendo à Cidadela.
CASTELO DE AVÔ - OLIVEIRA DO HOSPITAL
Situa-se no alto do monte onde se desenvolve a povoação, na margem do rio Alva.
Actualmente subsistem alguns panos da muralha. O recinto tem cerca de 1800 m2.
A primeira fortaleza medieval foi mandada edificar por D. Afonso Henriques, depois mesmodo pai, conde D. Henrique, ter doado Avô ao Bispo de Coimbra.
D. Sancho I concede-lhe foral em 1187 confirmando essa doação. Nas lutas entre D. Sancho e D. Afonso III, o castelo é destruído vindo a ser recuperado por D. Dinis, de cujo reinado datam os actuais vestígios.
A partir de 1856 acelera-se a destruição do castelo, tendo muitas cantarias sido usadas na ponte de Ribeira de Moura e em obras particulares.
A tipologia é gótica-militar. O recinto tem forma irregular. A capela de S. Miguel é um aproveitamento de um edifício medieval.
CASTELO DE LINHARES DA BEIRA - CELORICO DA BEIRA
Situa-se num cabeço em contraforte a Noroeste da Serra da Estrela, a cerca de 820 m de altitude dominando o vale do Mondego.
Foi provável a fundação do castelo pelos Túrdulos, cerca de 580 a.C., passando posteriormente por Visigodos, Romanos e tendo sido destruído pelos Mouros no séc. VIII.
Em 900 foi reconquistado e reconstruído por D. Afonso III de Leão e, posteriormente, reedificado por D. Dinis. No séc. XVII foi feita a instalação do relógio na torre.
É um castelo românico-gótico de planta irregular constituído por dois recintos muralhados fechados. As muralhas assentam em maciços rochosos.
O recinto do lado Oeste, de maior perímetro, corresponde à Cidadela.
Apresenta duas torres: a Torre de Menagem e a Torre do Relógio, a Este.
CASTELO DE CASTELO NOVO - FUNDÃO
Situa-se na encosta Leste da Serra da Gardunha a 650 m de altitude.
Em 1223 já existia o castelo como se comprova pelo testemunho de D. Pedro Guterri.
No séc. XIV D. Dinis manda remodelar a fortificação e, em 1510 é de novo melhorada por D. Manuel. Em 1740 está quase na ruína e, em 1758 sofre derrocada devido a um sismo.
O castelo é de arquitectura militar, gótica e manuelina e era pólo militar de povoação ( hoje Castelo Novo é uma das dez Aldeias Históricas de Portugal ).
Tinha planta longitudinal irregular. É possível perceber a Cidadela com duas portas ( Este e Oeste ).
A Torre de Menagem encontra-se praticamente destruída no topo Oeste. No troço da muralha Oeste ainda existem adarves, ameias e merlões em bom estado de conservação.
CASTELO DE MONSANTO - IDANHA-A-NOVA
Num monte a 758 m de altitude, na margem direita do rio Pônsul, encontra-se o castelo de Monsanto. Integra a Aldeia Histórica e domina as planícies que se estendem desde a Serra da Gardunha.
Após existência castreja, Monsanto tem ocupação visigótica do séc. V ao XI.
Em 1165 há uma tentativa de repovoamento e a doação a D. Gualdim Pais, Mestre dos Templários, por D. Afonso Henriques.
Em 1172 é doada à Ordem de Santiago e dois anos depois recebe carta de foral. Nessa data já existia o castelo. Em 1190 o foral é confirmado por D. Sancho I.
Noa reinados de D. Dinis, D. Fernando e D. João I o castelo é renovado. No séc. XVI possuía quatro Torres, Torre de Menagem e Cisterna.
Em 1704 é cercado pelo exército franco-espanhol e libertado pelo Marquês de Minas. Na segunda metade do séc. XVIII, a cerca muralhada é reconstruída pelo conde de Lippe. Em 1853 é extinto o concelho de Monsanto.
Tem arquitectura militar com três recintos muralhados: um recinto englobante de traçado ovalado; um outro lateral de traçado oblongo, e o terceiro interior rectangular.
CASTELO DE PENHA GARCIA - IDANHA-A-NOVA
O castelo localiza-se na encosta Sul da serra do mesmo nome.
Em 1220, D. Afonso II reconquista a povoação e, de seguida, faz doação da mesma à Ordem de Santiago.
Penha Garcia recebe carta de foral por D. Afonso III em 1256 e verifica-se uma hipotética doação à Ordem de Santiago após a reconstrução das fortificações por D. Dinis.
Este castelo encontra-se sobranceiro ao vale do rio Pônsul numa posição majestática. Em 1303 D. Dinis manda reconstruir as fortificações e, em 1510 recebe novo foral de D. Manuel I.
Antiga fortaleza, Penha Garcia foi até finais do séc. XVIII, couto de homiziados (1790).
Em 1836 extingue-se o concelho e inicia-se um processo de degradação.
CASTELO DE PENAMACOR
Situa-se a 573 m de altitude num cabeço fortificado entre as ribeiras de Ceife e de Taliscas.
A cerca urbana integra a Torre do Relógio e a Casa da Câmara. A Torre de Vigia está isolada num outeiro rochoso.
A construção do castelo e o povoamento de Penamacor resultam, provavelmente, de 1189, data da doação a D. Gualdim Pais, Mestre da Ordem do Templo. Em 1199 recebe carta de foral por D. Sancho I. Em 1300 acontece a construção da segunda cintura muralhada do castelo, da Torre de Menagem e da cerca urbana por D. Dinis. A construção da barbacã e reconstrução do castelo devem-se a D. Fernando e D. João I. A Casa da Câmara é edificada em 1568 sobre a porta de acesso à Vila.
Contíguos a esta Casa da Câmara existem no lado Norte, um baluarte com cortinas escarpadas e que integra duas canhoneiras; no lado Sul, um baluarte parcialmente integrado em afloramento rochoso junto ao antigo Convento de Santo António; os baluartes conhecidos como Reduto da Cavaleira ( a Norte ) e do Outeiro ( a Oeste ).
CASTELO DE BELMONTE
Num cabeço fortificado a 615 m de altitude, na Vila de Belmonte, situa-se aquele que é um dos mais simbólicos castelos portugueses. Aí terá nascido Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil.
O castelo vigia o vale do rio Zêzere e encontra-se sobranceiro à Igreja de Santiago e às Capelas de Santo António e do Calvário.
A edificação deve-se a D. Sancho I, em 1199, data da carta de foral.
Em 1297 perde importância estratégica com o avanço da fronteira sequente ao Tratado de Alcañices. Em 1392, o Bispado de Coimbra permuta a vila de Belmonte pela de Arganil e o castelo reverte, pouco tempo depois, para a coroa, passando a alcaidaria para Luís Álvares Cabral.
Em 1466, a Vila e o castelo são doados a Fernão Cabral por D. Afonso V e a residência dos Cabrais é transferida para o interior do castelo. A construção do edifício junto à porta data dos sécs. XVII – XVIII.
A Torre de Menagem tem planta quadrada e encontra-se adossada à muralha.
CASTELO DA GUARDA
É o castelo que se localiza a uma maior altitude em Portugal (1056m). Possui em perímetro muralhado envolvendo todo o núcleo medieval. A Torre de Menagem, isolada, situa-se numa colina e a Torre dos Ferreiros, a meia-encosta, encontra-se adossada.
O início da construção das muralhas verificou-se nos fins do séc. XII. O primeiro torreão edificou-se no reinado de D. Sancho II, bem como a Torre de Menagem.
A conclusão definitiva, depois de novos surtos construtivos, terminou no séc. XV.
É um castelo de tipo românico-gótico. O perímetro das muralhas é de configuração irregular. A Torre de Menagem tem planta pentagonal irregular. A Torre dos Ferreiros tem planta quadrada integrando porta dupla.
Das antigas portas das muralhas são de referir: a Porta dos Ferreiros e a Porta da Erva ( ou da Estrela ), a Este; a Porta d’El-Rei e a Porta Falsa, a Norte.
PONTE FORTIFICADA DE SEQUEIROS, VALE LONGO - SABUGAL
Ponte fortificada que permite o atravessamento do rio Côa em vertentes de grandes afloramentos graníticos.
A Ponte é sustentada por três arcos plenos, sendo o central o de maior diâmetro. Apresenta uma torre de planta quadrada com vão em arco pleno de ambos os lados. Esta Ponte funcionaria como marcação de fronteira antes da incorporação das terras de Riba-Côa no território nacional. A construção terá acontecido ainda no séc. XIII.
A Ponte é de tipologia românica e tem dois talha-mares, tabuleiro rampante facetado e parapeito em cantaria. O pavimento é lajeado com continuidade em calçada. A Torre significa o dispositivo militar da marcação da portagem fronteiriça.
CASTELO DE SORTELHA - SABUGAL
Localiza-se num cabeço granítico inacessível pela vertente sul. Integra o núcleo urbano da Aldeia Histórica cercada pela linha muralhada. O castelo ocupa o local mais elevado no cimo de um penhasco isolado.
Em 1228 teve carta de foral ( D. Sancho II ) sendo essa a data provável da edificação do castelo. Em 1510, o foral foi renovado por D. Manuel e, em 1527, foi elevado a cabeça de condado por D. João III a favor de Luís da Silveira, Guarda-mor do rei.
Este é um castelo de montanha, românico-gótico com intervenção manuelina. O perímetro urbano é de traçado ovalado irregular. A Cidadela está situada no lado exterior da cerca com a Torre de Menagem de planta quadrada no centro do recinto.
O perímetro urbano muralhado possui quatro portas.
A Porta da Vila ( ou do Concelho ), a Este, em arco quebrado e coberta com abóbada concordante.
A Porta Nova, no lado oposto ( ou Porta Nova da Vila ) com arco pleno e abóbada de berço.
A Porta Falsa, a Noroeste em arco quebrado.
Outra Porta Falsa a Sul, junto ao castelo com arcos no exterior e no interior.
A Noroeste, localiza-se a Torre do Facho, de planta quadrada, peerto da Porta Falsa. Junto à Porta da Vila, encontra-se um torreão de vigia de planta circular e coroamento cónico. A Torre de Menagem, no centro da Cidadela, tem planta quadrada e um piso.
CASTELO DE SABUGAL
Situa-se em local sobranceiro ao rio Côa tendo pertencido ao reino de Leão. Em 1175 pertencia ao concelho de Ciudad Rodrigo mas em 1190, D. Afonso IX de Leão funda o concelho do Sabugal e teria mandado edificar o castelo.
Em 1296, D. Dinis dá-lhe carta de foral e no ano seguinte, na sequência do Tratado de Alcañices, passa a integrar o território português. Em 1303 concluem-se importantes obras no castelo sob a direcção de Frei Pedro do Mosteiro de Alcobaça e, em 1515, o foral é renovado por D. Manuel. De 1641 datam outras obras de beneficiação incluindo a Torre do Relógio. Em 1811, o castelo é base de apoio às tropas luso-britânicas no combate à terceira invasão francesa do General Massena. Em 1846 inicia-se a demolição progressiva da cintura muralhada.
É de arquitectura militar gótica. O perímetro urbano é de traçado ovalado irregular e a Cidadela tem dupla cintura muralhada com barbacã e cubelos cilíndricos. A cintura exterior é de traçado pentagonal irregular e a interior tem 5 torres de planta quadrada.
O castelo tem afinidades com os de Beja, Estremoz e Montalegre.
CASTELO DE ALFAIATES - SABUGAL
Situa-se em local planáltico delimitado por terreiro e com construções rústicas adossadas a dois alçados.
Teve provável origem no séc. XIII com concessão de Carta de Foros e Costumes por Afonso X de Leão e então designado por Castillo de la Luna.
Em 1297 passou a integrar o território português na sequência do Tratado de Alcañices. O foral foi renovado em 1515 por D. Manuel.
Aquando das Invasões Francesas ( 1811 ) o castelo desempenhou importante papel; em 1836 o estatuto concelhio foi extinto e, posteriormente, houve a sua transformação em cemitério com colocação de Cruz e pináculos no alçado principal.
A sua tipologia é românica-gótica de planta quadrada.
A arquitectura é militar, tendo a Cidadela dupla cintura de muralhas, encontrando-se a cintura interna parcialmente ruída.
CASTELO DE VILAR MAIOR - SABUGAL
Localiza-se num cabeço planáltico sobranceiro à povoação, dominando o vale do rio Cesarão. Daí avista-se claramente o castelo da Guarda.
Castelo com provável edificação cerca de 1232, mandada efectuar por D. Afonso IX de Leão. Passou a integrar o território português em virtude do Tratado de Alcañices, em 1297.
Em 1510 é renovado o foral concedido em 1296 a Vilar Maior.
Nesta data possuía dupla cintura muralhada.
O castelo de Vilar Maior é tipicamente um castelo de montanha românico-gótico. Tem traçado oval irregular com Torre de Menagem de planta quadrada.
No exterior, no lado Oeste, observa-se o arranque da cintura muralhada exterior.
CASTELO DE CASTELO MENDO - ALMEIDA
Ocupa um cabeço situado a 762 m de altitude sobranceiro ao ribeiro de Cadelos e ao rio Côa. Integra dois núcleos urbanos destacando-se o recinto do castelo na zona mais elevada.
A provável edificação do castelo ocorreu em fins do séc. XII no reinado de D. Sancho I. Em 1229 recebe carta de foral por D. Sancho II onde são mencionados o castelo e o alcaide Mendo Mendes. Daqui decorre a edificação do primeiro recinto muralhado. A segunda cintura muralhada, bem como a Torre de Menagem, advém de D. Dinis, em 1281. Em 1297, com a assinatura do Tratado de Alcañices, a fronteira afasta-se de Castelo Mendo.
É um castelo românico-gótico cujas cinturas são de traçado ovalado irregular e com demarcação da Cidadela no primeiro recinto defensivo. A Torre de Menagem é de planta rectangular.
Com a Reforma Liberal extingue-se o concelho e inicia-se um processo de degradação progressiva.
CASTELO DE CASTELO BOM - ALMEIDA
Encontra-se sobranceiro ao rio Côa num cabeço a 725 m de altitude e cuja muralha envolve a povoação.
Oriundo de um antigo castro ocupado desde a Idade do Bronze, Castelo Bom vê-se incorporado no reino de Portugal em 1297 como consequência do Tratado de Alcañices.
Nos sécs. XIII e XIV acontece a reedificação do castelo e da cintura muralhada ( D. Dinis ).
No séc. XVI possuía dupla cintura de muralhas, Cidadela com Torre de Menagem e duas Torres de planta quadrada.
Durante as Guerras da Restauração serviu de abrigo aos governantes da Beira.
Em 1762, a Vila foi cercada e derrotada. Em 1834 foi extinto o concelho de Castelo Bom iniciando-se então a degradação das estruturas. Em meados do séc. XX ainda existia a Torre de Menagem.
Existem hoje os panos da muralha; a Porta da Vila em arco quebrado no exterior e arco pleno no interior; o brasão da antiga Vila ( escudo nacional coroado) num muro e a Cisterna, a Sul; o Paiol a Oeste, o Poço de Escada de planta quadrangular e o Poço d’El-Rei de planta rectangular.
FORTALEZA DE ALMEIDA
Destaca-se a 760 m de altitude numa zona planáltica sobranceira ao vale do rio Côa envolvendo a Vila de Almeida, Aldeia Histórica, e deve a sua actual construção a Pedro Gilles de São Paulo no séc. XVII, e a Miguel Luís Jacob no séc. XVIII.
Depois de um primitivo castelo muçulmano, a história desta Vila remonta ao início da nacionalidade portuguesa, tendo, entre 1156 e 1190 alternado entre a posse leonesa e portuguesa. Em 1296, D. Dinis reconquista-a, concede-lhe foral e reedifica a castelo.
A posse portuguesa é legitimada pelo Tratado de Alcañices.
D. Manuel renova esse foral em 1510. Em 1641 D. Álvaro de Abranches manda construir a fortaleza.
Em 1810, o General francês Massena cercou a Vila e numa madrugada de Agosto abriu fogo. O paiol explodiu matando mais de 500 soldados e levando a fortaleza a render-se.
A tipologia da fortaleza é de arquitectura militar. A planta é hexagonal constituída por seis baluartes e respectivos revelins e cortinas. Está cercada por fosso e possui um perímetro de 2500 m.
Constitui uma das melhores fortalezas, estilo Vauban, do mundo.
Apresenta planta hexagonal, constituída por seis baluartes e respectivos revelins. Comunica com o exterior através das Portas de S. Francisco (ou da Cruz), a Sul e de Santo Castelo. Do castelo ainda subsistem as fundações de planta quadrada irregular.
CASTELO DE PINHEL
Situa-se no meio urbano e tem perímetro muralhado envolvendo toda a colina e centro histórico. As Torres da Cidadela encontram-se no ponto mais alto e planáltico.
O início da edificação acontece em 1189 por D. Sancho I, dez anos após ter Pinhel recebido de D. Afonso Henriques a carta de foral. No reinado de D. Dinis edificaram-se as Torres e, em 1640, procede-se a obras de fortificação no contexto das Guerras da Restauração. Em 1810, durante as Invasões Francesas, o general Loisson ocupa o castelo e a cidade de Pinhel.
A tipologia do castelo é manuelina de planta oval. A Cidadela tem Torre de Menagem e Torre de Secundária. Os elementos manuelinos visíveis são a janela mainelada com arcos e toros entrelaçados, e a janela de lintelrecto e moldura de meia-coroa.
A Cidadela integra duas torres, uma delas a de Menagem.
O perímetro urbano muralhado integra seis portas, duas Torres defensivas e o recinto da Cidadela, de cuja cintura muralhada subsistem dois troços que integram duas Torres.
CASTELO DE CASTELO RODRIGO
Situa-se a 810 m de altitude num cabeço fortificado e as suas muralhas envolvem a Aldeia Histórica.
Domina a planície sobranceira ao convento de Stª Maria de Aguiar e é actual sede do concelho. Confronta a Oeste com a Serra da Marofa e a Serra da Vieira. O primitivo castelo remonta ao séc. XI e em 1209 recebe carta de foral por D. Afonso IX de Leão. Em 1296, D. Dinis ordena a reedificação da fortaleza e da muralha. Oficialmente e por via do Tratado de Alcañices, passa a integrar o território português em 1297.
Durante a crise de 1383-85, na sequência do facto do alcaide-mor ter jurado fidelidade a D. Beatriz e ter recusado a entrada do Mestre de Avis, resultou a imposição do escudo nacional invertido no brasão da Vila. Em 1590, durante o domínio espanhol, D. Filipe I eleva a Vila a condado e nomeia para o título D. Cristóvão de Moura que, no lugar da antiga alcáçova, manda erigir um palácio residencial. Em 1640, com a restauração da independência, este palácio é incendiado por iniciativa popular. Em 1664 dá-se o cerco da Vila pelo exército espanhol comandado pelo Duque de Oduna, vencido na Batalha da Salgadela e, em 1762, durante a Guerra dos Sete Anos, Castelo Rodrigo é ocupada pelas tropas espanholas do Marquês de Soria. O recinto muralhado é de traçado irregular ovalado e possui três Portas ( Sol, Alverca e Traição ).
A Covilhã é a melhor porta de entrada para o Parque Natural da Serra da Estrela, criado por decreto de Maio de 1976, e que engloba seis municípios e ocupa uma extensão de mais de cem mil hectares. Trata-se de uma região privilegiada de turismo de montanha, especialmente se considerarmos que é o único centro de desporto da neve em Portugal. Mas além da neve, produto turístico circunscrito a escassos meses de Verão, a Covilhã e a Região de turismo da Serra da Estrela, pode oferecer outros produtos turísticos não menos importantes. Entre estes ocupa lugar de relevo o campismo e o montanhismo.
A Covilhã, como cidade da serra, é rica de valores paisagísticos e patrimoniais. Com sua casaria garrida a descer pela encosta, entre duas ribeiras, a paisagem da Covilhã encanta o turista desde o primeiro momento que a visita. Tem miradouros naturais e formosos varandins, que se abrem sobre deslumbrantes panoramas sobre a várzea ou se voltam para as alturas da serra. Embora muito degradado pelo tempo e pela incúria dos homens, pode ainda o turista admirar algo do que resta do património histórico da Covilhã. Nas margens das duas ribeiras vêem-se os edifícios de antigas fábricas, alguns em ruínas, com fieiras de janelas de guilhotina, e velhas e altas chaminés.
Logo à entrada da cidade, lado Sul, destacam-se os novos edifícios da Universidade da Beira Interior, que começou por aproveitar os velhos e extensos blocos que pertenceram à Real Fábrica de Panos.
Devido ao trabalho de arqueólogos e universitários têm-se recuperado máquinas antigas da indústria têxtil, e que constituem parte do projetado Museu Arqueológico Industrial da Covilhã.
Dos miradoiros da cidade, não deve o turista perder o que se lhe oferece no jardim público, junto à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, e no monumento à Imaculada Conceição, no monte de Santo António, lugares sabiamente escolhidos pelos frades franciscanos para a construção dos seus conventos.
O turismo é considerado uma indústria fundamental para o desenvolvimento económico e para a fixação das populações. Depois de muitos anos de marasmo, verifica-se atualmente um surto de progresso no turismo na região. Concernente ao turismo, tem-se em vista, além da colocação das estruturas e dos meios, a qualificação e diversificação das ofertas turísticas. O parque hoteleiro da Covilhã conta com algumas unidades modernas, tanto no núcleo urbano, como nos arredores. O chamado turismo de habitação, ou turismo rural, está sendo incentivado, ocupando já hoje o segundo lugar no âmbito nacional desta oferta. Trata-se, com efeito, de um produto procurado por gente dos grandes aglomerados urbanos, ávidos de ar puro, sossego e convívio com a natureza.
Perto da Covilhã, as termas constituem outra vertente a considerar no turismo da região. São de há muitos conhecidas as Termas de Unhais da Serra, benéficas às doenças reumáticas. As Caldas de Manteigas, as Termas de Envendos, e as Termas de Monfortinho estas últimas perto da raia de Espanha, são recomendadas para as doenças da pele.
A Serra da Estrela é zona de caça e pesca. Nas lagoas e nas albufeiras praticam-se desportos náuticos. Além do sky, já referido, também, se procura incentivar o ténis, o ciclo-pedismo, todo-o-terreno, etc.
Toda a tradição das Beiras, plena de ancestralidade e ruralidade, tem expressão no seu artesanato, folclore, festas e romarias, hospitalidade e bondade das gentes. Além do património histórico do concelho da Covilhã, bem como da riqueza do seu folclore já mencionado, pode o turista, estando na Covilhã, visitar, no perímetro de umas escassas dezenas de quilómetros, aldeias e vilas de grande interesse histórico. Por exemplo, Idanha-a-Velha, com ruínas de uma catedral visigótica, Sortelha com as ruínas do seu castelo e muralhas, Monsanto com seu castelo e aglomerado de casas tipicamente beirãs, Alpedrinha, chamada a Sintra das Beiras, com o seu chafariz D. João V, Linhares com tábuas de Grão Vasco, na sua igreja matriz, Santa Maria de Aguiar, com seu Convento de Cister, do século XIII, etc. Aos amantes do artesanato recomenda-se uma visita a Alcongosta e São Gonçalo, terras de cesteiros, e à Codicor, cooperativa votada à conservação da tradição do fabrico de artigos regionais.
É altamente apreciada a gastronomia covilhanense, com realce para os pastéis de carne, com folhado especial, que crescem e ourejam no molho de açafrão, bem como a típica panela do forno, um arroz de dobrada, lardeado de chouriço, farinheira e pé de porco, preferível em panela de ferro, em forno de lenha. Também o cabrito assado, prato aliás apreciado em todas as zonas montesinhas das Beiras, tem aqui um sabor especial, com recheio de vitela, e travo de zimbro. Mais nos arredores, saboreia-se a panela de feijão com chispe, cozinhada na panela de tripé. Nesta região também são famosos os maranhos e os borrolhões, bem assim a fruta da Cova da Beira, como a grande melancia, a pêra marquesa e a cereja.
Algumas encostas vizinhas da Covilhã produzem vinhos frutados de excelente qualidade, sendo medalhados as colheitas de 1990 e 1994. Quanto a doces, são conhecidos os doces de ovos denominados barrigas de freira e as orelhas-de-abade. Como muito típico e já desaparecido foi o maçapão, que consistia numa grande hóstia, tendo numa das faces uma espécie de rebuçados à base de amêndoa, dispostos em estrela. No tocante a doces de armário, merece destaque o doce de morango, polvilhado de canela ou de noz, ou o doce de abóbora, cortada às tirinhas, delícia dos nossos avós.
Menos de meia hora leva a percorrer-se a distância da Covilhã ao cume da serra, por estrada bem delineada e alcatroada. Na época alta do turismo torna-se insuficiente, sobretudo por falta de parqueamentos e diversificação de percursos. Neste particular, está para breve o troço de estrada que vai ligar a nave de Santo António a Unhais da Serra, facilitando assim nova via para o escoamento do trânsito, e dando a possibilidade ao turista de poder visitar porventura aldeias serranas, como a Bouça e as Cortes, com seu habitat montesinho, de terra de pastores, com suas casas de paredes de pedra bruta. Nas Cortes existe ainda um forno comunitário, chamado de São Jorge, onde se cose uma bem afamada broa de pão de milho.
Da Covilhã para as Penhas da Saúde a estrada segue entre denso pinheiral, até à altitude 1.250 metros. No cume desta montanha, que sobranceia a Covilhã, o pinhal desaparece para dar lugar à vegetação rasteira, como a urze, a carqueijeira e o zimbro, tornando-se a paisagem bravia de mato devastado por grande incêndio, passamos pela chamada floresta, um reduto pitoresco, onde existia antigamente uma curiosa ponte de madeira. Depois há um lugar, com vivendas entre pinheiral, parte da serra, conhecida por Rosa Negra, nome por que se tornou conhecida Roca Abrantes, que ali foi lenda. Assim chamada por usar chapéu preto de grandes abas e com lenço também negro a aconchegar-lhe o colo. Deve ainda o viajante parar na Varanda dos Carqueijais, donde se enxerca um espetacular panorama, desde a casaria da Covilhã, que se lobriga lá em baixo, até aos confins da raia de Espanha. Junto à Varanda dos Carqueijais existe uma excelente pousada, com piscina.
Antes de atingirmos o dito cume, surge-nos o longo edifício do Sanatório dos Ferroviário, obra do arquitecto Cotinelli Telmo, inaugurado em Novembro de 1944 e atualmente transformado em Pousada.
Passada a chamada Pedra do Urso, assim chamada por curiosamente ter a configuração do plantígrado, vemos, alcandoradas nos visos da montanha que agora se nos depara, as primeiras casas das Penhas da Saúde. Trata-se de uma estância de repouso em clima de montanha, à altitude de 1510 metros, aglomerado de casas de duvidoso ordenamento, á volta do longo edifício do Serra da Estrela Hotel. Foi em 1897, após a visita de Sousa Martins, que se construiu o Hotel dos Hermínios, sendo seu proprietário Alfredo César Henriques. Em 1905 estava já na posse de António José Rodrigues, e a sua diária era de 1.500 a 2.000 réis. Nesta data existiam apenas as casas de Victor Sasseti e Tavares Proença, além da casa do Sanatório instalado pelo Dr. Sousa Martins. Por isso, o local era então conhecido por Sanatório, construído aliás onde está hoje o Hotel, em cuja cerca se levantou um obelisco comemorativo.
Ao prosseguirmos na estrada que nos leva, em poucos quilómetros, às alturas dos “Cântaros” e da Torre, observamos à nossa esquerda o Lago Viriato, que atualmente abastece de água a Covilhã. Logo chegamos ao cimo da Nave de Santo António, dominada pelo Poio dos Passarinhos, e pela vertente dos Piornos, em cujas postada de neve se praticava o Sky, postergadas depois pelas da Torre, melhores e também acessíveis pela nova estrada.
Na Serra da Estrela chama-se nave a uma chã atapetada de uma relva espessa e alta, que se denomina cervoeiro, e em botânica nardus stricta. Quando mais pequenas as naves tomam o nome de covões. São lugares amenos, onde corre um riacho ou nasce uma fonte, e onde os campistas se comprazem de armar as suas tendas.
Nesta serra, a maior das naves é a de Santo António, vasto relvão, entre florestas de penedos, um dos quais faz lembrar um ciclope, a que chama Poio do Judeu, e que por ali ficou, desde tempos imemoriais, a desafiar ventos e tempestades. Pode dizer-se que, a partir dos 1560 ou 1750 (Nave de Santo António), a Serra da Estrela toma uma feição característica, com grandes blocos de granito, por vezes com formas bizarras, espetaculares, como sucede nos chamados Poios Brancos, Queijeiras e Varanda dos Piornos. Tal deve-se à desagregação provocada pelo degelo dos glaciares em evolução ativa na já referida Era Quaternária. É a Nave de Santo António limitada ao Norte pela vertente que desce sobre o vale do Zêzere, por onde segue a estrada para Manteigas e ao Sul por outra vertente, não menos abrupta, sobre o Vale de Unhais. E na nossa frente, a todo Âmbito da paisagem, erguem-se para as alturas as escarpas graníticas, escuras, fantásticas, dos Cântaros. Estes são exemplo da resistência à erosão e desagregação dos citados glaciares. Nesta grande nave terá existido uma ermida, denominada de Santo António da Argenteira, e onde os pastores celebravam todos os anos uma festa no dia 15 de Agosto, dia da Padroeira. Alguém disse dos Cântaros: “Temos andando por muitas serranias da Europa e da Ásia, percorremos a Cordilheira doa Andes, observámos o Himalaia, mas não vimos montanhas que se parecessem com os Cântaros. Estes não se descrevem. É preciso vê-los de perto para se sentir o assombroso terror que respiram”.
No íngreme carrascal, por onde antigamente subia a vereda que nos levava ao Covão do Boi, que fica por detrás do Cântaro Raso, estava antigamente a Pedra dos Abraços, assim chamada por o excursionista ter de a ela se abraçar, única forma de evitar despenhar-se no precipício. Mas presentemente uma boa estrada leva-nos ao Covão do Boi, que José Leite de Vasconcelos comparou, com visos de poesia, a um templo egípcio, talvez pela configuração estranha dos penedos que o guarnecem, lembrando obeliscos e sarcófagos. Na escarpa granítica, que o limita a Poente, esculpiu o artista António Duarte a imagem de Nossa Senhora da Estrela, ou dos Pastores, de sete metros de altura, e solenemente inaugurada pelo Bispo da Guarda, no dia 4 de Agosto de 1946.
A seguir ao Covão do Boi encontramos um reduto pitoresco, onde vemos grandes penedos circulares e sobrepostos à maneira de queijos, vindo daí o nome ao lugar de Queijeiras. Depois passamos pela chamada Rua dos Mercadores, por ali os fraguedos tomarem a forma de grandes balcões de venda. O Cântaro Magro, altíssimo morro, cheio de espigões graníticos, avulta então perante os nossos olhos extasiados. Pode observar-se de um miradouro junto à estrada, e subir-se ao seu cume através de umas escadas mais ou menos improvisadas. Quanto de mais grandioso se pode imaginar em espetáculos da natureza está aqui. Cava-se o abismo sobre o vale do Zêzere, e as montanhas ao de redor ondulam em perspetivas de luz e sombra, e alteiam-se como titãs a disputarem primazia às alturas do Olimpo. À raiz do Cântaro Magro abre-se um despenhadeiro a que os pastores dão o nome de Rua do Inferno, que dali corta abaixo por alcantis e barrocais, e onde se presume, em fios de água, provenientes do degelo, que nasce o rio Zêzere. O vale deste rio abre-se então e alonga-se entre duas enormes montanhas até à vila de Manteigas.
Chegamos, enfim, ao ponto mais alto de Portugal, o planalto da Torre assim chamada por uma torre, com a altura de nove metros para completar os dois mil de altitude, torre mandada construir pelo príncipe regente D. João, no ano de 1802. Neste mesmo lugar, vemos hoje as cúpulas das edificações militares, em parte subterrâneas, que os americanos ali construíram em tempo de guerra fria e já hoje desativadas. Está projetado um plano para adaptar estas instalações a pousada turística e base para o desporto da neve, para o qual o planalto da Torre dispõe de excelentes pistas.
Perto da Torre, há que visitar o lugar chamado Fonte dos Perus, Fraga do Rodeio Grande e o Planalto da Expedição, onde acamparam os componentes da citada Expedição Científica de 1881. Das Penhas do Gato, observa-se, ao fundo de um largo e silencioso vale, como adormecida, a vila de Loriga. E, passada a cumeada do Rodeio Grande, chega-se à Lagoa Escura e à Comprida, cuja paisagem está hoje completamente alterada pela construção de uma grande barragem.
O Mondego, qua é o maior rio que nasce em Portugal, o mais romântico e decantado dos poetas, nasce no Covão do Bicho, mas quem segue pela estrada da Beira encontra uma fonte a que dão o nome de Mondeguinho, de cuja bica brota, dizem, o fio de água que há-de ir regar os formosos campos da “linda Inês” e desaguar na belíssima praia da Figueira da Foz. O rio Alva nasce também nesta serra e são lindas de ver-se as suas quedas de água. O Zêzere que, como vimos, nasce na raiz do Cântaro Magro, segue ao longo do extenso vale, que tem o seu nome, servindo-lhe de mirante e adorno a vila de Manteigas. Depois, o seu curso inflecte, já com apreciável caudal, para a região de Belmonte, vindo a passar em frente e ao largo da Covilhã, placidamente, nos plainos verdes da Cova da Beira, como desafogado de suas correrias em que veio pelos vales alcantilados da serra. Logo, seguindo por terras de Pedrógão e da Sertã, com a barragem de Castelo de Bode, vai enfim desaguar no Tejo, em Constância.
“Nasceu naquela serra, que chamada
Hermínia foi, hoje se chama d’Estrela
Dita assim de uma ponta retalhada
Que a Natureza fez de feição dela.
Tão eminente e sempre tão nevada,
Que a luz solar reverberada nela
Faz parecer a quem mais se avizinha
Caudal cometa que ao Zénite caminho!”
Brás Garcia de Mascarenhas
Foram o Mondego, o Zêzere e o Alva, filhos da mesma mãe, a Estrela. Um dia, combinaram todos adormecer, e o primeiro que acordasse escolheria o melhor caminho. O Mondego foi o primeiro e por isso foi longe e onde quis, até à Figueira da Foz. A seguir acordou o Zêzere que, depois de muitas voltas dar, foi ter com o Tejo a Constância. O último foi o Alva, que se insinua e se espreguiça por montes e vales. Assim conta a lenda dos três rios.
Demais, se a Serra da Estrela é bela no Inverno com as suas neves, não é menos formosa na Primavera, quando as giestas amarelecem a espalda dos montes. E no Verão o sol resplandece e bronzeia o rosto dos turistas, enlevados no ar puro e no silêncio das serras, apenas entrecortado pelo tilintar espaçado e distante dos rebanhos, pastoreados por homens pacíficos como suas ovelhas, na companhia do seu cão Serra da Estrela, de orelha repuxada e focinho farrusco. E ainda no tempo, mais calmoso de Agosto, corre a brisa fresca sobre as ervas das neves e na sombra das enormes penedias. O rio do tempo parece ali parar. Disse o profeta David que o Verbo de Deus desceu sobre a Terra, mansamente, como o orvalho sobre o velo do cordeiro. E podem os homens calar-se que aqui a Natureza e as próprias pedras hão-de cantar o grande hino do Criador!
Rota da Lã
Desde há 800 anos que na Serra da Estrela são fabricados fios de lã e tecidos. Primeiro como manufactura, depois como indústria, os lanifícios deixaram um enorme legado de arqueologia industrial principalmente na Covilhã e também em Seia, Gouveia e Manteigas. O Museu Têxtil da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, é um expositor único de uma actividade que hoje existe com base em tecnologia avançada e que produz para marcas como Christian Dior, Yves St. Laurent, Hugo Boss, Calvin Klein e Giorgio Armani.
Rota dos 20 Castelos
Reviva a História de Portugal participando numa Rota única onde se desenharam as origens do País.
À volta da maior montanha portuguesa, a Serra da Estrela, encontrará muitas das nossas raízes. A Rota dos 20 Castelos fá-lo-á regressar ao início da nacionalidade, ao tempo da definição das mais antigas fronteiras europeias, à época das lutas pela construção de um País e de um Povo. Tenha um bom passeio.
Rota das Aldeias Históricas
No meio de uma diversidade raríssima, aparecem 9 das 10 Aldeias Históricas Portuguesas. Jóias arquitectónicas de granito, Linhares, Marialva, Sortelha, Castelo Rodrigo, Castelo Mendo, Almeida, Castelo Novo, Idanha-a-Velha e Monsanto são a história viva do país. Igualmente o são os castelos da antiga linha de fronteira Sabugal, Belmonte, Guarda, Trancoso, Celorico da Beira,(entre outros).
Rota dos Descobridores
«Nesse mesmo dia (22 de Abril), houvemos visto terra!. A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão ( Cabral ) pôs o nome de o Monte de Pascoal e à terra A terra de Vera Cruz!» in «A Carta de Pero Vaz de Caminha»
Rota dos Vales Glaciários
Os Vales Glaciários do Zêzere, de Alforfa, de Loriga, do Covão Grande e do Covão do Urso foram originados há 20.000 anos, quando a placa de gelo que cobria o planalto onde hoje se situa a Torre se foi danificando com o aumento das temperaturas atmosféricas.
As placas de gelo que derreteram deslizaram para altitudes mais baixas, arrastando blocos graníticos e formando vales à sua passagem. Os vestígios desta obra natural, grandiosos vales em U com rochas polidas, blocos erráticos e depósitos de moreias, permanecem intocados há milhares de anos. Deixe-se deslumbrar por estas excecionais maravilhas da natureza e percorra a Rota dos Glaciares, trilhando os mesmos caminhos que o gelo percorreu.
Rota das Judiarias
Esta é a história daqueles que são os últimos judeus secretos sefarditas. Até ao século XX o mundo desconhecia a existência, no interior de Portugal, da última comunidade Cripto-Judaica da Península Ibérica e porventura da Europa Junto à Serra da Estrela, montanha mais alta de Portugal (2.000 m), fica Belmonte, memória humana viva do riquíssimo e antigo Portugal Judaico. Aí ficam também as terras que como Covilhã, Guarda, Trancoso, Fundão e outras são a referência das antigas comunidades sefarditas portuguesas....
A Covilhã - povoação - situa-se na encosta da Serra da Estrela, voltada para nascente, rodeada por duas ribeiras, a Degoldra e a Carpinteira, tendo a seus pés o rio Zêzere e toda a Cova da Beira.
Esta localização faz com que os habitantes da Covilhã sejam, por um lado, homens e mulheres da montanha, tendo por matriz a Serra da Estrela o que lhes transmite coragem, espírito de luta e perseverança; por outro, a baixa ou seja a extensa Cova da Beira que se prolonga até Espanha, que imprime confiança, autonomia e determinação.
Inicialmente, os habitantes ocupavam a baixa junto ao rio onde as úberes terras os alimentavam. Com o andar dos tempos, forças de fora obrigaram-nos a fixarem-se numa altitude aproximada dos 800 metros, numa encosta íngreme.
Importantes "achados" mostram que os primeiros habitantes não foram os Romanos. A navegabilidade do Zêzere, que faz parte da bacia hidrográfica do Tejo, trouxe gentes das mais variadas partes que vinham comerciar.
A existência de inúmeros castros, verdadeiras sentinelas e postos de defesa, mostra que por ali passaram vários povos da pré-história que se foram instalando devido às boas condições de subsistência.
Os Romanos, após as lutas com os Lusitanos, acomodaram-se na região, como se pode verificar ao percorrer as margens do Zêzere, onde os exemplos de terra sigillata hispanica (tritium) se encontram a cada passo.
Escavações, em curso, apontam para a existência de uma importante colónia - povoação romana - que ultrapassa a simples passagem de expedições militares. As vias romanas que se encontram por toda a parte e até na própria Serra, viradas para nascente, para evitar o gelo, são outra demonstração clara da sua presença.
A COVILHÃ NA IDADE MÉDIA
A Covilhã tornou-se, desde a Antiguidade, num ponto de cruzamento de estradas e caminhos. Foi conquistada e reconquistada várias vezes, chegando os mouros a destruí-la quase por completo.
Estes acontecimentos levaram a que as gentes da Covilhã criassem o seu próprio município, segundo Alexandre Herculano, para se poderem organizar e defender.
A Carta de Foral à Covilhã, concedida por D. Sancho I, em Setembro de 1186, vem confirmar a sua importância como posto fronteiriço.
Os limites do alfoz (concelho), definidos pelo Foral, incluíam Castelo Branco e iam até ao Tejo, Portas de Ródão. É significativo.
Até ao final do reinado de D. Sancho II, a vila da Covilhã viveu o espírito de Reconquista, isto é, de luta contra os mouros. Foi capital do reino durante a Reconquista. Por várias vezes, o rei se instalou aqui com a corte.
Terminada que foi a Reconquista ou seja feita a paz com os mouros, as gentes da Covilhã passaram a organizar-se economicamente. Havia que ir além da agricultura de subsistência. O Rei D. Afonso III vem ajudar ao instituir uma feira anual com a duração de oito dias. A feira celebrava-se em Agosto, depois da festa de Santa Maria. Também D. João I concede uma feira franqueada anual a realizar-se pelo São Tiago e que se tem mantido, com altos e baixos, até aos dias de hoje.
A indústria dos lanifícios, entretanto, ia começando a tomar forma. Há que ter em conta que, por aqui, se deslocavam, vindos de Espanha, almocreves que levavam lãs para Tomar, seguindo uma via romana que passava por Paúl, Casegas, Sobral de São Miguel... Era conhecida como a Estrada da Lã.
A Carta de Foral aponta para muitas indústrias artesanais, incluindo a dos lanifícios e abria a porta a todos os que desejassem vir instalar-se na região.
Uma burguesia, cada vez mais forte, fomentava o progresso e tornava-a apetecida pelas suas riquezas. No termo da Covilhã, na Idade Média, incluíam-se mais de 300 lugares.
Os judeus eram já um núcleo importante que chegou a ter influência na corte.
A arte e a cultura está bastante representada, caracterizando esta época. A título de exemplo cita-se a capela de São Martinho, autêntica jóia de estilo românico.
COVILHÃ NO RENASCIMENTO
A Covilhã era uma vila em plena expansão populacional quando surge o Renascimento. O sector económico tinha particular relevo na agricultura, pastorícia, fruticultura e floresta. O comércio e a indústria, embora artesanal, especialmente os lanifícios, estavam em franco progresso. Gil Vicente cita "os muitos panos finos".
Os judeus dominavam o comércio e a indústria. Eram os detentores do capital. A Covilhã e sua região, como transfronteiriças, eram um bom abrigo.
As ruas que vão desaguar na Praça do Município, de qualquer um dos pontos cardeais, denotam a importância do comércio e trabalho. As dezenas e dezenas de casas com a porta larga e a porta estreita - uma entrada para a casa e outra, a larga, para a oficina mostram essa importância.
O Infante D. Henrique conhecia bem essa realidade, daí o passar a ser "senhor" da Covilhã.
A gesta dos Descobrimentos exigia verbas importantes. As gentes da vila e seu concelho colaboraram não apenas através dos impostos, mas também com o potencial humano.
A expansão para além-mar iniciou-se com a conquista de Ceuta em 1415. Personalidades da Covilhã como Frei Diogo Alves da Cunha, que se encontra sepultado na Igreja da Conceição, participaram no acontecimento.
A presença de covilhanenses em todo o processo prolonga-se com Pêro da Covilhã (primeiro português a pisar terras de Moçambique e que enviou notícias a D. João II sobre o modo de atingir os locais onde se produziam as especiarias, preparando o Caminho Marítimo para a Índia) João Ramalho, Fernão Penteado e outros.
Entre os missionários encontramos o Beato Francisco Álvares, morto a caminho do Brasil; frei Pedro da Covilhã, capelão na expedição de Vasco da Gama para a Índia, o primeiro mártir da Índia; o padre Francisco Cabral, missionário no Japão; padre Gaspar Pais que de Goa partiu para a Abissínia; e muitos outros que levaram, juntamente com a fé, o nome da Covilhã para todas as partes do mundo.
Os irmãos Rui e Francisco Faleiro, cosmógrafos, tornaram-se notáveis pelo conhecimento da ciência náutica. Renascentista é Frei Heitor Pinto, um dos primeiros portugueses a defender, publicamente, a identidade portuguesa. A sua obra literária está expressa na obra "Imagem da Vida Cristã". Um verdadeiro clássico.
A importância da Covilhã, neste período, explica-se não apenas pelo título "notável" que lhe concedeu o rei D. Sebastião como também pelas obras aqui realizadas e na região pelos reis castelhanos. A Praça do Município foi até há poucos anos, de estilo filipino. Nas ruas circundantes encontram-se vários vestígios desse estilo. No concelho também.
Exemplos de estilo manuelino também se encontram na cidade. É o caso de uma janela manuelina da judiaria da Rua das Flores. É o momento de citar o arquitecto Mateus Fernandes, covilhanense, autor do projecto da porta de entrada para as Capelas imperfeitas, no mosteiro da Batalha.
COVILHÃ NA INDÚSTRIA
Joel Serrão sintetiza assim a especial capacidade da vila da Covilhã e sua zona envolvente para a indústria de lanifícios: "Uma cintura de vilas e aldeias animadas pelos lanifícios envolve a Serra da Estrela. Os "panos finos" que se faziam na Covilhã eram afamados no começo do século XVI (Gil Vicente)".
Após o ouro do Brasil, Portugal entrou em depressão económica.
D. Luís de Menezes, conde da Ericeira, funda a fábrica - escola na Ribeira da Carpinteira. Mandou vir técnicos estrangeiros, sobretudo da Inglaterra (5 estampadores, 4 tecelões, 2 mulheres que fiavam e oficiais de tinturaria). Ainda há ruínas desta empresa. Poucos anos depois, trabalhavam nesta laboriosa cidade 400 oficiais e 17 teares.
O Marquês de Pombal ao instalar nesta cidade a Real Fábrica de Panos, junto à Ribeira da Degoldra, vem confirmar as capacidades das gentes da Covilhã e as potencialidades da sua zona envolvente para a indústria."Pombal cria a Superintendência das fábricas de lanifícios que valorizou os centros beirões, em especial na Covilhã e no Fundão. Do estrangeiro manda vir tecedeiros e tintureiros, seguindo o exemplo do Conde da Ericeira, que abriu e desenvolveu fábricas e teares."
A marca da importância industrial da Covilhã vê-se no património industrial, único no País, o que indica os passos dados na evolução técnica até aos dias de hoje. Resposta aos que afirmam que a Covilhã não é rica em património construído.
A criação da Escola Industrial, por decreto do Ministério das Obras Públicas, publicado em 20 de Dezembro de 1864 é, exemplarmente, o sinal inequívoco da importância da indústria de lanifícios na Covilhã.
Poucos anos depois, em 20 de Outubro de 1870, o rei D. Luís eleva a Covilhã à categoria de cidade: "..., é uma das vilas mais importantes do reino pela sua população e riqueza;... fecunda iniciativa dos seus habitantes..." Assim condecora a vila da Covilhã e as suas gentes.
Como síntese, há que dizer que a Universidade da Beira Interior - cúpula e corolário deste processo que surgiu antes dos primórdios da nacionalidade - nasceu, tendo como um dos primeiros cursos a licenciatura nos têxteis.
O MOVIMENTO OPERÁRIO DA COVILHÃ (1890/1907)
A classe operária da Covilhã, gerada enquanto tal, no processo - lento e demorado - de industrialização dos lanifícios, irrompeu na cena social da cidade e do concelho a partir da década de 1890.
Com efeito, datam de meados do último decénio de oitocentos não apenas os actos fundadores das organizações autónomas e de classe do operariado covilhanense, mas também as primeiras movimentações grevistas e outras formas de luta através das quais o operariado procurava fazer frente às suas duras condições de existência.
Em todo este processo, sociológico, económico, político e até psicológico, a classe dos tecelões desempenhou um papel preponderante.
A PRIMEIRA EMPRESA TÊXTIL DA COVILHÃ
A Inquisição, cujo primeiro tribunal foi instituído em 1560, no tempos de D. João III, veio provocar o êxodo de muitos cristãos novos e judeus que, em pleno século XVI, haviam dado grande incremento ao comércio, à indústria e ao tráfego marítimo. Com a sua expulsão, além de levarem consigo para fora do reino os seus cabedais, Portugal via-se afectado no seu comércio, na sua indústria e no tráfego com o ultramar. Devido em parte aos judeus, a Holanda tornou-se uma potência marítima, vindo a assenhorar-se de parte do nosso tráfego e a atacar as nossa feitorias do ultramar. A feitoria de S. Jorge da Mina, bastião e orgulho de D.. João II, foi conquistada pelos Holandeses. A debandada de judeus e cristãos novos, continuada no tempo da dominação espanhola, prolongou-se até ao reinado de D. João IV, apesar das advertências do Padre António Vieira, que lhe fazia ver que essa perseguição era duplamente prejudicial ao reino, já pelo facto de eles levarem consigo seus enormes cabedais, já por os colocarem depois ao serviço dos nossos inimigos.
Os judeus eram não só homens da indústria, da ciência e do comércio, mas também homens de grande influência, no trafego marítimo e na política internacional. A Covilhã teve por muito tempo a fama de ali actuarem muitos mercadores e assentistes no comércio de panos. Sabe-se que muitos dos judeus, que se dedicavam à indústria têxtil, se foram estabelecer em Bordéus e Antuérpia, cidades que se tornaram grandes centros desta indústria. Curioso notar que foi um judeu covilhanense o criador, na América, da Bolsa de Nova York, da Wall Stret.
Para obstar a carência de cereais, procurou-se desenvolver o seu cultivo nas amplas várzeas circundantes da Serra da Estrela. Esta várzea, ontem como hoje, era rica de potencialidades agro-pecuárias. Às margens das ribeiras ergueram-se os engenhos de moinhos, lagares, pisões, tintes e tendas, e lavandarias com águas ideais para o tratamento das lãs. As ribeiras da Carpinteira e Degoldra, tornaram-se centros da indústria manufactureira de panos, e principalmente com o aproveitamento da força hidráulica, que seria a principal fonte de energia da indústria da Covilhã no século XIX.
A REAL FÁBRICA DE PANOS
Os chamados “Inquéritos Pombalinos” foram primeiramente da iniciativa do padre Luís Cardoso, e só depois consentidos e incentivados pelo Marquês de Pombal que, através deles, quis ter ideia do país de que dispunha após a desesperação em que o havia lançado o terramoto de 1755. Outrossim avaliar a estagnação em que se debatiam a agricultura e a indústria. A Covilhã tinha ao tempo a população de 3800 habitantes, e as suas doze freguesias alongavam os seus termos a muitas povoações limítrofes. Uma parte das muralhas e suas torres, e algumas das suas igrejas, encontravam-se em parte arruinadas. A Igreja de S. Salvador, já desaparecida, englobava os moinhos da ribeira da Carpinteira, as quintas de Cantargalo, de Flandres, e de outras que se estendiam às margens do rio Zêzere.
À ribeira da Carpinteira, sede de muitas oficinas e tendas de manufacturas de panos, estava, desde os fins do séc. XVII, a Fábrica Real. Na outra ribeira, a Degoldra, existia no lugar chamado Biribau uma grande lavandaria de lãs.
Quartel de Infantaria 21 - 1904
Dos itinerários culturais europeus salienta-se, pela importância histórica e turística uma rota que abarca tanto o percurso económico da lã como matéria-prima como o percurso turístico do património industrial dos lanifícios. Na Península Ibérica e em Portugal esse percurso passa, na região da Beira Interior, pela cidade da Covilhã, considerada o centro da produção nacional dos tecidos de lã. Desde o século XII até à actualidade são inúmeros os vestígios do património industrial dos lanifícios nesta cidade. As rotas da transumância dos gados que passavam pela Covilhã, em direcção à Serra da Estrela, encontram-se ilustradas no seguinte mapa:
"Se os filhos de Adão pecaram os da Covilhã sempre cardaram."
A Covilhã foi na região da Beira Interior, até aos séculos XVIII/XIX, o centro polarizador de uma produção de tecidos de lã dispersa realizada em regime doméstico e artesanal. Desde o século XVII verifica-se a localização nessa cidade das primeiras manufacturas, processo que foi continuado com a industrialização que conduziu a uma forte concentração fabril, até à actualidade.
A partir de 1970 inicia-se um processo que conduziu ao abandono sucessivo de numerosas fábricas e à reconversão industrial da cidade. Os investimentos feitos na indústria não contemplaram a manutenção dos edifícios antigos, concentrando-se, quase exclusivamente, na renovação de equipamentos técnicos ou em novas construções fora das áreas de implantação tradicional, ou seja, as Ribeiras da Degoldra e Carpinteira e o tecido urbano. Estes eram, desde o século XVII até aos anos 60 do século XX, os locais de eleição da ancestral mono-indústria dos lanifícios covilhanenses.
Na actualidade, a Covilhã apresenta-se como mais uma das áreas características da desindustrialização europeia. Assim, também nesta cidade, ao assistir-se às transformações que põem em causa os alicerces sócio-económicos do seu passado, se procura salvaguardar-lhe a memória. Um conjunto de acções, que passam pela preservação de sítios de interesse arqueológico-industrial e pela criação de equipamentos de natureza cultural, encontram-se programados uns e concretizados outros com o objectivo de recuperar a memória da indústria de lanifícios e o seu envolvimento na vida da cidade e dos seus habitantes. Nesse sentido, a Universidade da Beira Interior instituiu, na manufactura pombalina da Real Fábrica de Panos, o Museu de Lanifícios. Este é um projecto dinâmico que procura aliar à preservação da memória do trabalho dos lanifícios a revitalização da Covilhã e da região que tem por matriz a Serra da Estrela.
ENQUADRAMENTO ESPÁCIO - TEMPORAL
A Covilhã, encastoada na falda oriental da Serra da Estrela, a montanha de maior altitude de Portugal Continental (2.000 m), localiza-se na Beira Interior, na sub-região da Cova da Beira, uma depressão que, integrando a bacia hidrográfica do Alto Zêzere e ainda pela Serra da Malcata a Leste.
A história da Covilhã está indissociavelmente ligada a todo este espaço, rico de diversidades e propício a uma auto-subsistência que era garantida pelas actividades agro-pastoris, pela caça, pela pesca nos rios e ribeiros, pelo abastecimento de lenhas e pela abertura à penetração mercantil. Foram estes condicionalismos naturais que justificaram que, a partir de finais do século XII, os homens se fossem aperfeiçoando na prática dos lanifícios.
Efectivamente, a montanha, propiciando ao gado os pastos naturais, foi ponto de encontro dos grandes trajectos da transumância tanto nacional como peninsular. Por tal razão permitiu-se a alguns aglomerados populacionais da sua área, como Manteigas, Seia, Gouveia e Covilhã, a especialização no fabrico dos panos. Esta situação foi facilitada pelo acesso fácil à matéria-prima que alimentou esta indústria: a lã. De igual modo, a energia indispensável ao seu desenvolvimento foi fornecida pelo fácil acesso e utilização da água e das lenhas. Assim, esta região é caracterizada por uma economia agro-pastoril e manufactureira, onde tudo são lãs e panos.
Neste contexto a Covilhã foi-se desenvolvendo, até ao século XIX, tendo sido apelidada e conhecida como cidade-granja/cidade-fábrica. A partir de então, por condicionalismos vários, mas sobretudo por acção dos homens, ir-se-à especializar como cidade-fábrica até aos anos oitenta do século XX. Foi a partir desta altura que a Universidade da Beira Interior começando por se instalar no edifício da pombalina Real Fábrica de Panos da Covilhã iniciou a recuperação de alguns dosmais representativos antigos edifícios fabris convertendo-os em instalações universitárias.
Subsistem ainda hoje muitos vestígios do passado industrial da Covilhã. Desde o século XII até à actualidade, são numerosas as fontes documentais existentes. De entre as mesmas o destaque vai para os arquivos empresariais de muitas das fábricas da Covilhã. Refira-se ainda a proliferação de catálogos dispersos pelos arquivos das fábricas, de papel timbrado, rótulos e embalagens de produtos, fotografias e gravuras, desenhos e plantas, registos audiovisuais, produtos e amostras, modelos e maquetes das fábricas que, ao longo do tempo, foram sendo construídas, e anúncios empresariais publicados na imprensa.
Para além deste conjunto documental salientam-se ainda como muito significativas do processo de industrialização Covilhanense, as numerosas fontes materiais ainda hoje existentes. Pela quantidade e autenticidade de que se revestem são de primordial importância no domínio da arqueologia industrial. Hoje em dia, a Covilhã pode ser classificada como o principal centro histórico dos lanifícios portugueses.
A ROTA DA LÃ
O actual desenvolvimento das práticas e políticas associadas ao turismo cultural tem contribuído para a definição e divulgação de um conjunto variado de itinerários culturais, no âmbito dos quais a Rota da Lã tem vindo a ganhar forma e contornos. Em 1987, o Conselho da Europa lançou um programa sobre itinerários culturais que tinha objectivos de natureza turística, nomeadamente a melhoria da qualidade do ócio dos europeus, convidando-os a percorrer e a explorar os “caminhos reais ou imaginários em que, através da unidade e da diversidade, se forjara a identidade europeia”, como o defende Michel Thomas-Penette, Conselheiro do Programa de Itinerários Culturais do Conselho da Europa (Universitat de Barcelona,1996).
Esta é uma questão que tem dependido de um conjunto diversificado de objectivos relacionados com a dinamização do turismo, mas que, cada vez mais, procura restabelecer as continuidades perdidas ao longo do tempo em diversos espaços europeus, visando ainda a valorização dos produtos naturais e do trabalho artesanal. De várias das publicações levadas a efeito, a partir de 1987, sublinhe-se o Guia dos Itinerários Culturais das Regiões da Europa, onde a Região Centro de Portugal aparece caracterizada através, precisamente, de uma entrada intitulada “O Fio da Meada”. Nela valoriza-se a definição de uma Rota da Lã, que se justifica claramente que entronque, a nível do país, na cidade da Covilhã (Fernando Lozano Hernando, Guia dos Itinerários Culturais das Regiões da Europa, 1ª Ed., Barcelona,1992).
A importância destas Rotas deriva ainda, como o sublinha Doudou Diène, Conselheiro da UNESCO, de elas serem concebidas como mecanismo de contacto entre povos e civilizações, concluindo que "a história e a cultura de cada povo são o resultado de um duplo processo dinâmico: processo de encontros, de contactos e de influências, mas igualmente processo através do qual estes contactos e influências se traduzem, graças a uma complicada alquimia, na construção de uma identidade específica”. (Espanã y Portugal en las Rutas de la Seda, Publicaciones de la Universitat de Barcelona, Barcelona, 1996).
Contudo, numa era caracterizada pela intensificação dos sistemas e práticas de comunicação, as rotas são hoje, sobretudo, os itinerários culturais de “cidadãos do mundo” desenraizados da sua matriz natural e ambiental, em busca todavia, dos fios perdidos de uma identidade que urge preservar. Daí o interesse deste tema e o seu actual aprofundamento por parte das indústrias culturais e de turismo.
Todavia, na abordagem ao tema da Rota da Lã, para além destas razões que explicam a sua actualidade, devemos ainda ter presentes várias outras das suas vertentes. O estudo de uma qualquer rota deverá procurar clarificar os percursos económicos tanto da matéria-prima como do produto fabricado, evidenciando ainda, e sobretudo, a abordagem antropológica que gera todo o processo.
No que se refere à Rota da Lã, os seus itinerários aparecem-nos profusamente documentados no nosso país e, concretamente, na região da Beira Interior, desde o século XII até à actualidade. Há ainda que ter em conta as complementaridades espaciais e de natureza geográfica que, ao longo dos tempos, se estabeleceram entre os homens que, neste domínio, se especializaram. Trata-se, muitas vezes, de circuitos criados e desenvolvidos através de laços de natureza pessoal ou grupal, de âmbito social e religioso que transcendem as meras relações de natureza económica e que permitem compreender situações pouco comuns. É o caso da Covilhã que podendo considerar-se geograficamente isolada no contexto nacional beneficiou de intensos contactos internacionais que podem considerar-se privilegiados e que terão resultado, provavelmente desde o século XVI, do estreitamento de laços veiculados através das comunidades judaicas e cristãs-novas, não só na esfera penínsular como europeia e até mundial.
Deste modo se poderão mais facilmente compreender as facilidades de circulação e a presença frequente de muitos empresários covilhanenses em importantes cidades industriais europeias, desde o século XVIII até à actualidade, não só para comprar maquinaria e colocar a produção como para frequentar escolas superiores de especialização têxtil.
TRAJECTÓRIA DA ROTA DA LÃ
A intervenção efectuada nos edifícios que constituíram esta manufactura, desenvolvida por fases e com objectivos diversos, revestiu-se de real significado, não só no domínio da recuperação arquitectónica e da conservação do património edificado, como a nível da própria preservação da memória dos lanifícios na Covilhã e da história da tinturaria portuguesa e europeia do Antigo Regime.
Os modelos de intervenção arquitectónica, de conservação arqueológica e de musealização nela experimentados podem avaliar-se já hoje como contributos para a própria afirmação da arqueologia industrial em Portugal. Efectivamente, foi no contexto da recuperação e musealização da Tinturaria da Real Fábrica de Panos que, tendo-se iniciado, se concluiu, provavelmente, um dos primeiros projectos de recuperação do património industrial português, com a inauguração, em 30 de Abril de 1992, do Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior. Foi igualmente no âmbito desta experiência que se iniciaram, na Covilhã e na região circundante, com carácter sistemático, levantamentos no domínio do património industrial.
Deste modo foi possível salvaguardar alguma da memória dos itinerários da produção de panos de lã, tanto a nível regional e nacional como até internacional, conhecer a diversidade e a origem dos produtos tintureiros orgânicos mais utilizados nas tinturarias da Real Fábrica de Panos, assim como os processos de fabrico e de tingimento característicos de uma manufactura de estado do Antigo Regime.
Os fios com que se tecem os panos fabricam também a recuperação da memória de um passado com que se procura alicerçar o futuro. É mais uma das virtualidades desta fibra natural que é a lã.
8 Séculos a trabalhar a lã
Um percurso no tempo
Séc. XII/XIII – Um trabalho doméstico
Nos primeiros tempos da monarquia já se fabricavam panos de lã em Portugal. As oficinas não eram fábrica mas a mera casa de habitação onde o tecido resultava de um trabalho doméstico. O 1º foral da Covilhã (1186) é um documento comprovativo.
Séc. XIV – Afirmação da Serra da Estrela
Portugal importava também os melhores tecidos os quais eram fabricados na Flandres. Os panos de Arras tinham prestígio internacional e, os teares domésticos nacionais já não teciam apenas panos lisos usando-se temas fornecidos pelos pintores.
A produção artesanal nacional encontrava-se baseada na Serra da Estrela e no Alentejo (Covilhã, Estremoz, Portalegre e Beja). O burel (pano tipo hábito de monge grosseiro) era o que mais se fabricava até aparecer o pano de lã meirinha.
Séc. XV – A produção diversifica-se
Nestas cidades portuguesas começam a ser fabricadas as baetas, picotes e outros tecidos até aí importados de Castela. Da Flandres importavam-se a sarja e o burel mas também os muito qualificados panos de Arras e as escarlatas (tecidos vermelhos).
Séc. XVI – Disseminação junto às rotas da transumância
O trabalho de lã encontra-se agora mais disseminado pelo território especialmente nas regiões de transumância e nas fronteiriças.
Os centros produtores alargavam-se na zona da Serra da Estrela (Covilhã, Gouveia, Seia, Oliveira do Hospital, Trancoso e Pinhel), no Alentejo (Beja, Portalegre, Arronches e Castelo de Vide) e em Santarém (os alambéis).
A produção de tecidos de lã satisfazia parte do consumo de Portugal, Açores e Madeira e os alambéis (tapetes coloridos) de Santarém parte do Norte de África.
Séc. XVII – As Primeiras Manufacturas
Por altura da Restauração Portuguesa (1640) a produção de tecidos de lã encontra-se distribuída nacionalmente e mantinha-se como trabalho caseiro e artesanal.
Algum tempo após, o 3º Conde da Ericeira encetar uma política de fomento e renovação do sistema produtivo. É agora a altura das primeiras grandes transformações em Portugal.
A partir de 1679 aparecem as grandes MANUFACTURAS de lã; Covilhã, Estremoz, Manteigas, Melo (Gouveia) e Lisboa são concretizadas, invocando-se que “A produção que daqui iria advir protegeria o país dos artigos importados”.
A evolução e o êxito das manufacturas foram tão grandes que durante dezenas de anos a sua produção supriu o consumo de Portugal e Brasil.
Séc. XVIII – Do Tratado de Methuen às Reais Fábricas
Os anos de setecentos começam com uma grave crise económica originada pelo famoso tratado de Methuen de 1703. A Inglaterra passava a introduzir livremente os seus lanifícios em Portugal. Depois sucede o mesmo com a Holanda. Acontece a ruína e a decadência de produção portuguesa.
A partir de 1710, por decisão de D. João V, a Covilhã +assa a fabricar nas suas manufacturas todos os fardamentos militares portugueses.
Quatro anos antes existiam 186 produtores (domésticos) desses panos na cidade. Aí existiam também a funcionar 72 teares e na sua limítrofe de Teixoso mais 46. Em Manteigas funcionavam 28 e em Belmonte 18.
Aparecem então as grandes unidades manufactureiras que envolvem grandes processos de modernização.
O grande restabelecimento da indústria de lanifícios deve-se à visão política e económica do Marquês de Pombal.
Num século de profunda evolução técnica e de sistema produtivo, Portugal vê criada em 1764 a Real Fábrica de Panos da Covilhã.
O Fomento Industrial de Pombal (1760-1777)
Neste período a política nacional assume a importância estratégica das manufacturas produtivas e com base nelas assentam as grandes medidas de industrialização. O plano parte de acções de espionagem industrial levadas a cabo na Europa com vista a conhecer melhor as inovações técnicas e a organização do trabalho têxtil (lanifícios, algodão e outros sectores).
O objetivo político era o de combater a dependência portuguesa das importações, articular a ligação de produção às colónias e modernizar uma produção atrasada.
O fomento industrial de Pombal baseia-se por isso na realidade pré-industrial (os centros das manufacturas) existentes no país: a fábrica de vidros da Marinha Grande (1769), a Rea Fábrica de Lanifícios de Portalegre (1772), a Fábrica de Chapéus de Pombal (1759), as de tabaco, refinação de açúcar e pólvora (1759), a reforma da Fábrica das Sedas (1757) e a Real Fábrica de Panos da Covilhã (1764).
Na Inglaterra tinha-se iniciado a Revolução Industrial.
Séc. XIX (1ª metade) – O Operário, a Indústria, o Proletariado
O trabalho de preparar, fiar e tecer as lãs é ainda manual em Portugal no início do Séc. XIX. Em 1808/ 10 inventam-se em Inglaterra os primeiros maquinismos para a indústria. Os conceitos evoluem para o significado atual: artista, artífice, operário, proletário e indústria.
As grandes unidades manufactureiras lusitanas prosperam até às invasões francesas altura em que o novo Tratado com os ingleses prejudica a indústria portuguesa. A Real Fábrica da Covilhã fecha durante anos até que, por acordo com o Estado, é transferida para privados em 1821.
Em 1837 verifica-se novo incremento da produção de lanifícios. Para além da Covilhã, Gouveia, Manteigas e Trinta (todas na Serra da Estrela), Lisboa, Porto, Amarante e Alenquer assistiram à criação de novas grandes unidades.
Em 1860, Belmonte, Teixoso e Tortosendo (marginando a Covilhã) já possuem 600 fogos cada. Metade da população destes centros vive dos lanifícios da Covilhã. Aqui, 35 unidades industriais empregam 1.850 homens, 680 menores, 760 mulheres e 540 raparigas. Nesse ano a grande massa de operários atinge quase 4.000 trabalhadores.
Cerca de 1850, Portugal já dispunha da máquina a vapor e os grandes centros industriais eram Lisboa, Porto, Covilhã e Portalegre.
No Alentejo e nos lanifícios trabalhavam ainda o Redondo (750 trabalhadores), Reguendos (430), Évora (98) e Estremoz.
Séc. XIX 2ª metade – A expansão industrial
Em 1881 o maior número de unidades industriais de lanifícios estava na Covilhã, no distrito da Guarda e em Castanheira de Pêra. O Porto e Lisboa tinham 3 fábricas cada e Alenquer uma.
Das 160 unidades portuguesas, a Covilhã detinha agora 128. A antiga vila da Covilhã, cidade desde 1870, tinha uma população de 12.000 habitantes e mais de metade (6.502) trabalhava nos lanifícios (homens, mulheres e crianças). Havia 859 teares instalados dos quais 57 eram mecânicos.
Gouveia possuía 20, Seia possuía 15, Manteigas e Guarda possuíam 5 e 1, respetivamente.
De 1881 para o fim do século (1896) a indústria de lanifícios passou de 160 unidades (151 fábricas e 9 oficinas) para 234.
O número de trabalhadores manteve-se quase nos 9.000 dos quais 6.500 na Covilhã. A indústria têxtil era em 1896 a maior empregadora (11.732 trabalhadores), seguida dos lanifícios (8.895), dos tabacos (4.776), conservas (4.653) e cortiça (4.380).
Séc. XX – Um apogeu Produtivo
Em 1916 a indústria têxtil era a mais importante (50.000 operários). A dos lanifícios mantinha-se em segundo lugar (10.861 operários), 210 unidades (103 no Distrito de Castelo Branco, 56 na Guarda, 18 em Leiria e 18 em Lisboa). Das 103 unidades de Castelo Branco, 88 encontravam-se na cidade da Covilhã.
Em 1934 o número de fábricas nacionais já era de 414, trabalhando em lanifícios 14.000 pessoas cabendo à Covilhã 5.600.
Após a II Grande Guerra a indústria de lanifícios atinge um novo apogeu produtivo. Era já um terceiro depois dos verificados no final do séc. XIX e após a I Grande Guerra. A partir de 1970 verificam-se encerramentos e a reestruturação tecnológica provoca uma crise social profunda.
Séc. XXI – Prossegue a Revolução Tecnológica
Nestes primeiros anos do séc. XXI a indústria laneira já é reflexo de outra revolução tecnológica. O trabalho foi deixando de ser baseado em mão-de-obra intensiva e é cada vez mais suportado em tecnologia intensiva. Esta alteração que permitiu produzir mais do que nunca, vai também sendo sustentada num menor número de unidades de lanifícios (e de trabalhadores) mas com enorme capacidade de produção. Atualmente saem das fábricas de lanifícios da Serra da Estrela dezenas de milhões de metros de tecido por ano. O escoamento do produto é agora feito mais pela exportação e menos para o mercado interno. Em termos tecnológicos, os teares a jacto de ar comprimido necessitam pouca mão-de-obra e fabricam com muita qualidade. Grandes marcas mundiais de vestuário usam tecidos “made in” Serra da Estrela.